Oxímoro dominical

Ando sem tempo. Para os pragmáticos, nada mais que indisciplina. Para os místicos, inferno astral. Para mim, um pouco dos dois. Seja lá qual for a razão, passei o domingo sem nenhuma pausa livre para o blog. No rádio, por acaso, uma canção de Lenine chamou a minha atenção. Paciência. Vontade de parar tudo, fugir do caos de São Paulo meio a la Bouvard e Pécuchet ou a la Jack Kerouac. Entendi o que quis dizer Manoel de Barros com o verso “não aguento ser um sujeito que olha o relógio”. É isto – sou um escravo do relógio. Reificação absoluta; as coisas têm a mim e eu não as tenho. Será lúcida essa loucura imposta pelas coisas? Apenas um oxímoro, talvez. A ciência já comprovou: inferno astral tem fim. Ou será só mais um oxímoro?

Paciencia – Lenine

Discussão - 10 comentários

  1. Amigo de Montaigne disse:

    Obrigado pela visita!
    Abs, Amigo de Montaigne.

  2. Joey Salgado disse:

    “Reificação absoluta; as coisas têm a mim e eu não as tenho.”
    Jamais esquecerei essa sentença.
    Inté!

  3. maria disse:

    eu não uso relógio de pulso – mas é só disfarce. não sei se as coisas me têm, mas o fato é que o tempo se esgueira pelos cantinhos e me deixa atordoada, sem saber para onde foi.
    obrigada pelo belo lembrete.
    a vida é rara.

  4. Amigo de Montaigne disse:

    Sim, a vida é tão rara…
    Abs!

  5. Max disse:

    Caro Amigo,
    por que não aceitaste meu comentário anterior?

  6. Amigo de Montaigne disse:

    Caro Max, não recebi o seu comentário anterior. Nada pessoal.
    Abs, Amigo de Montaigne.

  7. Max disse:

    Bem, sendo assim, eu o reenvio:
    “Fora de tópico, mas: qual sua opinião sobre a reforma ortográfica?”

  8. Amigo de Montaigne disse:

    Se for para aumentar o número de leitores, sou a favor. Duvido que a reforma seja a solução. Esperemos. E deixemos a língua fluir.
    Abs!

  9. Chloe disse:

    Caro Amigo de Montaigne,
    sua postagem me fez lembrar de um livro da escritora Lya Luft (Múltipla Escolha), onde ela trata da idéia de estarmos vivendo:
    ‘A falsa liberdade e a síndrome do “ter de”… Eu tenho que fazer o que se espera de mim.’
    ‘… seja o que for, temos de estar entre os melhores, fingindo não ter falhas nem limitações. Ninguém pode se contentar em ser como pode…’
    Na minha opinião, a sindrome do ‘ter de’ tem muita relação com a ‘loucura imposta pelas coisas’. Pelas coisas…?
    Abç. ; )
    C.

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