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2019: um ano para estabilizar as transforma√ß√Ķes

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Entrei em 2019 com a impress√£o de que 2018 n√£o acabou. Parece que, agora, a energia desses dois anos chegou ao fim. Ufa. Acho que 2019 foi uma finaliza√ß√£o de 2018. Uma √©poca de mudan√ßas que, como todas elas, trazem fins e novos caminhos. Na verdade, um ano para estabilizar essas transforma√ß√Ķes. N√£o adianta lutarmos contra algo que precisa mudar, porque as consequ√™ncias em insistir no que n√£o √© para n√≥s podem ser piores. Resultando em somatiza√ß√Ķes no corpo, na mente, no esp√≠rito.

De maneira geral, este foi um ano de foco em muito trabalho e muita realiza√ß√£o nele. Sou grata! No primeiro semestre, fui colunista sobre meio ambiente de r√°dio! Para quem adora falar, esse tipo de trabalho √© um encontro. Minha coluna ia ao ar no programa Desperta, da R√°dio Transam√©rica. Quando eu tinha dez anos, pedi um r√°dio para meu padrinho para, justamente, ouvir essa frequ√™ncia. Que sinal…

Na mesma √©poca, me despedi da bolsa de divulga√ß√£o cient√≠fica do CNPq, onde planejava e executava a comunica√ß√£o nas redes sociais. Precisei aceitar essa finaliza√ß√£o de dez anos de trabalho em divulga√ß√£o cient√≠fica que come√ßou l√° com meu blog Xis-xis. Preenchi esse tempo com maior dedica√ß√£o ao meu n√ļcleo familiar. Minha base na vida. O blog, ali√°s, quase saiu do ar. Vamos ver o que vir√° com rela√ß√£o a meus projetos pessoais na √°rea de divulga√ß√£o da ci√™ncia.

Como retorno √† sociedade, dei in√ļmeras palestras sobre o projeto de comunica√ß√£o desenhado ao CNPq. Conheci mais pessoas da √°rea da comunica√ß√£o e divulga√ß√£o cient√≠fica das quais virei f√£. Fiz novas amizades. No IEMA, pude exercer com todo amor √† causa socioambiental meu trabalho em comunica√ß√£o. Gra√ßas √† organiza√ß√£o, conheci pessoas do terceiro setor ou ativistas que admiro – pude falar isso para elas.

No IEMA, aprendi a me colocar criticamente sem medo. Ali√°s, tamb√©m aprendi que devemos contar para as pessoas, principalmente mulheres, o quanto elas s√£o incr√≠veis. Como elas nos inspiram. N√£o de maneira leviana. Mas verdadeiramente. Viajei bastante a trabalho, algo que nem imaginava acontecer: Bras√≠lia, Rio de Janeiro, Recife, Manaus, Madri… E, coincidentemente, todas essas viagens trouxeram um retorno ao meu eu mais √≠ntimo e genu√≠no.

“Est√° de volta √† terrinha?”, parentes perguntavam quando disse estar em Manaus. Morei l√° e, agora, tive a oportunidade maravilhosa de me aproximar mais dos povos origin√°rios. Bras√≠lia se relevou uma paix√£o, um desejo. O Rio, lugar mais lindo do mundo, vive sempre em meu imagin√°rio de bossa. Em uma viagem √† Recife decidi casar com o Gustavo. E, em Madri, que j√° conheci no meu primeiro mochil√£o para fora do Brasil, realizei o sonho de trabalhar para um mundo melhor em uma Confer√™ncia das Partes (COP), encontro da ONU. Uau.

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O mundo √© feito de pessoas incr√≠veis. Em busca de uma Terra mais harm√īnica e justa para se viver. Obrigada natureza, ci√™ncia, astros, antroposofia. Obrigada a todas as minhas amigas e amigos que por horas me ouviram me ajudando a estabilizar as transforma√ß√Ķes deste ano. Obrigada √†s amigas e aos amigos que confiaram a mim conselhos e caminhos. Obrigada √† minha fam√≠lia que me ajudou a realizar todos esses sonhos. Na verdade, s√≥ pude tudo isso gra√ßas a voc√™s. Obrigada ao meu mais lindo e novo afilhadinho. Obrigada aos meus pais, irm√£o, Gustavo e Marina. Voc√™s s√£o tudo de mais importante para mim. Obrigada, universo. Filha, espero estar construindo com todas essas pessoas um mundo mais lindo para voc√™. Venha 2020!

Mata Atl√Ęntica est√° se recuperando aos poucos, aponta estudo

Hoje trago uma boa not√≠cia. Um estudo cient√≠fico feito por mais de 20 pessoas de dez institui√ß√Ķes diferentes mostrou que cerca de 740 mil hectares de Mata Atl√Ęntica estavam em recupera√ß√£o entre os anos de 2011 e de 2015. Isso corresponde a 740 mil campos de futebol que agora est√£o se tornando floresta! O estudo foi organizado pelo Pacto para a Restaura√ß√£o da Mata Atl√Ęntica, um movimento criado em 2009 por empresas, √≥rg√£os do governo, ONGs e centros de pesquisa. Na √©poca do seu lan√ßamento, fiz uma mat√©ria sobre o assunto. O Pacto quer recuperar 15 milh√Ķes de hectares degradados at√© 2050, o equivalente a quase 100 cidades de S√£o Paulo. Algo que eles ainda consideram poss√≠vel. Para isso, o grupo procura fomentar pol√≠ticas p√ļblicas que facilitem o processo de recupera√ß√£o de √°reas e evitem desmatamentos. Al√©m disso, ONGs atuam no plantio de √°rvores nativas por meio do financiamento de pessoas e de empresas. √Č um grande trabalho em conjunto que est√° dando resultado. O Atlas da Mata Atl√Ęntica, uma iniciativa da SOS Mata Atl√Ęntica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indica que 12,4% da √°rea original de Mata Atl√Ęntica est√° preservada. E o desmatamento nessa floresta cai a cada ano.

A foto eu tirei no Parque Nacional de São Joaquim.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna sobre sustentabilidade vai ao ar.

Lugar de mulher é na ciência!

Ol√°! Bom dia! Lugar de mulher √© onde? √Č na ci√™ncia! O CNPq lan√ßou a s√©tima edi√ß√£o do Pioneiras da Ci√™ncia, uma iniciativa que homenageia pesquisadoras brasileiras com trabalhos importantes para o avan√ßo do conhecimento cient√≠fico e tecnol√≥gico no pa√≠s e no mundo! As homenageadas desta √ļltima edi√ß√£o s√£o: a entom√≥loga, especialista que estuda os insetos, Alda Lima Falc√£o; a f√≠sica Beatriz Alvarenga; a historiadora e ativista Maria Beatriz Nascimento; a f√≠sica Ewa Wanda Cybulska; a linguista Leda Bisol; a f√≠sica Linda Viola Ehlin Caldas; a ge√≥grafa Maria Ad√©lia Aparecida de Souza; a cientista pol√≠tica e escritora Paula Beiguelman; a f√≠sica Ruth de Souza Schneider; e a bi√≥loga Yocie Yoneshigue Valentin. A homenagem √© importante porque mostra para as meninas e mulheres em geral que n√≥s podemos exercer um papel relevante na sociedade. Segundo um estudo feito por pesquisadoras do CNPq, da UNICAMP, Universidade Estadual de Campinas, e da Universidade de Bras√≠lia, o total de bolsas de estudo concedidas pelo CNPq a homens e mulheres √© igual. Mas a participa√ß√£o das mulheres diminui √† medida que o n√≠vel das bolsas √© maior. Ou seja, h√° a sub-representa√ß√£o feminina em postos mais avan√ßados da carreira e em posi√ß√Ķes de prest√≠gio. Isso reflete o preconceito contra as mulheres. E tamb√©m mostra o fato de ter menos tempo para produzir pesquisas e, assim, subir de posto. Mas juntas e juntos podemos mudar isso. E ser√° melhor para todas e todos. Um beijo!

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Ouça aqui!

Imagem: CNPq

Como levar energia elétrica para comunidades na floresta

At√© o fim deste ano de 2019, o ISA, Instituto Socioambiental, e a Associa√ß√£o Terra Ind√≠gena Xingu‚Ää em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente da USP v√£o levar sistemas de energia solar para 55 escolas, 22 postos de sa√ļde e para mais 12 pontos comunit√°rios da Amaz√īnia. O projeto Energia Limpa no Xingu pretende se tornar uma refer√™ncia em solu√ß√Ķes de energia renov√°vel e descentralizada em comunidades isoladas. Cerca de 760 mil brasileiros dependem dos sistemas desconectados daqueles fios de transmiss√£o do Sistema Interligado Nacional. Ali√°s, at√© Boa Vista, capital de Roraima, usa sistema independente de gera√ß√£o de energia. Muitas comunidades isoladas da Amaz√īnia, por exemplo, contam com geradores a diesel. Mas geradores a diesel s√£o barulhentos, d√£o muita manuten√ß√£o e custam caro para o bolso dos contribuintes e para o meio ambiente por serem extremamente poluidores. Usar torres de energia solar √© uma alternativa. Energia solar tem um custo alto na instala√ß√£o, mas compensa economicamente e ambientalmente ao longo do uso. O IEMA Instituto de Energia e Meio Ambiente est√° analisando os impactos do projeto piloto dessa instala√ß√£o. Ao que parece, todas e todos sairemos ganhando.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: IEMA

Carnaval: pode usar glitter?

Est√° chegando, em alguns locais como na Bahia e nas capitais paulista e carioca j√° chegou, uma das √©pocas do ano que mais adoro: o Carnaval! E a cada ano aumenta a pol√™mica em torno de um brilho muito usado pelos foli√Ķes: o glitter. A maioria do glitter √© feito de pequenos peda√ßos de pl√°stico que demoram mais de 400 anos para se decompor. E, por serem t√£o pequenos, passam direto pelos filtros das esta√ß√Ķes de tratamentos de esgoto das cidades (quando h√° tratamento). Assim, caem nos rios e c√≥rregos que, mais cedo ou mais tarde, desembocar√£o no mar. Muitos animais aqu√°ticos como ostras, pequenos peixes e at√© baleias ingerem esse glitter. Ele pode ser confundido com os pl√Ęnctons, organismos bem pequenos que fazem parte da base da cadeia alimentar aqu√°tica. Ent√£o, surge a d√ļvida: o que usar no lugar do glitter comum? Escolha o glitter biodegrad√°vel, que n√£o prejudica o meio ambiente. No Brasil, existe at√© glitter vegano biodegrad√°vel. O problema √© que esses produtos ainda s√£o caros. Assim, deixo a dica para quem quer sair ecologicamente purpurinado: use glitter comest√≠vel para brilhar. No YouTube, d√° para encontrar receitas caseiras. Outra op√ß√£o √© comprar glitter comest√≠vel com aten√ß√£o ao r√≥tulo: ele deve ser livre de pl√°stico e de metais. E bom carnaval!

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Carnaval de 2018/ Isis Diniz

Tem um parque perto de você, talvez você nem saiba

Hoje, trago uma boa not√≠cia no estilo: ‚Äúantes tarde do que nunca‚ÄĚ. O Minist√©rio do Meio Ambiente lan√ßou nestas f√©rias o aplicativo para celular chamado Parques do Brasil. Ele ainda est√° na vers√£o beta. O aplicativo traz fotos das unidades de conserva√ß√£o, as atividades e as atra√ß√Ķes de cada uma delas. Tamb√©m mostra as unidades de conserva√ß√£o que est√£o mais perto de voc√™. As unidades de conserva√ß√£o s√£o √°reas naturais criadas e que deveriam ser protegidas pelo Poder P√ļblico. Duas conhecidas s√£o: o maravilhoso Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e o Parque Nacional do Igua√ßu, uma das sete maravilhas do mundo. O Brasil tem atualmente mais de 2200 unidades de conserva√ß√£o. E parte delas, ali√°s, est√° em risco. Segundo um recente relat√≥rio do Imazon, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz√īnia, o desmatamento em unidades de conserva√ß√£o da Amaz√īnia em rela√ß√£o ao total da floresta quase dobrou em dez anos: passou de 7%, em 2008, para 13%, em 2017. Por isso, precisamos estar por perto do que √© nosso para preservar e curtir este pa√≠s bonito por natureza.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Fernando de Noronha/ Isis Diniz

Museu Nacional pega fogo. Fim.

Minha filha, infelizmente, n√£o conhecer√° o Museu Nacional do Rio de Janeiro como eu o visitei na minha inf√Ęncia. Ali√°s, esse era um grande sonho que vou ter que dormir com ele. Acabar o domingo com esse fim.

WhatsApp Image 2018-09-02 at 22.41.26O Museu Nacional,  vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, era a mais antiga instituição científica do Brasil. Um dos principais museus da América Latina, quiçá o mais relevante. Simplesmente, isso. As chamas levaram embora a nossa história brasileira e parte do passado da Terra.

Para se ter uma ideia da sua import√Ęncia, a Luzia, o esqueleto mais antigo das Am√©ricas, estava l√°. Durante a sabatina que fiz ao Walter Neves, pesquisador que descobriu a import√Ęncia desse achado, perguntei para ele: “Posso ver a Luzia”? Ele sorriu: “Ela n√£o fica exposta ao p√ļblico, esta l√° no Rio de Janeiro. Quando for para l√°, quem sabe?”

E eu estive, em agosto, no Rio de Janeiro. No estado. Por motivos pessoais, não fui até a capital. Que pena. Era a chance da minha filha ter conhecido o Museu Nacional. Mas ela não verá o Museu Nacional que eu vi.

A import√Ęncia do Museu Nacional
Fui algumas vezes ao meu Museu Preferido, principalmente, antes de cursar faculdade. Mas uma dessas vezes, quando eu tinha cerca de 14 ou 16 anos, foi inesquecível. Quando me dei conta da sua imponência (pausa para as lágrimas).

Estava com meus pais e meu irm√£o. Acho que minha madrinha foi junto. Passamos um dia todo no museu – quem dera se pud√©ssemos ficar a noite para ver tudo “acordar”.

Lembro como se fosse ontem dos sarc√≥fagos e m√ļmias eg√≠pcias que Dom Pedro II trouxe. Algumas delas foram mumificadas de um modo √ļnico, sendo um dos poucos exemplares do mundo.

Tamb√©m vi algumas m√ļmias encontradas nos Andes. Perfeitas, pareciam at√© que estavam vivas! Tinha c√≠lios, roupas, cabelo comprido. Impressionante.

Tive a oportunidade de contemplar por minutos que pareciam a eternidade o maior meteorito encontrado no Brasil. E, o melhor, com explica√ß√Ķes sobre ele dadas por um ge√≥logo, meu pai.

Entre tanta beleza, outro item me chocou: o descaso. No ambiente onde estavam as m√ļmias, haviam goteiras. Fungos na parede. Mofo! Muita umidade. Abandono. Itens mal cuidados. Fazem 20 anos isso. Trag√©dia anunciada.

Tenho certeza que o descaso não partia dos funcionários e nem dos pesquisadores. Muito menos dos frequentadores que se admiravam. Nem dos moradores orgulhosos com tanta preciosidade numa cidade tão maravilhosa. O Museu Nacional não passava vergonha frente ao Museu de História Natural de Nova York.  Não é ufanismo.

Pelo celular, vi queimar a minha inf√Ęncia. O nosso passado. A hist√≥ria de todos os habitantes do planeta √°gua. Desde que comecei a namorar meu marido, o Gustavo, eu dizia que um dia o levaria ao Museu Nacional. Ele ia amar.

Mas, infelizmente, o Gustavo não terá essa oportunidade. Nunca saberá o que era o Museu Nacional. E nem minha filha. Desculpe, meu amor. Gostaria de deixar um país melhor para você. Ficaremos com as palavras.

Para que serve um blog?

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Lembro como se fosse ontem. O Atila Iamarino e o Carlos Hotta tiveram a incrível ideia de unir os cerca de (no máximo 15?) blogueiros que escreviam sobre ciência, há dez anos. Você vê que o empreendedorismo de ambos praticamente nasceu com eles, não? A maioria de nós se conhecia pela internet. Um comentava no blog do outro. Assim, eles me chamaram para conversar.

Na √©poca, tornou-se bem comum condom√≠nio de blogs. Os mais populares at√© foram incorporados por grandes portais como o iG (Interney pode falar mais sobre). Eu, capira de Tel√™maco Borba e precavida, fiquei com receio. ‚ÄúSer√° que s√£o dois doidos?‚ÄĚ Achei prudente marcar o encontro em um caf√© movimentado da Vila Madalena. Avisei minha m√£e assim que cheguei e combinei de informar quando estivesse longe deles, em seguran√ßa, destino minha casa.

Ao chegar no café, me deparei com duas pessoas agradabilíssimas, inteligentes e que até pareciam um pouco tímidas! Eles foram super gentis e explicaram a ideia. Percebi o pioneirismo de ambos naquela hora. E a força para realizar sonhos. Bom, como se pode ver, migrei para o ScienceBlogs. Eram dois doidos, sim. Mas doidos por mudar este país para melhor.

Agora, vou te contar um segredinho: o mais incr√≠vel em fazer parte deste grupo √© conhecer pessoalmente pessoas t√£o fant√°sticas e conversar com elas em um e-mail de bastidores. Ah, se os bastidores falassem‚Ķ Posso afirmar (e deixar aqui a curiosidade) que a troca de ideias mais maravilhosa acontece por e-mail. Qualquer conversa pode ser muito profunda e c√īmica ao mesmo tempo. Sagaz.

Pela percepção de quem tem blog desde antes da maioridade, de quem trabalha na área e que, por afinidade ou encantamento pelas possibilidades (boas) que a internet traz, vou tentar contar um pouco sobre a evolução do blog e usar minha bola de cristal para apontar onde estamos e para onde vamos.

 

De onde vieram os blogs

Muito resumidamente, para não ser cansativo, os blogs foram: um diário pessoal, um diário sobre um tema que gostamos, um diário sobre um tema que gostamos com opinião, uma coluna de opinião. Meio que nessa ordem. Muitos blogueiros publicaram livros. Foram até ao Faustão!

Aí, as empresas perceberam o poder da blogagem. E começaram a contratar blogueiros para escrever sobre suas marcas. Elas já haviam cedido aos publiposts e os jornais também inseriram blogueiros em seus veículos. Em seguida, as empresas criaram seus próprios blogs.

Com a crise na imprensa impressa, entre um dos motivos, devido à publicidade migrando para o Google e, atualmente, Facebook, as empresas perceberam que poderiam ser o próprio veículo de comunicação. Afinal, já tinham sites. Bastava transformar releases em notícias para vender o próprio peixe e colocar a notícia com as lentes voltadas para elas.

Em 2005, o YouTube come√ßou a ganhar mais for√ßa. Eles incentivaram a migra√ß√£o de blogueiros pagando (bem) para v√≠deos com mais visualiza√ß√Ķes. Em 2011, quando eu trabalhava em uma empresa internacional da √°rea de internet, as mensagens de fora j√° imploravam: ‚ÄúPor favor, fa√ßam v√≠deos, ser√° o ‚Äėnovo‚Äô blog‚ÄĚ. Se voc√™ for ao meu canal do YouTube, ver√° que me arrisquei algumas vezes. Tenho at√© forma√ß√£o em locu√ß√£o e apresenta√ß√£o de televis√£o (olhe o jab√°)!

Como est√£o os blogs

Bom, as empresas começaram a usar os blogs para divulgar suas marcas. Perceberam que quanto mais notícias, mais links para os seus sites, mais relacionamento com futuros clientes, mais vendas. O próprio YouTube disse, recentemente, que ele é uma enciclopédia em vídeo. Acho que queria ser uma televisão, mas se tornar uma enciclopédia é mais pesado no bom sentido, não? E o Google, de certa maneira, virou um Oráculo.

Você pergunta, o Google responde. Literalmente. As empresas perceberam isso. E começaram a aplicar em seus blogs Search Engine Optimization (otimização para mecanismos de busca). O tal do SEO. Agora, cá estamos. Pesquisas mostram que os primeiros quatro links que aparecem no Google são os mais clicados. Começaram os caça-cliques mais acirrados do mercado.

Voc√™ j√° clicou em um texto p√©ssimo na flu√™ncia que tem mais ‚Äúpalavras-chave‚ÄĚ (que ajudam os rob√īs do Google a entenderem que aquela p√°gina √© mais relevante que outra) do que outra coisa no texto? Ou seja, que n√£o diz nada? Pois √©. Isso tem sido bem comum. A√≠, quem vai ler tanta not√≠cia?

Temos bons blogs. Blogueiros que migraram para outras m√≠dias. Blogueiros que foram fazer outra coisa da vida – e n√£o t√™m mais tempo para blogar. Temos muito conte√ļdo (n√£o necessariamente em blog) ‚Äúcozinhados‚ÄĚ como chamamos no jornalismo, ou seja, reescritos sem novidades. Sabe o que falta?

Curadoria para os conte√ļdos bons. Al√©m do ScienceBlogs, claro. ūüėČ Juntar em um √ļnico endere√ßo de internet os canais, sejam eles de redes sociais ou de blogs escritos. Afinal, esqueci de mencionar. Muitos blogueiros ou que seriam poss√≠veis blogueiros usam seus perfis das redes sociais, como o Instagram, como blog. Migraram.

 

Como ser√£o os blogs

Acredito que haver√° uma sele√ß√£o natural. Parte feita pelo grande irm√£o Google. Que ir√°, assim espero, punir descendo nas buscas os blogs que ‚Äúcozinham‚ÄĚ outros textos ou que apelam nas palavras-chaves sem trazer conte√ļdo de qualidade.

Tenho notado tamb√©m que h√° uma tend√™ncia em reunir em uma √ļnica not√≠cia/ blogagem texto, v√≠deo, √°udio, foto e o que mais caber. Os blogs podem ficar mais complexos, mais ricos, com conte√ļdo em diversas m√≠dias para agradar a todos os fregueses.

Creio que nunca se leu tanto na face da Terra. Mas quem n√£o gosta de um conte√ļdo bom? Quando a gente vai a uma loja e √© mal atendido ou o produto entregue n√£o √© de acordo com a propaganda, a gente faz o qu√™? Evita voltar. Dessa forma, espero que os bons blogs permane√ßam ou revivam.

Posso dizer por mim. Estou tentando fazer o Xis-xis voltar. Mas tenho mais uma boca a mais para alimentar em casa. Por isso, nas horas vagas, cuido desse ser e o meu foco √© colocar os alimentos na geladeira. Mas estou aqui. Querendo-te. ūüėČ

Dia Mundial dos Oceanos: Qual a sensação de praticar mergulho

Posso fazer aqui uma declaração de amor?

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Imagine um mar que parece gelatina. De cima do barco, d√° para ver o fundo dele¬†a mais de quarenta metros abaixo de voc√™. Ainda da embarca√ß√£o, os cardumes de peixes que brilham como neon nadam lateralmente. Parecem nos olhar. Quando me jogo nessa √°gua quentinha (como n√£o se atirar?) ou√ßo o barulho dos corais. Sim, eles estalam! Vejo um tubar√£o-lixa beb√™, arraias, tartarugas t√£o lesadas como aquelas do filme “Procurando Nemo”, polvo assustado, moreias maiores que eu e muitos peixes coloridos de diversas formas. Corais de todas as cores, esponjas, uma √°gua transparente e uma areia macia.

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Eu já havia praticado snorkeling no  litoral brasileiro, pelo que me lembre, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bonito (MS) Рeste merece um post à parte. Mas nunca havia visto nada como Fernando de Noronha, da descrição acima. Após me entregar para aquela água, minha vida mudou. Quando mergulhei de cilindro lá, então, entendi a paz que o mar nos traz.

Eu estava com medo de saltar na √°gua com presos pesos √† minha cintura e com aquele cilindro que deveria pesar mais que eu. Por sorte, estava com o instrutor mais paciente e carinhoso do grupo. Certamente ele pensou: “Essa vai dar trabalho”. Tremendo, n√£o sei se de frio ou nervoso, come√ßamos a afundar.

Quando cheguei a mais de dez metros de profundidade (sem precisar subir para pegar ar, como teria que fazer com o snorkel) ao mar eu tinha certeza que pertencia. Era relativamente silencioso. Ouvia mais forte apenas minha respiração. Tudo azul. Senti uma paz que só havia atingido meditando.

Brinquei de “fechar” corais. Observei os animais marinhos. Me senti de volta ao √ļtero. Acolhida. Estava muito feliz e plena. Ficamos cerca de meia hora abaixo da √°gua, explorando aquele mundo maravilhoso, mas parecia apenas cinco minutos quando j√° era para voltarmos.

Eu não quis. Comecei a fugir do instrutor. Como se tivesse a capacidade de deslizar como um tubarão cheia daqueles penduricalhos presos ao meu corpo. O instrutor nadou atrás de mim e falou que não tinha jeito, precisávamos subir. Deu a entender que o ar poderia acabar. Começou a inflar minhas boias.

Relutei em voltar √† superf√≠cie tentando argumentar de baixo da √°gua por l√≠ngua de sinais de mergulho.¬†Lamentei muito. Subi contrariada. Eles explicaram que aquilo que eu senti aconteceu devido ao excesso de oxig√™nio no meu c√©rebro. Que “d√° barato” e a pessoa perde a no√ß√£o de tempo e de perigo.

N√£o, meus amigos. Aquilo aconteceu devido ao excesso de mar em volta de mim.

#DiaMundialdosOceanos

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O que voc√™ mais “gostou” da greve?

O que podemos tirar de positivo com esta greve? Repensar nosso meio de produ√ß√£o e de distribui√ß√£o. Uma diminui√ß√£o das emiss√Ķes relacionadas ao aquecimento global. Repensar nosso consumismo, nossa necessidade de ter tudo aqui agora. Ouvir o sil√™ncio mesmo numa cidade t√£o barulhenta como S√£o Paulo. Curtir nossa casa e nossa fam√≠lia. Nos aproximarmos da vizinhan√ßa t√£o perto, mas antes t√£o longe. Valorizar e cuidar do nosso bairro. Gastar a nossa energia andando a p√© e pedalando – e reletir, “como podemos melhorar nosso ir e vir”? Observar os motoristas dirigindo com mais calma, respeitando o pr√≥ximo sem “colar” no carro da frente ou fazer ultrapassagens perigosas. Consumir o que temos no nosso quintal (se poss√≠vel) ou o que √© cultivado pr√≥ximo a n√≥s e em seu tempo. Viver a vida no ritmo que √© genuinamente nosso: o da natureza.