Noites urbanas



Para quem estiver em São Paulo, imperdível o lançamento do novo livro de Daniel Piza, que dispensa maiores apresentações. Reunindo contos e os inteligentes minicontos, Piza nos brindará com “Noites urbanas” (Bertrand Brasil).  Como diria o escritor, inté lá!

LOCAL: Livraria da Vila Lorena – Piso superior
Endereço: Alameda Lorena, 1731 – Jardim Paulista
Tel.: (11) 3062-1063

Meu “aforismo sem juízo” preferido: A inteligência, por denunciar a ingenuidade, continua a receber a fama de perversa.

Pedro Maciel e a promessa de novos amanheceres


Sol nascente, Claude Monet, 1873

Já não é de hoje que expresso a minha admiração pelo escritor mineiro Pedro Maciel. Autor de A hora dos náufragos  (Bertrand, 2006) e de Como deixei de ser Deus (Topbooks, 2009), acaba de lançar o seu inclassificável livro Retornar com os pássaros (Leya). Colagem coerente de aforismos, máximas e versos líricos, a inclassificabilidade do gênero tem aí o seu ponto forte. Em meio ao marasmo editorial brasileiro e mundial, consequência do dito “pós-modernismo”, Pedro Maciel traz frescor e revitaliza o nosso olhar, o nosso sentir. Tal qual um Pascal dos trópicos, brinda-nos com o seguinte pensée: “Penso em não morrer aqui, sentado, esperando por um facho de luz ou por uma ideia brilhante. Penso em não morrer por hoje. Penso em não morrer. Não é a primeira vez que penso em não morrer. A pior coisa de todas é morrer logo; a segunda pior é simplesmente morrer um dia“. Há momentos de grande lirismo, que eu ousaria em classificar de hilstianos – quanta falta me faz Hilda!, mas logo a enxergo na estante, à direita, entre amigos: “(…); não te esqueças de mim quando não encontrar palavras para nomear as coisas indeterminadas e sem-nome, não se deslumbre com a luz artifcial dos palcos da vida, ouça o rumor do vaivém dos seus descaminhos, não atenda se o passado ligar fora de hora, esqueça o passado por um instante“. Manoel de Barros arquetípico que vive em todos nós, Pedro Maciel vaticina: “O tempo e o habitat são fundamentais para a sobrevivência dos pássaros. Quem não é ave, não deve acampar-se sobre abismos.Pode-se reconhecer aves selvagens ou domésticas através do voo ou da voz. Basta observar os pássaros a cantar nos arbustos, o voo dos insetos diversos, os vermes a rastejarem pela terra úmida, e refletir que essas formas elaboradamente construídas, tão diferentes entre si e tão dependentes umas das outras de modo imensamente complexo, foram todas produzidas por leis que atuam à nossa volta“. Constituído por 72 pensamentos, a capa de Retornar com os pássaros se equivoca: onde se lê “romance”, leia-se “inclassificável: novos amanheceres possíveis”.

Ode à distração


La Chascona, por Diego Rivera

Viajando, com menos tempo do que gostaria para este blog. Cheguei de Santiago ontem. Frio, bons vinhos e trabalho. A capital chilena sempre me causa boa impressão, ares de maior civilidade, motoristas que entendem que  a faixa de pedestre é território de – pasme! – pedestre, comerciantes cujo equívoco contra turistas é fortuito e não intencional. Após o sul do país ter sofrido com um terremoto seguido por um maremoto – tragedia doble -, as coisas parecem rumar para o normal, ainda que muito precise ser feito. Alguns passeios são obrigatórios quando estou por lá. O Mercado Central, por exemplo. O fedor de peixe é rapidamente esquecido diante do saboroso congrio servido pelo Donde Augusto. Visitar La Chascona (palavra que significa “a despenteada”, em quechua, e que o poeta usava para se referir a Matilde), casa em que viveu Neruda e que virou museu, me proprociona uma grande e nostálgica alegria. Neruda é um daqueles autores cujos versos possuem uma beleza datada. Aos vinte anos, devorei todas as páginas  que pude, decorei versos soltos, poemas inteiros, ganhei algumas admiradoras recitando, em espanhol, trechos de Farewell  y los sollozos (Amo el amor de los marineros/ que besan y se van…). Quando retornei ao poeta, já com mais idade, o encanto se desfez. Versos banais, argumentos pueris, beleza opaca. Sentei-me no agradável café do Museu. Sozinho, no mais absoluto silêncio, era o perfeito ouvinte de 4’33”, de Jonh Cage. A infância, cada vez mais distante, me  visita cada vez mais. E como disse João Anzanello Carrascoza, “depois que crescemos, a felicidade a gente só a tem se o destino se distair um minuto”.   

                                            

Uma imagem, poucas palavras


“A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes.” Karl Marx

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Agradecimento ao amigo Theo, que me enviou a imagem e a ideia.

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