Corpos Sem Almas

Fonte: Project Syndicate

Autor: Paul Bloom

Tradução: Rodrigo Véras e André Rabelo

O principal estudioso da inteligência artificial do mundo, uma vez descreveu as pessoas como máquinas feitas de carne. Isso capta muito bem o consenso nas áreas de psicologia e neurociência, que nos diz que nossas vidas mentais são produtos dos nossos cérebros físicos, e que esses cérebros são moldados não por um criador divino, mas pelo processo cego de seleção natural.

Mas, com exce√ß√£o de uma pequena minoria de fil√≥sofos e cientistas, ningu√©m leva essa vis√£o a s√©rio. √Č ofensiva. Ela viola as doutrinas de toda religi√£o e¬† entra em conflito com o senso comum. N√≥s n√£o sentimos, afinal, que somos apenas corpos materiais, pura carne. Ao contr√°rio, ocupamos nossos corpos. N√≥s os possu√≠mos. Somos espontaneamente atra√≠dos para a vis√£o defendida por Ren√© Descartes: N√≥s nascemos naturalmente dualistas, assim, vemos corpos e almas de forma separada.

Esse dualismo tem consequ√™ncias significativas para a forma como pensamos, agimos e sentimos. O fil√≥sofo Peter Singer discute a no√ß√£o de um c√≠rculo moral – o c√≠rculo de coisas que s√£o importantes para n√≥s, que t√™m um significado moral. Este c√≠rculo pode ser muito pequeno, incluindo apenas os seus parentes e aqueles com os quais voc√™ interage diariamente, ou pode ser muito amplo, incluindo todos os seres humanos, mas tamb√©m fetos, animais, plantas e at√© mesmo o pr√≥prio planeta terra. Para a maioria de n√≥s, o c√≠rculo √© de tamanho m√©dio, e destrinchar seus limites precisos – Ser√° que inclui as c√©lulas-tronco, por exemplo? – pode ser uma fonte de ang√ļstia e conflitos. Continue lendo…