Palavra, semente

Foi bastante comemorado o lançamento do último livro de Fabrício Carpinejar, “Meu filho, minha filha”. Há alguns meses buscava esse título pelas grandes livrarias de São Paulo sem sucesso. Eu poderia ter encomendado pela internet, é verdade, mas perderia uma boa desculpa para, mais uma vez, ir às livrarias pessoalmente. Eis que, finalmente, acabei por comprá-lo hoje, domingo. Entendi, então, as críticas imensamente favoravéis ao livro. Ainda estou com os olhos marejados. Não conseguirei ir adiante, mas leiam; essa é a mensagem .
MINHA FILHA SEM MIM
Treinei para ser pai./Queria ser logo pai/para deixar o encargo/de ser filho. O castigo/ de ser filho. O trabalho/ insalubre de ser filho,/de me explicar a cada/fracasso. Não me importava/ com os problemas,/cansava mesmo em repor/as virtudes na ceia de Natal./Beijar as tias e elogiar o pernil/com farofa. Ser pai veio/como uma aposentadoria/ por tempo de serviço./Não esperava que me devolvesse/a infância quando/não sabia mais brincar.

Discussão - 6 comentários

  1. léo disse:

    olá amigo.domingo, num dia para curar o resto da gripe, passei a tarde lendo tudo o que você escreveu no blog.ainda bem que não seguiu o conselho do grande Sérgio Augusto.suas pequenas notas deram fôlego pra mais de metro para esta cabeça.quero finalizar com uma pergunta?sou leigo de música e sou muito interessado em aprender a parte teórica, já que tocar nunca foi minha praia.as escolas e os professores que procurei na minha cidade se interessam a ensinar o que é um sofejo,um adágio etc, para os decididos a tocar.algo infelizmente do tipo: só aprende química quem for químico.quero saber se você tem uma dica de site ou livro para um iniciante que pretende entender a música , mas não se vê tocando um instrumento.

  2. amigo de montaigne disse:

    Caro Léo, existem vários livros escritos de maneira bastante acessível a quem queira saber sobre música, unicamente. É claro que tocar um instrumento faz com que certos conceitos sejam apreendidos de maneira mais rápida e fácil. De qualquer modo, “cada um na sua praia”. Seguem algumas dicas:1.BENNETT, Roy Uma Breve História da Música. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 19862.CARPEAUX, Otto Maria Uma Nova História da Música São Paulo, Ediouro (é um pouco mais complexo; comece pelo Bennett).3.GALWAY, James A Música no TempoEspero que aproveite, mas lembre-se: nada se compara ao exercício da audição. Um abraço, Amigo de Montaigne

  3. tati disse:

    Não conhecia o Carpinejar, mas li no blog do Marcelo Coelho já faz algum tempo. comprei o livro e adorei.

  4. Anonymous disse:

    Muito bonito o poema!

  5. Anonymous disse:

    O poema é bonito! Li e reli inúmeras vezes e fico com um sentimento de “egoísmo”: como se ser pai acarretasse em castigar o próximo que assumirá o “ofício” de ser filho. Será justo? Gostaria de ouvir sua opnião…

  6. amigo de montaigne disse:

    Anônimo, você pode ter razão. Tudo depende de uma opção. Talvez, egoísmo seja não querer ser pai para não ter de aprender a brincar quando tiver a infância devolvida…

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