Nietzsche e o aprendizado do amor

Caros amigos, não estarei em São Paulo até domingo, dia 21, e terei grande dificuldade em acessar a rede. Assim, escrevo o último “post” até lá. Escolhi um aforismo de Friedrich Nietzsche, da Gaia Ciência, que julgo bastante interessante. Chama-se “É preciso aprender a amar”: ” Eis o que nos acontece em música: é preciso aprender a ouvir em geral, um tema, um motivo, é preciso percebê-lo, distingui-lo, isolá-lo e limitá-lo em uma vida própria; pois é preciso um esforço e boa vontade para suportá-lo, malgrado a sua estranheza, para ter paciência com seu aspecto e sua expressão, caridade pela sua estranheza; chega enfim o momento em que nos acostumamos com ele, quando esperamos, pressentimos que nos faria falta se não existisse(…). Mas isso não acontece apenas com a música; é da mesma forma que aprendemos a amar as coisas que amamos(…)”. Acredito, pessoalmente, que o tal “amor de mãe”, incondicional, não deva sempre ter sido assim, desde a concepção do filho. Durante a gestação, há um “ser” estranho em seu ventre, que pode ser birrento, acordá-la às 3h00, não gostar de ler, preferir Orlando a Veneza e etc. Mas com o passar do tempo, “pressentimos que nos faria falta se não existisse”…

Discussão - 4 comentários

  1. Jerepilda disse:

    Tenho dúvidas se realmente há o “aprendizado” no amor ao filho. Talvez seja algo muito mais instintivo, mais animal, do que propriamente algo capaz de ser moldado… Não sei…

  2. Lacerda disse:

    A respeito do incondicional “amor de mãe”, penso que só como tal é possível vivê-lo e sobretudo senti-lo. Desse privilégio, infelizmente, não desfruto. E nem o maior dos filósofos é capaz de transmitir com palavras um sentimeno que jamais será capaz de sentir. O que releva, independetemente da condição, é sentir e viver o nobre sentimento em questão. Abraço!

  3. Tomando por exemplo a música ou a literatura, acredito que o aforismo seja válido. Lembro-me que, por volta dos 12 ou 13 anos de idade, ganhei de presente o livro “A República”, de Platão, e achei aqueles diálogos extremamente tediosos e indigestos. Pouco a pouco, após folhear o livro de maneira aleatória,percebi que estava enganado. O mesmo aconteceu com a música clássica e ainda hoje acontece com a música dodecafônica, que ainda não aprendi a amar. Talvez a questão da maternidade seja mais complexa, não sei.Retornaremos à questão.Abraços.

  4. Lacerda disse:

    Posso parece insensível ou mesmo inculto, mas talvez nem o próprio Arnold Schoenberg tenha “amado” suas composições. Nossos “gostos” modificam-se com o passar os anos. O que era “chato” torna-se “legal” e vice-versa. Pode ser que antes eu “não gostava” das obras de Schoenberg e de Webern, mas hoje “gosto”. A maturidade, com o vazar do tempo, é adquirida. É exigir demais que um garoto de 12 ou 13 anos, por mais incrivelmente culto e inteligente que seja para a sua idade, tenha maturidade intelectual para compreender os diálogos da República. Hoje, após “várias décadas de vida”, aqueles diálogos “extremamente tediosos e indigestos” não mais o são. Será que o gosto pelas coisas e maturidade de compreensão representam “amor”? Abraço!

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