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Fique a ver baleias!

Se voc√™ est√° no Facebook ou em algum grupo de WhatsApp, √© capaz que tenha recebido recentemente videos de baleias pulando em √°guas do litoral brasileiro. Um momento m√°gico! O Brasil √© um ber√ß√°rio para algumas baleias que vivem na Ant√°rtida. Quando chega o inverno, em julho, elas migram para c√° para parir seus filhotes e amament√°-los at√© o m√™s de novembro. Duas esp√©cies t√™m esse comportamento: a jubarte e a baleia franca. Mas elas costumam se deslocar para locais diferentes do Brasil. A jubarte segue pelo litoral brasileiro at√© chegar √† Bahia, onde fica Abrolhos, o maior ber√ßo reprodutivo dessa esp√©cie por aqui. J√° a baleia franca pode ser encontrada desde o Rio Grande do Sul at√© a Bahia tamb√©m, mas ela costuma se concentrar no Sul do Brasil. Ano passado, o Projeto de Monitoramento de Cet√°ceos estimou haver 842 jubartes entre Florian√≥polis e Cabo Frio, no Rio de Janeiro. Ali√°s, vale lembrar que as baleias s√£o protegidas por lei no Brasil desde 1987. Segundo Gabriela Godinho, pesquisadora do Instituto Baleia Franca, o fim da ca√ßa e as √°reas de conserva√ß√£o garantiram maior prote√ß√£o das esp√©cies, aumentando o n√ļmero de baleias em mares brasileiros. A Lista Vermelha da Uni√£o Internacional para a Conserva√ß√£o da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) aponta um aumento da popula√ß√£o de jubartes no mundo. Sobre o risco que corre a baleia franca, a organiza√ß√£o n√£o tem dados suficientes. Se voc√™ quiser fazer um passeio de barco para avis√°-los, procure ag√™ncias credenciadas por √≥rg√£os p√ļblicos ou indicadas por ONGs. Deve-se manter cerca de 100 metros de dist√Ęncia do animal e permanecer com o motor desligado e sem m√ļsica alta.¬†

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna sobre sustentabilidade vai ao ar.

J√° pensou em lagartear sob o Sol?

Toda vez que visito um local paradis√≠aco natural muito frequentado por humanos em temporadas, mas com pouca ou quase nula fauna silvestre, penso: ‚ÄúCad√™ os bichinhos que estavam aqui?‚ÄĚ Existiriam animais que ainda frequentam o lugar? Quais seriam? Em qual quantidade? Em quais √©pocas do ano esses animais v√™m para c√°? A natureza sempre nos surpreende.

Passei o √ļltimo fim de semana em S√£o Sebasti√£o (litoral norte de S√£o Paulo) e, j√° que n√£o tinha compromisso na capital, aproveitei para emendar mais dois dias na praia. Quando tenho a possibilidade de fazer isso √© comum me deparar com animais marinhos. Estes devem ficar escondidos – onde? -, enquanto o tumulto toma conta da praia.

Certa vez, quando s√≥ avistava no m√°ximo dez pessoas em toda uma praia de cerca de tr√™s quil√īmetros, quase pisei em uma arraia enquanto entrava no mar. Paulistanos sabem o quanto isso √© raro aqui no litoral do Sudeste. Em outra ocasi√£o, durante um deslumbrante p√īr do sol no qual a maioria dos humanos j√° havia se evadido da areia, vi duas tartarugas no raso (a √°gua estava abaixo do meu joelho) dan√ßando e se alimentando de restos de vegetais conforme o balan√ßo das ondas.

Muitas outras vezes encontrei siris de diversas cores e estampas, caranguejos rosa-choque, uma quantidade surpreendente de maria-farinha, de mergulh√Ķes, de golfinhos, de ermit√Ķes, etc. √Č o que se espera de um ambiente litor√Ęneo, certo? Nem sempre! Desta vez‚Ķ os lagartos estavam por todas as partes!

N√£o sei se √© √©poca de reprodu√ß√£o, mas na estrada que d√° acesso √† praia vi um tei√ļ correndo para o meio das √°rvores. Achei sorte. At√© comentamos no carro! Seguimos em frente. Caminhando para a praia, vi mais dois tei√ļs em momentos diferentes e de diferentes tamanhos correndo para o mato. Ok.

Na segunda-feira, quando voltamos √† areia da praia, notei que ela estava repleta de pegada de lagartos! E um tei√ļ com mais de um metro e meio (n√£o √© hist√≥ria de pescador) correu para dentro de uma pequena caverna na praia! Ficamos de tocaia esperando ele sair para v√™-lo de perto. Conseguimos!

Em seguida, ao virarmos a cabe√ßa para o caminho que acaba na praia, observamos um tei√ļ pequeno, parecia jovem, correndo e saltando mais de dois metros! Um lagarto sal-tan-do. Nunca vi isso. Mas analisando a anatomia do bicho, um rabo grande e patas com dedos longos, d√° para entender que o corpinho deles deve ter se adequado para a modalidade salto √† dist√Ęncia.

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Era tanto lagarto tomando sol próximo da gente que até a novidade perdeu a graça. De ambos os lados. Nem mais os lagartos corriam de nós como nem as crianças queriam saber de correr atrás dos bichos para vê-los mais de perto.

Olhando para o lado direito, a moça deitada sobre a canga com o braço protegendo os olhos, e para o lado esquerdo, o lagarto parado nos fitando ao longe, deu para entender a expressão. Lagartear ao Sol. Aliás, o sol estava tão forte, a brisa tão fresca e branda e o céu tão azul que ninguém resistia ao lagartear. Nada melhor para dar aquela esquentadinha no sangue e liberar endorfina. Que o Sol brilhe para todos.

Como destruir vários ambientes com espécies invasoras

IMG_1848Duas ideias de jerico. Na realidade, tr√™s se formos falar sobre as ovelhas, mas esta fica para outro post. Quem visita o Parque Nacional da Terra do Fogo, em Ushuaia, Argentina, pode observar o trabalho de castores canadenses fazendo suas represas. Sim, esses bichos s√£o geniais, derrubam √°rvores para conter √°gua. Acontece que, como deve ter reparado, eles s√£o canadenses! E o que fazem do lado oposto do continente? E por que as lebres-europeias, provenientes do outro lado do Atl√Ęntico, tamb√©m podem ser vistas ao lado deles no Fim do Mundo?

Bem, resumindo a hist√≥ria que voc√™ pode saber mais aqui, os castores foram introduzidos na regi√£o em 1946 pela ind√ļstria da pele. Sem predadores naturais, os 25 pares se transformaram em 100 mil indiv√≠duos! Um problema para a bicharada local, que tem que competir por espa√ßo e comida com eles, e para as √°rvores. Estas s√£o derrubadas sem tempo de recomporem bosques, agora, no ch√£o. Quer dizer, na √°gua.

Por sua vez, as lebres-europeias foram colocadas na Patag√īnia para serem ca√ßadas pelos homens. Isso mesmo, como um instrumento esportivo. Mas elas foram longe‚Ķ Atualmente, podem ser encontradas aqui no estado de S√£o Paulo comendo planta√ß√Ķes! O caso da lebre-europeia √© t√£o s√©rio, que ela est√° causando a extin√ß√£o da lebre-da-patag√īnia. Esta √© rara de ser observada. Agora, a outra, eu mesma vi do √īnibus dentro do Parque Nacional Los Glaciares, onde est√° o famoso glaciar Perito Moreno (Argentina). Ali√°s, h√° alguns anos, creio que foi ela que observei no Paran√°. Para voc√™ ver como a a√ß√£o humana sobre os animais pode causar um estrago continental.

Turista: n√£o alimente os animais silvestres

IMG_1813Quem nunca, n√£o √© mesmo? Quando a gente, Fel√≠cia da vida, v√™ aquele animalzinho bonitinho ou gracinha de t√£o feinho tem vontade de apertar, passar a m√£o ou de perguntar, ‚Äúquer ser meu amigo‚ÄĚ? Mas resista √† tenta√ß√£o! Se voc√™ gosta mesmo dele, tem que deix√°-lo livre em sua natureza. Caso contr√°rio, pode prejudicar aquele que diz que ama. Um exemplo √© o problema com as raposas (Pseudalopex culpeus) da Patag√īnia que eu pude ver com meus pr√≥prios olhos, gra√ßas a um brasileiro.

Chegando ao Parque Nacional da Terra do Fogo, no Ushuaia, um brasileiro bagunceiro – pleonasmo – ficou mais animado ainda ao ver uma raposa se aproximando da v√£ que parava. Quando descemos do ve√≠culo, todos soltamos ao mesmo tempo: ‚ÄúQue lindinha!‚ÄĚ. Foi um alvoro√ßo geral. Todos queriam tirar foto da raposa e v√™-la de pertinho. Ela se aproximou de n√≥s, menos de dois metros de dist√Ęncia. Nesse momento, o brasileiro n√£o se conteve. Abaixou, esticou o bra√ßo e tentou passar a m√£o na cabe√ßa do bicho. A raposa em um piscar de olhos deu uma mordida na m√£o dele. Fiquei preocupada, mas ele disse ao amigo: ‚Äún√£o foi nada‚ÄĚ. Passada mais de uma hora, ouvimos um amigo exclamar: ‚ÄúNossa, ficou feio‚ÄĚ.

IMG_1920Elas são muito, mas muuuito lindinhas Рsaiba mais sobre essa espécie aqui. Têm um olhar e andar de gato Рaliás, li em algum lugar que as raposas em geral são parentes mais próximas de gato que de cachorro, alguém saberia dizer se a informação procede? As raposas ou zorro, como as chamam os hermanos, parecem dóceis. Além disso, é comum elas chegarem perto de pessoas nos parques, principalmente, da Argentina como aconteceu conosco. Por que será?

Simples, porque as pessoas as alimentam. Para que ca√ßar se voc√™ pode ganhar? Ou roubar um churrasquinho suculento? Quando n√≥s alimentamos os animais silvestres causamos uma s√©rie de problemas. Resumindo, eles ‚Äúdesaprendem‚ÄĚ a ca√ßar, podem passar mal com a nossa comida, desenvolver uma doen√ßa e infectar outros semelhantes. Tamb√©m, essa a√ß√£o pode causar um desequil√≠brio no ecossistema local, afinal, as raposas deixar√£o de comer suas ca√ßas que, consequentemente, poder√£o se multiplicar. Para piorar, as lindas raposas podem ficar agressivas contra os humanos. N√£o duvide, v√£o morder para conseguir comida ou quando se sentirem amea√ßadas.

IMG_1815Obs.: Outro problema semelhante ocorre na fronteira da também Argentina com o Brasil. Os quatis roubam a nossa comida no Parque Nacional do Iguaçu. Em uma ocasião, no parque do lado da Argentina, vi o animal subindo na mesa de uma gringa e tirando o lanche da mão dela. Atenção, os animais podem transmitir raiva. Se for mordido, vá a um pronto-socorro tomar vacina.
Dica de viagem: No inverno, algumas trilhas do Parque Nacional da Terra do Fogo, como a costeira, est√£o fechadas por causa do volume da neve – eu tentei fazer, andava com neve pelo joelho. Invi√°vel, perigoso cair em um buraco. Por outro lado, a entrada √© gr√°tis. Em um dia √© poss√≠vel ver as principais atra√ß√Ķes do parque. Se for no ver√£o e curte natureza, reserve dois dias para fazer as principais trilhas. Em ambos os casos, leve lanche e √°gua.

Saiba a sua rela√ß√£o com animais presos em cativeiro para “show”

O que eu posso fazer para melhorar o mundo? Com esta pergunta prepotente, comecei a escrever este blog que vos fala. Hoje, cinco anos depois, continuo tocada pela mesma quest√£o. Gra√ßas √† d√ļvida – e ao Xis-xis – consegui fazer da minha profiss√£o o meu modo de tentar melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem, ao menos, perto de mim. Seja tentando ‚Äúdesvendar‚ÄĚ a ci√™ncia para leitores ou estimulando o restauro da Mata Atl√Ęntica. No campo pessoal, oferecendo um ‚Äúbom dia‚ÄĚ ao motorista do √īnibus ou, humildemente, explicando para os amigos pr√≥ximos que as cores avermelhada ou azulada das estrelas t√™m a ver com o comprimento de onda emitido por elas.

Blackfish

Apesar de acreditar na possibilidade de todas as pessoas da Terra poderem ter qualidade de vida (comida, saud√°veis condi√ß√Ķes de moradia, educa√ß√£o, acesso √† medicina, tempo para curtir os amigos e a fam√≠lia), sinto que esse dia ainda est√° longe. E essa dist√Ęncia parece aumentar enquanto espero ansiosamente pelo document√°rio Blackfish, ainda n√£o sei quando ser√° seu lan√ßamento no Brasil ou em DVD. Ele usa como fio-condutor a hist√≥ria da orca Tilikum para abordar os ‚Äúshows‚ÄĚ com animais marinhos em cativeiro. Nem quando era crian√ßa e tamb√©m sentia a vontade de tirar foto abra√ßada com um golfinho, me interessei por esse tipo de ‚Äúshow‚ÄĚ. O motivo √© simples: qual √© a gra√ßa de ver um imponente animal selvagem ‚Äúobedecendo‚ÄĚ as ordens de um humano apenas para entret√™-lo?

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Gratificante, mesmo, √© topar com um animal desses vivendo com toda a sua natureza. Como quando vi os golfinhos ca√ßarem tainhas surfando nas ondas da Praia de Pipa, no Rio Grande do Norte. Ou quando observei as baleia-francas saltarem sobre as √°guas, enquanto eu passava muito frio sobre uma rocha na cidade de Hermanus, na √Āfrica do Sul (segundo pesquisadores, as baleias saltam, entre outros motivos, para se livrarem das cracas que habitam as manchas esbranqui√ßadas da pele). Ou quando vi seus filhotes balan√ßarem as nadadeiras e o rabo livres, leves (eles nascem com cerca de quatro toneladas!) e soltos na reserva De Hoop, tamb√©m no indescrit√≠vel pa√≠s africano. Ou quando ouvi a conversa dos golfinhos enquanto mergulhava com snorkel, em Fernando de Noronha (ou√ßa no v√≠deo). Ou quando nadei com arraias e tartarugas aqui pertinho de S√£o Paulo, em S√£o Sebasti√£o.

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Como vivemos no capitalismo, regido pelo dinheiro, ando a favor de usar o turismo de observa√ß√£o (evitando ao m√°ximo a interven√ß√£o humana) para preservar as esp√©cies. Ao menos, essa medida pode ajudar na educa√ß√£o ambiental e no respeito ao diferente, ao outro ser. Em Noronha, podemos nadar com os golfinhos desde que eles venham at√© n√≥s. Na √Āfrica do Sul, a popula√ß√£o das baleias-francas est√° em crescimento. L√° os barcos com turistas est√£o proibidos de se aproximar, se n√£o me engano, mais do que 50 metros perto delas. O motor deve ser desligado e h√° limite de minutos para ficar perto de uma. E n√£o √© que elas veem at√© a gente, nos encaram olhando nos nossos olhos e ficam pr√≥ximas observando? <3

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Fazemos parte do meio ambiente e do mesmo planeta em que vivem os animais marinhos. A natureza deve ser curtida, sentida, respirada, vivida. Mas, jamais, degrada. Na √Āfrica do Sul, os barcos com turistas mergulhando dentro de gaiolas para observar os tubar√Ķes-brancos me incomodaram. Vi o procedimento de outra embarca√ß√£o: os guias jogam uma mistura de sangue de peixe na √°gua e uma foca de mentira. Os curiosos tubar√Ķes-brancos, com mais de cinco metros de comprimento, chegam perto dos barcos e observam (inclusive n√≥s, fora da √°gua). Agindo como gatinhos que batem as garrinhas na bolinha de l√£, eventualmente, os tubar√Ķes tentam abocanhar a foca de mentira. Assim, s√£o guiados at√© baterem na gaiola cheia de turistas. A ‚Äúbrincadeira‚ÄĚ com os instintos desses animais pode impactar o seu cotidiano, n√£o?

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De acordo com alguns psic√≥logos (n√£o achei as refer√™ncias que tinha visto), um dos motivos pelos humanos criarem animais selvagens que, em alguns casos, nos ‚Äúvejam‚ÄĚ como alimento √© pelo poder. O humano se sente poderoso, pensa que √© igual em for√ßa ou beleza ao animal ou at√© superior ao bicho, j√° que este se ‚Äúsubmete‚ÄĚ ao humano. Agora, focando nos mam√≠feros marinhos. O document√°rio The Cove mostra que os golfinhos, por exemplo, s√£o capturados do seu ambiente natural para serem exibidos em ‚Äúshows‚ÄĚ mundo afora – veja o premiado filme, que inclusive ganhou o Oscar, e tenha um ataque al√©rgico de nervosismo. Este texto em ingl√™s (se n√£o conseguir ler use o Google Tradutor), indicado para mim pela jornalista Juliana Arini, aponta que muitos animais s√£o maltratados e sofrem por se separarem do grupo.

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Como n√≥s, os cet√°ceos de modo geral vivem em sociedade. Agora, vamos imaginar. Voc√™ morava com sua fam√≠lia e amigos. Um dia, enquanto estava com eles na rua, vieram estranhos armados e o levaram embora a for√ßa. Voc√™, deprimido, foi colocado em um local onde deveria obedecer √†s ordens da equipe do sequestrador. Em troca, ganhava comida. Se exibisse suas habilidades para todos os estranhos que o iam ver, poderia continuar ‚Äúvivendo sossegado‚ÄĚ. Eventualmente, um turista chegava perto, dizia que te amava, que faria de tudo para te proteger. Esse amor n√£o parece doentio? Mais um sentimento ego√≠sta de sua parte do que amor?

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Eu j√° cometi erros enquanto turista. Mas, a cada dia, reflito sobre as consequ√™ncias das minhas pequenas a√ß√Ķes. Os animais devem, sim, serem estudados para conhecermos mais sobre eles. Devem ser contemplados para aprendermos a respeit√°-los. Podem ser expostos em zool√≥gicos e aqu√°rios, tudo adequadamente e o mais saud√°vel poss√≠vel para eles, para ser ensinada a educa√ß√£o ambiental – e at√© serem preservados e pesquisados. No fundo, cabe a n√≥s pensarmos o entretenimento que queremos ter. Queremos ter entretenimento ou respeitar os outros seres que dividem o mesmo meio ambiente que n√≥s para, juntos, vivermos em um mundo mais saud√°vel? N√≥s compartilhamos o mesmo planeta, a nossa qualidade de vida depende da vida dos outros seres. E vice-versa.

Sim, existem “meio” animais como sereias

[youtube_sc url=”http://youtu.be/uJJ0NDBVPS0″]

T√° bom. Confesso que apelei no t√≠tulo deste post, mas tudo pela ci√™ncia. No v√≠deo do canal Al√©m da Bio, uma parceria do Xis-xis com o Aprenda.bio, explico o porqu√™ de animais frutos do “amor” entre esp√©cies diferentes s√£o inf√©rteis. E, acredite se quiser, conto a hist√≥ria do ovelhode: metade ovelha, metade bode. Veja o v√≠deo para n√£o ficar de bode – r√°!

Ah, e voc√™ quer saber se sereias existem? Hummmm. Quem sabe? A verdade pode estar nos olhos de quem v√™… Na d√ļvida, indico a leitura do post do colega Ci√™ncia √† Bessa.

Por que o bicho-preguiça é lerdo?

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=tyJxxhp4AcQ”]

Você conhece o bicho-preguiça, animal que faz parte da fauna brasileira, certo? Mas sabe por que ele é devagar? Ou que ele é rápido em algumas atividades? Aprenda mais um pouquinho sobre o mamífero no vídeo acima, feito por mim em parceria com o Aprenda.Bio.

Para ver mais vídeos dessa parceria, entre no nosso canal no YouTube: Além da Bio. E divirta-se!

Obs.: Tá engraçada essa imagem de abertura do vídeo onde eu estou rindo como um bicho-preguiça! Acha que sou boa atriz?

Chifre de rinoceronte é afrodisíaco?

N√£o importa. Se quiser ter mais disposi√ß√£o para o sexo consulte um psic√≥logo, um m√©dico, fa√ßa exerc√≠cios f√≠sicos, se alimente bem… Mas n√£o ingira p√≥ de chifre de rinoceronte. Segundo o site HowStuffWorks, o chifre tem grandes quantidades de c√°lcio e de f√≥sforo que podem gerar fraqueza e fadiga quando est√£o em falta em nosso organismo. Se esse √© o problema, procure um nutricionista. Sabe por qu√™?

Enquanto dirig√≠amos entre as reservas de animais pr√≥ximas √† cidade de Port Elizabeth, na √Āfrica do Sul, vimos alguns helic√≥pteros sobrevoar a √°rea durante o dia. Perguntei a um funcion√°rio de uma reserva o que eles faziam sobre a regi√£o: ‚ÄúS√£o ca√ßadores em busca de rinocerontes‚ÄĚ.

O rapaz explicou que traficantes sobrevoam as reservas, principalmente, particulares ‚Äď porque a pol√≠cia tem conseguido combater o crime nos parques governamentais. No helic√≥ptero, os traficantes est√£o com armas de longo alcance. L√° de cima atiram nos animais. Durante a noite ou fim de tarde, passam pelas cercas el√©tricas e cortam os chifres dos rinocerontes machucados ou mortos. Sem o chifre, o animal que ainda estava vivo pode morrer de hemorragia ou perde um membro de defesa.

O material retirado √© traficado para a China e para outros pa√≠ses asi√°ticos¬†onde √© vendido como afrodis√≠aco – segundo mat√©ria publicada no site Terra, o quilo custa US$ 66 mil d√≥lares (o que explica o gasto com o helic√≥ptero e com as armas)! Desse modo, o crime passa a ser perigoso at√© para turistas desavisados tentando ver o animal ‚Äď vivo ‚Äď de perto. Afinal, voc√™ pode encontrar um traficante tentando arrancar o chifre do bicho.

Conclus√£o? Tr√™s das quatro esp√©cies de rinocerontes correm s√©rio risco de extin√ß√£o, de acordo com a International Union for Conservation of Nature (IUCN). Claro que o tr√°fico n√£o √© a √ļnica causa. O desmatamento do habitat natural tamb√©m prejudicou as esp√©cies.¬†Atualmente, a maioria dos rinocerontes da √Āfrica do Sul se encontram em reservas (de acordo com informa√ß√Ķes de alguns livros que li por l√°) e, mesmo assim, t√™m risco de serem ca√ßados ilegalmente. Triste.

Abaixo, eu feliz perto do bicho vivinho.

 

Para onde v√£o os p√°ssaros?

Pare√ßo crian√ßa. Ali√°s,¬† meus pais sofriam enquanto passava pela fase do “mas por que”… No √ļltimo feriado, estava em um dos meus locais preferidos do Rio de Janeiro. Ah, o Arpoador… A miss√£o era ver o por-do-sol. Enquanto me esfor√ßava (estava nublado), uma outra coisa chamou a aten√ß√£o: os p√°ssaros.

Era uma revoada em um fim de tarde, claro. Um bando de ave voltando rumo ao horizonte do alto mar. Fiquei intrigada. Aquela a√ß√£o trouxe √† minha cabe√ßa rela√ß√Ķes de aves e ilhas que j√° presenciei. Por sorte, ao meu lado estava Mauro Rebelo, escrevinhador do “Voc√™ que √© bi√≥logo” e um dos meus guias do Rio de Janeiro. Lancei a d√ļvida para ele: “Sabe por que os p√°ssaros est√£o indo embora?”

 

A resposta, caro leitor, era √≥bvia. O rush no c√©u se dava na volta para casa. Essas aves dormem nas ilhas, onde tamb√©m constroem seus ninhos. J√° vi isso em outro lugar, acho que em Fernando de Noronha. L√°, as fragatas, tamb√©m conhecidas por “piratas”, atacam os atob√°s na volta ao ninho (feito nas ilhas) para roubar a pesca do dia –¬†leia uma mat√©ria bacana aqui.

 

Em seguida, veio outra quest√£o que guardei para mim e agora divido com voc√™. Ser√° que, antes da ocupa√ß√£o desenfreada da Ba√≠a de Guanabara, alguns desses p√°ssaros n√£o “moravam” no continente?

 

Clique acima para ver a volta dos p√°ssaros – apesar de n√£o parecer, havia um monte de ave no c√©u. A grava√ß√£o foi feita no Aterro do Flamengo e n√£o no Arpoador. Afinal, quem viu meu¬†v√≠deo sobre os tucanos de S√£o Paulo – aqui –¬†deve ter reparado que filmar aves n√£o √© o meu forte.

Saguis: bonitinhos, mas ordin√°rios

Quem passeou de bondinho no Rio de Janeiro, pelo P√£o-de-A√ß√ļcar, j√° deve ter visto aqueles macaquinhos engra√ßadinhos que ficam nos encarando com cara de pid√£o: os saguis. Eles encantam pela fisionomia e pelo jeito, por√©m causam um problem√£o por serem¬†quando s√£o uma esp√©cie invasora no estado do Rio de Janeiro e de S√£o Paulo.

Esses saguis s√£o origin√°rios da Mata Atl√Ęntica (n√£o do Sudeste), mas de uma parte do bioma do Nordeste – leia mais sobre os saguis. Aqui, no Sudeste, eles foram introduzidos pelo homem. As m√°s l√≠nguas dizem que as pessoas compravam os saguis como bicho de estima√ß√£o. Por√©m, como o macaquinho √© inquieto, acabavam abandonando em matas da cidade.

 

Não vou nem falar sobre a prática de ter em casa um bicho de estimação sem permissão legal e, tão péssimo quanto, largá-lo depois. Há um outro problema. Os saguis souberam se virar por aqui. Eles se alimentam de frutas, de insetos e de ovos de passarinho.

 

Há alguns anos, quando estive no Parque Estadual da Ilha Anchieta, em Ubatuba (litoral norte de São Paulo), um responsável pelo local me contou que os saguis estavam causando um desequilíbrio no ecossistema da ilha. Os saguis, por se alimentarem de ovos, diminuem a população de pássaros nativos que não conseguem defender sua cria. E agora, José?

 

Curiosidade: lá no Morro da Urca, vi um sagui passando seu filhotinho lindo para outro sagui. Achei estranho devido à nossa proximidade (humanos) deles e porque sempre, em documentários, vi a mãe macaca carregar o bichinho Рclique na imagem ao lado para ver o filhotinho. A Maria Guimarães, do Ciência e Ideias, me contou que o macho sagui ajuda a fêmea a carregar o filhote. Afinal, levar um bebê pesadinho o dia todo junto ao corpo cansa.
Corre√ß√Ķes: Leia os coment√°rios abaixo feitos pelo veterin√°rio especializado em animais silvestres¬†e fot√≥grafo¬†Samuel Betkowski.¬†“Existem SIM esp√©cies de saguis origin√°rias da regi√£o sudeste do Brasil. (…) N√£o existe problema nenhum nisso. Ainda, algumas esp√©cies nativas do sudeste est√£o amea√ßadas de extin√ß√£o como √© o caso do Sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita)”, explica.