Berlim: música entre escombros

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Mstislav Rostropovich faleceu em maio de 2007. A música, sob os regimes totalitários que ceifaram um sem-número de vidas no último século, sempre foi uma das grandes saídas para a maldade irracional produzida por homens bárbaros. O cellista russo abandonou o seu país e, quase que imediatamente, tornou-se o embaixador da Rússia livre. Fez com a música o que Solzhenitsyn fez com as palavras. Em novembro de 1989, assim que soube da queda do muro de Berlim, viajou para lá, e, por entre brechas de blocos de concreto, tocou as suítes de Bach por toda a noite.
Cada quarteirão da Alemanha, cada esquina de Berlim – histórias de um mundo que vive sob a frágil ilusão da racionalidade. O imponderável não é um mero detalhe. E, definitivamente, a vida não é para amadores.

Cinza

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Faz pouco tempo. As cicatrizes ainda estão visíveis por toda a Alemanha. Berlim, por exemplo, é uma cidade que, por mais ensolarada que esteja, sempre parece gris. No caminho pela Unter den Linden em direção ao portão de Brandemburgo passa-se diante da Universidade Humboldt, que abrigou, dentre outros, nomes como Max Planck, Karl Marx, Schopenhauer, Fichte, Hegel e Heinrich Heine. Em frente ao portão principal dessa renomada instituição universitária está localizada a Bebelplatz. Foi essa praça que serviu de palco para a Bücherverbrennung, em 1933. Queimaram-se, em uma única noite, mais de 25000 livros de autores não alinhados com o “espírito alemão”. Acredito que Heinrich Heine e Goethe foram os maiores estilistas da língua alemã. Heine, judeu assimilado, havia chamado a atenção para o antissemitismo crescente na Europa e na Alemanha já na metade do século XIX. Muito antes da Bücherverbrennung ele havia escrito, premonitoriamente, “onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas”. É necessário que se repita toda vez o que foi o Holocausto – existem figuras eminentes que tentam negá-lo, como todos nós sabemos. Mas a Alemanha mudou. Estive na Filarmônica de Berlim assistindo ao pianista e maestro judeu Vladimir Ashkenazy regendo a oitava sinfonia de Shostakovich. Foi aplaudido em pé pela platéia. Um judeu aplaudido em pé na Alemanha! Qualquer palavra é inútil diante da emoção que senti.

Cheguei!

Cheguei. A viagem foi muito boa. Música, comida, museus, livrarias. Até encontro fortuito com o maestro Kurt Masur aconteceu. Detalhes em breve!

Berlim

Seletos e privilegiados leitores, ando meio atarantado com uma série de projetos profissionais. Como se isso já não bastasse, estarei ausente do país pelas próximas duas semanas – mais uma vez, ossos do ofício. Visitarei algumas cidades do noroeste da Alemanha e a Berlim de Fassbinder. Ultimamente, no inexistente tempo livre de que ainda posso desfrutar, tenho lido coisas várias. O número 2 da revista serrote está imperdível. Suicídios exemplares, de Vila-Matas, com mais altos que baixos, vale a pena. Uma senhora toma chá é leitura que está me surpreendendo. Trata-se de uma bem escrita história sobre o desenvolvimento e a evolução da Estatística por meio das pessoas que construíram esse ramo do conhecimento, que é muito mais uma ferramenta para outras áreas do saber do que uma “ciência-fim”. David Salsburg escreve deliciosamente bem, mas admito que a leitura pode ser algo enfadonha para os menos afeitos ao tema. Aguardo, ansioso, a chegada do recém-lançado livro do escritor e amigo Pedro Maciel, Como deixei de ser Deus (editora Topbooks, 150 páginas). Vemo-nos em breve. Auf Wiedersehen!

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