Arquivo da categoria: humanas

Por que escolheu ser jornalista?

‚ÄúComo vou ligar o r√°dio hoje de manh√£?‚ÄĚ Estava preocupada ontem, como milhares de brasileiros. Afinal, ap√≥s sintonizar na Transam√©rica cedinho, todo dia seguia ao trabalho ouvindo a BandNews FM. Minha filha ficou doente e, por dar aten√ß√£o a ela, cheguei mais tarde. Pode ser impress√£o, mas parecia que os outros motoristas estavam dirigindo mais silenciosamente e passageiros quietos, em luto no tr√Ęnsito.

Ambientalmente falando, sabia que este ano, de 2019, seria um desafio. Eu me preparei para atravess√°-lo com firmeza, generosidade e buscando mais conhecimento como base. Jamais imaginaria que seria t√£o tr√°gico. Brumadinho, Flamengo, Rio de Janeiro e tantas outras afli√ß√Ķes. At√© que perdemos um dos melhores e mais necess√°rios jornalistas do momento: Ricardo Boechat.

Infelizmente, não o conheci pessoalmente. Mesmo assim, o tinha como uma pessoa íntima do cotidiano, que ouvia todos os dias por anos. Além disso, sempre admirei o modo como ele escutava as pessoas em geral, dava voz a todos e buscava um local mais justo para se viver. Parecia ser uma pessoa transparente e íntegra.

Além de gostar de me comunicar, escolhi cursar jornalismo por ter aquela inocência de tornar o planeta uma casa mais equitativa. Eu achava que poderia mudar o mundo para melhor. Rapidamente, descobri que sozinha seria impossível. Aliás, acompanhada já é difícil. E até passei por muitos momentos de desilusão. Inclusive, recentemente Рo, praticamente, fim do Museu Nacional foi muito desanimador para mim.

Agora, perdemos um grande profissional. Tornou-se quase uma unanimidade por ser tão jornalista, verdadeiro no sentido mais nobre dessas palavras. Uma estrela. Ninguém é substituível Рao contrário do que diz o ditado. E neste momento o chamado aparece novamente. Se faz presente.

Todas (os) nós, principalmente jornalistas, não importando onde estivermos atuando, precisamos colocar em prática ainda mais as características tão esperadas das profissão. Sermos curiosas (os), prevenidas (os), precisas (os) e éticas (os). E, acima de tudo, humildes.

Não que tenhamos deixado essas qualidades de lado. Mas quem sabe, unidas (os) sob essas características, ressaltando simplicidade e verdade com nós mesmas (os), possamos ser uma poeira de estrela montando uma Terra mais igualitária, justa e fraterna. Muito amor para todas (os) nós.

As pessoas são uma história de geografia

Esta pequena cr√īnica n√£o tem nada a ver com ci√™ncia. Ou, pode ter. Tem a ver com geografia, hist√≥ria, geologia, sociologia. Mas, acima de tudo, tem a ver com a gente. Homo sapiens. Segue um pequeno texto feliz. Tenha um lindo dia!

M√ļsica traz cada lembran√ßa deliciosa… Estava ouvindo Caetano Veloso e Roberto Carlos cantar Wave, do meu amado Tom Jobim. Na hora, viajei no tempo para 2015 e no espa√ßo para Puerto Natales, no Chile. Est√°vamos, o Gustavo Mendes e eu, num restaurante. Conversei em espanhol com o gar√ßom magrinho, que trouxe o menu para a gente. Escolh√≠amos qual prato t√≠pico ia nos aquecer naquele cerca de 0 grau que fazia l√° fora, em pleno feriado super festivo da Independencia Nacional. O gar√ßom parou para observar um pouco de longe.

O chamamos e fizemos o pedido. E ficamos quentinhos observando as ruas cada vez mais agitadas, felizes, repletas de patriotas. Enquanto esper√°vamos o prato, o gar√ßom perguntou: “Voc√™s s√£o brasileiros?” “Sim”, dissemos animados. Ele contou que era colombiano (mal, na √©poca, eu saberia que hoje seria apaixonada pela Col√īmbia, que estaria pesquisando a hist√≥ria do pa√≠s), meio acanhado. Percebemos que, de repente, havia um certo preconceito por l√° contra colombianos.

Ele disse que morava h√° tempo no Chile e que a fam√≠lia dele tinha uma ‚Äúcasa nas montanhas‚ÄĚ. Um dos passatempos preferidos dele era, enquanto ca√≠a a neve, ficar na casa de campo bebendo vinho e ouvindo bossa nova! Detalhe, com a lareira acesa, claro. “Bossa nova √© a m√ļsica perfeita para esta ocasi√£o.” Eu, que sempre remeti √† brisa quente do Rio de Janeiro e, especialmente, ao Arpoador com aquele mar verde-√°gua ao tipo de m√ļsica, fiquei com um pingo de inveja. Deve ser bom, mesmo, e j√° me imaginei bebendo vinho, ouvindo Tom, com a neve caindo l√° fora. No entanto, nosso amigo gar√ßom estava aflito.

Ele queria saber os nomes dos cantores brasileiros de bossa nova para baixar e ouvir segurando sua bebida preferida. Ele n√£o entende portugu√™s, n√£o sabia por onde come√ßar. Veio com um guardanapo e uma caneta e pediu, um pouco escondido do chefe dele: “Voc√™s podem anotar o nome dos cantores para eu baixar as m√ļsicas?” No come√ßo, escrevemos nomes mais contempor√Ęneos como o de Roberta S√°. Fizemos uma lista com uns dez nomes. At√© que ele nos mostrou o CD que tinha.

Sabe aqueles que vende no aeroporto, colet√Ęnea com cantores menos conhecidos cantando os cl√°ssicos readaptados? Ficamos compadecidos. Precis√°vamos come√ßar do come√ßo: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Jo√£o Gilberto, Baden Powell… E os nomes aumentavam no papel… O guardanapo, com cerca de 25 m√ļsicos maravilhosos, ficou bem preenchido. O gar√ßom guardou no bolso e saiu todo feliz. Vimos comentar com o barman. Ap√≥s o jantar, ganhamos at√© uma bebida nacional, que √© servida no feriado (algum chileno sabe o nome?). Ali√°s, foram dois cop√Ķes da bebida deliciosa ‚Äď que nem era servida no lugar, mas preparam para a gente.

E, at√© hoje, eu me pego pensando. Ser√° que ele conseguiu baixar as m√ļsicas? Ser√° que era o que esperava? Ser√° que est√° feliz? Ou ser√° que nos xingou e perdeu a chance de pedir exato o que queria? Ser√° que veio para a Copa ou √†s Olimp√≠adas ‚Äď por onde a gente passava, convidada os novos amigos hermanos para passearem aqui, demos at√© nosso e-mail para v√°rios para ajud√°-los a enfrentar a Rep√ļblica Tupiniquim. Espalhamos dicas de seguran√ßa e de como se passar por brasileiros.

As viagens n√£o s√£o apenas feitas de paisagens indescrit√≠veis como do maci√ßo Paine, um dos locais mais lindos que j√° vi na vida. Ali√°s, Torres del Paine est√° para as montanhas como Fernando de Noronha est√° para o mar. As viagens s√£o feitas de momentos. Bons momentos passados ao lado das pessoas. Caiu, agora, uma l√°grima. Obrigada, amigo colombiano. Hoje, estudando mais sobre seu pa√≠s, desejo que ele seja t√£o lindo de se viver quanto √© maravilhoso em belezas naturais. E quanto a nossa conversa. Ah, e pena que esquecemos de colocar na sua lista esse CD do Caetano com o Roberto! Duas vozes que parecem feitas para a bossa nova…

Diversidade representada na 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

Veja como foi o segundo dia da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (4aCNPM), contado pela Cládice Nóbile Diniz, delegada pelo Rio de Janeiro e relatora.

Hoje, fiquei para relatar um grupo que tratou das propostas de dois eixos: o de pol√≠ticas p√ļblicas para as mulheres e o de sistema de pol√≠ticas p√ļblicas para as mulheres. O primeiro tinha 88 propostas enviadas pelas confer√™ncias municipais e estaduais, sendo 32 a ter que se selecionar as dez mais priorit√°rias. O segundo tinha 30, onde se devia selecionar cinco. No eixo das pol√≠ticas, eram propostas e as dez tiradas foram consideradas como desafios. No sistema nacional de pol√≠ticas para mulheres, as seis propostas foram selecionadas como recomenda√ß√Ķes (as propostas e mon√ß√Ķes devem entrar no site do evento).

O ambiente no grupo foi muito rico. Vale ressaltar que um grupo de interesse somente tinha suas reivindica√ß√Ķes compreendidas e acatadas se ao menos houvesse uma interessada presente. Por exemplo, as √≠ndias iam ficar com suas reivindica√ß√Ķes encaminhadas em um ‚Äúsacol√£o‚ÄĚ geral, mas sendo informadas disso por uma militante negra, apareceram e passaram a atuar bem articuladas conseguindo garantir o que elas achavam o mais importante hoje: a demarca√ß√£o das terras ind√≠genas e quilombolas. Eram do Mato Grosso e denunciaram o assassinato no ano passado de um l√≠der e a mutila√ß√£o de outro, que ficou em cadeira de rodas.
WhatsApp-Image-20160512 (2)
Uma mo√ßa com um carrinho de beb√™ era uma presidi√°ria em liberdade condicional que trazia reivindica√ß√Ķes para as presidi√°rias e √†s em liberdade condicional. Curiosamente, no grupo havia uma lideran√ßa das agentes penitenci√°rias, sendo ela respons√°vel por um grupo em liberdade condicional. Ela confirmou as den√ļncias da jovem, ratificando a necessidade de pol√≠ticas afirmativas de prote√ß√£o. Um caso que ambas comentaram como exemplo √© o da necessidade de escolta de emerg√™ncia de sa√ļde para as presas que adoecem. A pol√≠cia n√£o providencia e elas ficam sofrendo sem socorro.

Houve muitos outros casos interessantes relatados por outras mulheres (os homens que aparecem na foto estão trabalhando no evento). Aliás, essa foi a primeira conferência com representação das mulheres ciganas. Eram um grande grupo muito colorido, lindo. Na volta em frente ao hotel encontramos com os que vinham da manifestação. A tristeza e a desolação me lembraram as pinturas do Portinari.

Notícias da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

*Abri espa√ßo neste blog para que a Cl√°dice N√≥bile Diniz,¬†delegada pelo Rio de Janeiro¬†e relatora da¬†4¬™ Confer√™ncia Nacional de Pol√≠ticas para as Mulheres, dividisse conosco suas impress√Ķes e o¬†que est√° acontecendo esta semana no respectivo evento em Bras√≠lia. Ah, se estranhou o sobrenome, sim, somos parentes. Ela √© minha tia-madrinha <3. Vamos l√° √†s novidades.¬†

A 4aCNPM foi decidida em mar√ßo de 2015. √Č um evento que ocorre a cada quatro anos. Neste participam quase tr√™s mil mulheres eleitas em confer√™ncias estaduais. Fui eleita delegada pelo Rio de Janeiro e convidada para ser relatora. Aqui tudo √© grandioso: uma relatora para grupo de 150 delegadas. Vinte grupos sobre quatro eixos. Vai ser um trabalho incr√≠vel!

Hoje foi fogo. Houve de tudo. Uma delegada do Rio eleita e aprovada foi barrada na √ļltima hora por que ia com o filho de quatro anos. Foram detidas 73 delegadas da Bahia porque elas tinham gritado no avi√£o “n√£o vai ter golpe”. Esta manifesta√ß√£o foi contra a deputada federal Eronildes Vasconcelos, a “Tia Eron “, e o Deputado Federal Jos√© Carlos Aleluia, ambos da Bahia. Foram liberadas depois de quatro horas quando¬†o Jos√© Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da Uni√£o,¬†e a secret√°ria especial de Pol√≠ticas para as Mulheres Eleonora Menicucci foram l√°.

Chegaram pouco antes da fala da¬†Dilma e foram ovacionadas e recebidas em p√© e com¬†palmas. O discurso da Dilma foi emocionante. Afirmou que vai honrar seus 54 milh√Ķes de eleitores, nunca tendo pensado em renunciar. A ministra Eleonora falou bonito tamb√©m. Lembrou que, nas d√©cadas de 60 e 70, as mulheres “vestiram cal√ßas” e sa√≠ram para trabalhar. Mas os homens n√£o “vestiram saias” e n√£o se ocuparam da¬†parte do trabalho deles em¬†suas casas.

A delegada pela¬†Uni√£o Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes,¬†avisou em plen√°ria que a CPI da merenda tinha sido instalada e o audit√≥rio veio abaixo. As mulheres conseguiram aprovar a elimina√ß√£o dos delegados homens ap√≥s tensa disputa, com seis interven√ß√Ķes pr√≥ss e outras tantas contra.

13151601_1001708636572133_4684450322512329687_n

4b007bc3-3650-4ffd-a993-2dcc0aaf0a53

Mãe e filho na roda do berimbau tocado só por mulheres

 

 

 

 

 

Amamentar é psicológico

Fotos Marina-45Amiga (o)! Estou em falta com este blog. Espero que entenda que este ano resolvi me dedicar à maternidade, ao meu trabalho e à minha família. Estou vivendo um momento de me reencontrar. Afinal, maternidade é isso: psicológico.

Falando nisso, a bebê já completou um ano e eu sigo amamentando. Tive a sorte (e a preparação) de amamentar assim que a bebê nasceu sem nenhum empecilho e de continuar amamentando. A bebê saiu da maternidade mais gordinha do que nasceu, ou seja, ao contrário do que é esperado, ela não perdeu peso nos primeiros dias. Nem na primeira semana de vida. E nem durante todos os meses de amamentação exclusiva.

A amamenta√ß√£o seguiu tranquila at√© eu avacalhar e ter o peito rachado quando ela estava prestes a completar um ano. Como assim avacalhar? Comecei a amamentar deitada, de qualquer jeito, sem me preocupar com a t√£o falada ‚Äúpega correta‚ÄĚ. O resultado foram dias para meu peito cicatrizar. Ap√≥s eu voltar a tomar cuidado, ele melhorou. Assim, muitas futuras mam√£es e at√© atuais m√£es me perguntam como consegui a fa√ßanha de amamentar ‚Äď quase ‚Äď sem problemas. O segredo? Ah, como diz o livro hom√īnimo √©… psicol√≥gico.

 

Tudo de bom

Bom, os benef√≠cios da amamenta√ß√£o j√° foram exaustivamente abordados e estudados. Entre eles, para a m√£e est√£o: menor risco de desenvolver c√Ęncer de mama e de ov√°rio, menor risco de ter fraturas de quadril por osteoporose, voltar mais r√°pido ao peso de antes de engravidar, a barriga volta mais r√°pido ao que era antes de engravidar, o corpo libera endorfina que d√° sensa√ß√£o de prazer, a ocitocina liberada (‚Äúdroga do amor‚ÄĚ) tem diversos pap√©is como de refor√ßar a liga√ß√£o entre m√£e e filho, entre outros.

E para o beb√™? A cada pesquisa descobrem mais benef√≠cios. Ajuda o beb√™ a se acalmar, a n√£o ter as chamadas ‚Äúc√≥licas‚ÄĚ (aquele choro que ningu√©m consegue identificar a causa), fornece anticorpos, ajuda a elaborar o paladar para diversos alimentos (j√° que o gosto do leite muda de acordo com o que a m√£e ingere), pode reduzir a mortalidade infantil em at√© quase 25%, ajuda a maturar o intestino, √© o alimento mais rico em nutrientes que se pode oferecer ao beb√™, previne a hipotermia, protege contra infec√ß√Ķes gastrointestinais e respirat√≥rias, previne contra o desenvolvimento de alergias, entre um monte de outras coisas.

 

√Č obrigat√≥rio?

Tem mãe que não quer amamentar. E essa é uma escolha. Ela não é menos mãe ou ama menos seu filho por isso. A decisão deve ser respeitada. Tem mãe que não pode amamentar. Algumas doenças como HIV e hepatites acredita-se que podem ser transmitidas via aleitamento materno. Em outros casos, a mãe precisa tomar alguns medicamentos de uso contínuo que também podem ser passados para o leite, contraindicando a amamentação. Também existem casos de mães que fizeram plásticas no seio que danificaram os dutos lactíferos. Em outros raros casos, as mães querem, mas não conseguem amamentar. Lembrando que mães com bico invertido ou plano conseguem amamentar, podem ter mais dificuldade, mas querer pode ser poder.

E qual o segredo do sucesso? Paci√™ncia, em primeiro lugar. E pega correta, disputando o p√°reo. Amamentar requer tempo. Disposi√ß√£o. Quando a gente amamenta, a gente cansa. Sua. Emagrece. Parece que corremos a maratona. Principalmente durante a noite, o ato de amamentar libera melatonina (subst√Ęncia respons√°vel por ajudar a regular nosso rel√≥gio biol√≥gico sobre dia e noite), o que d√° um sono incontrol√°vel. In-con-tro-l√°-vel. Deve ser por isso que dizem que a amamenta√ß√£o substitui o sexo. N√£o substitui, mas d√° um sono… Por isso que beb√™s e m√£es parecem desmaiados ap√≥s a amamenta√ß√£o.

 

O segredo

Bom, amamentar requer tempo. Demora. O beb√™ novinho suga devagar. √Äs vezes, eles querem ficar no peito, independente da idade, em busca de prote√ß√£o e aconchego. Outras, choram e esperneiam porque o leite desce devagar. Se ele est√° nervoso, basta amamentar para que se acalme ‚Äď as batidas de ambos os cora√ß√Ķes tendem a se regularem iguais. Quando voc√™ amamenta, sinaliza para a crian√ßa que ela est√° segura, que aquele √© um lugar seguro.

Sem contar que, como disse acima, amamentar requer energia. Eu ingiro muito mais calorias, acho que quase 800 calorias mais por dia (esse n√ļmero varia entre m√£es e filhos) do que antes da gravidez. Na gravidez, creio que basta ingerir no m√°ximo mais 400 calorias por dia. Voc√™ parece calma sentada por horas, mas cansa! D√° at√© calor. Como se estiv√©ssemos, mesmo, nos exercitando na academia. Sem contar que temos que ficar alerta para n√£o dormir enquanto amamentamos. Pode ser perigoso sufocar ou derrubar o beb√™. Est√° caindo de sono? Amamente sentada no ch√£o e com pouca almofada. Ou… pe√ßa para algu√©m ficar ao seu lado te acordando, rs (isso quando a pessoa ao lado n√£o dorme e √© voc√™ quem tem que acord√°-la na madrugada!). Voc√™ est√° dormindo? O ajudante responde: ‚ÄúN√£o, apenas estou descansando os olhos‚ÄĚ. Est√° bom, rs.

E o que √© a tal da lend√°ria ‚Äúpega correta‚ÄĚ? √Č o jeito que o beb√™ abocanha. Da maneira correta, n√£o deve doer. No come√ßo, assim que ele nasce, pode incomodar. Mas com o tempo voc√™ n√£o sentir√° nada ‚Äď apenas o leite descendo podendo at√© dar pontada nos seios. O beb√™ deve abocanhar quase toda a parte debaixo da aur√©ola ficando com uma boca parecida com de peixinho na parte de cima. Veja aqui. Com o maxilar, ele bombeia o leite (dentro da aur√©ola h√° uma esp√©cie de bombinha que ajuda a puxar o leite).

Parece m√°gica da natureza. Nosso corpo √© incr√≠vel e mais ainda como o c√©rebro age. Voc√™ sabia que at√© m√£es que adotam podem conseguir amamentar? Colocando o beb√™ no seio e com os horm√īnios liberados pelo c√©rebro, ela pode come√ßar a produzir leite. √Č impressionante.

 

Dicas

Abaixo seguem minhas dicas (uma compila√ß√£o de instru√ß√Ķes fornecidas por minha obstetra, pela pediatra, pela minha fisioterapeuta e proveniente de infinitas leituras). Prepare-se para a amamenta√ß√£o antes do beb√™ nascer. Deram certo para mim. De repente, podem te ajudar:

  • A partir da 37¬™ semana de gesta√ß√£o, tente com sua m√£o formar um bico no bico do seu seio;
  • Antes do beb√™ nascer, combine com a obstetra que voc√™ quer amamentar logo ap√≥s parir se esse n√£o for o procedimento do local;
  • Tome ao menos quatro litros de √°gua por dia! Sem √°gua, sem leite;
  • Tenha paci√™ncia;
  • Insista sempre;
  • Procure n√£o se estressar;
  • Evite oferecer chupeta, ela pode confundir o beb√™ prejudicando a pega (e pequisas indicam que beb√™ que usa chupeta larga o seio mais cedo do que os que n√£o usam);
  • Evite oferecer mamadeiras, elas tamb√©m podem atrapalhar a pega e fazer o beb√™ largar antes o seio, j√° que voc√™ produzir√° menos leite e o leite da mamadeira sai mais f√°cil. Se precisar, ofere√ßa leite no copo ou na colher (sim, d√° um trabalh√£o, o segredo √© n√£o deixar o beb√™ se esgoelar de fome);
  • Est√° sentindo que est√° com pouco leite? Est√° estressada? Deixe o beb√™ sugando no seu peito. O ato ajuda a estimular a volta da produ√ß√£o de leite;
  • Confie no beb√™;
  • Use suti√£s adequados (inclusive na hora de dormir) ao tamanho do seu seio (isso tamb√©m ajuda a manter o peito firme);
  • Conchas de prote√ß√£o podem ajudar a dessensibilizar o bico do peito;
  • No primeiro dia ap√≥s o parto e durante dois dias, massageie o seio com movimentos circulares de fora para perto do bico para evitar que empedre e a mastite. Tamb√©m vale chacoalh√°-los, rs;
  • O bico pode ser um lugar exposto a bact√©rias que causam infec√ß√Ķes. Tome banho lavando da cabe√ßa aos p√©s, cuidado em piscinas;
  • Rachou? Passe lanolina no primeiro dia, use concha e deixe o bico do seio exposto ao ar;
  • Sempre que poss√≠vel, deixe o bico do seio secando ao ar livre;
  • Impe√ßa que o beb√™ puxe ou empurre o seio;
  • Evite lavar o peito ap√≥s amamentar. Lave apenas no banho, normalmente. Evite passar sabonete no bico;
  • Use roupas confort√°veis;
  • Sente-se com a coluna ereta;
  • Posicione o beb√™ na altura do peito com o aux√≠lio de travesseiros ou almofadas enquanto amamenta;
  • Procure sentar como ‚Äú√≠ndia‚ÄĚ para melhorar a circula√ß√£o nas pernas;
  • Evite gritar enquanto amamenta. Imagine algu√©m gritando no seu ouvido enquanto voc√™ se alimenta;
  • Aceite e pe√ßa ajuda com os outros afazeres;
  • Se alimente bem, coma alimentos saud√°veis;
  • O beb√™ n√£o est√° ganhando peso? Saiba que nos primeiros minutos o leite que sai tem mais anticorpos e √°gua, o leite mais gordo (com calorias) vem depois. Portanto, deixe ao menos o beb√™ 15 minutos seguidos em cada seio;
  • Est√° cansada da livre demanda? Ofere√ßa um peito por pelo menos meia hora e mexa no pezinho do beb√™ para que ele n√£o durma enquanto mama. Deixe ele com menos roupa para n√£o dormir. Em seguida, troque a fralda do beb√™ para que ele acorde mais e coloque um pouco mais de roupa adequada ao clima. Ofere√ßa o outro seio por pelo menos mais 15 minutos. Se ele dormir, aproveite para descansar ap√≥s coloc√°-lo por 15 minutos ‚Äúpara arrotar‚ÄĚ. Geralmente, neste esquema, os beb√™s acabam mamando entre duas e tr√™s horas de intervalo. Se ganhar peso, parab√©ns, continue assim.
  • Ofere√ßa o √ļltimo seio primeiro;
  • Curta cada precioso momento. As crian√ßas mamam por pouco tempo. Passa r√°pido.

Se você quer muito amamentar e não está conseguindo, procure ajuda. Se você não quer, tudo bem. O importante é ser feliz!

Foto: Poline Lys.

Seja bem-vinda, você que sempre esteve aqui

2014-10-07 13_42_50Lembro como se fosse ontem. Há seis meses, eu passava pela experiência mais transcendental da minha vida. Talvez, fosse a segunda dela, perdendo apenas para meu nascimento. Momento que, infelizmente, não lembro. Quando acordei sentindo uma cólica leve, sabia que, enfim, o momento estava próximo. Só não o quão próximo. Será que pressionar os pontos de acupuntura deu certo? Talvez. Conversar com você? Talvez, também.

Depois de descobrir que estava com um centímetro e meio (e meio, rs) de dilatação, fiz o que a fisioterapeuta recomendou: suba e desça escada. Caminhe. Atividades que ajudam a aumentar o começo da dilatação.

N√£o encontrei nada mais agrad√°vel e po√©tico do que andar para ver uma exposi√ß√£o em¬†um hospital a ser reestruturado, o Hospital Matarazzo. Eram os nossos momentos de renascimento ‚Äď espero que o local, s√≠mbolo da cidade de S√£o Paulo, tenha o destino de perman√™ncia. E, na Avenida Paulista, eu estava feliz. Mesmo me amparando nos troncos das √°rvores a cada contra√ß√£o ou naquele que dividiria comigo o momento mais incr√≠vel das nossas vidas.

****

Inexplicavelmente, descobri que √© poss√≠vel dormir entre cada pico de contra√ß√£o durante o trabalho de parto ‚Äď at√© atingirmos cinco cent√≠metros de dilata√ß√£o. Deve ser o corpo se preparando para renovar as energias naqueles poucos minutos ou segundos que temos. Uma prepara√ß√£o para conseguir descansar ou dormir entre mamadas a cada tr√™s horas? Pode ser. Devemos nos alimentar decentemente. Devemos ter calma. Eu estava em paz.

Quando nos entregamos ao instinto animal, nosso corpo e mente sabem como agir na hora ideal. Como disse o anestesista (nunca esquecerei da imagem que formei em minha mente, um misto de Monet com Vidas Secas): ‚ÄúPense em uma ponte com um rio correndo sobre ela. Essa √© a for√ßa da natureza. Deixe ela agir‚ÄĚ. Al√©m de bem-humorado, era um m√©dico fil√≥sofo, rs.

Tamb√©m nunca esquecerei do sorriso feliz da obstetra chegando de madrugada e me olhando com a cabe√ßa de lado: ‚ÄúComo voc√™ est√° se sentindo?‚ÄĚ ‚ÄúMorrendo‚ÄĚ, reclamei. Na hora, o riso fechou e apareceu uma fei√ß√£o de investiga√ß√£o. Acho que eu precisava daquele ombro para desabafar e ter mais seguran√ßa. Ela saberia o que fazer.

E, quando ela chegou, eu me rendi √† dor das contra√ß√Ķes. N√£o resisti. N√£o relutei. N√£o desisti. Ali√°s, desistir era uma palavra que n√£o existia no meu dicion√°rio naquele momento. S√©rio, mesmo. No fundo, a gente sabe que n√£o h√° volta. Ent√£o, ela nem passa em nossa mente. E quando me entreguei √†quela dor que, para mim, parecia que seria partida ao meio, entrei em transe.

N√£o tinha no√ß√£o de hor√°rio, n√£o me importava aos sons que emitia (que pareciam de entusiasmo), nem pensava na dor de cada contra√ß√£o que estava por vir no curto intervalo de minuto (acho que as contra√ß√Ķes, neste momento, vinham a cada menos de dois minutos). Simplesmente, me entreguei. Queria vomitar, segurava para n√£o desmaiar. Desfalecia. Tudo em transe. Tamb√©m nem pensava no que estava por vir.

****

Ap√≥s fazer for√ßa, muita for√ßa, com vontade de colocar para fora sabiamente a cada contra√ß√£o, ouvi o choro estridente. Naquele momento, fomos apresentadas na vida a√©rea. Voc√™ tinha acabado de chegar e eu n√£o sabia o que fazer. Como agir. Falei o que havia programado: ‚ÄúSeja bem-vinda‚ÄĚ. Era tudo novo. Euf√≥rico. Estranho. Desconhecido.

Dei de mamar primeiro no peito esquerdo, como li que era a tradi√ß√£o, se n√£o me engano, judaica. Porque, assim, voc√™ ouve mais de perto a batida do meu cora√ß√£o e tem uma refer√™ncia de algo que j√° conhecia. Queria que se sentisse acolhida. Ajud√°-la nessa passagem da √°gua para o ar. Que fosse a mais harm√īnica poss√≠vel. N√≥s s√≥ nos conhec√≠amos em sonho, em voz, em barriga.

Hoje, voc√™ tem seis meses de mundo externo. Seis meses de um cansa√ßo que ainda n√£o superei. Seis meses de choro. De risadas. De descobertas. De alegria. De dor. De felicidade. De exaust√£o. De nascimento e renascimento. Embora tenha apenas seis meses e eu 33 anos nesta Terra, parece que voc√™ sempre esteve conosco. Parece que sempre fez parte das nossas vidas. Com l√°grimas nos olhos, repito: ‚ÄúBem-vinda‚ÄĚ.

****

Sei que este blog é sobre meio ambiente e ciência, mas quer algo mais científico do que o milagre da vida?

Ter filho te deixar√° mais incompleta

maternidadeEu poderia estar dormindo, poderia estar comendo, poderia estar malhando, meditando, lendo, fazendo ioga, xixi. Mas, enquanto a beb√™ dorme, estou aqui para te alertar: ter filho te far√° se sentir mais incompleta. Uma conversa que tive esta semana com a Maria Guimar√£es, bi√≥loga-jornalista e uma das autoras do blog Ci√™ncia e Ideias, me fez refletir sobre esse sentimento. Na verdade, esta semana, eu iria escrever um post sobre c√≥licas em beb√™s e pesquisas sobre o assunto, mas deixo para uma pr√≥xima. Vou usar esta meia hora que tenho para avisar ‚Äúazamigas‚ÄĚ.

N√£o sei o porqu√™ voc√™ resolveu ter filho. N√£o sei se eu escolhi parir para me sentir mais ‚Äúcompleta‚ÄĚ. Acho que os genes falaram mais alto: um brinde para a perpetua√ß√£o da esp√©cie. H√° anos li um post da Paula Signorini, uma das autoras do blog Rastro de Carbono, que nunca esqueci (ATEN√á√ÉO: N√ÉO ESTOU COLOCANDO REFER√äNCIAS DE LEITURAS E DE PESQUISAS NOS POTS ATUAIS PORQUE LEIO PELO CELULAR E ESCREVO PELO COMPUTADOR. PORTANTO, FA√áO AS AN√ĀLISES COM BASE EM ARTIGOS CIENT√ćFICOS E OUTROS AUTORES, MAS SEM TEMPO PARA PROCURAR TUDO E COLOCAR AQUI). Nele, a Paula questiona a rela√ß√£o entre ter filhos e a degrada√ß√£o do planeta. Minha desculpa para ter √© essa: criar uma pessoa para que ela ajude a formar um mundo mais harmonioso para vivermos. Que combata o aquecimento global como a m√£e faz, hoje, trabalhando na Iniciativa Verde. Que tenha compaix√£o, respeito pelos outros seres e pela natureza. Que seja feliz procurando a felicidade dentro de si.

Quando estava gr√°vida, amigas eram sinceras comigo. Diziam: ‚ÄúQuando ela nascer, voc√™ sentir√° que um peda√ßo seu estar√° fora de voc√™‚ÄĚ. At√© minha obstetra advertiu: ‚ÄúEu digo que o cord√£o umbilical √© cortado v√°rias vezes durante a vida, se prepare para quando voltar a trabalhar‚ÄĚ. Sempre fui uma pessoa independente dentro das condi√ß√Ķes de cada momento. Ou procurei ser. Nunca imaginei que seria uma m√£e dedicada. Tamb√©m me descobri mais paciente e tolerante √†s necessidades fisiol√≥gicas como o sono. Qualidades que eu tinha, mas n√£o nesse tamanho. Por isso, quero aproveitar a me retratar com as demais m√£es que um dia critiquei – at√© por serem t√£o pacientes que se tornaram fastidiosas. Realmente, voc√™ s√≥ sabe como ser√° como m√£e quando nascer ou adotar um rebento (ali√°s, nascimento √© uma forma de ado√ß√£o).

E por que voc√™ se sente, ent√£o, mais incompleta? Desde o nascimento, aquele peda√ßo que um dia esteve, literalmente, dentro de voc√™ vai desenvolvendo autonomia. Ele deixa de se alimentar via placenta (ali√°s, sabia que a imunidade da gr√°vida cai, um dos motivos, porque o beb√™ √© um corpo estranho – tem genes do pai – e as c√©lulas de defesa precisam toler√°-lo para que ele n√£o seja abortado?) para se nutrir do leite produzido pelo teu corpo (outra curiosidade: parte da gordura e dos anticorpos que o beb√™ recebe s√£o ‚Äúretirados‚ÄĚ do culote. Portanto, agrade√ßa √†s gordurinhas localizadas pela sa√ļde do teu filho). Depois, vai se descolando do seu seio para receber frutas e legumes.

‚ÄúOs filhos s√£o do mundo‚ÄĚ, lembra o ditado. √Č verdade. Mas, cada vez que eles se ‚Äúdistanciam‚ÄĚ do seu umbigo, mais voc√™ se sentir√° incompleta. Aquele pedacinho originado por seu querido √≥vulo (que j√° estava pronto antes de voc√™ nascer, ou seja, voc√™ carregava o projeto de filho j√° quando vivia dentro da barriga da sua m√£e), deve ganhar o mundo. Isso √© ser saud√°vel. Am√©m. Assim que deve ser. Ent√£o, querida mam√£e, vou te dar um conselho: leve o mundo dentro de si.

O Sol nasce e se p√Ķe no mesmo lugar

11 horas da manh√£
11 horas da manh√£

A qualquer momento do dia em que eu olhava ao Sol na cidade de Ushuaia, Argentina, principalmente para ter ideia de que horas eram, ele marcava cerca de quatro horas. E estava sempre acima das montanhas. Aquilo começou a me encafifar de tal maneira que observava de canto de olho só para ter certeza de que o astro não estava me trolando. Sério, não podia ser! Nunca estava a pino.

16 horas
4 horas da tarde

‚ÄúO Sol anda em linha reta! Ele nasce em uma montanha e se p√Ķe na ao lado! √Č sempre assim?‚ÄĚ, l√° vai eu perguntar √† dona da pousada. ‚ÄúIsso porque voc√™ n√£o viu no auge do inverno, ele nasce e se p√Ķe sobre a mesma montanha‚ÄĚ, ela respondeu. No pico do inverno, h√° poucas horas de luz (veja neste site). J√° no ver√£o, ela me disse que o dia come√ßa √†s quatro da matina e termina l√° pelas 11 horas da noite. O Sol nasce no centro do Canal Beagle (que fica em frente √† cidade). E que √© lindo. Deve ser.

Matutando sobre o Sol, tive uma luz – r√°. Como eu n√£o pensei nisso antes‚Ķ Ushuaia est√° bem ao Sul do planeta. A Terra √© inclinada, isto gera as esta√ß√Ķes do ano. No inverno, a parte virada mais para longe do Sol se ‚Äúesconde‚ÄĚ do astro. No ver√£o, ela permanece mais tempo perto do Sol (veja no v√≠deo abaixo). Agora, o curioso √© ver o Sol andando em linha reta na regi√£o noroeste e de repente sumir nas montanhas onde ele nasceu. Muito doido.

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=qc1rzryczdw”]

Ah, eu ouvi dizer por l√° que Ushuaia significa algo como ‚Äúde onde vem o Sol‚ÄĚ. N√£o lembro a fonte, mas faria sentido.

Pelados no Ushuaia

*Este post é uma participação especial, ele foi escrito pelo jornalista Gustavo Mendes Nascimento (@gustamn). 

Fonte da foto: Museo Mundo Y√°mana
Fonte da foto: Museo Mundo Y√°mana

Imagine andar pelad√£o na regi√£o do Ushuaia, a cidade mais ao sul do planeta. E viver basicamente da pesca, em √°guas com temperaturas que variam entre 0 e 4 graus c√©lsius, ca√ßando em canoas r√ļsticas, que afundam se n√£o tirar a √°gua de dentro! Detalhe: se cair na √°gua, voc√™ morre em poucos minutos de hipotermia. Ah, e a pesca n√£o √© apenas de peixinho. √Č de lobo marinho e, algumas vezes, at√© de baleias! Sentiu o drama?

Pois √©, parece mentira – ainda mais quando voc√™ est√° l√° em carne e osso no Ushuaia, com tr√™s camadas de agasalhos ultratecnol√≥gicos pra fugir do frio e, ainda assim, batendo os dentes! Mas esse povo existiu. O nome dele √© Y√°mana – ou Yaghan ou Tequenica, segundo a Wikipedia. Era um povo n√īmade que habitava as ilhas da Terra do Fogo. Eles t√™m uma cultura linda e, como muitos outros povos da Am√©rica do Sul, uma hist√≥ria triste. Sua cultura e seu povo foram quase totalmente arrasados pela chegada dos europeus √† regi√£o. Mas isso ser√° assunto para um outro post. Neste, vamos entender como eles fugiam do frio, que foi o primeiro motivo que levou eu e a Isis a conhecermos o Museo Mundo Y√°mana, em Ushuaia, Argentina.

 

Canoa com fogueira

Os Y√°manas n√£o andavam pelados √† toa. Eles podiam fazer roupas e algumas vezes andavam com um manto de pele para se proteger do vento. Mas andar pelado era o mais comum por um motivo simples. Se andassem vestidos, a umidade nas roupas – por conta do gelo e da atividade principal deles, a pesca – os deixaria com muito mais frio. Imagine uma roupa √ļmida com o vento batendo? N√£o d√°! Melhor ficar pelado. Al√©m disso, como eram n√īmades, n√£o tinham uma moradia fixa onde pudessem guardar e proteger suas roupas.

Mas, claro, s√≥ isso n√£o bastava para sobreviver naquela regi√£o. Eles tinham outras t√©cnicas. Uma delas era se besuntar com gordura de animais marinhos e terra. Assim, formavam uma pel√≠cula protetora na pele. Tamb√©m andavam com tochas ou faziam fogueiras sempre que podiam (j√° viram o post sobre o porqu√™ da regi√£o se chamar Terra do Fogo?). E o mais curioso: faziam fogueiras at√© mesmo nas canoas! Na parte central, colocavam areia ou palha para proteger a madeira do fundo. Como as canoas n√£o eram totalmente estanques, a areia ou palha ficavam √ļmidas e n√£o deixavam a canoa virar um braseiro s√≥. As crian√ßas controlavam o fogo e retiravam a √°gua da canoa, enquanto a mulher remava e o homem pescava – eles eram n√īmades e passavam boa parte do tempo nas canoas.

Outra técnica pra espantar o frio era ficar de cócoras, protegendo assim as partes vitais dos fortes ventos e frio da região. Mas não é que de vez em quando eles davam uma agachadinha. Eles ficavam MUITO de cócoras. Ficavam tanto, mas tanto, que tinham as pernas tortas e a pele da barriga flácida, deformados pela postura Рveja essa foto aqui.

IMG_1954

Em tempo: o Museo Mundo Yamana √© simples, pequeno e r√ļstico. Mas tem muita informa√ß√£o sobre esse povo. Eu e a Isis sa√≠mos de l√°, por um lado encantados, e por outro, tristes pela quase extin√ß√£o desse povo. Sinal de que o museu cumpriu seu papel. E n√≥s tentamos cumprir o nosso, que √© espalhar a hist√≥ria.

 

Por que se chama Terra do Fogo

IMG_1857Um post da leva ‚Äúmas por qu√™?‚ÄĚ. Essa √© uma boa pergunta, j√° que o lugar √© t√£ooo frio. Bom, Terra do Fogo √© sin√īnimo para o Fim do Mundo, se refere √† regi√£o ao sul da Am√©rica mais perto da Ant√°rtida do que do Brasil!

Quando os ‚Äúdescobridores‚ÄĚ da Am√©rica passaram por l√° – eles usavam a regi√£o como liga√ß√£o comercial entre o Oceano Atl√Ęntico e o Oceano Pac√≠fico 400 anos antes do Canal do Panam√° ser inaugurado, mas essa hist√≥ria vale outro post – observaram um monte de luzinhas de fogo.

Um monte, mesmo. Acredita-se que o litoral da região austral era habitada por 2.500 índios da etnia Yámana Рe não sobrou um para contar história. Para suportar o frio, eles faziam fogueiras. Se espalhavam pelas ilhas ao sul e passavam bastante tempo em canoas.

Ali√°s, os Y√°mana andavam pelados! Depois publicarei um post explicando sobre como eles suportavam o frio. Afinal, uma fogueirinha daria conta dos graus negativos?

terradofogo

Fonte dos dados: Museo Y√°mana, em Ushuaia. Fonte do mapa: Google Maps.