Natal, presentes e felicidade (vídeo)

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Êêêê, o Natal ta chegando!!! Nós ficamos tão animados que fizemos um vídeo sobre isso! Na verdade, o vídeo é sobre o que acontece nas nossas mentes quando damos coisas para outras pessoas, algo que muita gente faz nessa época do ano!

Veja o vídeo abaixo ou clique aqui.

[youtube_sc url=”http://youtu.be/ELUEG5oGZa8″]

Referências recomendadas

Dunn, E. W., Aknin, L. B., & Norton, M. I. (2008). Spending money on others promotes happiness. Science, 319, 1687-1688.

Esse é um dos artigos mais importantes sobre o que tratamos no vídeo. Publicado em uma das revistas científicas mais importantes do mundo, a Science, esse artigo mostrou de maneira sistemática como o gasto com outros visando beneficiá-los pode ter efeitos na felicidade.

Dunn, E. W., Aknin, L. B., & Norton, M. I. (2014). Prosocial spending and happiness: Using money to benefit others pays off. Current Directions in Psychological Science, 13(2), 347-355.

Esse artigo é uma revisão de fácil leitura publicada esse ano por alguns dos principais pesquisadores da área. Ele descreve vários dos mais importantes estudos que encontraram uma relação entre o gasto com outros e felicidade.

Aknin, L. B., Barrington-Leigh, C. P., Dunn, E. W., Helliwell, J. F., Burns, J., Biswas-Diener, R., & … Norton, M. I. (2013). Prosocial spending and well-being: Cross-cultural evidence for a psychological universal. Journal Of Personality And Social Psychology, 104(4), 635-652.

Esse foi o estudo recente que encontrou uma relação considerável entre gasto com outros e felicidade em 120 de 136 países ao redor do mundo.

No banco dos r√©us: Reflex√Ķes sobre o impacto de jogos digitais no comportamento humano

Autor: Maurício Miranda Sarmet (autor convidado)*

No √ļltimo dia 06/08, foi publicada no site da Folha de S√£o Paulo a informa√ß√£o que o jovem suspeito pela morte dos pais, av√≥ e tia utilizava, em seu perfil da Facebook, imagens do jogo Assassin‚Äôs Creed. Rapidamente, v√°rias mensagens nas redes sociais criticaram a not√≠cia, uma vez que ela associava ‚Äď mesmo que indiretamente ‚Äď o jogo a um comportamento violento. V√°rias piadas do tipo ‚ÄúSe o jogo influenciasse o comportamento, eu seria um encanador por jogar M√°rio‚ÄĚ ou ‚ÄúJogo jogos violentos desde pequeno e nunca sa√≠ matando ningu√©m‚ÄĚ circularam (e ainda circulam) por a√≠. Al√©m das piadas, circula a preocupa√ß√£o de que o jogo possa, de alguma forma, ter algum papel nesta hist√≥ria tr√°gica.

¬†Essa n√£o foi a √ļnica (nem a √ļltima) mat√©ria desta natureza a ser divulgada nos meios de divulga√ß√£o de massa. Assim como foi com o r√°dio, o cinema e a televis√£o, especula-se o tipo de influ√™ncia que o videogame pode ter na mente e no comportamento de crian√ßas, jovens e adultos expostos a eles. No entanto, mais do que uma quest√£o comercial ou ideol√≥gica, trata-se de uma quest√£o cuja resposta passa por um racioc√≠nio emp√≠rico. Ou seja, √© necess√°rio um conjunto de estudos sistem√°ticos sobre o tema para chegarmos a alguma conclus√£o. A boa not√≠cia √© que j√° existem v√°rios estudos sobre consequ√™ncias positivas e negativas da exposi√ß√£o a jogos eletr√īnicos. A m√° not√≠cia… bem, essa eu comentarei ao longo do texto, e nem √© t√£o m√° assim (pelo menos no meu ponto de vista).

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Psicologia Brazuca: Yamamoto e a psicologia evolucionista

Maria Emilia Yamamoto

Maria Em√≠lia Yamamoto pode ser considerada uma das ‚Äúm√£es‚ÄĚ da psicologia evolucionista brasileira. Pioneira na √°rea, ela hoje √© professora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e tem participa√ß√£o fundamental na promo√ß√£o e no desenvolvimento da psicologia brasileira, especialmente da psicologia evolucionista (PE). Ela editou em co-autoria com a professora Emma Otta o livro¬†Psicologia evolucionista, primeiro manual brasileiro da √°rea.

Assim como o Dida, a Maria Emilia veio da etologia, mas sua carreira foi se direcionando cada vez mais também para a PE. A professora Maria Emilia se tornou uma porta-voz da área e tem divulgado o seu trabalho em diversos congressos, palestras e eventos. Ela gentilmente nos cedeu uma entrevista rica, na qual foram discutidos diversos assuntos que ela, assim como muitos pesquisadores no mundo todo, tem tentando relacionar na sua pesquisa, como a evolução, a prosocialidade, a religião e a moralidade.

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Nosso primeiro impulso é ser gentil ou egoísta?

Nosso primeiro impulso é ser gentil ou egoísta?

Responda o mais r√°pido que voc√™ puder √† seguinte pergunta: se algu√©m te desse dez reais para fazer o que quisesse, mas dissesse que voc√™ poderia doar uma parte deste dinheiro a uma institui√ß√£o de caridade, voc√™ doaria? Se sim, quanto voc√™ doaria? Agora, se poss√≠vel, chame algu√©m pr√≥ximo de voc√™ e pe√ßa para ele responder √† mesma pergunta, mas use uma instru√ß√£o diferente – pe√ßa para que ele pense por pelo menos dez segundos antes de responder √† pergunta.¬†Uma s√©rie de participantes foram colocados em situa√ß√Ķes parecidas com estas e os resultados foram relatados em um artigo¬†recente na prestigiada revista Nature.¬†O prop√≥sito do artigo era entender se, quando agimos por intui√ß√£o, nosso primeiro impulso seria agir de maneira gentil ou ego√≠sta. Al√©m disso, tamb√©m foi investigado qual seria o nosso impulso caso¬†pens√°ssemos mais detidamente sobre a decis√£o de ser gentil antes, ao inv√©s de agir por mera intui√ß√£o.

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Religiosidade e bondade: O bom samaritano

O bom samaritano

“Antes sede bondosos uns para com os outros, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como tamb√©m Deus vos perdoou em Cristo.”

–¬†Ef√©sios 4:32, B√≠blia Sagrada.

Se algu√©m lhe pedir para pensar nas pessoas mais bondosas que voc√™ j√° ouviu falar, √© prov√°vel que venha √† sua mente, junto com alguns membros da sua pr√≥pria fam√≠lia, alguns famosos representantes religiosos como, por exemplo, a Madre Teresa de Calcut√°. Por sinal, a Madre Teresa foi usada em um estudo, j√° comentado aqui no blog, onde os participantes que tinham lido uma parte da biografia da Madre Teresa se demonstraram posteriormente mais prosociais com um desconhecido do que participantes que tinham lido uma parte da biografia da Margaret Thatcher. Ela se engajou frequentemente em diversos projetos sociais e por meio da ampla divulga√ß√£o de suas a√ß√Ķes generosas ao redor do mundo, ela se tornou praticamente um sin√īnimo de bondade.

Religi√Ķes extremamente difundidas atualmente, como a da Madre Teresa (cat√≥lica), incentivam explicitamente os seus seguidores a agirem de maneira benevolente com os seus pr√≥ximos (como na passagem que iniciou este texto), mas ser√° que a religiosidade de algu√©m como a Madre Teresa de Calcut√° tem alguma rela√ß√£o com a constante benevol√™ncia que ela demonstrou ao longo de sua vida? Ser√° que pessoas religiosas como ela s√£o mais generosas do que pessoas menos religiosas?

ResearchBlogging.orgPara tentar responder à estas perguntas, Ara Norenzayan e Azim Shariff publicaram na revista Science um artigo que buscou sistematizar o que conhecemos atualmente sobre a origem e a evolução da prosocialidade religiosa, ou seja, o suposto efeito facilitador que a religiosidade exerce na generosidade que as pessoas costumam exibir.

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Altruísmo ou egoísmo: Qual é a motivação para a generosidade?

Qual é a nossa motivação quando ajudamos alguém?

Imagine que você acaba de ajudar uma senhora simpática, mas com dificuldade de andar, a atravessar uma rua. Ao terminar a travessia, ela lhe agradece com um grande sorriso no rosto e você se sente muito bem por ter ajudado ela. Nessa situação, qual teria sido a sua motivação para ajudar esta senhora?

Uma possível resposta a isso é que a sua capacidade de experienciar estados afetivos correspondentes aos estados afetivos de outra pessoa que você está observando (ou imaginando) e à qual você consegue reconhecer que é a fonte do seu estado afetivo atual Рa famosa empatia [1]* Рte induziu a uma motivação altruísta, ou seja, a um estado motivacional com o objetivo final de aumentar o bem-estar daquela senhora [2].

Outra possibilidade √© que o seu ato solid√°rio foi influenciado por uma motiva√ß√£o ego√≠sta, ou seja, um estado motivacional visando aumentar o seu pr√≥prio bem-estar. Muitos acreditam que todas as nossas a√ß√Ķes bondosas s√£o movidas por motiva√ß√Ķes ego√≠stas, j√° que, quase sempre, podemos nos beneficiar – mesmo que indiretamente – quando ajudamos outra pessoa (no exemplo anterior, o benef√≠cio poderia ser o sentimento positivo resultante da ajuda, por exemplo). Mas ser√° que esta hip√≥tese, a do¬†ego√≠smo universal, est√° sempre por detr√°s da prosocialidade humana? Uma rica linha de pesquisa indica que n√£o. Continue lendo…

O Poder da Gentileza


Obra de Keith Haring, 1987

Nas grandes cidades, vivemos nossas vidas em meio a uma multidão de desconhecidos. Cruzamos todos os dias com estranhos que não conhecíamos e que, provavelmente, não vamos conhecer também. Nessa atmosfera, não é de se surpreender que a apatia pelo sofrimento alheio e a distribuição de grosserias tenham se tornado tão comuns e aceitáveis. Podemos até nos surpreender se um completo estranho   emergir a partir da multidão nos oferecendo um ato de gentileza, sem pedir nada em troca.

Voc√™ n√£o se surpreenderia se, ao chegar no caixa de um restaurante para pagar a sua conta, fosse informado de que uma pessoa gentilmente pagou a sua conta e n√£o quis se identificar? Uma situa√ß√£o como esta pode parecer muito improv√°vel, mas foi exatamente o que aconteceu em um restaurante na Filad√©lfia, em 2009, nos Estados Unidos¬†[1]. O ato de gentileza inspirou, nas 5 horas seguintes, v√°rias pessoas naquele restaurante a pagar a conta de outras mesas sem se importar com o valor da conta e de maneira an√īnima. Os trabalhadores do restaurante ficaram emocionados, pois nunca tinham visto algo t√£o solid√°rio como aquilo acontecer. Como diz na reportagem da NBC10 Philadelphia:¬†“√Č uma hist√≥ria de feriado verdadeira que prova como um pequeno gesto de gentileza pode criar um pouco de magia.”

A gentileza √© um tipo de a√ß√£o espont√Ęnea e, muitas vezes, sutil, onde uma pessoa beneficia outra, seguindo normas impl√≠citas de conduta. √Č um tipo de comportamento de baixo custo para quem o realiza, mas que pode beneficiar muito quem recebe. O v√≠deo abaixo demonstra v√°rios exemplos de como a gentileza pode se manifestar no cotidiano.

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=nwAYpLVyeFU” width=”590″]

Este v√≠deo √© uma bela ilustra√ß√£o do que a gentileza √© capaz de produzir no cotidiano das pessoas. Ela √© contagiante. O v√≠deo (que encontrei no¬†Treta)¬†√© uma produ√ß√£o do projeto Life Vest Inside (“Salva-Vidas Interno”), que busca promover a gentileza como uma maneira simples, mas poderosa e ativa, de melhorar o mundo. Uma parte da descri√ß√£o do projeto merece ser traduzida aqui:

O trabalho de caridade e o servi√ßo comunit√°rio s√£o ferramentas inestim√°veis para melhorar o nosso mundo, mas a gentileza √© mais do que boas a√ß√Ķes ou voluntariado apenas. Gentileza √© empatia, compaix√£o e conex√£o humana; √© um sorriso, um toque ou uma palavra confortante. Mesmo o menor gesto pode clarear um dia escuro ou aliviar um fardo pesado.

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A Gentileza de Estranhos

Fonte: Project Syndicate

Autor: Paul Bloom

Tradução: André Rabelo

Porque somos gentis com estranhos?

Eu admito que esta seja uma maneira incomum de ver o mundo, mas, ao ler o jornal, eu fico constantemente impressionado com a extens√£o da gentileza humana. A mais nova boa not√≠cia vem do Centro sobre a Riqueza e Filantropia no Boston College, que estima que os americanos v√£o doar cerca de¬†$250 bilh√Ķes em contribui√ß√Ķes¬†individuais¬†de caridade ¬†em 2010, muitos bilh√Ķes a mais do que no ano passado.

Pessoas doam seu sangue a estranhos, viajam em miss√Ķes humanit√°rias para lugares como o Haiti e o Sud√£o e arriscam suas vidas para lutar contra a injusti√ßa em outros lugares. E nova-iorquinos t√™m crescido acostumados a ler sobre her√≥is do metr√ī – bravas almas que saltam em dire√ß√£o aos trilhos para resgatar passageiros e ent√£o frequentemente somem, inconfort√°veis com a aten√ß√£o ou o cr√©dito.

Como um psic√≥logo, eu sou fascinado pela origem e as consequ√™ncias de tal gentileza. Alguns de nossos sentimentos morais e motiva√ß√Ķes morais s√£o o produto da evolu√ß√£o biol√≥gica. Isso explica porque n√≥s somos frequentemente gentis com a nossa pr√≥pria carne e sangue ‚Äď aqueles que compartilham nossos genes. Isto tamb√©m pode explicar nossas liga√ß√Ķes morais com aqueles que vemos como membros da nossa tribo imediata. Continue lendo…

A vida √© um grande experimento de priming…

Fonte: We’re Only Human
Autor: Wray Herbert
Tradução: André Rabelo

Uma das id√©ias mais robustas advindas da psicologia cognitiva em anos recentes √© o priming (para entender o que √© o priming, leia “aqui” e “aqui“). Cientistas t√™m demonstrado in√ļmeras vezes que conseguem influenciar de forma s√ļtil as mentes inconscientes das pessoas¬† atrav√©s de pistas, para pensar e agir de determinadas maneiras. Estas pistas podem ser conceitos – como frio, ou r√°pido ou¬† velhice – ou metas, como sucesso profissional; de qualquer forma, estes est√≠mulos moldam nosso comportamento, frequentemente sem que tenhamos qualquer consci√™ncia de que estamos sendo influenciados.

Isso √© desconcertante, especialmente quando voc√™ pensa sobre as implica√ß√Ķes disso para as nossas cren√ßas e a√ß√Ķes cotidianas. Os experimentos de priming s√£o feitos em laborat√≥rios, usando est√≠mulos escolhidos de forma deliberada, mas na verdade o nosso mundo est√° cheio de pistas que atuam em nossas mentes o tempo todo, para o bem ou para o mal. De fato, muitas das nossas a√ß√Ķes s√£o rea√ß√Ķes √† est√≠mulos aleat√≥rios fora da nossa consci√™ncia, significando que as vidas que vivemos s√£o muito mais automatizadas do que gostamos de reconhecer.

Mas qu√£o automatizadas? Estamos realmente impotentes diante dessas pistas onipresentes? Ou temos algum poder para reconhecer e sobrepor estas for√ßas? Existe alguma forma de nos protejer – nossas metas e inten√ß√Ķes – da sinaliza√ß√£o aleat√≥ria do mundo, especialmente destas influ√™ncias intrusivas que minariam nossas vidas e valores? Continue lendo…

Semeando o Mundo com Heróis

Tudo que é necessário para o triunfo do mal é que homens de bem não façam nada.
– Sir Edmund Burke

A revista Science publicou um artigo recentemente (Miller, 2011) que traz o relato de um dos mais novos projetos do psicólogo social Phillip Zimbardo. Ele se tornou um dos psicólogos mais famosos no mundo por ter conduzido o famoso experimento da prisão de Stanford (comentado anteriormente aqui) e por ter sido o apresentador da série de divulgação científica Discovering Psychology.

Zimbardo particpou em 2004 do julgamento de Ivan “Chip” Frederick, um dos sargentos acusados de envolvimento em epis√≥dios de abuso e tortura na pris√£o de Abu Ghraib, no Iraque. O caso fez Zimbardo retomar quest√Ķes envolvidas no seu famoso experimento e deu a inspira√ß√£o para o seu pr√≥ximo grande experimento –¬† o Projeto Imagina√ß√£o Her√≥ica – que tem como objetivo usar os resultados de pesquisas em psicologia social para ensinar as pessoas a reconhecerem as influ√™ncias sociais √†s quais elas est√£o sujeitas no seu dia-a-dia e encorajar essas pessoas a praticarem “atos de hero√≠smo cotidiano” em situa√ß√Ķes que envolvam, por exemplo, bullying escolar, discrimina√ß√£o racial, discrimina√ß√£o sexual, viol√™ncia dom√©stica, tortura ou abuso sexual.

O projeto planeja encorajar e dar o suporte para pesquisas sobre o tema, organizar cursos em escolas, incentivar a cria√ß√£o de jogos, programas, sites e grupos de a√ß√£o conjunta. Al√©m disso, pessoas do mundo todo podem enviar v√≠deos para serem publicados no site do projeto sobre os seus atos de heroismo realizados. Continue lendo…