Philip Roth, o super-homem pós-datado


Hércules matando o centauro Nesso.
Giambologna, Florença, 1599.

Acabei. Numa sentada só. Apesar de classificado como romance, está mais para novela o novo livro de Philip Roth, “A humilhação” (Companhia das Letras). Ainda que não tão bem recebido pela crítica como seus livros anteriores, Roth é o melhor escritor em atividade. O relato do caso amoroso entre o sexagenário ator de teatro Simon Axler e a quarentona lésbica Pegeen escancara, mais uma vez, o lado degradante e irreversível do envelhecimento. Mas nem tudo é só sofrimento e resignação. Apaixonado, Axler chega a cogitar a paternidade – coisas que só a paixão, acéfala e extasiante, é capaz de fazer. A descrição das cenas de sexo tem a marca inconfundível do Roth de “O Complexo de Portnoy”, mas que, aqui, atingiu o seu apogeu. Só por isso já vale a leitura.

Fiquei pensando, ao fechar o livro, no conto de F.S. Fitzgerald, “O curioso caso de Benjamin Button”. Não, nada seria mais cruel do que a experiência de um velho e combalido Roth aliada ao vigor da juventude de qualquer super-homem de vinte e poucos anos. Sim, porque nessa idade somos todos super-homens.             

                

Discussão - 1 comentário

  1. Chloe disse:

    Olá! ; )
    não li o livro…
    mas achei tão forte essa colocação: ‘o lado degradante e irreversível do envelhecimento’.
    talvez por nunca ter pensado nele dessa maneira. : \
    enfim, já era hora…
    C.

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