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Começo do fim da Era do Plástico

Hoje eu trago s√≥ boas not√≠cias. De que adianta proibir o canudo se ainda continuamos consumindo pl√°stico de maneira descart√°vel? O ideal seria reduzir muito o consumo de utens√≠lios de uso r√°pido feitos de pl√°stico. Essa √© a grande vit√≥ria na Europa. O Parlamento Europeu aprovou o veto de produtos descart√°veis de pl√°stico como copos, pratos, talheres, cotonetes, canudos, tampas e embalagens para entrega de comida a partir de 2021. Ali√°s, produtos feitos com o pl√°stico oxodegrad√°vel, que j√° foi tido como um poss√≠vel substituto, tamb√©m entraram para a lista. Isso porque ele n√£o se decomp√Ķe por completo, se transforma em micropart√≠culas que prejudicam o meio ambiente e nossa sa√ļde. Em seguida, o estado americano de Nova York pro√≠be a comercializa√ß√£o e a distribui√ß√£o de sacolas pl√°sticas. A medida deve entrar em vigor em mar√ßo do ano que vem. Ele √© o terceiro nos Estados Unidos, depois da Calif√≥rnia e do Hava√≠, a banir esse tipo de produto. Pelo jeito, esse √© um caminho sem volta. Ainda bem. O meio ambiente e a nossa sa√ļde agradecem!

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Isis Nóbile Diniz

Carnaval: pode usar glitter?

Est√° chegando, em alguns locais como na Bahia e nas capitais paulista e carioca j√° chegou, uma das √©pocas do ano que mais adoro: o Carnaval! E a cada ano aumenta a pol√™mica em torno de um brilho muito usado pelos foli√Ķes: o glitter. A maioria do glitter √© feito de pequenos peda√ßos de pl√°stico que demoram mais de 400 anos para se decompor. E, por serem t√£o pequenos, passam direto pelos filtros das esta√ß√Ķes de tratamentos de esgoto das cidades (quando h√° tratamento). Assim, caem nos rios e c√≥rregos que, mais cedo ou mais tarde, desembocar√£o no mar. Muitos animais aqu√°ticos como ostras, pequenos peixes e at√© baleias ingerem esse glitter. Ele pode ser confundido com os pl√Ęnctons, organismos bem pequenos que fazem parte da base da cadeia alimentar aqu√°tica. Ent√£o, surge a d√ļvida: o que usar no lugar do glitter comum? Escolha o glitter biodegrad√°vel, que n√£o prejudica o meio ambiente. No Brasil, existe at√© glitter vegano biodegrad√°vel. O problema √© que esses produtos ainda s√£o caros. Assim, deixo a dica para quem quer sair ecologicamente purpurinado: use glitter comest√≠vel para brilhar. No YouTube, d√° para encontrar receitas caseiras. Outra op√ß√£o √© comprar glitter comest√≠vel com aten√ß√£o ao r√≥tulo: ele deve ser livre de pl√°stico e de metais. E bom carnaval!

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Carnaval de 2018/ Isis Diniz

Que tipo de praieiro é você?

Hoje, dia 8 de junho, é comemorado o Dia Mundial dos Oceanos. Você, que como eu ama o mar, manja do ambiente marinho onde estica sua canga e pega sua onda? Vamos ver! Teste seus conhecimentos abaixo.

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  1. O Brasil tem a segunda maior barreira de corais do mundo?a)Verdade, parte dela fica no litoral nordestino.
    b)Verdade, os Corais da Amaz√īnia fazem parte dela.
    c)Mentira, todo mundo sabe que barreira de coral quem tem é a Austrália.
    d)
    Mentira, a segunda maior barreira de coral fica na Flórida, Estados Unidos.
  1. O que é um tsunami?
    a)Uma onda gigantesca que perde pouca energia e pode aumentar de tamanho perto da praia.
    b)Uma onda gigantesca que nasce do mesmo tamanho e segue destruindo tudo.
    c)Indiferente. O que importa é surfar a onda.
    d)Uma onda como as marolas que se acabam na praia, mas por ser maior destrói mais.
  1. Com quantas √°rvores se constr√≥i uma canoa cai√ßara ‚Äúde um s√≥ pau‚ÄĚ?
    a)
    Pelo menos duas, uma para os bancos e outra para a estrutura. b)Prefiro n√£o responder a esta pergunta capciosa.
    c)
    Com um √ļnico tronco esculpido de maneira artesanal.
    d)Com um tronco apenas que também é usado para levantar a vela.
  1. O que é um molusco bivalve?
    a)√Č um personagem inventado para o desenho do Bob Esponja.
    b)
    √Č aquela famosa conchinha de duas partes que encontramos na beira do mar.
    c)
    √Č um animal com duas v√°lvulas que vive no fundo do oceano e se alimenta de invertebrados.
    d)
    √Č uma esp√©cie de esponja marinha que se fixa nos corais.
  1. Qual a diferença de um siri para um caranguejo?
    a)
    O caranguejo tem duas pinças e o siri tem uma.
    b)O caranguejo tem dez patas e o siri tem oito patas.
    c)O siri tem duas patas traseiras que s√£o como nadadeiras.
    d)Só sei que quem anda para trás é caranguejo.
  1. O que √© uma ‚Äúba√≠a‚ÄĚ?
    a)√Ē, Meu Rei, √© apenas um estado brasileiro.
    b)
    Uma área de terra que avança para o mar e cercada de água por todos os lados.
    c)
    Um eufemismo para uma praia ‚Äúbonita‚ÄĚ.
    d)
    Um acidente geográfico onde o mar é quase todo rodeado por terra.

7. O que s√£o peixes bent√īnicos?
a)
Peixes que vivem junto ao sedimento marinho.
b)Uma esp√©cie de peixe chamada assim em homenagem ao Chico Bento, da Turma da M√īnica.
c)Peixes que se alimentam de algas bentas.
d)Peixes que vivem próximos à superfície do mar.

  1. O que s√£o bancos de algas?
    a)Onde os animais marinhos guardam suas economias.
    b)Um local de ref√ļgio e de alimenta√ß√£o para esp√©cies como cavalo-marinho e tartaruga-marinha.
    c)Algas √† deriva que enroscam em embarca√ß√Ķes.
    d)Algas que invadem a praia deixando a √°gua colorida.

Gabarito:

1.a 2.a 3.c 4.b 5.c 6.d 7.a 8.b

Se voc√™ acertou menos de quatro quest√Ķes, √©¬†mergulhar mais no tema para n√£o morrer na praia!

Se voc√™ acertou entre cinco e sete quest√Ķes, j√° √© quase um surfista na crista da onda.

Se você acertou entre oito e nove, quem sabe com mais braçadas alcança o tesouro do pirata?

Agora, se você acertou tudo, parabéns sereia ou sereio do mar! Seu mar está para peixe!

Saiba mais sobre o ambiente marinho e áreas costeiras acompanhando o trabalho do Instituto Costa Brasilis! Mais teste aqui!

 

 

Dia Mundial dos Oceanos: Qual a sensação de praticar mergulho

Posso fazer aqui uma declaração de amor?

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=PmtN-_umoLA”]

Imagine um mar que parece gelatina. De cima do barco, d√° para ver o fundo dele¬†a mais de quarenta metros abaixo de voc√™. Ainda da embarca√ß√£o, os cardumes de peixes que brilham como neon nadam lateralmente. Parecem nos olhar. Quando me jogo nessa √°gua quentinha (como n√£o se atirar?) ou√ßo o barulho dos corais. Sim, eles estalam! Vejo um tubar√£o-lixa beb√™, arraias, tartarugas t√£o lesadas como aquelas do filme “Procurando Nemo”, polvo assustado, moreias maiores que eu e muitos peixes coloridos de diversas formas. Corais de todas as cores, esponjas, uma √°gua transparente e uma areia macia.

mergulhonoronha

Eu já havia praticado snorkeling no  litoral brasileiro, pelo que me lembre, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bonito (MS) Рeste merece um post à parte. Mas nunca havia visto nada como Fernando de Noronha, da descrição acima. Após me entregar para aquela água, minha vida mudou. Quando mergulhei de cilindro lá, então, entendi a paz que o mar nos traz.

Eu estava com medo de saltar na √°gua com presos pesos √† minha cintura e com aquele cilindro que deveria pesar mais que eu. Por sorte, estava com o instrutor mais paciente e carinhoso do grupo. Certamente ele pensou: “Essa vai dar trabalho”. Tremendo, n√£o sei se de frio ou nervoso, come√ßamos a afundar.

Quando cheguei a mais de dez metros de profundidade (sem precisar subir para pegar ar, como teria que fazer com o snorkel) ao mar eu tinha certeza que pertencia. Era relativamente silencioso. Ouvia mais forte apenas minha respiração. Tudo azul. Senti uma paz que só havia atingido meditando.

Brinquei de “fechar” corais. Observei os animais marinhos. Me senti de volta ao √ļtero. Acolhida. Estava muito feliz e plena. Ficamos cerca de meia hora abaixo da √°gua, explorando aquele mundo maravilhoso, mas parecia apenas cinco minutos quando j√° era para voltarmos.

Eu não quis. Comecei a fugir do instrutor. Como se tivesse a capacidade de deslizar como um tubarão cheia daqueles penduricalhos presos ao meu corpo. O instrutor nadou atrás de mim e falou que não tinha jeito, precisávamos subir. Deu a entender que o ar poderia acabar. Começou a inflar minhas boias.

Relutei em voltar √† superf√≠cie tentando argumentar de baixo da √°gua por l√≠ngua de sinais de mergulho.¬†Lamentei muito. Subi contrariada. Eles explicaram que aquilo que eu senti aconteceu devido ao excesso de oxig√™nio no meu c√©rebro. Que “d√° barato” e a pessoa perde a no√ß√£o de tempo e de perigo.

N√£o, meus amigos. Aquilo aconteceu devido ao excesso de mar em volta de mim.

#DiaMundialdosOceanos

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Saiba a sua rela√ß√£o com animais presos em cativeiro para “show”

O que eu posso fazer para melhorar o mundo? Com esta pergunta prepotente, comecei a escrever este blog que vos fala. Hoje, cinco anos depois, continuo tocada pela mesma quest√£o. Gra√ßas √† d√ļvida – e ao Xis-xis – consegui fazer da minha profiss√£o o meu modo de tentar melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem, ao menos, perto de mim. Seja tentando ‚Äúdesvendar‚ÄĚ a ci√™ncia para leitores ou estimulando o restauro da Mata Atl√Ęntica. No campo pessoal, oferecendo um ‚Äúbom dia‚ÄĚ ao motorista do √īnibus ou, humildemente, explicando para os amigos pr√≥ximos que as cores avermelhada ou azulada das estrelas t√™m a ver com o comprimento de onda emitido por elas.

Blackfish

Apesar de acreditar na possibilidade de todas as pessoas da Terra poderem ter qualidade de vida (comida, saud√°veis condi√ß√Ķes de moradia, educa√ß√£o, acesso √† medicina, tempo para curtir os amigos e a fam√≠lia), sinto que esse dia ainda est√° longe. E essa dist√Ęncia parece aumentar enquanto espero ansiosamente pelo document√°rio Blackfish, ainda n√£o sei quando ser√° seu lan√ßamento no Brasil ou em DVD. Ele usa como fio-condutor a hist√≥ria da orca Tilikum para abordar os ‚Äúshows‚ÄĚ com animais marinhos em cativeiro. Nem quando era crian√ßa e tamb√©m sentia a vontade de tirar foto abra√ßada com um golfinho, me interessei por esse tipo de ‚Äúshow‚ÄĚ. O motivo √© simples: qual √© a gra√ßa de ver um imponente animal selvagem ‚Äúobedecendo‚ÄĚ as ordens de um humano apenas para entret√™-lo?

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Gratificante, mesmo, √© topar com um animal desses vivendo com toda a sua natureza. Como quando vi os golfinhos ca√ßarem tainhas surfando nas ondas da Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte. Ou quando observei as baleia-francas saltarem sobre as √°guas, enquanto eu passava muito frio sobre uma rocha na cidade de Hermanus, na √Āfrica do Sul (segundo pesquisadores, as baleias saltam, entre outros motivos, para se livrarem das cracas que habitam as manchas esbranqui√ßadas da pele). Ou quando vi seus filhotes balan√ßarem as nadadeiras e o rabo livres, leves (eles nascem com cerca de quatro toneladas!) e soltos na reserva De Hoop, tamb√©m no indescrit√≠vel pa√≠s africano. Ou quando ouvi a conversa dos golfinhos enquanto mergulhava com snorkel, em Fernando de Noronha (ou√ßa no v√≠deo). Ou quando nadei com arraias e tartarugas aqui pertinho de S√£o Paulo, em S√£o Sebasti√£o.

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Como vivemos no capitalismo, regido pelo dinheiro, ando a favor de usar o turismo de observa√ß√£o (evitando ao m√°ximo a interven√ß√£o humana) para preservar as esp√©cies. Ao menos, essa medida pode ajudar na educa√ß√£o ambiental e no respeito ao diferente, ao outro ser. Em Noronha, podemos nadar com os golfinhos desde que eles venham at√© n√≥s. Na √Āfrica do Sul, a popula√ß√£o das baleias-francas est√° em crescimento. L√° os barcos com turistas est√£o proibidos de se aproximar, se n√£o me engano, mais do que 50 metros perto delas. O motor deve ser desligado e h√° limite de minutos para ficar perto de uma. E n√£o √© que elas veem at√© a gente, nos encaram olhando nos nossos olhos e ficam pr√≥ximas observando? <3

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Fazemos parte do meio ambiente e do mesmo planeta em que vivem os animais marinhos. A natureza deve ser curtida, sentida, respirada, vivida. Mas, jamais, degrada. Na √Āfrica do Sul, os barcos com turistas mergulhando dentro de gaiolas para observar os tubar√Ķes-brancos me incomodaram. Vi o procedimento de outra embarca√ß√£o: os guias jogam uma mistura de sangue de peixe na √°gua e uma foca de mentira. Os curiosos tubar√Ķes-brancos, com mais de cinco metros de comprimento, chegam perto dos barcos e observam (inclusive n√≥s, fora da √°gua). Agindo como gatinhos que batem as garrinhas na bolinha de l√£, eventualmente, os tubar√Ķes tentam abocanhar a foca de mentira. Assim, s√£o guiados at√© baterem na gaiola cheia de turistas. A ‚Äúbrincadeira‚ÄĚ com os instintos desses animais pode impactar o seu cotidiano, n√£o?

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De acordo com alguns psic√≥logos (n√£o achei as refer√™ncias que tinha visto), um dos motivos pelos humanos criarem animais selvagens que, em alguns casos, nos ‚Äúvejam‚ÄĚ como alimento √© pelo poder. O humano se sente poderoso, pensa que √© igual em for√ßa ou beleza ao animal ou at√© superior ao bicho, j√° que este se ‚Äúsubmete‚ÄĚ ao humano. Agora, focando nos mam√≠feros marinhos. O document√°rio The Cove mostra que os golfinhos, por exemplo, s√£o capturados do seu ambiente natural para serem exibidos em ‚Äúshows‚ÄĚ mundo afora – veja o premiado filme, que inclusive ganhou o Oscar, e tenha um ataque al√©rgico de nervosismo. Este texto em ingl√™s (se n√£o conseguir ler use o Google Tradutor), indicado para mim pela jornalista Juliana Arini, aponta que muitos animais s√£o maltratados e sofrem por se separarem do grupo.

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Como n√≥s, os cet√°ceos de modo geral vivem em sociedade. Agora, vamos imaginar. Voc√™ morava com sua fam√≠lia e amigos. Um dia, enquanto estava com eles na rua, vieram estranhos armados e o levaram embora a for√ßa. Voc√™, deprimido, foi colocado em um local onde deveria obedecer √†s ordens da equipe do sequestrador. Em troca, ganhava comida. Se exibisse suas habilidades para todos os estranhos que o iam ver, poderia continuar ‚Äúvivendo sossegado‚ÄĚ. Eventualmente, um turista chegava perto, dizia que te amava, que faria de tudo para te proteger. Esse amor n√£o parece doentio? Mais um sentimento ego√≠sta de sua parte do que amor?

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Eu j√° cometi erros enquanto turista. Mas, a cada dia, reflito sobre as consequ√™ncias das minhas pequenas a√ß√Ķes. Os animais devem, sim, serem estudados para conhecermos mais sobre eles. Devem ser contemplados para aprendermos a respeit√°-los. Podem ser expostos em zool√≥gicos e aqu√°rios, tudo adequadamente e o mais saud√°vel poss√≠vel para eles, para ser ensinada a educa√ß√£o ambiental – e at√© serem preservados e pesquisados. No fundo, cabe a n√≥s pensarmos o entretenimento que queremos ter. Queremos ter entretenimento ou respeitar os outros seres que dividem o mesmo meio ambiente que n√≥s para, juntos, vivermos em um mundo mais saud√°vel? N√≥s compartilhamos o mesmo planeta, a nossa qualidade de vida depende da vida dos outros seres. E vice-versa.

Onde o vento faz a curva

[youtube_sc url=”http://youtu.be/iIvjSDlv5ME”]O que era para ser um passeio rom√Ęntico de barco na Cidade do Cabo, √Āfrica do Sul, se transformou em um roteiro de aventura. Durante a viagem, entendemos o naufr√°gio de muitas embarca√ß√Ķes viradas ou levadas a se colidirem contra a costa pelos ventos da regi√£o. Passado o susto, demos boas risadas!

Sua comida pode estar em extinção

Devido √† pesca predat√≥ria, in√ļmeras esp√©cies de peixes usadas como alimentos por n√≥s, humanos, est√£o em extin√ß√£o na √Āfrica do Sul – o mesmo ocorre aqui no Brasil. Para alertar os moradores e os turistas sobre esse problema, organiza√ß√Ķes p√ļblicas, n√£o governamentais e privadas se uniram na divulga√ß√£o colando cartazes de alerta em diversos pontos p√ļblicos como no Two Oceans Aquarium, em Cape Town (Cidade do Cabo).

Os cartazes s√£o simples. Neles, esp√©cies peixes com nomes e ilustra√ß√Ķes foram separadas em tr√™s categorias dentro das respectivas cores: green (verde), orange (laranja) e red (vermelho). Os peixes da categoria verde, como √© o caso da anchova e do dourado, podem ser consumidos. O cartaz alerta para o consumo moderado das esp√©cies colocadas na categoria laranja, como o bagre. Essas esp√©cies correm risco de extin√ß√£o, mas menos do que as inseridas na categoria vermelha como, por exemplo, o incomum peixe-serra. Veja aqui, no site da WWF, a lista completa.

Segundo a Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas para Alimenta√ß√£o e Agricultura (FAO), 85% dos estoques de peixes do mundo s√£o superexplorados ou j√° foram explorados ao m√°ximo. Para piorar a situa√ß√£o, estima-se que um quarto dos animais marinhos pescados s√£o muitas vezes mortos ou desperdi√ßados por terem sido capturados acidentalmente.

Parece que os restaurantes de modo geral da √Āfrica do Sul, gra√ßas a esse extenso alerta, t√™m evitado comercializar as esp√©cies em risco de extin√ß√£o – me corrija se eu estiver enganada. Mesmo assim, os peixes e alguns frutos do mar est√£o entre os principais alimentos consumidos por l√°. Eu, por exemplo, vivi a base de lula e peixe – mais saborosos do que os daqui!

A √Āfrica do Sul tem uma extensa √°rea costeira (3.798 quil√īmetros). L√°, peixe e frutos do mar custa cerca de tr√™s vezes menos do que os consumidos no Sudeste do Brasil, sendo que a costa brasileira √© de cerca de 8 mil quil√īmetros – mais que o dobro maior do que a sul-africana. Alguns estudos apontam maior quantidade de animais marinhos em √°guas frias como as da √Āfrica do Sul. Essa explica√ß√£o seria suficiente para justificar os pre√ßos mais altos dos frutos do mar por aqui, j√° que o litoral do Brasil √© relativamente quente? Ou os peixes do Brasil correm mais risco por diversos motivos?

Enfim, os recursos marinhos são finitos. O que está sendo feito no Brasil para cuidar dessas espécies e desse ambiente tão especial?

Conhe√ßa os pl√Ęnctons!

[youtube_sc url=”http://youtu.be/S83_rs_HVUc”]

Depois de muitas tentativas frustradas, consegui filmar os pl√Ęnctons – organismos bem pequenos que vivem na coluna de √°gua do mar – dos quais tanto falo por aqui. Eles impressionam. Quando agitamos a √°gua, esses organismos (algas, larvas, pequenos animais) emitem uma luz pr√≥pria. Em alguns locais mais preservados do litoral brasileiro, como no Saco do Mamangu√°, os pl√Ęnctons emitem luz com a quebra das ondas e quando um peixe ou outro animal marinho faz movimentos bruscos sob a √°gua. A luz emitida por eles forma c√≠rculos e pontos no mar como se fossem fogos de artif√≠cio. Apaixonante.

Uma mancha vermelha no mar

Nesse fim de semana, os lindos c√©u e mar azuis pincelado por golfinhos em S√£o Sebasti√£o foi coberto por densas nuvens cinzas. O vento que trouxe essas nuvens agitou o oceano e carregou mais surpresas para perto da areia: uma mancha vermelha na √°gua. Minutos antes, uma tartaruga morta foi encontrada ainda sangrando na praia. “N√£o √© poss√≠vel que toda essa mancha seja o sangue da tartaruga”, pensei. “S√£o algas”, concluiu o grupo com o qual conversava.

 

Claro que, curiosa, entrei na √°gua at√© acima do joelho para ver de perto (sem mergulhar). Nem sei se faz mal para a sa√ļde, mas n√£o resisti. Incont√°veis algas avermelhadas de v√°rios tamanhos boiavam lado a lado forrando o mar perto da praia com sua cor vermelho-coral alarmante (clique nas imagens para ampliar). At√© deixei de sentir frio causado pelo vendaval que varria a parte da pele molhada exposta para fora da √°gua. Fiquei ali admirando “a uni√£o faz a for√ßa” daqueles pequenos seres por alguns minutos. Sa√≠ fedida – geralmente, alga exala um cheiro forte.Algum bi√≥logo saberia dizer se esse √© o fen√īmeno conhecido por mar√© vermelha (prolifera√ß√£o excessiva de algumas esp√©cies de algas t√≥xicas que pode ser causada, entre outros, pela polui√ß√£o do mar)?

Boa colorida semana!

Google Street View debaixo do mar

As imagens são tão incríveis que preciso compartilhar. O Google e a Universidade de Queensland, na Austrália, com o patrocínio do grupo multinacional de seguros Catlin, estão mapeando fotograficamente a Grande Barreira de Corais australiana, a maior do mundo com 2,3 mil km de comprimento. O objetivo do projeto, chamado Catlin Seaview Survey, é verificar os impactos do aquecimento global nesse ambiente marinho.

N√≥s, peixes fora d’√°gua, podemos fazer um tour virtual pelo maravilhoso mundo do coral sem molhar um dedinho! As institui√ß√Ķes disponibilizam as imagens no esquema Google Street View – Seaview (mar + vista) , pegou? – para qualquer ser humano que navegue na internet. Basta voc√™ clicar aqui e cair no mar australiano. Por enquanto, apenas sete pontos do coral est√£o dispon√≠veis, mas 20 j√° foram fotografados. O grupo diz que ir√° publicar as imagens j√° tiradas – e quem sabe outras novas.

 

Se voc√™ tem medo de mergulhar ou curiosidade sobre como √© a vida marinha, eis a chance. N√£o √© a mesma sensa√ß√£o que pular no mar carregando um cilindro nas costas, mas d√° para saciar a vontade. Al√©m da p√°gina do projeto, os organizadores criaram um canal no Youtube – que tem, por enquanto, apenas um v√≠deo. Para saber mais informa√ß√Ķes sobre o projeto clique nos links: Catlin Seaview Survey, Universidade de Queensland, press release da Catlin Group, mat√©ria na NewScientist e post no Guizmodo.

Como é mergulhar
Lembro do meu primeiro mergulho com cilindro como se fosse ontem: ponto Cagarras, Fernando de Noronha, 2009. Estava ansiosa no Porto Santo Ant√īnio. Enquanto esperava o barco que nos levaria ao ponto de mergulho, com os cotovelos apoiados no encosto do banco de madeira, observava os siris indo e vindo com a mar√© no fundo do mar e jogava conversa fora com um forasteiro que se autodenominava “pirata”.

 

Ele morava em São Paulo e, a cada seis meses, seguia para a ilha da fantasia admirar seu animal preferido: a ave fragata. Durante o voo, a pirata aérea rouba o alimento de outros pássaros batendo na cabeça deles até regurgitarem o peixe pescado.

 

O céu da manhã continuava azul límpido pontilhado de próximas aves quando a embarcação aportou. Respirei fundo: a hora se aproximava. Sempre quis mergulhar. Era um sonho, mas ao mesmo tempo, um pesadelo. Sentia falta de ar só por pensar em permanecer debaixo da água presa a um cilindro que tem a metade do meu peso Рmal eu sabia seria amarrado, na minha cintura, mais pesos. Mas a curiosidade, para variar, era maior que o meu receio.

 

Ap√≥s navegarmos por menos de meia hora em dire√ß√£o a outras ilhas do arquip√©lago mais ao norte, o capit√£o desliga o motor. Chegamos. Paramos em frente a uma ilha rochosa. O mar estava calmo. O c√©u tamb√©m. As aves. Vamos ao que chamam de “bastimo” guiado por instrutores. Tivemos uma breve aula em alto mar sobre mergulho e como proceder com os equipamentos. Beleza! Sou sorteada para ser guiada por um dos instrutores mais experientes – e bem humorados.

 

Vesti o macac√£o de borracha, os p√©s de pato, a m√°scara. O instrutor me ajudou a colocar um colete infl√°vel, pesos na cintura e, por fim, o cilindro. A maioria dos marinheiros de primeira viagem saltaram em dire√ß√£o a √°gua. “Quem garante que o colete suporta na superf√≠cie do mar o meu peso e mais o de todos esses equipamentos comigo?”, pensei. N√£o quis pular. J√° na √°gua, o instrutor me deu a m√£o e eu saltei sentada. Agora, vamos l√°!

 

Estava tão tensa que nem reparei no azul profundo em minha volta. Segundos seguidos, fiquei eufórica. U-A-U. Aquele mundo, que só tinha visto em documentário ou da superfície com meu equipamento de snorkeling, se abria. Rapidinho, senti uma paz tomando conta do meu corpo e da minha mente.

 

O guia percebeu que eu n√£o apertava mais a sua m√£o. Viu minha risada estampada. E me guiou por um mundo de corais que se fecham ao se aproximarem dos dedos, polvo vermelho arredio √† nossa presen√ßa muito pr√≥xima dele, moreias verdes e coloridas amea√ßadoras a menos de 30 cm de dist√Ęncia, tartarugas com comportamento parecido ao do filme “Procurando Nemo”.

 

Al√©m da sensa√ß√£o de paz e seguran√ßa, o que mais me chamou a aten√ß√£o foi passar despercebida pelos peixes e tartarugas. Eles n√£o se assustavam com a nossa presen√ßa. Pareciam at√© chegar mais perto por curiosidade. √Čramos peixes. Um novo mundo calmo e colorido se abria. Encantador.

 

Atingimos cerca de 15 metros de profundidade. Eu olhava para cima, via o pared√£o de pedra sobre mim e na superf√≠cie o sol refletido. Enquanto viajava naquela nova imensid√£o, o guia cobrava a subida. A meia hora passou como se fosse um minuto. Eu fazia que n√£o com o dedo e a cabe√ßa. Queria mergulhar mais… De nada adiantou teimar. Colete inflado pelo guia, superf√≠cie √† vista. Bem que os instrutores alertaram: “Quando estiver l√° embaixo, n√£o vai querer subir”. E, assim, eu me apaixonei.