O “poder” da oração e Dawkins

The Prayer of the Spinner-Oil on wood, 27,7 x 28,3 cmAlte Pinakothek, Munich

Não querendo ser chato. Mais um argumento para Richard Dawkins, aquele mesmo do recente “post” (“A ilusão do Deus”). Um estudo realizado pela famosa Clínica Mayo, de Rochester, Minnesota, avaliou o poder da oração na recuperação dos doentes. Eles foram divididos em três grupos, num total de 1802 pacientes. O primeiro grupo recebeu preces feitas por “profissionais da reza”, membros de três congregações religiosas, e foram informados que havia um grande número de pessoas orando por eles. O segundo grupo também recebeu preces, mas os pacientes não sabiam disso. O terceiro grupo não recebeu qualquer tipo de oração. Resultado: o número de complicações durante a internação, bem como uma evolução clínica pior, mais desfavorável, foi maior no primeiro grupo! Conclusão: reze em silêncio, não avise o doente que os amigos, a família, os membros da igreja e etc. estão orando por ele. Pode ser pior. Aceito o argumento de que o método científico talvez não seja o mais adequado para estudos teológicos, mas é o que temos, por enquanto. Até lá, cautela.
P.S.: Quem estiver mais interessado na polêmica Dawkins, recomendo que visite o blog do Marcelo Coelho. Vale a pena.

Discussão - 15 comentários

  1. Lacerda disse:

    A questão é de RELIGIOSIDADE E FÉ, o que nada tem a ver com se fazer “prece” a Deus. Religiosidade (rectius: fé) NÃO significa crença em Deus.Essa premissa, no entanto, parece não ter sido compreendida pelos cientistas e filósofos sedizentes ateus. Eles cometem um erro gritante ao confundir religião com Deus, ou, o que é pior, com o gesto de se fazer orações. Grande abraço!

  2. Anonymous disse:

    Desculpe, mas não entendi. Qual a religião que não pressupõe a existência de deus ou algo que o valha?

  3. Amigo de Montaigne disse:

    Caro Lacerda, religiosidade pressupõe a crença em Deus, senão é hábito. Continuemos o embate, mas sem radicalismos…Abraço.

  4. Lacerda disse:

    É o que a ciência tenta – mas não consegue – explicar.

  5. Anonymous disse:

    não seja obscuro. cite uma religião que não tenha deus. aí ficarei convencida. e qto. ao fato de a ciência tentar sem conseguir, vc está um pouco enganado. já leu o dawkins?

  6. Lacerda, para não ferir a sua religiosidade sem deus- você que assim disse- cito Aquino, o santo: “Para crer, basta ter fé”.

  7. Anonymous disse:

    a filosofia secularista, como disse o Amigo, está cega!!!

  8. Paulo Lima disse:

    Opa!!!Tá pegando fogo por aqui. É preciso ter cuidado para não cairmos no fundamentalismo…basta uma vírgula mal colocada para isso.O livro “The God Desulioon” do evolucionista Dawkins foi trazido à público pela revista Galileu (www.galileu.globo.com), do mês de janeiro/07. A matéria faz uma comparação sintética do pensamento de vários cientistas e tenta, em vão, explicar o inexplicável; a existência de Deus. Esta continua sendo a grande frustração dos cientistas.Na minha opinião religiosidade e fé não pressupõe a existência ou não de Deus. Reliosidade está mais ligada ao comportamento, posição que o humano adota perante a vida.A propósito, existe sim uma religião que dispensa a existência de Deus. Trata-se da cientologia, que tem como fiéis personalidades como: John Travolta e Tom Cruise.Para encerrar trago um trecho do livro: Princípios de Filosofia de Renê Descartes (página 69): “Porque a evidência é que aquele que conhece alguma coisa de mais perfeito do que ele próprio, não deu a si próprio o ser, visto que pela mesma mediação, ter-se-ia dado todas as perfeições de que tivesse conhecimento. Logo, não poderia subsistir por nenhum meio senão por aquele que possui, efectivamente, todas as perfeições, isto é Deus”.(in literis)Abraço

  9. Amigo de Montaigne disse:

    Paulo, você mesmo disse: “Religiosidade está mais ligada ao comportamento, posição que o humano adota perante a vida”. Isso não é religião: é hábito!

  10. Denis disse:

    Deus é a música

  11. Lacerda disse:

    “Conclusão: reze em silêncio, não avise o doente que os amigos, a família, os membros da igreja e etc. estão orando por ele.”Realmente, culto e inteligente Amigo, continuemos o embate, mas sem radicalismos. Abração!PS: O (pseudo) estudo não revela a doença dos enfermos agrupados e os respectivos estágios, além de não considerar as vicissitudes ínsitas a cada pessoa. Mais ainda: exigiu fé alheia para um suposto auxílio, MENOS a do próprio enfermo. É, o “estudo” científico é muito revelador….

  12. Amigo de Montaigne disse:

    Caro Lacerda,leia o editorial do artgo em http://www.mayoclinic.org/news2001-rst/921.htmlEnjoy!

  13. Anonymous disse:

    Realmente não consigo entender como algo que até hj não tem qualquer comprovação de sua existência possa ser tão cegamente passível de crença. Pode até ser um questionamento infantil, mas como ter certeza de alguma coisa que não é passível de prova? Para mim são apenas suposições… E se provadas algum dia, quem serei eu para duvidar?!Continuo achando que o conforto de acreditar em algo muito maior e mais poderoso é válido, mas é uma questão de conforto apenas… Sem dúvida nenhuma a crença pode aliviar sentimentos tão dolorosos e inexplicáveis que experimentamos durante a vida.

  14. Anonymous disse:

    Como não entendo nada da cientologia, fui à procura. Encontrei: Devido ao seu caráter eclético, a Cientologia tem procurado, nos últimos anos, assim como a Maçonaria, designar Deus simplesmente como “Ser supremo”, “Força de vida”, a fim de facilitar a entrada de pessoas de qualquer segmento religioso. Adotam, ainda, a posição politeísta: “Existem deuses que estão acima de todos os outros deuses, e deuses além dos universos”.No meu entendimento, portanto, a tal religião não é contra a figura de deus, apenas troca o nome do “conceito”.

  15. Engraçado.. há outro estudo conforme relacionado abaixo:ESTUDOS REVELAM O PODER DA ORAÇÃO NA CURA DE DOENÇASEste estudo foi conduzido pelo Dr. Randolph Byrd, um especialista de doenças do coração do Hospital Geral de San Francisco, EUA.O Dr. Byrd escolheu 400 pacientes que foram admitidos à unidade de tratamento intensivo de doenças do coração. Ele dividiu essas pessoas em 2 grupos: um grupo recebeu cuidados médicos rotineiros do hospital, chamados de “grupo de controle”; o segundo grupo recebeu não somente cuidados médicos rotineiros, mas também orações; esses foram chamados de “grupo de orações.”Para eliminar qualquer preconceito de seleção, ele deixou um computador determinar quais pacientes iriam fazer parte de cada grupo. As pessoas que se reuniram para orar pelo grupo de orações receberam apenas o nome dos pacientes e informações básicas sobre sua condição médica. Todos os pacientes, pertencendo a ambos grupos, assinaram um formulário de autorização, no qual foram informados da possibilidade de que poderiam ou não receber orações em seu favor. Desta forma, nenhum dos pacientes sabia com certeza se estava recebendo orações em seu favor ao mesmo tempo, assim todos tiveram chances iguais.Todos os pacientes, seus amigos e parentes tiveram liberdade para orar por si próprios, caso o desejassem. Nenhuma sugestão foi dada de que deveriam orar por si mesmos.Estes sendo grupos grandes, todos os fatores de chance se igualariam para se realizar uma comparação estrita entre o grupo de orações e o grupo de controle. Isso possibilitou aos pesquisadores estudar objetivamente o efeito das orações adicionais que foram realizadas pelo hospital.Além disso, nem os funcionários do hospital, nem os pacientes sabiam quem estava recebendo orações. Isso é muito importante em um estudo científico, porque se os pacientes sabem ou descobrem sobre tais diferenças, então, sem dúvida alguma, eles podem melhorar ou piorar devido ao efeito placebo.Por exemplo, a pessoa que está recebendo orações em seu favor, pode adquirir um estímulo psicológico extra, enquanto o outro que sabe que não está recebendo orações, pode se sentir destituído de algo que teria o potencial para sua melhora.Da mesma forma, é importante que os funcionários do hospital não saibam qual paciente está participando em determinado grupo. Sem dúvida, se um membro do grupo de tratamento sabe da composição dos grupos, ele pode dar aos pacientes tratamento preferencial, dar mais atenção, ou passar, sem intenção, seu entusiasmo e esperança ao paciente. De acordo com as exigências de um estudo despreconceituoso e objetivo, todos os requerimentos foram observados.Resultados do EstudoO Dr. Byrd descobriu que o grupo que recebeu orações se saiu muito melhor do que o grupo que não havia recebido orações. Vários benefícios foram notados no grupo que recebeu orações. Eles tiveram menos probabilidade de desenvolver falha congestiva do coração e edema pulmonar, no qual os pulmões ficam cheios de fluído; eles tiveram 5 vezes menos a necessidade de usar antibióticos; apenas alguns tiveram que usar ventiladores e receber respiração artificial; apenas uns poucos desenvolveram pneumonia ou tiveram enfartos. Todos os benefícios mencionados acima foram estatisticamente significativos.Oração Direta x Oração IndiretaEstudos seguindo estritos padrões de análise também foram realizados comparando a eficácia dos vários tipos de orações. Um destes estudos foi realizado pela Fundação Spindrift em Salem, Oregon, que se especializa nos estudos da oração.Para o propósito deste estudo, orações foram classificadas em 2 tipos; a “oração direta” e “oração indireta.” Vamos ver a definição dos dois tipos.Uma oração direta tem um desejo específico e um resultado específico em mente.A oração indireta é somente o conhecimento da existência da pessoa que irá receber a oração. Esta oração é simplesmente para manifestar o melhor potencial daquele indivíduo, ou para que o melhor resultado aconteça para aquela pessoa. A oração indireta é a oração do tipo “seja feita a tua vontade.”Este estudo foi também realizado com a germinação de sementes. As sementes que receberam orações sempre germinaram mais que as sementes que não receberam nenhuma oração, e as sementes que receberam orações indiretas germinaram mais do que as sementes que receberam orações diretas.A Fundação Spindrift concluiu que os dois tipos de oração trazem benefícios, mas que as orações indiretas foram de 3 a 4 vezes mais efetivas.

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