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Dia Mundial dos Oceanos: Qual a sensação de praticar mergulho

Posso fazer aqui uma declaração de amor?

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Imagine um mar que parece gelatina. De cima do barco, d√° para ver o fundo dele¬†a mais de quarenta metros abaixo de voc√™. Ainda da embarca√ß√£o, os cardumes de peixes que brilham como neon nadam lateralmente. Parecem nos olhar. Quando me jogo nessa √°gua quentinha (como n√£o se atirar?) ou√ßo o barulho dos corais. Sim, eles estalam! Vejo um tubar√£o-lixa beb√™, arraias, tartarugas t√£o lesadas como aquelas do filme “Procurando Nemo”, polvo assustado, moreias maiores que eu e muitos peixes coloridos de diversas formas. Corais de todas as cores, esponjas, uma √°gua transparente e uma areia macia.

mergulhonoronha

Eu já havia praticado snorkeling no  litoral brasileiro, pelo que me lembre, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bonito (MS) Рeste merece um post à parte. Mas nunca havia visto nada como Fernando de Noronha, da descrição acima. Após me entregar para aquela água, minha vida mudou. Quando mergulhei de cilindro lá, então, entendi a paz que o mar nos traz.

Eu estava com medo de saltar na √°gua com presos pesos √† minha cintura e com aquele cilindro que deveria pesar mais que eu. Por sorte, estava com o instrutor mais paciente e carinhoso do grupo. Certamente ele pensou: “Essa vai dar trabalho”. Tremendo, n√£o sei se de frio ou nervoso, come√ßamos a afundar.

Quando cheguei a mais de dez metros de profundidade (sem precisar subir para pegar ar, como teria que fazer com o snorkel) ao mar eu tinha certeza que pertencia. Era relativamente silencioso. Ouvia mais forte apenas minha respiração. Tudo azul. Senti uma paz que só havia atingido meditando.

Brinquei de “fechar” corais. Observei os animais marinhos. Me senti de volta ao √ļtero. Acolhida. Estava muito feliz e plena. Ficamos cerca de meia hora abaixo da √°gua, explorando aquele mundo maravilhoso, mas parecia apenas cinco minutos quando j√° era para voltarmos.

Eu não quis. Comecei a fugir do instrutor. Como se tivesse a capacidade de deslizar como um tubarão cheia daqueles penduricalhos presos ao meu corpo. O instrutor nadou atrás de mim e falou que não tinha jeito, precisávamos subir. Deu a entender que o ar poderia acabar. Começou a inflar minhas boias.

Relutei em voltar √† superf√≠cie tentando argumentar de baixo da √°gua por l√≠ngua de sinais de mergulho.¬†Lamentei muito. Subi contrariada. Eles explicaram que aquilo que eu senti aconteceu devido ao excesso de oxig√™nio no meu c√©rebro. Que “d√° barato” e a pessoa perde a no√ß√£o de tempo e de perigo.

N√£o, meus amigos. Aquilo aconteceu devido ao excesso de mar em volta de mim.

#DiaMundialdosOceanos

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22 dicas sobre o parto e pós-parto que quero contar para minhas amigas

img_7528Vejo minhas amigas gr√°vidas pela primeira vez e lembro-me das minhas d√ļvidas quando eu era gestante e, principalmente, da inquieta√ß√£o relacionada ao desconhecido parto. A gente acha que parir √© parecido ao retratado em um filme roliudiano. Voc√™ come√ßa a ter contra√ß√£o, sente muita dor, corre logo para o hospital, d√° uns gritos e a crian√ßa nasce. Pode ser assim, mas geralmente n√£o √© nada disso. Parir √© mais visceral, animalesco e muito √≠ntimo. √Č uma volta ao seu interior.

Durante o parto da minha bebê, eu cheguei ao hospital toda querendo ser phyna. Fazer xixi de porta aberta? Surtei. Como assim? Meu marido ia me ver sentada no vaso sanitário? Expulsei ele do banheiro da sala de parto e até hoje recordo da expressão tranquila, de acolhimento, de aceitação e atenta dele preocupado em cuidar de nós duas. Cheguei ao hospital com cinco centímetros de dilatação e fiquei presa entre esses e os sete por um tempo. Creio que por três horas e pouco.

Quando me entreguei ao desconhecido, ao que eu queria fazer, gemer e, principalmente, quando me interiorizei, o parto evoluiu mais rápido (cheguei ao hospital cerca de 11h30 da noite e antes das 5h da manhã a bebê nascia). A dor diminuiu, soube lidar melhor com ela e me corpo indicava o que era melhor para nós. Sem gritar (guardei a energia para usá-la durante o expulsivo).

Por exemplo, acredite se quiser. Depois da anestesia √© comum as contra√ß√Ķes diminu√≠rem ou ficarem irregulares. Tamb√©m h√° uma preocupa√ß√£o especial com os batimentos card√≠acos do beb√™, que podem diminuir devido ao rem√©dio. Nestes casos, os m√©dicos podem injetar ocitocina para que as contra√ß√Ķes continuem ritmadas e intensas.

Debati com a obstetra porque eu queria a menor interfer√™ncia m√©dica poss√≠vel no parto, de jeito algum abrindo m√£o de algumas facilidades da medicina contempor√Ęnea, e ela j√° sabia disso. Como as contra√ß√Ķes estavam muito zuadas (perd√£o a palavra, mas as ondas viraram gr√°ficos bizarros como os econ√īmicos) e os batimentos da beb√™ ca√≠ram algumas vezes, a m√©dica falou que daria ‚Äús√≥ um pouco de nada de ocitocina‚ÄĚ. Concordei.

Bom, depois da anestesia, sem dor, minha vontade era apenas de meditar. Meditei por mais de 45 minutos. Entrei em uma paz, calma, felicidade indescrit√≠veis. Sei l√° para onde minha mente foi levada. O curioso √© que, toda vez que uma enfermeira, a obstetra ou o Santos anestesista (ele era uma gra√ßa, vale um post a parte, me acalmou ap√≥s ficarmos hora conversando sobre a hist√≥ria da medicina durante o trabalho de parto) entrava na sala para falar comigo, as contra√ß√Ķes desandavam. Quando eu voltava a meditar, elas voltavam a ter ritmo. Nem precisei de mais ocitocina.

Sou muito, mas muito grata a todos os envolvidos porque foi um parto m√°gico. Foi o segundo dia mais importante da minha vida ‚Äď o primeiro, quando nasci. Minha obstetra me auxiliou perfeitamente, com palavras certas nos momentos corretos. Eu li tanto que ningu√©m mais aguentava minhas cita√ß√Ķes. Fiz ioga com uma parteira maravilhosa. E conversei com muitas amigas j√° m√£es, mentoras at√© hoje. Gra√ßas a todo esse conhecimento, o desconhecido foi f√°cil de ser levado. Por isso, ap√≥s todo meu bl√°bl√°bl√° acima, quero compartilhar aqui informa√ß√Ķes que podem te acalmar. Espero ser √ļtil e que tenha um lindo parto!

O que esperar do parto normal e do pós-parto imediato?

  1. O mais importante: o parto √© √ļnico. Como cada gravidez, o parto e o p√≥s-parto s√£o diferentes para cada mulher. Portanto, a sequ√™ncia pode ser a mesma, mas a intensidade, o modo que voc√™ ir√° lidar com cada passo dele, √© diferente. Leia, mas n√£o se prenda ao passo-a-passo;
  2. Os pr√≥domos, sinais que indicam que o trabalho de parto est√° pr√≥ximo, podem come√ßar dias antes ou horas antes. Leia sobre eles para saber identificar ‚Äď lembrando que algumas mulheres n√£o t√™m nada! No meu caso, no dia anterior, estava com muitas contra√ß√Ķes irregulares. Foi um dia com contra√ß√£o a toda hora. Ainda sem dor, mas eram tantas que estranhei;
  3. O parto da primeira gravidez pode demorar ‚Äúmuito‚ÄĚ, a m√©dia √© de cerca de 13 horas, e quem manda √© a natureza. Desista de lutar contra ela. Se entregue e tenha ci√™ncia de que √© imposs√≠vel controlar tudo. Ali√°s, depois, a maternidade vai jogar na sua cara v√°rias vezes que n√£o podemos ter o dom√≠nio de tudo na vida. Tente aproveitar essa beleza;
  4. Voc√™ pode come√ßar a ter contra√ß√£o de treinamento com cinco meses e ter dilata√ß√£o com sete meses. Fique atenta, mas saiba que √© normal. Na d√ļvida, consulte quem far√° seu parto. Ah, o que √© contra√ß√£o de treinamento? Quando a barriga fica dura por um tempo e, depois, fica relaxada. Curta, √© maravilhoso;
  5. O trabalho de parto √© dividido em tr√™s fases: quando o colo do √ļtero est√° dilatando, a expuls√£o e a sa√≠da da placenta. A primeira fase √© a mais demorada. A de expuls√£o, quando fazemos for√ßa para tirar o beb√™, dura de minutos at√© cerca de uma hora e meia. A √ļltima √© rapidinha, n√£o se preocupe muito com esta. √Č comum os obstetras fazerem uma massagem de leve para ajudar a soltar a placenta;
  6. Dói muito? Depende e depende de como você encara essa dor. Generalizando, dói mesmo, para valer, por volta dos sete centímetros. Depois, o trabalho de parto costuma evoluir rápido e em pouco tempo você estará com o bebê no colo. Pode ser que doa muito para você desde os dois centímetros de dilatação, pode ser que você só sinta dor no expulsivo, pode ser que só doa muito por volta dos sete centímetros de dilatação (foi o mais comum relatado pelas minhas amigas e o que aconteceu comigo). Pode ser que não sinta dor;
  7. Como √© a dor? √Č de partir, rs. No meu caso, quando come√ßou a doer a valer, eu sentia uma dor de leve nas costas que ‚Äúabra√ßava‚ÄĚ a barriga. Esta ficava dura e, a√≠ sim, eu sentia a dor de partir. Parece que vem de cima do tronco para baixo, at√© a p√©lvis. Depois, passava e viriam outras a cada dois minutos;
  8. N√£o pense na dor no intervalo das contra√ß√Ķes. Apenas relaxe ou fa√ßa o que der vontade. A banheira ajuda a tirar a dor, mas acelera as contra√ß√Ķes. O chuveiro tamb√©m. Abra√ßar o acompanhante de p√©, apoiando o peso nele com o corpo para frente √© uma boa;
  9. Voc√™ vai sangrar muito durante o trabalho de parto e no p√≥s-parto. Ap√≥s o parto e por dias, v√£o sair umas ‚Äúgosmas‚ÄĚ de sangue. Fique tranquila. Agora, se achar que est√° saindo sangue vivo e por muito tempo e frequ√™ncia, v√° ao m√©dico. Se √© sedent√°ria, tamb√©m pode ficar dolorida devido √† for√ßa feita para parir. Voc√™ pode ter dor no quadril e na regi√£o do c√≥ccix antes e depois do parto, estas partes ‚Äúalargam‚ÄĚ e amolecem para a passagem do beb√™;
  10. Esque√ßa aquela hist√≥ria de ‚Äúbarriga est√° baixa, vai nascer logo‚ÄĚ. N√£o d√° para saber se o beb√™ est√° encaixado s√≥ de um leigo olhar. Por exemplo, todos diziam que minha barriga estava baixa. Eu pari com 40 semanas em ponto, data do ultrassom. A beb√™ s√≥ encaixou durante o trabalho de parto e quando eu estava com oito cent√≠metros de dilata√ß√£o. Como ela estava ‚Äúalta‚ÄĚ, a equipe m√©dica acreditava que o parto iria demorar. Nada. Ap√≥s encaixar, ela nasceu em, no m√°ximo, 20 minutos. Foi uma correria boa at√© a equipe chegar ao quarto. Em seguida, fiz tr√™s for√ßas completas e ela saiu. Mal deu tempo do pediatra jovem com kit gal√£ feio (hahaha, ele era gente boa) explicar os procedimentos ‚Äď que eu j√° sabia. Eu queria bater nele porque estava atrapalhando meu expulsivo, rs. Minha vontade era de empurrar e ele ficava falando! Fofo, mas falando;
  11. E se a bolsa estourar? Sai um l√≠quido amarelado-claro e bem quentinho. Lembra o xixi. Mas voc√™ vai perceber, espero, que √© a bolsa estourada. Calma, voc√™ pode ter tempo at√© ir para o local do parto. Ou n√£o ‚Äď conhe√ßo casos de parto em hora! E outros de 24 horas ap√≥s estouro da bolsa. E se entrar em trabalho de parto antes de estourar? Sem problemas. Durante o parto pode estourar, ser estourada se necess√°rio ou o beb√™ sair dentro dela. Fofura total.
  12. A placenta parece uma geleia. Pe√ßa para ver e coloque a m√£o. √Č muito interessante!
  13. Se tomar anestesia, é possível que não te deixem levantar em seguida do parto ou tomar banho. Se você estiver bem, peça para tomar banho acompanhada por uma enfermeira;
  14. Coma bem! Você estará com fome! E antes do parto também! Prefira alimentos saudáveis com carboidratos, fibras e proteínas;
  15. √Č comum ter hemorroidas durante a gravidez (devido ao peso da barriga ou de pris√£o de ventre) ou no p√≥s-parto por causa da for√ßa feita. Dica natureba: compre pr√≥polis sem √°lcool e passe duas vezes por dia na regi√£o. Vai curar;
  16. Outra dica natureba: óleo de calêndula ajuda a cicatrizar a dilaceração ou episiotomia. Passe duas vezes ao dia. Dá uma aflição, a região fica dolorida no pós-parto;
  17. Fazer exerc√≠cios para o per√≠neo antes da gravidez, durante e logo ap√≥s parir ajuda na elasticidade do canal do parto e da regi√£o p√©lvica. Tamb√©m facilita na volta da musculatura. Procure um fisioterapeuta especializado ou busque por ‚Äúexerc√≠cios de Kegel‚ÄĚ na internet;
  18. Amamente o quanto antes, logo ap√≥s o beb√™ nascer. Eles j√° costumam nascer fazendo um biquinho-de-passarinho-coisa-mais-linda-do-mundo procurando o ‚Äúmam√°‚ÄĚ. Quanto antes amamentar, mais f√°cil ser√° a amamenta√ß√£o. Tem gente que recomenda passar lanolina no bico do seio para n√£o machucar. S√≥ indico passar se sentir machucado e n√£o antes. Na sala de parto, pe√ßa aux√≠lio para a enfermeira na primeira amamenta√ß√£o. E, nas consultas com o obstetra, deixe claro que quer amamentar logo ap√≥s o parto;
  19. Amamentar d√° contra√ß√£o. Ela libera horm√īnios que ajudam o √ļtero a voltar ao tamanho de antes da gravidez. Completamente normal, curta a sensa√ß√£o. Ah, e tome quatro litros de √°gua por dia. Voc√™ precisa de muita √°gua para ter leite. Em seguida, de se alimentar corretamente e tentar n√£o se cansar ou se estressar muito (tamb√©m n√£o se cobre ficar relax, ok?);
  20. Dias ap√≥s o parto, os horm√īnios despencam. √Č comum a mulher se sentir deprimida, querer ficar quietinha, n√£o fazer nada. Respeite seu corpo. √Č at√© s√°bio, afinal, o beb√™ tem pouca imunidade para curtir baladas. Se a tristeza permanecer por mais de 30 dias, consulte seu obstetra ou um m√©dico. Ali√°s, at√© o pediatra pode te ajudar caso a tristeza permane√ßa. Se voc√™ trabalha, pode ser que quando acabar a licen√ßa maternidade volte a se sentir bem. Coma corretamente, tente fazer exerc√≠cios f√≠sicos quando o m√©dico liberar e dormir sempre (ouviu, sempre) que o beb√™ dorme para permanecer descansada. Ali√°s, voc√™ nunca saber√° quando ele vai dormir de novo… Aproveite a chance;
  21. E a barriga? Ela volta ao normal se voc√™ manter uma alimenta√ß√£o equilibrada e se se exercitar um pouco. N√£o h√° dados cient√≠ficos sobre isso (n√£o encontrei) e profissionais da sa√ļde n√£o recomendaram, mas usei cinta modeladora e deu certo;
  22. E a vagina? Volta ao normal? Se tudo ocorrer de acordo com o esperado (se o obstetra n√£o fizer episiotomia desnecess√°ria e der pontos errados), volta. Claro que o corpo j√° ter√° a mem√≥ria daquele alongamento feito durante o parto ‚Äď por isso, os pr√≥ximos partos costumam ser mais r√°pidos. Continue com os exerc√≠cios para a regi√£o do per√≠neo (voc√™ ficar√° craque) e n√£o encane. A natureza √© s√°bia.

Aproveite cada segundo daquele bebezinho que tem uma fei√ß√£o nova a cada dia! Ele apenas ser√° rec√©m-nascido por 28 dias. Curta o parto, o p√≥s-parto, o carinho de amigos e de familiares, o companheiro (a) se voc√™ tiver, a natureza da vida. Os dias com um beb√™ demoram para passar, mas os anos voam. Parir √© um milagre. Ali√°s, o que √© a vida se n√£o um fen√īmeno desconhecido? Aproveite a viagem!

*Na foto acima, estava com minha bebê no primeiro dia de vida dela no mundo aéreo <3.

As pessoas são uma história de geografia

Esta pequena cr√īnica n√£o tem nada a ver com ci√™ncia. Ou, pode ter. Tem a ver com geografia, hist√≥ria, geologia, sociologia. Mas, acima de tudo, tem a ver com a gente. Homo sapiens. Segue um pequeno texto feliz. Tenha um lindo dia!

M√ļsica traz cada lembran√ßa deliciosa… Estava ouvindo Caetano Veloso e Roberto Carlos cantar Wave, do meu amado Tom Jobim. Na hora, viajei no tempo para 2015 e no espa√ßo para Puerto Natales, no Chile. Est√°vamos, o Gustavo Mendes e eu, num restaurante. Conversei em espanhol com o gar√ßom magrinho, que trouxe o menu para a gente. Escolh√≠amos qual prato t√≠pico ia nos aquecer naquele cerca de 0 grau que fazia l√° fora, em pleno feriado super festivo da Independencia Nacional. O gar√ßom parou para observar um pouco de longe.

O chamamos e fizemos o pedido. E ficamos quentinhos observando as ruas cada vez mais agitadas, felizes, repletas de patriotas. Enquanto esper√°vamos o prato, o gar√ßom perguntou: “Voc√™s s√£o brasileiros?” “Sim”, dissemos animados. Ele contou que era colombiano (mal, na √©poca, eu saberia que hoje seria apaixonada pela Col√īmbia, que estaria pesquisando a hist√≥ria do pa√≠s), meio acanhado. Percebemos que, de repente, havia um certo preconceito por l√° contra colombianos.

Ele disse que morava h√° tempo no Chile e que a fam√≠lia dele tinha uma ‚Äúcasa nas montanhas‚ÄĚ. Um dos passatempos preferidos dele era, enquanto ca√≠a a neve, ficar na casa de campo bebendo vinho e ouvindo bossa nova! Detalhe, com a lareira acesa, claro. “Bossa nova √© a m√ļsica perfeita para esta ocasi√£o.” Eu, que sempre remeti √† brisa quente do Rio de Janeiro e, especialmente, ao Arpoador com aquele mar verde-√°gua ao tipo de m√ļsica, fiquei com um pingo de inveja. Deve ser bom, mesmo, e j√° me imaginei bebendo vinho, ouvindo Tom, com a neve caindo l√° fora. No entanto, nosso amigo gar√ßom estava aflito.

Ele queria saber os nomes dos cantores brasileiros de bossa nova para baixar e ouvir segurando sua bebida preferida. Ele n√£o entende portugu√™s, n√£o sabia por onde come√ßar. Veio com um guardanapo e uma caneta e pediu, um pouco escondido do chefe dele: “Voc√™s podem anotar o nome dos cantores para eu baixar as m√ļsicas?” No come√ßo, escrevemos nomes mais contempor√Ęneos como o de Roberta S√°. Fizemos uma lista com uns dez nomes. At√© que ele nos mostrou o CD que tinha.

Sabe aqueles que vende no aeroporto, colet√Ęnea com cantores menos conhecidos cantando os cl√°ssicos readaptados? Ficamos compadecidos. Precis√°vamos come√ßar do come√ßo: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Jo√£o Gilberto, Baden Powell… E os nomes aumentavam no papel… O guardanapo, com cerca de 25 m√ļsicos maravilhosos, ficou bem preenchido. O gar√ßom guardou no bolso e saiu todo feliz. Vimos comentar com o barman. Ap√≥s o jantar, ganhamos at√© uma bebida nacional, que √© servida no feriado (algum chileno sabe o nome?). Ali√°s, foram dois cop√Ķes da bebida deliciosa ‚Äď que nem era servida no lugar, mas preparam para a gente.

E, at√© hoje, eu me pego pensando. Ser√° que ele conseguiu baixar as m√ļsicas? Ser√° que era o que esperava? Ser√° que est√° feliz? Ou ser√° que nos xingou e perdeu a chance de pedir exato o que queria? Ser√° que veio para a Copa ou √†s Olimp√≠adas ‚Äď por onde a gente passava, convidada os novos amigos hermanos para passearem aqui, demos at√© nosso e-mail para v√°rios para ajud√°-los a enfrentar a Rep√ļblica Tupiniquim. Espalhamos dicas de seguran√ßa e de como se passar por brasileiros.

As viagens n√£o s√£o apenas feitas de paisagens indescrit√≠veis como do maci√ßo Paine, um dos locais mais lindos que j√° vi na vida. Ali√°s, Torres del Paine est√° para as montanhas como Fernando de Noronha est√° para o mar. As viagens s√£o feitas de momentos. Bons momentos passados ao lado das pessoas. Caiu, agora, uma l√°grima. Obrigada, amigo colombiano. Hoje, estudando mais sobre seu pa√≠s, desejo que ele seja t√£o lindo de se viver quanto √© maravilhoso em belezas naturais. E quanto a nossa conversa. Ah, e pena que esquecemos de colocar na sua lista esse CD do Caetano com o Roberto! Duas vozes que parecem feitas para a bossa nova…

Como mudar o mundo por meio das redes sociais e dos aplicativos?

RJ - RIO-DE-JANEIRO - 04/08/2016 - REVEZAMENTO DA TOCHA RIO 2016 - Revezamento da Tocha Olimpica para os Jogos Rio 2016. Foto: Rio2016/Fernando Soutello

N√≥s temos vontade de melhorar a nossa qualidade de vida, viver em equil√≠brio em comunidade, habitar um mundo mais igualit√°rio e deixar um planeta mais harmonioso para as futuras gera√ß√Ķes (nossos filhos, netos, sobrinhos, crian√ßas de toda a Terra). Tamb√©m, as pesquisas at√© t√™m apontado, cada vez mais queremos trabalhar em empresas que respeitem o ser humano e a natureza. Empresas que t√™m o prop√≥sito de cuidar do planeta ou que, ao menos, tenha a√ß√Ķes para compensar os seus impactos.

As redes sociais e os aplicativos se mostraram um espa√ßo para relaxarmos, mas tamb√©m para nos conectarmos a outros que pensam como n√≥s ou que t√™m o mesmo prop√≥sito ampliando as nossas vozes. E √©, por meio deles, que podemos unir a nossa vontade de viver em um mundo mais harm√īnico com empresas investindo em uma causa que melhora diretamente a qualidade de vida de todos no planeta: o plantio de √°rvores nativas.

O plantio de árvores nativas em áreas rurais visando recuperar a floresta que havia ali e degradamos no passado, chamada também de recuperação florestal, é tão importante que ganhou até destaque na abertura das Olimpíadas! Primeiro, é irresistível pegar uma mudinha ou imaginar que um clique nosso se reverterá em uma árvore plantada que viverá, talvez, por mais tempo que nós. Segundo, este é um legado que deixamos aqui na Terra.

iniciativa_verde_villa_lobos-360O plantio de uma pequena mudinha de árvore nativa envolve toda uma cadeia do bem. Ela é produzida em um viveiro do interior (que ajudou a gerar renda para uma população que, de repente, antes trabalhava degradando a mata!). Para se ter uma muda, precisamos da semente. Logo, ela é colhida em alguma floresta que necessita ser preservada para esse fim, entre outros. Em seguida, essa mudinha é plantada por, muitas vezes, uma pessoa que às vezes desmatava (ou estava desempregada) e, agora, consegue sustentar sua família cuidando do planeta.

Em seguida, a mudinha crescer√° em uma √°rea de prote√ß√£o ambiental (uma vez plantada uma √°rvore nativa, ela s√≥ pode ser derrubada se for por uma obra de interesse p√ļblico). Conforme vai crescendo, ela atrai borboletas, pequenos mam√≠feros, lobos-guar√°s, macaquinhos. Ela pode fornecer alimento e prote√ß√£o para diversos animais. As abelhas e os p√°ssaros polinizar√£o a √°rea onde est√° a mudinha (e suas outras amigas mudas) trazendo mais vegeta√ß√£o, diversificando e enriquecendo essa floresta que cresce.

Essa mudinha come√ßa a reter a √°gua da chuva no solo com suas ra√≠zes (calcula-se que 80% da √°gua da chuva √© ‚Äúabsorvida‚ÄĚ por √°rvores da Mata Atl√Ęntica). Assim, aquele c√≥rrego que passa perto dela fica mais caudaloso. Ou a nascente que secou come√ßa a voltar √† vida. A popula√ß√£o do campo que n√£o tem recurso financeiro, que precisa diretamente da natureza para sobreviver, consegue voltar a plantar hortali√ßas e outros alimentos para comer e at√© vender. O espa√ßo da sua propriedade que cedeu para o plantio (que j√° estava com o solo degradado de tanto a vaquinha pisar ou de tanto plantar) valoriza o local! Al√©m de deixar a paisagem mais agrad√°vel e bonita.

Quem mora na cidade pode ir para o campo e fazer ecoturismo nesses locais. Pode respirar um ar mais puro. Pode ter mais √°gua na torneira e de melhor qualidade. Essa pequena mudinha, conforme vai crescendo, absorve o g√°s carb√īnico da atmosfera. Aos poucos, ela vai evitando que o temido e impalp√°vel aquecimento global nos atinja. Afinal, quando a gente muda o uso do solo (desmata, por exemplo), altera as chuvas. Ela evita que sejamos, aqui na cidade, atingidos por aguaceiros que alaguem tudo ou por secas que fazem nossos narizes co√ßarem insuportavelmente. Nossa sa√ļde agradece.

Como o efeito borboleta (‚Äúo bater de asas de uma borboleta no Brasil pode desencadear um tornado no Texas‚ÄĚ), essa pequena a√ß√£o pode mudar o nosso futuro para melhor. Durante o evento Social Media Week, vou dar a palestra ‚ÄúJ√° pensou em plantar √°rvores por meio da internet?‚ÄĚ para mostrar como podemos plantar mudinhas por meio das redes sociais, de aplicativos e da internet em geral. Mostrarei a√ß√Ķes de marcas como a Sky ou a Wappa com a Iniciativa Verde¬†que envolvem o plantio de √°rvores nativas. Lindos casos. Que marca a sua marca quer deixar no mundo?

Fotos de cima para baixo: Rio2016/Fernando Soutello, Marcelo Scandaroli/ Iniciativa Verde, Isis Nóbile Diniz/ Iniciativa Verde

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Baleias: elas voltaram!

IMG_8232Reparou que, no √ļltimo m√™s, h√° mais not√≠cias de baleias jubarte sendo avistadas na costa brasileira? Principalmente, vistas de passagem pelos estados da regi√£o Sudeste como S√£o Paulo e Rio de Janeiro? Coincid√™ncia? N√£o (na foto, uma r√©plica de filhote de jubarte, no Projeto Baleia Jubarte, Bahia).

Nesta √©poca, inverno, essa esp√©cie de baleia (Megaptera novaeangliae) sobe o litoral brasileiro at√© a regi√£o da Bahia, onde parem seus belos e gigantes filhotes que nascem com quatro metros e pesam mais de uma tonelada! L√°, no divino estado brasuca, ficam at√© cerca de novembro amamentando a cria. Quando o filhotinho est√° mais rechonchudinho, ela volta para as √°guas frias do oceano em busca de alimento, o krill (um min√ļsculo camar√£o).

Devido √† prote√ß√£o delas, sua popula√ß√£o est√° aumentando. Se voc√™ for para a Praia do Forte (Bahia), entre julho e outubro, poder√° fazer um passeio de barco para avistar esses belos animais – eles ficam cerca de tr√™s quil√īmetros longe da costa. Duas dicas: fa√ßa o passeio com ag√™ncias credenciadas pelo Projeto Baleia Jubarte e em qualquer √©poca visite a organiza√ß√£o.

O Projeto oferece visita monitorada no local explicando muita curiosidade sobre os cet√°ceos (animais dos quais ela faz parte) e h√° algumas r√©plicas fabulosas para crian√ßas. √Č uma visita r√°pida, mas de intenso aprendizado.

Ent√£o, se voc√™ √© daqueles que s√≥ gosta de praia no ver√£o, repense. Se tiver sorte, pode ver maravilhosas baleias dando um ‚Äúoi‚ÄĚ com seus saltos (elas saltam para se livrar dos piolhos, eca) ou batendo suas caldas por a√≠ (√© por meio da calda que os pesquisadores sabem qual baleia √©, o desenho √© como uma impress√£o digital). Este ano, minha cunhada viu jubarte em S√£o Sebasti√£o. Eu bem que fiquei horas e dias fitando o mar, mas n√£o tive a mesma sorte. Mas j√° observei pinguins no litoral de S√£o Paulo e de Santa Catarina. <3

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Ali√°s, outra informa√ß√£o r√°pida. As jubartes n√£o s√£o as √ļnicas baleias que procuram o litoral do Brasil para procriar. A maravilhosa baleia-franca (Eubalaena australis), aquela cheia de cracas brancas, tamb√©m sobe at√© Santa Catarina para ter seus filhotinhos nesta √©poca do ano. E voc√™ tamb√©m pode v√™-las saltar sentado na areia (!) ou de barco (a foto acima e abaixo tirei de uma franca na √Āfrica do Sul – se for para l√°, tenho muitas dicas de passeio para parques).

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Por fim, √ļltima curiosidade: voc√™ sabe como as baleias e golfinhos dormem? O porqu√™ deles n√£o fecharem os olhos? Pois descobri l√° no Projeto Baleia Jubarte. Os lados direito e esquerdo do c√©rebro desses animais s√£o separados. Na hora do sono, eles ‚Äúdesligam‚ÄĚ um dos lados, enquanto o outro mant√©m atividades b√°sicas de sobreviv√™ncia como n√£o deixar afundar. Incr√≠vel, n√©?

Bom, eu pretendo fazer mais apari√ß√Ķes por aqui. Espero conseguir. A maternidade e a experi√™ncia do meu trabalho¬†na Iniciativa Verde me trouxeram mais repert√≥rio e uma nova maneira de ver a vida. Um beijo desta amante dos cet√°ceos. Vamos falar balei√™s!

Museu de Astronomia do Rio tem evento sobre divulgação de ciência na internet

Pessoal (quem gosta do tema, quer se aprofundar ou tem algum interesse), participe do evento sobre divulga√ß√£o cient√≠fica na internet no¬†Museu de Astronomia e Ci√™ncias Afins (MAST) do Rio de Janeiro. Ser√° nesta sexta-feira, dia 3 (sim, logo chegaremos em junho!), com entrada gratuita! Quem n√£o poder ir, pode acompanhar o debate ao vivo online. Um abra√ßo! ūüėÄ E uma estrelada semana!

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Participe de vaquinha para plantar uma floresta

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Muita gente me pergunta: “Como posso ajudar a ONG onde voc√™ trabalha”? A-h√°! De v√°rias maneiras. Agora, mais do que nunca, colaborando¬†com a nossa vaquinha. N√≥s queremos, com a ajuda dos internautas, plantar 3.334 √°rvores da Mata Atl√Ęntica no Sistema Cantareira. Isso corresponde ao tamanho de tr√™s campos de futebol de floresta nativa ou dois hectares.¬†Essa √© a primeira vez que fazemos uma vaquinha. E tamb√©m que o munic√≠pio de Extrema, Minas Gerais, onde ser√£o plantadas as √°rvores, faz um plantio pago¬†por pessoas. Gente como a gente. Clique aqui e fa√ßa sua boa a√ß√£o do dia. Come√ßando a semana do bem.

O que as árvores têm a ver com a água?

A escassez de √°gua tamb√©m est√° atrelada √† falta de √°rvores. Esta rela√ß√£o se d√°, principalmente, em locais de florestas tropicais como a Mata Atl√Ęntica. Coincid√™ncia ‚Äď na verdade, n√£o ‚Äď as maiores cidades brasileiras como S√£o Paulo est√£o localizadas nesse bioma. Assim, elas dependem das florestas para abastecer os seus mananciais e, claro, seus habitantes. Voc√™ sabe qual a rela√ß√£o das florestas com a √°gua que sai da torneira?

Segundo um estudo da empresa de geoprocessamento Arcplan em parceria com a Funda√ß√£o SOS Mata Atl√Ęntica, 76,5% dos 5.082 km de rios que formam o Sistema Cantareira est√£o sem cobertura vegetal. Sem mata ciliar n√£o h√° como proteger os rios. O m√≠nimo esperado para que a √°gua seja preservada √© cumprir o C√≥digo Florestal.

Se todas as √Āreas de Preserva√ß√£o Permanente (APPs) dentro do Sistema Cantareira estivessem conservadas (seja com floresta prim√°ria, que ainda est√° livre da interven√ß√£o humana, ou recuperadas por meio do plantio de √°rvores nativas), a crise h√≠drica que atingiu o Sudeste teria sido menos cr√≠tica. Claro que essa preserva√ß√£o deve estar atrelada a medidas de racionaliza√ß√£o do consumo; de educa√ß√£o ambiental; tornar a gest√£o e distribui√ß√£o mais eficientes. Apenas culpar S√£o Pedro √© pouco.

Mesmo porque a Esta√ß√£o Meteorol√≥gica (EM) do Instituto de Astronomia, Geof√≠sica e Ci√™ncias Atmosf√©ricas (IAG) da Universidade de S√£o Paulo (USP) desde 1932 mede a precipita√ß√£o (quantidade de √°gua que cai do c√©u) na Regi√£o Metropolitana de S√£o Paulo. O ano de 2014 foi o 13¬ļ per√≠odo chuvoso (outubro a mar√ßo) mais seco desde 1932 at√© o ano ‚Äď o que acabou afetando o cr√≠tico ano de 2015. O ano mais seco (no per√≠odo chuvoso) desde que come√ßaram as medi√ß√Ķes foi o de 1941. Essa seca √© uma variabilidade natural do clima. Assim, a gest√£o da √°gua deve prever preven√ß√£o a esse tipo de condi√ß√£o clim√°tica.

Como o solo nessa situa√ß√£o permanece mais seco, a umidade leva mais tempo para voltar √†s condi√ß√Ķes m√©dias, mesmo com um aguaceiro caindo sobre a represa. Por isso, o volume de √°gua das represas demora a subir. Ou seja, as florestas contribuem para regular a vaz√£o das √°guas, pois seguram o excesso de √°gua das chuvas, liberando essa √°gua aos poucos para os rios, represas e nascentes (mantendo-os sempre com √°gua, no caso da Mata Atl√Ęntica).

A vegetação também contribui para a manutenção da qualidade das águas filtrando diversos sedimentos (evitando o assoreamento) e poluentes. As árvores nativas também protegem a biodiversidade. Por fim, um efeito global é absorver carbono e colaborar com a regulação do clima do planeta, diminuindo os efeitos negativos da mudança do clima como os eventos extremos (excesso de seca onde antes não havia este problema, por exemplo).

Venha abraçar árvores conosco. Abrace esta causa!

Amamentar é psicológico

Fotos Marina-45Amiga (o)! Estou em falta com este blog. Espero que entenda que este ano resolvi me dedicar à maternidade, ao meu trabalho e à minha família. Estou vivendo um momento de me reencontrar. Afinal, maternidade é isso: psicológico.

Falando nisso, a bebê já completou um ano e eu sigo amamentando. Tive a sorte (e a preparação) de amamentar assim que a bebê nasceu sem nenhum empecilho e de continuar amamentando. A bebê saiu da maternidade mais gordinha do que nasceu, ou seja, ao contrário do que é esperado, ela não perdeu peso nos primeiros dias. Nem na primeira semana de vida. E nem durante todos os meses de amamentação exclusiva.

A amamenta√ß√£o seguiu tranquila at√© eu avacalhar e ter o peito rachado quando ela estava prestes a completar um ano. Como assim avacalhar? Comecei a amamentar deitada, de qualquer jeito, sem me preocupar com a t√£o falada ‚Äúpega correta‚ÄĚ. O resultado foram dias para meu peito cicatrizar. Ap√≥s eu voltar a tomar cuidado, ele melhorou. Assim, muitas futuras mam√£es e at√© atuais m√£es me perguntam como consegui a fa√ßanha de amamentar ‚Äď quase ‚Äď sem problemas. O segredo? Ah, como diz o livro hom√īnimo √©… psicol√≥gico.

 

Tudo de bom

Bom, os benef√≠cios da amamenta√ß√£o j√° foram exaustivamente abordados e estudados. Entre eles, para a m√£e est√£o: menor risco de desenvolver c√Ęncer de mama e de ov√°rio, menor risco de ter fraturas de quadril por osteoporose, voltar mais r√°pido ao peso de antes de engravidar, a barriga volta mais r√°pido ao que era antes de engravidar, o corpo libera endorfina que d√° sensa√ß√£o de prazer, a ocitocina liberada (‚Äúdroga do amor‚ÄĚ) tem diversos pap√©is como de refor√ßar a liga√ß√£o entre m√£e e filho, entre outros.

E para o beb√™? A cada pesquisa descobrem mais benef√≠cios. Ajuda o beb√™ a se acalmar, a n√£o ter as chamadas ‚Äúc√≥licas‚ÄĚ (aquele choro que ningu√©m consegue identificar a causa), fornece anticorpos, ajuda a elaborar o paladar para diversos alimentos (j√° que o gosto do leite muda de acordo com o que a m√£e ingere), pode reduzir a mortalidade infantil em at√© quase 25%, ajuda a maturar o intestino, √© o alimento mais rico em nutrientes que se pode oferecer ao beb√™, previne a hipotermia, protege contra infec√ß√Ķes gastrointestinais e respirat√≥rias, previne contra o desenvolvimento de alergias, entre um monte de outras coisas.

 

√Č obrigat√≥rio?

Tem mãe que não quer amamentar. E essa é uma escolha. Ela não é menos mãe ou ama menos seu filho por isso. A decisão deve ser respeitada. Tem mãe que não pode amamentar. Algumas doenças como HIV e hepatites acredita-se que podem ser transmitidas via aleitamento materno. Em outros casos, a mãe precisa tomar alguns medicamentos de uso contínuo que também podem ser passados para o leite, contraindicando a amamentação. Também existem casos de mães que fizeram plásticas no seio que danificaram os dutos lactíferos. Em outros raros casos, as mães querem, mas não conseguem amamentar. Lembrando que mães com bico invertido ou plano conseguem amamentar, podem ter mais dificuldade, mas querer pode ser poder.

E qual o segredo do sucesso? Paci√™ncia, em primeiro lugar. E pega correta, disputando o p√°reo. Amamentar requer tempo. Disposi√ß√£o. Quando a gente amamenta, a gente cansa. Sua. Emagrece. Parece que corremos a maratona. Principalmente durante a noite, o ato de amamentar libera melatonina (subst√Ęncia respons√°vel por ajudar a regular nosso rel√≥gio biol√≥gico sobre dia e noite), o que d√° um sono incontrol√°vel. In-con-tro-l√°-vel. Deve ser por isso que dizem que a amamenta√ß√£o substitui o sexo. N√£o substitui, mas d√° um sono… Por isso que beb√™s e m√£es parecem desmaiados ap√≥s a amamenta√ß√£o.

 

O segredo

Bom, amamentar requer tempo. Demora. O beb√™ novinho suga devagar. √Äs vezes, eles querem ficar no peito, independente da idade, em busca de prote√ß√£o e aconchego. Outras, choram e esperneiam porque o leite desce devagar. Se ele est√° nervoso, basta amamentar para que se acalme ‚Äď as batidas de ambos os cora√ß√Ķes tendem a se regularem iguais. Quando voc√™ amamenta, sinaliza para a crian√ßa que ela est√° segura, que aquele √© um lugar seguro.

Sem contar que, como disse acima, amamentar requer energia. Eu ingiro muito mais calorias, acho que quase 800 calorias mais por dia (esse n√ļmero varia entre m√£es e filhos) do que antes da gravidez. Na gravidez, creio que basta ingerir no m√°ximo mais 400 calorias por dia. Voc√™ parece calma sentada por horas, mas cansa! D√° at√© calor. Como se estiv√©ssemos, mesmo, nos exercitando na academia. Sem contar que temos que ficar alerta para n√£o dormir enquanto amamentamos. Pode ser perigoso sufocar ou derrubar o beb√™. Est√° caindo de sono? Amamente sentada no ch√£o e com pouca almofada. Ou… pe√ßa para algu√©m ficar ao seu lado te acordando, rs (isso quando a pessoa ao lado n√£o dorme e √© voc√™ quem tem que acord√°-la na madrugada!). Voc√™ est√° dormindo? O ajudante responde: ‚ÄúN√£o, apenas estou descansando os olhos‚ÄĚ. Est√° bom, rs.

E o que √© a tal da lend√°ria ‚Äúpega correta‚ÄĚ? √Č o jeito que o beb√™ abocanha. Da maneira correta, n√£o deve doer. No come√ßo, assim que ele nasce, pode incomodar. Mas com o tempo voc√™ n√£o sentir√° nada ‚Äď apenas o leite descendo podendo at√© dar pontada nos seios. O beb√™ deve abocanhar quase toda a parte debaixo da aur√©ola ficando com uma boca parecida com de peixinho na parte de cima. Veja aqui. Com o maxilar, ele bombeia o leite (dentro da aur√©ola h√° uma esp√©cie de bombinha que ajuda a puxar o leite).

Parece m√°gica da natureza. Nosso corpo √© incr√≠vel e mais ainda como o c√©rebro age. Voc√™ sabia que at√© m√£es que adotam podem conseguir amamentar? Colocando o beb√™ no seio e com os horm√īnios liberados pelo c√©rebro, ela pode come√ßar a produzir leite. √Č impressionante.

 

Dicas

Abaixo seguem minhas dicas (uma compila√ß√£o de instru√ß√Ķes fornecidas por minha obstetra, pela pediatra, pela minha fisioterapeuta e proveniente de infinitas leituras). Prepare-se para a amamenta√ß√£o antes do beb√™ nascer. Deram certo para mim. De repente, podem te ajudar:

  • A partir da 37¬™ semana de gesta√ß√£o, tente com sua m√£o formar um bico no bico do seu seio;
  • Antes do beb√™ nascer, combine com a obstetra que voc√™ quer amamentar logo ap√≥s parir se esse n√£o for o procedimento do local;
  • Tome ao menos quatro litros de √°gua por dia! Sem √°gua, sem leite;
  • Tenha paci√™ncia;
  • Insista sempre;
  • Procure n√£o se estressar;
  • Evite oferecer chupeta, ela pode confundir o beb√™ prejudicando a pega (e pequisas indicam que beb√™ que usa chupeta larga o seio mais cedo do que os que n√£o usam);
  • Evite oferecer mamadeiras, elas tamb√©m podem atrapalhar a pega e fazer o beb√™ largar antes o seio, j√° que voc√™ produzir√° menos leite e o leite da mamadeira sai mais f√°cil. Se precisar, ofere√ßa leite no copo ou na colher (sim, d√° um trabalh√£o, o segredo √© n√£o deixar o beb√™ se esgoelar de fome);
  • Est√° sentindo que est√° com pouco leite? Est√° estressada? Deixe o beb√™ sugando no seu peito. O ato ajuda a estimular a volta da produ√ß√£o de leite;
  • Confie no beb√™;
  • Use suti√£s adequados (inclusive na hora de dormir) ao tamanho do seu seio (isso tamb√©m ajuda a manter o peito firme);
  • Conchas de prote√ß√£o podem ajudar a dessensibilizar o bico do peito;
  • No primeiro dia ap√≥s o parto e durante dois dias, massageie o seio com movimentos circulares de fora para perto do bico para evitar que empedre e a mastite. Tamb√©m vale chacoalh√°-los, rs;
  • O bico pode ser um lugar exposto a bact√©rias que causam infec√ß√Ķes. Tome banho lavando da cabe√ßa aos p√©s, cuidado em piscinas;
  • Rachou? Passe lanolina no primeiro dia, use concha e deixe o bico do seio exposto ao ar;
  • Sempre que poss√≠vel, deixe o bico do seio secando ao ar livre;
  • Impe√ßa que o beb√™ puxe ou empurre o seio;
  • Evite lavar o peito ap√≥s amamentar. Lave apenas no banho, normalmente. Evite passar sabonete no bico;
  • Use roupas confort√°veis;
  • Sente-se com a coluna ereta;
  • Posicione o beb√™ na altura do peito com o aux√≠lio de travesseiros ou almofadas enquanto amamenta;
  • Procure sentar como ‚Äú√≠ndia‚ÄĚ para melhorar a circula√ß√£o nas pernas;
  • Evite gritar enquanto amamenta. Imagine algu√©m gritando no seu ouvido enquanto voc√™ se alimenta;
  • Aceite e pe√ßa ajuda com os outros afazeres;
  • Se alimente bem, coma alimentos saud√°veis;
  • O beb√™ n√£o est√° ganhando peso? Saiba que nos primeiros minutos o leite que sai tem mais anticorpos e √°gua, o leite mais gordo (com calorias) vem depois. Portanto, deixe ao menos o beb√™ 15 minutos seguidos em cada seio;
  • Est√° cansada da livre demanda? Ofere√ßa um peito por pelo menos meia hora e mexa no pezinho do beb√™ para que ele n√£o durma enquanto mama. Deixe ele com menos roupa para n√£o dormir. Em seguida, troque a fralda do beb√™ para que ele acorde mais e coloque um pouco mais de roupa adequada ao clima. Ofere√ßa o outro seio por pelo menos mais 15 minutos. Se ele dormir, aproveite para descansar ap√≥s coloc√°-lo por 15 minutos ‚Äúpara arrotar‚ÄĚ. Geralmente, neste esquema, os beb√™s acabam mamando entre duas e tr√™s horas de intervalo. Se ganhar peso, parab√©ns, continue assim.
  • Ofere√ßa o √ļltimo seio primeiro;
  • Curta cada precioso momento. As crian√ßas mamam por pouco tempo. Passa r√°pido.

Se você quer muito amamentar e não está conseguindo, procure ajuda. Se você não quer, tudo bem. O importante é ser feliz!

Foto: Poline Lys.

Dê licença para a mãe

mao1Este ano, passei pelas experi√™ncias mais cient√≠ficas e indescrit√≠veis da minha vida: engravidei, pari (consegui normal, obrigada, Dra. Sandra, pela gra√ßa alcan√ßada) e me tornei m√£e. Foram nove meses – de janeiro at√© outubro – cuidando da pessoinha que crescia dentro do meu ventre, da nossa sa√ļde e buscando garantir o sustento da cria. Agora, estou de licen√ßa-maternidade (neste exato momento, digito com uma m√£o e, com a outra, seguro a crian√ßa amamentando-a). Ok, tive que parar para trocar fralda, colocar para arrotar‚Ķ

Li pilhas de livros e de sites sobre gravidez. Durante as leituras, tinha vontade de compartilhar v√°rias informa√ß√Ķes aqui! Como, por exemplo, que os espermatozoides ‚Äúde meninas‚ÄĚ s√£o mais lentos, demoram mais para chegar ao √≥vulo. Em compensa√ß√£o, duram mais tempo dentro do corpo da futura m√£e. Portanto, se quiser ter uma filha, fa√ßa sexo antes de ovular (talvez, esse tenha sido o meu caso).

Pratiquei exerc√≠cio f√≠sico quase todos os dias (no m√≠nimo, caminhava quatro quil√īmetros diariamente), ioga para gr√°vidas (o que tamb√©m era praticamente um grupo de autoajuda e for√ßa na peruca), medita√ß√£o e fui militar com a alimenta√ß√£o! Comi comida de verdade. Conclus√£o: engordei apenas nove quilos durante a gravidez (nem isso) e evitei andar como uma pata-choca. Tamb√©m preveni o diabetes gestacional (tenso) e o sobrepeso (que gera beb√™s abaixo do peso). At√© exerc√≠cios pontuais para facilitar o parto e p√≥s-parto pratiquei. Experi√™ncias, no m√≠nimo, c√īmicas. Segui a intui√ß√£o, os especialistas e o que indicavam as pesquisas cient√≠ficas. Foi um momento discovery da minha vida.

O parto foi o momento mais dolorido (é uma dor de parto, de partir, de separação), espetacular e inexplicável da minha vida. Senti muita dor. Tinha vontade de vomitar, perdia a força de me sustentar a cada contração (que durava mais de um minuto e vinha a cada dois), quase desmaiei. Após sete horas no hospital, nós dois éramos três. Inacreditavelmente, tinha um bebê parecido comigo nos meus braços. Aquele bebê com mais de três quilos, que não parava de chorar, saiu de dentro do mim. Oi? Como pode uma célula se tornar uma criança? Eu acredito em milagre. Será que toda a célula guarda a lembrança de ser alguém? Com certeza, sim.

Alguns fatos da ‚Äúdieta‚ÄĚ (puerp√©rio) ningu√©m me contou antes de engravidar. Na gravidez, seu quadril ‚Äúamolecer√°‚ÄĚ para o beb√™ passar – isso voc√™ deve saber. O c√≥ccix, que est√° nessa regi√£o, pode ir para tr√°s na hora do nascimento. O que pode causar muita, muita dor (antes e depois de parir). Sentar? Esquece. Durante o parto e dias depois, voc√™ vai sangrar – e muito. Ter√° contra√ß√Ķes que ajudar√£o o √ļtero a voltar ao tamanho de antes de engravidar (principalmente, enquanto estiver amamentando). Voc√™ dar√° de mamar a cada tr√™s horas contando a partir do in√≠cio da mamada, fa√ßa dia ou noite. Ou seja, ter√° cerca de duas horas para comer, dormir, tomar banho‚Ķ √Č normal por at√© cerca de um m√™s ap√≥s o nascimento voc√™ ficar deprimida, chorando sem parar e sem causa aparente. Calma, n√£o √© a primeira, nem a √ļltima. Isso acontece porque os horm√īnios, antes elevados, despencam. Se a tristeza permanecer, √© bom procurar aux√≠lio m√©dico.

Agora, estou vivendo mais ainda ser mamífera na pele. Antes, me sentia uma canguru. Hoje, uma macaca com o filho sempre dependurado. Haja quatro litros de água diariamente, água de coco, três copos de suco de laranja natural e vitaminas para amamentar. Ah, claro, e disposição para ficar quatro horas por dia com a cria mamando. Mas a amamentação é um dos meus momentos preferidos com ela. De maior cumplicidade. E de suor. Gente, como amamentar nos faz suar, afe. Neste bafão de verão, então, estamos um grude só (sacou?).

Apesar de toda essa verdade animalesca, e inclusive por essa sensa√ß√£o terrena e intang√≠vel, ter filho √© uma viagem incr√≠vel. Como disse meu marido: ‚ÄúTodo mundo diz que ter filho √© cansativo, mas n√£o √© um cansa√ßo estressante. Sabe quando voc√™ tem que acordar cinco da manh√£ em uma viagem para pegar a van e fazer o passeio mais esperado? Quando est√° vivendo este momento, √© o m√°ximo‚ÄĚ. ‚ÄúA m√£o que embala o ber√ßo governa o mundo‚ÄĚ, disse Abraham Lincoln, um dos presidentes dos Estados Unidos. Espero ser a tutora de uma pessoa que ajude a tornar o mundo o que ele tem a voca√ß√£o para ser: o para√≠so na Terra.

Pronto: j√° plantei √°rvores, fiz um filho. Quem sabe, agora, vem um livro de minha autoria?

Obs.: Vou ficar um tempo sem postar novamente porque, nas horas vagas, mãe de bebê faz o quê? Aproveita para dormir! Então, desde já, quero desejar um maravilhoso 2015! Fui dormir!