Calculadora de FIB

Você sabe o que é FIB? Se não sabe, clique aqui.
Pois bem, fui apresentada a uma calculadora de FIB. Quer experimentar? Dirija-se a http://www.felicidadeinternabruta.com.br/
Minhas impress√Ķes:
1) Da abordagem das perguntas
Se considerarmos que a an√°lise de Felicidade Interna Bruta deve se basear em nove dimens√Ķes, como sugere a psic√≥loga e antrop√≥loga de Harward, Susan Andrews (padr√£o de vida econ√īmica, crit√©rios de governan√ßa, educa√ß√£o de qualidade, sa√ļde, vitalidade comunit√°ria, prote√ß√£o ambiental, acesso √† cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicol√≥gico), o teste pergunta pouco ou nada sobre crit√©rios de governan√ßa, educa√ß√£o de qualidade, acesso √† cultura e prote√ß√£o ambiental. A calculadora baseia-se apenas em quatro temas, sendo eles: corpo, bolso, mente e mundo.
2) Das perguntas
O teste traz 36 quest√Ķes de m√ļltipla escolha, sendo ¬†cinco as escolhas: nunca, raramente, √†s vezes, bastante e sempre.¬†
Entre as perguntas, est√£o algumas que revelam muito sobre seus h√°bitos. Por exemplo, a primeira pergunta √© sobre a frequ√™ncia da pr√°tica de exerc√≠cios f√≠sicos. Essa pergunta n√£o s√≥ diz sobre a sua preocupa√ß√£o com a sa√ļde, mas tamb√©m sobre como voc√™ gerencia seu tempo e um pouco sobre como √© o seu padr√£o de vida.
Outras, s√£o mais diretas como a pergunta sobre com que frequ√™ncia voc√™ consegue poupar – obviamente relacionada com o seu padr√£o de vida econ√īmico.
H√° apenas duas perguntas que se referem ao meio ambiente, mas n√£o tocam na ferida sobre se voc√™ pratica a√ß√Ķes em benef√≠cio de meio ambiente. Elas s√≥ queriam saber sobre com que frequencia voc√™ tem contato com a natureza e com que frequencia voc√™ se preocupa com o futuro do planeta. De a√ß√Ķes mesmo, nada.
3) Da an√°lise
A calculadora te coloca em uma de cinco posi√ß√Ķes, variando do que eu imagino ser muito infeliz e muito feliz. Achei falta de observa√ß√Ķes sobre onde voc√™ deveria “investir” mais para o crescimento do seu FIB.
4) Do site
O site também traz outras calculadoras, mas não consegui abrir nenhuma. Problemas de compatibilidade com o Mac? Será?
Ah! Eu já sabia, mas, pela calculadora, sou muito feliz. E você?

Felicidade Interna Bruta

O ano é 1972. Estados Unidos e a antiga União Soviética travavam há anos (e travariam por mais tantos, até 1989), o que ficou conhecido como Guerra Fria.
Os Estados Unidos estavam neste ano participando do que deve ter sido uma das piores experi√™ncias de guerra de sua hist√≥ria, a Guerra do Vietn√£¬† – obviamente motivados pela tens√£o do “o comunismo est√° se alastrando”.¬†
No mesmo ano, a corrida espacial continuava disputada. De um lado, os soviéticos enviram Luna 20 para a Lua, que volta carregada de rochas. De outro, os americanos lançaram a Apollo 16.
Eis que, num mar de insanidade pol√≠tica e econ√īmica, algum “especialista” virou para Sua Majestade, o Rei do But√£o, Jigme Singye Wangchuck e disse algo do tipo: “Ei! Sua Majestade! Seu pa√≠s √© uma vergonha! O crescimento dele √© miser√°vel!”.¬†
[par√™nteses] Sabe… nem todo mundo √© Rei por indica√ß√£o, ou porque, de repente, sobrou um reinado na m√£o – tava l√°, dispon√≠vel, ningu√©m queria, ent√£o eu peguei. – N√£o! Alguns reis conseguem mostrar pra que vieram (e tamb√©m conseguem sair pela culatra de maneiras realmente espetaculares). [fecha par√™nteses]
E a Sua Majestade, o Rei do But√£o, Jigme Singye Wangchuck vira para o cr√≠tico e responde algo assim: “Somos um pa√≠s budista. Aqui, nosso prop√≥sito √© a felicidade das pessoas, o desenvolvimento de seus valores morais. Aqui nos interessamos pelo desenvolvimento humano, que s√≥ surge quando h√° desenvolvimento espiritual e material ocorrendo simult√Ęneamente. N√£o nos interessamos quando s√≥ h√° uma medida med√≠ocre e abstrata de economia. Por isso eu digo: aqui nos preocupamos com a Felicidade Interna Bruta das pessoas, inv√©s do Produto Interno Bruto com a qual o senhor est√° preocupado.”
E eis que, em 1972, o termo Felicidade Interna Bruta ou FIB, foi criado. Baseado nos preceitos budistas, o FIB busca medir o desenvolvimento social e econom√īmico sustent√°vel e igualit√°rio, preservar e promover os valores culturais, conservar o meio-ambiente e estabelecer uma boa governan√ßa.
 
by Cayusa on Flickr
Por outro lado, o Produto Interno Bruto ou PIB, que o cr√≠tico teve que colocar no bolso e sair de fininho, refere-se a soma de todos os bens de uma regi√£o. Sendo assim, como natureza, cultura, desenvolvimento social, governan√ßa justa n√£o s√£o bens “precific√°veis” eles n√£o contam para essa medida. No PIB o que interessa s√£o os valores dos bens, dos produtos e servi√ßos produzidos e comercializados. O PIB √© um dos indicadores mais usados nos estudos de macroeconomia e visa medir a atividade econ√īmica de uma regi√£o.
Medir o PIB n√£o √© tarefa f√°cil, mas basicamente se resume em somar consumo privado, investimentos, gastos governamentais, volume de exporta√ß√£o e diminuir o volume de importa√ß√Ķes.
Medir o FIB √© tarefa complicada, pois deve medir a percep√ß√£o das pessoas em rela√ß√£o a sua felicidade. Segundo a psic√≥loga e antrop√≥loga de Harward, Susan Andrews, a felicidade deve ser ” analisada em nove dimens√Ķes: padr√£o de vida econ√īmica, crit√©rios de governan√ßa, educa√ß√£o de qualidade, sa√ļde, vitalidade comunit√°ria, prote√ß√£o ambiental, acesso √† cultura, gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicol√≥gico.” (vi aqui).
Curiosidade: O Brasil é 9? lugar no ranking do PIB. E 30? no ranking do FIB.
Recomendo leitura:
PIB, IDH, FIB, IFF, você sente e pressente Рtexto de Carlos Magno Gibrail, no Blog Mílton Jung.

Pegada 18 – Erro de c√°lculo

Pois √©. Sabe que 75% das emiss√Ķes de gases do efeito estufa brasileiros s√£o tidos como decorrentes de uso de terra, incluindo desmatamento, n√©? Pois s√£o. Ent√£o… pesquisas recentes do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amaz√īnia) acaba de demostrar que os c√°lculos podem estar errados. Sim, errados.
Por quê? Porque segundo os pesquisadores, os dados de biomassa da floresta densa e fechada, com madeira mais densa, e portanto com maior biomassa, foram utilizados para extrapolar a biomassa de outros sistemas florestais, como no arco do desmatamento, onde a densidade das árvores é menor Рe portanto tem menos biomassa.
Pelos c√°lculos novos, o erro pode ser de at√© 24 milh√Ķes de toneladas de carbono a menos, o que significa que essas toneladas de carbono equivalente n√£o foram emitidas quando a floresta foi desmatada, contrariando o c√°lculo anterior.¬†
Mas pelamordedeus isso n√£o significa que o desmatamento est√° liberado nas √°reas de mata com biomassa menos densa!
Da√≠ vem minha especula√ß√£o. Considerando aquela coisa na qual eu n√£o acredito – neutraliza√ß√£o de carbono – como s√£o considerados os dados de biomassa? Provavelmente s√£o extrapolados de algum c√°lculo, mas qual? Ent√£o quer dizer, todo mundo que se beneficiou ou “neutralizou” carbono pode ter “neutralizado” a menos, n√©? Ok.
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Saiba mais em: Agência FAPESP

RdC é o melhor blog de Educação, pelo juri do Best Blogs Brazil 2008

Hoje saiu o resultado das avalia√ß√Ķes do juri dadas aos blogs concorrentes do Best Blogs Brazil 2008. Antes dos agradecimentos, gostaria de escrever algumas palavras.
Concordo plenamente com o Carlos Hotta quando ele fala sobre nossa blogosfera ser imatura. Alguns blogueiros s√£o maduros, outros n√£o; algumas atitudes que vemos nos blogs s√£o realmente maduras, outras ainda est√£o tateando, testando e outras ainda s√£o completamente indesejadas.
Os pr√™mios por vezes refletem a imaturidade da blogosfera brasileira. Embora tenham boas inten√ß√Ķes, a imaturidade da blogosfera prejudica (e muito) a credibilidade dos pr√™mios. Com o amadurecimento dos blogs e dos blogueiros, os pr√™mios tender√£o a ser cada vez melhores e os blogs participantes tamb√©m ser√£o melhores, o que acabar√° por tornar os pr√™mios cada vez mais interessantes.
Quando o Best Blogs Brazil 2008 abriu para indica√ß√Ķes, fiquei com muitas d√ļvidas sobre inscrever o Rastro de Carbono. Isso por que n√£o havia uma categoria perfeita para o blog – que, na minha opini√£o, seria “Meio ambiente”. Acabei por inscrev√™-lo na categoria Educa√ß√£o (Ambiental), por√©m o RdC tamb√©m teve indica√ß√Ķes para a categoria Ci√™ncias.
Fiquei imensamente feliz com os rumos do RdC ao acompanhar as vota√ß√Ķes dos meus leitores. Fiquei com aquela sensa√ß√£o de trabalho bem feito, fiquei orgulhosa do tempo que invisto neste espa√ßo, fiquei extremamente contente em saber que minhas palavras s√£o lidas e reverberadas por a√≠. Gostaria de agradecer, portanto, em primeir√≠ssimo lugar, aos meus leitores, assinantes de feeds, assinantes por e-mail e eventualmente √†s pessoas que votaram e conheceram o RdC pelo site do BBB (sei que foram muitos, pois acompanhei as visitas vindas do site de vota√ß√Ķes). Foram 187 suad√≠ssimos e querid√≠ssimos votos na categoria educa√ß√£o e mais 65 votos na categoria ci√™ncias, que nos renderam, respectivamente, o segundo e o oitavo lugares nestas categorias.
Este blog √© feito para os leitores e tenta trazer informa√ß√Ķes recentes para ser facilitador de pesquisas sobre mudan√ßas clim√°ticas e dicas simples de como nosso estilo de vida pode ser mais coerente com nossa condi√ß√£o ambiental. Acho que estamos no caminho certo!
Em segundo lugar, gostaria de agradecer ao Lablogat√≥rios, que me proporcionou um espa√ßo perfeito para minhas opini√Ķes. Com minha vinda para o Lablogat√≥rios, tamb√©m vieram novos leitores, novas responsabilidades, novas oportunidades. Espero poder continuar esse trabalho quando viermos a ser Science Blogs Brasil, que est√° por vir logo menos.
Em terceiro lugar, mas não menos importante, gostaria de agradecer à Cynara, por acreditar na blogosfera brasileira, ao juri, pelo que acredito ter sido uma difícil escolha Рdevido ao fato do RdC não estar numa categoria perfeita e pelo fato da categoria educação apresentar blogs tão interessantes Рe a todos os que apoiaram esse prêmio tão importante para o nosso amadurecimento como blogueiros.
E agora, deixa eu deixar de seriedade, que quem me conhece de perto sabe que o que eu mais gostaria de fazer nesse momento seria sair pulando por a√≠ gritando algo do tipo: AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH! O RdC GANHOOOOOOOOOOOOUUUUUUUUU!!!!! ou A-R√Ā, U-R√ö, o RdC √Č NOSSO!¬†A-R√Ā, U-R√ö, o RdC √Č NOSSO!
Obrigada a todos por fazer desse prêmio algo interessante para nossa blogosfera, e por fazer o RdC ser parte disso!
Paula

Sobre as coisas que vivi em Research Triangle Park II

O Science On Line 09′ me encantou com as discuss√Ķes oferecidas. Nada de monetiza√ß√£o, credibilidade ou publieditoriais – assuntos pra l√° de discutidos no Brasil. Entre os blogueiros que conheci, credibilidade n√£o √© assunto simplesmente porque n√£o h√° com o que se preocupar. Se existem id√©ias, se as id√©ias s√£o boas, se s√£o as suas id√©ias e n√£o as do blog famoso da esquina, credibilidade simplesmente vem. Os assuntos s√£o obviamente diversos, como diversos s√£o os pensamentos e os modos de enxergar a vida e os acontecimentos do cotidiano.
Assuntos polêmicos por aqui são principalmente dois, os dois envolvendo preconceito: o primeiro é o preconceito contra mulheres (preconceito de gênero) e o segundo é o preconceito contra sua opinião, (o que pode querer te fazer mudar de nome).
Mulheres
A presença das mulheres na Ciência, na sociedade, no mercado de trabalho é pra lá de assunto discutido. As mulheres aqui ou já entenderam que igualdade não existe e que a nossa sociedade ainda é machista, ou ainda estão queimando sutiãs como precisamos fazer um dia, lá no nosso passado. Fato é que muitas mulheres ainda vivem numa defensiva que vejo pouco no Brasil. E, de verdade, não sei se no Brasil as coisas estão melhores ou, no Brasil, as mulheres (e me incluo totalmente) ainda não se mobilizaram.
O que posso dizer por mim é que tenho que construir meu respeito todo dia, com as minhas superiores no trabalho, com os homens que insistem em passar cantadas ridículas na rua, com os homens e mulheres com quem convivo. Mas nunca associei isso ao fato de eu ser mulher. Nunca associei isso a um preconceito de gênero, embora não seja ingênua de acreditar que ele não existe (para mostrar que existe é só consultar algumas fontes de pesquisa sobre salário versus gênero, ou empregados versus gênero.
E aí? Alguma mulher por aí vivendo isso na própria pele? Alguém para me fazer enxergar o que não estou enxergando?
Nomes
Ter um blog bom, falar o que pensa, argumentar bem, solidificar cr√≠ticas e promover a√ß√Ķes traz amigos e leitores. Mas tamb√©m traz inimizades. Exemplos: se voc√™ fala sobre pol√≠tica, pode cativar o √≥dio em quem tem outra posi√ß√£o; se voc√™ fala sobre uma institui√ß√£o, seja ela p√ļblica, privada ou o pr√≥prio governo, certamente ter√° concordantes, mas tamb√©m ter√° discordantes.¬†
Al√©m disso, fica a d√ļvida sobre o que √© public√°vel e o que n√£o √©. Por exemplo: voc√™ se sentiu sacaneado pela empresa onde trabalha e descobriu que os caras n√£o respeitam o per√≠odo de f√©rias dos funcion√°rios. Ou que n√£o pagam direito as horas extras. Ou que a empresa cometeu alguma fraude, ou foi respons√°vel por alguma situa√ß√£o cr√≠tica que causou problemas a outras pessoas ou ao meio ambiente. Voc√™ decide que vai botar a boca no trombone e que vai denunciar as pr√°ticas da sua empresa no seu blog. E a√≠? Voc√™ fala e corre o risco de perder o emprego? Resolve que √© melhor n√£o falar nada?¬†
Enfim… falar amenidades com o seu nome pode nunca te trazer problemas. Publicar um v√≠deo do youtube, fazer um publieditorial, linkar uma not√≠cia, falar sobre o trabalho de algum aluno, essas coisas dificilmente v√£o te trazer complica√ß√Ķes. Agora, falar sobre as pr√°ticas de uma empresa, criticar o governo, argumentar sobre uma not√≠cia que saiu no jornal e voc√™ concordou (ou n√£o), essas coisas podem te trazer inimizades.
As d√ļvidas que ficam s√£o: usar seu pr√≥prio nome e aguentar as consequencias de seus pensamentos? Usar um pseud√īnimo e nunca se assumir como cr√≠tico? Usar seu nome e nunca publicar o que realmente pensa sobre os assuntos pol√™micos?
 Abro o assunto para discussão.

A diferença entre falar e fazer verde na #cparty

Estou aqui acompanhando a Campus Party de longe. Ano passado, pude acompanhar v√°rias discuss√Ķes de perto, pude conhecer pessoas que eu j√° acompanhava em blogs, comecei a acompanhar blogs que n√£o conhecia. Posso dizer, sem exagerar, que a Campus Party do ano passado me tornou mais blogueira do que eu era antes. Mas, a Campus Party √© mais do que network.
A Campus Party √© um evento, promovido por uma empresa e deve ser analisado como uma empresa mais do que como um lugar que reune pessoas. Falar da Campus Party deve passar por avalia√ß√Ķes de estrutura, organiza√ß√£o, logistica & pessoas. E, de longe, s√≥ posso analisar o que consigo recolher pela internet. E, como esse blog √© um blog sobre meio ambiente e sustentabilidade, a parte que me cabe neste latif√ļndio √© falar sobre isso.
Ano passado, a Campus Party tinha um p√©ssimo gerenciamento de lixo.¬†N√£o houve o menor cuidado em separar lixo org√Ęnico de lixo recicl√°vel (sendo que a maior parte do lixo produzido pelos campuseiros era e ainda deve ser, de embalagens e copos pl√°sticos). Fora que prometeu certo plantio de uma √°rvore para cada participante do evento (o que daria 3000 √°rvores s√≥ contando os campuseiros) e n√£o cumpriu a promessa.
Este ano, a Campus Party resolveu esquecer que pode ser sustent√°vel e resolveu deixar o “verde” de seu “campus” voltado exclusivamente para uma se√ß√£o de conte√ļdos¬†bastante complexa (mais f√°cil, n√©?). Nela pretende-se discutir pontos de uni√£o da economia, das tecnologias aplicadas √†s Ci√™ncias e das tecnologias que est√£o sendo desenvolvidas para melhorar a efici√™ncia energ√©tica dos produtos, as novidades para produ√ß√£o de energia el√©trica e o uso de novos conhecimentos tecnol√≥gicos para resolu√ß√£o de problemas ambientais. ¬†A¬†coleta de lixo, entretanto,¬†pelo que pude ler pelo twitter,¬†n√£o parece estar melhor.
Tratando-se de um evento promovido por uma empresa (e financiado por v√°rias outras) eu esperava maior coer√™ncia. Afinal, s√≥ falar em tecnologias e a√ß√Ķes verdes mas n√£o aplic√°-las em seu pr√≥prio espa√ßo √© absolutamente contradit√≥rio. Ou n√£o? Onde est√° de fato o “verde” do Campus Party?
Imagina que esse blog aqui √© escrito por uma pessoa que n√£o se preocupa nem um pouco com suas a√ß√Ķes e na realidade n√£o se importa com o meio ambiente. No m√≠nimo iriam dizer que esse blog n√£o tem credibilidade, e, aos poucos, as visitas minguariam at√© se resumirem a umas parcas visitas direcionadas. E com um evento do tamanho do Campus Party? O que acontece? As pessoas deixam de ir nesse evento mesmo sabendo que ele est√° estruturado numa √°rea de reserva de Mata Atl√Ęntica? Mesmo sabendo que sua postura verde n√£o passa de um bl√° bl√° bl√° de conte√ļdo para ingl√™s ver? Mesmo sabendo que a promessa do ano passado, sobre plantio de √°rvores, n√£o foi cumprida? E a√≠? Como fica?¬†
Espero que as pr√≥ximas discuss√Ķes do Campus Verde tragam √† tona as discuss√Ķes da sustentabilidade do evento. Esse √© um texto que busca chamar os campuseiros para uma discuss√£o mais profunda sobre a sustentabilidade do evento. √Č um manifesto contra o “parecer” mas “n√£o ser” verde. √Č um chamado para os palestrantes da √°rea de conte√ļdo do Campus Verde. Bora discutir?

Sobre as coisas que vivi em Research Triangle Park I

Ent√£o foi assim: ter√ßa-feira, dia 13 de janeiro, eu sa√≠ do trabalho, fui at√© em casa, descobri que a temperatura na Carolina do Norte estava chegando pr√≥ximo ao negativo, fiz minhas malas, sa√≠ correndo, cheguei no aeroporto e esperei pacientemente meu voo que passaria sobre a Carolina do Norte, me deixaria em New York, me faria pegar outro avi√£o para ent√£o, finalmente chegar ao meu destino. O Science On Line 09‘.¬†
Parênteses.
Minhas considera√ß√Ķes iniciais sobre os Estados Unidos podem ficar para outro post. Ou n√£o. Posso abrir um grande par√™nteses bem aqui. O que posso dizer √© que absolutamente compreens√≠vel logo de cara porque os caras tem uma m√©dia per capita de emiss√£o de carbono equivalente em torno de 20 toneladas por ano. √Č incr√≠vel, por exemplo que coisas simples como a quantidade de √°gua gasta para dar a descarga no banheiro do aeroporto, possam ser t√£o significativas. Ou que a quantidade de lixo que eu produzi durante o per√≠odo de voo √© mais ou menos maior do que minha m√©dia de produ√ß√£o de lixo em uns dois dias. E isso fecha o par√™nteses.
Agradecimentos especiais.
Acho interessante dar uma pausa aqui para agradecer¬†@BoraZ e @mistersugar¬†que fizeram um excelente trabalho de organiza√ß√£o do evento. Absolutamente sensacional a escolha do hotel, do local do evento, dos patroc√≠nios conseguidos e da comida servida. Agradecimentos especiais s√£o, obviamente ao Coturnix que fez nossa inscri√ß√£o na √ļltima hora e ao¬†Abel Pharmboy pela vaga no hotel, tamb√©m de √ļltima hora.
Primeiro dia.
O primeiro dia do evento contou com quebras-gelo muito interessantes. Primeiro, fomos testar café no Counter Culture Coffee. Sensacional saber que eu não tenho paladar para descrever sabores nem cheiros, pelo menos de café. Muito legal saber que os caras ajudam o desenvolvimento de fair trade em diferentes países do mundo. Muito curioso saber mais sobre o processamento do café pós colheita.
Muito estranho o fato de termos experimentado caf√©s, mas n√£o termos de fato BEBIDO os caf√©s. Achei estranho tamb√©m o fato de n√£o podermos COMPRAR os caf√©s em p√≥. Na verdade, ofereceram que compr√°ssemos on line… Achei estranho, fato.

Depois do almo√ßo, fomos ao North Carolina Museum of Natural Sciences em Raleigh, com a apaixonada monitoria de¬†Roy Campbell, diretor de exibi√ß√£o do museu. Visitamos, inclusive, os laborat√≥rios “subterr√Ęneos” do museu, onde pudemos ver o laborat√≥rio de paleontologia, onde o pesquisador nos mostrou uma pe√ßa sensacional de um f√≥ssil de crocodilo b√≠pede, no qual ele vem trabalhando por 4-5 horas por dia, durante 5-6 dias por semana, h√° um ano e diz que ainda h√° pelo menos mais um ano de trabalho (\o/). Depois visitamos a cole√ß√£o de p√°ssaros do museus, que tem pe√ßas com mais de 100 anos de idade!!!! Resumindo, sensacional. E isso foi s√≥ o primeiro dia oficial.

Acabei de decidir que vou deixar a parte das palestras para outro post. Fui!

Filosofando sobre divulgação e jornalismo científico

Eu estou um pouco fil√≥sofa estes dias. Isso porque eu aproveitei minhas microf√©rias para conhecer um pouco melhor a blogosfera cient√≠fica norte-americana. Ent√£o, estou eu aqui, em Research Triangle Park, North Carolina, onde aconteceu at√© agora a pouco o Science On Line 09′.

O evento reuniu muito mais que blogueiros e leitores de blogs. Há, por exemplo, uma professora chamada Miss Baker que trouxe os alunos dela do programa Extreme Biology para conversar com cientistas e para os garotos aprenderem a divulgar a ciência que eles fazem na escola. Há pessoas que não conhecem a ferramenta de blogs e vieram saber mais sobre. Há estudiosos, cientistas, educadores, observadores, interessados, perdidos, etc, etc, etc.
Mas, o que me fez ficar fil√≥sofa s√£o particularmente os assuntos envolvendo divulga√ß√£o cient√≠fica, jornalismo cient√≠fico e as novas responsabilidades que blogar fora do Lablogat√≥rios v√£o trazer (√Č… o Lablogat√≥rios vai morrer). Por qu√™? Porque na minha opini√£o dever√≠amos levar um peteleco cada vez que abr√≠ssemos a boca pra dizer que existe divulgac√£o cient√≠fica e jornalismo cient√≠fico no Brasil. Algo como um castigo por estarmos falando abobrinha.
Não, não há isso no Brasil. E, antes que venham argumentar que sim, existem sim jornais fazendo divulgação de Ciências, já vou adiantando que fazer tradução mal feita de press release e tradução mal feita de sites americanos e ingleses não é jornalismo científico. Quer exemplos do que seria jornalismo científico?
+ O que sabemos sobre a vida e contribui√ß√Ķes de Carlos Chagas e sobre suas incurs√Ķes no interior do Brasil?
+ O que sabemos sobre o que nossos cientistas fazem hoje nos seus laborat√≥rios – muitos deles p√ļblicos e que gastam milh√Ķes em dinheiro?
+ O que sabemos sobre os avanços tecnológicos e científicos decorrentes das pesquisas do brasileiríssimo Dr. Nicolelis?
+ Quem são os expoentes na Ciência brasileira atualmente?
+ Onde precisamos investir mais dinheiro e que pesquisas deveriam ser completamente encerradas por conta de maus profissionais? (sim, temos maus profissionais, que mentem no currículo, por exemplo.)
+ Quais são os objetivos de cada campo atual das Ciências no Brasil?
+ Por que nossos alunos de ensino fundamental e médio não se interessam por Ciências?
+ O que deveríamos fazer para aumentar o interesse dos brasileiros em Ciências?
+ Por que n√£o temos jornalismo investigativo de qualidade, desses que desenterram quest√Ķes tipo “Afinal, quem observou pela primeira vez os cromossomos polit√™nicos?”
Enfim…
Graças ao Lablogatórios temos pela primeira vez reunidos em um condomínio bons blogs de Ciência, que atuam em diferentes áreas do conhecimento. Temos cientistas, curiosos, interessados e temos um jornalista (que também é físico). Dos blogs que temos, fazemos bons comentários sobre artigos científicos, sobre novas tecnologias, sobre curiosidades, sobre educação de Ciências nas escolas, sobre ceticismo, sobre Ciência em geral. Mas também não fazemos jornalismo científico, até porque ser um jornalista científico (sendo jornalista ou não) demanda tempo (muito tempo) e precisa ser um trabalho pago (jornalismo científico é profissão, não passa-tempo).
Não sei se consigo levar vocês, meus leitores, onde quero chegar. O que eu tento dizer é que o Lablogatórios é sensacional e que cumpre seu papel em divulgar Ciências de uma forma simples (mas não simplória). Também tenta cumprir um papel interessante de fazer alunos se interessarem mais por Ciências. Também traz a Ciência para o cotidiano das pessoas, ensinando e desmistificando alguns conhecimentos. E também faz a Ciência parecer coisa de maluco, mas ainda assim ser fantástica. O que tento dizer é que para sermos um país preocupado em divulgar Ciências isso não basta. Temos que ter profissionais empenhados nisso. E empregadores interessados em pagar por isso. Temos que divulgar nossa Ciência em livros. Temos que conhecer mais nossos cientistas. Temos que ter mais responsabilidade social e conhecer mais onde nosso dinheiro vai sendo empregado. E isso não é responsabilidade só do Lablogatórios.

Na Ciência Р09 a 15 de janeiro

Mais calor, menos comida
O que o aquecimento global (nome que eu não gosto pois trás um erro conceitual clássico Рachar que aquecimento global vai trazer de fato aquecimento em todas as áreas do globo, e não aumentar na MEDIA, que é o correto) tem com agricultura?
Pois bem, o estudo de Battisti e Naylor, publicado recentemente na revista Science, diz o que todos já esperávamos Рas áreas tropicas e subtropicas mais pobres, com mais gente e mais vulneráveis às mudanças climáticas terão sua agricultura seriamente afetadas.
Temperaturas mais altas dever√£o reduzir a produ√ß√£o de gr√£os prim√°rios, como milho e arroz, de 20% a 40%, sem considerar a din√Ęmica da √°gua no solo. Considerando que aumento na temperatura tamb√©m prejudica a umidade do solo, a diminui√ß√£o na produ√ß√£o ser√° ainda maior.
Science – Battisti D. and Naylor R. – Historical warnings of future food insecurity with unprecedented seasonal heat
Mais calor, mais mar
Estudos recentes indicam que o nível dos oceanos deve subir entre 90 centímetros e 1,3 metro em 100 anos (3 vezes mais do que as estimativas anteriores, assumindo que a temperatura média seja de 3 graus mais quente).
A dificuldade nas estimativas de cálculo do aumento do nível dos oceanos reside no fato de não conseguirmos prever quanto tempo as geleiras demoram para se derreter. 
Climate Dynamics –¬†¬†Grinsted A. et al. –¬†Reconstructing sea level from paleo and projected temperatures 200 to 2100 AD¬†
Plástico vira papel sintético
Um papel sintético que pode ser usado na fabricação de rótulos de garrafas, outdoors, tabuleiros de jogos, etiquetas, livros escolares e cédulas de dinheiro agora pode ser feito usando como matéria prima garrafas de água, potes de alimentos e embalagens de material de limpeza.
Mas não se engane! O papel é sintético e seus resíduos ainda são plásticos! A vantagem é produzir papel sintético a partir de material reciclado, e não de resina derivada de petróleo, como é feito atualmente.
Revista FAPESP – Manrich S. – Papel de pl√°stico reciclado

Você conhece o City Rain?

Uma grande amiga minha me escreveu essa semana passando um link para um jogo que parece muito legal para os educadores de plantão. Eu não tenho lá muita paciência para jogos, mas devo dizer que esse, que mescla um pouco de SimCity com Tetris merece um tempo de procrastinação.
O objetivo do jogo é construir uma cidade sustentável. E rápido porque pedaços da cidade vão caindo em cima da cidade já existente!
Ainda não consegui jogar, porque a versão para download grátis de City Rain é para PCs, mas, pelo vídeo do Youtube, parece ser bem legal mesmo!

O jogo foi idealizado e construido para competir no Imagine Cup, uma competi√ß√£o para estudantes de tecnologia do mundo, para que possam se focar e desenvolver solu√ß√Ķes para o mundo.
Legal, n√©? Particularmente, achei a ideia sensacional. √Č um jeito leve e inteligente de usar jogos para ensinar alunos e interessados em meio ambiente.
Se voc√™ conseguir jogar antes de mim (o que eu acho absolutamente prov√°vel) e mandar seus feedbacks, essa minha amiga tem contato com os desenvolvedores do jogo que adorariam saber opini√Ķes diversas – e eu teria um imenso prazer em encaminhar os coment√°rios para ela.
Ent√£o, fa√ßa o download e me conte suas impress√Ķes!