Uma Conversa com Vinícius Ferreira sobre Psicologia Cognitiva

Vinicius Thom√© Ferreira √© doutor em Psicologia pela Pontif√≠cia Universidade Cat√≥lica do Rio Grande do Sul (PUCRGS) e atualmente √© professor da Escola de Psicologia da Faculdade Meridional (IMED). Tem experi√™ncia em interven√ß√£o terap√™utica, atuando principalmente nos seguintes temas: sa√ļde, bio√©tica, psicopatologia, psicologia evolucionista, psicologia cognitiva, avalia√ß√£o psicol√≥gica e psicoterapia.

Al√©m disso, mant√©m um √≥timo blog de divulga√ß√£o cient√≠fica, o Psicologia Cognitiva. A seguir voc√™s poder√£o ler uma entrevista concedida gentilmente por ele para o blog Ci√™ncia ‚Äď Uma Vela no Escuro, explorando uma s√©rie de aspectos acerca da psicologia cognitiva, da ci√™ncia cognitiva e da terapia cognitiva.

Vinicius, o que é a psicologia cognitiva?

A psicologia cognitiva √© uma √°rea da psicologia que se ocupa de estudar os fen√īmenos mentais, especialmente aqueles que envolvem as informa√ß√Ķes que temos sobre o mundo (recep√ß√£o, organiza√ß√£o, armazenamento, processamento e express√£o). Esses fen√īmenos s√£o chamados de processos cognitivos, pois permitem que tenhamos algum tipo de representa√ß√£o, um conhecimento do mundo e de n√≥s mesmos.

Qual a import√Ęncia da psicologia cognitiva hoje no panorama mundial da psicologia?

Ela √© uma das correntes psicol√≥gicas mais influentes na atualidade. Ela cresceu muito com a necessidade de termos na psicologia um referencial te√≥rico que conseguisse lidar com o pensamento t√£o bem como o behaviorismo lida com o comportamento. Talvez o grande m√©rito da psicologia cognitiva seja o esfor√ßo de analisar com experimenta√ß√£o controlada os fen√īmenos mentais como o pensamento, a percep√ß√£o, a mem√≥ria e a linguagem, estabelecendo de forma robusta o conhecimento sobre estes fen√īmenos. Al√©m disso, possui uma aplica√ß√£o pr√°tica na educa√ß√£o, auxiliando no desenvolvimento de materiais educacionais de melhor qualidade, e na psicoterapia. No campo organizacional, permite a compreens√£o mais afinada dos processos de comunica√ß√£o, al√©m de ser um recurso que pode aumentar a efici√™ncia e a efic√°cia do trabalho. Continue lendo…

Corpos Sem Almas

Fonte: Project Syndicate

Autor: Paul Bloom

Tradução: Rodrigo Véras e André Rabelo

O principal estudioso da inteligência artificial do mundo, uma vez descreveu as pessoas como máquinas feitas de carne. Isso capta muito bem o consenso nas áreas de psicologia e neurociência, que nos diz que nossas vidas mentais são produtos dos nossos cérebros físicos, e que esses cérebros são moldados não por um criador divino, mas pelo processo cego de seleção natural.

Mas, com exce√ß√£o de uma pequena minoria de fil√≥sofos e cientistas, ningu√©m leva essa vis√£o a s√©rio. √Č ofensiva. Ela viola as doutrinas de toda religi√£o e¬† entra em conflito com o senso comum. N√≥s n√£o sentimos, afinal, que somos apenas corpos materiais, pura carne. Ao contr√°rio, ocupamos nossos corpos. N√≥s os possu√≠mos. Somos espontaneamente atra√≠dos para a vis√£o defendida por Ren√© Descartes: N√≥s nascemos naturalmente dualistas, assim, vemos corpos e almas de forma separada.

Esse dualismo tem consequ√™ncias significativas para a forma como pensamos, agimos e sentimos. O fil√≥sofo Peter Singer discute a no√ß√£o de um c√≠rculo moral – o c√≠rculo de coisas que s√£o importantes para n√≥s, que t√™m um significado moral. Este c√≠rculo pode ser muito pequeno, incluindo apenas os seus parentes e aqueles com os quais voc√™ interage diariamente, ou pode ser muito amplo, incluindo todos os seres humanos, mas tamb√©m fetos, animais, plantas e at√© mesmo o pr√≥prio planeta terra. Para a maioria de n√≥s, o c√≠rculo √© de tamanho m√©dio, e destrinchar seus limites precisos – Ser√° que inclui as c√©lulas-tronco, por exemplo? – pode ser uma fonte de ang√ļstia e conflitos. Continue lendo…