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2019: um ano para estabilizar as transforma√ß√Ķes

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Entrei em 2019 com a impress√£o de que 2018 n√£o acabou. Parece que, agora, a energia desses dois anos chegou ao fim. Ufa. Acho que 2019 foi uma finaliza√ß√£o de 2018. Uma √©poca de mudan√ßas que, como todas elas, trazem fins e novos caminhos. Na verdade, um ano para estabilizar essas transforma√ß√Ķes. N√£o adianta lutarmos contra algo que precisa mudar, porque as consequ√™ncias em insistir no que n√£o √© para n√≥s podem ser piores. Resultando em somatiza√ß√Ķes no corpo, na mente, no esp√≠rito.

De maneira geral, este foi um ano de foco em muito trabalho e muita realiza√ß√£o nele. Sou grata! No primeiro semestre, fui colunista sobre meio ambiente de r√°dio! Para quem adora falar, esse tipo de trabalho √© um encontro. Minha coluna ia ao ar no programa Desperta, da R√°dio Transam√©rica. Quando eu tinha dez anos, pedi um r√°dio para meu padrinho para, justamente, ouvir essa frequ√™ncia. Que sinal…

Na mesma √©poca, me despedi da bolsa de divulga√ß√£o cient√≠fica do CNPq, onde planejava e executava a comunica√ß√£o nas redes sociais. Precisei aceitar essa finaliza√ß√£o de dez anos de trabalho em divulga√ß√£o cient√≠fica que come√ßou l√° com meu blog Xis-xis. Preenchi esse tempo com maior dedica√ß√£o ao meu n√ļcleo familiar. Minha base na vida. O blog, ali√°s, quase saiu do ar. Vamos ver o que vir√° com rela√ß√£o a meus projetos pessoais na √°rea de divulga√ß√£o da ci√™ncia.

Como retorno √† sociedade, dei in√ļmeras palestras sobre o projeto de comunica√ß√£o desenhado ao CNPq. Conheci mais pessoas da √°rea da comunica√ß√£o e divulga√ß√£o cient√≠fica das quais virei f√£. Fiz novas amizades. No IEMA, pude exercer com todo amor √† causa socioambiental meu trabalho em comunica√ß√£o. Gra√ßas √† organiza√ß√£o, conheci pessoas do terceiro setor ou ativistas que admiro – pude falar isso para elas.

No IEMA, aprendi a me colocar criticamente sem medo. Ali√°s, tamb√©m aprendi que devemos contar para as pessoas, principalmente mulheres, o quanto elas s√£o incr√≠veis. Como elas nos inspiram. N√£o de maneira leviana. Mas verdadeiramente. Viajei bastante a trabalho, algo que nem imaginava acontecer: Bras√≠lia, Rio de Janeiro, Recife, Manaus, Madri… E, coincidentemente, todas essas viagens trouxeram um retorno ao meu eu mais √≠ntimo e genu√≠no.

“Est√° de volta √† terrinha?”, parentes perguntavam quando disse estar em Manaus. Morei l√° e, agora, tive a oportunidade maravilhosa de me aproximar mais dos povos origin√°rios. Bras√≠lia se relevou uma paix√£o, um desejo. O Rio, lugar mais lindo do mundo, vive sempre em meu imagin√°rio de bossa. Em uma viagem √† Recife decidi casar com o Gustavo. E, em Madri, que j√° conheci no meu primeiro mochil√£o para fora do Brasil, realizei o sonho de trabalhar para um mundo melhor em uma Confer√™ncia das Partes (COP), encontro da ONU. Uau.

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O mundo √© feito de pessoas incr√≠veis. Em busca de uma Terra mais harm√īnica e justa para se viver. Obrigada natureza, ci√™ncia, astros, antroposofia. Obrigada a todas as minhas amigas e amigos que por horas me ouviram me ajudando a estabilizar as transforma√ß√Ķes deste ano. Obrigada √†s amigas e aos amigos que confiaram a mim conselhos e caminhos. Obrigada √† minha fam√≠lia que me ajudou a realizar todos esses sonhos. Na verdade, s√≥ pude tudo isso gra√ßas a voc√™s. Obrigada ao meu mais lindo e novo afilhadinho. Obrigada aos meus pais, irm√£o, Gustavo e Marina. Voc√™s s√£o tudo de mais importante para mim. Obrigada, universo. Filha, espero estar construindo com todas essas pessoas um mundo mais lindo para voc√™. Venha 2020!

Dia Mundial dos Oceanos: Qual a sensação de praticar mergulho

Posso fazer aqui uma declaração de amor?

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Imagine um mar que parece gelatina. De cima do barco, d√° para ver o fundo dele¬†a mais de quarenta metros abaixo de voc√™. Ainda da embarca√ß√£o, os cardumes de peixes que brilham como neon nadam lateralmente. Parecem nos olhar. Quando me jogo nessa √°gua quentinha (como n√£o se atirar?) ou√ßo o barulho dos corais. Sim, eles estalam! Vejo um tubar√£o-lixa beb√™, arraias, tartarugas t√£o lesadas como aquelas do filme “Procurando Nemo”, polvo assustado, moreias maiores que eu e muitos peixes coloridos de diversas formas. Corais de todas as cores, esponjas, uma √°gua transparente e uma areia macia.

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Eu já havia praticado snorkeling no  litoral brasileiro, pelo que me lembre, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bonito (MS) Рeste merece um post à parte. Mas nunca havia visto nada como Fernando de Noronha, da descrição acima. Após me entregar para aquela água, minha vida mudou. Quando mergulhei de cilindro lá, então, entendi a paz que o mar nos traz.

Eu estava com medo de saltar na √°gua com presos pesos √† minha cintura e com aquele cilindro que deveria pesar mais que eu. Por sorte, estava com o instrutor mais paciente e carinhoso do grupo. Certamente ele pensou: “Essa vai dar trabalho”. Tremendo, n√£o sei se de frio ou nervoso, come√ßamos a afundar.

Quando cheguei a mais de dez metros de profundidade (sem precisar subir para pegar ar, como teria que fazer com o snorkel) ao mar eu tinha certeza que pertencia. Era relativamente silencioso. Ouvia mais forte apenas minha respiração. Tudo azul. Senti uma paz que só havia atingido meditando.

Brinquei de “fechar” corais. Observei os animais marinhos. Me senti de volta ao √ļtero. Acolhida. Estava muito feliz e plena. Ficamos cerca de meia hora abaixo da √°gua, explorando aquele mundo maravilhoso, mas parecia apenas cinco minutos quando j√° era para voltarmos.

Eu não quis. Comecei a fugir do instrutor. Como se tivesse a capacidade de deslizar como um tubarão cheia daqueles penduricalhos presos ao meu corpo. O instrutor nadou atrás de mim e falou que não tinha jeito, precisávamos subir. Deu a entender que o ar poderia acabar. Começou a inflar minhas boias.

Relutei em voltar √† superf√≠cie tentando argumentar de baixo da √°gua por l√≠ngua de sinais de mergulho.¬†Lamentei muito. Subi contrariada. Eles explicaram que aquilo que eu senti aconteceu devido ao excesso de oxig√™nio no meu c√©rebro. Que “d√° barato” e a pessoa perde a no√ß√£o de tempo e de perigo.

N√£o, meus amigos. Aquilo aconteceu devido ao excesso de mar em volta de mim.

#DiaMundialdosOceanos

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Cad√™ a ‚Äúgalinha‚ÄĚ brasileira que estava aqui?

Estava na ‚Äúcopa do beb√™‚ÄĚ, em um hotel fazenda a cerca de uma hora de dist√Ęncia de S√£o Paulo, procurando frutas para minha beb√™ comer quando uma ave estranha me olhou desconfiada do jardim. Sou daquelas pessoas que v√™ rosto at√© onde n√£o existe, um fen√īmeno psicol√≥gico chamado de pareidolia. Imagine um movimento estranho de uma ave com cerca de um metro camuflada entre as √°rvores. Na hora fui fisgada. E encantada.

Alguém sabe que ave é essa? #ave #bird #animal #silvestre

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Era uma ave que andava elegantemente e delicadamente, com um bico alaranjado neon, o entorno do olho azul turquesa, canto agudo e com um penacho na cabeça como se fosse desfilar no carnaval. Linda! Claro que abrimos a porta para o jardim para chegarmos perto. Claro que a criança correu atrás dela, mas a ave fugiu e ficou nos fitando de longe.

Aos poucos, nos aproximamos. Nunca tinha visto uma ave daquela. Amigos me contaram pelas redes sociais que se tratava de uma siriema. Fiquei até envergonhada. Como assim sou brasileira, trabalho com meio ambiente há mais de dez anos e nunca tinha visto uma siriema ao ponto de nem reconhecer o animal?

Outras aves que encontramos aos bandos por l√° foram jacus, patos de diversas esp√©cies e coloridos, minhas amadas curicacas, muitas andorinhas, gavi√Ķes, os barulhentos quero-queros e maritacas e diversos p√°ssaros. Ah, uma observa√ß√£o, voc√™ sabia que nem toda ave pode ser chamada de passarinho? Todo passarinho √© ave, mas os p√°ssaros s√£o da ordem Passeriforme ‚Äď que fica logo abaixo da classe Aves na taxonomia, uma t√©cnica cient√≠fica de classifica√ß√£o de seres vivos.

Em seguida, veio a reflex√£o: ‚ÄúOnde est√£o essas aves t√£o brasileiras que mal conhecemos?‚ÄĚ Apenas nos livros did√°ticos? Aves que deveriam ser comuns, que ‚Äúpastavam‚ÄĚ por toda a cidade de S√£o Paulo e outros locais degradados por n√≥s. Algumas conseguiram se adaptar ao nosso horroroso ambiente concretado ‚Äď conhecidos por animais sinantr√≥picos ‚Äď como os gavi√Ķes, os urubus e as maritacas.

Os gavi√Ķes, por exemplo, s√£o muito observados nas beiras das rodovias. Entre outros, se alimentam de restos de animais atropelados e de pequenos bichos como roedores que circulam pelas monoculturas. Sobre os urubus nem preciso falar muito, tamb√©m se alimentam de carca√ßa ‚Äď se bobear, ainda invadem sua casa e te d√£o umas bicadas, principalmente se voc√™ for um piloto de avi√£o, a vingan√ßa. As maritacas comem os frutos das √°rvores na cidade.

Já imaginou uma delicada siriema circulando pelo quase nulo canteiro da paulistana Avenida Bandeirantes, por exemplo? Ia morrer de estresse apenas com a infernal poluição sonora. Agora, se essas grandes aves brasileiras estivessem nos parcos parques paulistas, sendo respeitadas, poderia ser viável, não? Já temos tucanos, garças, patos… Neste caso, mais valeria uma ave retomando o ambiente que é dela do que voando para outros locais.

J√° pensou em lagartear sob o Sol?

Toda vez que visito um local paradis√≠aco natural muito frequentado por humanos em temporadas, mas com pouca ou quase nula fauna silvestre, penso: ‚ÄúCad√™ os bichinhos que estavam aqui?‚ÄĚ Existiriam animais que ainda frequentam o lugar? Quais seriam? Em qual quantidade? Em quais √©pocas do ano esses animais v√™m para c√°? A natureza sempre nos surpreende.

Passei o √ļltimo fim de semana em S√£o Sebasti√£o (litoral norte de S√£o Paulo) e, j√° que n√£o tinha compromisso na capital, aproveitei para emendar mais dois dias na praia. Quando tenho a possibilidade de fazer isso √© comum me deparar com animais marinhos. Estes devem ficar escondidos – onde? -, enquanto o tumulto toma conta da praia.

Certa vez, quando s√≥ avistava no m√°ximo dez pessoas em toda uma praia de cerca de tr√™s quil√īmetros, quase pisei em uma arraia enquanto entrava no mar. Paulistanos sabem o quanto isso √© raro aqui no litoral do Sudeste. Em outra ocasi√£o, durante um deslumbrante p√īr do sol no qual a maioria dos humanos j√° havia se evadido da areia, vi duas tartarugas no raso (a √°gua estava abaixo do meu joelho) dan√ßando e se alimentando de restos de vegetais conforme o balan√ßo das ondas.

Muitas outras vezes encontrei siris de diversas cores e estampas, caranguejos rosa-choque, uma quantidade surpreendente de maria-farinha, de mergulh√Ķes, de golfinhos, de ermit√Ķes, etc. √Č o que se espera de um ambiente litor√Ęneo, certo? Nem sempre! Desta vez‚Ķ os lagartos estavam por todas as partes!

N√£o sei se √© √©poca de reprodu√ß√£o, mas na estrada que d√° acesso √† praia vi um tei√ļ correndo para o meio das √°rvores. Achei sorte. At√© comentamos no carro! Seguimos em frente. Caminhando para a praia, vi mais dois tei√ļs em momentos diferentes e de diferentes tamanhos correndo para o mato. Ok.

Na segunda-feira, quando voltamos √† areia da praia, notei que ela estava repleta de pegada de lagartos! E um tei√ļ com mais de um metro e meio (n√£o √© hist√≥ria de pescador) correu para dentro de uma pequena caverna na praia! Ficamos de tocaia esperando ele sair para v√™-lo de perto. Conseguimos!

Em seguida, ao virarmos a cabe√ßa para o caminho que acaba na praia, observamos um tei√ļ pequeno, parecia jovem, correndo e saltando mais de dois metros! Um lagarto sal-tan-do. Nunca vi isso. Mas analisando a anatomia do bicho, um rabo grande e patas com dedos longos, d√° para entender que o corpinho deles deve ter se adequado para a modalidade salto √† dist√Ęncia.

https://www.instagram.com/p/BZecYg3Aq4Z

Era tanto lagarto tomando sol próximo da gente que até a novidade perdeu a graça. De ambos os lados. Nem mais os lagartos corriam de nós como nem as crianças queriam saber de correr atrás dos bichos para vê-los mais de perto.

Olhando para o lado direito, a moça deitada sobre a canga com o braço protegendo os olhos, e para o lado esquerdo, o lagarto parado nos fitando ao longe, deu para entender a expressão. Lagartear ao Sol. Aliás, o sol estava tão forte, a brisa tão fresca e branda e o céu tão azul que ninguém resistia ao lagartear. Nada melhor para dar aquela esquentadinha no sangue e liberar endorfina. Que o Sol brilhe para todos.

As pessoas são uma história de geografia

Esta pequena cr√īnica n√£o tem nada a ver com ci√™ncia. Ou, pode ter. Tem a ver com geografia, hist√≥ria, geologia, sociologia. Mas, acima de tudo, tem a ver com a gente. Homo sapiens. Segue um pequeno texto feliz. Tenha um lindo dia!

M√ļsica traz cada lembran√ßa deliciosa… Estava ouvindo Caetano Veloso e Roberto Carlos cantar Wave, do meu amado Tom Jobim. Na hora, viajei no tempo para 2015 e no espa√ßo para Puerto Natales, no Chile. Est√°vamos, o Gustavo Mendes e eu, num restaurante. Conversei em espanhol com o gar√ßom magrinho, que trouxe o menu para a gente. Escolh√≠amos qual prato t√≠pico ia nos aquecer naquele cerca de 0 grau que fazia l√° fora, em pleno feriado super festivo da Independencia Nacional. O gar√ßom parou para observar um pouco de longe.

O chamamos e fizemos o pedido. E ficamos quentinhos observando as ruas cada vez mais agitadas, felizes, repletas de patriotas. Enquanto esper√°vamos o prato, o gar√ßom perguntou: “Voc√™s s√£o brasileiros?” “Sim”, dissemos animados. Ele contou que era colombiano (mal, na √©poca, eu saberia que hoje seria apaixonada pela Col√īmbia, que estaria pesquisando a hist√≥ria do pa√≠s), meio acanhado. Percebemos que, de repente, havia um certo preconceito por l√° contra colombianos.

Ele disse que morava h√° tempo no Chile e que a fam√≠lia dele tinha uma ‚Äúcasa nas montanhas‚ÄĚ. Um dos passatempos preferidos dele era, enquanto ca√≠a a neve, ficar na casa de campo bebendo vinho e ouvindo bossa nova! Detalhe, com a lareira acesa, claro. “Bossa nova √© a m√ļsica perfeita para esta ocasi√£o.” Eu, que sempre remeti √† brisa quente do Rio de Janeiro e, especialmente, ao Arpoador com aquele mar verde-√°gua ao tipo de m√ļsica, fiquei com um pingo de inveja. Deve ser bom, mesmo, e j√° me imaginei bebendo vinho, ouvindo Tom, com a neve caindo l√° fora. No entanto, nosso amigo gar√ßom estava aflito.

Ele queria saber os nomes dos cantores brasileiros de bossa nova para baixar e ouvir segurando sua bebida preferida. Ele n√£o entende portugu√™s, n√£o sabia por onde come√ßar. Veio com um guardanapo e uma caneta e pediu, um pouco escondido do chefe dele: “Voc√™s podem anotar o nome dos cantores para eu baixar as m√ļsicas?” No come√ßo, escrevemos nomes mais contempor√Ęneos como o de Roberta S√°. Fizemos uma lista com uns dez nomes. At√© que ele nos mostrou o CD que tinha.

Sabe aqueles que vende no aeroporto, colet√Ęnea com cantores menos conhecidos cantando os cl√°ssicos readaptados? Ficamos compadecidos. Precis√°vamos come√ßar do come√ßo: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Jo√£o Gilberto, Baden Powell… E os nomes aumentavam no papel… O guardanapo, com cerca de 25 m√ļsicos maravilhosos, ficou bem preenchido. O gar√ßom guardou no bolso e saiu todo feliz. Vimos comentar com o barman. Ap√≥s o jantar, ganhamos at√© uma bebida nacional, que √© servida no feriado (algum chileno sabe o nome?). Ali√°s, foram dois cop√Ķes da bebida deliciosa ‚Äď que nem era servida no lugar, mas preparam para a gente.

E, at√© hoje, eu me pego pensando. Ser√° que ele conseguiu baixar as m√ļsicas? Ser√° que era o que esperava? Ser√° que est√° feliz? Ou ser√° que nos xingou e perdeu a chance de pedir exato o que queria? Ser√° que veio para a Copa ou √†s Olimp√≠adas ‚Äď por onde a gente passava, convidada os novos amigos hermanos para passearem aqui, demos at√© nosso e-mail para v√°rios para ajud√°-los a enfrentar a Rep√ļblica Tupiniquim. Espalhamos dicas de seguran√ßa e de como se passar por brasileiros.

As viagens n√£o s√£o apenas feitas de paisagens indescrit√≠veis como do maci√ßo Paine, um dos locais mais lindos que j√° vi na vida. Ali√°s, Torres del Paine est√° para as montanhas como Fernando de Noronha est√° para o mar. As viagens s√£o feitas de momentos. Bons momentos passados ao lado das pessoas. Caiu, agora, uma l√°grima. Obrigada, amigo colombiano. Hoje, estudando mais sobre seu pa√≠s, desejo que ele seja t√£o lindo de se viver quanto √© maravilhoso em belezas naturais. E quanto a nossa conversa. Ah, e pena que esquecemos de colocar na sua lista esse CD do Caetano com o Roberto! Duas vozes que parecem feitas para a bossa nova…

Baleias: elas voltaram!

IMG_8232Reparou que, no √ļltimo m√™s, h√° mais not√≠cias de baleias jubarte sendo avistadas na costa brasileira? Principalmente, vistas de passagem pelos estados da regi√£o Sudeste como S√£o Paulo e Rio de Janeiro? Coincid√™ncia? N√£o (na foto, uma r√©plica de filhote de jubarte, no Projeto Baleia Jubarte, Bahia).

Nesta √©poca, inverno, essa esp√©cie de baleia (Megaptera novaeangliae) sobe o litoral brasileiro at√© a regi√£o da Bahia, onde parem seus belos e gigantes filhotes que nascem com quatro metros e pesam mais de uma tonelada! L√°, no divino estado brasuca, ficam at√© cerca de novembro amamentando a cria. Quando o filhotinho est√° mais rechonchudinho, ela volta para as √°guas frias do oceano em busca de alimento, o krill (um min√ļsculo camar√£o).

Devido √† prote√ß√£o delas, sua popula√ß√£o est√° aumentando. Se voc√™ for para a Praia do Forte (Bahia), entre julho e outubro, poder√° fazer um passeio de barco para avistar esses belos animais – eles ficam cerca de tr√™s quil√īmetros longe da costa. Duas dicas: fa√ßa o passeio com ag√™ncias credenciadas pelo Projeto Baleia Jubarte e em qualquer √©poca visite a organiza√ß√£o.

O Projeto oferece visita monitorada no local explicando muita curiosidade sobre os cet√°ceos (animais dos quais ela faz parte) e h√° algumas r√©plicas fabulosas para crian√ßas. √Č uma visita r√°pida, mas de intenso aprendizado.

Ent√£o, se voc√™ √© daqueles que s√≥ gosta de praia no ver√£o, repense. Se tiver sorte, pode ver maravilhosas baleias dando um ‚Äúoi‚ÄĚ com seus saltos (elas saltam para se livrar dos piolhos, eca) ou batendo suas caldas por a√≠ (√© por meio da calda que os pesquisadores sabem qual baleia √©, o desenho √© como uma impress√£o digital). Este ano, minha cunhada viu jubarte em S√£o Sebasti√£o. Eu bem que fiquei horas e dias fitando o mar, mas n√£o tive a mesma sorte. Mas j√° observei pinguins no litoral de S√£o Paulo e de Santa Catarina. <3

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Ali√°s, outra informa√ß√£o r√°pida. As jubartes n√£o s√£o as √ļnicas baleias que procuram o litoral do Brasil para procriar. A maravilhosa baleia-franca (Eubalaena australis), aquela cheia de cracas brancas, tamb√©m sobe at√© Santa Catarina para ter seus filhotinhos nesta √©poca do ano. E voc√™ tamb√©m pode v√™-las saltar sentado na areia (!) ou de barco (a foto acima e abaixo tirei de uma franca na √Āfrica do Sul – se for para l√°, tenho muitas dicas de passeio para parques).

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Por fim, √ļltima curiosidade: voc√™ sabe como as baleias e golfinhos dormem? O porqu√™ deles n√£o fecharem os olhos? Pois descobri l√° no Projeto Baleia Jubarte. Os lados direito e esquerdo do c√©rebro desses animais s√£o separados. Na hora do sono, eles ‚Äúdesligam‚ÄĚ um dos lados, enquanto o outro mant√©m atividades b√°sicas de sobreviv√™ncia como n√£o deixar afundar. Incr√≠vel, n√©?

Bom, eu pretendo fazer mais apari√ß√Ķes por aqui. Espero conseguir. A maternidade e a experi√™ncia do meu trabalho¬†na Iniciativa Verde me trouxeram mais repert√≥rio e uma nova maneira de ver a vida. Um beijo desta amante dos cet√°ceos. Vamos falar balei√™s!

Dê licença para a mãe

mao1Este ano, passei pelas experi√™ncias mais cient√≠ficas e indescrit√≠veis da minha vida: engravidei, pari (consegui normal, obrigada, Dra. Sandra, pela gra√ßa alcan√ßada) e me tornei m√£e. Foram nove meses – de janeiro at√© outubro – cuidando da pessoinha que crescia dentro do meu ventre, da nossa sa√ļde e buscando garantir o sustento da cria. Agora, estou de licen√ßa-maternidade (neste exato momento, digito com uma m√£o e, com a outra, seguro a crian√ßa amamentando-a). Ok, tive que parar para trocar fralda, colocar para arrotar‚Ķ

Li pilhas de livros e de sites sobre gravidez. Durante as leituras, tinha vontade de compartilhar v√°rias informa√ß√Ķes aqui! Como, por exemplo, que os espermatozoides ‚Äúde meninas‚ÄĚ s√£o mais lentos, demoram mais para chegar ao √≥vulo. Em compensa√ß√£o, duram mais tempo dentro do corpo da futura m√£e. Portanto, se quiser ter uma filha, fa√ßa sexo antes de ovular (talvez, esse tenha sido o meu caso).

Pratiquei exerc√≠cio f√≠sico quase todos os dias (no m√≠nimo, caminhava quatro quil√īmetros diariamente), ioga para gr√°vidas (o que tamb√©m era praticamente um grupo de autoajuda e for√ßa na peruca), medita√ß√£o e fui militar com a alimenta√ß√£o! Comi comida de verdade. Conclus√£o: engordei apenas nove quilos durante a gravidez (nem isso) e evitei andar como uma pata-choca. Tamb√©m preveni o diabetes gestacional (tenso) e o sobrepeso (que gera beb√™s abaixo do peso). At√© exerc√≠cios pontuais para facilitar o parto e p√≥s-parto pratiquei. Experi√™ncias, no m√≠nimo, c√īmicas. Segui a intui√ß√£o, os especialistas e o que indicavam as pesquisas cient√≠ficas. Foi um momento discovery da minha vida.

O parto foi o momento mais dolorido (é uma dor de parto, de partir, de separação), espetacular e inexplicável da minha vida. Senti muita dor. Tinha vontade de vomitar, perdia a força de me sustentar a cada contração (que durava mais de um minuto e vinha a cada dois), quase desmaiei. Após sete horas no hospital, nós dois éramos três. Inacreditavelmente, tinha um bebê parecido comigo nos meus braços. Aquele bebê com mais de três quilos, que não parava de chorar, saiu de dentro do mim. Oi? Como pode uma célula se tornar uma criança? Eu acredito em milagre. Será que toda a célula guarda a lembrança de ser alguém? Com certeza, sim.

Alguns fatos da ‚Äúdieta‚ÄĚ (puerp√©rio) ningu√©m me contou antes de engravidar. Na gravidez, seu quadril ‚Äúamolecer√°‚ÄĚ para o beb√™ passar – isso voc√™ deve saber. O c√≥ccix, que est√° nessa regi√£o, pode ir para tr√°s na hora do nascimento. O que pode causar muita, muita dor (antes e depois de parir). Sentar? Esquece. Durante o parto e dias depois, voc√™ vai sangrar – e muito. Ter√° contra√ß√Ķes que ajudar√£o o √ļtero a voltar ao tamanho de antes de engravidar (principalmente, enquanto estiver amamentando). Voc√™ dar√° de mamar a cada tr√™s horas contando a partir do in√≠cio da mamada, fa√ßa dia ou noite. Ou seja, ter√° cerca de duas horas para comer, dormir, tomar banho‚Ķ √Č normal por at√© cerca de um m√™s ap√≥s o nascimento voc√™ ficar deprimida, chorando sem parar e sem causa aparente. Calma, n√£o √© a primeira, nem a √ļltima. Isso acontece porque os horm√īnios, antes elevados, despencam. Se a tristeza permanecer, √© bom procurar aux√≠lio m√©dico.

Agora, estou vivendo mais ainda ser mamífera na pele. Antes, me sentia uma canguru. Hoje, uma macaca com o filho sempre dependurado. Haja quatro litros de água diariamente, água de coco, três copos de suco de laranja natural e vitaminas para amamentar. Ah, claro, e disposição para ficar quatro horas por dia com a cria mamando. Mas a amamentação é um dos meus momentos preferidos com ela. De maior cumplicidade. E de suor. Gente, como amamentar nos faz suar, afe. Neste bafão de verão, então, estamos um grude só (sacou?).

Apesar de toda essa verdade animalesca, e inclusive por essa sensa√ß√£o terrena e intang√≠vel, ter filho √© uma viagem incr√≠vel. Como disse meu marido: ‚ÄúTodo mundo diz que ter filho √© cansativo, mas n√£o √© um cansa√ßo estressante. Sabe quando voc√™ tem que acordar cinco da manh√£ em uma viagem para pegar a van e fazer o passeio mais esperado? Quando est√° vivendo este momento, √© o m√°ximo‚ÄĚ. ‚ÄúA m√£o que embala o ber√ßo governa o mundo‚ÄĚ, disse Abraham Lincoln, um dos presidentes dos Estados Unidos. Espero ser a tutora de uma pessoa que ajude a tornar o mundo o que ele tem a voca√ß√£o para ser: o para√≠so na Terra.

Pronto: j√° plantei √°rvores, fiz um filho. Quem sabe, agora, vem um livro de minha autoria?

Obs.: Vou ficar um tempo sem postar novamente porque, nas horas vagas, mãe de bebê faz o quê? Aproveita para dormir! Então, desde já, quero desejar um maravilhoso 2015! Fui dormir!

 

Como as Torres del Paine foram esculpidas

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Fonte: Google Maps

Nem todas as montanhas gigantes que est√£o no Chile fazem parte da¬†Cordilheira dos Andes, por mais incr√≠vel que pare√ßa. Ou‚Ķ por mais perto que elas estejam da Cordilheira, como √© o caso das bel√≠ssimas montanhas do Parque Nacional Torres del Paine (Chile). Se n√£o me perdi na navega√ß√£o, o considerado¬†mais belo parque da Am√©rica do Sul¬†(n√£o duvido) est√° a cerca de 20 quil√īmetros pr√≥ximo √† Cordilheira dos Andes. E, apesar dos¬†maci√ßos de Torres del Paine alcan√ßarem quase tr√™s quil√īmetros de altitude¬†(!), eles n√£o foram formados como a gigante Cordilheira – o avi√£o parece que vai bater no¬†Aconc√°gua, maior montanha dos Andes com quase sete quil√īmetros de altitude. Torres del Paine foi criada gra√ßas √† for√ßa de ‚Äúvulc√£o interno‚ÄĚ (eu que inventei este nome, rs, o correto √© vulcanismo intrusivo, que acontece dentro da terra)!

√Č, querido leitor, nossa¬†Am√©rica do Sul foi um ninho de lavas¬†(O Brasil que o diga). A cordilheira Paine das famosas torres √© um sistema montanhoso formado, principalmente, por rocha sediment√°ria (depositada, como pelo vento) na parte mais alta e por granito – curiosidade, a maioria daquelas montanhas lindas do¬†Rio de Janeiro,¬†como o P√£o-de-A√ß√ļcar, tamb√©m tem origem no granito. A rocha que sempre est√° vis√≠vel no maci√ßo Paine √© o granito, que tem origem no magma. A mais escura em cima do¬†Los Cuernos¬†(aquela que parece ter dois chifres) √© argilito – como o pr√≥prio nome aponta, ela cont√©m argila. Na parte oeste das montanhas, h√° outras rochas plut√īnicas al√©m do granito (como este, elas tamb√©m se formam do¬†magma que resfria dentro da terra) e sediment√°rias como o arenito (derivado da areia).

Assim, as tr√™s torres do parque, marca registrada do lugar, s√£o feitas de granito!¬†Elas foram esculpidas pelo avan√ßo e retirada dos glaciares h√° mais de 12 milh√Ķes de anos. Afinal, o clima da Terra √© inconstante. O planeta j√° esquentou e esfriou in√ļmeras vezes – lembra-se do filme ‚ÄúA Era do Gelo‚ÄĚ? -, aumentando e diminuindo a quantidade e o tamanho dos¬†glaciares. A cada resfriada, as¬†“pedronas” de gelo¬†se arrastavam entre as montanhas desgastando o granito. Desenhando, dessa maneira, as tr√™s famosas torres.

Ah,¬†e a¬†Cordilheira dos Andes?¬†Segundo o ge√≥logo H√©lio Shimada, ela foi formada pelo encontro de duas¬†placas tect√īnicas, a¬†de Nazca e a Sul Americana. Na “colis√£o”, a Placa de Nazca come√ßou a descer sobre a Placa Sul Americana (subduc√ß√£o √© o nome cient√≠fico desse fen√īmeno)¬†causando um “amarrotamento” das rochas sedimentares acumuladas sobre a Placa de Nazca, l√° no fundo do Oceano Pac√≠fico, contra a borda da Placa Sul Americana. Esse “amarrotamento” das rochas sedimentares gerou a Cordilheira dos Andes. √Č por isso que encontramos f√≥sseis marinhos l√° em cima dos Andes. O mesmo acontece no Himalaia, com a √ćndia entrando sob a Placa Eurasiana.

Mais curiosidades ditas pelo geólogo Shimada:

  • A parte da Placa de Nazca que desce sob a Placa Sul Americana acaba se fundindo devido √†s enormes press√Ķes e temperatura na astenosfera (camada que se situa logo abaixo da litosfera, ou seja, da camada s√≥lida mais externa do planeta, constitu√≠da por rochas e solo),¬†produzindo o magma. Este pode esfriar l√° em baixo e dar origem a rochas plut√īnicas¬†como o granito ou sair √† superf√≠cie na forma de vulc√Ķes (rochas extrusivas);
  • Do lado leste, no Oceano Atl√Ęntico, a Placa Sul Americana se afasta da Placa Africana em uma expans√£o que come√ßa na cordilheira meso-oce√Ęnica (no meio do oceano!), por onde sai continuamente magma que vai empurrando as bordas para leste e para oeste.

Sobre o parque

O Parque Nacional Torres del Paine foi criado em 13 de maio de 1959 e declarado Reserva da Biosfera em 1978 pela Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para a Educa√ß√£o, a Ci√™ncia e a Cultura (UNESCO). Ele protege 227.000 hectares – o que corresponde √†¬†227 mil campos de futebol. Ele tem¬†17¬†ecossistemas¬†diferentes¬†– e alguns muito vis√≠veis devido √†s distintas vegeta√ß√Ķes mais secas ou √ļmidas. Animais selvagens e flora subant√°rtica √ļnica habitam o local.

Fonte: Dados disponibilizados pelo próprio parque. As fotos abaixo são de minha autoria e do @gustamn.

aconcagua
Aconcágua, montanha mais alta à esquerda
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Maciço Paine visto do Lago Grey
granito
Granito refletindo o Sol
loscuernos
Los Cuernos
torresdelpaineperto
Torres del Paine: repare o “raspado” causado por glaciares

Queremos parques ‚Äúde bonito‚ÄĚ ou para serem curtidos?

IMG_6381Na √Āfrica do Sul,¬†quando caminh√°vamos – vendo uma foca brincar nas ondas¬†– pela areia da praia do¬†Parque Nacional Tsitsikamma¬†(foto acima) em dire√ß√£o a uma trilha, para subir 300 metros de morro, um homem nos parou. Abriu um sorriso: ‚ÄúOi, tudo bem? De onde voc√™s s√£o?‚ÄĚ Respondemos que √©ramos do Brasil. ‚ÄúO que acharam do parque, est√£o gostando?‚ÄĚ O lugar era lindo com animais marinhos, fant√°stico com pared√Ķes que despencavam na √°gua, bem cuidado, bem estruturado, com uma lanchonete que n√£o metia a faca na gente, seguro em rela√ß√£o a tudo, enfim, est√°vamos amando. ‚ÄúQue bom que est√£o aproveitando, desculpe-me a intromiss√£o, mas sou o diretor do parque e queria saber se estavam contentes.‚ÄĚ √Č por essas e por tudo o mais que amo a √Āfrica do Sul, mesmo com seus graves problemas sociais.

Na¬†√Āfrica do Sul¬†e nos maiores parques da Argentina e do Chile, √© poss√≠vel dormir dentro deles.¬†Aproveitar a lanchonete, geralmente, sem pre√ßos muito abusivos. Tamb√©m d√° para caminhar com seguran√ßa pelas trilhas bem demarcadas e obter informa√ß√Ķes sobre o local com os funcion√°rios. Os saf√°ris da √Āfrica dizem por si no imagin√°rio das pessoas –¬†√© tudo isso o que voc√™ pensa. Aqui do outro lado do Atl√Ęntico, gente, o Chile nem parece um hermano brasileiro. As entradas aos parques s√£o baratas e eles s√£o bem sinalizados, organizados, t√™m excelentes estradas e trilhas – cora√ß√£o para o Parque Nacional¬†Torres del Paine¬†(foto do Sol, abaixo)¬†e¬†Parque Nacional El Morado. Se perder neles, s√≥ se for em pensamento‚Ķ

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A¬†√Āfrica do Sul, que h√° cerca de 15 anos estava em meio a uma guerra civil, conseguiu se reerguer economicamente sabendo usar o ecoturismo.¬†Ali√°s, o ecoturismo colaborou at√© para recuperar √°reas naturais e esp√©cies.¬†O Chile, apertadinho entre tanta beleza, tem parques desde o deserto do Atacama at√© o frio da¬†Patag√īnia. Quem nunca sonhou em conhecer uma das belezas¬†naturais do Chile? Digo o mesmo para a Argentina, que divide conosco as Cataras do Igua√ßu, que tem o Perito Moreno e o¬†Parque Nacional Tierra del Fuego¬†l√° no¬†Fim do Mundo. E o Brasil, o que tem? Desse tamanho todo, n√£o tem nada?

Muitos parques (reservas) brasileiros, sejam eles p√ļblicos ou privados, se encontram em triste situa√ß√£o.¬†A maioria deles sofre com falta de planejamento e do famoso manejo.¬†Em alguns parques, onde o atrativo eram as aves, n√£o se observam mais aves. Outros quase tiveram que fechar as portas por conta da falta de dinheiro para mant√™-los.¬†Outros s√£o depredados pelos visitantes, que em vez de terem orgulho da beleza nacional, preferem destruir o nosso patrim√īnio. Claro que, j√° que Deus √© brasileiro, ainda h√° palmeiras onde canta o sabi√°.

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Existem in√ļmeros bons exemplos no Brasil.¬†O mais recente que eu visitei, a convite da Funda√ß√£o Botic√°rio que o mant√©m, √© o¬†Reserva Natural do Salto Morato¬†(foto abaixo)¬†distante apenas 170 quil√īmetros de Curitiba, capital do meu maravilhoso Paran√°. O lugar tem cachoeira de 100 metros, piscina natural, figueira de 350 anos,¬†quase 600 esp√©cies de plantas, cerca de 350 esp√©cies de p√°ssaros¬†(f√°ceis de serem avistados), mais de 80 esp√©cies de mam√≠feros‚Ķ D√° para caminhar por ele com seguran√ßa, d√° para acampar e ele tem lanchonete. A entrada inteira? Sai por sete reais.

Vamos aproveitar o que temos de lindo e de melhor. Vamos conhecer as reservas respeitando a cultura local, sem retirar nada do lugar, tendo cuidado com n√≥s e com os outros, guardando o meio ambiente. Assim,¬†com essas a√ß√Ķes, n√≥s estimularemos a conserva√ß√£o desse e de mais locais. O Brasil √© gigante. O Brasil √© lindo. A popula√ß√£o brasileira √© uma das mais simp√°ticas e generosas do mundo. Isso tudo √© o que temos de melhor. Alguns ecoturismo s√£o caros, sim. Ent√£o, vamos estimular aqueles que s√£o vi√°veis para que os invi√°veis economicamente se tornem mais acess√≠veis.¬†E, sempre, sempre com consci√™ncia.¬†O ecoturismo pode impactar um lugar, mas pode ajudar a preserv√°-lo.

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