Glenn Gould: o erro da perfeição

Já falei neste blog a respeito das Variações Goldberg, de Bach (“O conde e a insônia”). Na ocasião, ressaltei a minha predileção por Glenn Gould como intérprete, que julgo insuperável. Não sou muito fã de assistir a concertos ou shows em DVD, mas ontem, enquanto conversava com um amigo, víamos Gould executando a genial obra, já no fim de sua atribulada vida. No vídeo, o pianista conta cada tempo do compasso, em evidentes movimentos bucais que beiram o bizarro. Sua face é assustadora. Nas ocasiões em que há uma pausa para a sua mão esquerda, enquanto aguarda a próxima nota, ele solfeja no ar. É o êxtase doentio oriundo da perfeição. Gould morreu aos 50 anos de idade, após uma vida pontuada por controvérsias e excentricidades, como a de só se apresentar sentado numa velha cadeira confeccionada por seu pai. Tinha aversão ao toque humano, de tocar e ser tocado. “Mais doloroso que perseguir a perfeição, é alcançá-la” (Cícero). Somos imperfeitos. Continuemos assim.

Discussão - 2 comentários

  1. ped paulo disse:

    Conheci Glenn Gould nesse blog. não tenho condições de julgar como você mas fiquei bastante impressionado. obrigado pela dica.

  2. Arthur disse:

    Muito interessante essa observação. A psicanálise explica essa busca alucinada pela perfeição de diversas maneiras, embora em última análise possamos simplificar tudo isso da forma como você fez, citando Cícero. Parabéns!

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