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Estados brasileiros contra o aquecimento global

Voc√™s sabiam que 30% do munic√≠pio de Recife, em Pernambuco, est√° abaixo do n√≠vel do mar? Que 90% do estado do Rio Grande do Norte √© semi√°rido? E que o Amap√° sofre com o desemprego, embora tenha a maior parte da floresta Amaz√īnica do Estado conservada? Se o clima do planeta continuar esquentando, esses locais v√£o sofrer com inunda√ß√Ķes, desertifica√ß√£o ou mais mis√©ria. Para evitar as cat√°strofes, representantes dos governos de onze estados brasileiros mais o Distrito Federal se reuniram no evento F√≥rum Clima 2019, que aconteceu no Rio de Janeiro. Na ocasi√£o, eles falaram sobre tentar cumprir o Acordo de Paris assinado pelo Brasil, que prev√™ a redu√ß√£o de 37% das emiss√Ķes de gases de efeito estufa at√© 2015, tendo como base o que o pa√≠s lan√ßou na atmosfera em 2005. Os representantes dos estados contaram que, para isso, v√£o buscar melhorar a mobilidade das cidades, gerar novos empregos aliados ao uso de tecnologias renov√°veis como energia e√≥lica e o Esp√≠rito Santo destacou que quer acabar com os aterros de res√≠duos. Al√©m dos estados, participaram dos debates representantes de empresas, pesquisadores e organiza√ß√Ķes do terceiro setor. Juntos, eles formaram um conselho informal que tem como objetivo assumir a lideran√ßa pol√≠tica para a quest√£o clim√°tica no Brasil.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Isis Nóbile Diniz

Rio de Janeiro: é preciso planejamento

O Rio de Janeiro, mais uma vez, foi atingido por uma trag√©dia: a chuva. Deixando mortos, desabrigados e destrui√ß√£o. Segundo o Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a chuva acumulada em 24 horas foi o triplo da m√©dia para o m√™s em duas esta√ß√Ķes da cidade. Parece um triste filme que j√° vimos antes. Apenas neste ano, este √© o terceiro epis√≥dio de chuva extrema no Rio. De acordo com meteorologistas do Climatempo, a √°gua do mar tem estado com a temperatura acima do normal entre o litoral de S√£o Paulo e do Rio de Janeiro. E quanto mais quente, h√° mais evapora√ß√£o e umidade dispon√≠vel para formar as chuvas. Na capital fluminense, os morros da cidade acabam segurando as nuvens sobre ela. Para piorar essa combina√ß√£o, a faixa de terra em muitos morros do Rio de Janeiro √© pequena. Sob esse solo, h√° geralmente uma rocha chamada granito, a mesma do famoso P√£o-de-A√ß√ļcar. Assim, a chuva vai encharcando essa pequena faixa de solo at√© ele ficar muito pesado e ocorrem os deslizamentos de terra. Do outro lado da cidade, o mar pode ser agitar com os ventos causando ressacas. O Rio de Janeiro fica espremido entre essas for√ßas da natureza. Conclus√£o: v√°rios pontos da cidade s√£o locais sens√≠veis a trag√©dias naturais. Com o aquecimento global, os moradores do Rio podem correr ainda mais riscos, j√° que eventos extremos ficar√£o mais frequentes e ter√£o mais for√ßa. O Rio de Janeiro precisa de planejamento para evitar trag√©dias como a de agora e para enfrent√°-las mais adequadamente. E tamb√©m entender e respeitar os limites naturais. Antes tarde do que nunca.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Isis Nóbile Diniz

2019: este pode ser o ano mais quente

Uma falante novidade: sou colunista de sustentabilidade do programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Aqui, publico o que falei por lá.

Est√° calor a√≠? Aqui est√° muito quente! E parece que esse calor√£o todo vai permanecer. √Č bom se preparar: pesquisadores t√™m alertado que 2019 deve ser o ano mais quente j√° registrado! Isso porque a temperatura do planeta tem aumentado continuamente devido ao aquecimento global. As pesquisas mostram que as a√ß√Ķes humanas como uso intensivo de combust√≠veis f√≥sseis e queimadas de florestas lan√ßam na atmosfera gases que ret√©m o calor dos raios solares, esquentando o planeta mais do que deveriam. Somado a isso, desde dezembro de 2018 o fen√īmeno El Ni√Īo tem elevado a temperatura da superf√≠cie do mar do Pac√≠fico. E qualquer mudan√ßa na temperatura do oceano afeta diretamente o tempo do planeta todo, em menor ou maior quantidade. O El Ni√Īo pode contribuir com uma seca mais intensa no Nordeste, por exemplo. Al√©m disso, as regi√Ķes Sudeste, Sul e o estado do Mato Grosso do Sul devem ficar com temperaturas acima da m√©dia at√© junho. Essas informa√ß√Ķes s√£o do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Aproveite para sintonizar, todo dia entre 5h e 7h da manh√£, na r√°dio para saber as √ļltimas not√≠cias e ainda ouvir m√ļsica! ūüôā¬†

Foto: Welcomia/ Freepik

Quanto suas a√ß√Ķes impactam o meio ambiente?

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Voc√™ sabia que suas a√ß√Ķes emitem direta e/ou indiretamente gases de Efeito Estufa (GEE) que podem piorar o Aquecimento Global?

O Efeito Estufa √© essencial para nossa esp√©cie – e todas as outras. Isso porque gra√ßas a ele nosso planeta se mant√©m quentinho possibilitando a nossa sobreviv√™ncia. Ele √© um fen√īmeno natural onde os raios infravermelhos enviados pelo Sol ficam retidos na atmosfera da Terra gra√ßas a esses gases.

O problema √© que algumas a√ß√Ķes nossas, do homo sapiens, est√£o aumentando a quantidade desses gases. O que eleva o Efeito Estufa. Assim, segundo algumas pesquisas, j√° est√£o nos fazendo suar mais. E isso se chama: Aquecimento Global.

Embora o Aquecimento Global pare√ßa algo inalcan√ß√°vel, impalp√°vel, n√≥s vamos sofrer cada vez mais na pele as suas consequ√™ncias. Sei que podemos nos sentir injusti√ßados, j√° que ele √© resultado de diversas a√ß√Ķes humanas realizadas ao longo de anos (nos quais eu nem era nascida).

Mas… Podemos fazer bastante coisa para evitar, literalmente, cat√°strofes em sua decorr√™ncia – e cuidarmos das gera√ß√Ķes futuras (√© justo deixar um planeta habit√°vel). Uma delas, ainda por cima, √© divertida: calcular a sua Pegada de Carbono. Ou seja, o quanto voc√™ emitiu, anualmente, de gases capazes de piorar o Aquecimento Global.

Para isso, a Iniciativa Verde renovou a sua tradicional Calculadora de Carbono: http://www.iniciativaverde.org.br/calculadora/index.php com dados atuais. O mais interessante √© que ela, automaticamente, converte o seu impacto em n√ļmero de √°rvores nativas de Mata Atl√Ęntica que precisam ser plantadas para compensar essas emiss√Ķes.

Eu, por exemplo, preciso plantar cinco √°rvores (!) para compensar as minhas emiss√Ķes de 2015. Parece pouco, mas √© significativo! Como informa√ß√£o √© poder, sabendo o quanto voc√™ emite e onde emite mais, pode repensar as suas atitudes para 2016. Deixando a√ß√Ķes objetivas para cuidar do meio ambiente na cl√°ssica lista de resolu√ß√Ķes para o Ano Novo.

E que venha um 2016 mais verde!

Obs.: Na foto acima, plantando ipês no Parque Villa-Lobos (Sampa) com os amigos em evento promovido pela Iniciativa Verde na Virada Sustentável.

Cadê o aquecimento global com esse frio?

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O aquecimento global pode parecer um bicho-pap√£o que vai te pegar se voc√™ n√£o se comportar bem. E √© mais ou menos por a√≠, ao menos, segundo pesquisas cient√≠ficas. Pesquisas cient√≠ficas, aquecimento global, quanta coisa dif√≠cil! Mas vamos com calma tentar explicar que raios √© isso e se ele j√° est√° em a√ß√£o, apesar de ter nevado em Curitiba (PR) – suspiro, t√£o perto de Sampa… J√° se falou tanto em aquecimento global que ele deve fazer parte do inconsciente coletivo.

 

Resumindo a hist√≥ria, o nosso azul planeta Terra j√° passou por muitos aquecimentos e resfriamentos ao longo dos seus 4,6 bilh√Ķes de anos. Como sabemos disso? Devido a algumas evid√™ncias contidas, por exemplo, no gelo! De modo geral, quanto mais carbono h√° na atmosfera, mais isso indica que foram tempos quentes. Uma das maneiras de ver como era o clima da Terra √© analisando as bolhinhas de ar contidas nos glaciares – dep√≥sitos de gelo. Os cientistas calculam a idade do gelo (muitas vezes, quanto mais profundo, mais antigo) e verificam quanto de carbono tinha naquela √©poca.

 

E o que o carbono tem a ver com o clima do planeta? Ele √© um dos gases causadores do efeito estufa (a famosa sigla GEE, gases de efeito estufa). O efeito estufa, de certa maneira, √© √≥timo. Ele impede que o calor do Sol saia da nossa atmosfera terrestre. Gra√ßas a ele, temos um planeta com clima gostosinho para viver. Sem esse fen√īmeno, talvez, n√≥s nem existir√≠amos. Tome nota: o problema √© que, como era de se imaginar, quanto mais carbono na atmosfera, maior ser√° o resultado do efeito estufa.

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Ao longo dos 4,6 bilh√Ķes de anos, a√ß√Ķes naturais como as grandes erup√ß√Ķes vulc√Ęnicas fizeram a Terra esfriar porque impediram a entrada dos raios do Sol no planeta. Alguns pesquisadores acreditam que elas foram as respons√°veis pela extin√ß√£o, inclusive, dos dinossauros! Como as coisas parecem ser c√≠clicas neste planetinha perdido no universo, o clima da Terra voltou a esquentar. E, assim, a Terra seguiu vivendo.

 

Como eu disse acima, parece que o calor na Terra tem rela√ß√£o direta com o n√≠vel de carbono na atmosfera. Uso a palavra ‚Äúparece‚ÄĚ porque, em ci√™ncia, conforme os pesquisadores v√£o estudando, mais pe√ßas acham para montar o quebra-cabe√ßa da vida. J√° faz um tempo (mais de tr√™s d√©cadas) que os pesquisadores t√™m notado, com base em medi√ß√Ķes, que a temperatura de alguns lugares ficou mais quente. Por qu√™?

 

Vamos juntar as pe√ßas. Principalmente, desde a Segunda Revolu√ß√£o Industrial, quando o petr√≥leo foi ‚Äúdescoberto‚ÄĚ como fonte de energia, o planeta tem aquecido mais. Antes dessa explora√ß√£o, o petr√≥leo estava quietinho l√° nas profundezas da Terra (√†s vezes, nem t√£o fundo assim, apenas poucos metros da superf√≠cie do solo). A gente aprende na escola que o petr√≥leo foi, um dia, os dinossauros. Sabe-se que ele √© de origem org√Ęnica e composto por mol√©culas de carbono (r√°) e de hidrog√™nio.

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Agora, n√≥s, seres humanos, mandamos ver em queimar petr√≥leo. Queimamos para fazer ind√ļstrias funcionarem, para carros andarem, para avi√Ķes voarem. Essas mol√©culas de carbono v√£o para a atmosfera. Para piorar, a gente tem desmatado sem d√≥ as nossas maravilhosas florestas. As √°rvores ret√©m carbono, principalmente, durante o seu crescimento. Uma √°rvore da Mata Atl√Ęntica absorve 190 quilos de carbono, aproximadamente. Quando a gente desmata e, pior, queima essas √°rvores, aumenta a concentra√ß√£o de carbono na atmosfera. Lembra-se que, quanto maior a concentra√ß√£o de carbono na atmosfera, mais o planeta era quente? Matada a charada! Com base em estudos, estudos e mais estudos, os pesquisadores do famoso Painel Intergovernamental sobre Mudan√ßas Clim√°ticas (IPCC) projetam quanto o clima do planeta ficar√° mais quente.

 

A√≠, √© aquela bola sem neve. Quanto mais aumentar o clima do planeta, mais os gelos nas regi√Ķes frias da Terra v√£o derreter. Essa √°gua correr√° para o mar, que ficar√° mais alto. Mais alto, ele alagar√° cidades litor√Ęneas (onde vive a maior parte da popula√ß√£o do Brasil, se n√£o me engano) e acabar√° com ilhas. Milh√Ķes de pessoas ficar√£o sem casa. Os fen√īmenos como furac√Ķes ser√£o mais frequentes e mais fortes. √Č tipo a anuncia√ß√£o do fim do mundo. Fim do mundo para n√≥s e para outros seres vivos. Porque a Terra, meu bem, esta seguir√° seu movimento de transla√ß√£o em volta do Sol normalmente. Talvez, o eixo de rota√ß√£o seja alterado, como aconteceu quando houve o terremoto que atingiu o Jap√£o em 2011.

 

Bom, agora, voltando √† pergunta do t√≠tulo. Sim, S√£o Paulo teve o dia mais frio dos √ļltimos 50 anos. Apesar da friaca nas regi√Ķes Sul, Sudeste e Centro-Oeste, os √ļltimos invernos t√™m tido as temperaturas altas mais altas das √ļltimas d√©cadas. Portanto, est√° frio, mas o aquecimento global bate a porta. E, muita gente me pergunta: as chuvas fortes do ver√£o, os ciclones, os furac√Ķes que acontecem agora s√£o culpa do aquecimento global? Minha resposta sempre a deixa desanimada: ‚ÄúN√£o podemos afirmar‚ÄĚ. Cient√≠ficamente ainda n√£o podemos dizer que os eventos extremos que acontecem neste momento s√£o culpa do aquecimento global. Pode ser que sim, pode ser que n√£o. O fato √© que fen√īmenos naturais s√£o inevit√°veis, mas as trag√©dias que eles causam podem ser evitadas. Pense nisso.

Dica: O excelente fot√≥grafo James Balog, especializado em natureza, reparou que alguns glaciares pareciam encolher. A√≠, o cara teve a genial ideia de fotografar cada minuto de geleiras nos Estados Unidos, Groenl√Ęndia, entre outros lugares durante tr√™s anos. A saga rendeu o document√°rio “Chasing Ice“. Ele conseguiu captar a maior ruptura de gelo j√° filmada. Um bloco do tamanho de Manhattan, em Nova Iorque, se desprendeu fazendo um barulho ensurdecedor. O document√°rio poderia ser melhor, peca por se centrar muito na figura do fot√≥grafo e n√£o no aquecimento global em si, deixando de explorar dados colocados interessantes e imagens maravilhosas. Mas, se voc√™ se interessa pelo tema, vale a pena. VEJA OS INCR√ćVEIS V√ćDEOS DOS GLACIARES AQUI.

Obs.: As fotos foram tiradas, respectivamente, na √Āfrica do Sul, no Chile e na divisa de S√£o Paulo com Minas Gerais.

Google Street View debaixo do mar

As imagens são tão incríveis que preciso compartilhar. O Google e a Universidade de Queensland, na Austrália, com o patrocínio do grupo multinacional de seguros Catlin, estão mapeando fotograficamente a Grande Barreira de Corais australiana, a maior do mundo com 2,3 mil km de comprimento. O objetivo do projeto, chamado Catlin Seaview Survey, é verificar os impactos do aquecimento global nesse ambiente marinho.

N√≥s, peixes fora d’√°gua, podemos fazer um tour virtual pelo maravilhoso mundo do coral sem molhar um dedinho! As institui√ß√Ķes disponibilizam as imagens no esquema Google Street View – Seaview (mar + vista) , pegou? – para qualquer ser humano que navegue na internet. Basta voc√™ clicar aqui e cair no mar australiano. Por enquanto, apenas sete pontos do coral est√£o dispon√≠veis, mas 20 j√° foram fotografados. O grupo diz que ir√° publicar as imagens j√° tiradas – e quem sabe outras novas.

 

Se voc√™ tem medo de mergulhar ou curiosidade sobre como √© a vida marinha, eis a chance. N√£o √© a mesma sensa√ß√£o que pular no mar carregando um cilindro nas costas, mas d√° para saciar a vontade. Al√©m da p√°gina do projeto, os organizadores criaram um canal no Youtube – que tem, por enquanto, apenas um v√≠deo. Para saber mais informa√ß√Ķes sobre o projeto clique nos links: Catlin Seaview Survey, Universidade de Queensland, press release da Catlin Group, mat√©ria na NewScientist e post no Guizmodo.

Como é mergulhar
Lembro do meu primeiro mergulho com cilindro como se fosse ontem: ponto Cagarras, Fernando de Noronha, 2009. Estava ansiosa no Porto Santo Ant√īnio. Enquanto esperava o barco que nos levaria ao ponto de mergulho, com os cotovelos apoiados no encosto do banco de madeira, observava os siris indo e vindo com a mar√© no fundo do mar e jogava conversa fora com um forasteiro que se autodenominava “pirata”.

 

Ele morava em São Paulo e, a cada seis meses, seguia para a ilha da fantasia admirar seu animal preferido: a ave fragata. Durante o voo, a pirata aérea rouba o alimento de outros pássaros batendo na cabeça deles até regurgitarem o peixe pescado.

 

O céu da manhã continuava azul límpido pontilhado de próximas aves quando a embarcação aportou. Respirei fundo: a hora se aproximava. Sempre quis mergulhar. Era um sonho, mas ao mesmo tempo, um pesadelo. Sentia falta de ar só por pensar em permanecer debaixo da água presa a um cilindro que tem a metade do meu peso Рmal eu sabia seria amarrado, na minha cintura, mais pesos. Mas a curiosidade, para variar, era maior que o meu receio.

 

Ap√≥s navegarmos por menos de meia hora em dire√ß√£o a outras ilhas do arquip√©lago mais ao norte, o capit√£o desliga o motor. Chegamos. Paramos em frente a uma ilha rochosa. O mar estava calmo. O c√©u tamb√©m. As aves. Vamos ao que chamam de “bastimo” guiado por instrutores. Tivemos uma breve aula em alto mar sobre mergulho e como proceder com os equipamentos. Beleza! Sou sorteada para ser guiada por um dos instrutores mais experientes – e bem humorados.

 

Vesti o macac√£o de borracha, os p√©s de pato, a m√°scara. O instrutor me ajudou a colocar um colete infl√°vel, pesos na cintura e, por fim, o cilindro. A maioria dos marinheiros de primeira viagem saltaram em dire√ß√£o a √°gua. “Quem garante que o colete suporta na superf√≠cie do mar o meu peso e mais o de todos esses equipamentos comigo?”, pensei. N√£o quis pular. J√° na √°gua, o instrutor me deu a m√£o e eu saltei sentada. Agora, vamos l√°!

 

Estava tão tensa que nem reparei no azul profundo em minha volta. Segundos seguidos, fiquei eufórica. U-A-U. Aquele mundo, que só tinha visto em documentário ou da superfície com meu equipamento de snorkeling, se abria. Rapidinho, senti uma paz tomando conta do meu corpo e da minha mente.

 

O guia percebeu que eu n√£o apertava mais a sua m√£o. Viu minha risada estampada. E me guiou por um mundo de corais que se fecham ao se aproximarem dos dedos, polvo vermelho arredio √† nossa presen√ßa muito pr√≥xima dele, moreias verdes e coloridas amea√ßadoras a menos de 30 cm de dist√Ęncia, tartarugas com comportamento parecido ao do filme “Procurando Nemo”.

 

Al√©m da sensa√ß√£o de paz e seguran√ßa, o que mais me chamou a aten√ß√£o foi passar despercebida pelos peixes e tartarugas. Eles n√£o se assustavam com a nossa presen√ßa. Pareciam at√© chegar mais perto por curiosidade. √Čramos peixes. Um novo mundo calmo e colorido se abria. Encantador.

 

Atingimos cerca de 15 metros de profundidade. Eu olhava para cima, via o pared√£o de pedra sobre mim e na superf√≠cie o sol refletido. Enquanto viajava naquela nova imensid√£o, o guia cobrava a subida. A meia hora passou como se fosse um minuto. Eu fazia que n√£o com o dedo e a cabe√ßa. Queria mergulhar mais… De nada adiantou teimar. Colete inflado pelo guia, superf√≠cie √† vista. Bem que os instrutores alertaram: “Quando estiver l√° embaixo, n√£o vai querer subir”. E, assim, eu me apaixonei.

Est√° chegando a Hora do Planeta!

Anote na agenda. Dia 27 de março, às 20h30, é a hora de apagar todas as luzes por 60 minutos e se juntar à Hora do Planeta. Trata-se de um protesto mundial contra o aquecimento global, organizado pela ONG WWF.
De acordo com a institui√ß√£o, em 2009, 113 cidades brasileiras participaram do movimento. √ćcones como o Cristo Redentor, a Ponte Estaiada, o Congresso Nacional e o Teatro Amazonas ficaram no escuro. J√° coloquei meu nome entre os participantes. Fa√ßa o mesmo neste link. E, para saber mais, clique aqui tamb√©m.

Por que est√° chovendo tanto?

N√£o √© culpa do aquecimento global. Ao menos foi o que tr√™s meteorologistas me disseram em pr√©-entrevistas – para a televis√£o a gente entrevista a pessoa por telefone antes de falar, pessoalmente, com microfone. Eles disseram que n√£o d√° para afirmar que as chuvas de hoje j√° s√£o consequ√™ncia do aquecimento global. Mas eles t√™m certeza de que a “culpa” √© do danado “El Ni√Īo”.
De acordo com o Centro de Previs√£o de Tempo e Estudos Clim√°ticos (CPTEC), o El Ni√Īo √© um fen√īmeno atmosf√©rico-oce√Ęnico caracterizado por um aquecimento anormal das √°guas superficiais no oceano Pac√≠fico Tropical – na altura da Linha do Equador. Esse aquecimento pode afetar o clima global mudando os padr√Ķes de vento. O que, por sua vez, atinge os regimes de chuva das regi√Ķes tropicais.
Resumindo de maneira bem simplista, a √°gua do mar aquece l√° no Equador. Forma nuvens. O vento empurra elas para c√°. E, aqui no Sudeste, elas nos molham. Mas… nem sempre foi assim. O El Ni√Īo j√° deixou o clima do Sudeste equilibrado.
Segundo alguns pesquisadores, talvez por ter chovido muito l√° no Norte do Brasil no in√≠cio do ano passado – lembram-se das inunda√ß√Ķes? – h√° mais √°guas para evaporar. E vir parar aqui no Sudeste. Assim, cada vez que aparece, sua intensidade pode ser diferente.
O El Ni√Īo pode ocorrer entre 3 e 7 anos. E, ter dura√ß√£o de um ano. Por isso muitas √°guas ainda ir√£o rolar. Para entender melhor o fen√īmeno, apesar da linguagem t√©cnica, encontrei uma anima√ß√£o no site do CPTEC. Veja aqui.
Bom, o fen√īmeno foi batizado como El Ni√Īo pelos pescadores do Peru e do Equador em refer√™ncia ao Ni√Īo Jesus – ou Menino Jesus. Isso porque as √°guas ficam mais quentes nesses pa√≠ses perto da √©poca de Natal. Agora, sabendo disso, deixemos o aquecimento global para outra conversar de bar. Fui tomar chuva!

E o livro “Seis Graus” vai para…

o Marcelo! Parabéns, sortudo! Ho, ho, ho!
Para quem caiu de paraquedas… O Xis-xis sorteou o livro “Seis Graus”, escrito por Mark Lynas e editado pela Jorge Zahar Editor. Um mimo de Natal – que est√° chegando! Para se inscrever, bastava dizer o que fazia para conter o aquecimento global. Mas n√£o escolhi a “melhor” ideia – o que seria deveras subjetivo. Fiz um sorteio, mesmo.
E pedi para as pessoas serem criativas. Entre serinhos e piadistas, surgiram coment√°rios interessantes. O Marcelo, o grande vencedor, escreveu:
“Bom, diversas atitudes para combater o aquecimento. desde o controle do banho at√© o projeto da casa onde vou morar que conta com 100% de reaproveitamento da √°gua usada + √°gua da chuva. Garantia de regulagem do motor do carro para o m√≠nimo de emiss√Ķes, n√£o deixar eletrodom√©sticos desnecessariamente conectados √† rede el√©trica, uso somente de produtos “verdes” e assim por diante. Parab√©ns pelo blog.”
Confira com seus pr√≥prios olhos o resultado do sorteio – se seu nome n√£o aparece, √© porque √© um dos √ļltimos, que um dia ser√£o os primeiros:
sorteio seis graus.jpg
Um beijo da Isis Noel!

Sabia que os corais fazem barulho?

Escute no vídeo gravado pelo @gustamn:

Primeira manh√£ em Fernando de Noronha, naveguei para pasmar nas praias voltadas ao continente… e me encantei pela √°gua do mar. Ela parecia gelatina – sabe quando d√° para observar o fundo, mas distorcido? N√£o via a hora de pular naquela √°gua cristalina.
Depois percorrer a ilha de ponta a ponta – do Porto at√© a Ponta da Sapata – paramos na Ba√≠a do Sancho. Naquela famosa praia considerada a mais linda do Brasil. Na minha opini√£o, √© mesmo e minha praia preferida – bobinha. Porque, al√©m de bela por fora, √© encantadora por debaixo d’√°gua. No rasinho, vi arraias, tartarugas, peixinhos coloridos a nadar no mar.
Mais que tudo, fant√°stico foi pular nessa ba√≠a pela primeira vez. O barco atracou pr√≥ximo a um coral que muitos chamam de “laje”. Creio eu por ser uma laje de pedra onde o coral cresceu em cima. Quanto mais pr√≥ximo se chega ao coral – √© proibido tocar – um barulho estranho aumenta. O coral parece que estala!
Sa√≠ do mar curiosa. Para variar, perguntei ao barqueiro: “Que barulho √© esse?” Ele disse: “√Č do coral”. Maravilhoso! Pronto, me apaixonei.
Mas por que o coral faz barulho?
Meu colega Igor Santos, do 42, passou um link da BBC News – aqui, em ingl√™s. De acordo com a mat√©ria, invertebrados – como camar√Ķes – emitem um som de alta freq√ľ√™ncia e os peixes produzem um som mais agudo. Logo… o barulho dos corais √© causado pelos sons dos invertebrados e dos peixes se alimentando. B√°rbaro?
Sim, se essa d√°diva n√£o estivesse em perigo. De acordo com o Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC, ou Painel Intergovernamental de Mudan√ßas Clim√°ticas), o aumento da temperatura do mar poder√° prejudicar os corais. Al√©m disso, a polui√ß√£o deixou os oceanos mais √°cidos – como era h√° 65 milh√Ķes de anos. Nessa √©poca, atividades vulc√Ęnicas que liberaram gases do efeito estufa causaram a extin√ß√£o de esp√©cies que viviam em √°guas profundas.
Segundo os pesquisadores, se nada for feito, os oceanos poderão se tornar inóspitos ou com pouca biodiversidade. E teremos que dizer adeus ao fantástico barulho dos corais. Também, adeus, Noronha.
Este post faz parte do Blog Action Day. Uma iniciativa internacional em busca da união de todos os blogs por uma causa. Este ano, contra as mudanças climáticas. Veja as fotos do passeio de barco aqui.