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Telesc√≥pio captura imagem mais n√≠tida da regi√£o da Nebulosa da Tar√Ęntula

nebulosaEnquanto n√≥s, praticamente poeira estrelar, debatemos sobre o fim da greve de caminh√Ķes aqui na Terra, o Universo continua belo e seguindo o seu destino. Tamb√©m nos inspirando.

Aproveitando as capacidades do VLT Survey Telescope¬†(VST), no¬†Observat√≥rio do Paranal¬†do ESO, no Chile, astr√īnomos capturaram esta nova imagem muito detalhada da¬†Nebulosa da Tar√Ęntula¬†e dos seus numerosos aglomerados estelares e nebulosas vizinhas. A Tar√Ęntula, tamb√©m conhecida por 30 Doradus, √© a regi√£o de forma√ß√£o estelar mais brilhante e energ√©tica do¬†Grupo Local¬†de gal√°xias.

Brilhando intensamente a cerca de 160.000 anos-luz de dist√Ęncia da Terra, a Nebulosa da Tar√Ęntula √© a estrutura mais impressionante da Grande Nuvem de Magalh√£es, uma gal√°xia sat√©lite da nossa Via L√°ctea. O Telesc√≥pio de Rastreio observou a regi√£o e os seus arredores ricos com extremo detalhe, revelando uma paisagem c√≥smica de aglomerados de estrelas, nuvens de g√°s brilhante e restos espalhados de explos√Ķes de supernovas. Trata-se da imagem mais n√≠tida obtida at√© hoje de toda a regi√£o.

Bom feriado! <3

Museu de Astronomia do Rio tem evento sobre divulgação de ciência na internet

Pessoal (quem gosta do tema, quer se aprofundar ou tem algum interesse), participe do evento sobre divulga√ß√£o cient√≠fica na internet no¬†Museu de Astronomia e Ci√™ncias Afins (MAST) do Rio de Janeiro. Ser√° nesta sexta-feira, dia 3 (sim, logo chegaremos em junho!), com entrada gratuita! Quem n√£o poder ir, pode acompanhar o debate ao vivo online. Um abra√ßo! ūüėÄ E uma estrelada semana!

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Teriam os buracos negros cinquenta tons de cinza?

Ol√°! Minha vida est√° quase um buraco negro – ou n√£o, dependendo da defini√ß√£o de buraco negro que voc√™ escolher. Estou para postar aqui informa√ß√Ķes incr√≠veis que obtive com dois especialistas (e com muuuuita leitura) para escrever a mat√©ria “Buracos nem t√£o negros assim”, publicada na revista √Čpoca¬†– leia! leia! leia na √≠ntegra! – e que n√£o couberam na revista. Antes tarde do que nunca, devolvo as informa√ß√Ķes sobre o que √© o temido corpo celeste (pegou a piada infame? leia a mat√©ria e as informa√ß√Ķes abaixo para entender o trocadilho)!

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Imagem: ESO

O que s√£o buracos negros (Entrevista: T√Ęnia Dominici, Museu de Astronomia e Ci√™ncias Afins (MAST), Rio de Janeiro)

Os buracos negros s√£o estruturas celestes em regi√Ķes do espa√ßo-tempo (o espa√ßo √© formado¬†pelas tr√™s dimens√Ķes, altura, largura e comprimento) com a gravidade t√£o intensa que, a partir¬†de um limite em seu entorno, nada pode escapar, segundo a teoria da relatividade geral. O¬†que passa esse limite √© ‚Äúsugado‚ÄĚ para dentro dele em uma viagem sem volta. Quer dizer, s√≥ √©¬†poss√≠vel sair de dentro de um buraco negro se o tempo andar para tr√°s. E, dentro dele, n√£o h√°¬†nada. Tudo o que entra no fen√īmeno segue cada vez mais para o centro para, afinal, tornar-se¬†parte integrante da singularidade onde as no√ß√Ķes de tempo e espa√ßo perdem o sentido ‚Äď algo¬†dif√≠cil de imaginar.

Quando foram descobertos¬†(Entrevista:¬†T√Ęnia Dominici)

John Michell, da Inglaterra, e Pierre-Simon, da Fran√ßa, usando as Leis de Newton sugeriram¬†de maneira independente a exist√™ncia de uma estrela invis√≠vel no final de 1790. Em 1915, a¬†teoria da relatividade geral de Albert Einstein previa a exist√™ncia de buracos negros. Em 1967,¬†o f√≠sico te√≥rico americano John Wheeler aplicou pela primeira vez o termo ‚Äúburaco negro‚Ä̬†para denominar esses corpos. Os primeiros ind√≠cios observacionais s√£o da d√©cada de 1960.¬†Atualmente, acredita-se que a maioria das gal√°xias tem um buraco negro no centro delas,¬†como √© o caso da nossa Via L√°ctea. Os astr√īnomos internacionais, utilizando os telesc√≥pios¬†do European Southern Observatory (ESO) para monitorar o centro da Via L√°ctea, conseguiram¬†provas conclusivas da exist√™ncia do fen√īmeno. As trajet√≥rias das estrelas orbitando¬†aparentemente o vazio (veja v√≠deo impressionante) mostram que elas devem estar sujeitas √† imensa atra√ß√£o gravitacional¬†de um buraco negro, com uma massa de quase tr√™s milh√Ķes de vezes a do Sol. At√© hoje, todas¬†essas evid√™ncias s√£o indiretas. Mas, em breve, deve ser poss√≠vel (como pode ler na mat√©ria ou saber mais aqui, em ingl√™s).

Como nasce um buraco negro estelar¬†(Entrevista:¬†T√Ęnia Dominici)

Existem três tipos de buracos negros com origens e papéis distintos na constituição do universo: os estelares, os supermaciços e os primordiais (ou miniburacos negros).

‚ÄĘ Os supermaci√ßos s√£o encontrados no centro da maioria das gal√°xias e podem possuir¬†massas equivalentes a bilh√Ķes de estrelas como o Sol. Ainda n√£o se sabe ao certo¬†como s√£o gerados, mas possuem papel fundamental na forma√ß√£o de estruturas e na¬†evolu√ß√£o do universo.

‚ÄĘ Os buracos negros primordiais s√£o propostas te√≥ricas. Eles teriam surgido no universo¬†primordial, criados com o Big Bang a partir de flutua√ß√Ķes na densidade da mat√©ria.¬†Esses buracos negros poderiam ter tamanhos subat√īmicos. Propostas mais recentes¬†apontam que, se uma parcela deles n√£o tiver evaporado, podem ser uma componente¬†da misteriosa mat√©ria escura.

‚ÄĘ Os buracos negros estelares s√£o os mais comuns e resultam dos est√°gios finais da vida¬†de estrelas.

 

Buracos negros estelares¬†(Entrevista:¬†T√Ęnia Dominici)

Nem todas as estrelas terminarão a sua vida como buracos negros. Apenas as de maior massa, que iniciaram sua vida com massas entre 25 e 100 vezes a massa do Sol (a massa do Sol é 1.98 x 1030 kg), devem se tornar um buraco negro. Entenda como uma estrela pode, curiosamente, vir a ser um buraco negro (em etapas):

1. A estrela nasce da contra√ß√£o de nuvens de poeira e g√°s no meio interestelar, a partir do¬†momento em que a for√ßa gravitacional da mat√©ria em dire√ß√£o ao n√ļcleo √© equilibrada pela¬†for√ßa da radia√ß√£o, gerada pela fus√£o de √°tomos de hidrog√™nio no seu centro.

2. Quando o hidrogênio no centro da estrela é todo consumido na formação de hélio, esses átomos começam a se fundir formando carbono e assim, sucessivamente, vão sendo criados elementos mais pesados. Durante essa evolução, as camadas mais externas da estrela sofrem processos de expansão.

3. Em certo momento, a estrela entra em uma fase evolutiva chamada de Wolf-Rayet, que se caracteriza pela variabilidade de brilho e deficiência em hidrogênio. A estrela é envolta por poeira e gás ejetados por ela própria devida à forte pressão de radiação.

4. A forma√ß√£o de elementos cada vez pesados continua no n√ļcleo at√© que este chega ao ferro.¬†Nesse ponto o n√ļcleo da estrela sofre um colapso, no fen√īmeno conhecido como supernova.

5. Após a explosão da supernova, permanece um remanescente com grande massa. Sem o combustível que mantém a estrela gerando radiação para equilibrar a força gravitacional, a estrela implode sobre si mesma, dando origem ao buraco negro.

 

E o Hawking com isso?

Com o artigo rec√©m publicado, o cientista brit√Ęnico Stephen Hawking¬†procura resolver o chamado por alguns pesquisadores ‚Äúparadoxo da informa√ß√£o‚ÄĚ ‚Äď outros acreditam que n√£o h√° ‚Äúparadoxo‚ÄĚ algum.¬†Segundo¬†George Matsas,¬†Instituto de F√≠sica Te√≥rica da Universidade Estadual Paulista ‚ÄúJ√ļlio de Mesquita Filho‚ÄĚ (Unesp):¬†‚ÄúUsar a palavra paradoxo para descrever a perda de informa√ß√£o em buracos negros √© totalmente impr√≥pria, pois a perda de informa√ß√£o em buracos predita pelo efeito Hawking √© totalmente compat√≠vel com a mec√Ęnica qu√Ęntica e com a relatividade geral‚ÄĚ. Saiba mais na mat√©ria.

O Sol nasce e se p√Ķe no mesmo lugar

11 horas da manh√£
11 horas da manh√£

A qualquer momento do dia em que eu olhava ao Sol na cidade de Ushuaia, Argentina, principalmente para ter ideia de que horas eram, ele marcava cerca de quatro horas. E estava sempre acima das montanhas. Aquilo começou a me encafifar de tal maneira que observava de canto de olho só para ter certeza de que o astro não estava me trolando. Sério, não podia ser! Nunca estava a pino.

16 horas
4 horas da tarde

‚ÄúO Sol anda em linha reta! Ele nasce em uma montanha e se p√Ķe na ao lado! √Č sempre assim?‚ÄĚ, l√° vai eu perguntar √† dona da pousada. ‚ÄúIsso porque voc√™ n√£o viu no auge do inverno, ele nasce e se p√Ķe sobre a mesma montanha‚ÄĚ, ela respondeu. No pico do inverno, h√° poucas horas de luz (veja neste site). J√° no ver√£o, ela me disse que o dia come√ßa √†s quatro da matina e termina l√° pelas 11 horas da noite. O Sol nasce no centro do Canal Beagle (que fica em frente √† cidade). E que √© lindo. Deve ser.

Matutando sobre o Sol, tive uma luz – r√°. Como eu n√£o pensei nisso antes‚Ķ Ushuaia est√° bem ao Sul do planeta. A Terra √© inclinada, isto gera as esta√ß√Ķes do ano. No inverno, a parte virada mais para longe do Sol se ‚Äúesconde‚ÄĚ do astro. No ver√£o, ela permanece mais tempo perto do Sol (veja no v√≠deo abaixo). Agora, o curioso √© ver o Sol andando em linha reta na regi√£o noroeste e de repente sumir nas montanhas onde ele nasceu. Muito doido.

[youtube_sc url=”http://www.youtube.com/watch?v=qc1rzryczdw”]

Ah, eu ouvi dizer por l√° que Ushuaia significa algo como ‚Äúde onde vem o Sol‚ÄĚ. N√£o lembro a fonte, mas faria sentido.

Entrevista: astrofísica fala sobre meteoritos

Fiquei impressionada com o meteorito que caiu na regi√£o dos montes Urais, na R√ļssia, na sexta-feira (15). Filha de ge√≥logo, cresci aprendendo sobre os diversos tipos de rochas, inclusive sobre essas que “caem do c√©u”. E, justamente por ca√≠rem do c√©u, sempre chamaram mais a minha aten√ß√£o. √Č quando o mundo joga na nossa frente o fato de que h√° um universo (infinito?) em nossa volta e que somos menor que um gr√£o de areia dentro desse gigante, relativamente, pouco conhecido. Por isso, exceto pelos feridos, fiquei em √™xtase. Voltei ao meu tempo de crian√ßa em que viajava observando ora as rochas, ora o c√©u.

Para saber mais sobre esse meteorito e compartilhar com voc√™ essas incr√≠veis informa√ß√Ķes, pedi para a¬†T√Ęnia Dominici, astrof√≠sica e pesquisadora do Laborat√≥rio Nacional de Astrof√≠sica (MCTI/LNA), responder algumas d√ļvidas. Atenciosa, T√Ęnia topou na hora dedicando um pouquinho do seu precioso tempo para nos ajudar a entender o que aconteceu na sexta-feira. Leia a entrevista abaixo e levante seus olhos ao c√©u!

Primeiro de tudo: o que é um meteorito?

Os meteoritos s√£o o material que sobrevive √† entrada de um meteoro na atmosfera terrestre e chega at√© o solo. O meteoro, por sua vez, pode ser originado por peda√ßos de asteroides ou restos de cometas. S√£o os eventos que, √†s vezes, observamos durante a noite e popularmente chamamos de ‚Äúestrelas cadentes‚ÄĚ.

Ou seja, o que se registrou na R√ļssia foi a queima de um meteoro na atmosfera durante o dia, sendo os meteoritos os restos que chegaram ao solo e est√£o sendo procurados e recolhidos desde ent√£o.

Recolher e estudar os meteoritos em laboratório é muito importante, porque eles são resquícios dos primórdios da formação do Sistema Solar. Assim, nos ajudam a entender como os planetas foram formados.

√Č comum meteoritos ca√≠rem na Terra?

Sim, ocorrem todos os dias (tanto meteoros quanto meteoritos). O que acontece √© que a maior parte da superf√≠cie terrestre √© coberta por oceanos ou √°reas desabitadas. Assim, eventos como o da R√ļssia, que ocorreu em uma √°rea urbana, raramente s√£o registrados.

Os meteoros podem ser originados por peda√ßos de material extraterrestre t√£o pequenos quanto um gr√£o de areia e, de fato, o evento russo parece ter sido causado pelo maior meteoro desde o Tunguska em 1908 que, estima-se, tinha cerca de 100 metros (contra 15 metros estimados do meteoro que queimou sobre os Montes Urais). Por este ponto de vista, o evento da √ļltima semana foi extremamente raro.

Existe algum lugar atingido por meteoritos com mais frequência, por quê?

N√£o. Eles podem cair em qualquer local. A probabilidade de um evento como o do dia 15 de fevereiro ocorrer na R√ļssia √© a mesma de que seja em S√£o Paulo ou Itajub√°…

O que acontece quando um meteorito atinge a atmosfera e o solo terrestres? Ele sempre explode ao entrar em contato com ambos?

Na verdade, ele n√£o explode. O material se queima pelo atrito com a atmosfera e contato com o oxig√™nio. O que vimos na R√ļssia, com os vidros estourando, portas e telhados sendo arrancados foram ocorr√™ncias causadas pela onda de choque provocada pelo deslocamento do ar durante a queima do meteoro na atmosfera, uma vez que ele entrou com velocidade superior a 50 mil km/h. Ou seja, as pessoas n√£o foram feridas por meteoritos, mas sim pelos estilha√ßos provocados pela onda de choque.

Em quanto tempo, desde que avistado na atmosfera, um meteorito pode atingir o solo? D√° para termos uma ideia?

√Č bastante dif√≠cil prever. Depende do tamanho do meteoro, da velocidade de entrada, da altitude da atmosfera onde ocorre a queima… De qualquer modo, ao avistar um meteoro como o da √ļltima sexta, o m√°ximo que as pessoas poderiam fazer seria rapidamente tentar se afastar das janelas e portas de vidro que poderiam se estilha√ßar.

Seria possível identificar quando um meteoro desse tamanho vai atingir a Terra?

Neste momento, v√°rios telesc√≥pios mundo afora est√£o dedicados √† descoberta e acompanhamento de asteroides e cometas. Observat√≥rios profissionais e astr√īnomos amadores trabalham de forma coordenada para isso. Praticamente todos aqueles asteroides muito grandes (centenas de metros a quil√īmetros) j√° s√£o catalogados e possuem suas √≥rbitas muito bem calculadas. Ou seja, a possibilidade de qualquer ocorr√™ncia potencialmente fatal para o planeta seria conhecida com muita anteced√™ncia.

J√° objetos menores como o que atingiu a R√ļssia s√£o os mais dif√≠ceis de serem descobertos e monitorados. Segundo os estudos iniciais, ele tinha cerca de 15 metros de comprimento e 10 toneladas. As observa√ß√Ķes desses corpos s√£o feitas, principalmente, por meio da an√°lise das suas varia√ß√Ķes de posi√ß√£o e brilho utilizando telesc√≥pios ou, ainda, por meio de medidas de radar.

De maneira geral, como se descobre um asteroide?

Em uma sequ√™ncia de imagens de uma mesma regi√£o do c√©u, os astr√īnomos procuram por objetos que estejam se movimentando em rela√ß√£o ao campo de estrelas (‚Äúno olho‚ÄĚ, comparando as imagens ou por programas de computador especialmente desenvolvidos). Uma vez encontrado um objeto potencialmente interessante e calculadas as suas efem√©rides, os dados s√£o cruzados com as bases de dados mantidas pela comunidade astron√īmica internacional. Assim, verifica-se se o objeto celeste j√° era conhecido ou n√£o. No caso de j√° ser conhecido, √© poss√≠vel que a √≥rbita j√° seja bem determinada ou que ele tenha sido perdido e esteja sendo redescoberto. Cada nova observa√ß√£o vai sendo utilizada para refinar o c√°lculo da √≥rbita de cada asteroide ou, mais raramente, de cometas.

Existem sistemas de alerta que avisam os observadores quando algum objeto novo é descoberto, para que eles direcionem os seus telescópios e ajudem a monitorá-lo. Inclusive, já temos telescópios robóticos que recebem os alertas automáticos e se posicionam imediatamente, sem precisar de interferência humana.

A observa√ß√£o da varia√ß√£o do brilho ao longo do tempo oferece outras informa√ß√Ķes al√©m da trajet√≥ria desses corpos celestes como a forma, dimens√Ķes e pistas sobre a composi√ß√£o qu√≠mica. Ent√£o, se o objeto √© muito pequeno, a luz (do Sol) que ele ir√° refletir ser√° mais t√™nue e, por isso, mais dif√≠cil de ser detectada pelos nossos telesc√≥pios. Outro ponto em rela√ß√£o ao meteoro que atingiu a R√ļssia foi o fato de que o evento ocorreu durante o dia, portanto inacess√≠vel aos telesc√≥pios √≥pticos. Apenas radares poderiam registrar a aproxima√ß√£o.

No Brasil, o Observat√≥rio Nacional (MCTI/ON) est√° desenvolvendo o projeto IMPACTON. √Č um telesc√≥pio de opera√ß√£o remota, com espelho prim√°rio de um metro de di√Ęmetro instalado em Itacuruba (PE) e totalmente dedicado √† observa√ß√£o de pequenos corpos do Sistema Solar.¬†Al√©m disso, v√°rios grandes projetos internacionais que ajudar√£o a suprir as lacunas para a detec√ß√£o de objetos muito t√™nues est√£o em desenvolvimento como, por exemplo, a miss√£o europeia Gaia ou o telesc√≥pio LSST de oito metros de di√Ęmetro a ser instalado no Norte do Chile e que ser√° dedicado a monitorar todo o c√©u com profundidade e detalhamento sem precedentes.

 

Obs.: A¬†T√Ęnia Dominici tem um blog sobre polui√ß√£o luminosa¬†– clique aqui para conhecer –, um problema que nos impede de vermos as estrelas no c√©u (e atrapalha as pesquisas).

Foto: El coleccionista de instantes.

Luzes misteriosas na Cordilheira dos Andes

Nem preciso dizer que adoro observar paisagens naturais e fen√īmenos da natureza – deve dar para perceber de acordo com o que post aqui no blog, n√£o? Gosto de ver as nuvens carregadas de chuva se formarem, a chuva cair, os meteoros passarem, os pl√Ęnctons brilharem… Esse estado de contempla√ß√£o esvazia a minha mente, chega a ser uma esp√©cie de medita√ß√£o – tente tamb√©m. Bom, como observar as estrelas √© uma das minhas pira√ß√Ķes preferidas, quando estava, literalmente, no meio da Cordilheira dos Andes, em dezembro no Chile, sa√≠ do chal√© onde pousava durante a noite para voltar os olhos ao c√©u.

Reflita comigo: um lugar alto como aquele onde as institui√ß√Ķes instalam telesc√≥pios deve ter uma boa vista. Era fato. Nunca vi um c√©u t√£o estrelado. L√° entendi porque, antigamente, nossos antepassados viam cintur√Ķes, ursos, todos os representantes do zod√≠aco, etc, formados por estrelas. Naquela fresta entre as copas das √°rvores da pousada e as gigantescas encostas pude observar estrelas com diversas intensidades de brilho e aparentando v√°rios tamanhos. Eram muitas, incont√°veis, como as cartas recheadas do c√©u. Por√©m, al√©m dessa bela surpresa, meu respectivo e eu tivemos outra t√£o interessante quanto – se n√£o mais pelo mist√©rio.

 

Enquanto entort√°vamos nosso pesco√ßo encantados com aquele infinito de estrelas, vimos alguns clar√Ķes no c√©u. Verdade seja dita. Ele percebeu primeiro e chamou a minha aten√ß√£o. Eu respondi que era impress√£o. At√© que, observando de novo, vimos v√°rios clar√Ķes. N√£o havia barulho como de trov√£o, nem raios, apenas uma esp√©cie de flash iluminando o c√©u. Um atr√°s do outro, espa√ßadamente – por minuto, uns dois ou tr√™s. No dia seguinte, sem falarmos nada sobre o assunto, nosso guia contou em tom de novidade: “Aqui em Caj√≥n del Maipo [a regi√£o da Cordilheira], toda noite l√° pelas onze horas √© poss√≠vel observar luzes diferentes iluminando o c√©u”. “N√≥s vimos!”, dissemos empolgados. “E o que s√£o essas luzes?”, claro que emendei a pergunta.

O simpático chileno não tinha certeza e elaborou uma interessante tese. Para ele, as Cordilheiras com suas montanhas repletas de variados minérios esquentam com os raios solares. Durante a noite, elas liberam o calor dos minérios emanando luzes. Em busca de uma explicação, conversei com poucos amigos pesquisadores e recorri ao Google. Nada. Será que alguém aí conhece a chave desse enigma? Kentaro Mori, do 100nexos, poderá nos ajudar? De qualquer maneira, uma lição óbvia da história: preservar a natureza nos dá a chance de nos encantamos com seus caprichos. Pense nisso e aproveite para pasmar observando o que ela oferece.

Tenha uma boa semana – e aguarde mais posts sobre o Chile, sobre pedaladas em Campos do Jord√£o (SP), v√≠deos dos pl√Ęnctons de S√£o Sebasti√£o (SP) e palmas para o anivers√°rio da cidade de S√£o Paulo!

 

Obs.: As montanhas da foto t√™m mais de quatro mil metros de altura, pena que n√£o d√° para perceber… Est√°vamos andando de carro no vale. Do lado esquerdo, cerca de 500 metros abaixo de n√≥s corria o rio El Volc√°n. E, sim, mais para frente era poss√≠vel ver o vulc√£o San Jos√©. Vou postar foto dele aqui!

Ainda verei o homem – melhor, uma mulher – pisar em Marte?

Sol2179B_P2585_L256atc_br.jpgEscrevi uma mat√©ria sobre a possibilidade dos humanos irem at√© Marte, h√° um ano e meio. Na √©poca, os entrevistados estavam otimistas. A Ag√™ncia Espacial Europ√©ia (ESA) e o Instituto Russo de Problemas Biom√©dicos (IBMP) divulgavam inscri√ß√Ķes de volunt√°rios para participar de uma simula√ß√£o de vida em Marte. A Nasa, por sua vez, dizia que mandaria mais “rob√īs” para o Planeta Vermelho, para continuar investigando o local.
Hoje, com o cancelamento feito pelo presidente dos EUA, Barack Obama, da miss√£o elaborada pelo seu antecessor Bush – leia aqui um resuminho da hist√≥ria -, tenho l√° minhas d√ļvidas. Ser√° que estarei viva quando o homem – melhor se for uma mulher – pisar em Marte? Ali√°s, ser√° que viajaremos at√© l√°?
Tem gente que deve achar que ir até Marte é jogar dinheiro fora. Não. Chegar ao solo marciano trará muitas descobertas científicas, novas possibilidades de horizontes e novidades tecnológicas Рpara viver tanto tempo no espaço em terras vermelhas, teremos que elaborar muita tecnologia nova. Aliás, veja o que já foi inventado aqui. Só para constar: a sonda Phoenix demorou dez meses para chegar até o planeta vizinho.
Os otimistas dizem que, sim, eu verei a proeza. Hoje em dia, vou colocar minhas esperanças na ESA, Agência Espacial Federal Russa e na Agência Espacial Chinesa (CNSA), que mandou um chinês para o espaço em 2003. Apesar que, pensando bem, a Nasa não gostará de ficar para trás. Numa viagem tão longa, será necessário, mesmo, o esforço de todos juntos.
Enquanto a discuss√£o – e minha d√ļvida – permanece, deixo meu apelo: se quiser enviar algu√©m para fora da Terra, lembre-se de mim! Adoraria passar uma semaninha de f√©rias na Esta√ß√£o Espacial Internacional (ISS). Ao menos, tiraria fotos e postaria no Twitter em portugu√™s. N√£o em japon√™s, como o astronauta Soichi Noguchi escreve – “leia” aqui!

Fotografia: Micro x Macro

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Nunca mais esqueci uma série imagens Рseria uma exposição? Рda nossa natureza microscópica comparadas com o universo macroscópico lá do céu. As formas se repetiam. Como é possível? Não dava para distinguir o que era micro do que era macro.
Pena que n√£o lembro onde vi essas fotos. Mas tenho lind√≠ssimas sugest√Ķes para comparar os “dois mundos”. Tem um tempinho para viajar nas psicod√©licas fotos microsc√≥picas e macrosc√≥picas que n√£o s√£o captadas a olho nu?
Neste link da Universidade do Estado da Fl√≥rida, Estados Unidos, podemos ver – de pertinho – fotos do DNA, de mol√©culas, de materiais. √Č genial. Veja aqui, por exemplo, imagens em zoom de cervejas! Neste outro link, voc√™ pode at√© comprar um calend√°rio de 2010 da empresa Nikon que celebra os 35 anos de excel√™ncia na fotografia feita pelo microsc√≥pio.
E fotos do macro? O telesc√≥pio Hubble vai se aposentar – est√° velhinho para a tecnologia -, mas guarda esta galeria fant√°stica. Devo a ele horas pasmando em torno das estrelas. A Nasa tamb√©m possui in√ļmeras galerias. H√° uma que √© atualizada a todo momento com as imagens mais interessantes do universo no dia. Clique aqui, para conferir.
Suspiro. Como diz o ditado, é verdade. Muitas vezes, uma imagem vale mais que mil palavras.
Pegadinha da Isis: O que é micro e o que é macro nas fotos do post? Confira, aqui e ali, as respostas.