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Grávida: você já ouviu falar sobre fisioterapia para o períneo?

Olá! Faz tempo que não apareço por aqui. Quero voltar a escrever mais para o Xis-xis, sinto uma necessidade absurda de trocar ideias, mas ando muito dedicada ao trabalho e, nas horas vagas, à minha bebê (passa tãaao rápido)! Por isso, convido a acompanhar os textos e atividades publicados lá no site da ONG Iniciativa Verde, onde cuido da comunicação. Tem coisa muito bacana que se relaciona com ciência, meio ambiente e, acima de tudo, à busca em melhorar a qualidade de vida de todos. Eventualmente, também publico algum texto mais profissional no LinkeIn. Passe lá também, se possível.

Agora, voltando √† programa√ß√£o, o assunto de hoje √©‚Ķ beb√™! Quer dizer, sa√ļde feminina durante a gesta√ß√£o. Quando engravidei, minha vontade era de ter um parto vaginal, com menos interfer√™ncia m√©dica desnecess√°ria poss√≠vel. Tive a sorte e o privil√©gio de j√° me consultar com uma ginecologista e obstetra honesta que me ajudou a realizar esse sonho do parto normal. Desde o pr√©-natal, me indicava a√ß√Ķes e cuidados para que eu tivesse um parto mais tranquilo poss√≠vel. Uma das indica√ß√Ķes foi a fisioterapia perineal.

Eu estava por volta das 20 e poucas¬†semanas de gesta√ß√£o e, como de costume, j√° havia lido muito sobre a gravidez em si. Em umas dessas leituras e conversas em um grupo de ioga para gr√°vidas, tinha me deparado com a tal da fisioterapia perineal. A obstetra foi incisiva: ‚ÄúSe quer ter um parto normal, voc√™ tem que fazer essa fisioterapia‚ÄĚ. Curiosa como eu, n√£o precisava dessa praticamente ordem para me convencer. Eu j√° queria mesmo. Bastava saber a data mais indicada para come√ßar.

Foi, assim, que conheci a Dra. Carla Dellabarba Petricelli, fisioterapeuta especializada em Uroginecologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S√£o Paulo (Unifesp/EPM) e mestre em Ci√™ncias da Sa√ļde pelo Departamento de Obstetr√≠cia (Unifesp/EPM). A obstetra a indicou. Delicada, calma e paciente, na primeira sess√£o de fisioterapia Petricelli fez uma entrevista, explicou como seriam os exerc√≠cios e uma an√°lise de como eu me encontrava.

Pode at√© parecer constrangedor no primeiro momento, visto que √© uma fisioterapia que engloba a regi√£o genital. Mas, confesso, depois da segunda sess√£o, eu me divertia contando para amigas e parentes sobre os exerc√≠cios para o per√≠neo. Devido a essa curiosidade que a fisioterapia perineal desperta e √† import√Ęncia dela, convidei a fisioterapeuta para esclarecer algumas d√ļvidas sobre o seu trabalho aqui no Xis-xis.

Carregando a bebê, mas fora da barriga. Uma foto de um bom momento para ilustrar.
Carregando a bebê, mas fora da barriga. Uma foto de um bom momento para ilustrar.

Para a minha gestação e parto, o trabalho da Dra. Carla foi fundamental. Graças a ela, eu já sabia o que esperar na hora do expulsivo, a maneira mais indicada de agir em cada etapa do trabalho de parto, conheci melhor o meu corpo grávido, minha musculatura perineal e abdominal voltou ao lugar rapidamente após o parto, tive poucas dores musculares na parte de baixo barriga durante a gravidez, psicologicamente estava mais segura para o parto e até para o pós-parto no que diz respeito ao meu corpo. Sou muito grata por ter tido essa oportunidade.

Leia a entrevista abaixo! O que melhor ser fazer: perguntar.¬†Espero que seja √ļtil a voc√™ tamb√©m! E, para a Carla, s√≥ tenho que agradecer e desejar um futuro mais brilhante! <3

Isis Rosa N√≥bile Diniz ‚ÄstO que √© a fisioterapia perineal? Que m√ļsculos ela trabalha?
Dra. Carla Dellabarba Petricelli ‚Äď A fisioterapia √© uma ci√™ncia da sa√ļde que estuda, avalia, previne e trata disfun√ß√Ķes acerca do movimento humano. A fisioterapia tem diversas √°reas de atua√ß√£o, as mais conhecidas s√£o: fisioterapia ortop√©dica, cardio-respirat√≥ria, neurol√≥gica, esportiva. Na sa√ļde da mulher, a fisioterapia uroginecol√≥gica e/ou fisioterapia p√©lvica trabalha nas disfun√ß√Ķes dos m√ļsculos do assoalho p√©lvico ou tamb√©m conhecido como per√≠neo. Esses m√ļsculos tem fun√ß√Ķes muito importantes para a mulher, pois al√©m de sustentar os √≥rg√£os p√©lvicos (bexiga, √ļtero, intestino) no seus devidos lugares, auxilia na contin√™ncia urin√°ria e fecal, melhora a resposta org√°smica, e al√©m disso, tem a capacidade de se alongar para o nascimento do beb√™. Quando esses m√ļsculos est√£o fracos, a mulher pode ter problemas de incontin√™ncia urin√°ria ou fecal, podem sofrer de disfun√ß√Ķes sexuais ou ter a descida dos √≥rg√£os citados acima.

Isis¬†‚Äď Quem √© o fisioterapeuta perineal? Quais profissionais pode passar exerc√≠cios? Existem diferentes t√©cnicas como o uso do epi-no ou outros m√©todos? Qual a principal indica√ß√£o de cada?Dra. Carla¬†‚ÄstO profissional que deve atuar nesse √°rea √© o fisioterapeuta (pois √© ele quem estuda e entende todas as disfun√ß√Ķes acerca da musculatura perineal). Ent√£o, √© o fisioterapeuta especializado em assoalho p√©lvico (que estudou uroginecologia, sa√ļde da mulher ou fisioterapia p√©lvica) que pode prescrever exerc√≠cios perineais, pois a paciente passar√° por uma avalia√ß√£o espec√≠fica para saber o grau de for√ßa muscular dessa regi√£o e, a partir da√≠, o profissional ir√° montar um protocolo de exerc√≠cios individual para aquele paciente, focando no fortalecimento muscular.

Dependendo do grau de fraqueza muscular, n√£o trabalhamos apenas com exerc√≠cios, utilizamos recursos espec√≠ficos para auxiliar no ganho de for√ßa muscular como a eletroestimula√ß√£o perineal (recurso usado em outras fases da vida da mulher, quando o m√ļsculo n√£o consegue contrair voluntariamente, esse equipamento ajuda o m√ļsculo a ganhar for√ßa “passivamente”), cones vaginais (s√£o pesos que quando colocados na vagina incrementam o ganho de for√ßa) entre outros. Apesar de trabalharmos muito com o fortalecimento muscular para tratar disfun√ß√Ķes, tamb√©m podemos atuar no final da gesta√ß√£o, com o alongamento perineal. Nesse caso, usamos um equipamento conhecido com Epi-no, que foi desenvolvido por uma empresa alem√£, com o intuito de treinar essa regi√£o para as demandas do parto.

Isis¬†‚ÄstUma pergunta envergonhada: qual a diferen√ßa da fisioterapia para o pompoarismo?
Dra. Carla¬†‚ÄstO pompoarismo √© oriundo da cultura indiana em que as mulheres s√£o ensinadas a contrair os seus m√ļsculos perineais voluntariamente durante a rela√ß√£o sexual a fim de adquirir maior prazer sexual. N√£o existe diferen√ßa no movimento realizado, existe diferen√ßa no foco do tratamento. O fisioterapeuta ir√° trabalhar os m√ļsculos com intuito de reabilitar a fun√ß√£o muscular e at√© tratar disfun√ß√Ķes sexuais com o mesmo exerc√≠cio.

Isis¬†‚Äď Por que ela √© importante para o parto? Ela evita a “bexiga ca√≠da”? Evita a lacera√ß√£o ou que se fa√ßa a episiotomia?
Dra. Carla¬†‚ÄstVamos l√°, os exerc√≠cios perineais com o intuito de fortalecimento muscular s√£o importantes na gesta√ß√£o para prevenir o enfraquecimento desses m√ļsculos e impedir as incontin√™ncias urin√°ria e fecal, que muitas vezes come√ßam a surgir na gesta√ß√£o e n√£o apenas no p√≥s-parto. Ent√£o, √© de extrema import√Ęncia esse treino muscular, para evitar sim a “descida” dos √≥rg√£os p√©lvicos, at√© aproximadamente 32 semanas de gesta√ß√£o.

Depois desse per√≠odo, deve-se manter o treinamento de for√ßa muscular, mas come√ßamos a mudar o foco e fazemos o alongamento perineal com o Epi-no. Esse equipamento √© um exercitador que foi criado para treinar o per√≠odo expulsivo com a paciente. Nele, a mulher sente os m√ļsculos do per√≠neo sendo alongados at√© a sua capacidade m√°xima e depois ela treina a forma como deve expulsar o bal√£o inflado. √Č claro que esse alongamento deve ser feito com o aux√≠lio de um fisioterapeuta e, dessa forma, a mulher melhora esse alongamento at√© o momento do nascimento do beb√™.

Existem v√°rios artigos cient√≠ficos que falam de uma grande chance do per√≠neo permanecer √≠ntegro, ou seja, sem que a paciente tenha lacera√ß√£o (quando o m√ļsculo se rasga durante a passagem do beb√™) ou precisar de episiotomia (corte na vagina para facilitar a passagem do beb√™). Os estudos s√£o muito recentes e ainda tem muito a ser estudado, mas para que se tenha sucesso nesse treinamento, o paciente deve procurar um fisioterapeuta para entender como realizar o treinamento, porque existem particularidades no posicionamento do aparelho e como proceder durante toda a sess√£o.

Isis¬†‚ÄstE para o p√≥s-parto, qual a sua relev√Ęncia?
Dra. Carla¬†‚ÄstNo p√≥s-parto, o mais importante √© fortalecer os m√ļsculos para que a paciente n√£o tenha nenhuma disfun√ß√£o desse grupo muscular. Esse treino j√° pode ser feito ap√≥s oito horas de parto vaginal ou ces√°rea.

Isis¬†‚Äď Ali√°s, outra curiosidade: homem tamb√©m pode fazer? Em quais situa√ß√Ķes √© indicada?
Dra. Carla¬†‚ÄstGeralmente, os homens apresentam queixa nessa regi√£o ap√≥s cirurgia de retirada de pr√≥stata, em que ficam incontinentes. Precisa de um fisioterapeuta para avaliar a for√ßa muscular e reabilitar essa musculatura para melhorar o quadro de incontin√™ncia urin√°ria.

Isis¬†‚Äď Acredita que com o aumento de parto humanizado e valoriza√ß√£o do parto normal, existe uma procura maior por esse tipo de fisioterapia? As pessoas t√™m vergonha de dizer que fazem? Como escolher um profissional adequado?
Dra. Carla¬†‚ÄstSim, na verdade atualmente as mulheres est√£o tendo mais informa√ß√Ķes sobre o parto normal e enfrentando os seus medos acerca da dor que sentir√£o ou do tempo de trabalho de parto e outros fantasmas. E as informa√ß√Ķes obtidas t√™m facilitado a procura da fisioterapia. E isso tem sido libertador, porque muitas pacientes tem ajudado a divulgar o trabalho que a fisioterapia realiza, n√£o sinto que as mesmas tenham vergonha ao falar desse servi√ßo. Para escolher um profissional adequado √© preciso saber a sua forma√ß√£o e a sua experi√™ncia profissional. Colegas de outras profiss√Ķes acabam indicando como obstetras e/ou enfermeiros.

Isis¬†‚Äď Antigamente, as mulheres faziam mais trabalhos f√≠sicos, caminhavam mais, eram mais fisicamente ativas. Acredita que, por isso, elas pariam com maior facilidade?
Dra. Carla¬†‚ÄstJ√° existem alguns estudos que falam que mulheres ativas apresentam partos mais r√°pidos e sua recupera√ß√£o √© melhor comparadas √†s sedent√°rias. Por isso que estimulamos a atividade f√≠sica na gesta√ß√£o, mesmo quando a paciente √© sedent√°ria orientamos que inicie alguma atividade. A fisioterapia p√©lvica pode complementar a atividade j√° realizada com exerc√≠cios globais mais direcionados que auxiliar√£o no trabalho de parto e no per√≠odo expulsivo.

 

22 dicas sobre o parto e pós-parto que quero contar para minhas amigas

img_7528Vejo minhas amigas gr√°vidas pela primeira vez e lembro-me das minhas d√ļvidas quando eu era gestante e, principalmente, da inquieta√ß√£o relacionada ao desconhecido parto. A gente acha que parir √© parecido ao retratado em um filme roliudiano. Voc√™ come√ßa a ter contra√ß√£o, sente muita dor, corre logo para o hospital, d√° uns gritos e a crian√ßa nasce. Pode ser assim, mas geralmente n√£o √© nada disso. Parir √© mais visceral, animalesco e muito √≠ntimo. √Č uma volta ao seu interior.

Durante o parto da minha bebê, eu cheguei ao hospital toda querendo ser phyna. Fazer xixi de porta aberta? Surtei. Como assim? Meu marido ia me ver sentada no vaso sanitário? Expulsei ele do banheiro da sala de parto e até hoje recordo da expressão tranquila, de acolhimento, de aceitação e atenta dele preocupado em cuidar de nós duas. Cheguei ao hospital com cinco centímetros de dilatação e fiquei presa entre esses e os sete por um tempo. Creio que por três horas e pouco.

Quando me entreguei ao desconhecido, ao que eu queria fazer, gemer e, principalmente, quando me interiorizei, o parto evoluiu mais rápido (cheguei ao hospital cerca de 11h30 da noite e antes das 5h da manhã a bebê nascia). A dor diminuiu, soube lidar melhor com ela e me corpo indicava o que era melhor para nós. Sem gritar (guardei a energia para usá-la durante o expulsivo).

Por exemplo, acredite se quiser. Depois da anestesia √© comum as contra√ß√Ķes diminu√≠rem ou ficarem irregulares. Tamb√©m h√° uma preocupa√ß√£o especial com os batimentos card√≠acos do beb√™, que podem diminuir devido ao rem√©dio. Nestes casos, os m√©dicos podem injetar ocitocina para que as contra√ß√Ķes continuem ritmadas e intensas.

Debati com a obstetra porque eu queria a menor interfer√™ncia m√©dica poss√≠vel no parto, de jeito algum abrindo m√£o de algumas facilidades da medicina contempor√Ęnea, e ela j√° sabia disso. Como as contra√ß√Ķes estavam muito zuadas (perd√£o a palavra, mas as ondas viraram gr√°ficos bizarros como os econ√īmicos) e os batimentos da beb√™ ca√≠ram algumas vezes, a m√©dica falou que daria ‚Äús√≥ um pouco de nada de ocitocina‚ÄĚ. Concordei.

Bom, depois da anestesia, sem dor, minha vontade era apenas de meditar. Meditei por mais de 45 minutos. Entrei em uma paz, calma, felicidade indescrit√≠veis. Sei l√° para onde minha mente foi levada. O curioso √© que, toda vez que uma enfermeira, a obstetra ou o Santos anestesista (ele era uma gra√ßa, vale um post a parte, me acalmou ap√≥s ficarmos hora conversando sobre a hist√≥ria da medicina durante o trabalho de parto) entrava na sala para falar comigo, as contra√ß√Ķes desandavam. Quando eu voltava a meditar, elas voltavam a ter ritmo. Nem precisei de mais ocitocina.

Sou muito, mas muito grata a todos os envolvidos porque foi um parto m√°gico. Foi o segundo dia mais importante da minha vida ‚Äď o primeiro, quando nasci. Minha obstetra me auxiliou perfeitamente, com palavras certas nos momentos corretos. Eu li tanto que ningu√©m mais aguentava minhas cita√ß√Ķes. Fiz ioga com uma parteira maravilhosa. E conversei com muitas amigas j√° m√£es, mentoras at√© hoje. Gra√ßas a todo esse conhecimento, o desconhecido foi f√°cil de ser levado. Por isso, ap√≥s todo meu bl√°bl√°bl√° acima, quero compartilhar aqui informa√ß√Ķes que podem te acalmar. Espero ser √ļtil e que tenha um lindo parto!

O que esperar do parto normal e do pós-parto imediato?

  1. O mais importante: o parto √© √ļnico. Como cada gravidez, o parto e o p√≥s-parto s√£o diferentes para cada mulher. Portanto, a sequ√™ncia pode ser a mesma, mas a intensidade, o modo que voc√™ ir√° lidar com cada passo dele, √© diferente. Leia, mas n√£o se prenda ao passo-a-passo;
  2. Os pr√≥domos, sinais que indicam que o trabalho de parto est√° pr√≥ximo, podem come√ßar dias antes ou horas antes. Leia sobre eles para saber identificar ‚Äď lembrando que algumas mulheres n√£o t√™m nada! No meu caso, no dia anterior, estava com muitas contra√ß√Ķes irregulares. Foi um dia com contra√ß√£o a toda hora. Ainda sem dor, mas eram tantas que estranhei;
  3. O parto da primeira gravidez pode demorar ‚Äúmuito‚ÄĚ, a m√©dia √© de cerca de 13 horas, e quem manda √© a natureza. Desista de lutar contra ela. Se entregue e tenha ci√™ncia de que √© imposs√≠vel controlar tudo. Ali√°s, depois, a maternidade vai jogar na sua cara v√°rias vezes que n√£o podemos ter o dom√≠nio de tudo na vida. Tente aproveitar essa beleza;
  4. Voc√™ pode come√ßar a ter contra√ß√£o de treinamento com cinco meses e ter dilata√ß√£o com sete meses. Fique atenta, mas saiba que √© normal. Na d√ļvida, consulte quem far√° seu parto. Ah, o que √© contra√ß√£o de treinamento? Quando a barriga fica dura por um tempo e, depois, fica relaxada. Curta, √© maravilhoso;
  5. O trabalho de parto √© dividido em tr√™s fases: quando o colo do √ļtero est√° dilatando, a expuls√£o e a sa√≠da da placenta. A primeira fase √© a mais demorada. A de expuls√£o, quando fazemos for√ßa para tirar o beb√™, dura de minutos at√© cerca de uma hora e meia. A √ļltima √© rapidinha, n√£o se preocupe muito com esta. √Č comum os obstetras fazerem uma massagem de leve para ajudar a soltar a placenta;
  6. Dói muito? Depende e depende de como você encara essa dor. Generalizando, dói mesmo, para valer, por volta dos sete centímetros. Depois, o trabalho de parto costuma evoluir rápido e em pouco tempo você estará com o bebê no colo. Pode ser que doa muito para você desde os dois centímetros de dilatação, pode ser que você só sinta dor no expulsivo, pode ser que só doa muito por volta dos sete centímetros de dilatação (foi o mais comum relatado pelas minhas amigas e o que aconteceu comigo). Pode ser que não sinta dor;
  7. Como √© a dor? √Č de partir, rs. No meu caso, quando come√ßou a doer a valer, eu sentia uma dor de leve nas costas que ‚Äúabra√ßava‚ÄĚ a barriga. Esta ficava dura e, a√≠ sim, eu sentia a dor de partir. Parece que vem de cima do tronco para baixo, at√© a p√©lvis. Depois, passava e viriam outras a cada dois minutos;
  8. N√£o pense na dor no intervalo das contra√ß√Ķes. Apenas relaxe ou fa√ßa o que der vontade. A banheira ajuda a tirar a dor, mas acelera as contra√ß√Ķes. O chuveiro tamb√©m. Abra√ßar o acompanhante de p√©, apoiando o peso nele com o corpo para frente √© uma boa;
  9. Voc√™ vai sangrar muito durante o trabalho de parto e no p√≥s-parto. Ap√≥s o parto e por dias, v√£o sair umas ‚Äúgosmas‚ÄĚ de sangue. Fique tranquila. Agora, se achar que est√° saindo sangue vivo e por muito tempo e frequ√™ncia, v√° ao m√©dico. Se √© sedent√°ria, tamb√©m pode ficar dolorida devido √† for√ßa feita para parir. Voc√™ pode ter dor no quadril e na regi√£o do c√≥ccix antes e depois do parto, estas partes ‚Äúalargam‚ÄĚ e amolecem para a passagem do beb√™;
  10. Esque√ßa aquela hist√≥ria de ‚Äúbarriga est√° baixa, vai nascer logo‚ÄĚ. N√£o d√° para saber se o beb√™ est√° encaixado s√≥ de um leigo olhar. Por exemplo, todos diziam que minha barriga estava baixa. Eu pari com 40 semanas em ponto, data do ultrassom. A beb√™ s√≥ encaixou durante o trabalho de parto e quando eu estava com oito cent√≠metros de dilata√ß√£o. Como ela estava ‚Äúalta‚ÄĚ, a equipe m√©dica acreditava que o parto iria demorar. Nada. Ap√≥s encaixar, ela nasceu em, no m√°ximo, 20 minutos. Foi uma correria boa at√© a equipe chegar ao quarto. Em seguida, fiz tr√™s for√ßas completas e ela saiu. Mal deu tempo do pediatra jovem com kit gal√£ feio (hahaha, ele era gente boa) explicar os procedimentos ‚Äď que eu j√° sabia. Eu queria bater nele porque estava atrapalhando meu expulsivo, rs. Minha vontade era de empurrar e ele ficava falando! Fofo, mas falando;
  11. E se a bolsa estourar? Sai um l√≠quido amarelado-claro e bem quentinho. Lembra o xixi. Mas voc√™ vai perceber, espero, que √© a bolsa estourada. Calma, voc√™ pode ter tempo at√© ir para o local do parto. Ou n√£o ‚Äď conhe√ßo casos de parto em hora! E outros de 24 horas ap√≥s estouro da bolsa. E se entrar em trabalho de parto antes de estourar? Sem problemas. Durante o parto pode estourar, ser estourada se necess√°rio ou o beb√™ sair dentro dela. Fofura total.
  12. A placenta parece uma geleia. Pe√ßa para ver e coloque a m√£o. √Č muito interessante!
  13. Se tomar anestesia, é possível que não te deixem levantar em seguida do parto ou tomar banho. Se você estiver bem, peça para tomar banho acompanhada por uma enfermeira;
  14. Coma bem! Você estará com fome! E antes do parto também! Prefira alimentos saudáveis com carboidratos, fibras e proteínas;
  15. √Č comum ter hemorroidas durante a gravidez (devido ao peso da barriga ou de pris√£o de ventre) ou no p√≥s-parto por causa da for√ßa feita. Dica natureba: compre pr√≥polis sem √°lcool e passe duas vezes por dia na regi√£o. Vai curar;
  16. Outra dica natureba: óleo de calêndula ajuda a cicatrizar a dilaceração ou episiotomia. Passe duas vezes ao dia. Dá uma aflição, a região fica dolorida no pós-parto;
  17. Fazer exerc√≠cios para o per√≠neo antes da gravidez, durante e logo ap√≥s parir ajuda na elasticidade do canal do parto e da regi√£o p√©lvica. Tamb√©m facilita na volta da musculatura. Procure um fisioterapeuta especializado ou busque por ‚Äúexerc√≠cios de Kegel‚ÄĚ na internet;
  18. Amamente o quanto antes, logo ap√≥s o beb√™ nascer. Eles j√° costumam nascer fazendo um biquinho-de-passarinho-coisa-mais-linda-do-mundo procurando o ‚Äúmam√°‚ÄĚ. Quanto antes amamentar, mais f√°cil ser√° a amamenta√ß√£o. Tem gente que recomenda passar lanolina no bico do seio para n√£o machucar. S√≥ indico passar se sentir machucado e n√£o antes. Na sala de parto, pe√ßa aux√≠lio para a enfermeira na primeira amamenta√ß√£o. E, nas consultas com o obstetra, deixe claro que quer amamentar logo ap√≥s o parto;
  19. Amamentar d√° contra√ß√£o. Ela libera horm√īnios que ajudam o √ļtero a voltar ao tamanho de antes da gravidez. Completamente normal, curta a sensa√ß√£o. Ah, e tome quatro litros de √°gua por dia. Voc√™ precisa de muita √°gua para ter leite. Em seguida, de se alimentar corretamente e tentar n√£o se cansar ou se estressar muito (tamb√©m n√£o se cobre ficar relax, ok?);
  20. Dias ap√≥s o parto, os horm√īnios despencam. √Č comum a mulher se sentir deprimida, querer ficar quietinha, n√£o fazer nada. Respeite seu corpo. √Č at√© s√°bio, afinal, o beb√™ tem pouca imunidade para curtir baladas. Se a tristeza permanecer por mais de 30 dias, consulte seu obstetra ou um m√©dico. Ali√°s, at√© o pediatra pode te ajudar caso a tristeza permane√ßa. Se voc√™ trabalha, pode ser que quando acabar a licen√ßa maternidade volte a se sentir bem. Coma corretamente, tente fazer exerc√≠cios f√≠sicos quando o m√©dico liberar e dormir sempre (ouviu, sempre) que o beb√™ dorme para permanecer descansada. Ali√°s, voc√™ nunca saber√° quando ele vai dormir de novo… Aproveite a chance;
  21. E a barriga? Ela volta ao normal se voc√™ manter uma alimenta√ß√£o equilibrada e se se exercitar um pouco. N√£o h√° dados cient√≠ficos sobre isso (n√£o encontrei) e profissionais da sa√ļde n√£o recomendaram, mas usei cinta modeladora e deu certo;
  22. E a vagina? Volta ao normal? Se tudo ocorrer de acordo com o esperado (se o obstetra n√£o fizer episiotomia desnecess√°ria e der pontos errados), volta. Claro que o corpo j√° ter√° a mem√≥ria daquele alongamento feito durante o parto ‚Äď por isso, os pr√≥ximos partos costumam ser mais r√°pidos. Continue com os exerc√≠cios para a regi√£o do per√≠neo (voc√™ ficar√° craque) e n√£o encane. A natureza √© s√°bia.

Aproveite cada segundo daquele bebezinho que tem uma fei√ß√£o nova a cada dia! Ele apenas ser√° rec√©m-nascido por 28 dias. Curta o parto, o p√≥s-parto, o carinho de amigos e de familiares, o companheiro (a) se voc√™ tiver, a natureza da vida. Os dias com um beb√™ demoram para passar, mas os anos voam. Parir √© um milagre. Ali√°s, o que √© a vida se n√£o um fen√īmeno desconhecido? Aproveite a viagem!

*Na foto acima, estava com minha bebê no primeiro dia de vida dela no mundo aéreo <3.

Por que esperar 39 semanas para fazer ces√°rea

Por que é ideal esperar no mínimo 39 semanas de gestação para marcar a cesárea eletiva, conforme resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM)? Do fundo do meu coração, creio que gravei este vídeo pensando nas mães que gostariam de ter um parto normal, mas não conseguiram porque estavam sendo acompanhadas ou foram atendidas por um médico cesarista. Também lembrando daqueles casos de mulheres que escolhem o dia para marcar a cesárea, antes das 39 semanas ou de entrar em trabalho de parto, de acordo com o signo que quer para a criança, uma efeméride ou um dia que gosta mais.

Essa resolu√ß√£o do CFM evitar√° que as m√£es e os beb√™s da primeira situa√ß√£o citada acima (conhe√ßo v√°rios casos assim) sejam expostos a mais riscos desnecess√°rios ao serem obrigados a ter a cirurgia marcada antes de entrar em trabalho de parto. No segundo caso, a norma ajudar√° a impedir que esses pais, ignorantes no sentido literal da palavra, tirem o beb√™ antes dele estar pronto para nascer. Proteger√° as m√£es e os beb√™s dos m√©dicos que os colocaram em risco ao permitir e realizar uma cirurgia antes delas entrarem em trabalho de parto (claro que h√° exce√ß√Ķes e estas deixei de fora do v√≠deo e deste post).

Vale ressaltar que no Brasil, até então, um feto com 37 semanas era considerado a termo, ou seja, pronto para nascer. Por isso muitos médicos marcavam cesárea antes das 39 semanas. Mas os Estados Unidos e outros países já adotavam as 39 semanas como o mínimo da data ideal para o nascimento. Isso porque diversas pesquisas apontavam que, antes desse tempo, o bebê ainda era prematuro.

Bom, espero ter ajudado mais mam√£es e futuros papais. E aguardem novos v√≠deos da s√©rie! Meu intuito √© melhorar ainda mais a edi√ß√£o e voltar a ficar mais √† vontade em frente √† c√Ęmera. Um beijo.

Quais os benefícios da amamentação depois dos seis meses do bebê?

Parece que as pessoas se incomodam mais com a minha amamenta√ß√£o do que eu mesma, que fico horas por dia sentada no sof√°, na cama ou na cadeira. S√£o frequentes os questionamentos: ‚ÄúVai amamentar at√© quando? Voc√™ n√£o acha que ela est√° grande? D√™ mamadeira! Ah, por isso que ela √© t√£o apegada a voc√™. Esse apego, a longo prazo, pode fazer mal‚ÄĚ. Haja paci√™ncia.

No come√ßo, eu tirava sarro. Mas, agora, cansei. O curioso √© as pessoas questionarem a amamenta√ß√£o, algo t√£o natural e refor√ßada a sua import√Ęncia, por exemplo, pela Fundo das Na√ß√Ķes Unidas para a Inf√Ęncia (Unicef) e pela Sociedade Brasileira de Pediatria, e n√£o o uso indiscriminado da mamadeira ‚Äď quero deixar claro que n√£o sou contra a mamadeira, afinal, cada pessoa sabe o que √© melhor para si e para seu filho e em alguns casos elas s√£o fundamentais para a sa√ļde da crian√ßa.

Também é interessante essa associação que fazem do bebê se apegar mais a mãe (!) por conta da amamentação. Como se fosse melhor inexistir essa intensa ligação entre mãe e filho ou melhor a independência da criança antes mesmo dela andar e falar com segurança. Ou pior, induzindo ao raciocínio que mães e pais que dão mamadeira têm laços de união mais fracos com o seu filho. Ideia que pode ser cruel e equivocada.

Se você acha que apenas sai água após seis meses de amamentação, veja o vídeo! Irá se surpreender com alguns dos benefícios para mães e filhos (e para as finanças da família) que listo. Mas é claro que há muito mais entre o céu e a terra, a mãe e o filho, do que sonha nossa vã filosofia. Um beijo e até o próximo!

Será que somos mais parecidas com nossas avós maternas?

Para mim, a maternidade trouxe uma maior conex√£o¬†comigo. Ela me fez voltar ao meu passado, aos meus antepassados, √† minha inf√Ęncia. Dias ap√≥s parir, tive momentos depressivos, devido √† baixa nos horm√īnios e √† mudan√ßa radical no meu estilo de vida. Antes, eu (esp√≠rito livre) sa√≠a por a√≠ para encontrar pessoas queridas, para passear, para trabalhar, sem a responsabilidade de ter que cuidar de algu√©m. Que, ali√°s, dependia de mim para sua sobrevi√™ncia no sentido mais animalesco da palavra: eu carregava no meu corpo¬†o¬†alimento dessa pessoa. Para suprir essa inquieta√ß√£o e na busca em¬†ser uma boa m√£e, comecei a ler muito, a estudar ainda mais sobre maternidade (a quest√£o biol√≥gica, psicol√≥gica, comportamental). E decidi que esta √© mais uma chance que a vida oferece para me conhecer mais,¬†me aceitar e usar isso para me tornar uma pessoa melhor – n√£o sei se j√° consegui ou se vou conseguir, mas procuro¬†o caminho.

Nessa viagem espiritual, me deparei com um texto em espanhol¬†que poetizava a quest√£o do √≥vulo (pena que perdi o link). Eu sabia que n√≥s nascemos com os √≥vulos que dar√£o origem aos nossos filhos. Mas nunca parei para pensar no significado dessa condi√ß√£o. O que a nossa av√≥ comeu, sentiu, viveu enquanto gerava a nossa m√£e influenciou diretamente a nossa gen√©tica. Coincidentemente, ap√≥s ler esse texto, cheguei a uma pesquisa apontado que algumas condi√ß√Ķes¬†psicol√≥gicas das av√≥s s√£o mais vistas ou ainda observadas em netos do que nas pr√≥prias filhas (se eu achar o link para pesquisa, posto aqui). Como, por exemplo, traumas. Incr√≠vel, n√£o?

E, desde a gravidez, tenho vontade de compartilhar esse meu conhecimento. Algumas amigas minhas, que ficaram gr√°vidas logo depois, at√© brincavam comigo dizendo que eu era a doula delas. Tirei muitas d√ļvidas e dei muitas dicas que, literalmente, mudaram a minha gravidez e o parto para melhor. Dicas nem sempre facilmente encontradas. Eu gostaria de compartilh√°-las com mais pessoas, colocar mais quest√Ķes e filosofar mais sobre o tema. Quem sabe possam ser √ļteis para outras tamb√©m? Ap√≥s meses gestando a ideia, quando a beb√™ dormiu, resolvi gravar o primeiro v√≠deo da pretendida s√©rie “Ci√™ncia da Maternidade”. Gravei¬†sem roteiro, de supet√£o, como diz minha m√£e. Editei¬†na madrugada, durante o sono da crian√ßa. Este √© um piloto. Aceito d√ļvidas, sugest√Ķes, cr√≠ticas e elogios (claro!). E, com esses v√≠deos, quero criar uma corrente do bem. Neste mundo √°rido para as m√£es e aos criadores em geral, quero deixar muito amor e palavras de conforto para acalentar os cora√ß√Ķes. <3 Bem-vinda a mais um primeiro filho!

Amamentar é psicológico

Fotos Marina-45Amiga (o)! Estou em falta com este blog. Espero que entenda que este ano resolvi me dedicar à maternidade, ao meu trabalho e à minha família. Estou vivendo um momento de me reencontrar. Afinal, maternidade é isso: psicológico.

Falando nisso, a bebê já completou um ano e eu sigo amamentando. Tive a sorte (e a preparação) de amamentar assim que a bebê nasceu sem nenhum empecilho e de continuar amamentando. A bebê saiu da maternidade mais gordinha do que nasceu, ou seja, ao contrário do que é esperado, ela não perdeu peso nos primeiros dias. Nem na primeira semana de vida. E nem durante todos os meses de amamentação exclusiva.

A amamenta√ß√£o seguiu tranquila at√© eu avacalhar e ter o peito rachado quando ela estava prestes a completar um ano. Como assim avacalhar? Comecei a amamentar deitada, de qualquer jeito, sem me preocupar com a t√£o falada ‚Äúpega correta‚ÄĚ. O resultado foram dias para meu peito cicatrizar. Ap√≥s eu voltar a tomar cuidado, ele melhorou. Assim, muitas futuras mam√£es e at√© atuais m√£es me perguntam como consegui a fa√ßanha de amamentar ‚Äď quase ‚Äď sem problemas. O segredo? Ah, como diz o livro hom√īnimo √©… psicol√≥gico.

 

Tudo de bom

Bom, os benef√≠cios da amamenta√ß√£o j√° foram exaustivamente abordados e estudados. Entre eles, para a m√£e est√£o: menor risco de desenvolver c√Ęncer de mama e de ov√°rio, menor risco de ter fraturas de quadril por osteoporose, voltar mais r√°pido ao peso de antes de engravidar, a barriga volta mais r√°pido ao que era antes de engravidar, o corpo libera endorfina que d√° sensa√ß√£o de prazer, a ocitocina liberada (‚Äúdroga do amor‚ÄĚ) tem diversos pap√©is como de refor√ßar a liga√ß√£o entre m√£e e filho, entre outros.

E para o beb√™? A cada pesquisa descobrem mais benef√≠cios. Ajuda o beb√™ a se acalmar, a n√£o ter as chamadas ‚Äúc√≥licas‚ÄĚ (aquele choro que ningu√©m consegue identificar a causa), fornece anticorpos, ajuda a elaborar o paladar para diversos alimentos (j√° que o gosto do leite muda de acordo com o que a m√£e ingere), pode reduzir a mortalidade infantil em at√© quase 25%, ajuda a maturar o intestino, √© o alimento mais rico em nutrientes que se pode oferecer ao beb√™, previne a hipotermia, protege contra infec√ß√Ķes gastrointestinais e respirat√≥rias, previne contra o desenvolvimento de alergias, entre um monte de outras coisas.

 

√Č obrigat√≥rio?

Tem mãe que não quer amamentar. E essa é uma escolha. Ela não é menos mãe ou ama menos seu filho por isso. A decisão deve ser respeitada. Tem mãe que não pode amamentar. Algumas doenças como HIV e hepatites acredita-se que podem ser transmitidas via aleitamento materno. Em outros casos, a mãe precisa tomar alguns medicamentos de uso contínuo que também podem ser passados para o leite, contraindicando a amamentação. Também existem casos de mães que fizeram plásticas no seio que danificaram os dutos lactíferos. Em outros raros casos, as mães querem, mas não conseguem amamentar. Lembrando que mães com bico invertido ou plano conseguem amamentar, podem ter mais dificuldade, mas querer pode ser poder.

E qual o segredo do sucesso? Paci√™ncia, em primeiro lugar. E pega correta, disputando o p√°reo. Amamentar requer tempo. Disposi√ß√£o. Quando a gente amamenta, a gente cansa. Sua. Emagrece. Parece que corremos a maratona. Principalmente durante a noite, o ato de amamentar libera melatonina (subst√Ęncia respons√°vel por ajudar a regular nosso rel√≥gio biol√≥gico sobre dia e noite), o que d√° um sono incontrol√°vel. In-con-tro-l√°-vel. Deve ser por isso que dizem que a amamenta√ß√£o substitui o sexo. N√£o substitui, mas d√° um sono… Por isso que beb√™s e m√£es parecem desmaiados ap√≥s a amamenta√ß√£o.

 

O segredo

Bom, amamentar requer tempo. Demora. O beb√™ novinho suga devagar. √Äs vezes, eles querem ficar no peito, independente da idade, em busca de prote√ß√£o e aconchego. Outras, choram e esperneiam porque o leite desce devagar. Se ele est√° nervoso, basta amamentar para que se acalme ‚Äď as batidas de ambos os cora√ß√Ķes tendem a se regularem iguais. Quando voc√™ amamenta, sinaliza para a crian√ßa que ela est√° segura, que aquele √© um lugar seguro.

Sem contar que, como disse acima, amamentar requer energia. Eu ingiro muito mais calorias, acho que quase 800 calorias mais por dia (esse n√ļmero varia entre m√£es e filhos) do que antes da gravidez. Na gravidez, creio que basta ingerir no m√°ximo mais 400 calorias por dia. Voc√™ parece calma sentada por horas, mas cansa! D√° at√© calor. Como se estiv√©ssemos, mesmo, nos exercitando na academia. Sem contar que temos que ficar alerta para n√£o dormir enquanto amamentamos. Pode ser perigoso sufocar ou derrubar o beb√™. Est√° caindo de sono? Amamente sentada no ch√£o e com pouca almofada. Ou… pe√ßa para algu√©m ficar ao seu lado te acordando, rs (isso quando a pessoa ao lado n√£o dorme e √© voc√™ quem tem que acord√°-la na madrugada!). Voc√™ est√° dormindo? O ajudante responde: ‚ÄúN√£o, apenas estou descansando os olhos‚ÄĚ. Est√° bom, rs.

E o que √© a tal da lend√°ria ‚Äúpega correta‚ÄĚ? √Č o jeito que o beb√™ abocanha. Da maneira correta, n√£o deve doer. No come√ßo, assim que ele nasce, pode incomodar. Mas com o tempo voc√™ n√£o sentir√° nada ‚Äď apenas o leite descendo podendo at√© dar pontada nos seios. O beb√™ deve abocanhar quase toda a parte debaixo da aur√©ola ficando com uma boca parecida com de peixinho na parte de cima. Veja aqui. Com o maxilar, ele bombeia o leite (dentro da aur√©ola h√° uma esp√©cie de bombinha que ajuda a puxar o leite).

Parece m√°gica da natureza. Nosso corpo √© incr√≠vel e mais ainda como o c√©rebro age. Voc√™ sabia que at√© m√£es que adotam podem conseguir amamentar? Colocando o beb√™ no seio e com os horm√īnios liberados pelo c√©rebro, ela pode come√ßar a produzir leite. √Č impressionante.

 

Dicas

Abaixo seguem minhas dicas (uma compila√ß√£o de instru√ß√Ķes fornecidas por minha obstetra, pela pediatra, pela minha fisioterapeuta e proveniente de infinitas leituras). Prepare-se para a amamenta√ß√£o antes do beb√™ nascer. Deram certo para mim. De repente, podem te ajudar:

  • A partir da 37¬™ semana de gesta√ß√£o, tente com sua m√£o formar um bico no bico do seu seio;
  • Antes do beb√™ nascer, combine com a obstetra que voc√™ quer amamentar logo ap√≥s parir se esse n√£o for o procedimento do local;
  • Tome ao menos quatro litros de √°gua por dia! Sem √°gua, sem leite;
  • Tenha paci√™ncia;
  • Insista sempre;
  • Procure n√£o se estressar;
  • Evite oferecer chupeta, ela pode confundir o beb√™ prejudicando a pega (e pequisas indicam que beb√™ que usa chupeta larga o seio mais cedo do que os que n√£o usam);
  • Evite oferecer mamadeiras, elas tamb√©m podem atrapalhar a pega e fazer o beb√™ largar antes o seio, j√° que voc√™ produzir√° menos leite e o leite da mamadeira sai mais f√°cil. Se precisar, ofere√ßa leite no copo ou na colher (sim, d√° um trabalh√£o, o segredo √© n√£o deixar o beb√™ se esgoelar de fome);
  • Est√° sentindo que est√° com pouco leite? Est√° estressada? Deixe o beb√™ sugando no seu peito. O ato ajuda a estimular a volta da produ√ß√£o de leite;
  • Confie no beb√™;
  • Use suti√£s adequados (inclusive na hora de dormir) ao tamanho do seu seio (isso tamb√©m ajuda a manter o peito firme);
  • Conchas de prote√ß√£o podem ajudar a dessensibilizar o bico do peito;
  • No primeiro dia ap√≥s o parto e durante dois dias, massageie o seio com movimentos circulares de fora para perto do bico para evitar que empedre e a mastite. Tamb√©m vale chacoalh√°-los, rs;
  • O bico pode ser um lugar exposto a bact√©rias que causam infec√ß√Ķes. Tome banho lavando da cabe√ßa aos p√©s, cuidado em piscinas;
  • Rachou? Passe lanolina no primeiro dia, use concha e deixe o bico do seio exposto ao ar;
  • Sempre que poss√≠vel, deixe o bico do seio secando ao ar livre;
  • Impe√ßa que o beb√™ puxe ou empurre o seio;
  • Evite lavar o peito ap√≥s amamentar. Lave apenas no banho, normalmente. Evite passar sabonete no bico;
  • Use roupas confort√°veis;
  • Sente-se com a coluna ereta;
  • Posicione o beb√™ na altura do peito com o aux√≠lio de travesseiros ou almofadas enquanto amamenta;
  • Procure sentar como ‚Äú√≠ndia‚ÄĚ para melhorar a circula√ß√£o nas pernas;
  • Evite gritar enquanto amamenta. Imagine algu√©m gritando no seu ouvido enquanto voc√™ se alimenta;
  • Aceite e pe√ßa ajuda com os outros afazeres;
  • Se alimente bem, coma alimentos saud√°veis;
  • O beb√™ n√£o est√° ganhando peso? Saiba que nos primeiros minutos o leite que sai tem mais anticorpos e √°gua, o leite mais gordo (com calorias) vem depois. Portanto, deixe ao menos o beb√™ 15 minutos seguidos em cada seio;
  • Est√° cansada da livre demanda? Ofere√ßa um peito por pelo menos meia hora e mexa no pezinho do beb√™ para que ele n√£o durma enquanto mama. Deixe ele com menos roupa para n√£o dormir. Em seguida, troque a fralda do beb√™ para que ele acorde mais e coloque um pouco mais de roupa adequada ao clima. Ofere√ßa o outro seio por pelo menos mais 15 minutos. Se ele dormir, aproveite para descansar ap√≥s coloc√°-lo por 15 minutos ‚Äúpara arrotar‚ÄĚ. Geralmente, neste esquema, os beb√™s acabam mamando entre duas e tr√™s horas de intervalo. Se ganhar peso, parab√©ns, continue assim.
  • Ofere√ßa o √ļltimo seio primeiro;
  • Curta cada precioso momento. As crian√ßas mamam por pouco tempo. Passa r√°pido.

Se você quer muito amamentar e não está conseguindo, procure ajuda. Se você não quer, tudo bem. O importante é ser feliz!

Foto: Poline Lys.

Maternidade: cinco motivos para se sentir muito mamífera

peNunca me senti tão mamífera em minha vida. Lembro-me que, quando era adolescente, fiz um um vídeo engraçadinho com um colega de classe no Zoológico de São Paulo sobre o Reino Animal. No final, nos filmávamos mostrando que éramos parte da natureza, exemplo de uma espécie de mamíferos (pena que a professora ficou com a fita VHS, hunf). Mas esta vida vivida sobre o asfalto, desconectada da terra, pode levar os homo sapiens a se julgarem reis de um reino à parte. Síndrome do Pequeno Príncipe. Até vir a maternidade e, ufa, jogar todo esse concreto no ventilador!

Como eu tenho vivenciado, literalmente na pele, essa emo√ß√£o, resolvi compartilha os cinco principais motivos que me fazem sentir extremamente mam√≠fera. Se voc√™ √© pai, seja paciente com a m√£e (tenha ela parido ou adotado). Se voc√™ tem filhos, pode se identificar. Se voc√™ est√° gr√°vida ou √© ‚Äútentante‚ÄĚ, veja o que te espera! Acima de tudo, saiba que √© uma del√≠cia lembrar que somos animais. Como se tivesse me conectando, novamente, com Gaia.

Lembrando que a ciência não é exata, ainda mais quando se trata de maternidade, vamos ao top five:

 

 5. Colinho

O beb√™ n√£o chora √† toa. Cada autor determina uma idade diferente para afirmar que a crian√ßa faz a famosa ‚Äúmanha‚ÄĚ. Tem pesquisador que diz que √© com dois anos, outros com cinco, sete ou mais! ‚ÄúO choro do beb√™ pode ser pelos principais motivos: fome, sono, calor, frio, coc√ī, xixi ou aconchego‚ÄĚ, disse uma enfermeira carrancuda para n√≥s, pais novos, no √ļltimo dia em que est√°vamos na maternidade. Sim, a crian√ßa tem necessidade de colinho. No tempo das cavernas, se voc√™ deixasse seu beb√™ no ch√£o, ele poderia morrer por in√ļmeros motivos. √Č no colo, principalmente da m√£e, que ele se sente seguro. Quando o beb√™ come√ßa a reconhecer seus cuidadores (a chorar no colo dos ‚Äúestranhos‚ÄĚ, o que √© sinal da sua evolu√ß√£o cognitiva), chega at√© a buscar o olhar da m√£e para checar se o¬†colo do outro √© seguro. Algumas pesquisas cient√≠ficas, inclusive, mostram que crian√ßas que ficam no sling (aquela ‚Äúrede‚ÄĚ de levar o beb√™ junto ao corpo) choram menos. Assim, eu me sinto uma macaca ou uma tamandu√°. Sempre carregando minha cria comigo, seja pendurando a roupa no varal, guardando a lou√ßa ou comprando algo por a√≠.

 

4. Antissocial

Em algumas fases da maternidade, as m√£es se tornam antissociais. Por exemplo, nos primeiros quatro meses de gravidez √© comum as futuras mam√£es n√£o quererem sair de casa ou conversar com amigos (mesmo aquela que adorava passar madrugadas bebendo no boteco). As explica√ß√Ķes s√£o in√ļmeras. No come√ßo da gravidez, a mulher sente muito sono. Al√©m disso, √© uma fase delicada: quando mais h√° aborto espont√Ęneo e quando o que n√≥s ingerimos ou doen√ßas que pegamos podem prejudicar mais o desenvolvimento do embri√£o (este se torna feto l√° pela pela d√©cima semana, quando os principais √≥rg√£os est√£o formados). Ap√≥s o nascimento, talvez pela exaust√£o em ter que amamentar a cada tr√™s horas e pela adapta√ß√£o √† nova vida com uma vida nova nos bra√ßos, as m√£es tamb√©m costumam permanecer¬†antissociais. Outra explica√ß√£o pode ser porque a crian√ßa rec√©m-nascida √© muito vulner√°vel. A maioria das doen√ßas que, para adultos sadios n√£o fazem c√≥cegas, em rec√©m-nascidos pode ser fatal. Assim, a s√°bia natureza faz a m√£e ficar quietinha se recuperando com a cria em casa.

 

3. Proximidade

Este √© um comportamento que jamais imaginei que teria (o mesmo serve para o antissocial, rs): neura longe do beb√™. Simplesmente, √© quase insuport√°vel ficar longe do bebezinho, pior ainda se ele s√≥ se alimenta mamando no peito. Parece que um peda√ßo seu est√° faltando. Um peda√ßo, ali√°s, que acabou de existir. √Č muito, mas muito estranho. D√° medo de acontecer alguma coisa conosco que nos impedir√° de chegar a tempo para¬†amamentar o beb√™. E o beb√™, pode ter certeza, ficar√° se esgoelando de fome. A vontade √© de ficar grudadinha, corpo a corpo, o tempo inteiro com o beb√™. Mais um comportamento de prote√ß√£o da esp√©cie da s√°bia m√£e natureza.

 

Katy_Perry_California_Gurls

2. Amamentação

Este dispensa muita explica√ß√£o, concorda? Quer fato mais maravilhoso e animal do que ver sua cria crescendo apenas se amamentando com o leite produzido pelo seu pr√≥prio corpo? Eu at√© suo amamentando. Fico exausta, mesmo permanecendo parada ao amamentar! Bom, tenho v√°rias curiosidades sobre o assunto. Pesquisas recentes mostram que o corpo guarda no culote, t√£o detestado pelas pr√≥prias mulheres na nossa atual sociedade, nutrientes important√≠ssimos enviados para o beb√™ via leite materno. Ser√° por isso que homens acham mulheres com culote mais atraentes? Afinal, beleza tem liga√ß√£o com sa√ļde e preserva√ß√£o da esp√©cie‚Ķ Outra curiosidade √© que o leite materno tem subst√Ęncias como melatonina, em maior quantidade durante a noite. Ela √© um horm√īnio que ajuda a regular o sono. Portanto, deixa o beb√™ com sono para a mam√£e ter horas de descanso revigorante. Sobre quest√£o mais f√≠sica, sabia que o bico do peito tem uma esp√©cie de ‚Äúdispositivo‚ÄĚ? Quando o seio n√£o est√° muito cheio de leite, deixar o bico para cima e o suti√£ bem preso, segurando o peito para cima, evita que o leite vaze. Pode reparar: o beb√™ coloca o bico para baixo e aperta a aur√©ola como se estivesse bombeando o leite. Por isso, se a m√£e est√° sentindo dor no peito ao amamentar, alguma coisa est√° errada. Com a famosa ‚Äúpega‚ÄĚ correta, sai mais leite.

 

 1. Gravidez

Outro estado de corpo e de alma livre de explica√ß√Ķes. Eu me sentia uma canguru, carregando meu filhotinho dentro da bolsa. Como gosto de ler e mais ainda sobre fatos cient√≠ficos‚Ķ Imagine o tanto que pesquisei sobre o tema durante a minha condi√ß√£o grav√≠dica. Desde a gravidez, o corpo guarda e d√° para o beb√™ tudo o que h√° de melhor dentro de voc√™. Portanto, voc√™ pode ter uma anemia se n√£o se cuidar, porque aquele bichinho hospedeiro est√° sugando tudo o que h√° de melhor em seu corpo. Seu corpo – e mente – trabalha em fun√ß√£o dele. Dizem que pode haver at√© mudan√ßas f√≠sicas no c√©rebro da gr√°vida! O que pode explicar o porqu√™ de gr√°vidas terem problemas de mem√≥rias de curto prazo e de concentra√ß√£o. Para compensar, acredita-se que gr√°vida pode aprender mais r√°pido e ter melhor capacidade de resolver problemas. Como me disseram, se f√īssemos r√©pteis, seria mais pr√°tico. Botar√≠amos ovo e a cria se viraria comendo o que est√° dentro do ovo. Depois, sairia buscando seu alimento. Mas existe coisa mais bela do que se doar para o pr√≥ximo e am√°-lo como a si mesmo?

 

Obs.: Não coloquei referências bibliográficas porque leio muito artigo pelo celular e, infelizmente, acabo perdendo os links.

Seja bem-vinda, você que sempre esteve aqui

2014-10-07 13_42_50Lembro como se fosse ontem. Há seis meses, eu passava pela experiência mais transcendental da minha vida. Talvez, fosse a segunda dela, perdendo apenas para meu nascimento. Momento que, infelizmente, não lembro. Quando acordei sentindo uma cólica leve, sabia que, enfim, o momento estava próximo. Só não o quão próximo. Será que pressionar os pontos de acupuntura deu certo? Talvez. Conversar com você? Talvez, também.

Depois de descobrir que estava com um centímetro e meio (e meio, rs) de dilatação, fiz o que a fisioterapeuta recomendou: suba e desça escada. Caminhe. Atividades que ajudam a aumentar o começo da dilatação.

N√£o encontrei nada mais agrad√°vel e po√©tico do que andar para ver uma exposi√ß√£o em¬†um hospital a ser reestruturado, o Hospital Matarazzo. Eram os nossos momentos de renascimento ‚Äď espero que o local, s√≠mbolo da cidade de S√£o Paulo, tenha o destino de perman√™ncia. E, na Avenida Paulista, eu estava feliz. Mesmo me amparando nos troncos das √°rvores a cada contra√ß√£o ou naquele que dividiria comigo o momento mais incr√≠vel das nossas vidas.

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Inexplicavelmente, descobri que √© poss√≠vel dormir entre cada pico de contra√ß√£o durante o trabalho de parto ‚Äď at√© atingirmos cinco cent√≠metros de dilata√ß√£o. Deve ser o corpo se preparando para renovar as energias naqueles poucos minutos ou segundos que temos. Uma prepara√ß√£o para conseguir descansar ou dormir entre mamadas a cada tr√™s horas? Pode ser. Devemos nos alimentar decentemente. Devemos ter calma. Eu estava em paz.

Quando nos entregamos ao instinto animal, nosso corpo e mente sabem como agir na hora ideal. Como disse o anestesista (nunca esquecerei da imagem que formei em minha mente, um misto de Monet com Vidas Secas): ‚ÄúPense em uma ponte com um rio correndo sobre ela. Essa √© a for√ßa da natureza. Deixe ela agir‚ÄĚ. Al√©m de bem-humorado, era um m√©dico fil√≥sofo, rs.

Tamb√©m nunca esquecerei do sorriso feliz da obstetra chegando de madrugada e me olhando com a cabe√ßa de lado: ‚ÄúComo voc√™ est√° se sentindo?‚ÄĚ ‚ÄúMorrendo‚ÄĚ, reclamei. Na hora, o riso fechou e apareceu uma fei√ß√£o de investiga√ß√£o. Acho que eu precisava daquele ombro para desabafar e ter mais seguran√ßa. Ela saberia o que fazer.

E, quando ela chegou, eu me rendi √† dor das contra√ß√Ķes. N√£o resisti. N√£o relutei. N√£o desisti. Ali√°s, desistir era uma palavra que n√£o existia no meu dicion√°rio naquele momento. S√©rio, mesmo. No fundo, a gente sabe que n√£o h√° volta. Ent√£o, ela nem passa em nossa mente. E quando me entreguei √†quela dor que, para mim, parecia que seria partida ao meio, entrei em transe.

N√£o tinha no√ß√£o de hor√°rio, n√£o me importava aos sons que emitia (que pareciam de entusiasmo), nem pensava na dor de cada contra√ß√£o que estava por vir no curto intervalo de minuto (acho que as contra√ß√Ķes, neste momento, vinham a cada menos de dois minutos). Simplesmente, me entreguei. Queria vomitar, segurava para n√£o desmaiar. Desfalecia. Tudo em transe. Tamb√©m nem pensava no que estava por vir.

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Ap√≥s fazer for√ßa, muita for√ßa, com vontade de colocar para fora sabiamente a cada contra√ß√£o, ouvi o choro estridente. Naquele momento, fomos apresentadas na vida a√©rea. Voc√™ tinha acabado de chegar e eu n√£o sabia o que fazer. Como agir. Falei o que havia programado: ‚ÄúSeja bem-vinda‚ÄĚ. Era tudo novo. Euf√≥rico. Estranho. Desconhecido.

Dei de mamar primeiro no peito esquerdo, como li que era a tradi√ß√£o, se n√£o me engano, judaica. Porque, assim, voc√™ ouve mais de perto a batida do meu cora√ß√£o e tem uma refer√™ncia de algo que j√° conhecia. Queria que se sentisse acolhida. Ajud√°-la nessa passagem da √°gua para o ar. Que fosse a mais harm√īnica poss√≠vel. N√≥s s√≥ nos conhec√≠amos em sonho, em voz, em barriga.

Hoje, voc√™ tem seis meses de mundo externo. Seis meses de um cansa√ßo que ainda n√£o superei. Seis meses de choro. De risadas. De descobertas. De alegria. De dor. De felicidade. De exaust√£o. De nascimento e renascimento. Embora tenha apenas seis meses e eu 33 anos nesta Terra, parece que voc√™ sempre esteve conosco. Parece que sempre fez parte das nossas vidas. Com l√°grimas nos olhos, repito: ‚ÄúBem-vinda‚ÄĚ.

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Sei que este blog é sobre meio ambiente e ciência, mas quer algo mais científico do que o milagre da vida?

Ter filho te deixar√° mais incompleta

maternidadeEu poderia estar dormindo, poderia estar comendo, poderia estar malhando, meditando, lendo, fazendo ioga, xixi. Mas, enquanto a beb√™ dorme, estou aqui para te alertar: ter filho te far√° se sentir mais incompleta. Uma conversa que tive esta semana com a Maria Guimar√£es, bi√≥loga-jornalista e uma das autoras do blog Ci√™ncia e Ideias, me fez refletir sobre esse sentimento. Na verdade, esta semana, eu iria escrever um post sobre c√≥licas em beb√™s e pesquisas sobre o assunto, mas deixo para uma pr√≥xima. Vou usar esta meia hora que tenho para avisar ‚Äúazamigas‚ÄĚ.

N√£o sei o porqu√™ voc√™ resolveu ter filho. N√£o sei se eu escolhi parir para me sentir mais ‚Äúcompleta‚ÄĚ. Acho que os genes falaram mais alto: um brinde para a perpetua√ß√£o da esp√©cie. H√° anos li um post da Paula Signorini, uma das autoras do blog Rastro de Carbono, que nunca esqueci (ATEN√á√ÉO: N√ÉO ESTOU COLOCANDO REFER√äNCIAS DE LEITURAS E DE PESQUISAS NOS POTS ATUAIS PORQUE LEIO PELO CELULAR E ESCREVO PELO COMPUTADOR. PORTANTO, FA√áO AS AN√ĀLISES COM BASE EM ARTIGOS CIENT√ćFICOS E OUTROS AUTORES, MAS SEM TEMPO PARA PROCURAR TUDO E COLOCAR AQUI). Nele, a Paula questiona a rela√ß√£o entre ter filhos e a degrada√ß√£o do planeta. Minha desculpa para ter √© essa: criar uma pessoa para que ela ajude a formar um mundo mais harmonioso para vivermos. Que combata o aquecimento global como a m√£e faz, hoje, trabalhando na Iniciativa Verde. Que tenha compaix√£o, respeito pelos outros seres e pela natureza. Que seja feliz procurando a felicidade dentro de si.

Quando estava gr√°vida, amigas eram sinceras comigo. Diziam: ‚ÄúQuando ela nascer, voc√™ sentir√° que um peda√ßo seu estar√° fora de voc√™‚ÄĚ. At√© minha obstetra advertiu: ‚ÄúEu digo que o cord√£o umbilical √© cortado v√°rias vezes durante a vida, se prepare para quando voltar a trabalhar‚ÄĚ. Sempre fui uma pessoa independente dentro das condi√ß√Ķes de cada momento. Ou procurei ser. Nunca imaginei que seria uma m√£e dedicada. Tamb√©m me descobri mais paciente e tolerante √†s necessidades fisiol√≥gicas como o sono. Qualidades que eu tinha, mas n√£o nesse tamanho. Por isso, quero aproveitar a me retratar com as demais m√£es que um dia critiquei – at√© por serem t√£o pacientes que se tornaram fastidiosas. Realmente, voc√™ s√≥ sabe como ser√° como m√£e quando nascer ou adotar um rebento (ali√°s, nascimento √© uma forma de ado√ß√£o).

E por que voc√™ se sente, ent√£o, mais incompleta? Desde o nascimento, aquele peda√ßo que um dia esteve, literalmente, dentro de voc√™ vai desenvolvendo autonomia. Ele deixa de se alimentar via placenta (ali√°s, sabia que a imunidade da gr√°vida cai, um dos motivos, porque o beb√™ √© um corpo estranho – tem genes do pai – e as c√©lulas de defesa precisam toler√°-lo para que ele n√£o seja abortado?) para se nutrir do leite produzido pelo teu corpo (outra curiosidade: parte da gordura e dos anticorpos que o beb√™ recebe s√£o ‚Äúretirados‚ÄĚ do culote. Portanto, agrade√ßa √†s gordurinhas localizadas pela sa√ļde do teu filho). Depois, vai se descolando do seu seio para receber frutas e legumes.

‚ÄúOs filhos s√£o do mundo‚ÄĚ, lembra o ditado. √Č verdade. Mas, cada vez que eles se ‚Äúdistanciam‚ÄĚ do seu umbigo, mais voc√™ se sentir√° incompleta. Aquele pedacinho originado por seu querido √≥vulo (que j√° estava pronto antes de voc√™ nascer, ou seja, voc√™ carregava o projeto de filho j√° quando vivia dentro da barriga da sua m√£e), deve ganhar o mundo. Isso √© ser saud√°vel. Am√©m. Assim que deve ser. Ent√£o, querida mam√£e, vou te dar um conselho: leve o mundo dentro de si.