Experiência Schumacher Brasil

A Experiência Schumacher que vivi é de fato uma experiência, esquece, não é necessariamente um curso, não são necessariamente aulas com super conteúdos, não do jeito que você está acostumado. Quando alguém me pergunta como foi eu não tenho uma resposta rápida, simples ou fácil. Sei dizer com precisão que o exercício de tango (sim, a dança) e complexidade foi sensacional, nunca pensei que pudesse relacionar dança com os mais variados relacionamentos que temos na vida, foi enriquecedor.

Entendi muita coisa da essência do Schumacher College, eles são mais do que uma escola ou um local em que as pessoas vão para aprender conteúdos, percebi que eles são uma comunidade, são um jeito de viver e ver o mundo, é muito mais que um conceito, é um jeito de ser, cheio de tradições e algumas manias, mas bem diferente do jeito dentro da caixa que estamos acostumados a ver por ai… Chega a rolar um viés de que tudo que rola lá é legal, bom e bem feito? Sim, eu senti isso, mas pode ser impressão, também não cheguei a perguntar para ninguém que fez algum curso lá se tinha alguma coisa de ruim, tá aí uma coisa para perguntar pra eles.

O que de fato fizemos lá? Além de tratar de assuntos como Complexidade (aprendendo com ajuda do tango), Economia para transição e Ecologia profunda ajudamos a fazer as refeições sob a batuta de uma chef do movimento Slow Food, Claudia Mattos, conhecemos a experiência da Fazenda da Toca com a biodinâmica, demos uma ajuda nos jardins da escola  mantida pela Fazenda da Toca para os filhos de funcionários.

O único tópico abordado que mais pareceu com aula foi a economia para transição, Mari del Mar e Tomas de Lara fizeram apresentações ótimas e ainda tivemos a participação de um dos professores lá da Inglaterra, o Tim Cabtree, via skype.

Para termos uma noção de ecologia profunda fizemos uma caminhada chamada “Deep Time Walk” que relaciona nossa distância percorrida com a linha do tempo de formação do planeta terra. Nessa parte eu até dei uma ajudinha com meus conhecimentos geológicos. [fora do assunto] depois dessa “aula” descobri esse aplicativo sensacional que mostra bem como foi a evolução da terra e a formação dos continentes. [fora do assunto]. Fiquei surpresa de ver a surpresa das pessoas quando ela se dão conta de como é pífio o tempo que o ser humano existe no Planeta, esse é o meu viés geológico, passei 5 anos lidando com essa informação que acho estranho quando as pessoas se dão conta disso…

Schumacher Experience 10

Foto: Fernanda Freire.

Foi uma experiência rica, super válido ver um monte de gente que também tem inquietações parecidas com a sua, que sofre as contradições do mundo e está tentando a lidar com elas de maneira mais leve e com menos sofrimento. Conhecer a Fazenda da Toca também trouxe muito dessas inquietações e contradições do mundo, questões como é possível ser orgânico em escala industrial? Até que ponto vale ser orgânico em escala industrial? A biodinâmica, permacultura cabe nessa escala? Dá lucro? Pra quem?

Ano que vem está sendo desenhado um Certificado em Ciências Holísticas e Economia para Transição, será uma versão estendida dos temas que exploramos nessa experiencia que participei. Ainda não tenho maiores detalhes, mas compartilho quando tiver.

O fato de termos algo como o Schumacher College aqui no Brasil me enche de alegria, assim mais gente pode ter acesso e compartilhar dessa experiência sem a desculpa de que é inglês, é muito longe ou em outro país.

O lixo nosso de cada dia

Semanas atrás falei da embalagem do meu creme que tinha um design sofrível, agora resolvi pesquisar sobre a política de resíduos sólidos pós consumo das principais marcas de cosméticos que eu conheço, que é o que nos sobra depois que o produto acaba. Os resíduos sólidos da cadeia produtiva podem até ser responsabilidade minha também como consumidora, mas pouco posso interferir nela. Resolvi ver o que as empresas falam de residuos sólidos sem eu precisar ler o relatório de sustentabilidade.

residuos

Fonte: https://flic.kr/p/e4PYUh

Nívea

A Nívea foi a primeira “vítima” por 2 motivos: 1- falei dela no post sobre o design ruim da embalagem e 2- apareceu um post patrocinado deles na TL do meu twitter, se eles estão pagando pra fazer propaganda em rede social, vamos ver se esse canal realmente funciona para conversar com o consumidor (mais um teste além do ambiental). Ai perguntei pelo twitter sobre a política de resíduos sólidos da Nivea e recebi esse link como resposta: http://www.nivea.com.br/Sobre-nos/beiersdorf/Responsabilidade-Ambiental

Bom, sobre o destino das embalagens pós consumo só li blablabla, nada concreto que me convence da real preocupação deles, um “apoiamos o projeto tal que se preocupa com esse assunto” e só. Ai perguntei no twitter novamente se eles sabiam qual a porcentagem de embalagem são recicladas, estou no aguardo da resposta.

Unilever

Ai resolvi pesquisar outras… Joguei no Google o nome da empresa e as palavras resíduos sólidos, depois de uns cliques no site deles achei esse link no site da Unilever: http://www.unilever.com.br/sustainable-living-2014/waste-and-packaging/

Achei mais interessante pois eles têm metas estabelecidas sobre reciclar embalagens: “aumentar as taxas de reciclagem e recuperação, em média, em 5% até 2015 e em 15% até 2020 nos nossos 14 principais países” e apresentaram o seguinte dado: “Aumento de 7% nas taxas de reciclagem e recuperação em 2013, superior ao Índice de Reciclagem e Recuperação médio de 2010, registrado nos nossos 14 principais países.” Legal, mas  o quanto desse 7% é no Brasil? E vamos combinar que 7% numa operação em 14 países é quase pífio.

P&G

Com a busca no Google P&G e residuos sólidos (ou qualquer coisa parecida com isso) cheguei nesse link: http://www.pg.com/pt_BR/sustentabilidade/sustentabilidade_ambiental/index.shtml

O plano é bastante audacioso “Nossa Visão, anunciada em 2010, inclui: (…) Usar 100% de materiais renováveis ​​ou reciclados em todos os produtos e embalagens. Depositar zero de consumo e resíduos de fabricação em aterros sanitários.” Mas não falam quando pretendem atingir a meta, ah, mas é a visão, não é uma meta, pode ser que nunca atinjam seja só um alvo a se atingir… Ainda tem um “saiba mais sobre a nossa visão de longo prazo”, mas não tem link nenhum redirecionando pra lá. Também não ficou claro pra mim se no consumo e resíduos de fabricação inclui embalagens pós consumo.

Descobri por acaso que eles tem um projeto com uma empresa chamada Wise Waste que criaram a partir de embalagens recicladas um display para um dos produtos deles em supermercados. Aliás o trabalho da Wise Waste é bem interessante, saiba mais aqui. Mas no site da empresa mesmo só tem aquelas metas megalomaníacas sem nada muito prático.

Natura

Mandei um twitt e não recebi resposta 2 dias depois, procurando no google achei vários links para os relatórios anuais da empresa 2009 (acho q seja pois só tinha dados até 2008), 2012, 2013. Não é o que que esperava achar, principalmente da Natura. As informações são vagas e sem nenhuma meta clara, no relatório de 2014 fala que “A Natura está elaborando um plano de logística reversa, que tem como principal objetivo estruturar um modelo de gestão capaz de transformar resíduos em oportunidades de novos negócios. Este plano tem previsão de lançamento ainda no ano de 2014.” Eu esperava mais da Natura, muito mais…

Avon

Mandei um twitt e não recebi resposta 2 dias depois.

Procurando no Google não achei NADA relevante. No site da empresa tem uma seção de responsabilidade social, nada sobre meio ambeinte. Falam de teste em animais, mas absolutamente NADA do ponto de vista ambiental e resíduos sólidos… Decepção monstra.

Conclusões

Escolhi essas empresas pois consumo produtos delas e como são empresas que fazem parte do business as usual esperava números sobre o assunto, só 1 me apresentou números concretos sobre a preocupação com a geração de resíduos e posterior descarte, as outras tratam o assunto de forma superficial, pelo menos aos olhos do consumidor leigo que resolve descobrir por si só o que as empresas fazem/pensam sobre o assunto. Uma delas até ignora o assunto. Ou simplesmente resolveu não contar pra ninguém o que faz sobre o assunto. Se alguma empresa dessas quiser entrar em contato comigo para esclarecer melhor suas preocupações sobre os temas resíduos sólidos pós consumo, logística reversa, etc estou super aberta para ouvir e saber mais, o importante mesmo é tornar pública suas práticas, o consumidor agradece, isso chama-se transparência. #ficaadica

A princípio pensei em ligar nos atendimentos ao consumidor de cada uma delas para perguntar sobre o assunto, mas esse processo é tão chato que eu desisti, mas talvez seja mais eficaz que esse post, mas se você quiser fazer isso segue o número dos telefones de cada uma das empresas, acho que pode surtir mais efeito e ainda dá pra testar o quanto elas dão de importância para a preocupação do consumidor.

Nivea – 0800-77-64-832

Unilever – 0800-707-7512

P&G – 0800 701 5515

Natura – 0800.115.566

Avon – 0800 7082866

Se alguém conhecer alguma empresa de bens de consumo não duráveis que nasceu pensando no ciclo completo de vida de seus produtos me avise, pois eu até hoje não vi nenhuma.

Rio 2016

Semana passada fui convidada pelo comitê Olímpico Organizador das Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 para participar da coletiva de imprensa de lançamento do relatório da pegada de cabono dos jogos e depois um tour pela sede com direito à conversa com ex atleta vencedor de medalha olímpica e almoço especial.

30.10.2014.Relatório Carbono. Blog

Influenciadores que participaram da visita.

Na parte da manhã foi apresentado pela Gerente de Sustentabilidade do Comitê Organizador, Tânia Braga, o Relatório de Gestão da Pegada de Carbono dos Jogos Rio 2016. No total do evento serão emitidas 3,6 milhões de CO2, da organização do evento eles serão responsáveis por 724 mil toneladas. A maneira que eles vão gerir todas essas emissões segue a a seguinte estratégia:

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Uma vez que eles já estimaram as emissões (as 724 mil toneladas) a ideia agora é tentar diminui-las, seja evitando, reduzindo ou substituindo-as e a meta deles é chegar as 600 mil toneladas e ai sim mitigar e compensar essas restantes. Uma das formas que eles vão utilizar para compensar essas emissões será o que eles chamam de mitigação tecnológica em parceria com a Dow, que oferece várias técnicas de mitigação de carbono como promoção de práticas agrícolas que melhorem a produtividade e reduzam emissões, novas embalagens e tecnologias de conservação de alimentos, visando reduzir a quantidade de desperdícios ao longo da cadeia produtiva, medidas de aumento da eficiência energética em operações, processos industriais e materiais, projetos que melhorem a eficiência energética na construção civil e disseminem soluções de baixo-carbono no setor de infraestrutura.

Na parte da tarde tivemos algumas experiencias bem legais, conhecemos o medalhista olímpico Ricardo Prado, que é Presidente do Conselho de Esportes do Rio 2016, ele contou um pouco da história e um pouco do que faz hoje na organização dos jogos.

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Com o atleta Ricardo Prado.

Depois tivemos um almoço super especial, não tanto pela comida em si, mas pela experiência de comê-la usando vendas e conversando com o Marcos, um dos funcionários do comitê que é cego desde criança. Essa foi uma das experiências mais legais da minha vida, não só o fato de não ter muita certeza do que estava comendo e ir tentando descobrir, mas a experiência de conversar com um cego sem enxergá-lo e criar toda uma expectativa de vê-lo, a sensação que eu tive é que até a direção da conversa e perguntas feitas foram um pouco diferentes se todo estivéssemos sem as vendas.

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O almoço vendados.

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Foto com o Marcos num dos painéis do encontrados pelo corredor da sede.

Outra coisa que gostei muito foi o prédio sede, todo o planejamento dele pensando na acessibilidade das pessoas, nos murais inspiradores espalhados por todo o local e no conceito e planejamento de ser um prédio modular (contruído com containers) e que vai crescendo e diminuindo conforme a demanda, no início do comitê eram 30 pessoas trabalhando, hoje são entorno de 2mil. E o mais importante, ao fim dos jogos, o prédio não irá existir mais, os módulos serão retirados e provavelmente reutilizados e o terreno poderá novamente ser usado.

É possível perceber  que planejamento está presente nas ações do Comitê que nada é feito sem uma razão de ser muito clara e bem pensada e nesse caso a sustentabilidade entra com muita força, o diretor de communicação chegou a afirmar que sustentabilidade é uma obssessão para eles e não apenas discurso.

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Eu e o logo 3D dos Jogos Olímpicos.

Adorei saber de tudo isso e ver transparência e planejamento nas atitudes deles. Mas vale lembrar que esse é o comitê organizador do evento, eles não são responsáveis por exemplo pelas obras de melhoria no transporte público da cidade ou mesmo na construção dos aparelhos esportivos, isso é reponsabilidade do Governo e acho que devemos cobrar o mesmo profissionalismo deles, a falta de transparência das atividades do governo podem acabar comprometendo um trabalho bonito e bem feito que tem sido feito pelo comitê organizador.

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