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Dicas de organiza√ß√Ķes ambientais brasileiras para seguir nas redes sociais

As redes sociais em si s√£o fonte de discuss√£o e geram muito debate. H√° quem as ame e quem as odeie. Eu confesso que me policio para evitar passar muito tempo rodando a tela do celular. Mas para mim as redes sociais s√£o importante porque as uso como meio de trabalho. Seja para divulgar informa√ß√Ķes ou para saber o que outras pessoas e organiza√ß√Ķes est√£o fazendo. Por isso, gostaria de dividir alguns perfis de organiza√ß√Ķes ambientais brasileiras que merecem serem seguidas no Instagram. Um deles √© do Instituto Tamandu√°, uma ONG que estuda e busca a preserva√ß√£o de Tamandu√°s, Tatus e Pregui√ßas. Esses bichos simp√°ticos sofrem com a ca√ßa, atropelamentos, perda do seu habitat e tr√°fico. Outro √© o perfil do Projeto De Olho Nos Corais. Ele est√° monitorando com fotos, inclusive com a participa√ß√£o de internautas, a sa√ļde dos corais de todo o litoral brasileiro. Infelizmente, pesquisas mostram que os corais est√£o branqueando devido ao aumento da temperatura da Terra. E esse branqueamento pode levar os corais √† morte. Outro perfil lindo √© o da Associa√ß√£o Acaatinga. A caatinga √© um bioma exclusivamente brasileiro e super delicado. Parece pobre, mas √© muito rico em biodiversidade. Por fim, indico o perfil do Observat√≥rio do Clima, uma rede de organiza√ß√Ķes pelo combate ao aquecimento global. Ele ¬†contextualiza no Instagram as implica√ß√Ķes das pol√≠ticas para o meio ambiente.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

22 dicas sobre o parto e pós-parto que quero contar para minhas amigas

img_7528Vejo minhas amigas gr√°vidas pela primeira vez e lembro-me das minhas d√ļvidas quando eu era gestante e, principalmente, da inquieta√ß√£o relacionada ao desconhecido parto. A gente acha que parir √© parecido ao retratado em um filme roliudiano. Voc√™ come√ßa a ter contra√ß√£o, sente muita dor, corre logo para o hospital, d√° uns gritos e a crian√ßa nasce. Pode ser assim, mas geralmente n√£o √© nada disso. Parir √© mais visceral, animalesco e muito √≠ntimo. √Č uma volta ao seu interior.

Durante o parto da minha bebê, eu cheguei ao hospital toda querendo ser phyna. Fazer xixi de porta aberta? Surtei. Como assim? Meu marido ia me ver sentada no vaso sanitário? Expulsei ele do banheiro da sala de parto e até hoje recordo da expressão tranquila, de acolhimento, de aceitação e atenta dele preocupado em cuidar de nós duas. Cheguei ao hospital com cinco centímetros de dilatação e fiquei presa entre esses e os sete por um tempo. Creio que por três horas e pouco.

Quando me entreguei ao desconhecido, ao que eu queria fazer, gemer e, principalmente, quando me interiorizei, o parto evoluiu mais rápido (cheguei ao hospital cerca de 11h30 da noite e antes das 5h da manhã a bebê nascia). A dor diminuiu, soube lidar melhor com ela e me corpo indicava o que era melhor para nós. Sem gritar (guardei a energia para usá-la durante o expulsivo).

Por exemplo, acredite se quiser. Depois da anestesia √© comum as contra√ß√Ķes diminu√≠rem ou ficarem irregulares. Tamb√©m h√° uma preocupa√ß√£o especial com os batimentos card√≠acos do beb√™, que podem diminuir devido ao rem√©dio. Nestes casos, os m√©dicos podem injetar ocitocina para que as contra√ß√Ķes continuem ritmadas e intensas.

Debati com a obstetra porque eu queria a menor interfer√™ncia m√©dica poss√≠vel no parto, de jeito algum abrindo m√£o de algumas facilidades da medicina contempor√Ęnea, e ela j√° sabia disso. Como as contra√ß√Ķes estavam muito zuadas (perd√£o a palavra, mas as ondas viraram gr√°ficos bizarros como os econ√īmicos) e os batimentos da beb√™ ca√≠ram algumas vezes, a m√©dica falou que daria ‚Äús√≥ um pouco de nada de ocitocina‚ÄĚ. Concordei.

Bom, depois da anestesia, sem dor, minha vontade era apenas de meditar. Meditei por mais de 45 minutos. Entrei em uma paz, calma, felicidade indescrit√≠veis. Sei l√° para onde minha mente foi levada. O curioso √© que, toda vez que uma enfermeira, a obstetra ou o Santos anestesista (ele era uma gra√ßa, vale um post a parte, me acalmou ap√≥s ficarmos hora conversando sobre a hist√≥ria da medicina durante o trabalho de parto) entrava na sala para falar comigo, as contra√ß√Ķes desandavam. Quando eu voltava a meditar, elas voltavam a ter ritmo. Nem precisei de mais ocitocina.

Sou muito, mas muito grata a todos os envolvidos porque foi um parto m√°gico. Foi o segundo dia mais importante da minha vida ‚Äď o primeiro, quando nasci. Minha obstetra me auxiliou perfeitamente, com palavras certas nos momentos corretos. Eu li tanto que ningu√©m mais aguentava minhas cita√ß√Ķes. Fiz ioga com uma parteira maravilhosa. E conversei com muitas amigas j√° m√£es, mentoras at√© hoje. Gra√ßas a todo esse conhecimento, o desconhecido foi f√°cil de ser levado. Por isso, ap√≥s todo meu bl√°bl√°bl√° acima, quero compartilhar aqui informa√ß√Ķes que podem te acalmar. Espero ser √ļtil e que tenha um lindo parto!

O que esperar do parto normal e do pós-parto imediato?

  1. O mais importante: o parto √© √ļnico. Como cada gravidez, o parto e o p√≥s-parto s√£o diferentes para cada mulher. Portanto, a sequ√™ncia pode ser a mesma, mas a intensidade, o modo que voc√™ ir√° lidar com cada passo dele, √© diferente. Leia, mas n√£o se prenda ao passo-a-passo;
  2. Os pr√≥domos, sinais que indicam que o trabalho de parto est√° pr√≥ximo, podem come√ßar dias antes ou horas antes. Leia sobre eles para saber identificar ‚Äď lembrando que algumas mulheres n√£o t√™m nada! No meu caso, no dia anterior, estava com muitas contra√ß√Ķes irregulares. Foi um dia com contra√ß√£o a toda hora. Ainda sem dor, mas eram tantas que estranhei;
  3. O parto da primeira gravidez pode demorar ‚Äúmuito‚ÄĚ, a m√©dia √© de cerca de 13 horas, e quem manda √© a natureza. Desista de lutar contra ela. Se entregue e tenha ci√™ncia de que √© imposs√≠vel controlar tudo. Ali√°s, depois, a maternidade vai jogar na sua cara v√°rias vezes que n√£o podemos ter o dom√≠nio de tudo na vida. Tente aproveitar essa beleza;
  4. Voc√™ pode come√ßar a ter contra√ß√£o de treinamento com cinco meses e ter dilata√ß√£o com sete meses. Fique atenta, mas saiba que √© normal. Na d√ļvida, consulte quem far√° seu parto. Ah, o que √© contra√ß√£o de treinamento? Quando a barriga fica dura por um tempo e, depois, fica relaxada. Curta, √© maravilhoso;
  5. O trabalho de parto √© dividido em tr√™s fases: quando o colo do √ļtero est√° dilatando, a expuls√£o e a sa√≠da da placenta. A primeira fase √© a mais demorada. A de expuls√£o, quando fazemos for√ßa para tirar o beb√™, dura de minutos at√© cerca de uma hora e meia. A √ļltima √© rapidinha, n√£o se preocupe muito com esta. √Č comum os obstetras fazerem uma massagem de leve para ajudar a soltar a placenta;
  6. Dói muito? Depende e depende de como você encara essa dor. Generalizando, dói mesmo, para valer, por volta dos sete centímetros. Depois, o trabalho de parto costuma evoluir rápido e em pouco tempo você estará com o bebê no colo. Pode ser que doa muito para você desde os dois centímetros de dilatação, pode ser que você só sinta dor no expulsivo, pode ser que só doa muito por volta dos sete centímetros de dilatação (foi o mais comum relatado pelas minhas amigas e o que aconteceu comigo). Pode ser que não sinta dor;
  7. Como √© a dor? √Č de partir, rs. No meu caso, quando come√ßou a doer a valer, eu sentia uma dor de leve nas costas que ‚Äúabra√ßava‚ÄĚ a barriga. Esta ficava dura e, a√≠ sim, eu sentia a dor de partir. Parece que vem de cima do tronco para baixo, at√© a p√©lvis. Depois, passava e viriam outras a cada dois minutos;
  8. N√£o pense na dor no intervalo das contra√ß√Ķes. Apenas relaxe ou fa√ßa o que der vontade. A banheira ajuda a tirar a dor, mas acelera as contra√ß√Ķes. O chuveiro tamb√©m. Abra√ßar o acompanhante de p√©, apoiando o peso nele com o corpo para frente √© uma boa;
  9. Voc√™ vai sangrar muito durante o trabalho de parto e no p√≥s-parto. Ap√≥s o parto e por dias, v√£o sair umas ‚Äúgosmas‚ÄĚ de sangue. Fique tranquila. Agora, se achar que est√° saindo sangue vivo e por muito tempo e frequ√™ncia, v√° ao m√©dico. Se √© sedent√°ria, tamb√©m pode ficar dolorida devido √† for√ßa feita para parir. Voc√™ pode ter dor no quadril e na regi√£o do c√≥ccix antes e depois do parto, estas partes ‚Äúalargam‚ÄĚ e amolecem para a passagem do beb√™;
  10. Esque√ßa aquela hist√≥ria de ‚Äúbarriga est√° baixa, vai nascer logo‚ÄĚ. N√£o d√° para saber se o beb√™ est√° encaixado s√≥ de um leigo olhar. Por exemplo, todos diziam que minha barriga estava baixa. Eu pari com 40 semanas em ponto, data do ultrassom. A beb√™ s√≥ encaixou durante o trabalho de parto e quando eu estava com oito cent√≠metros de dilata√ß√£o. Como ela estava ‚Äúalta‚ÄĚ, a equipe m√©dica acreditava que o parto iria demorar. Nada. Ap√≥s encaixar, ela nasceu em, no m√°ximo, 20 minutos. Foi uma correria boa at√© a equipe chegar ao quarto. Em seguida, fiz tr√™s for√ßas completas e ela saiu. Mal deu tempo do pediatra jovem com kit gal√£ feio (hahaha, ele era gente boa) explicar os procedimentos ‚Äď que eu j√° sabia. Eu queria bater nele porque estava atrapalhando meu expulsivo, rs. Minha vontade era de empurrar e ele ficava falando! Fofo, mas falando;
  11. E se a bolsa estourar? Sai um l√≠quido amarelado-claro e bem quentinho. Lembra o xixi. Mas voc√™ vai perceber, espero, que √© a bolsa estourada. Calma, voc√™ pode ter tempo at√© ir para o local do parto. Ou n√£o ‚Äď conhe√ßo casos de parto em hora! E outros de 24 horas ap√≥s estouro da bolsa. E se entrar em trabalho de parto antes de estourar? Sem problemas. Durante o parto pode estourar, ser estourada se necess√°rio ou o beb√™ sair dentro dela. Fofura total.
  12. A placenta parece uma geleia. Pe√ßa para ver e coloque a m√£o. √Č muito interessante!
  13. Se tomar anestesia, é possível que não te deixem levantar em seguida do parto ou tomar banho. Se você estiver bem, peça para tomar banho acompanhada por uma enfermeira;
  14. Coma bem! Você estará com fome! E antes do parto também! Prefira alimentos saudáveis com carboidratos, fibras e proteínas;
  15. √Č comum ter hemorroidas durante a gravidez (devido ao peso da barriga ou de pris√£o de ventre) ou no p√≥s-parto por causa da for√ßa feita. Dica natureba: compre pr√≥polis sem √°lcool e passe duas vezes por dia na regi√£o. Vai curar;
  16. Outra dica natureba: óleo de calêndula ajuda a cicatrizar a dilaceração ou episiotomia. Passe duas vezes ao dia. Dá uma aflição, a região fica dolorida no pós-parto;
  17. Fazer exerc√≠cios para o per√≠neo antes da gravidez, durante e logo ap√≥s parir ajuda na elasticidade do canal do parto e da regi√£o p√©lvica. Tamb√©m facilita na volta da musculatura. Procure um fisioterapeuta especializado ou busque por ‚Äúexerc√≠cios de Kegel‚ÄĚ na internet;
  18. Amamente o quanto antes, logo ap√≥s o beb√™ nascer. Eles j√° costumam nascer fazendo um biquinho-de-passarinho-coisa-mais-linda-do-mundo procurando o ‚Äúmam√°‚ÄĚ. Quanto antes amamentar, mais f√°cil ser√° a amamenta√ß√£o. Tem gente que recomenda passar lanolina no bico do seio para n√£o machucar. S√≥ indico passar se sentir machucado e n√£o antes. Na sala de parto, pe√ßa aux√≠lio para a enfermeira na primeira amamenta√ß√£o. E, nas consultas com o obstetra, deixe claro que quer amamentar logo ap√≥s o parto;
  19. Amamentar d√° contra√ß√£o. Ela libera horm√īnios que ajudam o √ļtero a voltar ao tamanho de antes da gravidez. Completamente normal, curta a sensa√ß√£o. Ah, e tome quatro litros de √°gua por dia. Voc√™ precisa de muita √°gua para ter leite. Em seguida, de se alimentar corretamente e tentar n√£o se cansar ou se estressar muito (tamb√©m n√£o se cobre ficar relax, ok?);
  20. Dias ap√≥s o parto, os horm√īnios despencam. √Č comum a mulher se sentir deprimida, querer ficar quietinha, n√£o fazer nada. Respeite seu corpo. √Č at√© s√°bio, afinal, o beb√™ tem pouca imunidade para curtir baladas. Se a tristeza permanecer por mais de 30 dias, consulte seu obstetra ou um m√©dico. Ali√°s, at√© o pediatra pode te ajudar caso a tristeza permane√ßa. Se voc√™ trabalha, pode ser que quando acabar a licen√ßa maternidade volte a se sentir bem. Coma corretamente, tente fazer exerc√≠cios f√≠sicos quando o m√©dico liberar e dormir sempre (ouviu, sempre) que o beb√™ dorme para permanecer descansada. Ali√°s, voc√™ nunca saber√° quando ele vai dormir de novo… Aproveite a chance;
  21. E a barriga? Ela volta ao normal se voc√™ manter uma alimenta√ß√£o equilibrada e se se exercitar um pouco. N√£o h√° dados cient√≠ficos sobre isso (n√£o encontrei) e profissionais da sa√ļde n√£o recomendaram, mas usei cinta modeladora e deu certo;
  22. E a vagina? Volta ao normal? Se tudo ocorrer de acordo com o esperado (se o obstetra n√£o fizer episiotomia desnecess√°ria e der pontos errados), volta. Claro que o corpo j√° ter√° a mem√≥ria daquele alongamento feito durante o parto ‚Äď por isso, os pr√≥ximos partos costumam ser mais r√°pidos. Continue com os exerc√≠cios para a regi√£o do per√≠neo (voc√™ ficar√° craque) e n√£o encane. A natureza √© s√°bia.

Aproveite cada segundo daquele bebezinho que tem uma fei√ß√£o nova a cada dia! Ele apenas ser√° rec√©m-nascido por 28 dias. Curta o parto, o p√≥s-parto, o carinho de amigos e de familiares, o companheiro (a) se voc√™ tiver, a natureza da vida. Os dias com um beb√™ demoram para passar, mas os anos voam. Parir √© um milagre. Ali√°s, o que √© a vida se n√£o um fen√īmeno desconhecido? Aproveite a viagem!

*Na foto acima, estava com minha bebê no primeiro dia de vida dela no mundo aéreo <3.

A√ß√£o ambiental: plante √°rvores da Mata Atl√Ęntica!

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A ONG Iniciativa Verde¬†onde trabalho – sim! virei oficialmente ecochata, hippie ou ongueira -, vai fazer uma a√ß√£o aberta a todos: o Plantio Simb√≥lico. Na ocasi√£o, todo mundo – principalmente aqueles que j√° t√™m um filho e escreveram um livro – ter√° a chance de plantar √°rvores da maravilhosa Mata Atl√Ęntica! As mudas ser√£o plantadas no Sesc Interlagos para aumentar e incrementar um bosque que existe no local. Sua rinite e a fauna agradecer√£o, tenha certeza.

Na ocasi√£o, as equipes da Iniciativa Verde e do Sesc Interlagos explicar√£o como plantar uma √°rvore da Mata Atl√Ęntica, o que √© restauro florestal, a import√Ęncia de se preservar a floresta. S√©rio, √© fant√°stico entender de perto como √© cuidar da Mata Atl√Ęntica, que nos fornece comida, casa e roupa lavada. √Č uma pira√ß√£o quando as pessoas (foto acima) pegam as beb√™s √°rvores: “Que muda √© essa? √Č essa?”

Venha ser feliz e fazer o bem. Com o passar do tempo, você pode voltar ao Sesc Interlagos para ver o quanto a sua mudinha cresceu. Não é lindo?

Informa√ß√Ķes importantes:
Data: 27 de setembro de 2013
Hor√°rios: 10h e 14h
Local: Sesc Interlagos (o Viveiro é o ponto de encontro)
Endereço: Av. Manuel Alves Soares, 1100, Parque Colonial, São Paulo (SP)

Saiba mais aqui. Veja as fotos do Plantio Simbólico 2012.

 

Muuuito além da economia verde

*Este post é uma participação especial, foi escrito pelo jornalista Gustavo Mendes Nascimento (@gustamn). 

Terminei esses dias de ler o livro ‚ÄúMuito al√©m da economia verde‚ÄĚ, do Ricardo Abramovay (Editora Planeta Sustent√°vel). O t√≠tulo diz tudo. Caberiam at√© mais alguns ‚Äúus‚ÄĚ nele, como fiz de brincadeira acima, de t√£o al√©m que o autor foi em sua competente reflex√£o sobre a incapacidade do atual modelo econ√īmico de dar respostas efetivas ao esgotamento dos recursos naturais. Segundo Abramovay, nem mesmo uma economia verde, nos moldes da que √© pregada atualmente, seria capaz disso. Por economia verde, leia-se: luta contra a pobreza, melhora na ecoefici√™ncia e responsabilidade socioambiental corporativa. Apesar de parecer uma f√≥rmula razo√°vel, ela tem seus limites. Se a economia global n√£o for al√©m disso, n√£o vai ter (√°gua, alimentos, petr√≥leo etc) para todos. Vejam o gr√°fico com a previs√£o de extra√ß√£o de recursos do planeta at√© 2050 (notem o salto na curva a partir de 2010).

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Fonte da imagem: Sustainability Europe Research Institute

O problema central do atual modelo, defende Abramovay, √© o est√≠mulo a um consumo desenfreado e ao crescimento econ√īmico a qualquer custo, que tem pressionado os recursos naturais do planeta. Al√©m disso, o aumento da popula√ß√£o mundial, o crescimento dos pa√≠ses emergentes e a redu√ß√£o da pobreza exercer√£o uma press√£o de consumo nos pr√≥ximos anos que ser√° insustent√°vel. O livro mostra muito bem isso, com dados alarmantes. Veja, por exemplo, o caso do consumo de carne vermelha: ‚ÄúPara produzir um quilo de carne de gado estabulado, por exemplo, s√£o necess√°rios 9 quilos de produtos vegetais. (…) generalizar para o conjunto da humanidade o padr√£o americano de carne (120 quilos por ano) (…) consumiria tal quantidade de produtos vegetais que conduziria inevitavelmente a um colapso na oferta de alimentos‚ÄĚ. O caso dos combust√≠veis f√≥sseis, da √°gua, da produ√ß√£o agr√≠cola entre outros, √© semelhante. H√° quem argumente que os saltos na efici√™ncia produtiva contornariam esse problema da escassez. Ser√°? N√£o √© o que a hist√≥ria recente tem mostrado. De que adianta ter ganho de efici√™ncia, se ele √© anulado pelo consumo desmedido. Veja o caso dos autom√≥veis, citado no livro. Eles hoje s√£o mais eficientes no consumo de combust√≠vel, mas tamb√©m s√£o maiores, mais potentes e com recursos tecnol√≥gicos que aumentam o consumo. Usando licen√ßa po√©tica: n√£o adianta passar do fusquinha beberr√£o para uma eficiente SUV 3.5 com quase duas toneladas (e muitas vezes levando apenas uma pessoa de 70 quilos).

Em suma, como disse o ¬†secret√°rio-geral das Na√ß√Ķes Unidas, Ban Ki-Moon, ‚Äúo atual modelo econ√īmico mundial √© um pacto de suic√≠dio global‚ÄĚ.

Tem jeito?

√Č dif√≠cil pensar em uma economia que n√£o me√ßa o seu sucesso pelo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Ou seja, √© dif√≠cil pensar em uma ordem econ√īmica que n√£o seja voltada para o crescimento e, consequentemente, consumo crescente de recursos naturais.

Assim como √© dif√≠cil imaginar empresas que n√£o pensem no lucro a qualquer custo, acima de (ou at√© mesmo desprovidas de) quest√Ķes √©ticas. Parece forte dizer isso, mas quantas pessoas n√£o s√£o excelentes cidad√£os fora da empresa, mas quando entram l√°, desrespeitam leis, comunidades vizinhas, destroem o meio ambiente, e por a√≠ vai? A boa not√≠cia √© que o livro mostra sinais de que a ordem das coisas j√° est√° mudando.

Abaixo, cito dois exemplos, resumidamente.

√Čtica no centro do neg√≥cio – Sei que muitos sentem sono com o clich√™ ‚Äú√©tica no centro do neg√≥cio‚ÄĚ. Mas a postura de muitas empresas est√° realmente mudando, lentamente, mas est√°. Grandes empresas est√£o colocando a sustentabilidade e tudo que a acompanha (direitos humanos, respeito ao meio ambiente, √©tica etc) no centro das suas estrat√©gias de neg√≥cios de longo prazo. Sustentabilidade, para muitas, n√£o tem sido mais encarada como um setor √† parte, uma subdivis√£o. Algumas empresas j√° est√£o redesenhando suas estrat√©gias de neg√≥cios pensando n√£o apenas em mercado consumidor, lucro, risco etc, mas em quais problemas da sociedade elas podem resolver (mobilidade urbana, gera√ß√£o de energia limpa etc).

Desmaterializa√ß√£o da economia – Outro ingrediente para a mudan√ßa √© a desmaterizalia√ß√£o da economia, algo que se torna cada vez mais vi√°vel com o avan√ßo as tecnologias de informa√ß√£o. Por exemplo, as tecnologias de comunica√ß√£o de v√≠deo confer√™ncia hoje permitem uma redu√ß√£o brutal no n√ļmero de viagens a neg√≥cios. Parece pouco, mas as emiss√Ķes de carbono numa viagem de avi√£o s√£o alt√≠ssimas. Mas, muito al√©m disso, as tecnologias de informa√ß√£o permitem inova√ß√Ķes em diversos campos, como log√≠stico, gest√£o urbana, etc.

Mas ser√° que essa nova economia, que leva o planeta em conta, vai se desenvolver na velocidade necess√°ria? O livro n√£o responde √† quest√£o, pois esse movimento ainda √© incipiente. Mas terminei a leitura convencido de que: 1) o atual modelo econ√īmico n√£o dar√° conta de prover bem estar nos pr√≥ximos anos se nada mudar; 2) os recursos naturais n√£o ser√£o suficientes se a economia continuar como est√°; e 3) essa mudan√ßa j√° come√ßou, s√≥ resta saber se ser√° na velocidade necess√°ria. Se voc√™ n√£o ficou convencido disso nessas poucas linhas, garanto que lendo livro ficar√° ao menos balan√ßado. E se j√° ficou convencido, leia o livro para se aprofundar no assunto.

O ‚ÄúMuito al√©m da economia verde‚ÄĚ representou, para mim, uma completa mudan√ßa de paradigma. Ele modificou completamente minha forma de ver a economia e o mundo. Recomendo!

Serra da Cantareira: aquela que São Paulo não vê

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=MvkjUg3f9Xg”]

Durante dois anos (entre junho de 2011 e maio de 2013) fotografei a Serra da Cantareira da sacada do meu apartamento, na cidade de São Paulo. O resultado você pode ver no vídeo acima.

Nela, h√° o Parque Estadual da Cantareira com √°rea equivalente a oito mil campos de futebol de Mata Atl√Ęntica preservada que pode ser contemplada do horizonte – quando os pr√©dios da cidade permitem.

Apesar de abraçar a Zona Norte sendo um dos pontos mais altos do município e de abastecer a região metropolitana com suas águas, a Serra da Cantareira segue impotente, imponente e muda, ignorada pelos habitantes sem tem tempo para voltar os olhos ao que é belo.

Divulgação científica: concorra a três bolsas de curso!

bannercurso copyBem amigos do Scienceblogs, vou dar um curso sobre como escrever sobre ci√™ncia e meio ambiente focando diversas m√≠dias! J√° palestrei algumas vezes, mas essa ser√° a minha primeira vez oficial como “professora”. Estou preparando o conte√ļdo com muito carinho e vou buscar passar o meu conhecimento nesses 15 anos de jornalismo (sim, escrevo para jornais desde adolescente!), entre eles, cinco anos cobrindo o tema. Espero que gostem!

O curso ser√° ministrado no dia 8 de junho, sabad√£o inteiro. Ele custa R$ 120. Quem quiser, pode participar do sorteio de tr√™s bolsas integrais que est√° rolando AGORA! Cadastre-se aqui e boa sorte! Mais informa√ß√Ķes sobre o curso est√£o dispon√≠veis na p√°gina do Aprenda.bio. Olhe o programa:

РO que é divulgação científica;
РHistória da divulgação da ciência no Brasil;
– Qual a percep√ß√£o p√ļblica da ci√™ncia;
РQuais linguagens empregar para divulgar a ciência;
РComo usar técnicas de redação do jornalismo para divulgar a ciência;
РQual linguagem empregar para cada veículo de comunicação;
РComo divulgar a ciência utilizando as redes sociais;
РExercício em aula para colocar em prática as técnicas aprendidas.

Beijão e vejo vocês na aula! Quem não puder vir, pode contar comigo para palestras presenciais ou on-line (não é uma ideia?)!

O maior c√Ęnion da Am√©rica Latina

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=QemkWEp5ad0&feature=youtu.be”]

O Rio Grande do Sul e Santa Catarina guardam uma forma√ß√£o geol√≥gica incr√≠vel: um c√Ęnion de 720 metros de altura que desce praticamente em 90 graus at√© o n√≠vel do mar.¬†Voc√™ tem no√ß√£o da altura? Os pared√Ķes s√£o t√£o grandes, mas t√£o grandes que n√£o d√° para descrever a sensa√ß√£o de estar na ponta do despenhadeiro. Para voc√™ ter uma ideia, a famosa Cachoeira da Fuma√ßa, localizada na Chapada Diamantina (BA), tem apenas 380 metros. Portanto, os c√Ęnions do Parque Nacional Aparados da Serra t√™m quase o dobro da altura! As forma√ß√Ķes podem ser vistas at√© do avi√£o que decola de Porto Alegre para S√£o Paulo (pena que minhas fotos tiradas l√° do alto n√£o ficaram boas).

In√ļmeros c√Ęnions fazem parte do parque, cada um com uma caracter√≠stica pr√≥pria – de alguns deles, inclusive, d√° para ver o mar a 20 quil√īmetros de dist√Ęncia. Eles foram formados h√° mais ou menos 135 milh√Ķes de anos, quando os continentes come√ßaram a se separar. O parque, mais novinho (hehehe),¬†foi fundado em¬†1959. Mesmo assim, √© um dos mais antigos do Brasil. Atualmente, ele passa por algumas mudan√ßas. Terras para pastagens de antigos propriet√°rios na regi√£o, onde ainda √© poss√≠vel ver alguns gados, est√£o virando parque.

O mais incr√≠vel nessa hist√≥ria toda √© que, apesar da grandiosidade do local, poucos brasileiros o conhecem. Quando estive l√° no carnaval deste ano, o n√ļmero de gringos era o mesmo que o de tupiniquins. Olhe, se voc√™ est√° atr√°s de maravilhosas paisagens e um destino barato, n√£o deixe de conhecer o parque. O melhor jeito de visit√°-lo √© via Cambar√° do Sul (RS). Indico ao menos quatro dias para curtir sussa cada trilha, cada barulho do vento, cada cheiro de arauc√°ria e cada despenhadeiro – claro! Se precisar de dicas, s√≥ escrever nos coment√°rios que darei!

E seja gigantemente feliz!

Document√°rio analisa o mundo capitalista em que vivemos

Est√° com vontade de ver um filme gr√°tis sem sair de casa e, ainda de quebra, ganhar argumentos para uma vis√£o mais cr√≠tica sobre o mundo capitalista em que vivemos? Indico o ‚ÄúThe Corporation‚ÄĚ, vencedor do pr√™mio de melhor document√°rio no Festival Sundance de Cinema.

Resumidamente, o document√°rio conta como as grandes empresas multinacionais que conhecemos hoje se formaram, qual a for√ßa pol√≠tica delas e mostra para onde devemos caminhar. Afinal, essa ‚Äúcultura‚ÄĚ de extrair as mat√©rias-primas da natureza, utiliz√°-las e, em seguida, descart√°-las poder√° acelerar o fim do homo sapiens.

Abra a sua mente, prepare a pipoca e ajuste as nádegas no sofá porque o documentário tem quase 2h30 (com legenda em português):

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=Zx0f_8FKMrY”]

Obs.: Enquanto eu via esse document√°rio, feito basicamente nos Estados Unidos, eu me perguntava, “ser√° que no Brasil conseguir√≠amos produzir um document√°rio desses sem sofrermos repres√°lias”? Pense nisso.

O que é esterco?

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=aJTHSd4E3zo”]

Querido leitor! Yo, via este blog que vos escreve, iniciei uma parceria com o Instituto Aprenda.bio¬†que nasceu incubado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Juntos, unidos venceremos, come√ßamos a produzir v√≠deos curtos para explicar dados curiosos da √°rea cient√≠fica para o nosso canal Al√©m da Bio, no YouTube. Nosso v√≠deo-piloto, ou seja, o primeiro, √© sobre esterco. Saiba como o coc√ī pode mudar a sua vida. A gente gosta de ci√™ncia, mas se diverte.

Obs.: Como dizem nos bastidores do teatro: “meeeeerda”. Nada como come√ßar um projeto com um tema de acordo.

Sa√ļde: document√°rios gr√°tis sobre alimenta√ß√£o

Ontem, postei aqui dicas de filmes sobre meio ambiente. Agora, compartilho dois document√°rios super interessantes sobre sa√ļde, ou melhor (sendo mais espec√≠fica), sobre alimenta√ß√£o. Se n√≥s somos o que comemos, todos deveriam assistir aos filmes abaixo.

O document√°rio ‚ÄúMuito al√©m do peso‚ÄĚ, amplamente divulgado na m√≠dia, foi patrocinado pelo Instituto Alana, uma ONG que atua a favor das crian√ßas. Apesar de ser voltado √† sa√ļde infantil, as li√ß√Ķes deixadas nele valem para as pessoas de qualquer idade. Com certeza, se voc√™ ver, notar√° que sabe menos sobre o que come do que imagina. √Č dif√≠cil n√£o se surpreender com as informa√ß√Ķes divulgadas no v√≠deo. Imperd√≠vel. Veja na √≠ntegra:

O ‚ÄúO veneno est√° na mesa‚ÄĚ, outro document√°rio interessante sobre alimenta√ß√£o, eu vi na semana passada. Este √© bem radical a favor dos alimentos org√Ęnicos. Ele apresenta dados para mostrar que seria poss√≠vel consumirmos produtos org√Ęnicos a pre√ßos completamente acess√≠veis e mostra a quantidade intoler√°vel de agrot√≥xicos que ingerimos diariamente. Est√° dispon√≠vel no link:

Tenho procurado me alimentar de maneira mais saud√°vel e mais consciente ecologicamente – quanto menos alimentos com produtos embalados eu consumo, menos lixo gero. Em um m√™s, meu marido (que entrou comigo no carrinho de supermercado seletivo) e eu emagrecemos sem regime apenas optando por mais frutas, verduras, legumes, alimentos pouco processados e pouco industrializados. Ah, tudo isso sem neurose – consumimos a√ß√ļcar todos os dias e de vez em quando ca√≠mos em tenta√ß√£o.¬†Pode ser efeito placebo ou pira√ß√£o, mas j√° sinto minha pele e meus cabelos mais hidratados.

Se voc√™ gostou da ideia de ter uma alimenta√ß√£o mais saud√°vel, deixo outra dica. A jornalista e mestrando em nutri√ß√£o Francine Lima escreve o blog ‚ÄúUma equilibrista‚ÄĚ apenas sobre alimenta√ß√£o. Olhe, foi lendo o blog dela, j√° h√° meses, que fiquei impressionada em saber como o assunto √© mais extenso e intenso do que eu imaginava. Mas n√£o se preocupe. Francine traduz de maneira f√°cil esse vasto universo e as pesquisas cient√≠ficas ligadas a ele. Tudo isso com uma cr√≠tica na ponta da l√≠ngua, quer dizer, dos dedos.

Devore os conte√ļdos acima e…

bon appétit!