Baía de Guanabara contra águas e morros?

Este √© um post no estilo: voc√™ sabia? Ao menos 15% da Ba√≠a de Guanabara, aquela coisa linda circundada por cidades como Rio de Janeiro e Niter√≥i, foi aterrada desde a “descoberta” do Brasil. Uma famosa obra do tipo √© o aterro onde est√° inserido o Parque do Flamengo – delicioso ficar pasmando nele admirando o P√£o-de-A√ß√ļcar. Bom, apesar de sua beleza, qual o limite para tal ocupa√ß√£o? H√° muitas “est√≥rias” para refletirmos sobre as altera√ß√Ķes feitas por n√≥s na paisagem.

 

Segundo um pessoal da Fiocruz, localizada no bairro de Manguinhos, antigamente o mar chegava até a avenida Brasil (veja no mapa), umas das vias expressas mais importantes de entrada da Cidade Maravilhosa e que possui a péssima fama de ser perigosa devido aos tiroteios. Também já ouvi e li rumores de que praias como a do Botafogo e Copacabana sofreram com a interferência humana.

 

Talvez a hist√≥ria mais triste sobre aterros na Ba√≠a de Guanabara diz respeito ao Aeroporto Santos-Dumont. Existe um bairro, no centro do Rio, chamado Castelo que ainda hoje √© conhecido por alguns como “Morro do Castelo”. O local era hist√≥rico. De acordo com not√≠cias publicadas em jornais, foi nesse morro que os portugueses, em 1500 e bolinhas, se abrigaram ap√≥s expulsarem os franceses da cidade (ali√°s, dizem que o “r” carioca √© pronunciado puxado devido ao sotaque franc√™s). Ent√£o, foi ali que a cidade se estabeleceu.

 

Assim, v√°rios edif√≠cios hist√≥ricos foram constru√≠dos desde a √©poca dos jesu√≠tas e se mantiveram de p√© at√© o come√ßo de 1900 – entre eles, uma fortaleza que inspirou o nome dado ao morro. At√© que, nos anos de 1920, o morro foi ladeira abaixo. Sob o pretexto de melhorar a circula√ß√£o de ar na cidade para as comemora√ß√Ķes do 1¬ļ Centen√°rio da Independ√™ncia do Brasil, o prefeito Carlos Sampaio mandou demolir o local.

 

Aquele mont√£o de terra tirada de l√° foi usado, entre outros, para aterrar a √°rea do Aeroporto Santos-Dumont. E, assim, a hist√≥ria literalmente se encontrou demolida. Pr√©dios hist√≥ricos, acidente geogr√°fico natural, resid√™ncias, lembran√ßas… ao ch√£o – ou no fundo do mar. Valeu a pena? Como disse meu marido, “parece que as pessoas tentam insistentemente deixar o Rio de Janeiro feio, mas mesmo assim n√£o conseguem”. Tomara.

 

Saguis: bonitinhos, mas ordin√°rios

Quem passeou de bondinho no Rio de Janeiro, pelo P√£o-de-A√ß√ļcar, j√° deve ter visto aqueles macaquinhos engra√ßadinhos que ficam nos encarando com cara de pid√£o: os saguis. Eles encantam pela fisionomia e pelo jeito, por√©m causam um problem√£o por serem¬†quando s√£o uma esp√©cie invasora no estado do Rio de Janeiro e de S√£o Paulo.

Esses saguis s√£o origin√°rios da Mata Atl√Ęntica (n√£o do Sudeste), mas de uma parte do bioma do Nordeste – leia mais sobre os saguis. Aqui, no Sudeste, eles foram introduzidos pelo homem. As m√°s l√≠nguas dizem que as pessoas compravam os saguis como bicho de estima√ß√£o. Por√©m, como o macaquinho √© inquieto, acabavam abandonando em matas da cidade.

 

Não vou nem falar sobre a prática de ter em casa um bicho de estimação sem permissão legal e, tão péssimo quanto, largá-lo depois. Há um outro problema. Os saguis souberam se virar por aqui. Eles se alimentam de frutas, de insetos e de ovos de passarinho.

 

Há alguns anos, quando estive no Parque Estadual da Ilha Anchieta, em Ubatuba (litoral norte de São Paulo), um responsável pelo local me contou que os saguis estavam causando um desequilíbrio no ecossistema da ilha. Os saguis, por se alimentarem de ovos, diminuem a população de pássaros nativos que não conseguem defender sua cria. E agora, José?

 

Curiosidade: lá no Morro da Urca, vi um sagui passando seu filhotinho lindo para outro sagui. Achei estranho devido à nossa proximidade (humanos) deles e porque sempre, em documentários, vi a mãe macaca carregar o bichinho Рclique na imagem ao lado para ver o filhotinho. A Maria Guimarães, do Ciência e Ideias, me contou que o macho sagui ajuda a fêmea a carregar o filhote. Afinal, levar um bebê pesadinho o dia todo junto ao corpo cansa.
Corre√ß√Ķes: Leia os coment√°rios abaixo feitos pelo veterin√°rio especializado em animais silvestres¬†e fot√≥grafo¬†Samuel Betkowski.¬†“Existem SIM esp√©cies de saguis origin√°rias da regi√£o sudeste do Brasil. (…) N√£o existe problema nenhum nisso. Ainda, algumas esp√©cies nativas do sudeste est√£o amea√ßadas de extin√ß√£o como √© o caso do Sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita)”, explica.

Olhe o “matinho” da praia a√≠, gente

Que bacana! Lembra-se do jundu – clique aqui e ali? Trata-se de uma vegeta√ß√£o costeira em risco de extin√ß√£o. Desde crian√ßa – vou ao Rio de Janeiro, praticamente, todos os anos -, achava fant√°stico o “matinho de praia” que tomava parte da areia, √†s vezes avan√ßando sobre o cal√ßad√£o, no Leblon. Ainda mais quando estava sobre umas min√ļsculas dunas. Dava um ar mais selvagem √† praia, mais natural.¬†Nunca entendi porque apenas l√° um pouco dessa vegeta√ß√£o estava preservada…

Por sorte, parece que algu√©m anda pensando da mesma maneira que eu. Agora, os jundus do Leblon e de Ipanema foram cercados para ningu√©m pisar neles! O cercadinho sempre est√° acompanhado de uma placa: “√Ārea de prote√ß√£o ambiental da orla mar√≠tima. Lei municipal 1.272/88. Recomposi√ß√£o da vegeta√ß√£o de restinga fixadora de dunas. Ajude a conservar esta praia mantendo limpo este local”.¬†√Č o m√≠nimo que deveria ser feito para recompor esse ecossistema completamente devastado da Mata Atl√Ęntica.

 

Inspire-se nessa imagem.

Protegendo as tartarugas no Caribe

Este, enfim, √© o √ļltimo post sobre meu olhar relacionado ao meio ambiente na viagem que fiz este ano ao Caribe. Daqui em diante, mergulharemos nas maravilhas do Rio de Janeiro! Bom, o arquip√©lago venezuelano Los Roques tamb√©m tem um projeto para preservar as tartarugas marinhas: a Fundaci√≥n Cient√≠fica Los Roques. Como em diversos lugares do mundo, l√° no Caribe o n√ļmero de tartarugas diminuiu consideravelmente nos √ļltimos anos por v√°rios motivos, entre eles a pesca.

Na Ilha de Dos Mosquises, h√° o que eles chamam de “esta√ß√£o marinha” – que tem a parte de tanques aberta para a visita√ß√£o. Ela √© composta por instala√ß√Ķes voltadas ao estudo do ecossistema local e diversos tanques repletos de tartarugas coletadas ap√≥s o nascimento – veja o v√≠deo. No local, eles mant√©m as tartaruguinhas protegidas dos predadores, inclusive do homem, por cerca de dez meses at√© elas atingirem um tamanho e mobilidade maior. Depois, s√£o soltas na areia para caminharem ao mar e seguirem o seu destino.

 

Das sete espécies de tartarugas marinhas que existem no mundo, cinco vivem na Venezuela e quatro em Los Roques Рmais detalhes leia aqui, em espanhol. Segundo o biólogo Carlos (foto), as tartarugas logo ao nascerem passam muito tempo boiando quietinhas na água.

Esse comportamento somado ao seu tamanho Рmenor que a palma da mão quando nascem Рoferece muito risco a esses animaizinhos. Tanto que, nos tanques, a gente vê as tartaruguinhas lindinhas boiando, boiando e apenas parando para comer.

 

Para incentivar os turistas a preservarem Los Roques Рe a conhecer o trabalho da fundação -, eles foram bem espertos. Todos os barcos que vão para Cayo de Agua, ilha que possui uma das praias mais lindas do mundo, param em Dos Mosquises na volta. Nesta ilha, os visitantes têm uma palestra sobre a preservação marinha, sobre o ecossistema do local e conhecem o trabalho da instituição.

Após a rápida palestra, de cerca de 15 minutos, você tem certeza de que não deve correr como um doido direto para a água azul-calcinha, por mais que o desejo seja muito forte. Nunca se sabe o que te espera naquela areia fininha abaixo do mar. Na ocasião em que estive lá, por exemplo, conheci o famoso peixe-pedra exposto em um tanque Рele foi coletado em frente à fundação. O animal simpático vive em lugares com pouca profundidade e, como diz seu nome, parece uma pedra. Aí, sem perceber, você entra na água e pisa no bicho. No dorso, ele possui um espinho que Рdizem Рdói muito quando perfura nossa pele.

 

Bom, o investimento que a funda√ß√£o recebe √© bem menor se comparado ao Projeto Tamar que grandes empresas patrocinam… Independente das condi√ß√Ķes, o bacana √© ver que os bi√≥logos se esfor√ßam para preservar esses animais e o ambiente marinho. Essa percep√ß√£o faz com que todos saiam satisfeitos da “aula” e, espero, mais conscientes.

 

Obs.: A Fundación Científica Los Roques tem um blog bem bacana com muitas fotos e vídeos relacionados aos trabalhos deles Рentre aqui.

Diminuindo o sal da comida

Vergonha alheia √© bobagem. Como j√° disse por aqui, estou fazendo um curso di√°rio chamado “Locu√ß√£o – Apresenta√ß√£o de Televis√£o”. A atividade de hoje era falar sobre sa√ļde de improviso e entrevistar algumas pessoas dentro do Mercado da Lapa. Como neste blog tamb√©m gosto de abordar o tema sa√ļde, compartilho o v√≠deo com voc√™. S√≥ pe√ßo que n√£o repare na pequena gafe: eu disse que coloco sal na salada, mas n√£o! Queria contar que tempero a salada com lim√£o. Por√©m, como o sal estava na minha cabe√ßa… Bom, veja o mais recente v√≠deo post do Xis-xis:

 

 

Obs.: Claro que aproveitei o “passeio” para comprar sal marinho, que n√£o encontro em qualquer lugar, e quitutes para beliscar como¬†am√™ndoa¬†defumada (n√£o conhecia, √© uma del√≠cia).

Peixes dependem da ligação entre manguezais e recifes

Querido leitor,

Ando numa correria maluca conciliando o trabalho, o curso de Radialista – Apresentador de TV (Senac) e a vida pessoal (incluindo este blog). Minha meta √© voltar mais sussa assim que acabar o curso no pr√≥ximo m√™s – isso se n√£o inventar mais nada novo para fazer… Bom, esses dias, entre a olhadela nos e-mails, encontrei o resultado de uma pesquisa que merece destaque, principalmente, porque comprova algo intuitivo – e que pode ser o caso de outras esp√©cies.Reproduzo parte do e-mail, que recebi da Conserva√ß√£o Internacional (CI),¬†sobre a pesquisa:

Estudo in√©dito realizado na Regi√£o dos Abrolhos comprova que esta conex√£o √© essencial para o ciclo de vida do Dent√£o ou Vermelho, esp√©cie de alto valor comercial cuja captura anual chega a 3.000 toneladas no pa√≠s; resultados exp√Ķem lacunas quanto a medidas de prote√ß√£o da esp√©cie.

Um mapeamento at√© ent√£o desconhecido do ciclo de vida de uma importante esp√©cie de peixe para o pa√≠s demonstra que a conectividade entre manguezais e recifes √© essencial para sua sobreviv√™ncia. Conduzido ao longo de um ano por pesquisadores do Brasil e exterior, com apoio da Conserva√ß√£o Internacional (CI-Brasil), o estudo apresentou pela primeira vez os padr√Ķes de movimenta√ß√£o do vermelho (Lutjanus jocu) atrav√©s de diferentes h√°bitats na Regi√£o dos Abrolhos, o maior e mais biodiverso complexo recifal do Hemisf√©rio Sul. A descoberta, publicada recentemente na revista Estuarine, Coastal and Shelf Science, oferece informa√ß√Ķes-chave para o manejo da esp√©cie, que j√° apresenta acentuado decl√≠nio em seus estoques.

 

A pesquisa mostra que o tamanho do vermelho é menor nos estuários, intermediário nos recifes costeiros e maior na área do Parque Nacional Marinho (Parnam) dos Abrolhos, indicando que a espécie migra ao longo da plataforma continental na medida em que cresce. Confirmando o estudo recém publicado, dados provenientes da pesca comercial revelam que os maiores peixes, entre 70 e 80cm, são encontrados em recifes ainda mais profundos e afastados da costa. Foram investigadas 12 áreas que representam diferentes hábitats costeiros e recifais, abrangendo a Reserva Extrativista (Resex) de Cassurubá, os recifes Parcel das Paredes e Sebastião Gomes e o Parnam dos Abrolhos.

 

Segundo Guilherme F. Dutra, diretor do Programa Marinho da CI-Brasil, apesar de a conectividade entre ambientes costeiros e marinhos ser bastante difundida e aceita, poucos trabalhos foram exitosos em demonstr√°-la de maneira efetiva. ‘Esse √© o primeiro estudo que consegue provar a rela√ß√£o entre manguezais e recifes para essa esp√©cie que tem grande import√Ęncia comercial’, comemora.

 

As novas informa√ß√Ķes sobre o ciclo de vida do vermelho alertam para a condi√ß√£o de vulnerabilidade da esp√©cie cujos estudos recentes indicam redu√ß√£o nos estoques no Banco dos Abrolhos devido √† sobrepesca. Segundo informa√ß√Ķes dos desembarques, s√£o capturados pelo menos 3.000 toneladas da esp√©cie por ano nessa regi√£o, numa atividade que envolve cerca de 20 mil pescadores. ‘As medidas de manejo adotadas para assegurar a explora√ß√£o sustent√°vel dos vermelhos n√£o s√£o suficientes’, salienta Rodrigo Moura, professor da Universidade Estadual de Santa Cruz e um dos co-autores do estudo. Ele explica que atualmente n√£o h√° qualquer restri√ß√£o √†s capturas dos adultos durante a fase reprodutiva ‚Äď entre junho e setembro ‚Äď ou tamanhos m√≠nimos de comercializa√ß√£o que assegurem que os peixes capturados tenham completado pelo menos um ciclo reprodutivo, o que ocorre acima de 35cm.

 

Para chegar at√© a idade adulta, o dent√£o precisa de ref√ļgio em manguezais e recifes pr√≥ximos √† costa, mesmo em √°reas liberadas para pesca. ‘Uma vez que a esp√©cie migra atrav√©s da plataforma continental, est√° claro que √°reas protegidas em unidades isoladas, tais como o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, n√£o s√£o efetivas para proteger as diversas etapas do ciclo de vida’, enfatiza Moura. (…)

 

Sobre a esp√©cie Lutjanus jocu – Associado aos ambientes rochosos e coralinos, o dent√£o – ou vermelho – √© um dos mais importantes recursos pesqueiros capturados em ecossistemas recifais no Atl√Ęntico Ocidental. Das 19 esp√©cies da fam√≠lia Lutjanidade que ocorrem no Brasil, a esp√©cie estudada est√° entre as cinco mais importantes para a pesca. Apesar de sua import√Ęncia e ampla distribui√ß√£o, com ocorr√™ncia da Fl√≥rida ao sudeste brasileiro, havia pouco conhecimento sobre o ciclo de vida da esp√©cie.”

Leia o texto na íntegra aqui.