Pamuk e a regra eterna

Istambul, Turquia.

Confesso que não fui seduzido pelas primeiras páginas de “Neve”, de Orhan Pamuk. Precisei avançar mais páginas para encontrar algum encanto, algum sinal de que valeria a pena insistir na leitura. O oposto aconteceu com “A maleta do meu pai” (Cia. da Letras, 91 páginas), pequeno livro que contém três discursos proferidos por Pamuk em ocasiões diferentes e que me prendeu desde o início. O discurso proferido na cerimônia de entrega do prêmio Nobel empresta o título ao livro. O autor de “O meu nome é Vermelho” define o que é ser escritor: “Para mim, ser escritor é reconhecer as feridas secretas que carregamos, tão secretas que mal temos consciência delas, e explorá-las com paciência, conhecê-las melhor, iluminá-las, apoderar-nos dessas dores e feridas e transformá-las em parte consciente do nosso espírito e da nossa literatura”. Algumas páginas antes: “O escritor que se recolhe e antes de mais nada empreende um viagem para dentro de si mesmo haverá de descobrir ao longo dos anos a regra eterna da literatura: é preciso ter o talento de contar as próprias histórias como se fossem histórias dos outros, e contar as histórias dos outros como se fossem suas, porque é isso a literatura. Mas antes é preciso viajar pelas histórias e pelos livros de outros”. E pensar que a minha viagem está só no início…

Discussão - 10 comentários

  1. A.S. disse:

    Li “Neve” até o final, com grande esforço. Há perda de tradução, sim, mas não é isso. Há vários livros ali, juntos e possíveis, metidos num fabulário só. E o estilo é algo tedioso para qualquer leitor ocidental já meio rodado, me parece. Claro, há certa grandeza no poeta Ka, mas diluída e imprecisa…

  2. tati disse:

    Também concordo com o a.s. Neve é chato demais Vale por Ka, mas em algumas poucas passagens, apenas. Não li o discurso pelo Nobel,mas fiquei bastante curiosa pleas passagens que voCê postou.

  3. Anonymous disse:

    Será que é exigência ser chato pra ganhar Nobel? Günter Grass, Pamuk, Saramago. Uma lista de chatos sem fim!!!

  4. Anonymous disse:

    boicote na anônima aquí?não saiu meu post ótimo e falando oi p/ pedpaulo e elogiando o amigo de M.mas o outro anônimo é poderoso,hein!

  5. amigo de montaigne disse:

    Cara Helena, não houve nenhum boicote. Você comentou no “post” anterior, só isso. A.S. e Tati: acho que deveriam tentar “A maleta de meu pai”.Anônimo, “quem ama o chato,…

  6. Anonymous disse:

    QUEM TE CONTOU QUE A CHATA E ANÔNIMA SOU EU?AMIGO DE M. VC É ÓTIMOBJUS

  7. kx disse:

    Gostei da definição de escritor… É parecida com o que os terapeutas prometem fazer com os pobres coitados que frequentam seus consultórios…Seria melhor escrever livros? Talvez não baste lê-los…

  8. ped paulo disse:

    E aí Helena? tudo bem? Em caixa alta? KX:escrever livros não é para qualquer um. Não desmerecendo você, claro. É que eu encontro tanto livro ruim escrito por aí que eu acho que a grande maioria de nós deveria limitar-se a ler livros. Caso você queira escrever e seja talentoso tudo bem, vá em frente. Caso contrário escreva, mas guarde em sua gaveta. Funciona do mesmo jeito.

  9. Anonymous disse:

    OI PEDPAULO LINDO,VIVA A CAIXA ALTA!BJUSAMIGO DE M. ,TUDO BEM?

  10. Anonymous disse:

    OLHA AQUI ,LI UMA ENTREVISTA DO ESCRITOR EM QUESTÃO, ME PARECEU MUITO BOM, AINDA QUE NÃO TENHA LIDO NENHUMA OBRA COMPLETA, E NÃO ACHO QUE É SINE QUA NON GANHAR O NOBEL PARA SER CHATO, TEMOS MAIS É QUE TER BOA VONTADE E CABEÇA ABERTA QUANDO OS LEMOS.É ISSO.HELENAMAS VOU LER OS DISCURSOS DE PAMUK AMIGO DE M.

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