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Argentina: não às sacolas plásticas

IMG_1990Eu adoro visitar supermercados em outros países. Eles dizem muito sobre a cultura do povo. Você é o que você come. Além disso, quitutes e frutinhas sempre nos ajudam a enganar a fome durante as caminhadas no meio do mato.

Chegando ao mercadinho em Ushuaia (Argentina), cidade mais ao sul do planeta, reparei que a mo√ßa deu as √°guas de dois litros e os chocolates dentro de sacolas de papel (!), igual antigamente. √Č claro que iria rasgar. Achei desengon√ßado, mas colocamos na mochila e beleza.

IMG_2093No dia seguinte, durante o trajeto pelo porto que leva at√© o Valle Hermoso (acima), um local entre as cadeias de montanha distante ao leste cerca de 20 quil√īmetros da cidade, reparei que haviam fardos de pl√°sticos na areia da praia (ao lado dessas constru√ß√Ķes na praia √† direita). Pensei: ‚Äúdevem levar todo o lixo para outro local de navio‚ÄĚ. Como ocorre – ou deveria – em Fernando de Noronha, ao norte do Brasil. Que nada.

Segundo o dono da pousada em que fiquei (e super recomendo), todo o plástico e alumínio são reciclados na cidade. E os supermercados, lojas e farmácias foram proibidos de entregar as compras em sacolas plásticas. Tudo é passado em sacola de papel. Por isso que as pessoas, principalmente senhoras, caminham com sacolas de tecido pelas ruas.

Além disso, ele contou que a cidade está para inaugurar uma usina que recicla papel. Olhe que belezinha. Ah, existe aterro na região, claro. Ele fica do outro lado das montanhas. Ou seja, a cidade está voltada para o sul, o aterro, ao norte.

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Obs.: L√° na Patag√īnia Austral n√£o se vende muitas verduras, como era de se imaginar. Frutas, inclusive banana, a gente at√© encontra. Digo isso porque tentei ter uma alimenta√ß√£o melhor. No Chile, me diverti comendo frutas em conserva (inclusive morangos divinos) e picles, cebolas e cenouras tamb√©m em conserva. Experimente!

Uma guirlanda ecológica de Natal

Gosto do Natal por passar momentos – bons, confusos, bagun√ßados, tudo junto ao mesmo tempo, sabe aquela situa√ß√£o bem fam√≠lia “trapo” e “buscap√©”? – com meus parentes e meus amigos. Agora, decorar a casa para a data me pega, evito juntar badulaques. Como repete uma tia minha: “Menos √© mais”.

Ent√£o, para que lotar o doce lar com as luzinhas que gastam energia teoricamente √† toa (√© um dilema me aproveitar de Itaipu)? Por que devo comprar um pinheiro de pl√°stico que permanecer√° mofando por um ano? Tem sentido adquirir um “de verdade” para depois jog√°-lo no lixo ou plant√°-lo em um lugar destinado √† Mata Atl√Ęntica (pinheiros, generalizando, empobrecem o solo)? Ou juntar aquele bando de enfeitinhos que tomar√£o um espa√ßo precioso no arm√°rio? Chega.

Este √© o primeiro Natal com minha “casa pr√≥pria”. Portanto, expus todas essas chatas – eu sei – filosofias ao meu marido que, por obs√©quio, acabou cedendo. Por√©m, h√° um tempinho lembrei que uma amiga jornalista contou certa vez que gostava de fazer guirlandas com rolhas de vinho como passatempo. Hum. Detalhe: vinhos que ela pr√≥pria teria degustado. A sua autopropaganda t√≠pica – a mo√ßa √© bem humorada – ficou gravada na minha mem√≥ria. Dia desses fiz o pedido.

E eis que ela me presenteia com a ecoguirlanda da foto. N√£o ficou linda na minha varanda? Amei o presente. √Č de bom gosto, foi dado por um amigo e √© ecol√≥gico – reutiliza materiais que iriam amontoar mais pilha no lix√£o. Al√©m disso, todo o material utilizado para fazer o enfeite poder√° ser reaproveitado no pr√≥ximo ano. Minha guirlanda, sim, manifesta o esp√≠rito natalino.

 

Feliz Natal para você que comemora a data. Para quem não, tenha um maravilhoso dia como todos deveriam ser. Um beijo.

Reciclagem na praia

junduelixeira.jpgUma imagem para o sabad√£o. A cidade de S√£o Sebasti√£o espalhou lixeiras na beira e nos condom√≠nios das praias – uma obriga√ß√£o que todas as cidades deveriam cumprir. Agora, uma d√ļvida surgiu. Al√©m da lixeira para materiais org√Ęnicos, ela colocou algumas para a reciclagem de pl√°stico. Poderia inserir de outras coletas seletivas. De qualquer maneira, a imagem √© instigante.
Obs.: Olhe o Jundu em volta da lixeira aí, minha gente!

Onde reciclar as embalagens de longa vida?

Se a reciclagem não vai até você, você pode ir até ela. A pé, de preferência. Uma leitora do blog indicou este site que mostra qual lugar recebe embalagens de longa vida para reciclagem mais perto de você. Basta digitar o endereço que ele faz uma rota no mapa.
Eu testei capitais como S√£o Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. O mapa mostrou cooperativas, lugares que compram embalagens e pontos de entrega volunt√°ria. Ao lado esquerdo do site, o link “outros materiais” leva √† p√°gina da associa√ß√£o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre). L√°, vale uma xeretada na parte “acesso r√°pido”, do lado direito.
Se onde voc√™ mora n√£o h√° recolhimento de coleta seletiva pela prefeitura, a sugest√£o √© fazer uma lixeira coletiva com os vizinhos. Uma vez por semana, leve o material para os pontos de recolhimento. Se tem gente que compra o “lixo”, d√° at√© para ganhar um dinheirinho – bem pequenininho – e tentar reverter em algo para o pr√©dio ou ao bairro.
Curiosidade: Você sabia que a tecnologia para separar o plástico, o alumínio e o papelão das embalagens de longa vida foi inventada no Brasil? Acredite se puder.

Pap√©is ao vento…

Pensei… antes de escrever este post… Na realidade, antes de confessar, pela primeira vez, que eu fa√ßo uma coisa que alguns poderiam considerar rid√≠cula. C√° entre n√≥s – que ningu√©m nos ou√ßa: “Eu escrevo poesias, cita√ß√Ķes ou frases como ‘tenha um bom dia’ em pap√©is que por ‘n’ motivos n√£o seriam utilizados pela reciclagem e os coloco dentro do ‘lixo’ de coleta seletiva”. Falei!
Tudo come√ßou quando estava revendo algumas mat√©rias jornal√≠sticas minhas do passado. Ainda na faculdade, fiz uma reportagem para a TV Mackenzie sobre os catadores que trabalham em uma cooperativa instalada na Luz. Apurei, entrevistei, fiz a passagem – momento em que o rep√≥rter fala olhando para a c√Ęmera – e acompanhei a edi√ß√£o.
Durante a entrevista, os catadores contaram suas histórias de vida. A maioria deles se dizia muito feliz por ter um trabalho Рlembro-me de um homem dizendo que, com o emprego, conseguia pagar o aluguel, ter onde morar. E, claro, entendiam que seu papel ajudava a preservar o meio ambiente. O que dava uma satisfação pessoal.
Aliás, que papéis lindos eles criavam! Além de separar o coletado para vender para as fábricas de reciclagem, eles produziam blocos, cadernos, folhas de papel reciclado. Indiquei para um primo. Que adorou e lá encomendou o convite de casamento Рpor sinal, bem mais barato do que as empresas cobravam. Noivas, anotem a ideia.
Passados alguns anos, separando o lixo para a reciclagem, tive uma luz. √Ē bom humor! Escrevi algumas mensagens como “desejo um lindo dia” e coloquei na coleta seletiva. Discretamente. Sem ningu√©m em casa perceber. Repeti a a√ß√£o outras vezes.
Ser√° que algu√©m leu? Ser√° que o recado tornou o dia da pessoa mais feliz? Ser√° que estimulou a leitura no outro? Porque me senti sorrindo por dentro. Agora, percebo que isso remete a algo da Am√©lie Poulain. “S√£o tempos dif√≠ceis para os sonhadores”, citaram durante o filme.

A crise financeira afetou o setor da reciclagem

Li muito sobre isso. De acordo com o Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a crise financeira em 2009 e 2008 prejudicou o setor da reciclagem. Mas a modo de quê?
O pre√ßo dos materiais recicl√°veis – aparas de papel, sucata de ferro e pl√°sticos – √© ditado pela Bolsa de Valores de Londres. Tratam-se de commodities classificadas como mercadorias prim√°rias – ou mat√©rias-primas – que t√™m seu pre√ßo cotado de forma global. Assim, os materiais recicl√°veis est√£o sujeitos √†s varia√ß√Ķes que as ind√ļstrias praticam ao redor do mundo – cotadas em d√≥lar.
Segundo o MNCR, no Brasil, por exemplo, o pre√ßo do quilo de pl√°stico caiu de R$ 1 para R$ 0,60, e o do pl√°stico de garrafas pet, de R$ 1,20 para R$ 0,35. O quilo do jornal, dos papel√Ķes especiais e finos e dos pap√©is misturados e brancos tamb√©m tiveram redu√ß√£o no valor. A reciclagem quebrou no Brasil, para o Movimento. Ind√ļstrias de beneficiamento fecharam as portas e demitiram. Ainda, hoje, o setor n√£o se recuperou.
Essas informa√ß√Ķes constam no artigo “A crise financeira e os catadores de materiais recicl√°veis”, produzido pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicl√°veis (MNCR) e publicado no √ļltimo boletim Mercado de trabalho: Conjuntura e An√°lise, do Instituto de Pesquisa Econ√īmica Aplicada (Ipea).
Agora, veja s√≥ que problema. Estimativas do Movimento apontam que, no Brasil, 90% de tudo que √© reciclado v√™m das m√£os dos cerca de 800 mil catadores. Eles atuam dentro de lix√Ķes a c√©u aberto ou organizados em cooperativas e associa√ß√Ķes. Quem precisou trabalhar mais para ganhar o mesmo? Os catadores.

Dia Sem Sacolas Pl√°sticas

Gentem, o Minist√©rio do Meio Ambiente (MMA) escolheu o 15 de outubro como o Dia Sem Sacolas Pl√°sticas. Ent√£o… o Ecoblogs, uma rede de blogs que se preocupa com o meio ambiente e da qual fa√ßo parte, lan√ßou uma campanha: uma semana inteira sem sacolinhas! Topa?
Para te incentivar, lan√ßo m√£o de algumas informa√ß√Ķes que apurei para uma mat√©ria sobre sacolas pl√°sticas. S√£o elas:

  • O pl√°stico √© comercializado no mundo h√° 60 anos;
  • As sacolas pl√°sticas se popularizaram nos anos 1980;
  • Estima-se que o consumo mensal de sacolas pl√°sticas em supermercados seja em torno de 18.000 milh√Ķes de unidades, no Brasil;
  • Apenas 20% do pl√°stico p√≥s-consumo, o que equivale a 520 mil toneladas, √© reciclado por ano no nosso pa√≠s;
  • Colocar em duas sacolas de supermercado o que poderia ser levado em tr√™s reduziria em 20% sua emiss√£o de CO¬≤, segundo a ONG Iniciativa Verde.

Eu faço a minha parte. E você?

Pesquisa diz que 100% das administradoras do lar reutilizam sacolas pl√°sticas

Uma pesquisa do Ibope encomendada pela Plastivida РInstituto Sócio Ambiental dos Plásticos -, realizada com mulheres das classes B, C e D responsáveis pelas compras de seus lares, revela que 100% delas reutilizam as sacolas plásticas após as compras.
A pesquisa mostra que 73% das entrevistadas utilizam as sacolas para acondicionar o lixo doméstico, 69% consideram embalagem ideal para carregar suas compras e 75% dizem que é função do varejo fornecer as sacolas. De modo geral, elas usam as sacolas para: guardar alimentos, guardar roupas, calçados e documentos, acondicionar o lixo da cozinha ou o do banheiro, recolher fezes de animais.
Um problema √© que as sacolas pl√°sticas vendidas para serem usadas como saco de lixeira podem ser recicladas. E as sacolas oferecidas pelos supermercados, farm√°cias, etc, devem ser n√£o-recicladas. Logo… Vale mais a pena levar uma sacola de tecido para fazer as compras e adquirir as j√° recicladas para guardar objetos e acondicionar o lixo. Quanto aos alimentos, a√≠ sim, apostaria na “sacolinha de supermercado”. Ou em potes. N√£o sei o que seria melhor. Acho que potes duram mais…

Pl√°stico oxibiodegrad√°vel talvez n√£o seja uma boa ideia

Essa √© para refletir. Os fabricantes de pl√°stico oxibiodegrad√°vel dizem que a principal vantagem do produto √© que ele se decomp√Ķe em 18 meses, sendo que a sacolinha pl√°stica “cl√°ssica” demora no m√≠nimo 100 anos. At√© a√≠, lindo. Por√©m o que tenho discutido h√° tempos com muita gente do meio…
O diferencial do pl√°stico oxibiodegrad√°vel √© que ele se “esfarela” na decomposi√ß√£o. Por isso essa a√ß√£o parece ser mais r√°pida. Bem, a√≠ est√° o problema. Antes das bact√©rias e fungos mandarem a ver na decomposi√ß√£o, esses milh√Ķes de farelinhos j√° contaminaram a √°gua, o solo e tudo mais.
E, se esse pl√°stico for usado para a reciclagem… Estudos apontam que os produtos feitos com esse material duram menos. J√° que a ideia √© acelerar na decomposi√ß√£o. Eles podem quebrar mais facilmente, por exemplo. A solu√ß√£o parece ser, ao menos por enquanto, consumir menos pl√°stico poss√≠vel.