Arquivo da tag: Brasil

Dia Mundial da √Āgua: o que voc√™ est√° fazendo com ela?

Hoje √© o Dia Mundial da √Āgua. Vale lembrar que o Brasil tem a maior reserva de √°gua doce dispon√≠vel do mundo, o que corresponde a 12% da √°gua doce l√≠quida do planeta. O pa√≠s tem os maiores aqu√≠feros, o maior rio, o Amazonas, e um litoral de mais de 8 mil quil√īmetros. Ser√° que valorizamos e manejamos sustentavelmente toda essa oferta? Um estudo coordenado pelo analista ambiental Rafael Magris, do ICMbio, Instituto Chico Mendes de Conserva√ß√£o da Biodiversidade, em parceria com universidades internacionais e patrocinado pelo CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient√≠fico e Tecnol√≥gico, mostrou que os sedimentos contaminados do desastre da barragem que rompeu em Mariana, em 2015 em Minas Gerais, atingiram o Rio Doce, o Arquip√©lago de Abrolhos, na Bahia, o Esp√≠rito Santo e bancos de algas calc√°rias da regi√£o. A intensidade dos impactos da destrui√ß√£o diminuir√°, mas a √°rea total de ecossistemas em risco ou afetados tende a aumentar com o passar do tempo, segundo a pesquisa. S√£o mananciais e litorais contaminados por subst√Ęncias qu√≠micas nocivas para nossa sa√ļde como metais pesados. O que prejudica ou inviabiliza o uso dessas √°guas. Temos que colocar em pr√°tica no Brasil o h√°bito de planejar o modo que empregamos os nossos recursos naturais, inclusive analisando e evitando os riscos dessas atividades. ¬†

IMG_20190306_085146175_HDRAgora, ap√≥s a trag√©dia de Brumadinho, a Ag√™ncia Nacional de Minera√ß√£o publicou uma resolu√ß√£o determinando o fim de todas as barragens do tipo “a montante”, como as duas que romperam em Minas Gerais.

A polui√ß√£o do ar est√° acima dos padr√Ķes da OMS

Ol√°! Bom dia! Pare e respire fundo… Voc√™ sabe o que tem nesse ar que respira? O IEMA, Instituto de Energia e Meio Ambiente, lan√ßou a plataforma da qualidade do ar que re√ļne dados do monitoramento feito em todo o Brasil e tamb√©m indica as ultrapassagens das recomenda√ß√Ķes feitas pela ONU. Dos 27 estados brasileiros, apenas nove realizam o monitoramento da qualidade do ar. S√£o eles: Bahia, Esp√≠rito Santo, Minas Gerais, S√£o Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paran√°, Goi√°s e Distrito Federal. Nesses locais, os poluentes material particulado fino e o oz√īnio seguem em alta. O material particulado fino √© um dos maiores respons√°veis por doen√ßas respirat√≥rias e cardiovasculares no mundo. Ele √© emitido pela queima de combust√≠veis e formado l√° na atmosfera a partir de rea√ß√Ķes qu√≠micas. J√° o oz√īnio pode ser causador de doen√ßas pulmonares e a asma. Ele aparece nos dias ensolarados a partir da rea√ß√£o qu√≠mica de outros poluentes. A concentra√ß√£o dele no Parque do Ibirapuera, por exemplo, chegou a ser o dobro do que a OMS recomenda. Mas uma not√≠cia boa: a maioria dos poluentes apresenta uma tend√™ncia clara de queda. Isso gra√ßas a programas como o de controle veicular (Proconve) que regulamenta a tecnologia dos motores e a qualidade dos combust√≠veis. O neg√≥cio √© olharmos para aquilo que a gente n√£o v√™.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Como levar energia elétrica para comunidades na floresta

At√© o fim deste ano de 2019, o ISA, Instituto Socioambiental, e a Associa√ß√£o Terra Ind√≠gena Xingu‚Ää em parceria com o Instituto de Energia e Ambiente da USP v√£o levar sistemas de energia solar para 55 escolas, 22 postos de sa√ļde e para mais 12 pontos comunit√°rios da Amaz√īnia. O projeto Energia Limpa no Xingu pretende se tornar uma refer√™ncia em solu√ß√Ķes de energia renov√°vel e descentralizada em comunidades isoladas. Cerca de 760 mil brasileiros dependem dos sistemas desconectados daqueles fios de transmiss√£o do Sistema Interligado Nacional. Ali√°s, at√© Boa Vista, capital de Roraima, usa sistema independente de gera√ß√£o de energia. Muitas comunidades isoladas da Amaz√īnia, por exemplo, contam com geradores a diesel. Mas geradores a diesel s√£o barulhentos, d√£o muita manuten√ß√£o e custam caro para o bolso dos contribuintes e para o meio ambiente por serem extremamente poluidores. Usar torres de energia solar √© uma alternativa. Energia solar tem um custo alto na instala√ß√£o, mas compensa economicamente e ambientalmente ao longo do uso. O IEMA Instituto de Energia e Meio Ambiente est√° analisando os impactos do projeto piloto dessa instala√ß√£o. Ao que parece, todas e todos sairemos ganhando.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: IEMA

Tem um parque perto de você, talvez você nem saiba

Hoje, trago uma boa not√≠cia no estilo: ‚Äúantes tarde do que nunca‚ÄĚ. O Minist√©rio do Meio Ambiente lan√ßou nestas f√©rias o aplicativo para celular chamado Parques do Brasil. Ele ainda est√° na vers√£o beta. O aplicativo traz fotos das unidades de conserva√ß√£o, as atividades e as atra√ß√Ķes de cada uma delas. Tamb√©m mostra as unidades de conserva√ß√£o que est√£o mais perto de voc√™. As unidades de conserva√ß√£o s√£o √°reas naturais criadas e que deveriam ser protegidas pelo Poder P√ļblico. Duas conhecidas s√£o: o maravilhoso Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha e o Parque Nacional do Igua√ßu, uma das sete maravilhas do mundo. O Brasil tem atualmente mais de 2200 unidades de conserva√ß√£o. E parte delas, ali√°s, est√° em risco. Segundo um recente relat√≥rio do Imazon, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz√īnia, o desmatamento em unidades de conserva√ß√£o da Amaz√īnia em rela√ß√£o ao total da floresta quase dobrou em dez anos: passou de 7%, em 2008, para 13%, em 2017. Por isso, precisamos estar por perto do que √© nosso para preservar e curtir este pa√≠s bonito por natureza.

*Este texto foi falado por esta palpiteira oficial no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã! Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Fernando de Noronha/ Isis Diniz

Museu Nacional pega fogo. Fim.

Minha filha, infelizmente, n√£o conhecer√° o Museu Nacional do Rio de Janeiro como eu o visitei na minha inf√Ęncia. Ali√°s, esse era um grande sonho que vou ter que dormir com ele. Acabar o domingo com esse fim.

WhatsApp Image 2018-09-02 at 22.41.26O Museu Nacional,  vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, era a mais antiga instituição científica do Brasil. Um dos principais museus da América Latina, quiçá o mais relevante. Simplesmente, isso. As chamas levaram embora a nossa história brasileira e parte do passado da Terra.

Para se ter uma ideia da sua import√Ęncia, a Luzia, o esqueleto mais antigo das Am√©ricas, estava l√°. Durante a sabatina que fiz ao Walter Neves, pesquisador que descobriu a import√Ęncia desse achado, perguntei para ele: “Posso ver a Luzia”? Ele sorriu: “Ela n√£o fica exposta ao p√ļblico, esta l√° no Rio de Janeiro. Quando for para l√°, quem sabe?”

E eu estive, em agosto, no Rio de Janeiro. No estado. Por motivos pessoais, não fui até a capital. Que pena. Era a chance da minha filha ter conhecido o Museu Nacional. Mas ela não verá o Museu Nacional que eu vi.

A import√Ęncia do Museu Nacional
Fui algumas vezes ao meu Museu Preferido, principalmente, antes de cursar faculdade. Mas uma dessas vezes, quando eu tinha cerca de 14 ou 16 anos, foi inesquecível. Quando me dei conta da sua imponência (pausa para as lágrimas).

Estava com meus pais e meu irm√£o. Acho que minha madrinha foi junto. Passamos um dia todo no museu – quem dera se pud√©ssemos ficar a noite para ver tudo “acordar”.

Lembro como se fosse ontem dos sarc√≥fagos e m√ļmias eg√≠pcias que Dom Pedro II trouxe. Algumas delas foram mumificadas de um modo √ļnico, sendo um dos poucos exemplares do mundo.

Tamb√©m vi algumas m√ļmias encontradas nos Andes. Perfeitas, pareciam at√© que estavam vivas! Tinha c√≠lios, roupas, cabelo comprido. Impressionante.

Tive a oportunidade de contemplar por minutos que pareciam a eternidade o maior meteorito encontrado no Brasil. E, o melhor, com explica√ß√Ķes sobre ele dadas por um ge√≥logo, meu pai.

Entre tanta beleza, outro item me chocou: o descaso. No ambiente onde estavam as m√ļmias, haviam goteiras. Fungos na parede. Mofo! Muita umidade. Abandono. Itens mal cuidados. Fazem 20 anos isso. Trag√©dia anunciada.

Tenho certeza que o descaso não partia dos funcionários e nem dos pesquisadores. Muito menos dos frequentadores que se admiravam. Nem dos moradores orgulhosos com tanta preciosidade numa cidade tão maravilhosa. O Museu Nacional não passava vergonha frente ao Museu de História Natural de Nova York.  Não é ufanismo.

Pelo celular, vi queimar a minha inf√Ęncia. O nosso passado. A hist√≥ria de todos os habitantes do planeta √°gua. Desde que comecei a namorar meu marido, o Gustavo, eu dizia que um dia o levaria ao Museu Nacional. Ele ia amar.

Mas, infelizmente, o Gustavo não terá essa oportunidade. Nunca saberá o que era o Museu Nacional. E nem minha filha. Desculpe, meu amor. Gostaria de deixar um país melhor para você. Ficaremos com as palavras.

Pesquisa pode ajudar na criação de remédios para combater Chagas

Foi publicada na revista internacional de renome, a PLoS Neglected Tropical Diseases, uma recente pesquisa feita por brasileiros sobre a Doença de Chagas Рclique aqui para ler. Esta não tem cura e é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. Quando o inseto barbeiro pica uma pessoa, suas fezes podem conter o protozoário. Ao coçar a região, a pessoa pode se infectar. Saiba mais sobre a descoberta na entrevista feita com Marcus Fernandes de Oliveira, professor associado do Instituto de Bioquimica Medica Leopoldo de Meis da Universidade Federal do Rio de Janeiro, chefe do Laboratório de Bioquímica de Resposta ao Estresse. Na foto, Caroline Ferreira, primeira autora do trabalho, e o pesquisador.

pesquisaxisxis1. A Doença de Chagas não tem cura. O que as pessoas devem fazer para evitar a contaminação?
Al√©m de n√£o ter cura quando n√£o diagnosticada pouco tempo ap√≥s a infec√ß√£o, o tratamento da doen√ßa de Chagas ocasiona diversos efeitos colaterais. A √ļnica forma de se evitar a contamina√ß√£o √© por meio do controle do inseto vetor. Ao identificar um inseto semelhante a um barbeiro, n√£o se deve esmag√°-lo, pois isso pode favorecer o contato dos parasitos com o ambiente. O recomendado √© que o inseto seja coletado com muita cautela, utilizando luvas e saco pl√°sticos e levados at√© um posto do SUS para an√°lise.

2. Atualmente, apenas trata-se os sintomas, correto?
Se diagnosticado durante a fase aguda, ou seja, durante a primeira fase da doen√ßa, o indiv√≠duo pode ser curado. Entretanto, essa fase dura cerca de tr√™s meses e o paciente raramente apresenta sintomas, o que dificulta o diagn√≥stico. Ap√≥s esse per√≠odo, o indiv√≠duo infectado passa a uma fase cr√īnica da doen√ßa, que n√£o tem cura. Nesse caso, os pacientes s√£o tratados com drogas utilizadas para diminuir a popula√ß√£o de Trypanosoma cruzi, que n√£o √© eliminada totalmente. Al√©m disso, √© necess√°rio sim tratar os sintomas da doen√ßa, que na fase cr√īnica consistem em disfun√ß√Ķes digestivas ou card√≠acas e podem levar √† morte.

3. Por que é tão difícil encontrar uma maneira de eliminar a doença? Seja por vacina ou por outros meios biológicos, por exemplo?
S√£o muitos os fatores que dificultam a descoberta de novos agentes de tratamento, entretanto, o principal deles √© a falta de investimentos na pesquisa dessa doen√ßa. Por atingir principalmente a popula√ß√£o de baixa renda, infelizmente, a doen√ßa de Chagas n√£o representa um ‚Äúmercado lucrativo‚ÄĚ para os grandes investidores. Dessa forma, muitas pesquisas b√°sicas s√£o realizadas e encontram f√°rmacos e mol√©culas-alvo que poderiam ser testadas como tratamentos alternativos, por√©m, as pesquisas raramente chegam √† fase cl√≠nica devido ao grande investimento financeiro requerido neste sentido. Por isto, a Doen√ßa de Chagas, assim como in√ļmeras outras como dengue, leishmaniose e esquistossomose, s√£o conhecidas por Doen√ßas Tropicais Negligenciadas. Al√©m disso, o T. cruzi √© um parasito muito complexo e com uma capacidade enorme de mudar sua composi√ß√£o e estrutura, apresenta v√°rias fases de desenvolvimento, com diferentes mol√©culas de superf√≠cie, habitat e metabolismo o que dificulta enormemente o desenvolvimento e a efic√°cia de drogas e vacinas. Soma-se a isto as redu√ß√Ķes dr√°sticas no financiamento a P&D que vem ocorrendo desde 2014 no Brasil.

4. Voc√™s descreveram a import√Ęncia de um mecanismo bioqu√≠mico essencial para a transmiss√£o da Doen√ßa de Chagas. Que mecanismo √© esse?
O artigo publicado na revista PLoS Neglected Tropical Diseases representa o trabalho de gradua√ß√£o, mestrado e parte do doutorado da aluna Caroline Ferreira, que oriento desde 2010. Caroline atualmente vem realizando seu doutoramento no curso de p√≥s gradua√ß√£o em Qu√≠mica Biol√≥gica do Instituto de Bioqu√≠mica M√©dica Leopoldo de Meis da UFRJ. Caroline descobriu que, ao ingerirem o sangue do hospedeiro, o barbeiro libera produtos t√≥xicos no interior do intestino como parte do processo de digest√£o do sangue. Na natureza, os insetos tem a capacidade engenhosa de cristalizar esses produtos em pedrinhas min√ļsculas que o inseto elimina nas fezes. Com isto, a cristaliza√ß√£o destes produtos t√≥xicos impede que estes causem danos √†s c√©lulas. Nosso trabalho demonstrou que esse mecanismo de cristaliza√ß√£o desses produtos t√≥xicos permite n√£o s√≥ que o inseto se reproduza, mas tamb√©m seja capaz de transmitir o T. cruzi. Quando impedimos essa cristaliza√ß√£o, por meio do uso de uma droga bem conhecida, a quinidina, h√° dano tecidual no interior do inseto que tamb√©m prejudica os parasitos, que acabam morrendo antes de serem transmitidos.

5. Qual a import√Ęncia da descoberta? Como ela pode ser usada para evitar a contamina√ß√£o ou at√© tratar a doen√ßa?
Nossa descoberta descreveu a import√Ęncia do mecanismo de cristaliza√ß√£o desses produtos t√≥xicos, por√©m ainda h√° outros estudos a serem feitos antes de podermos utiliz√°-la como alternativa ao controle da doen√ßa de Chagas. Creio que o ponto mais importante do trabalho √© demonstrar que o bloqueio da cristaliza√ß√£o de produtos t√≥xicos serve como uma excelente plataforma para desenvolvimento de drogas que v√£o interferir ao mesmo tempo na reprodu√ß√£o do inseto vetor e na sua capacidade de transmiss√£o do T. cruzi, amplificando a possibilidade de controle da Doen√ßa de Chagas.

6. Quais são os próximos passos agora do trabalho? Em que direção devem seguir?
O que temos que fazer daqui pra frente √© testar novas drogas no laborat√≥rio e analisar as possibilidades reais disso ser utilizado na natureza. Estamos otimistas e, encontrando resultados positivos, devemos buscar novos meios de se introduzir esses f√°rmacos como ‚Äúisca‚ÄĚ para os barbeiros, a fim de diminuir a transmiss√£o da doen√ßa. Al√©m disso, precisamos encontrar parceiros na academia e fora dela, que se interessem pela esta possibilidade, e eventualmente financiar estudos subsequentes. Mas a primeira coisa a se fazer √© conscientizar a popula√ß√£o de que a doen√ßa de Chagas √© perigosa e que a popula√ß√£o residente nas maiores √°reas de risco √© a que menos sabe sobre barbeiros e T. cruzi. S√£o necess√°rios novos tratamentos e vacinas mas, antes de tudo, √© necess√°rio que a popula√ß√£o entenda que este tipo de inseto transmite uma doen√ßa grave, que as fezes cont√©m parasitos que podem levar √† morte e que devem tomar todos os cuidados necess√°rios.

Dia Mundial dos Oceanos: Qual a sensação de praticar mergulho

Posso fazer aqui uma declaração de amor?

[youtube_sc url=”https://www.youtube.com/watch?v=PmtN-_umoLA”]

Imagine um mar que parece gelatina. De cima do barco, d√° para ver o fundo dele¬†a mais de quarenta metros abaixo de voc√™. Ainda da embarca√ß√£o, os cardumes de peixes que brilham como neon nadam lateralmente. Parecem nos olhar. Quando me jogo nessa √°gua quentinha (como n√£o se atirar?) ou√ßo o barulho dos corais. Sim, eles estalam! Vejo um tubar√£o-lixa beb√™, arraias, tartarugas t√£o lesadas como aquelas do filme “Procurando Nemo”, polvo assustado, moreias maiores que eu e muitos peixes coloridos de diversas formas. Corais de todas as cores, esponjas, uma √°gua transparente e uma areia macia.

mergulhonoronha

Eu já havia praticado snorkeling no  litoral brasileiro, pelo que me lembre, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bonito (MS) Рeste merece um post à parte. Mas nunca havia visto nada como Fernando de Noronha, da descrição acima. Após me entregar para aquela água, minha vida mudou. Quando mergulhei de cilindro lá, então, entendi a paz que o mar nos traz.

Eu estava com medo de saltar na √°gua com presos pesos √† minha cintura e com aquele cilindro que deveria pesar mais que eu. Por sorte, estava com o instrutor mais paciente e carinhoso do grupo. Certamente ele pensou: “Essa vai dar trabalho”. Tremendo, n√£o sei se de frio ou nervoso, come√ßamos a afundar.

Quando cheguei a mais de dez metros de profundidade (sem precisar subir para pegar ar, como teria que fazer com o snorkel) ao mar eu tinha certeza que pertencia. Era relativamente silencioso. Ouvia mais forte apenas minha respiração. Tudo azul. Senti uma paz que só havia atingido meditando.

Brinquei de “fechar” corais. Observei os animais marinhos. Me senti de volta ao √ļtero. Acolhida. Estava muito feliz e plena. Ficamos cerca de meia hora abaixo da √°gua, explorando aquele mundo maravilhoso, mas parecia apenas cinco minutos quando j√° era para voltarmos.

Eu não quis. Comecei a fugir do instrutor. Como se tivesse a capacidade de deslizar como um tubarão cheia daqueles penduricalhos presos ao meu corpo. O instrutor nadou atrás de mim e falou que não tinha jeito, precisávamos subir. Deu a entender que o ar poderia acabar. Começou a inflar minhas boias.

Relutei em voltar √† superf√≠cie tentando argumentar de baixo da √°gua por l√≠ngua de sinais de mergulho.¬†Lamentei muito. Subi contrariada. Eles explicaram que aquilo que eu senti aconteceu devido ao excesso de oxig√™nio no meu c√©rebro. Que “d√° barato” e a pessoa perde a no√ß√£o de tempo e de perigo.

N√£o, meus amigos. Aquilo aconteceu devido ao excesso de mar em volta de mim.

#DiaMundialdosOceanos

DSC_9183

Baleias: elas voltaram!

IMG_8232Reparou que, no √ļltimo m√™s, h√° mais not√≠cias de baleias jubarte sendo avistadas na costa brasileira? Principalmente, vistas de passagem pelos estados da regi√£o Sudeste como S√£o Paulo e Rio de Janeiro? Coincid√™ncia? N√£o (na foto, uma r√©plica de filhote de jubarte, no Projeto Baleia Jubarte, Bahia).

Nesta √©poca, inverno, essa esp√©cie de baleia (Megaptera novaeangliae) sobe o litoral brasileiro at√© a regi√£o da Bahia, onde parem seus belos e gigantes filhotes que nascem com quatro metros e pesam mais de uma tonelada! L√°, no divino estado brasuca, ficam at√© cerca de novembro amamentando a cria. Quando o filhotinho est√° mais rechonchudinho, ela volta para as √°guas frias do oceano em busca de alimento, o krill (um min√ļsculo camar√£o).

Devido √† prote√ß√£o delas, sua popula√ß√£o est√° aumentando. Se voc√™ for para a Praia do Forte (Bahia), entre julho e outubro, poder√° fazer um passeio de barco para avistar esses belos animais – eles ficam cerca de tr√™s quil√īmetros longe da costa. Duas dicas: fa√ßa o passeio com ag√™ncias credenciadas pelo Projeto Baleia Jubarte e em qualquer √©poca visite a organiza√ß√£o.

O Projeto oferece visita monitorada no local explicando muita curiosidade sobre os cet√°ceos (animais dos quais ela faz parte) e h√° algumas r√©plicas fabulosas para crian√ßas. √Č uma visita r√°pida, mas de intenso aprendizado.

Ent√£o, se voc√™ √© daqueles que s√≥ gosta de praia no ver√£o, repense. Se tiver sorte, pode ver maravilhosas baleias dando um ‚Äúoi‚ÄĚ com seus saltos (elas saltam para se livrar dos piolhos, eca) ou batendo suas caldas por a√≠ (√© por meio da calda que os pesquisadores sabem qual baleia √©, o desenho √© como uma impress√£o digital). Este ano, minha cunhada viu jubarte em S√£o Sebasti√£o. Eu bem que fiquei horas e dias fitando o mar, mas n√£o tive a mesma sorte. Mas j√° observei pinguins no litoral de S√£o Paulo e de Santa Catarina. <3

615317_10151227085393324_532873920_o

Ali√°s, outra informa√ß√£o r√°pida. As jubartes n√£o s√£o as √ļnicas baleias que procuram o litoral do Brasil para procriar. A maravilhosa baleia-franca (Eubalaena australis), aquela cheia de cracas brancas, tamb√©m sobe at√© Santa Catarina para ter seus filhotinhos nesta √©poca do ano. E voc√™ tamb√©m pode v√™-las saltar sentado na areia (!) ou de barco (a foto acima e abaixo tirei de uma franca na √Āfrica do Sul – se for para l√°, tenho muitas dicas de passeio para parques).

539316_10151158474383324_1335786535_n

Por fim, √ļltima curiosidade: voc√™ sabe como as baleias e golfinhos dormem? O porqu√™ deles n√£o fecharem os olhos? Pois descobri l√° no Projeto Baleia Jubarte. Os lados direito e esquerdo do c√©rebro desses animais s√£o separados. Na hora do sono, eles ‚Äúdesligam‚ÄĚ um dos lados, enquanto o outro mant√©m atividades b√°sicas de sobreviv√™ncia como n√£o deixar afundar. Incr√≠vel, n√©?

Bom, eu pretendo fazer mais apari√ß√Ķes por aqui. Espero conseguir. A maternidade e a experi√™ncia do meu trabalho¬†na Iniciativa Verde me trouxeram mais repert√≥rio e uma nova maneira de ver a vida. Um beijo desta amante dos cet√°ceos. Vamos falar balei√™s!

Diversidade representada na 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

Veja como foi o segundo dia da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (4aCNPM), contado pela Cládice Nóbile Diniz, delegada pelo Rio de Janeiro e relatora.

Hoje, fiquei para relatar um grupo que tratou das propostas de dois eixos: o de pol√≠ticas p√ļblicas para as mulheres e o de sistema de pol√≠ticas p√ļblicas para as mulheres. O primeiro tinha 88 propostas enviadas pelas confer√™ncias municipais e estaduais, sendo 32 a ter que se selecionar as dez mais priorit√°rias. O segundo tinha 30, onde se devia selecionar cinco. No eixo das pol√≠ticas, eram propostas e as dez tiradas foram consideradas como desafios. No sistema nacional de pol√≠ticas para mulheres, as seis propostas foram selecionadas como recomenda√ß√Ķes (as propostas e mon√ß√Ķes devem entrar no site do evento).

O ambiente no grupo foi muito rico. Vale ressaltar que um grupo de interesse somente tinha suas reivindica√ß√Ķes compreendidas e acatadas se ao menos houvesse uma interessada presente. Por exemplo, as √≠ndias iam ficar com suas reivindica√ß√Ķes encaminhadas em um ‚Äúsacol√£o‚ÄĚ geral, mas sendo informadas disso por uma militante negra, apareceram e passaram a atuar bem articuladas conseguindo garantir o que elas achavam o mais importante hoje: a demarca√ß√£o das terras ind√≠genas e quilombolas. Eram do Mato Grosso e denunciaram o assassinato no ano passado de um l√≠der e a mutila√ß√£o de outro, que ficou em cadeira de rodas.
WhatsApp-Image-20160512 (2)
Uma mo√ßa com um carrinho de beb√™ era uma presidi√°ria em liberdade condicional que trazia reivindica√ß√Ķes para as presidi√°rias e √†s em liberdade condicional. Curiosamente, no grupo havia uma lideran√ßa das agentes penitenci√°rias, sendo ela respons√°vel por um grupo em liberdade condicional. Ela confirmou as den√ļncias da jovem, ratificando a necessidade de pol√≠ticas afirmativas de prote√ß√£o. Um caso que ambas comentaram como exemplo √© o da necessidade de escolta de emerg√™ncia de sa√ļde para as presas que adoecem. A pol√≠cia n√£o providencia e elas ficam sofrendo sem socorro.

Houve muitos outros casos interessantes relatados por outras mulheres (os homens que aparecem na foto estão trabalhando no evento). Aliás, essa foi a primeira conferência com representação das mulheres ciganas. Eram um grande grupo muito colorido, lindo. Na volta em frente ao hotel encontramos com os que vinham da manifestação. A tristeza e a desolação me lembraram as pinturas do Portinari.

Notícias da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

*Abri espa√ßo neste blog para que a Cl√°dice N√≥bile Diniz,¬†delegada pelo Rio de Janeiro¬†e relatora da¬†4¬™ Confer√™ncia Nacional de Pol√≠ticas para as Mulheres, dividisse conosco suas impress√Ķes e o¬†que est√° acontecendo esta semana no respectivo evento em Bras√≠lia. Ah, se estranhou o sobrenome, sim, somos parentes. Ela √© minha tia-madrinha <3. Vamos l√° √†s novidades.¬†

A 4aCNPM foi decidida em mar√ßo de 2015. √Č um evento que ocorre a cada quatro anos. Neste participam quase tr√™s mil mulheres eleitas em confer√™ncias estaduais. Fui eleita delegada pelo Rio de Janeiro e convidada para ser relatora. Aqui tudo √© grandioso: uma relatora para grupo de 150 delegadas. Vinte grupos sobre quatro eixos. Vai ser um trabalho incr√≠vel!

Hoje foi fogo. Houve de tudo. Uma delegada do Rio eleita e aprovada foi barrada na √ļltima hora por que ia com o filho de quatro anos. Foram detidas 73 delegadas da Bahia porque elas tinham gritado no avi√£o “n√£o vai ter golpe”. Esta manifesta√ß√£o foi contra a deputada federal Eronildes Vasconcelos, a “Tia Eron “, e o Deputado Federal Jos√© Carlos Aleluia, ambos da Bahia. Foram liberadas depois de quatro horas quando¬†o Jos√© Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da Uni√£o,¬†e a secret√°ria especial de Pol√≠ticas para as Mulheres Eleonora Menicucci foram l√°.

Chegaram pouco antes da fala da¬†Dilma e foram ovacionadas e recebidas em p√© e com¬†palmas. O discurso da Dilma foi emocionante. Afirmou que vai honrar seus 54 milh√Ķes de eleitores, nunca tendo pensado em renunciar. A ministra Eleonora falou bonito tamb√©m. Lembrou que, nas d√©cadas de 60 e 70, as mulheres “vestiram cal√ßas” e sa√≠ram para trabalhar. Mas os homens n√£o “vestiram saias” e n√£o se ocuparam da¬†parte do trabalho deles em¬†suas casas.

A delegada pela¬†Uni√£o Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes,¬†avisou em plen√°ria que a CPI da merenda tinha sido instalada e o audit√≥rio veio abaixo. As mulheres conseguiram aprovar a elimina√ß√£o dos delegados homens ap√≥s tensa disputa, com seis interven√ß√Ķes pr√≥ss e outras tantas contra.

13151601_1001708636572133_4684450322512329687_n

4b007bc3-3650-4ffd-a993-2dcc0aaf0a53

Mãe e filho na roda do berimbau tocado só por mulheres