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Mata Atl√Ęntica est√° se recuperando aos poucos, aponta estudo

Hoje trago uma boa not√≠cia. Um estudo cient√≠fico feito por mais de 20 pessoas de dez institui√ß√Ķes diferentes mostrou que cerca de 740 mil hectares de Mata Atl√Ęntica estavam em recupera√ß√£o entre os anos de 2011 e de 2015. Isso corresponde a 740 mil campos de futebol que agora est√£o se tornando floresta! O estudo foi organizado pelo Pacto para a Restaura√ß√£o da Mata Atl√Ęntica, um movimento criado em 2009 por empresas, √≥rg√£os do governo, ONGs e centros de pesquisa. Na √©poca do seu lan√ßamento, fiz uma mat√©ria sobre o assunto. O Pacto quer recuperar 15 milh√Ķes de hectares degradados at√© 2050, o equivalente a quase 100 cidades de S√£o Paulo. Algo que eles ainda consideram poss√≠vel. Para isso, o grupo procura fomentar pol√≠ticas p√ļblicas que facilitem o processo de recupera√ß√£o de √°reas e evitem desmatamentos. Al√©m disso, ONGs atuam no plantio de √°rvores nativas por meio do financiamento de pessoas e de empresas. √Č um grande trabalho em conjunto que est√° dando resultado. O Atlas da Mata Atl√Ęntica, uma iniciativa da SOS Mata Atl√Ęntica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indica que 12,4% da √°rea original de Mata Atl√Ęntica est√° preservada. E o desmatamento nessa floresta cai a cada ano.

A foto eu tirei no Parque Nacional de São Joaquim.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna sobre sustentabilidade vai ao ar.

Luz para quem está sem energia elétrica

Muitas pessoas no Brasil ainda sofrem com car√™ncias b√°sicas como, por exemplo, a falta de energia el√©trica. Estima-se que at√© dois milh√Ķes de pessoas ainda est√£o no escuro, sem energia el√©trica em casa. E a maior parte delas vive na Amaz√īnia. Regi√£o que, ironicamente, √© respons√°vel por quase um quarto da capacidade de gera√ß√£o de energia instalada no pa√≠s. O IEMA, Instituto de Energia e Meio Ambiente, fez estudos para analisar o projeto Xingu Solar do ISA, Instituto Socioambiental. Por meio do projeto, o ISA instalou 70 sistemas fotovoltaicos em 65 aldeias do Territ√≥rio Ind√≠gena do Xingu. Um projeto piloto para estudar alternativas mais sustent√°veis de levar energia a essas pessoas desatendidas. No Xingu, a popula√ß√£o j√° tinha gerador a diesel para fornecer energia el√©trica em locais comunit√°rios como escolas e postos de sa√ļde. Mas o gerador a diesel √© poluidor, barulhento, quebra mais facilmente e precisa ser abastecido por combust√≠vel constantemente. O levantamento do IEMA mostrou que a popula√ß√£o do local prefere a energia solar porque se sente mais segura, j√° que ela √© mais constante quando h√° sol. Por exemplo, 43% das aldeias com energia solar tiveram escolas que disponibilizam ensino noturno contra 25% das demais. O estudo foi divulgado no Feira-Simp√≥sio Energia e Comunidades, em Manaus, evento organizado por ONGs e associa√ß√Ķes. Agora, essas organiza√ß√Ķes soltaram uma carta aberta ressaltando a necessidade de um Plano Nacional para identificar as popula√ß√Ķes sem acesso √† energia el√©trica, visando a resolu√ß√£o do problema. E devem pressionar e colaborar para que isso seja solucionado.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Munir Younes Soares/ IEMA

O que tem no ar que você respira? Sabe?

Hoje √© o Dia Mundial do Meio Ambiente. E, este ano, a ONU, Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas, escolheu o tema ‚Äúpolui√ß√£o do ar‚ÄĚ para alertar as pessoas sobre o problema praticamente invis√≠vel aos olhos, mas que o cora√ß√£o sente. Segundo a ONU, 92% por cento das pessoas em todo o mundo respiram um ar sujo. Apesar do Brasil ser um pa√≠s bonito por natureza, tamb√©m temos pouco a comemorar. Teoricamente, o ar que respiramos deveria ser monitorado para sabermos o que respiramos. Principalmente, em √°reas urbanas onde mora muita gente e onde os problemas de qualidade do ar est√£o associados √†s emiss√Ķes de poluentes de ve√≠culos como carros, motos e √īnibus. No Parque do Ibirapuera, em S√£o Paulo, a concentra√ß√£o de oz√īnio chegou a atingir mais que o dobro do que o n√≠vel recomendado pela Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde entre os anos de 2013 e 2016. De acordo com o novo levantamento do IEMA, Instituto de Energia e Meio Ambiente, apenas onze estados mais o Distrito Federal monitoram a qualidade do ar. Al√©m disso, entre os poluentes medidos no Brasil, os √ļnicos que n√£o apresentam uma tend√™ncia clara de queda s√£o o material particulado fino, um dos maiores respons√°veis por doen√ßas respirat√≥rias e cardiovasculares, e o oz√īnio, que √© fator de risco para o desenvolvimento de asma.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Isis Nóbile Diniz

A Amaz√īnia √© maior do que se pensava!

Hoje, trago boa not√≠cia! Pesquisadores de tr√™s universidades brasileiras descobriram que a Amaz√īnia √© maior do que a oficial, mapeada pelo IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estat√≠stica! Em alguns locais, a profundidade dela pode ser de at√© 250 km de diferen√ßa! Al√©m disso, o estudo revela que a √°rea de transi√ß√£o da Floresta Amaz√īnica para o Cerrado √© mais biodiversa do que em cada bioma separado. Eles desconfiaram de que havia algo estranho quando visitaram algumas √°reas tidas oficialmente como Cerrado, mas na verdade viram que eram florestas de transi√ß√£o entre os biomas. Essas florestas s√£o diferentes, t√™m √°rvores menores, e s√£o importantes porque formam uma esp√©cie de escudo de prote√ß√£o por serem mais resistentes √†s queimadas. Ao mesmo tempo, eles viram √°reas de florestas maiores, mais densas, tamb√©m constando como Cerrado. Ao checarem o mapeamento oficial, os pesquisadores verificaram que as ferramentas utilizadas quando ele foi produzido nos anos de 1970 eram menos precisas que as de hoje. Agora, os cientistas est√£o refazendo os limites da Amaz√īnia e devem lan√ßar o novo mapa at√© o fim deste ano. Isto ser√° importante porque a Amaz√īnia √© mais protegida por lei do que o Cerrado. Ser√° mais uma maneira para tentar conter o desmatamento, principalmente, criminoso.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Estados brasileiros contra o aquecimento global

Voc√™s sabiam que 30% do munic√≠pio de Recife, em Pernambuco, est√° abaixo do n√≠vel do mar? Que 90% do estado do Rio Grande do Norte √© semi√°rido? E que o Amap√° sofre com o desemprego, embora tenha a maior parte da floresta Amaz√īnica do Estado conservada? Se o clima do planeta continuar esquentando, esses locais v√£o sofrer com inunda√ß√Ķes, desertifica√ß√£o ou mais mis√©ria. Para evitar as cat√°strofes, representantes dos governos de onze estados brasileiros mais o Distrito Federal se reuniram no evento F√≥rum Clima 2019, que aconteceu no Rio de Janeiro. Na ocasi√£o, eles falaram sobre tentar cumprir o Acordo de Paris assinado pelo Brasil, que prev√™ a redu√ß√£o de 37% das emiss√Ķes de gases de efeito estufa at√© 2015, tendo como base o que o pa√≠s lan√ßou na atmosfera em 2005. Os representantes dos estados contaram que, para isso, v√£o buscar melhorar a mobilidade das cidades, gerar novos empregos aliados ao uso de tecnologias renov√°veis como energia e√≥lica e o Esp√≠rito Santo destacou que quer acabar com os aterros de res√≠duos. Al√©m dos estados, participaram dos debates representantes de empresas, pesquisadores e organiza√ß√Ķes do terceiro setor. Juntos, eles formaram um conselho informal que tem como objetivo assumir a lideran√ßa pol√≠tica para a quest√£o clim√°tica no Brasil.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Isis Nóbile Diniz

Rio de Janeiro: é preciso planejamento

O Rio de Janeiro, mais uma vez, foi atingido por uma trag√©dia: a chuva. Deixando mortos, desabrigados e destrui√ß√£o. Segundo o Cemaden (Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a chuva acumulada em 24 horas foi o triplo da m√©dia para o m√™s em duas esta√ß√Ķes da cidade. Parece um triste filme que j√° vimos antes. Apenas neste ano, este √© o terceiro epis√≥dio de chuva extrema no Rio. De acordo com meteorologistas do Climatempo, a √°gua do mar tem estado com a temperatura acima do normal entre o litoral de S√£o Paulo e do Rio de Janeiro. E quanto mais quente, h√° mais evapora√ß√£o e umidade dispon√≠vel para formar as chuvas. Na capital fluminense, os morros da cidade acabam segurando as nuvens sobre ela. Para piorar essa combina√ß√£o, a faixa de terra em muitos morros do Rio de Janeiro √© pequena. Sob esse solo, h√° geralmente uma rocha chamada granito, a mesma do famoso P√£o-de-A√ß√ļcar. Assim, a chuva vai encharcando essa pequena faixa de solo at√© ele ficar muito pesado e ocorrem os deslizamentos de terra. Do outro lado da cidade, o mar pode ser agitar com os ventos causando ressacas. O Rio de Janeiro fica espremido entre essas for√ßas da natureza. Conclus√£o: v√°rios pontos da cidade s√£o locais sens√≠veis a trag√©dias naturais. Com o aquecimento global, os moradores do Rio podem correr ainda mais riscos, j√° que eventos extremos ficar√£o mais frequentes e ter√£o mais for√ßa. O Rio de Janeiro precisa de planejamento para evitar trag√©dias como a de agora e para enfrent√°-las mais adequadamente. E tamb√©m entender e respeitar os limites naturais. Antes tarde do que nunca.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Isis Nóbile Diniz

Brasil pode ter maior parque eólico da América do Sul

O Brasil √© o pa√≠s com maior potencial para a energia e√≥lica no mundo. Isso porque aqui temos ventos constantes em velocidade e em dire√ß√£o a maior parte do ano. Mas o pa√≠s ainda est√° em oitavo lugar no que diz respeito √† capacidade instalada de produ√ß√£o de energia e√≥lica. Ou seja, no quanto podemos gerar de energia. Agora, parece que nosso potencial ser√° mais utilizado. A energ√©tica italiana Enel iniciou a constru√ß√£o do que ser√° o maior parque e√≥lico da Am√©rica do Sul. O projeto fica no sul do Piau√≠, ter√° 230 turbinas e custar√° quase 3 bilh√Ķes de reais. Se tudo der certo, o parque entra em opera√ß√£o daqui a dois anos. Hoje, cerca de 80% da energia el√©trica que abastece nossa resid√™ncia ou nosso trabalho √© proveniente dessas fontes renov√°veis como principalmente hidrel√©trica. Isso para quem faz parte do Sistema Interligado Nacional, aqueles dos fios de alta tens√£o. De certa maneira, toda gera√ß√£o de energia tem impacto ambiental e social. Mas √© muito mais po√©tico e ambientalmente correto optar por energias que usam for√ßas da natureza como o vento e o raios solares do que as t√©rmicas, por exemplo, que produzem por meio da queima de combust√≠veis f√≥sseis.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Ana Carolina Sartelli/ Flickr

Participe de vaquinha para plantar uma floresta

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Muita gente me pergunta: “Como posso ajudar a ONG onde voc√™ trabalha”? A-h√°! De v√°rias maneiras. Agora, mais do que nunca, colaborando¬†com a nossa vaquinha. N√≥s queremos, com a ajuda dos internautas, plantar 3.334 √°rvores da Mata Atl√Ęntica no Sistema Cantareira. Isso corresponde ao tamanho de tr√™s campos de futebol de floresta nativa ou dois hectares.¬†Essa √© a primeira vez que fazemos uma vaquinha. E tamb√©m que o munic√≠pio de Extrema, Minas Gerais, onde ser√£o plantadas as √°rvores, faz um plantio pago¬†por pessoas. Gente como a gente. Clique aqui e fa√ßa sua boa a√ß√£o do dia. Come√ßando a semana do bem.

O que as árvores têm a ver com a água?

A escassez de √°gua tamb√©m est√° atrelada √† falta de √°rvores. Esta rela√ß√£o se d√°, principalmente, em locais de florestas tropicais como a Mata Atl√Ęntica. Coincid√™ncia ‚Äď na verdade, n√£o ‚Äď as maiores cidades brasileiras como S√£o Paulo est√£o localizadas nesse bioma. Assim, elas dependem das florestas para abastecer os seus mananciais e, claro, seus habitantes. Voc√™ sabe qual a rela√ß√£o das florestas com a √°gua que sai da torneira?

Segundo um estudo da empresa de geoprocessamento Arcplan em parceria com a Funda√ß√£o SOS Mata Atl√Ęntica, 76,5% dos 5.082 km de rios que formam o Sistema Cantareira est√£o sem cobertura vegetal. Sem mata ciliar n√£o h√° como proteger os rios. O m√≠nimo esperado para que a √°gua seja preservada √© cumprir o C√≥digo Florestal.

Se todas as √Āreas de Preserva√ß√£o Permanente (APPs) dentro do Sistema Cantareira estivessem conservadas (seja com floresta prim√°ria, que ainda est√° livre da interven√ß√£o humana, ou recuperadas por meio do plantio de √°rvores nativas), a crise h√≠drica que atingiu o Sudeste teria sido menos cr√≠tica. Claro que essa preserva√ß√£o deve estar atrelada a medidas de racionaliza√ß√£o do consumo; de educa√ß√£o ambiental; tornar a gest√£o e distribui√ß√£o mais eficientes. Apenas culpar S√£o Pedro √© pouco.

Mesmo porque a Esta√ß√£o Meteorol√≥gica (EM) do Instituto de Astronomia, Geof√≠sica e Ci√™ncias Atmosf√©ricas (IAG) da Universidade de S√£o Paulo (USP) desde 1932 mede a precipita√ß√£o (quantidade de √°gua que cai do c√©u) na Regi√£o Metropolitana de S√£o Paulo. O ano de 2014 foi o 13¬ļ per√≠odo chuvoso (outubro a mar√ßo) mais seco desde 1932 at√© o ano ‚Äď o que acabou afetando o cr√≠tico ano de 2015. O ano mais seco (no per√≠odo chuvoso) desde que come√ßaram as medi√ß√Ķes foi o de 1941. Essa seca √© uma variabilidade natural do clima. Assim, a gest√£o da √°gua deve prever preven√ß√£o a esse tipo de condi√ß√£o clim√°tica.

Como o solo nessa situa√ß√£o permanece mais seco, a umidade leva mais tempo para voltar √†s condi√ß√Ķes m√©dias, mesmo com um aguaceiro caindo sobre a represa. Por isso, o volume de √°gua das represas demora a subir. Ou seja, as florestas contribuem para regular a vaz√£o das √°guas, pois seguram o excesso de √°gua das chuvas, liberando essa √°gua aos poucos para os rios, represas e nascentes (mantendo-os sempre com √°gua, no caso da Mata Atl√Ęntica).

A vegetação também contribui para a manutenção da qualidade das águas filtrando diversos sedimentos (evitando o assoreamento) e poluentes. As árvores nativas também protegem a biodiversidade. Por fim, um efeito global é absorver carbono e colaborar com a regulação do clima do planeta, diminuindo os efeitos negativos da mudança do clima como os eventos extremos (excesso de seca onde antes não havia este problema, por exemplo).

Venha abraçar árvores conosco. Abrace esta causa!

Quer entender o Código Florestal?

livrosobrecodigoflorestalA Iniciativa Verde por meio do projeto Plantando √Āguas, patrocinado pela Petrobras, lan√ßou o livreto¬†‚ÄúSustentabilidade: Adequa√ß√£o e Legisla√ß√£o Ambiental no Meio Rural‚ÄĚ. Escrita pelo engenheiro agr√īnomo Roberto Resende (e editada por mim), a publica√ß√£o √© um resumo de como aplicar o novo C√≥digo Florestal. Ela ajuda a entender o que deve ser feito de acordo com a legisla√ß√£o e tamb√©m aborda temas relativos importantes como o que s√£o os biomas e as bacias hidrogr√°ficas.

Trata-se de um excelente manual e apoio de bolso. O melhor: o livreto pode ser baixado grátis pela internet! Clique aqui para ter o PDF.

Obs.: Quem quer entender o porqu√™ das propostas do “novo” C√≥digo Florestal terem causado rebuli√ßo, indico o livro “Os Estertores do C√≥digo Florestal“, do agr√īnomo Jos√© Eli da Veiga. Ele √© bem curtinho e situa as discuss√Ķes na √©poca da aprova√ß√£o. Uma leitura complementa a outra.

Muuuito além da economia verde

*Este post é uma participação especial, foi escrito pelo jornalista Gustavo Mendes Nascimento (@gustamn). 

Terminei esses dias de ler o livro ‚ÄúMuito al√©m da economia verde‚ÄĚ, do Ricardo Abramovay (Editora Planeta Sustent√°vel). O t√≠tulo diz tudo. Caberiam at√© mais alguns ‚Äúus‚ÄĚ nele, como fiz de brincadeira acima, de t√£o al√©m que o autor foi em sua competente reflex√£o sobre a incapacidade do atual modelo econ√īmico de dar respostas efetivas ao esgotamento dos recursos naturais. Segundo Abramovay, nem mesmo uma economia verde, nos moldes da que √© pregada atualmente, seria capaz disso. Por economia verde, leia-se: luta contra a pobreza, melhora na ecoefici√™ncia e responsabilidade socioambiental corporativa. Apesar de parecer uma f√≥rmula razo√°vel, ela tem seus limites. Se a economia global n√£o for al√©m disso, n√£o vai ter (√°gua, alimentos, petr√≥leo etc) para todos. Vejam o gr√°fico com a previs√£o de extra√ß√£o de recursos do planeta at√© 2050 (notem o salto na curva a partir de 2010).

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Fonte da imagem: Sustainability Europe Research Institute

O problema central do atual modelo, defende Abramovay, √© o est√≠mulo a um consumo desenfreado e ao crescimento econ√īmico a qualquer custo, que tem pressionado os recursos naturais do planeta. Al√©m disso, o aumento da popula√ß√£o mundial, o crescimento dos pa√≠ses emergentes e a redu√ß√£o da pobreza exercer√£o uma press√£o de consumo nos pr√≥ximos anos que ser√° insustent√°vel. O livro mostra muito bem isso, com dados alarmantes. Veja, por exemplo, o caso do consumo de carne vermelha: ‚ÄúPara produzir um quilo de carne de gado estabulado, por exemplo, s√£o necess√°rios 9 quilos de produtos vegetais. (…) generalizar para o conjunto da humanidade o padr√£o americano de carne (120 quilos por ano) (…) consumiria tal quantidade de produtos vegetais que conduziria inevitavelmente a um colapso na oferta de alimentos‚ÄĚ. O caso dos combust√≠veis f√≥sseis, da √°gua, da produ√ß√£o agr√≠cola entre outros, √© semelhante. H√° quem argumente que os saltos na efici√™ncia produtiva contornariam esse problema da escassez. Ser√°? N√£o √© o que a hist√≥ria recente tem mostrado. De que adianta ter ganho de efici√™ncia, se ele √© anulado pelo consumo desmedido. Veja o caso dos autom√≥veis, citado no livro. Eles hoje s√£o mais eficientes no consumo de combust√≠vel, mas tamb√©m s√£o maiores, mais potentes e com recursos tecnol√≥gicos que aumentam o consumo. Usando licen√ßa po√©tica: n√£o adianta passar do fusquinha beberr√£o para uma eficiente SUV 3.5 com quase duas toneladas (e muitas vezes levando apenas uma pessoa de 70 quilos).

Em suma, como disse o ¬†secret√°rio-geral das Na√ß√Ķes Unidas, Ban Ki-Moon, ‚Äúo atual modelo econ√īmico mundial √© um pacto de suic√≠dio global‚ÄĚ.

Tem jeito?

√Č dif√≠cil pensar em uma economia que n√£o me√ßa o seu sucesso pelo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Ou seja, √© dif√≠cil pensar em uma ordem econ√īmica que n√£o seja voltada para o crescimento e, consequentemente, consumo crescente de recursos naturais.

Assim como √© dif√≠cil imaginar empresas que n√£o pensem no lucro a qualquer custo, acima de (ou at√© mesmo desprovidas de) quest√Ķes √©ticas. Parece forte dizer isso, mas quantas pessoas n√£o s√£o excelentes cidad√£os fora da empresa, mas quando entram l√°, desrespeitam leis, comunidades vizinhas, destroem o meio ambiente, e por a√≠ vai? A boa not√≠cia √© que o livro mostra sinais de que a ordem das coisas j√° est√° mudando.

Abaixo, cito dois exemplos, resumidamente.

√Čtica no centro do neg√≥cio – Sei que muitos sentem sono com o clich√™ ‚Äú√©tica no centro do neg√≥cio‚ÄĚ. Mas a postura de muitas empresas est√° realmente mudando, lentamente, mas est√°. Grandes empresas est√£o colocando a sustentabilidade e tudo que a acompanha (direitos humanos, respeito ao meio ambiente, √©tica etc) no centro das suas estrat√©gias de neg√≥cios de longo prazo. Sustentabilidade, para muitas, n√£o tem sido mais encarada como um setor √† parte, uma subdivis√£o. Algumas empresas j√° est√£o redesenhando suas estrat√©gias de neg√≥cios pensando n√£o apenas em mercado consumidor, lucro, risco etc, mas em quais problemas da sociedade elas podem resolver (mobilidade urbana, gera√ß√£o de energia limpa etc).

Desmaterializa√ß√£o da economia – Outro ingrediente para a mudan√ßa √© a desmaterizalia√ß√£o da economia, algo que se torna cada vez mais vi√°vel com o avan√ßo as tecnologias de informa√ß√£o. Por exemplo, as tecnologias de comunica√ß√£o de v√≠deo confer√™ncia hoje permitem uma redu√ß√£o brutal no n√ļmero de viagens a neg√≥cios. Parece pouco, mas as emiss√Ķes de carbono numa viagem de avi√£o s√£o alt√≠ssimas. Mas, muito al√©m disso, as tecnologias de informa√ß√£o permitem inova√ß√Ķes em diversos campos, como log√≠stico, gest√£o urbana, etc.

Mas ser√° que essa nova economia, que leva o planeta em conta, vai se desenvolver na velocidade necess√°ria? O livro n√£o responde √† quest√£o, pois esse movimento ainda √© incipiente. Mas terminei a leitura convencido de que: 1) o atual modelo econ√īmico n√£o dar√° conta de prover bem estar nos pr√≥ximos anos se nada mudar; 2) os recursos naturais n√£o ser√£o suficientes se a economia continuar como est√°; e 3) essa mudan√ßa j√° come√ßou, s√≥ resta saber se ser√° na velocidade necess√°ria. Se voc√™ n√£o ficou convencido disso nessas poucas linhas, garanto que lendo livro ficar√° ao menos balan√ßado. E se j√° ficou convencido, leia o livro para se aprofundar no assunto.

O ‚ÄúMuito al√©m da economia verde‚ÄĚ representou, para mim, uma completa mudan√ßa de paradigma. Ele modificou completamente minha forma de ver a economia e o mundo. Recomendo!