Rastro de Merc√ļrio

Este post √© uma parte do InterCi√™ncia! O amigo secreto cient√≠fico dos blogs mais lindos e cheirosos da blogosfera! O trabalho de nossos leitores √© descobrir quem foi o autor dessa pe√ßa e… descobrir onde foi parar o texto que foi escrito por esta pessoa que vos fala!

E se voc√™ ainda quer participar da nossa brincadeira, ainda d√° tempo! Instru√ß√Ķes aqui

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Rastro de Merc√ļrio

Rastro de Merc√ļrio!

Rastro de Merc√ļrio!

N√£o, n√£o vamos falar do rastro que o planeta mais pr√≥ximo do sol deixa no c√©u a noite. Vamos falar de sujeira “pesada”. Sim, pesada e suja. O rastro em quest√£o √© de um dos elementos mais paquid√©rmicos do universo: o denso e t√≥xico merc√ļrio (o Hg da tabela peri√≥dica).

Merc√ļrio: o esculhambador geral das prote√≠nas

Apesar de ser um elemento bem bonito, parecendo at√© “prata l√≠quida” (da√≠ que vem o s√≠mbolo “Hg”, da palavra para “prata l√≠quida” em latim: “hydrargyrum”), voc√™ n√£o vai querer por a m√£o nesse l√≠qu√≠do prateado.

O "hydrargyrum", a "prata l√≠quida". Vulgo merc√ļrio!

O “hydrargyrum”, a “prata l√≠quida”. Vulgo merc√ļrio!

Legenda: O “hydrargyrum”, a “prata l√≠quida”. Vulgo merc√ļrio!

Essa belezinha √© uma subst√Ęncia bem t√≥xica. Pra falar a verdade √© t√≥xica pra caramba. N√£o √© aquele tipo de coisa que faz voc√™ morrer na hora, mas o contato excessivo com essa subst√Ęncia atrapalha o funcionamento e causa danos severos a diversos √≥rg√£os. S√≥ pra mostrar quantos lugares ele se acumula, eis uma “pequena” listinha: c√©rebro, tire√≥ide, seios, mioc√°rdio, m√ļsculos, gl√Ęndulas adrenais, f√≠gado, rins, pele, gl√Ęndulas sudor√≠paras, p√Ęncreas, enter√≥citos, pulm√Ķes, gl√Ęndulas saliv√°rias, test√≠culos e pr√≥stata, e etc [1].
O seu variado alvo de toxicidade no organismo se deve ao fato de se ligar √† ciste√≠nas e selenociste√≠nas das prote√≠nas do nosso corpo e alterar suas estruturas terci√°rias e quatern√°rias [1]. Ou seja: o merc√ļrio estraga a maquinaria celular! Al√©m disso, estudos apontam que esse metal pesado interfere tamb√©m com a transcri√ß√£o do DNA e a s√≠ntese de prote√≠nas [1]. No c√©rebro em desenvolvimento (De bebezinhos! Veja s√≥!), ele chega a destruir o ret√≠culo endoplasm√°tico de c√©lulas e o ribossomo. Se h√° alguma coisa horr√≠vel de se destruir dentro de uma c√©lula √© o ribossomo. Sem ele n√£o existem prote√≠nas – que s√£o basicamente as protagonistas da m√°gica da vida!

Terroristas An√īnimos

OK, sabemos que o merc√ļrio faz bem mal. Imagine ent√£o se o merc√ļrio fosse usado como arma qu√≠mica! Um veneno! Sim! Imagine se algum grupo terrorista espalhasse merc√ļrio por a√≠, colocando-o na sua comida, no ar que voc√™ respira e na √°gua que voc√™ bebe! Seria horr√≠vel n√£o!? Imagine os bebezinhos sem ribossomo! Que trag√©dia! Mas vamos falar s√©rio agora: tenho duas not√≠cias importantes sobre esse assunto. Uma muito boa e outra muito ruim.
Boa not√≠cia: n√£o h√° grupos terroristas que espalham merc√ļrio por a√≠ para matar bebezinhos! Viva a humanidade!
M√° not√≠cia: segundo um estudo conjunto de duas organiza√ß√Ķes em defesa do meio ambiente (o Biodiversity Research Institute e o IPEN – n√£o, n√£o √© o IPEN brasileiro!), em amostras de peixe de diversos locais do globo, cerca de 86% estavam contaminados por merc√ļrio acima dos n√≠veis seguros de consumo [2].
Se n√£o h√° um grupo terrorista, como diabos estamos sendo envenenados!? Quem est√° fazendo isso!? Resposta: “n√≥s” mesmos.
Não somente as águas, mas também o ar, estão sendo contaminados principalmente devido a atividades de mineração e a queima de combustíveis fósseis.

Retirado da fonte [2].

Retirado da fonte [2]

As principais causas de contaminação da água são similares. Os principais contaminadores antropogênicos são usinas de produção de compostos cloro-alcáli (ex: produção de NaOH e Cl2 a partir de NaCl), plantas energéticas à base de carvão e mineiração de ouro em pequena escala [2].

Extra√ß√£o artesanal de ouro - um risco √† sa√ļde e ao meio ambiente.

Extra√ß√£o artesanal de ouro – um risco √† sa√ļde e ao meio ambiente.

De acordo com o estudo, se voc√™ morar nas regi√Ķes dos 9 pa√≠ses em que foram realizadas coletas, comer peixe mais de uma vez ao m√™s poderia j√° exceder os n√≠veis seguros de consumo de merc√ļrio na dieta. Segundo outro estudo, dessa vez realizado pela UNEP (United Nations Environment Programme), cerca de 260 toneladas de merc√ļrio s√£o despejadas em rios e lagos todos os anos [3]. √Č merc√ļrio pra caramba!

Pegadas Tóxicas

Assim como os famigerados ciclos do nitrog√™nio, oxig√™nio e da √°gua, h√° uma cadeia alimentar que leva o merc√ļrio at√© n√≥s – e cada vez mais concentrado.

A concentra√ß√£o de merc√ļrio aumenta o quanto mais pr√≥ximo do topo da cadeia alimentar.

A concentra√ß√£o de merc√ļrio aumenta o quanto mais pr√≥ximo do topo da cadeia alimentar.

O merc√ļrio gasoso, tamb√©m como quase todos os compostos no ar, vai parar no grande reservat√≥rio qu√≠mico que chamamos de oceano. L√° existem pl√Ęnctons bem resistentes a esse metal pesado que logo o transformam em metilmerc√ļrio. Pra se ter uma ideia de como a concentra√ß√£o de merc√ļrio vai aumentando, dentro desses pequenos animaizinhos a concentra√ß√£o de merc√ļrio chega a ficar 10 mil vezes maior que a do oceano [3]. Ent√£o imagine o qu√£o concentrado esse elemento fica em inst√Ęncias superiores da cadeia alimentar!? E o peixe que come muitos pl√Ęnctons!? E o peixe que come peixes-que-comem-pl√Ęnctons!? O merc√ļrio s√≥ vai aumentando at√© chegar aos humanos, que recebem de volta aquilo que jogaram indiscriminadamente na natureza.

O metal pesado não é eficientemente excretado pelos peixes, ficando em uma forma estável dentro dos mesmos [1], o que o conserva ainda mais dentro daquilo que será a comida de muita gente.

Como Resolver o Problema

Longo Prazo

A preocupa√ß√£o com metais pesados em √°gua √© antiga. Uma das solu√ß√Ķes mais interessante √© aquela que usa recursos da pr√≥pria natureza para resolver os problemas ambientais: a bioremedia√ß√£o. Basicamente √© explorar o primeiro ponto da cadeia alimentar da transfer√™ncia de merc√ļrio, os microrganismos!
Propriedades de resist√™ncia √† concentra√ß√Ķes de merc√ļrio foram descritas pela primeira vez em 1960, em estudos com o microrganismo Staphylococcus aureus[4]. O que os pesquisadores estavam tentando descobrir na √©poca era como e quais pat√≥genos sobriveviam √† desinfetantes e antis√©pticos √† base de merc√ļrio. Com o desenvolvimento das pesquisas durante o tempo, foram descobertos os “genes chave” para a detoxifica√ß√£o de merc√ļrio, os genes mer[4] (merA e mer B). Eles basicamente est√£o envolvidos na quebra das liga√ß√Ķes entre carbono e Hg e na redu√ß√£o do √°tomo de merc√ļrio a uma esp√©cie n√£o reativa, o merc√ļrio molecular Hg0. Isso fecha o ciclo do merc√ļrio na natureza:

A concentra√ß√£o de merc√ļrio aumenta o quanto mais pr√≥ximo do topo da cadeia alimentar.

Retirado da fonte [4].

V√°rias esp√©cies resistentes a merc√ļrio, contendo os genes mer ou varia√ß√Ķes dele, foram reportadas. A explora√ß√£o e demonstra√ß√£o do uso deses microrganismos como agentes de remedia√ß√£o j√° foi feita a cerca de 30 anos atr√°s [4]. Hoje em dia existem avan√ßados bioreatores para bioremedia√ß√£o de efluentes de ind√ļstrias, principalmente nas ind√ļstrias cloro-alc√°li, uma das vil√£s da polui√ß√£o com merc√ļrio nos estudos das organiza√ß√Ķes ambientais citadas anteriormente. Esses bioreatores, contendo principalmente bact√©rias do g√™nero Pseudomonas, chegam a remover o merc√ļrio com cerca de 99% de efici√™ncia[4]! Que maravilha n√£o √©!? Al√©m disso, visando baratear o processo, estudos v√™m sendo feitos para gerar organismos modificados que fa√ßam esse trabalho [4].

Curto Prazo

Se j√° existe solu√ß√£o para o problema de contamina√ß√£o de merc√ļrio, porque ela ainda ocorre!? A resposta pode ser resumida em uma palavra: regulamenta√ß√£o. A aus√™ncia de pol√≠ticas efetivas que gerem legisla√ß√Ķes combativas e fiscaliza√ß√Ķes presentes e eficazes fazem o problema persistir. Isso fica bem evidente em outro gr√°fico de emiss√£o de Hg, tamb√©m em 2010, indicando como maior contribuidor a atividade de extra√ß√£o de ouro artesanal de pequena escala, o que tamb√©m corrobora com o gr√°fico anteior – atividades assim n√£o s√£o triviais de serem fiscalizadas, uma vez que acontecem “quase que” clandestinamente.

Retirado da fonte [3].

Retirado da fonte [3].

Os pa√≠ses mais envolvidos com contamina√ß√£o de merc√ļrio na natureza s√£o principalmente os em desenvolvimento, como √ćndia, China, M√©xico e pa√≠ses do leste europeu. √Č preciso dar grande destaque √† China, que provavelmente devido √† sua economia constantemente aquecida, √© o pa√≠s com mais focos de polui√ß√£o.

Retirado da fonte [2].

Retirado da fonte [2].

A UNEP vem desde 2003 alertando sobre as quest√Ķes da contamina√ß√£o de merc√ļrio. Em 2009 iniciara-se os esfor√ßos para criar instrumentos legais de regulamenta√ß√£o global sobre o merc√ļrio. Com reuni√Ķes de negocia√ß√£o que come√ßaram em junho de 2010, foram conclu√≠das a um pouco mais de uma semana (18 de Janeiro), na Su√≠√ßa. A organiza√ß√£o ligada √† ONU planeja firmar um tratado ainda neste ano durante uma confer√™ncia diplom√°tica no Jap√£o. Esperamos que de uma vez por todas a press√£o pol√≠tica (pelo menos!) para a regulariza√ß√£o de atividades poluidoras envolvendo a libera√ß√£o de merc√ļrio e seus compostos na natureza seja efetiva!

Vale prestar aten√ß√£o no tempo que em tudo isso demorou: 10 anos, desde 2003 at√© hoje. Isso sem contar o tempo antes dos estudos iniciados pela UNEP, em que j√° se sabia dos problemas ambientais e de sa√ļde envolvendo o merc√ļrio. O rastro ecol√≥gico que esse metal deixa √© literalmente pesado. A reuni√£o no Jap√£o este ano vai ajudar a definir quais rastros de merc√ļrio nosso filhos ir√£o se preocupar no futuro: o biol√≥gico ou o celeste. Prefiro o celeste!
***
[Este texto √© parte da primeira rodada do InterCi√™ncia, o interc√Ęmbio de divulga√ß√£o cient√≠fica. Saiba mais e participe em: http://scienceblogs.com.br/raiox/2013/01/interciencia/]

Referências

1. Bernhoft AB. “Mercury Toxicity and Treatment: A Review of the Literature”. Journal of Environmental and Public Health, volume 2012, doi:10.1155/2012/460508
2. “Global Mercury Hotspots – New Evidence Reveals Mercury Contamination Regularly Exceeds Health Advisory Levels in Humans and Fish Worldwide”. BRI e IPEN, jan de 2013. Dispon√≠vel em: http://www.briloon.org/uploads/documents/hgcenter/gmh/gmhFullReport.pdf
3. “Global Mercury Assessment 2013 – Sources, Emissions, Releases and Environmental Transport”. UNEP, 2013. Dispon√≠vel em: Link
4. Barkay T, Miller SM, Summers AO. “Bacterial mercury resistance from atoms to ecosystems”. FEMS Microbiology reviews, vol 27, 2003. Dispon√≠vel em: Link

 

#EstudarValeaPena

Estudar vale a pena

Hoje, dia Nacional do Estudante, o Instituto Unibanco est√° mobilizando as redes sociais brasileiras com a blogagem coletiva intitulada “Estudar Vale a Pena”, mesmo nome dado √† campanha desenvolvida pelo pr√≥prio instituto com alunos do Ensino M√©dio de escolas p√ļblicas dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, S√£o Paulo, Rio Grande do Sul e Esp√≠rito Santo.

O intuito dessa mobilização é encorajar os jovens em idade escolar a prosseguir com seus estudos através de nossos depoimentos pessoais, contando como os estudos fazem nossa vida melhor, tanto cultural como financeiramente.

No semestre passado, durante meus est√°gios em turmas do Ensino M√©dio de escolas p√ļblicas de Campinas, voltei a me encontrar com a triste realidade do ensino p√ļblico brasileiro. A desestrutura√ß√£o da escola, a falta de capacita√ß√£o dos professores e a marginaliza√ß√£o do aluno de institui√ß√Ķes p√ļblicas √© de arrancar l√°grimas dos olhos. De 7 anos para c√°, n√£o mudou nada. O des√Ęnimo que pairava/paira sobre uma turma de terceiro colegial que n√£o se sente capaz de tra√ßar um futuro brilhante para sua vida √© indescrit√≠vel.

Hoje, quero relatar a vocês a minha própria história de estudos, que se passou totalmente dentro de escolas mantidas pelo governo estadual.

Comecemos então, pela família.

Venho de fam√≠lia simples, sem condi√ß√Ķes alguma de me matricular em uma escola particular, portanto, cursei todo o Ensino Fundamental e todo o Ensino M√©dio em escolas p√ļblicas, parte em Minas Gerais, parte no estado de S√£o Paulo.

Durante o ensino fundamental, nas rodas de amigos, j√° discut√≠amos o que far√≠amos quando termin√°ssemos o ent√£o “colegial” e que rumos tomariam nossas vidas quando cheg√°ssemos no ponto em que ter√≠amos que escolher nossas carreiras, um desafio um tanto quanto dif√≠cil, para quem iria terminar o terceiro ano com 16 anos de idade.

Quando ingressei no Ensino Médio os papos das rodas mudaram, e não se ouvia falar em universidade, nem mesmo em carreira. A vontade dos meus colegas de classe era terminar aquilo logo para ser ver livres de tanta chateação, vontade que não condizia com a minha e que me fazia uma pessoa chata, tanto para os colegas quanto para os professores, que muitas vezes de deslocavam para levar apenas um formulário de simulados de vestibular: o meu.

Minha escola n√£o era melhor do que as da atualidade, eu n√£o tinha base alguma para prestar um vestibular, tanto √© que eu fazia os simulados mas n√£o acertava quase nada. 

Minha fam√≠lia continuava n√£o possuindo condi√ß√Ķes de me colocar em uma escola melhor, nem mesmo de me matricular em um curso pr√©-vestibular. Foi a√≠ que o desespero bateu e eu pensei: ser√° mesmo que estou fadada a terminar o Ensino M√©dio e fim da linha?

Então decidi arrumar um emprego. Mas eu precisava de um curso profissionalizante para um emprego que pudesse arcar com as despesas de um curso pré-vestibular e eu não podia pagar um curso profissionalizante.

Veja bem, eu arrumei um emprego para fazer um curso profissionalizante, para então ter a esperança de arrumar um emprego melhor e finalmente pagar o curso pré-vestibular.

Finalmente fiz os cursos profissionalizantes, mas n√£o arrumei um emprego melhor.

Depois de passar um ano inteiro sem estudar para o vestibular, consegui um emprego de secret√°ria na frente do cursinho mais barato da cidade, que al√©m disso, me pouparia algumas passagens de √īnibus, bastando apenas atravessar a rua. Mas o sal√°rio ainda n√£o dava para custear os estudos. O cursinho n√£o era caro, eu √© que ganhava pouco.
Foi ent√£o que eu tive a est√ļpida id√©ia de ficar sem jantar para poder economizar mais alguns.

Em suma: fiquei doente, emagreci 9Kg (que nunca foram recuperados) e n√£o passei no vestibular, arr√°!

No ano seguinte, vendo minha situa√ß√£o calamitosa, meus pais fizeram um esfor√ßo bruto no or√ßamento da fam√≠lia para pagar este cursinho e eu finalmente pude me dedicar integralmente aos estudos do vestibular. Para pagar as taxas absurdas de inscri√ß√Ķes das provas, eu vendia brigadeiros para os colegas e professores. Fa√ßo brigadeiros √≥timos, s√©rio!

Eu estudava em torno de 9 horas por dia e nos fins de semana também para passar em Ciências Biológicas. Minha cabeça só pega no tranco, amigos.

Terminei o Ensino Médio em 2004 e só entrei na universidade em 2008, quando passei nas 3 melhores universidades do país: USP, Unicamp e Unesp. Resolvi escolher a Unicamp, onde estou até então.

Hoje, as dificuldades do dia a dia universitário continuam comigo. E quem disse que iria ser fácil? Atualmente minha bolsa de Iniciação Científica não paga nem meu aluguel.
Mas posso dizer que estou a caminho da minha realização pessoal e acredito que as coisas melhoram com tempo, mas isso não significa que vai ser rápido, por isso é necessário paciência.

Sem contar as novas experiências que a universidade me proporciona, como aprender um novo idioma, viajar pelo país e para fora dele (um dia eu chego lá) para mostrar meu trabalho, sem gastar um centavo.

Sou uma pessoa imensamente feliz por ter persistido com toda esta loucura e tenho certeza que terei uma vida melhor futuramente.

O governo pode n√£o fornecer as melhores condi√ß√Ķes para que voc√™ leve a frente seus sonhos, mas se voc√™ quiser, d√° at√© para “ignor√°-las” e dar o seu jeitinho. ūüôā

A √°gua nossa de cada dia

Hoje estou meio contemplativa e por isso, minha participa√ß√£o no Blog Action Day 2010, cujo tema √© √ĀGUA, foi se transformando em imagens. Dependendo da fotografia que voc√™ escolha contemplar comigo, √© dif√≠cil entender alguns n√ļmeros e algumas estat√≠sticas. Por exemplo… pra mim, olhando uma fotografia do Planeta Terra (tem uma que eu gosto muito neste post aqui), √© absolutamente imposs√≠vel ter a no√ß√£o exata do que significa a seguinte matem√°tica: de todo o 3/4 de superf√≠cie terrestre menos de 2% √© de √°gua doce e, desse tanto de √°gua doce, uma parte m√≠nima est√° dipon√≠vel para consumo (porque parte est√° congelada em geleiras ou no solo, parte est√° na atmosfera, parte est√° polu√≠da… vai vendo). Tem um gr√°fico bem bom sobre essa matem√°tica toda da √°gua bem aqui.

Ent√£o, vamos √†s imagens que eu escolhi pra dividir com voc√™s e depois, vamos aos n√ļmeros.

enchente.jpg

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+ A Organiza√ß√£o das Na√ß√Ķes Unidas calcula que, sejam necess√°rios, por dia, 40 a 50 litros de √°gua por pessoa para que sejam realizadas todas as suas necessidades. No Brasil, nosso consumo √© de mais de 200 litros de √°gua, por dia, por pessoa. Nos Estados Unidos s√£o mais de 400 litros de √°gua por dia, por pessoa.

+ 12% da √°gua doce do mundo est√° no Brasil.

+ Por dia, 2 milh√Ķes de toneladas de lixo humano s√£o despejados em fontes de √°gua. Fonte: UN Water.

+ 1,2 bilh√Ķes de pessoas n√£o tem acesso a √°gua tratada. 2,6 bilh√Ķes n√£o tem acesso a rede de esgoto ou qualquer forma de saneamento b√°sico. Human Development Reports.

+ Aproximadamente 38.000 crianças morrem todas as semanas porque consumiram água contaminada e imprópria para consumo. Fonte: Charity: Water.

+ Se contarmos todas as crian√ßas que perdem aulas por estarem doentes com diarreia ou com vermes por terem consumido √°gua contaminada, teremos uma perda de 443 milh√Ķes de dias letivos por ano. Sem contar que essas doen√ßas podem causar diminui√ß√£o do aprendizado e atraso no desenvolvimento cognitivo. Fonte: Water Advocates.

+ Voc√™ pode calcular quanta √°gua foi consumida para produzir seu alimento favorito. √Č s√≥ baixar este aplicativo para o seu iPhone.

+ Por falar em iPhone, cada vez que voc√™ carrega o seu, calcule um gasto de 500 ml de √°gua. Considere tamb√©m que existem 80 milh√Ķes de iPhones (e subindo) no mundo, que precisam ser recarregados pelo menos uma vez por dia. Fonte: IEEE Spectrum.

Outras fontes de dados:

FAO Water

E o Blog Action Day 2010 vai para…

Mais um ano, mais um Blog Action Day. Voc√™ n√£o sabe o que √© o Blog Action Day???? Voc√™ pode ter as melhores informa√ß√Ķes clicando AQUI, ou pode ler meu humilde resumo: o blog action day √© uma iniciativa, que ocorre todo dia 15 de outubro, dia no qual todos os blogs do universo s√£o convidados a escrever sobre um mesmo tema. Quando milh√Ķes de blogs escrevem sobre o mesmo tema, faz-se uma correte e for√ßa-se que todos os leitores de blog – mesmo que seja de um s√≥ – pensem a respeito dele.

E, o Blog Action Day deste ano foi escolhido e ser√° sobre: √ĀGUA! Veja o v√≠deo, sinta-se convidad√≠ssimo a participar, ou postando sobre esse assunto no dia 15 de outubro, ou lendo e comentando nos blogs inscritos.

Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.

Para se inscrever no Blog Action Day, basta clicar AQUI. Estou inscrevendo o Rastro de Carbono agorinha mesmo.

Blog Action Day 2009 – Multipost

Todo ano √© a mesma coisa. Eu fico pensando sobre mil assuntos que poderia tratar sobre o tema do ano do Blog Action Day. A√≠ eu escrevo um post, que at√© fica legal, mas sempre fica aquela d√ļvida: “Ser√° que se eu tivesse feito um texto sobre aquele outro assunto, ia ser melhor?”

Enfim, esse ano resolvi fazer um multipost. Esse ano, n√£o exatamente. Acabei de resolver. Estava numa d√ļvida t√£o grande sobre o que escrever que resolvi fazer um mix e escrever um pouquinho de tudo. O resultado? N√£o sei ainda. S√≥ sei que se eu gostar, vou repetir nos pr√≥ximos anos.

O tema desse ano do Blog Action Day √©: mudan√ßas clim√°ticas. Esse blog nasceu para falar sobre esse tema. Ele, na verdade, s√≥ fala sobre esse tema, de um jeito um pouco disfar√ßado √†s vezes, para n√£o cansar a autora e os leitores. Fala de como a√ß√Ķes pessoais podem ser √ļteis para as mudan√ßas do clima, fala sobre como os cientistas lidam com o tema, ou como os pol√≠ticos, em geral, n√£o lidam. Fala sobre livros que falam sobre isso e sobre minhas pr√≥prias a√ß√Ķes, pequenas e para muitos irris√≥rias, por√©m, minhas a√ß√Ķes.

Se esse post fosse feito só de um desses assuntos, eu não me sentiria feliz. Então vamos ao mix.

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Sobre a√ß√Ķes pessoais

Segundo o relat√≥rio para tomadores de decis√£o do IPCC de 2007, WG III, as maiores emiss√Ķes de gases do efeito estufa, medidos em carbono equivalente, s√£o provenientes de g√°s carb√īnico liberado na queima de combust√≠veis f√≥sseis. 

Sim, sim. E, al√©m dos motores dos autom√≥veis nos quais voc√™ deve estar pensando, some nessa conta combust√≠veis f√≥sseis usados em usinas termel√©tricas a carv√£o para produ√ß√£o de energia para casas e ind√ļstrias, muito comuns em pa√≠ses como a China ou os EUA, ou no asfalto usado em rodovias de todo o mundo. Pense tamb√©m em todos os derivados de petr√≥leo que temos por a√≠, na composi√ß√£o de materiais de constru√ß√£o, garrafas e recipientes pl√°sticos e muitos outros.

Sendo assim, mudan√ßas pessoais no estilo de vida e consumo podem sim ser relevantes. Fa√ßa a sua parte diminuindo a quantidade de energia el√©trica consumida (nos hor√°rios de pico, cidades como S√£o Paulo s√£o “ajudadas” com termel√©tricas a carv√£o), opte pelo transporte p√ļblico inv√©s de seu carro, diminua seu consumo de alimentos excessivamente embalados, use sacolas de pano ou de r√°fia, que podem ser reutilizadas in√ļmeras vezes, diminua seu consumo de copos pl√°sticos levando sempre uma caneca.

Por falar em transporte p√ļblico, hoje passei pela regi√£o do Parque do Povo e descobri que o hor√°rio da faixa exclusiva para bicicletas aos domingos agora vai at√© as 14 horas, e n√£o mais s√≥ at√© as 12 horas como antes. De duas em duas horas, conquistamos o domingo todo, a semana toda, o ano todo!

Sobre Ciência

Fiquei espantada com a not√≠cia dessa semana, publicada hoje por Peter Griffiths, na Reuters, (com tradu√ß√£o aqui) sobre a velocidade do derretimento do √Ārtico. Segundo o artigo, o professor Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge, afirma que em 20 anos uma nova rota mar√≠tima poder√° ser tra√ßada durante os meses de ver√£o, ao norte da R√ļssia, hoje completamente tomado pelo gelo do √Ārtico. Pior do que isso, o derretimento no gelo no ver√£o poder√° deixar mais f√°cil a extra√ß√£o do petr√≥leo que h√° na regi√£o.

Sobre pol√≠ticas p√ļblicas

Chorei com outra not√≠cia que eu ouvi hoje – essa de tirar o chap√©u. O governo da Finl√Ęndia resolveu estimular uma meta de redu√ß√£o de 80% de suas emiss√Ķes de gases do efeito estufa at√© 2050, tomando como base o ano de 1990 – ao qual o Protocolo de Kyoto tamb√©m se refere – o que significa que, para os padr√Ķes de emiss√£o atuais, √© muito mais do que 80%. As redu√ß√Ķes ser√£o concentradas principalmente sobre o consumo de energia em novos e antigos pr√©dios e uso de tecnologias para produ√ß√£o de energia renov√°vel.

Triste mesmo é comparar essa notícia com outra que eu ouvi hoje cedo na CBN sobre os gastos com poltronas de couro no congresso nacional. Ridículo.

Sobre livros

Interessant√≠ssimo o livro que atualmente estou lendo sobre petr√≥leo e a ind√ļstria de petr√≥leo, principalmente norte-americana. Como ela interfere nas decis√Ķes pol√≠ticas, como investe em futuros parlamentares e como obt√©m benef√≠cios do governo. √Č impressionante e assim que eu terminar, obviamente vai sair uma resenha de “A Tirania do Petr√≥leo” da Ediouro. O livro foi gentilmente enviado a mim pela Ag√™ncia Frog.

Sobre mim

Hoje cai da escada. Foi feio. Feio mesmo. Estou com um hematoma gigantesco na perna, obviamente já sendo cuidados com compressas frias Рe, se não melhorar até amanhã, com compressas quentes e frias.

Cai da escada que dá acesso a Estação Cidade Universitária, estação de trem. Tava chovendo, a escada que é provisória é lisa, eu me esborrachei. Graças aos céus nada de grave aconteceu, só o hematoma mesmo.

A√≠ fiquei pensando sobre o uso de transporte p√ļblico, sobre as condi√ß√Ķes que o governo deve dar para as pessoas, sobre o custo do transporte em S√£o Paulo, sobre as p√©ssimas condi√ß√Ķes da escada provis√≥ria da esta√ß√£o e sobre como seria f√°cil, f√°cil o governo deixar sua popula√ß√£o mais feliz e colocar de uma vez uma cobertura provis√≥ria na passagem provis√≥ria. Poxa vida… a gente cobra tanto que as pessoas realizem a√ß√Ķes pessoais para melhorar a vida do planeta, ent√£o temos que cobrar dos governos a√ß√Ķes para melhorar a vida das pessoas. S√≥ pessoas felizes v√£o dedicar mais tempo para cuidar dos outros inv√©s de cuidar de seu pr√≥prio umbigo.

Sobre o dia dos professores

Professores: o sal√°rio √© baixo. Amea√ßas existem. Bullying n√£o √© exclusividade entre os alunos. Mas s√£o voc√™s que devem iniciar pensamentos cr√≠ticos sobre o meio ambiente e sobre essa nossa casa provis√≥ria chamada Terra. A casa fica para nossos filhos, netos, e netos dos nossos netos, e deve estar limpa para receb√™-los, n√©? Professores, estimulem seus alunos com atividades sobre o tema, com textos e palestras, campanhas. √Č na escola que amadurece o pensamento cr√≠tico para esses e outros temas.

Feliz dia do Professor! Vocês são nossos mestres, nós, apenas aprendizes.

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Esse post é minha participação no Blog Action Day 2009

Blog Action Day 2009

Acabei de receber o email da organização do Blog Action Day!
Eles escolheram o tema desse ano! Adivinha?

Bora l√°? J√° cadastrei o Rastro de Carbono!

A Corrente do Bem!

Uma vez postei um v√≠deo aqui que trazia uma mensagem que acredito muito. Quando a gente fala em “salvar o planeta” estamos na verdade pensando em nos salvar como esp√©cie. Quando dizemos “salvem as esp√©cies” tamb√©m temos um fundo de ego√≠smo pois queremos mesmo √© salvar o que nos d√° comida e em alguns casos o que pode vir a nos dar comidas e rem√©dios. Sim, sim. Voc√™ pode ter ficado chocado. Mas √© egoisticamente que muitos de n√≥s pensamos. Infelizmente.

Tem uma vez que pensamos egoisticamente (como esp√©cie, pelo menos) que s√≥ traz coisas boas. N√£o √© pra “salvar o planeta” com j√° disse anteriormente (o v√≠deo √© ainda mais claro – o planeta est√° aqui h√° 4,5 bilh√Ķes de anos, e n√≥s?), e sim para “salvar a n√≥s mesmos”. Essa √© uma das atitudes que considero mais belas e louv√°veis que algu√©m pode fazer, por um parente pr√≥ximo ou  n√£o: DOAR SANGUE.

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DOAR SANGUE n√£o doi, n√£o machuca, nem provoca manchas. DOAR SANGUE faz bem para o organismo e para a alma.

Infelizmente, nem todos podem doar, ent√£o √© bom que o doador esteja bem atento √†s condi√ß√Ķes:

  • Deve estar se sentido bem
  • Deve ter entre 18 e 65 anos de idade
  • Deve pesar mais do que 50 Kg
  • N√£o pode estar em jejum
  • Deve estar descansado
  • N√£o pode ter consumido √°lcool 12 horas antes da doa√ß√£o
  • N√£o pode ter fumado por pelo menos 2 horas antes da doa√ß√£o
  • Deve evitar alimentos com muita gordura por pelo menos 3 horas antes da doa√ß√£o
  • Para as mulheres, n√£o pode estar gr√°vida ou amamentando
  • N√£o pode ser do grupo de risco ou possuir doen√ßas transmiss√≠veis pelo sangue como AIDS, hepatite, s√≠filis e doen√ßa de chagas
  • N√£o pode ser usu√°rio de drogas (todas sem exce√ß√£o, at√© aquelas que alguns n√£o consideram drogas)

Parece muito mas n√£o √©. Basta estar com a sa√ļde em dia. √Č preciso pensar que o sangue doado pode ser dividido em hem√°cias, plaquetas, soro e pode ir para qualquer pessoa, at√© mesmo crian√ßas rec√©m-nascidas, pessoas v√≠timas de acidentes s√©rios ou que tiveram  necessidade de uma cirurgia, al√©m de hemof√≠licos de todas as idades e idosos. √Č para ajudar a sa√ļde do pr√≥ximo sem causar problemas a sua pr√≥pria sa√ļde que todos os cuidados acima devem ser exaustivamente tomados.
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Esse post é parte da blogagem coletiva proposta pela Euba, lá no Monalisa de Pijamas

Uma semana luminosa no ScienceBlogs Brasil

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