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Será que somos mais parecidas com nossas avós maternas?

Para mim, a maternidade trouxe uma maior conex√£o¬†comigo. Ela me fez voltar ao meu passado, aos meus antepassados, √† minha inf√Ęncia. Dias ap√≥s parir, tive momentos depressivos, devido √† baixa nos horm√īnios e √† mudan√ßa radical no meu estilo de vida. Antes, eu (esp√≠rito livre) sa√≠a por a√≠ para encontrar pessoas queridas, para passear, para trabalhar, sem a responsabilidade de ter que cuidar de algu√©m. Que, ali√°s, dependia de mim para sua sobrevi√™ncia no sentido mais animalesco da palavra: eu carregava no meu corpo¬†o¬†alimento dessa pessoa. Para suprir essa inquieta√ß√£o e na busca em¬†ser uma boa m√£e, comecei a ler muito, a estudar ainda mais sobre maternidade (a quest√£o biol√≥gica, psicol√≥gica, comportamental). E decidi que esta √© mais uma chance que a vida oferece para me conhecer mais,¬†me aceitar e usar isso para me tornar uma pessoa melhor – n√£o sei se j√° consegui ou se vou conseguir, mas procuro¬†o caminho.

Nessa viagem espiritual, me deparei com um texto em espanhol¬†que poetizava a quest√£o do √≥vulo (pena que perdi o link). Eu sabia que n√≥s nascemos com os √≥vulos que dar√£o origem aos nossos filhos. Mas nunca parei para pensar no significado dessa condi√ß√£o. O que a nossa av√≥ comeu, sentiu, viveu enquanto gerava a nossa m√£e influenciou diretamente a nossa gen√©tica. Coincidentemente, ap√≥s ler esse texto, cheguei a uma pesquisa apontado que algumas condi√ß√Ķes¬†psicol√≥gicas das av√≥s s√£o mais vistas ou ainda observadas em netos do que nas pr√≥prias filhas (se eu achar o link para pesquisa, posto aqui). Como, por exemplo, traumas. Incr√≠vel, n√£o?

E, desde a gravidez, tenho vontade de compartilhar esse meu conhecimento. Algumas amigas minhas, que ficaram gr√°vidas logo depois, at√© brincavam comigo dizendo que eu era a doula delas. Tirei muitas d√ļvidas e dei muitas dicas que, literalmente, mudaram a minha gravidez e o parto para melhor. Dicas nem sempre facilmente encontradas. Eu gostaria de compartilh√°-las com mais pessoas, colocar mais quest√Ķes e filosofar mais sobre o tema. Quem sabe possam ser √ļteis para outras tamb√©m? Ap√≥s meses gestando a ideia, quando a beb√™ dormiu, resolvi gravar o primeiro v√≠deo da pretendida s√©rie “Ci√™ncia da Maternidade”. Gravei¬†sem roteiro, de supet√£o, como diz minha m√£e. Editei¬†na madrugada, durante o sono da crian√ßa. Este √© um piloto. Aceito d√ļvidas, sugest√Ķes, cr√≠ticas e elogios (claro!). E, com esses v√≠deos, quero criar uma corrente do bem. Neste mundo √°rido para as m√£es e aos criadores em geral, quero deixar muito amor e palavras de conforto para acalentar os cora√ß√Ķes. <3 Bem-vinda a mais um primeiro filho!

Amamentar é psicológico

Fotos Marina-45Amiga (o)! Estou em falta com este blog. Espero que entenda que este ano resolvi me dedicar à maternidade, ao meu trabalho e à minha família. Estou vivendo um momento de me reencontrar. Afinal, maternidade é isso: psicológico.

Falando nisso, a bebê já completou um ano e eu sigo amamentando. Tive a sorte (e a preparação) de amamentar assim que a bebê nasceu sem nenhum empecilho e de continuar amamentando. A bebê saiu da maternidade mais gordinha do que nasceu, ou seja, ao contrário do que é esperado, ela não perdeu peso nos primeiros dias. Nem na primeira semana de vida. E nem durante todos os meses de amamentação exclusiva.

A amamenta√ß√£o seguiu tranquila at√© eu avacalhar e ter o peito rachado quando ela estava prestes a completar um ano. Como assim avacalhar? Comecei a amamentar deitada, de qualquer jeito, sem me preocupar com a t√£o falada ‚Äúpega correta‚ÄĚ. O resultado foram dias para meu peito cicatrizar. Ap√≥s eu voltar a tomar cuidado, ele melhorou. Assim, muitas futuras mam√£es e at√© atuais m√£es me perguntam como consegui a fa√ßanha de amamentar ‚Äď quase ‚Äď sem problemas. O segredo? Ah, como diz o livro hom√īnimo √©… psicol√≥gico.

 

Tudo de bom

Bom, os benef√≠cios da amamenta√ß√£o j√° foram exaustivamente abordados e estudados. Entre eles, para a m√£e est√£o: menor risco de desenvolver c√Ęncer de mama e de ov√°rio, menor risco de ter fraturas de quadril por osteoporose, voltar mais r√°pido ao peso de antes de engravidar, a barriga volta mais r√°pido ao que era antes de engravidar, o corpo libera endorfina que d√° sensa√ß√£o de prazer, a ocitocina liberada (‚Äúdroga do amor‚ÄĚ) tem diversos pap√©is como de refor√ßar a liga√ß√£o entre m√£e e filho, entre outros.

E para o beb√™? A cada pesquisa descobrem mais benef√≠cios. Ajuda o beb√™ a se acalmar, a n√£o ter as chamadas ‚Äúc√≥licas‚ÄĚ (aquele choro que ningu√©m consegue identificar a causa), fornece anticorpos, ajuda a elaborar o paladar para diversos alimentos (j√° que o gosto do leite muda de acordo com o que a m√£e ingere), pode reduzir a mortalidade infantil em at√© quase 25%, ajuda a maturar o intestino, √© o alimento mais rico em nutrientes que se pode oferecer ao beb√™, previne a hipotermia, protege contra infec√ß√Ķes gastrointestinais e respirat√≥rias, previne contra o desenvolvimento de alergias, entre um monte de outras coisas.

 

√Č obrigat√≥rio?

Tem mãe que não quer amamentar. E essa é uma escolha. Ela não é menos mãe ou ama menos seu filho por isso. A decisão deve ser respeitada. Tem mãe que não pode amamentar. Algumas doenças como HIV e hepatites acredita-se que podem ser transmitidas via aleitamento materno. Em outros casos, a mãe precisa tomar alguns medicamentos de uso contínuo que também podem ser passados para o leite, contraindicando a amamentação. Também existem casos de mães que fizeram plásticas no seio que danificaram os dutos lactíferos. Em outros raros casos, as mães querem, mas não conseguem amamentar. Lembrando que mães com bico invertido ou plano conseguem amamentar, podem ter mais dificuldade, mas querer pode ser poder.

E qual o segredo do sucesso? Paci√™ncia, em primeiro lugar. E pega correta, disputando o p√°reo. Amamentar requer tempo. Disposi√ß√£o. Quando a gente amamenta, a gente cansa. Sua. Emagrece. Parece que corremos a maratona. Principalmente durante a noite, o ato de amamentar libera melatonina (subst√Ęncia respons√°vel por ajudar a regular nosso rel√≥gio biol√≥gico sobre dia e noite), o que d√° um sono incontrol√°vel. In-con-tro-l√°-vel. Deve ser por isso que dizem que a amamenta√ß√£o substitui o sexo. N√£o substitui, mas d√° um sono… Por isso que beb√™s e m√£es parecem desmaiados ap√≥s a amamenta√ß√£o.

 

O segredo

Bom, amamentar requer tempo. Demora. O beb√™ novinho suga devagar. √Äs vezes, eles querem ficar no peito, independente da idade, em busca de prote√ß√£o e aconchego. Outras, choram e esperneiam porque o leite desce devagar. Se ele est√° nervoso, basta amamentar para que se acalme ‚Äď as batidas de ambos os cora√ß√Ķes tendem a se regularem iguais. Quando voc√™ amamenta, sinaliza para a crian√ßa que ela est√° segura, que aquele √© um lugar seguro.

Sem contar que, como disse acima, amamentar requer energia. Eu ingiro muito mais calorias, acho que quase 800 calorias mais por dia (esse n√ļmero varia entre m√£es e filhos) do que antes da gravidez. Na gravidez, creio que basta ingerir no m√°ximo mais 400 calorias por dia. Voc√™ parece calma sentada por horas, mas cansa! D√° at√© calor. Como se estiv√©ssemos, mesmo, nos exercitando na academia. Sem contar que temos que ficar alerta para n√£o dormir enquanto amamentamos. Pode ser perigoso sufocar ou derrubar o beb√™. Est√° caindo de sono? Amamente sentada no ch√£o e com pouca almofada. Ou… pe√ßa para algu√©m ficar ao seu lado te acordando, rs (isso quando a pessoa ao lado n√£o dorme e √© voc√™ quem tem que acord√°-la na madrugada!). Voc√™ est√° dormindo? O ajudante responde: ‚ÄúN√£o, apenas estou descansando os olhos‚ÄĚ. Est√° bom, rs.

E o que √© a tal da lend√°ria ‚Äúpega correta‚ÄĚ? √Č o jeito que o beb√™ abocanha. Da maneira correta, n√£o deve doer. No come√ßo, assim que ele nasce, pode incomodar. Mas com o tempo voc√™ n√£o sentir√° nada ‚Äď apenas o leite descendo podendo at√© dar pontada nos seios. O beb√™ deve abocanhar quase toda a parte debaixo da aur√©ola ficando com uma boca parecida com de peixinho na parte de cima. Veja aqui. Com o maxilar, ele bombeia o leite (dentro da aur√©ola h√° uma esp√©cie de bombinha que ajuda a puxar o leite).

Parece m√°gica da natureza. Nosso corpo √© incr√≠vel e mais ainda como o c√©rebro age. Voc√™ sabia que at√© m√£es que adotam podem conseguir amamentar? Colocando o beb√™ no seio e com os horm√īnios liberados pelo c√©rebro, ela pode come√ßar a produzir leite. √Č impressionante.

 

Dicas

Abaixo seguem minhas dicas (uma compila√ß√£o de instru√ß√Ķes fornecidas por minha obstetra, pela pediatra, pela minha fisioterapeuta e proveniente de infinitas leituras). Prepare-se para a amamenta√ß√£o antes do beb√™ nascer. Deram certo para mim. De repente, podem te ajudar:

  • A partir da 37¬™ semana de gesta√ß√£o, tente com sua m√£o formar um bico no bico do seu seio;
  • Antes do beb√™ nascer, combine com a obstetra que voc√™ quer amamentar logo ap√≥s parir se esse n√£o for o procedimento do local;
  • Tome ao menos quatro litros de √°gua por dia! Sem √°gua, sem leite;
  • Tenha paci√™ncia;
  • Insista sempre;
  • Procure n√£o se estressar;
  • Evite oferecer chupeta, ela pode confundir o beb√™ prejudicando a pega (e pequisas indicam que beb√™ que usa chupeta larga o seio mais cedo do que os que n√£o usam);
  • Evite oferecer mamadeiras, elas tamb√©m podem atrapalhar a pega e fazer o beb√™ largar antes o seio, j√° que voc√™ produzir√° menos leite e o leite da mamadeira sai mais f√°cil. Se precisar, ofere√ßa leite no copo ou na colher (sim, d√° um trabalh√£o, o segredo √© n√£o deixar o beb√™ se esgoelar de fome);
  • Est√° sentindo que est√° com pouco leite? Est√° estressada? Deixe o beb√™ sugando no seu peito. O ato ajuda a estimular a volta da produ√ß√£o de leite;
  • Confie no beb√™;
  • Use suti√£s adequados (inclusive na hora de dormir) ao tamanho do seu seio (isso tamb√©m ajuda a manter o peito firme);
  • Conchas de prote√ß√£o podem ajudar a dessensibilizar o bico do peito;
  • No primeiro dia ap√≥s o parto e durante dois dias, massageie o seio com movimentos circulares de fora para perto do bico para evitar que empedre e a mastite. Tamb√©m vale chacoalh√°-los, rs;
  • O bico pode ser um lugar exposto a bact√©rias que causam infec√ß√Ķes. Tome banho lavando da cabe√ßa aos p√©s, cuidado em piscinas;
  • Rachou? Passe lanolina no primeiro dia, use concha e deixe o bico do seio exposto ao ar;
  • Sempre que poss√≠vel, deixe o bico do seio secando ao ar livre;
  • Impe√ßa que o beb√™ puxe ou empurre o seio;
  • Evite lavar o peito ap√≥s amamentar. Lave apenas no banho, normalmente. Evite passar sabonete no bico;
  • Use roupas confort√°veis;
  • Sente-se com a coluna ereta;
  • Posicione o beb√™ na altura do peito com o aux√≠lio de travesseiros ou almofadas enquanto amamenta;
  • Procure sentar como ‚Äú√≠ndia‚ÄĚ para melhorar a circula√ß√£o nas pernas;
  • Evite gritar enquanto amamenta. Imagine algu√©m gritando no seu ouvido enquanto voc√™ se alimenta;
  • Aceite e pe√ßa ajuda com os outros afazeres;
  • Se alimente bem, coma alimentos saud√°veis;
  • O beb√™ n√£o est√° ganhando peso? Saiba que nos primeiros minutos o leite que sai tem mais anticorpos e √°gua, o leite mais gordo (com calorias) vem depois. Portanto, deixe ao menos o beb√™ 15 minutos seguidos em cada seio;
  • Est√° cansada da livre demanda? Ofere√ßa um peito por pelo menos meia hora e mexa no pezinho do beb√™ para que ele n√£o durma enquanto mama. Deixe ele com menos roupa para n√£o dormir. Em seguida, troque a fralda do beb√™ para que ele acorde mais e coloque um pouco mais de roupa adequada ao clima. Ofere√ßa o outro seio por pelo menos mais 15 minutos. Se ele dormir, aproveite para descansar ap√≥s coloc√°-lo por 15 minutos ‚Äúpara arrotar‚ÄĚ. Geralmente, neste esquema, os beb√™s acabam mamando entre duas e tr√™s horas de intervalo. Se ganhar peso, parab√©ns, continue assim.
  • Ofere√ßa o √ļltimo seio primeiro;
  • Curta cada precioso momento. As crian√ßas mamam por pouco tempo. Passa r√°pido.

Se você quer muito amamentar e não está conseguindo, procure ajuda. Se você não quer, tudo bem. O importante é ser feliz!

Foto: Poline Lys.

Maternidade: cinco motivos para se sentir muito mamífera

peNunca me senti tão mamífera em minha vida. Lembro-me que, quando era adolescente, fiz um um vídeo engraçadinho com um colega de classe no Zoológico de São Paulo sobre o Reino Animal. No final, nos filmávamos mostrando que éramos parte da natureza, exemplo de uma espécie de mamíferos (pena que a professora ficou com a fita VHS, hunf). Mas esta vida vivida sobre o asfalto, desconectada da terra, pode levar os homo sapiens a se julgarem reis de um reino à parte. Síndrome do Pequeno Príncipe. Até vir a maternidade e, ufa, jogar todo esse concreto no ventilador!

Como eu tenho vivenciado, literalmente na pele, essa emo√ß√£o, resolvi compartilha os cinco principais motivos que me fazem sentir extremamente mam√≠fera. Se voc√™ √© pai, seja paciente com a m√£e (tenha ela parido ou adotado). Se voc√™ tem filhos, pode se identificar. Se voc√™ est√° gr√°vida ou √© ‚Äútentante‚ÄĚ, veja o que te espera! Acima de tudo, saiba que √© uma del√≠cia lembrar que somos animais. Como se tivesse me conectando, novamente, com Gaia.

Lembrando que a ciência não é exata, ainda mais quando se trata de maternidade, vamos ao top five:

 

 5. Colinho

O beb√™ n√£o chora √† toa. Cada autor determina uma idade diferente para afirmar que a crian√ßa faz a famosa ‚Äúmanha‚ÄĚ. Tem pesquisador que diz que √© com dois anos, outros com cinco, sete ou mais! ‚ÄúO choro do beb√™ pode ser pelos principais motivos: fome, sono, calor, frio, coc√ī, xixi ou aconchego‚ÄĚ, disse uma enfermeira carrancuda para n√≥s, pais novos, no √ļltimo dia em que est√°vamos na maternidade. Sim, a crian√ßa tem necessidade de colinho. No tempo das cavernas, se voc√™ deixasse seu beb√™ no ch√£o, ele poderia morrer por in√ļmeros motivos. √Č no colo, principalmente da m√£e, que ele se sente seguro. Quando o beb√™ come√ßa a reconhecer seus cuidadores (a chorar no colo dos ‚Äúestranhos‚ÄĚ, o que √© sinal da sua evolu√ß√£o cognitiva), chega at√© a buscar o olhar da m√£e para checar se o¬†colo do outro √© seguro. Algumas pesquisas cient√≠ficas, inclusive, mostram que crian√ßas que ficam no sling (aquela ‚Äúrede‚ÄĚ de levar o beb√™ junto ao corpo) choram menos. Assim, eu me sinto uma macaca ou uma tamandu√°. Sempre carregando minha cria comigo, seja pendurando a roupa no varal, guardando a lou√ßa ou comprando algo por a√≠.

 

4. Antissocial

Em algumas fases da maternidade, as m√£es se tornam antissociais. Por exemplo, nos primeiros quatro meses de gravidez √© comum as futuras mam√£es n√£o quererem sair de casa ou conversar com amigos (mesmo aquela que adorava passar madrugadas bebendo no boteco). As explica√ß√Ķes s√£o in√ļmeras. No come√ßo da gravidez, a mulher sente muito sono. Al√©m disso, √© uma fase delicada: quando mais h√° aborto espont√Ęneo e quando o que n√≥s ingerimos ou doen√ßas que pegamos podem prejudicar mais o desenvolvimento do embri√£o (este se torna feto l√° pela pela d√©cima semana, quando os principais √≥rg√£os est√£o formados). Ap√≥s o nascimento, talvez pela exaust√£o em ter que amamentar a cada tr√™s horas e pela adapta√ß√£o √† nova vida com uma vida nova nos bra√ßos, as m√£es tamb√©m costumam permanecer¬†antissociais. Outra explica√ß√£o pode ser porque a crian√ßa rec√©m-nascida √© muito vulner√°vel. A maioria das doen√ßas que, para adultos sadios n√£o fazem c√≥cegas, em rec√©m-nascidos pode ser fatal. Assim, a s√°bia natureza faz a m√£e ficar quietinha se recuperando com a cria em casa.

 

3. Proximidade

Este √© um comportamento que jamais imaginei que teria (o mesmo serve para o antissocial, rs): neura longe do beb√™. Simplesmente, √© quase insuport√°vel ficar longe do bebezinho, pior ainda se ele s√≥ se alimenta mamando no peito. Parece que um peda√ßo seu est√° faltando. Um peda√ßo, ali√°s, que acabou de existir. √Č muito, mas muito estranho. D√° medo de acontecer alguma coisa conosco que nos impedir√° de chegar a tempo para¬†amamentar o beb√™. E o beb√™, pode ter certeza, ficar√° se esgoelando de fome. A vontade √© de ficar grudadinha, corpo a corpo, o tempo inteiro com o beb√™. Mais um comportamento de prote√ß√£o da esp√©cie da s√°bia m√£e natureza.

 

Katy_Perry_California_Gurls

2. Amamentação

Este dispensa muita explica√ß√£o, concorda? Quer fato mais maravilhoso e animal do que ver sua cria crescendo apenas se amamentando com o leite produzido pelo seu pr√≥prio corpo? Eu at√© suo amamentando. Fico exausta, mesmo permanecendo parada ao amamentar! Bom, tenho v√°rias curiosidades sobre o assunto. Pesquisas recentes mostram que o corpo guarda no culote, t√£o detestado pelas pr√≥prias mulheres na nossa atual sociedade, nutrientes important√≠ssimos enviados para o beb√™ via leite materno. Ser√° por isso que homens acham mulheres com culote mais atraentes? Afinal, beleza tem liga√ß√£o com sa√ļde e preserva√ß√£o da esp√©cie‚Ķ Outra curiosidade √© que o leite materno tem subst√Ęncias como melatonina, em maior quantidade durante a noite. Ela √© um horm√īnio que ajuda a regular o sono. Portanto, deixa o beb√™ com sono para a mam√£e ter horas de descanso revigorante. Sobre quest√£o mais f√≠sica, sabia que o bico do peito tem uma esp√©cie de ‚Äúdispositivo‚ÄĚ? Quando o seio n√£o est√° muito cheio de leite, deixar o bico para cima e o suti√£ bem preso, segurando o peito para cima, evita que o leite vaze. Pode reparar: o beb√™ coloca o bico para baixo e aperta a aur√©ola como se estivesse bombeando o leite. Por isso, se a m√£e est√° sentindo dor no peito ao amamentar, alguma coisa est√° errada. Com a famosa ‚Äúpega‚ÄĚ correta, sai mais leite.

 

 1. Gravidez

Outro estado de corpo e de alma livre de explica√ß√Ķes. Eu me sentia uma canguru, carregando meu filhotinho dentro da bolsa. Como gosto de ler e mais ainda sobre fatos cient√≠ficos‚Ķ Imagine o tanto que pesquisei sobre o tema durante a minha condi√ß√£o grav√≠dica. Desde a gravidez, o corpo guarda e d√° para o beb√™ tudo o que h√° de melhor dentro de voc√™. Portanto, voc√™ pode ter uma anemia se n√£o se cuidar, porque aquele bichinho hospedeiro est√° sugando tudo o que h√° de melhor em seu corpo. Seu corpo – e mente – trabalha em fun√ß√£o dele. Dizem que pode haver at√© mudan√ßas f√≠sicas no c√©rebro da gr√°vida! O que pode explicar o porqu√™ de gr√°vidas terem problemas de mem√≥rias de curto prazo e de concentra√ß√£o. Para compensar, acredita-se que gr√°vida pode aprender mais r√°pido e ter melhor capacidade de resolver problemas. Como me disseram, se f√īssemos r√©pteis, seria mais pr√°tico. Botar√≠amos ovo e a cria se viraria comendo o que est√° dentro do ovo. Depois, sairia buscando seu alimento. Mas existe coisa mais bela do que se doar para o pr√≥ximo e am√°-lo como a si mesmo?

 

Obs.: Não coloquei referências bibliográficas porque leio muito artigo pelo celular e, infelizmente, acabo perdendo os links.

Ter filho te deixar√° mais incompleta

maternidadeEu poderia estar dormindo, poderia estar comendo, poderia estar malhando, meditando, lendo, fazendo ioga, xixi. Mas, enquanto a beb√™ dorme, estou aqui para te alertar: ter filho te far√° se sentir mais incompleta. Uma conversa que tive esta semana com a Maria Guimar√£es, bi√≥loga-jornalista e uma das autoras do blog Ci√™ncia e Ideias, me fez refletir sobre esse sentimento. Na verdade, esta semana, eu iria escrever um post sobre c√≥licas em beb√™s e pesquisas sobre o assunto, mas deixo para uma pr√≥xima. Vou usar esta meia hora que tenho para avisar ‚Äúazamigas‚ÄĚ.

N√£o sei o porqu√™ voc√™ resolveu ter filho. N√£o sei se eu escolhi parir para me sentir mais ‚Äúcompleta‚ÄĚ. Acho que os genes falaram mais alto: um brinde para a perpetua√ß√£o da esp√©cie. H√° anos li um post da Paula Signorini, uma das autoras do blog Rastro de Carbono, que nunca esqueci (ATEN√á√ÉO: N√ÉO ESTOU COLOCANDO REFER√äNCIAS DE LEITURAS E DE PESQUISAS NOS POTS ATUAIS PORQUE LEIO PELO CELULAR E ESCREVO PELO COMPUTADOR. PORTANTO, FA√áO AS AN√ĀLISES COM BASE EM ARTIGOS CIENT√ćFICOS E OUTROS AUTORES, MAS SEM TEMPO PARA PROCURAR TUDO E COLOCAR AQUI). Nele, a Paula questiona a rela√ß√£o entre ter filhos e a degrada√ß√£o do planeta. Minha desculpa para ter √© essa: criar uma pessoa para que ela ajude a formar um mundo mais harmonioso para vivermos. Que combata o aquecimento global como a m√£e faz, hoje, trabalhando na Iniciativa Verde. Que tenha compaix√£o, respeito pelos outros seres e pela natureza. Que seja feliz procurando a felicidade dentro de si.

Quando estava gr√°vida, amigas eram sinceras comigo. Diziam: ‚ÄúQuando ela nascer, voc√™ sentir√° que um peda√ßo seu estar√° fora de voc√™‚ÄĚ. At√© minha obstetra advertiu: ‚ÄúEu digo que o cord√£o umbilical √© cortado v√°rias vezes durante a vida, se prepare para quando voltar a trabalhar‚ÄĚ. Sempre fui uma pessoa independente dentro das condi√ß√Ķes de cada momento. Ou procurei ser. Nunca imaginei que seria uma m√£e dedicada. Tamb√©m me descobri mais paciente e tolerante √†s necessidades fisiol√≥gicas como o sono. Qualidades que eu tinha, mas n√£o nesse tamanho. Por isso, quero aproveitar a me retratar com as demais m√£es que um dia critiquei – at√© por serem t√£o pacientes que se tornaram fastidiosas. Realmente, voc√™ s√≥ sabe como ser√° como m√£e quando nascer ou adotar um rebento (ali√°s, nascimento √© uma forma de ado√ß√£o).

E por que voc√™ se sente, ent√£o, mais incompleta? Desde o nascimento, aquele peda√ßo que um dia esteve, literalmente, dentro de voc√™ vai desenvolvendo autonomia. Ele deixa de se alimentar via placenta (ali√°s, sabia que a imunidade da gr√°vida cai, um dos motivos, porque o beb√™ √© um corpo estranho – tem genes do pai – e as c√©lulas de defesa precisam toler√°-lo para que ele n√£o seja abortado?) para se nutrir do leite produzido pelo teu corpo (outra curiosidade: parte da gordura e dos anticorpos que o beb√™ recebe s√£o ‚Äúretirados‚ÄĚ do culote. Portanto, agrade√ßa √†s gordurinhas localizadas pela sa√ļde do teu filho). Depois, vai se descolando do seu seio para receber frutas e legumes.

‚ÄúOs filhos s√£o do mundo‚ÄĚ, lembra o ditado. √Č verdade. Mas, cada vez que eles se ‚Äúdistanciam‚ÄĚ do seu umbigo, mais voc√™ se sentir√° incompleta. Aquele pedacinho originado por seu querido √≥vulo (que j√° estava pronto antes de voc√™ nascer, ou seja, voc√™ carregava o projeto de filho j√° quando vivia dentro da barriga da sua m√£e), deve ganhar o mundo. Isso √© ser saud√°vel. Am√©m. Assim que deve ser. Ent√£o, querida mam√£e, vou te dar um conselho: leve o mundo dentro de si.

Pais conversam mais sobre drogas do que ciências nos EUA

Pais afirmaram que matérias como matemática e ciências são mais difíceis de discutir com os filhos do que falar sobre o uso de drogas, de acordo com pesquisa da Intel Corporation Рaquela fabricante de chips Рrealizada nos Estados Unidos. Creio que aqui, no país tropical, não seja diferente.
Apesar de mais de 50% dos pais classificarem matemática e ciências como fundamentais para o futuro sucesso dos filhos, eles alegam desconforto para papear com os filhotes sobre essas matérias. Cerca de um quarto dos entrevistados dizem que a principal barreira é a própria falta de conhecimento dos próprios pais nessas disciplinas.
Na semana passada, a Avalia√ß√£o Nacional do Progresso Educacional (NAEP, em ingl√™s), revelou que menos de 40% dos alunos entre o quarto e o oitavo ano nos Estados Unidos s√£o proficientes em matem√°tica. T√ī pasma, benh√™. “A liga√ß√£o entre as disciplinas de matem√°tica e ci√™ncias e a inova√ß√£o e competitividade americana est√° mais aparente do que nunca”, disse Shelly Esque, vice-presidente do Grupo de Assuntos Corporativos da Intel.
A pesquisa foi online, realizada entre os dias 23 e 28 de setembro de 2009, pela Penn Schoen and Berland Associates a pedido da Intel. Foram entrevistados 561 adultos com filhos entre 5 e 18 anos. A margem de erro é de cerca de 4.14%. Para saber mais, clique aqui, in english.