A crueldade eterna

Após alguma resistência, comecei a ler “O filho eterno”, de Cristovão Tezza (Editora Record, 222 páginas). Ainda nã0 avancei muito, mas algumas passagens me surpreenderam. Positivamente. Não é leitura fácil pelo tema. O filho primogênito nasce com síndrome de Down e desmorona todo um plano de vida “que ainda não havia começado”. A descrição do parto é aguda. “O nascimento é uma brutalidade natural, a expulsão obscena da criança, o desmantelamento físico da mãe até o último limite da resistência, o peso e a fragilidade da carne viva, o sangue – cria-se um mundo inteiro de signos para ocultar a coisa em si, tosca como uma caverna escura”. Hoje, domingo, me peguei escutando Solitude e pensando no mundo e no mundo da paternidade. Tudo faz sentido. Nada faz sentido. A literatura é o melhor dos mundos, um tempo abstrato em que tudo é possível, basta um “delete” e tudo está bem de novo. Cá, a realidade não permite que a crueldade tenha fim, seja efêmera. Ela é eterna. E acaba-se o domingo, “o dia em que o Senhor descansou”, e eu,”In my solitude/ I sit in my chair/And filled with despair/ There’s no one could be so sad/ With gloom everywhere/ I sit and I stareI know that/ I’ll soon go mad”.

Discussão - 10 comentários

  1. ped paulo disse:

    Amigo, estás muito melancólico! Que passas contigo?

  2. Silvia C.A.M. disse:

    Tenho um filho com Down. Eu e meu marido lemos o livro, pois o homem é sempre muito mais acomodado e acha que tudo é culpa da mulher, que deu um cromossomo X a mais.Meu filho tem 17 anos e é o meu filho mais carinhoso e honesto em seus sentimentos. Meus outros três filhos normais são carinhosos também mas é muito diferente. Se pudesse escolher, teria meu filho de novo e passaria pelos mesmos caminhos. Ele é um amor. O meu marido tinha vergonha que nem lá no livro e mudou bastante, ele se diverte muito e está muito feliz. Não vi nenhuma crueldade e graças a Deus meu filho veio para iluminar a minha vida.

  3. Anonymous disse:

    Crueldade é infligir ao ser nascido a nódua do pesadelo real.

  4. Anonymous disse:

    ACHO MELHOR EU NÃO ENTRAR NESTA TROCA DE IDÉIAS.CADA UM COM A SUA, A LINHA É MUITO TÊNUE E “QUALQUER SOLTO SOM PODE DAR TUDO ERRADO”

  5. Theo disse:

    A gente às vezes sabe, desde sempre, dos sentimentos mais difusos. Só depois é que vai aprendendo a dar nome aos bois. Até agora não descobri se isto é uma vantagem… quando a existência dá suas estocadas, saber que já sabia o que se soube certamente ameniza, e muito.Se não fosse o humor e certas canções, o Domingão já nos teria vencido, hã??Abração!

  6. Theo disse:

    Caro Amigo, manja a canção, moços, pobres moços (rss…) sou um deles… celebrando a possibilidade concedida de poder acompanhar, VIVINHO da silva, a passagem do tempo… eu não valho nada, mas meus dias… ah, esses valem cada lágrima e/ou gota de sangue…No mais, é ir batendo as faltas e os pênaltis que a juizada ruim da Vida inventa…AbraaaaaaaaaaaaaaaaaaAÇO!!

  7. Anonymous disse:

    PED PAULO, OIÊEEEEEEEEEEEEEEEEE,E AI ,TUDO 10?!BJUS, BOA VIDA PRÁ VC.THÉO,TU É “MUDERNO” DEMAIS, FICO ASSIM Ó, PASSADA!!!!!!!!!!BEIJÃO

  8. amigo de montaigne disse:

    Ped Paulo, um pouco de melancolia, apenas.Sílvia, se posso dizer alguma coisa é que não há nenhum fundamento genético dizer que “a culpa é sua”, pois os cromossomos sexuais “X” e “Y” nada têm a ver com a síndrome de Down, que se caracteriza por três cromossomos “21”( o normal são dois cromossomos 21). Não leve essa nódoa com você. Theo, o domingão é de lascar!

  9. Theo disse:

    Enquanto amor, buteco & amizade houver, vamo que vamo…Abração!

  10. Theo disse:

    Os meus filhos, Amigo, fizeram 1 milagre: transformaram em algo próximo de gente aquilo que parecia fadado a ser somente indigência… sacumé?!??Abração!

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