A empreitada da memória

Relatividade
M. C. Escher

Muitas são as explicações para o funcionamento e a preservação da memória, quase todas muito complicadas e de difícil entendimento para quem não domina o jargão neurocientífico. Pois bem: aí vai uma maneira pessoal de explicar a memória, baseada em fatos verdadeiros, é claro. Suponha que exista uma estação em seu cérebro e que essa estação se chame “estação memória”. É fácil admitir a afirmação de que, quanto mais estradas houver que cheguem até esse destino, mais simples será a viagem – atingir o alvo. Mas a pergunta que a ciência já respondeu e que qualquer pessoa minimamente curiosa faria é: como se constroem tais estradas? Bom, esse serviço de construção civil é feito por: (i) anos formais de estudo: quanto mais tempo de banco de escola, melhor – e você achava que saber multiplicar (x+y+z) por (x+y+z) não serviria para nada?; (ii) leitura: ler romances, principalmente, pois eles exigem a construção de imagens e personagens mentais; (iii) viagens: viajar agrega novas paisagens, novos costumes, exige adaptação, ainda que temporária, a outros usos e costumes; (iv) aprendizado de novos idiomas: novas línguas estimulam o hemisfério cerebral contralateral, até então não comprometido com a função da linguagem; (v) jogos de tabuleiro: xadrez, dama e outros; (vi) dança de salão: dançar agarradinho, além de ser bom, ajuda a construir estradas e preservar a memória; dançar sozinho, feito um maluco, o que é moda atualmente, não vale; (vii) tocar instrumentos musicais: o aprendizado de um instrumento ativa áreas cerebrais que permaneceriam quietas e subaproveitadas de outra forma que não essa. Bom, esses são os principais. Tudo isso para dizer que, pelas próximas duas semanas, estarei ausente deste blog, pois devo construir novas estradas e preservar algumas já existentes lá pela Escandinávia. Até o retorno e mãos à obra!

Discussão - 6 comentários

  1. Paulo Lima disse:

    antes que minha memória falhe, boa viagem….paulo lima

  2. amigo de montaigne disse:

    Tak!(“obrigado”, em dinamarquês)

  3. Anonymous disse:

    muito legal…claro e objetivo!

  4. ihhh… esqueci.Acho que vou construir novas estradas, antes de postar o próximo comentário.

  5. Anonymous disse:

    Amigo,quando voltará de sua viagem? cosntruiu muitas estradas?

  6. Amigo de Montaigne disse:

    Anônimo,cheguei ontem, mas o “jetlag” me impede de pensar adequadamente. Prometo um novo post até o fim desta semana. Muitas são as novidades. Também estou um pouco deprimido e, de certa maneira, com um pouco de vergonha de ser brasileiro. Mas vai passar, como já disse o Chico.

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