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Que tipo de praieiro é você?

Hoje, dia 8 de junho, é comemorado o Dia Mundial dos Oceanos. Você, que como eu ama o mar, manja do ambiente marinho onde estica sua canga e pega sua onda? Vamos ver! Teste seus conhecimentos abaixo.

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  1. O Brasil tem a segunda maior barreira de corais do mundo?a)Verdade, parte dela fica no litoral nordestino.
    b)Verdade, os Corais da Amaz√īnia fazem parte dela.
    c)Mentira, todo mundo sabe que barreira de coral quem tem é a Austrália.
    d)
    Mentira, a segunda maior barreira de coral fica na Flórida, Estados Unidos.
  1. O que é um tsunami?
    a)Uma onda gigantesca que perde pouca energia e pode aumentar de tamanho perto da praia.
    b)Uma onda gigantesca que nasce do mesmo tamanho e segue destruindo tudo.
    c)Indiferente. O que importa é surfar a onda.
    d)Uma onda como as marolas que se acabam na praia, mas por ser maior destrói mais.
  1. Com quantas √°rvores se constr√≥i uma canoa cai√ßara ‚Äúde um s√≥ pau‚ÄĚ?
    a)
    Pelo menos duas, uma para os bancos e outra para a estrutura. b)Prefiro n√£o responder a esta pergunta capciosa.
    c)
    Com um √ļnico tronco esculpido de maneira artesanal.
    d)Com um tronco apenas que também é usado para levantar a vela.
  1. O que é um molusco bivalve?
    a)√Č um personagem inventado para o desenho do Bob Esponja.
    b)
    √Č aquela famosa conchinha de duas partes que encontramos na beira do mar.
    c)
    √Č um animal com duas v√°lvulas que vive no fundo do oceano e se alimenta de invertebrados.
    d)
    √Č uma esp√©cie de esponja marinha que se fixa nos corais.
  1. Qual a diferença de um siri para um caranguejo?
    a)
    O caranguejo tem duas pinças e o siri tem uma.
    b)O caranguejo tem dez patas e o siri tem oito patas.
    c)O siri tem duas patas traseiras que s√£o como nadadeiras.
    d)Só sei que quem anda para trás é caranguejo.
  1. O que √© uma ‚Äúba√≠a‚ÄĚ?
    a)√Ē, Meu Rei, √© apenas um estado brasileiro.
    b)
    Uma área de terra que avança para o mar e cercada de água por todos os lados.
    c)
    Um eufemismo para uma praia ‚Äúbonita‚ÄĚ.
    d)
    Um acidente geográfico onde o mar é quase todo rodeado por terra.

7. O que s√£o peixes bent√īnicos?
a)
Peixes que vivem junto ao sedimento marinho.
b)Uma esp√©cie de peixe chamada assim em homenagem ao Chico Bento, da Turma da M√īnica.
c)Peixes que se alimentam de algas bentas.
d)Peixes que vivem próximos à superfície do mar.

  1. O que s√£o bancos de algas?
    a)Onde os animais marinhos guardam suas economias.
    b)Um local de ref√ļgio e de alimenta√ß√£o para esp√©cies como cavalo-marinho e tartaruga-marinha.
    c)Algas √† deriva que enroscam em embarca√ß√Ķes.
    d)Algas que invadem a praia deixando a √°gua colorida.

Gabarito:

1.a 2.a 3.c 4.b 5.c 6.d 7.a 8.b

Se voc√™ acertou menos de quatro quest√Ķes, √©¬†mergulhar mais no tema para n√£o morrer na praia!

Se voc√™ acertou entre cinco e sete quest√Ķes, j√° √© quase um surfista na crista da onda.

Se você acertou entre oito e nove, quem sabe com mais braçadas alcança o tesouro do pirata?

Agora, se você acertou tudo, parabéns sereia ou sereio do mar! Seu mar está para peixe!

Saiba mais sobre o ambiente marinho e áreas costeiras acompanhando o trabalho do Instituto Costa Brasilis! Mais teste aqui!

 

 

Cad√™ a ‚Äúgalinha‚ÄĚ brasileira que estava aqui?

Estava na ‚Äúcopa do beb√™‚ÄĚ, em um hotel fazenda a cerca de uma hora de dist√Ęncia de S√£o Paulo, procurando frutas para minha beb√™ comer quando uma ave estranha me olhou desconfiada do jardim. Sou daquelas pessoas que v√™ rosto at√© onde n√£o existe, um fen√īmeno psicol√≥gico chamado de pareidolia. Imagine um movimento estranho de uma ave com cerca de um metro camuflada entre as √°rvores. Na hora fui fisgada. E encantada.

https://www.instagram.com/p/BZo2KmXASzI/

Era uma ave que andava elegantemente e delicadamente, com um bico alaranjado neon, o entorno do olho azul turquesa, canto agudo e com um penacho na cabeça como se fosse desfilar no carnaval. Linda! Claro que abrimos a porta para o jardim para chegarmos perto. Claro que a criança correu atrás dela, mas a ave fugiu e ficou nos fitando de longe.

Aos poucos, nos aproximamos. Nunca tinha visto uma ave daquela. Amigos me contaram pelas redes sociais que se tratava de uma siriema. Fiquei até envergonhada. Como assim sou brasileira, trabalho com meio ambiente há mais de dez anos e nunca tinha visto uma siriema ao ponto de nem reconhecer o animal?

Outras aves que encontramos aos bandos por l√° foram jacus, patos de diversas esp√©cies e coloridos, minhas amadas curicacas, muitas andorinhas, gavi√Ķes, os barulhentos quero-queros e maritacas e diversos p√°ssaros. Ah, uma observa√ß√£o, voc√™ sabia que nem toda ave pode ser chamada de passarinho? Todo passarinho √© ave, mas os p√°ssaros s√£o da ordem Passeriforme ‚Äď que fica logo abaixo da classe Aves na taxonomia, uma t√©cnica cient√≠fica de classifica√ß√£o de seres vivos.

Em seguida, veio a reflex√£o: ‚ÄúOnde est√£o essas aves t√£o brasileiras que mal conhecemos?‚ÄĚ Apenas nos livros did√°ticos? Aves que deveriam ser comuns, que ‚Äúpastavam‚ÄĚ por toda a cidade de S√£o Paulo e outros locais degradados por n√≥s. Algumas conseguiram se adaptar ao nosso horroroso ambiente concretado ‚Äď conhecidos por animais sinantr√≥picos ‚Äď como os gavi√Ķes, os urubus e as maritacas.

Os gavi√Ķes, por exemplo, s√£o muito observados nas beiras das rodovias. Entre outros, se alimentam de restos de animais atropelados e de pequenos bichos como roedores que circulam pelas monoculturas. Sobre os urubus nem preciso falar muito, tamb√©m se alimentam de carca√ßa ‚Äď se bobear, ainda invadem sua casa e te d√£o umas bicadas, principalmente se voc√™ for um piloto de avi√£o, a vingan√ßa. As maritacas comem os frutos das √°rvores na cidade.

Já imaginou uma delicada siriema circulando pelo quase nulo canteiro da paulistana Avenida Bandeirantes, por exemplo? Ia morrer de estresse apenas com a infernal poluição sonora. Agora, se essas grandes aves brasileiras estivessem nos parcos parques paulistas, sendo respeitadas, poderia ser viável, não? Já temos tucanos, garças, patos… Neste caso, mais valeria uma ave retomando o ambiente que é dela do que voando para outros locais.

J√° pensou em lagartear sob o Sol?

Toda vez que visito um local paradis√≠aco natural muito frequentado por humanos em temporadas, mas com pouca ou quase nula fauna silvestre, penso: ‚ÄúCad√™ os bichinhos que estavam aqui?‚ÄĚ Existiriam animais que ainda frequentam o lugar? Quais seriam? Em qual quantidade? Em quais √©pocas do ano esses animais v√™m para c√°? A natureza sempre nos surpreende.

Passei o √ļltimo fim de semana em S√£o Sebasti√£o (litoral norte de S√£o Paulo) e, j√° que n√£o tinha compromisso na capital, aproveitei para emendar mais dois dias na praia. Quando tenho a possibilidade de fazer isso √© comum me deparar com animais marinhos. Estes devem ficar escondidos – onde? -, enquanto o tumulto toma conta da praia.

Certa vez, quando s√≥ avistava no m√°ximo dez pessoas em toda uma praia de cerca de tr√™s quil√īmetros, quase pisei em uma arraia enquanto entrava no mar. Paulistanos sabem o quanto isso √© raro aqui no litoral do Sudeste. Em outra ocasi√£o, durante um deslumbrante p√īr do sol no qual a maioria dos humanos j√° havia se evadido da areia, vi duas tartarugas no raso (a √°gua estava abaixo do meu joelho) dan√ßando e se alimentando de restos de vegetais conforme o balan√ßo das ondas.

Muitas outras vezes encontrei siris de diversas cores e estampas, caranguejos rosa-choque, uma quantidade surpreendente de maria-farinha, de mergulh√Ķes, de golfinhos, de ermit√Ķes, etc. √Č o que se espera de um ambiente litor√Ęneo, certo? Nem sempre! Desta vez‚Ķ os lagartos estavam por todas as partes!

N√£o sei se √© √©poca de reprodu√ß√£o, mas na estrada que d√° acesso √† praia vi um tei√ļ correndo para o meio das √°rvores. Achei sorte. At√© comentamos no carro! Seguimos em frente. Caminhando para a praia, vi mais dois tei√ļs em momentos diferentes e de diferentes tamanhos correndo para o mato. Ok.

https://www.instagram.com/p/BZea_52ge-o/

Na segunda-feira, quando voltamos √† areia da praia, notei que ela estava repleta de pegada de lagartos! E um tei√ļ com mais de um metro e meio (n√£o √© hist√≥ria de pescador) correu para dentro de uma pequena caverna na praia! Ficamos de tocaia esperando ele sair para v√™-lo de perto. Conseguimos!

Em seguida, ao virarmos a cabe√ßa para o caminho que acaba na praia, observamos um tei√ļ pequeno, parecia jovem, correndo e saltando mais de dois metros! Um lagarto sal-tan-do. Nunca vi isso. Mas analisando a anatomia do bicho, um rabo grande e patas com dedos longos, d√° para entender que o corpinho deles deve ter se adequado para a modalidade salto √† dist√Ęncia.

https://www.instagram.com/p/BZecYg3Aq4Z

Era tanto lagarto tomando sol próximo da gente que até a novidade perdeu a graça. De ambos os lados. Nem mais os lagartos corriam de nós como nem as crianças queriam saber de correr atrás dos bichos para vê-los mais de perto.

Olhando para o lado direito, a moça deitada sobre a canga com o braço protegendo os olhos, e para o lado esquerdo, o lagarto parado nos fitando ao longe, deu para entender a expressão. Lagartear ao Sol. Aliás, o sol estava tão forte, a brisa tão fresca e branda e o céu tão azul que ninguém resistia ao lagartear. Nada melhor para dar aquela esquentadinha no sangue e liberar endorfina. Que o Sol brilhe para todos.

Grávida: você já ouviu falar sobre fisioterapia para o períneo?

Olá! Faz tempo que não apareço por aqui. Quero voltar a escrever mais para o Xis-xis, sinto uma necessidade absurda de trocar ideias, mas ando muito dedicada ao trabalho e, nas horas vagas, à minha bebê (passa tãaao rápido)! Por isso, convido a acompanhar os textos e atividades publicados lá no site da ONG Iniciativa Verde, onde cuido da comunicação. Tem coisa muito bacana que se relaciona com ciência, meio ambiente e, acima de tudo, à busca em melhorar a qualidade de vida de todos. Eventualmente, também publico algum texto mais profissional no LinkeIn. Passe lá também, se possível.

Agora, voltando √† programa√ß√£o, o assunto de hoje √©‚Ķ beb√™! Quer dizer, sa√ļde feminina durante a gesta√ß√£o. Quando engravidei, minha vontade era de ter um parto vaginal, com menos interfer√™ncia m√©dica desnecess√°ria poss√≠vel. Tive a sorte e o privil√©gio de j√° me consultar com uma ginecologista e obstetra honesta que me ajudou a realizar esse sonho do parto normal. Desde o pr√©-natal, me indicava a√ß√Ķes e cuidados para que eu tivesse um parto mais tranquilo poss√≠vel. Uma das indica√ß√Ķes foi a fisioterapia perineal.

Eu estava por volta das 20 e poucas¬†semanas de gesta√ß√£o e, como de costume, j√° havia lido muito sobre a gravidez em si. Em umas dessas leituras e conversas em um grupo de ioga para gr√°vidas, tinha me deparado com a tal da fisioterapia perineal. A obstetra foi incisiva: ‚ÄúSe quer ter um parto normal, voc√™ tem que fazer essa fisioterapia‚ÄĚ. Curiosa como eu, n√£o precisava dessa praticamente ordem para me convencer. Eu j√° queria mesmo. Bastava saber a data mais indicada para come√ßar.

Foi, assim, que conheci a Dra. Carla Dellabarba Petricelli, fisioterapeuta especializada em Uroginecologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S√£o Paulo (Unifesp/EPM) e mestre em Ci√™ncias da Sa√ļde pelo Departamento de Obstetr√≠cia (Unifesp/EPM). A obstetra a indicou. Delicada, calma e paciente, na primeira sess√£o de fisioterapia Petricelli fez uma entrevista, explicou como seriam os exerc√≠cios e uma an√°lise de como eu me encontrava.

Pode at√© parecer constrangedor no primeiro momento, visto que √© uma fisioterapia que engloba a regi√£o genital. Mas, confesso, depois da segunda sess√£o, eu me divertia contando para amigas e parentes sobre os exerc√≠cios para o per√≠neo. Devido a essa curiosidade que a fisioterapia perineal desperta e √† import√Ęncia dela, convidei a fisioterapeuta para esclarecer algumas d√ļvidas sobre o seu trabalho aqui no Xis-xis.

Carregando a bebê, mas fora da barriga. Uma foto de um bom momento para ilustrar.
Carregando a bebê, mas fora da barriga. Uma foto de um bom momento para ilustrar.

Para a minha gestação e parto, o trabalho da Dra. Carla foi fundamental. Graças a ela, eu já sabia o que esperar na hora do expulsivo, a maneira mais indicada de agir em cada etapa do trabalho de parto, conheci melhor o meu corpo grávido, minha musculatura perineal e abdominal voltou ao lugar rapidamente após o parto, tive poucas dores musculares na parte de baixo barriga durante a gravidez, psicologicamente estava mais segura para o parto e até para o pós-parto no que diz respeito ao meu corpo. Sou muito grata por ter tido essa oportunidade.

Leia a entrevista abaixo! O que melhor ser fazer: perguntar.¬†Espero que seja √ļtil a voc√™ tamb√©m! E, para a Carla, s√≥ tenho que agradecer e desejar um futuro mais brilhante! <3

Isis Rosa N√≥bile Diniz ‚ÄstO que √© a fisioterapia perineal? Que m√ļsculos ela trabalha?
Dra. Carla Dellabarba Petricelli ‚Äď A fisioterapia √© uma ci√™ncia da sa√ļde que estuda, avalia, previne e trata disfun√ß√Ķes acerca do movimento humano. A fisioterapia tem diversas √°reas de atua√ß√£o, as mais conhecidas s√£o: fisioterapia ortop√©dica, cardio-respirat√≥ria, neurol√≥gica, esportiva. Na sa√ļde da mulher, a fisioterapia uroginecol√≥gica e/ou fisioterapia p√©lvica trabalha nas disfun√ß√Ķes dos m√ļsculos do assoalho p√©lvico ou tamb√©m conhecido como per√≠neo. Esses m√ļsculos tem fun√ß√Ķes muito importantes para a mulher, pois al√©m de sustentar os √≥rg√£os p√©lvicos (bexiga, √ļtero, intestino) no seus devidos lugares, auxilia na contin√™ncia urin√°ria e fecal, melhora a resposta org√°smica, e al√©m disso, tem a capacidade de se alongar para o nascimento do beb√™. Quando esses m√ļsculos est√£o fracos, a mulher pode ter problemas de incontin√™ncia urin√°ria ou fecal, podem sofrer de disfun√ß√Ķes sexuais ou ter a descida dos √≥rg√£os citados acima.

Isis¬†‚Äď Quem √© o fisioterapeuta perineal? Quais profissionais pode passar exerc√≠cios? Existem diferentes t√©cnicas como o uso do epi-no ou outros m√©todos? Qual a principal indica√ß√£o de cada?Dra. Carla¬†‚ÄstO profissional que deve atuar nesse √°rea √© o fisioterapeuta (pois √© ele quem estuda e entende todas as disfun√ß√Ķes acerca da musculatura perineal). Ent√£o, √© o fisioterapeuta especializado em assoalho p√©lvico (que estudou uroginecologia, sa√ļde da mulher ou fisioterapia p√©lvica) que pode prescrever exerc√≠cios perineais, pois a paciente passar√° por uma avalia√ß√£o espec√≠fica para saber o grau de for√ßa muscular dessa regi√£o e, a partir da√≠, o profissional ir√° montar um protocolo de exerc√≠cios individual para aquele paciente, focando no fortalecimento muscular.

Dependendo do grau de fraqueza muscular, n√£o trabalhamos apenas com exerc√≠cios, utilizamos recursos espec√≠ficos para auxiliar no ganho de for√ßa muscular como a eletroestimula√ß√£o perineal (recurso usado em outras fases da vida da mulher, quando o m√ļsculo n√£o consegue contrair voluntariamente, esse equipamento ajuda o m√ļsculo a ganhar for√ßa “passivamente”), cones vaginais (s√£o pesos que quando colocados na vagina incrementam o ganho de for√ßa) entre outros. Apesar de trabalharmos muito com o fortalecimento muscular para tratar disfun√ß√Ķes, tamb√©m podemos atuar no final da gesta√ß√£o, com o alongamento perineal. Nesse caso, usamos um equipamento conhecido com Epi-no, que foi desenvolvido por uma empresa alem√£, com o intuito de treinar essa regi√£o para as demandas do parto.

Isis¬†‚ÄstUma pergunta envergonhada: qual a diferen√ßa da fisioterapia para o pompoarismo?
Dra. Carla¬†‚ÄstO pompoarismo √© oriundo da cultura indiana em que as mulheres s√£o ensinadas a contrair os seus m√ļsculos perineais voluntariamente durante a rela√ß√£o sexual a fim de adquirir maior prazer sexual. N√£o existe diferen√ßa no movimento realizado, existe diferen√ßa no foco do tratamento. O fisioterapeuta ir√° trabalhar os m√ļsculos com intuito de reabilitar a fun√ß√£o muscular e at√© tratar disfun√ß√Ķes sexuais com o mesmo exerc√≠cio.

Isis¬†‚Äď Por que ela √© importante para o parto? Ela evita a “bexiga ca√≠da”? Evita a lacera√ß√£o ou que se fa√ßa a episiotomia?
Dra. Carla¬†‚ÄstVamos l√°, os exerc√≠cios perineais com o intuito de fortalecimento muscular s√£o importantes na gesta√ß√£o para prevenir o enfraquecimento desses m√ļsculos e impedir as incontin√™ncias urin√°ria e fecal, que muitas vezes come√ßam a surgir na gesta√ß√£o e n√£o apenas no p√≥s-parto. Ent√£o, √© de extrema import√Ęncia esse treino muscular, para evitar sim a “descida” dos √≥rg√£os p√©lvicos, at√© aproximadamente 32 semanas de gesta√ß√£o.

Depois desse per√≠odo, deve-se manter o treinamento de for√ßa muscular, mas come√ßamos a mudar o foco e fazemos o alongamento perineal com o Epi-no. Esse equipamento √© um exercitador que foi criado para treinar o per√≠odo expulsivo com a paciente. Nele, a mulher sente os m√ļsculos do per√≠neo sendo alongados at√© a sua capacidade m√°xima e depois ela treina a forma como deve expulsar o bal√£o inflado. √Č claro que esse alongamento deve ser feito com o aux√≠lio de um fisioterapeuta e, dessa forma, a mulher melhora esse alongamento at√© o momento do nascimento do beb√™.

Existem v√°rios artigos cient√≠ficos que falam de uma grande chance do per√≠neo permanecer √≠ntegro, ou seja, sem que a paciente tenha lacera√ß√£o (quando o m√ļsculo se rasga durante a passagem do beb√™) ou precisar de episiotomia (corte na vagina para facilitar a passagem do beb√™). Os estudos s√£o muito recentes e ainda tem muito a ser estudado, mas para que se tenha sucesso nesse treinamento, o paciente deve procurar um fisioterapeuta para entender como realizar o treinamento, porque existem particularidades no posicionamento do aparelho e como proceder durante toda a sess√£o.

Isis¬†‚ÄstE para o p√≥s-parto, qual a sua relev√Ęncia?
Dra. Carla¬†‚ÄstNo p√≥s-parto, o mais importante √© fortalecer os m√ļsculos para que a paciente n√£o tenha nenhuma disfun√ß√£o desse grupo muscular. Esse treino j√° pode ser feito ap√≥s oito horas de parto vaginal ou ces√°rea.

Isis¬†‚Äď Ali√°s, outra curiosidade: homem tamb√©m pode fazer? Em quais situa√ß√Ķes √© indicada?
Dra. Carla¬†‚ÄstGeralmente, os homens apresentam queixa nessa regi√£o ap√≥s cirurgia de retirada de pr√≥stata, em que ficam incontinentes. Precisa de um fisioterapeuta para avaliar a for√ßa muscular e reabilitar essa musculatura para melhorar o quadro de incontin√™ncia urin√°ria.

Isis¬†‚Äď Acredita que com o aumento de parto humanizado e valoriza√ß√£o do parto normal, existe uma procura maior por esse tipo de fisioterapia? As pessoas t√™m vergonha de dizer que fazem? Como escolher um profissional adequado?
Dra. Carla¬†‚ÄstSim, na verdade atualmente as mulheres est√£o tendo mais informa√ß√Ķes sobre o parto normal e enfrentando os seus medos acerca da dor que sentir√£o ou do tempo de trabalho de parto e outros fantasmas. E as informa√ß√Ķes obtidas t√™m facilitado a procura da fisioterapia. E isso tem sido libertador, porque muitas pacientes tem ajudado a divulgar o trabalho que a fisioterapia realiza, n√£o sinto que as mesmas tenham vergonha ao falar desse servi√ßo. Para escolher um profissional adequado √© preciso saber a sua forma√ß√£o e a sua experi√™ncia profissional. Colegas de outras profiss√Ķes acabam indicando como obstetras e/ou enfermeiros.

Isis¬†‚Äď Antigamente, as mulheres faziam mais trabalhos f√≠sicos, caminhavam mais, eram mais fisicamente ativas. Acredita que, por isso, elas pariam com maior facilidade?
Dra. Carla¬†‚ÄstJ√° existem alguns estudos que falam que mulheres ativas apresentam partos mais r√°pidos e sua recupera√ß√£o √© melhor comparadas √†s sedent√°rias. Por isso que estimulamos a atividade f√≠sica na gesta√ß√£o, mesmo quando a paciente √© sedent√°ria orientamos que inicie alguma atividade. A fisioterapia p√©lvica pode complementar a atividade j√° realizada com exerc√≠cios globais mais direcionados que auxiliar√£o no trabalho de parto e no per√≠odo expulsivo.

 

Baleias: elas voltaram!

IMG_8232Reparou que, no √ļltimo m√™s, h√° mais not√≠cias de baleias jubarte sendo avistadas na costa brasileira? Principalmente, vistas de passagem pelos estados da regi√£o Sudeste como S√£o Paulo e Rio de Janeiro? Coincid√™ncia? N√£o (na foto, uma r√©plica de filhote de jubarte, no Projeto Baleia Jubarte, Bahia).

Nesta √©poca, inverno, essa esp√©cie de baleia (Megaptera novaeangliae) sobe o litoral brasileiro at√© a regi√£o da Bahia, onde parem seus belos e gigantes filhotes que nascem com quatro metros e pesam mais de uma tonelada! L√°, no divino estado brasuca, ficam at√© cerca de novembro amamentando a cria. Quando o filhotinho est√° mais rechonchudinho, ela volta para as √°guas frias do oceano em busca de alimento, o krill (um min√ļsculo camar√£o).

Devido √† prote√ß√£o delas, sua popula√ß√£o est√° aumentando. Se voc√™ for para a Praia do Forte (Bahia), entre julho e outubro, poder√° fazer um passeio de barco para avistar esses belos animais – eles ficam cerca de tr√™s quil√īmetros longe da costa. Duas dicas: fa√ßa o passeio com ag√™ncias credenciadas pelo Projeto Baleia Jubarte e em qualquer √©poca visite a organiza√ß√£o.

O Projeto oferece visita monitorada no local explicando muita curiosidade sobre os cet√°ceos (animais dos quais ela faz parte) e h√° algumas r√©plicas fabulosas para crian√ßas. √Č uma visita r√°pida, mas de intenso aprendizado.

Ent√£o, se voc√™ √© daqueles que s√≥ gosta de praia no ver√£o, repense. Se tiver sorte, pode ver maravilhosas baleias dando um ‚Äúoi‚ÄĚ com seus saltos (elas saltam para se livrar dos piolhos, eca) ou batendo suas caldas por a√≠ (√© por meio da calda que os pesquisadores sabem qual baleia √©, o desenho √© como uma impress√£o digital). Este ano, minha cunhada viu jubarte em S√£o Sebasti√£o. Eu bem que fiquei horas e dias fitando o mar, mas n√£o tive a mesma sorte. Mas j√° observei pinguins no litoral de S√£o Paulo e de Santa Catarina. <3

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Ali√°s, outra informa√ß√£o r√°pida. As jubartes n√£o s√£o as √ļnicas baleias que procuram o litoral do Brasil para procriar. A maravilhosa baleia-franca (Eubalaena australis), aquela cheia de cracas brancas, tamb√©m sobe at√© Santa Catarina para ter seus filhotinhos nesta √©poca do ano. E voc√™ tamb√©m pode v√™-las saltar sentado na areia (!) ou de barco (a foto acima e abaixo tirei de uma franca na √Āfrica do Sul – se for para l√°, tenho muitas dicas de passeio para parques).

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Por fim, √ļltima curiosidade: voc√™ sabe como as baleias e golfinhos dormem? O porqu√™ deles n√£o fecharem os olhos? Pois descobri l√° no Projeto Baleia Jubarte. Os lados direito e esquerdo do c√©rebro desses animais s√£o separados. Na hora do sono, eles ‚Äúdesligam‚ÄĚ um dos lados, enquanto o outro mant√©m atividades b√°sicas de sobreviv√™ncia como n√£o deixar afundar. Incr√≠vel, n√©?

Bom, eu pretendo fazer mais apari√ß√Ķes por aqui. Espero conseguir. A maternidade e a experi√™ncia do meu trabalho¬†na Iniciativa Verde me trouxeram mais repert√≥rio e uma nova maneira de ver a vida. Um beijo desta amante dos cet√°ceos. Vamos falar balei√™s!

Amamentar é psicológico

Fotos Marina-45Amiga (o)! Estou em falta com este blog. Espero que entenda que este ano resolvi me dedicar à maternidade, ao meu trabalho e à minha família. Estou vivendo um momento de me reencontrar. Afinal, maternidade é isso: psicológico.

Falando nisso, a bebê já completou um ano e eu sigo amamentando. Tive a sorte (e a preparação) de amamentar assim que a bebê nasceu sem nenhum empecilho e de continuar amamentando. A bebê saiu da maternidade mais gordinha do que nasceu, ou seja, ao contrário do que é esperado, ela não perdeu peso nos primeiros dias. Nem na primeira semana de vida. E nem durante todos os meses de amamentação exclusiva.

A amamenta√ß√£o seguiu tranquila at√© eu avacalhar e ter o peito rachado quando ela estava prestes a completar um ano. Como assim avacalhar? Comecei a amamentar deitada, de qualquer jeito, sem me preocupar com a t√£o falada ‚Äúpega correta‚ÄĚ. O resultado foram dias para meu peito cicatrizar. Ap√≥s eu voltar a tomar cuidado, ele melhorou. Assim, muitas futuras mam√£es e at√© atuais m√£es me perguntam como consegui a fa√ßanha de amamentar ‚Äď quase ‚Äď sem problemas. O segredo? Ah, como diz o livro hom√īnimo √©… psicol√≥gico.

 

Tudo de bom

Bom, os benef√≠cios da amamenta√ß√£o j√° foram exaustivamente abordados e estudados. Entre eles, para a m√£e est√£o: menor risco de desenvolver c√Ęncer de mama e de ov√°rio, menor risco de ter fraturas de quadril por osteoporose, voltar mais r√°pido ao peso de antes de engravidar, a barriga volta mais r√°pido ao que era antes de engravidar, o corpo libera endorfina que d√° sensa√ß√£o de prazer, a ocitocina liberada (‚Äúdroga do amor‚ÄĚ) tem diversos pap√©is como de refor√ßar a liga√ß√£o entre m√£e e filho, entre outros.

E para o beb√™? A cada pesquisa descobrem mais benef√≠cios. Ajuda o beb√™ a se acalmar, a n√£o ter as chamadas ‚Äúc√≥licas‚ÄĚ (aquele choro que ningu√©m consegue identificar a causa), fornece anticorpos, ajuda a elaborar o paladar para diversos alimentos (j√° que o gosto do leite muda de acordo com o que a m√£e ingere), pode reduzir a mortalidade infantil em at√© quase 25%, ajuda a maturar o intestino, √© o alimento mais rico em nutrientes que se pode oferecer ao beb√™, previne a hipotermia, protege contra infec√ß√Ķes gastrointestinais e respirat√≥rias, previne contra o desenvolvimento de alergias, entre um monte de outras coisas.

 

√Č obrigat√≥rio?

Tem mãe que não quer amamentar. E essa é uma escolha. Ela não é menos mãe ou ama menos seu filho por isso. A decisão deve ser respeitada. Tem mãe que não pode amamentar. Algumas doenças como HIV e hepatites acredita-se que podem ser transmitidas via aleitamento materno. Em outros casos, a mãe precisa tomar alguns medicamentos de uso contínuo que também podem ser passados para o leite, contraindicando a amamentação. Também existem casos de mães que fizeram plásticas no seio que danificaram os dutos lactíferos. Em outros raros casos, as mães querem, mas não conseguem amamentar. Lembrando que mães com bico invertido ou plano conseguem amamentar, podem ter mais dificuldade, mas querer pode ser poder.

E qual o segredo do sucesso? Paci√™ncia, em primeiro lugar. E pega correta, disputando o p√°reo. Amamentar requer tempo. Disposi√ß√£o. Quando a gente amamenta, a gente cansa. Sua. Emagrece. Parece que corremos a maratona. Principalmente durante a noite, o ato de amamentar libera melatonina (subst√Ęncia respons√°vel por ajudar a regular nosso rel√≥gio biol√≥gico sobre dia e noite), o que d√° um sono incontrol√°vel. In-con-tro-l√°-vel. Deve ser por isso que dizem que a amamenta√ß√£o substitui o sexo. N√£o substitui, mas d√° um sono… Por isso que beb√™s e m√£es parecem desmaiados ap√≥s a amamenta√ß√£o.

 

O segredo

Bom, amamentar requer tempo. Demora. O beb√™ novinho suga devagar. √Äs vezes, eles querem ficar no peito, independente da idade, em busca de prote√ß√£o e aconchego. Outras, choram e esperneiam porque o leite desce devagar. Se ele est√° nervoso, basta amamentar para que se acalme ‚Äď as batidas de ambos os cora√ß√Ķes tendem a se regularem iguais. Quando voc√™ amamenta, sinaliza para a crian√ßa que ela est√° segura, que aquele √© um lugar seguro.

Sem contar que, como disse acima, amamentar requer energia. Eu ingiro muito mais calorias, acho que quase 800 calorias mais por dia (esse n√ļmero varia entre m√£es e filhos) do que antes da gravidez. Na gravidez, creio que basta ingerir no m√°ximo mais 400 calorias por dia. Voc√™ parece calma sentada por horas, mas cansa! D√° at√© calor. Como se estiv√©ssemos, mesmo, nos exercitando na academia. Sem contar que temos que ficar alerta para n√£o dormir enquanto amamentamos. Pode ser perigoso sufocar ou derrubar o beb√™. Est√° caindo de sono? Amamente sentada no ch√£o e com pouca almofada. Ou… pe√ßa para algu√©m ficar ao seu lado te acordando, rs (isso quando a pessoa ao lado n√£o dorme e √© voc√™ quem tem que acord√°-la na madrugada!). Voc√™ est√° dormindo? O ajudante responde: ‚ÄúN√£o, apenas estou descansando os olhos‚ÄĚ. Est√° bom, rs.

E o que √© a tal da lend√°ria ‚Äúpega correta‚ÄĚ? √Č o jeito que o beb√™ abocanha. Da maneira correta, n√£o deve doer. No come√ßo, assim que ele nasce, pode incomodar. Mas com o tempo voc√™ n√£o sentir√° nada ‚Äď apenas o leite descendo podendo at√© dar pontada nos seios. O beb√™ deve abocanhar quase toda a parte debaixo da aur√©ola ficando com uma boca parecida com de peixinho na parte de cima. Veja aqui. Com o maxilar, ele bombeia o leite (dentro da aur√©ola h√° uma esp√©cie de bombinha que ajuda a puxar o leite).

Parece m√°gica da natureza. Nosso corpo √© incr√≠vel e mais ainda como o c√©rebro age. Voc√™ sabia que at√© m√£es que adotam podem conseguir amamentar? Colocando o beb√™ no seio e com os horm√īnios liberados pelo c√©rebro, ela pode come√ßar a produzir leite. √Č impressionante.

 

Dicas

Abaixo seguem minhas dicas (uma compila√ß√£o de instru√ß√Ķes fornecidas por minha obstetra, pela pediatra, pela minha fisioterapeuta e proveniente de infinitas leituras). Prepare-se para a amamenta√ß√£o antes do beb√™ nascer. Deram certo para mim. De repente, podem te ajudar:

  • A partir da 37¬™ semana de gesta√ß√£o, tente com sua m√£o formar um bico no bico do seu seio;
  • Antes do beb√™ nascer, combine com a obstetra que voc√™ quer amamentar logo ap√≥s parir se esse n√£o for o procedimento do local;
  • Tome ao menos quatro litros de √°gua por dia! Sem √°gua, sem leite;
  • Tenha paci√™ncia;
  • Insista sempre;
  • Procure n√£o se estressar;
  • Evite oferecer chupeta, ela pode confundir o beb√™ prejudicando a pega (e pequisas indicam que beb√™ que usa chupeta larga o seio mais cedo do que os que n√£o usam);
  • Evite oferecer mamadeiras, elas tamb√©m podem atrapalhar a pega e fazer o beb√™ largar antes o seio, j√° que voc√™ produzir√° menos leite e o leite da mamadeira sai mais f√°cil. Se precisar, ofere√ßa leite no copo ou na colher (sim, d√° um trabalh√£o, o segredo √© n√£o deixar o beb√™ se esgoelar de fome);
  • Est√° sentindo que est√° com pouco leite? Est√° estressada? Deixe o beb√™ sugando no seu peito. O ato ajuda a estimular a volta da produ√ß√£o de leite;
  • Confie no beb√™;
  • Use suti√£s adequados (inclusive na hora de dormir) ao tamanho do seu seio (isso tamb√©m ajuda a manter o peito firme);
  • Conchas de prote√ß√£o podem ajudar a dessensibilizar o bico do peito;
  • No primeiro dia ap√≥s o parto e durante dois dias, massageie o seio com movimentos circulares de fora para perto do bico para evitar que empedre e a mastite. Tamb√©m vale chacoalh√°-los, rs;
  • O bico pode ser um lugar exposto a bact√©rias que causam infec√ß√Ķes. Tome banho lavando da cabe√ßa aos p√©s, cuidado em piscinas;
  • Rachou? Passe lanolina no primeiro dia, use concha e deixe o bico do seio exposto ao ar;
  • Sempre que poss√≠vel, deixe o bico do seio secando ao ar livre;
  • Impe√ßa que o beb√™ puxe ou empurre o seio;
  • Evite lavar o peito ap√≥s amamentar. Lave apenas no banho, normalmente. Evite passar sabonete no bico;
  • Use roupas confort√°veis;
  • Sente-se com a coluna ereta;
  • Posicione o beb√™ na altura do peito com o aux√≠lio de travesseiros ou almofadas enquanto amamenta;
  • Procure sentar como ‚Äú√≠ndia‚ÄĚ para melhorar a circula√ß√£o nas pernas;
  • Evite gritar enquanto amamenta. Imagine algu√©m gritando no seu ouvido enquanto voc√™ se alimenta;
  • Aceite e pe√ßa ajuda com os outros afazeres;
  • Se alimente bem, coma alimentos saud√°veis;
  • O beb√™ n√£o est√° ganhando peso? Saiba que nos primeiros minutos o leite que sai tem mais anticorpos e √°gua, o leite mais gordo (com calorias) vem depois. Portanto, deixe ao menos o beb√™ 15 minutos seguidos em cada seio;
  • Est√° cansada da livre demanda? Ofere√ßa um peito por pelo menos meia hora e mexa no pezinho do beb√™ para que ele n√£o durma enquanto mama. Deixe ele com menos roupa para n√£o dormir. Em seguida, troque a fralda do beb√™ para que ele acorde mais e coloque um pouco mais de roupa adequada ao clima. Ofere√ßa o outro seio por pelo menos mais 15 minutos. Se ele dormir, aproveite para descansar ap√≥s coloc√°-lo por 15 minutos ‚Äúpara arrotar‚ÄĚ. Geralmente, neste esquema, os beb√™s acabam mamando entre duas e tr√™s horas de intervalo. Se ganhar peso, parab√©ns, continue assim.
  • Ofere√ßa o √ļltimo seio primeiro;
  • Curta cada precioso momento. As crian√ßas mamam por pouco tempo. Passa r√°pido.

Se você quer muito amamentar e não está conseguindo, procure ajuda. Se você não quer, tudo bem. O importante é ser feliz!

Foto: Poline Lys.

Queremos parques ‚Äúde bonito‚ÄĚ ou para serem curtidos?

IMG_6381Na √Āfrica do Sul,¬†quando caminh√°vamos – vendo uma foca brincar nas ondas¬†– pela areia da praia do¬†Parque Nacional Tsitsikamma¬†(foto acima) em dire√ß√£o a uma trilha, para subir 300 metros de morro, um homem nos parou. Abriu um sorriso: ‚ÄúOi, tudo bem? De onde voc√™s s√£o?‚ÄĚ Respondemos que √©ramos do Brasil. ‚ÄúO que acharam do parque, est√£o gostando?‚ÄĚ O lugar era lindo com animais marinhos, fant√°stico com pared√Ķes que despencavam na √°gua, bem cuidado, bem estruturado, com uma lanchonete que n√£o metia a faca na gente, seguro em rela√ß√£o a tudo, enfim, est√°vamos amando. ‚ÄúQue bom que est√£o aproveitando, desculpe-me a intromiss√£o, mas sou o diretor do parque e queria saber se estavam contentes.‚ÄĚ √Č por essas e por tudo o mais que amo a √Āfrica do Sul, mesmo com seus graves problemas sociais.

Na¬†√Āfrica do Sul¬†e nos maiores parques da Argentina e do Chile, √© poss√≠vel dormir dentro deles.¬†Aproveitar a lanchonete, geralmente, sem pre√ßos muito abusivos. Tamb√©m d√° para caminhar com seguran√ßa pelas trilhas bem demarcadas e obter informa√ß√Ķes sobre o local com os funcion√°rios. Os saf√°ris da √Āfrica dizem por si no imagin√°rio das pessoas –¬†√© tudo isso o que voc√™ pensa. Aqui do outro lado do Atl√Ęntico, gente, o Chile nem parece um hermano brasileiro. As entradas aos parques s√£o baratas e eles s√£o bem sinalizados, organizados, t√™m excelentes estradas e trilhas – cora√ß√£o para o Parque Nacional¬†Torres del Paine¬†(foto do Sol, abaixo)¬†e¬†Parque Nacional El Morado. Se perder neles, s√≥ se for em pensamento‚Ķ

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A¬†√Āfrica do Sul, que h√° cerca de 15 anos estava em meio a uma guerra civil, conseguiu se reerguer economicamente sabendo usar o ecoturismo.¬†Ali√°s, o ecoturismo colaborou at√© para recuperar √°reas naturais e esp√©cies.¬†O Chile, apertadinho entre tanta beleza, tem parques desde o deserto do Atacama at√© o frio da¬†Patag√īnia. Quem nunca sonhou em conhecer uma das belezas¬†naturais do Chile? Digo o mesmo para a Argentina, que divide conosco as Cataras do Igua√ßu, que tem o Perito Moreno e o¬†Parque Nacional Tierra del Fuego¬†l√° no¬†Fim do Mundo. E o Brasil, o que tem? Desse tamanho todo, n√£o tem nada?

Muitos parques (reservas) brasileiros, sejam eles p√ļblicos ou privados, se encontram em triste situa√ß√£o.¬†A maioria deles sofre com falta de planejamento e do famoso manejo.¬†Em alguns parques, onde o atrativo eram as aves, n√£o se observam mais aves. Outros quase tiveram que fechar as portas por conta da falta de dinheiro para mant√™-los.¬†Outros s√£o depredados pelos visitantes, que em vez de terem orgulho da beleza nacional, preferem destruir o nosso patrim√īnio. Claro que, j√° que Deus √© brasileiro, ainda h√° palmeiras onde canta o sabi√°.

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Existem in√ļmeros bons exemplos no Brasil.¬†O mais recente que eu visitei, a convite da Funda√ß√£o Botic√°rio que o mant√©m, √© o¬†Reserva Natural do Salto Morato¬†(foto abaixo)¬†distante apenas 170 quil√īmetros de Curitiba, capital do meu maravilhoso Paran√°. O lugar tem cachoeira de 100 metros, piscina natural, figueira de 350 anos,¬†quase 600 esp√©cies de plantas, cerca de 350 esp√©cies de p√°ssaros¬†(f√°ceis de serem avistados), mais de 80 esp√©cies de mam√≠feros‚Ķ D√° para caminhar por ele com seguran√ßa, d√° para acampar e ele tem lanchonete. A entrada inteira? Sai por sete reais.

Vamos aproveitar o que temos de lindo e de melhor. Vamos conhecer as reservas respeitando a cultura local, sem retirar nada do lugar, tendo cuidado com n√≥s e com os outros, guardando o meio ambiente. Assim,¬†com essas a√ß√Ķes, n√≥s estimularemos a conserva√ß√£o desse e de mais locais. O Brasil √© gigante. O Brasil √© lindo. A popula√ß√£o brasileira √© uma das mais simp√°ticas e generosas do mundo. Isso tudo √© o que temos de melhor. Alguns ecoturismo s√£o caros, sim. Ent√£o, vamos estimular aqueles que s√£o vi√°veis para que os invi√°veis economicamente se tornem mais acess√≠veis.¬†E, sempre, sempre com consci√™ncia.¬†O ecoturismo pode impactar um lugar, mas pode ajudar a preserv√°-lo.

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Obs.: Todas essas fotos do pots pertencem ao Xis-xis. Por favor, peça autorização para usá-las.

Por que eu tenho olhos castanhos? Ou azuis?

Vou fazer uma pausa nos posts e v√≠deos sobre a minha amada Patag√īnia para postar um v√≠deo da parceria do Xis-xis, este blog que vos fala, e do Aprenda.bio! Voc√™ nunca entendeu que raios √© o tal do gene? E muito menos o que √© gene recessivo, dominante e o porqu√™ de voc√™ n√£o ter olhos claros? Calma, minha gente. Estamos a√≠ para ajudar. Veja o v√≠deo abaixo e tire suas d√ļvidas! Qualquer coisa, s√≥ escrever nos coment√°rios! Um abra√ßo e boa iluminada semana!

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Lobos-marinhos acasalando

IMG_1743Huuuum, danadinhos. Peguei no flagra! Enquanto um pequeno lobo-marinho descansava sob a pedra fria, o casal do lado direito ‚Äúdan√ßava‚ÄĚ e rugia alto. Acho que era um macho e uma f√™mea acasalando – confesso que n√£o tenho certeza. Segundo esse texto, a √©poca de acasalamento desses animais √© no ver√£o. Vai ver que, para os dois da foto, -15¬ļC √© calor‚Ķ

Na região do Ushuaia (Argentina), na Terra do Fogo, vivem dois tipos de lobos-marinhos. Os lobos-marinhos de um pelo e, de dois pelos. Isto significa que a segunda espécie citada tem, em vez de um, dois pelos para se proteger do frio. Por isso consegue viver até na Antártida.

No inverno, √© comum encontrarmos esses animais no Brasil. Para entender, deve-se considerar que as correntes marinhas do Atl√Ęntico Sul, geralmente, funcionam assim: a corrente fria sobe margeando a costa da √Āfrica, esquenta no Equador e desce margeando a costa do Brasil. Nos meses mais frios, correntes podem subir pela costa da Am√©rica do Sul, trazendo consigo ao nosso pa√≠s animais marinhos mais comuns em regi√Ķes frias como os lobos-marinhos e pinguins. Meteorologia √© incr√≠vel, n√£o? Minha paix√£o.

Com certeza, j√° ouviu alguma garota do tempo dizer: ‚ÄúEntrar√° no Brasil uma corrente fria proveniente da Argentina‚ÄĚ. Agora, voc√™ pode entender melhor do que se trata.