Houve recuo. Veremos muito isso.

Voc√™s, caros leitores, acompanharam essa semana as discuss√Ķes do presidente eleito e sua equipe de transi√ß√£o sobre a jun√ß√£o de Minist√©rios. Teremos pelo menos dois superminist√©rios, j√° chancelados (at√© agora). Tivemos tamb√©m um recuo, o da jun√ß√£o dos Minist√©rios do Meio Ambiente e da Agricultura j√° chancelado (at√© agora). Deu em v√°rios jornais. Vou colocar aqui apenas um, mas voc√™s podem buscar outras fontes.

Para mim, um dos problemas de superminist√©rios √© que perde-se a possibilidade do di√°logo entre partes com objetivos diferentes dentro de pautas comuns. Mas, claramente estamos lidando com super her√≥is super capacitados que n√£o erram e que n√£o precisam de segundas opini√Ķes. (Talvez, √© claro, do barbeiro, mas todos precisam da opini√£o do barbeiro, da cabeleireira, da esteticista – afinal, essas pessoas talvez sejam as que melhor representam a voz do povo).

Enganam-se os que pensam que foram as press√Ķes dos ambientalistas que mudaram o rumo dessa hist√≥ria. Foram as press√Ķes dos ruralistas e as opini√Ķes dos Ministros da Agricultura, atuais e passados, sobre essa uni√£o. Aguardo ansiosa uma redistribui√ß√£o de atribui√ß√Ķes do Minist√©rio do Meio Ambiente. A ver (ainda √© novembro, ainda temos ch√£o).

Salvam-se, por enquanto, as atribui√ß√Ķes do Minist√©rio da Agricultura. Apoiemos esse Minist√©rio, ele n√£o √© uma institui√ß√£o que devemos massacrar. Nenhuma √©, mas n√£o √© o que estamos vendo h√° anos. As institui√ß√Ķes, uma a uma, caem como domin√≥s e precisamos estar atentos e parar com isso. As institui√ß√Ķes s√£o s√≥lidas, feitas e conduzidas por pessoas capacitadas e, eventualmente, uma ou outra pessoa incapacitada. Vamos substituir as incapacitadas, vamos manter as intitui√ß√Ķes. Combinado? Precisaremos delas mais do que nunca!

Recuos s√£o vistos a todos os momentos. Felizmente, recuos s√£o¬† mudan√ßas de opini√£o, em geral, bastante saud√°veis. Eis que voc√™ lan√ßa uma carta na mesa, e amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho, barbeiros ou n√£o, olham e dizem pra voc√™, naquela camaradagem que √© esperada de quem te conhece desde crian√ßinha e sabe do seu verdadeiro eu: “√Č uma cilada, Bino!’. E √© o suficiente para que se mude de ideia. Sejamos o barbeiro, sim?

Vam¬ībora! Sempre atentos.

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Sobre fusão dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente

E eis que esta blogueira de araque, em 19 de mar√ßo, publicou um post sobre o que ocorreria caso o¬† Minist√©rio da Agricultura e o Minist√©rio do Meio Ambiente se tornassem um Superminist√©rio (19 de mar√ßo, n√£o vai dar pra sair por a√≠ dizendo que “n√£o sabia que isso ia acontecer”, hein?).
Hoje, vários comentários apareceram por aqui (por que será?). E eu me senti até meio mal por ter não tratado do assunto de melhor forma. Enfim, fica aqui meu pedido de desculpas e um texto um pouco mais elaborado sobre o assunto.

Pense numa situa√ß√£o: est√° voc√™ trabalhando em uma empresa, p√ļblica ou privada, tanto faz, desempenhando seu trabalho, o qual lhe foi atribu√≠do no momento da sua contrata√ß√£o. Algo acontece e diversas pessoas que trabalhavam com voc√™ saem da empresa (sei l√°, foram demitidas ou ganharam naquele jogo da mega que voc√™ n√£o participou). A empresa, p√ļblica ou privada, precisa continuar a funcionar e, ela, p√ļblica ou privada, vai demorar um tempo para restabelecer o quadro de funcion√°rios. Voc√™, pobre mortal, vai ter que trabalhar por voc√™ e por eles. Eles s√£o muitos, Voc√™ √© s√≥ um. Fa√ßa as contas e me conte o que iria acontecer com todas as suas demandas (antigas e novas). Abrirei dois par√™nteses.

(antes, um parênteses extra Рhá um tempo eu vi uma charge em que uma pessoa fazia um esforço sobrehumano para carregar uma pedra sozinho Рe, obviamente, estava a ponto de falhar na tarefa. ao mesmo tempo, um gestor olhava a cena e pensava em como ele estava economizando e como ter demitido algumas pessoas tinha sido uma boa ideia Рse você souber do que eu estou falando, me indique onde achar essa dita que quero colocá-la aqui)

(1¬ļ par√™nteses)
O que faz o Ministério da Agricultura?
Talvez o mais √≥bvio seja pensar que o Minist√©rio da Agricultura trabalhe no sentido de promover a agropecu√°ria de maneira geral. Promover, obviamente, estimulando o crescimento do setor, aumentando a produtividade, enfim. Todas a√ß√Ķes relacionadas com o aumento da produ√ß√£o agr√≠cola e pecu√°ria do Brasil e, como consequ√™ncia, aumento de lucros para o pa√≠s. O Brasil √© um dos maiores produtores de alimentos do mundo e √© l√≠der na exporta√ß√£o de soja, a√ß√ļcar, suco de laranja e caf√©. Todos esses produtos s√£o commodities e valem muitas doletas. Commodities s√£o produtos de origem prim√°ria, ou seja, s√£o mat√©ria-prima produzida em grande escala. Sua vantagem √© poderem ser armazenados por um per√≠odo sem perda de qualidade. Como uma consequ√™ncia de oferta e demanda, o pre√ßo desses produtos √© determinado pelo mercado mundial e, portanto, pode-se “controlar” sua venda para garantir mais lucros. Isso √© verdade. Entretanto, cabe a esse minist√©rio muito mais do que isso.
Sabe todo o processo que envolve a sa√≠da do produto do campo at√© chegar a voc√™? √Č responsabilidade do Minist√©rio da Agricultura. A garantia de que todos os cidad√£os estar√£o abastecidos com produtos de origem agr√≠cola e pecu√°ria e que esses produtos chegar√£o com qualidade, visto que a vigil√Ęncia sanit√°ria foi feita de maneira adequada? Tamb√©m responsabilidade do Minist√©rio da Agricultura.
A distribui√ß√£o dos produtos do agroneg√≥cio, o processamento industrial, armazenagem, promo√ß√£o de pr√°ticas sustent√°veis, gerenciamento de agrot√≥xicos e pesticidas, garantia de qualidade para aumento de competitividade internacional, destina√ß√£o de excedentes de produ√ß√£o reduzindo perdas, seguran√ßa alimentar… ufa. Tudo Minist√©rio da Agricultura. Ah! J√° ouviu falar da Embrapa? E dos Ceasas? Casemg? Ceagesp? Tudo vinculado a esse Minist√©rio tamb√©m. Os caras fazem coisas pra caramba. FIM.

(2¬ļ par√™nteses)
O que faz o Ministério do Meio Ambiente?
Talvez o mais √≥bvio seja pensar que o Minist√©rio do Meio Ambiente cuida da preserva√ß√£o e da conserva√ß√£o de √°reas naturais e dos seres vivos que habitam essas √°reas. E tamb√©m parece √≥bvio que esse Minist√©rio tenha interesses em promover o aumento do conhecimento sobre seres vivos e ecossistemas, recuperar √°reas degradadas, promover o uso sustent√°vel dessas √°reas e garantir √°reas de prote√ß√£o ambiental. Entretanto, esse minist√©rio faz bem mais do que isso. Todo o gerenciamento dos recursos h√≠dricos brasileiros √© de compet√™ncia do Minist√©rio do Meio Ambiente. Isso significa, tamb√©m, que h√° v√°rios interesses desse minist√©rio que se sobrep√Ķe ao de Minas e Energia (hidrel√©tricas, n√©?). A ind√ļstria qu√≠mica tamb√©m √© regulada pelo Minist√©rio do Meio Ambiente. Gest√£o do patrim√īnio gen√©tico? Tamb√©m. Ah! E os setores relacionados √† minera√ß√£o tamb√©m, afinal, trata-se da explora√ß√£o de um recurso natural e tudo o que √© recurso natural √© de responsabilidade desse Minist√©rio. Ibama? ICMBio? ANA? Combate √† desertifica√ß√£o? Trabalham! Mudan√ßas do clima? Tamb√©m! Licenciamentos ambientais, autoriza√ß√£o e fiscaliza√ß√£o de transfer√™ncia de petr√≥leo entre embarca√ß√Ķes? Controle e gest√£o de res√≠duos (inclusive de pilhas e baterias)? Sim, sim, caro leitor. Tudo relacionado a esse Minist√©rio tamb√©m. Os caras fazem coisas pra caramba. FIM.

Bom, at√© aqui acho que j√° deu pra entender porque contei a hist√≥ria do funcion√°rio que se viu tendo que executar mais do que suas pr√≥prias atribui√ß√Ķes. E tamb√©m j√° d√° pra ter uma ideia do porqu√™ esse assunto √© bastante pol√™mico e deixa ruralistas e ambientalistas em alerta. Esses dois minist√©rios t√™m, obviamente, interesses em comum que podem ser em alguns momentos conflitantes (pense, por exemplo, na disputa de uma √°rea de preserva√ß√£o ambiental versus a libera√ß√£o dessa √°rea para explora√ß√£o e/ou produ√ß√£o agropecu√°ria). Eu ainda bato na tecla de que, nesse caso, o empate t√©cnico √© saud√°vel para os dois interesses. A quest√£o √© que h√° muito mais do que interesses em comum. H√° muitas fun√ß√Ķes que podem ficar em segundo plano no caso de uma fus√£o. Muitas tarefas v√£o obviamente ficar desatendidas e, nenhuma delas, a meu ver, √© menos importante. Se a ideia √© reduzir custos, reduzir funcion√°rios, extinguir institui√ß√Ķes o trabalho vai, obviamente, sobrecarregar algu√©m. N√£o acho, enfim, que √© simples, nem que √© apenas perder status. Os dois minist√©rios atuais perder√£o demais com essa fus√£o. Perdem eles, perdemos muito mais n√≥s.

Blogtweet de 22 de março

2018 e ainda tem gente que joga lixo pela janela dos automóveis.

O que aconteceria se os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente se fundissem?

Sabe que tem gente que n√£o merece ser mencionada, n√©? Porque colocar o nome das pessoas/empresas/institui√ß√Ķes por a√≠ √©, de certa forma, fazer propaganda. E t√™m pessoas/empresas/institui√ß√Ķes que merecem cair no esquecimento. Simples assim.

Mas… a gente n√£o pode fazer de conta que n√£o v√™ certos improp√©rios. Enfim.

Quem fez universidade, quem tem uma fam√≠lia, quem tem um relacionamento, quem tem um emprego, quem tem amigos (um, que seja!) sabe que equil√≠brio √© fundamental. √Č fundamental que uma balan√ßa tenha dois lados, se n√£o, fica parcial. Se n√£o, n√£o se mede nada.

O que aconteceria se dois lados opostos de uma balan√ßa se fundissem? O que aconteceria com os projetos de preserva√ß√£o do meio ambiente, conserva√ß√£o de esp√©cies amea√ßadas de extin√ß√£o, reestrutura√ß√£o de √°reas degradadas, reflorestamentos, manejo de vida aqu√°tica,¬†gerenciamentos¬†de sistemas¬†de √°gua, gerenciamentos de res√≠duos s√≥lidos de todas as naturezas, entre outros se fundissem com interesses comerciais de explora√ß√£o de recursos da terra e da √°gua para produ√ß√£o agr√≠cola e pecu√°ria? Com interesses econ√īmicos apenas?

Veja, não há vencedores e isso não é uma partida de futebol. Não é interessante discutir se isso ou aquilo é mais importante/relevante SE não existir uma situação de equilíbrio. Porque, me parece óbvio que para um lado, é sempre melhor e mais interessante e mais relevante ter mais áreas de preservação, mais corredores ecológicos, mais reflorestamento, mais espécies saindo da lista das ameaçadas de extinção. Para outro, é óbvio que é sempre melhor ter mais áreas de pasto, mais áreas de cultivos agrícolas, mas áreas de exploração de recursos naturais para viabilizar projetos que vão trazer lucros para o país. O que significa que, o melhor dos dois mundos seria manter aquele empate técnico saudável.

Enfim… parece uma discuss√£o de pa√≠s de terceiro mundo que ainda n√£o conseguiu passar da fase prim√°ria da economia (ow, wait!). Quando ainda estivermos na discuss√£o do agro √© pop fica dif√≠cil ultrapassar a barreira da economia prim√°ria. Da explora√ß√£o de recursos. Da extra√ß√£o pura e simples de mat√©ria-prima (mesmo que isso signifique commodities). Quando eu era crian√ßa e queria ser cientista, eu achava (achava mesmo, de verdade) que em alguns anos, talvez quando eu estivesse com a idade que eu estou agora, o Brasil estaria na fase de exportar tecnologia, sabe? Porque temos potencial. Porque temos c√©rebros para isso. E temos dinheiro! Mas… estava completamente equivocada. Tipo… os Jetsons ainda n√£o chegaram!

Acontece que a briga tem aliados fortes e sem escr√ļpulos. A bancada ruralista defende, por exemplo, o fim dos licenciamentos ambientais. Outros loucos sugerem a fus√£o dos dois pratos da balan√ßa (Agricultura e Meio Ambiente). Os licenciamentos ambientais, talvez n√£o sejam conhecidos de todos, ent√£o explico – meio superficialmente porque, na realidade √© um trabalho extremamente complexo: os licenciamentos ambientais significaram, desde a sua implementa√ß√£o com a Lei de Pol√≠tica Nacional do Meio Ambiente em 1981 um super avan√ßo na legisla√ß√£o brasileira em rela√ß√£o ao meio ambiente. Antes dela, n√£o havia nenhum impedimento, nenhuma fiscaliza√ß√£o, nenhuma regulamenta√ß√£o sobre a constru√ß√£o de obras de qualquer natureza – n√£o se sabia que tipo de preju√≠zos o meio ambiente poderia sofrer, no local da obra ou em suas imedia√ß√Ķes. N√£o se sabia porque n√£o se estudava nem o ambiente antes da constru√ß√£o, nem o ambiente depois da constru√ß√£o. N√£o t√≠nhamos ideia se, por exemplo, uma ferrovia ia matar um corredor ecol√≥gico importante para migra√ß√£o de certa esp√©cie ou se o barulho das m√°quinas ia impedir certas esp√©cies de se acasalar, por exemplo. N√£o sab√≠amos se um lago ou rio ia tornar-se completamente inadequado ou se ia deixar de existir caso constru√≠ssemos uma barragem para um reservat√≥rio de usina hidrel√©trica. N√£o sab√≠amos N-A-D-A.

Tamb√©m n√£o sab√≠amos que tipos de preju√≠zos uma fazenda poderia trazer para um rio que passasse na propriedade se grandes quantidades de √°gua fossem retiradas para irrigar as planta√ß√Ķes. Como n√£o havia regulamenta√ß√£o nenhuma, cada um explorava os recursos naturais pertencentes ao pa√≠s como bem entendesse (sim, um rio que passa em uma propriedade rural √© do pa√≠s, assim como um len√ßol de √°gua subterr√Ęneo). Ningu√©m √© dono de um rio, apesar de achar que √©. Enfim… interessa muito (para pouca gente) que o Minist√©rio do Meio Ambiente seja controlado pelo Minist√©rio da Agricultura.

Lembre-se: isso não é um jogo de futebol. Não há vencedores. Sem equilíbrio não resta muita coisa. Nem Agricultura. Nem Jetsons, infelizmente.

P.S. Obrigada Clau! Obrigada Takata! Obrigada Eloi!jetsons

 

 

 

 

5 anos

5 anos de reclus√£o. 5 anos de f√©rias. 5 anos vendo muitas coisas acontecerem, inclusive a¬†decad√™ncia dos blogs como forma de dispers√£o de conte√ļdo. 5 anos pensando que, talvez, n√£o tivesse mais muita coisa¬†como que contribuir. 5 anos achando que n√£o havia tempo. 5 anos sab√°ticos.

Os tempos sab√°ticos devem ser dedicados a projetos de vida particulares. Usei bem esses anos. Foram muitos projetos de vida particulares. Alguns n√£o foram assim t√£√£√£√£√£√£o particulares. Envolveram muito trabalho, envolveram muito amor e desenvolvimento pessoal, com certeza. Mas, h√° momentos em que voltar umas casas se torna necess√°rio. A era √© de transforma√ß√Ķes intensas. A era √© de n√£o calar. A era √© de pensar e atuar, com as ferramentas que a gente tem, usando uma linguagem universal, que sempre foi protegida por todas as pessoas conscientes: a linguagem da Ci√™ncia. Em diversos tempos de guerra, a Ci√™ncia foi protegida, os cientistas, respeitados. Como cientistas, independente de sua nacionalidade. A Ci√™ncia estava, enfim, acima dos interesses pol√≠ticos.

Mas, porquê? O que te fez voltar? Você vai continuar falando de rastros de carbono? De IPCC? Mudanças climáticas?

Talvez não. Talvez sim Talvez esse espaço mereça um outro olhar, um novo olhar editorial. Talvez a Ciência seja, atualmente, a linguagem que precisa ser resgatada. Resgatada, preservada, dispersada. Provavelmente por um tempo esse espaço será como um diário filosófico. Ideias jogadas às nuvens (e esperemos que lá não haja traças!). Caminhemos.

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Falimos como sociedade?

Cena 1

17:30. Onibus lotado. A chuva faz as pessoas que est√£o sentadas fecharem as janelas. Calor, calor, calor, misturados com a umidade de fora. O motorista para em um ponto, duas pessoas descem, vinte e cinco sobem. Assim que as duas pessoas descem, o motorista fecha as portas de descida. Eu, na minha inoc√™ncia mais do que infantil, xingo a m√£e do motorista tr√™s vezes. Porra, velho! N√£o podia deixar a porta aberta pra dar uma ventilada? Sa√≠mos do ponto. No ponto seguinte, parece que Deus ouviu as minhas preces e o motorista deixa as portar traseiras aberta. Cinco pessoas sobem no √īnibus sem pagar. Os erros? √Ēnibus lotado, caro e sem qualidade. Pessoas que se aproveitam de seus pequenos poderes e ligam de fato o foda-se para o mundo e fazem o que querem. N√£o h√° leis. N√£o h√° regras. Nada √© respeitado.

Cena 2

Pessoas precisam de aten√ß√£o, carinho, ajuda. H√° milhares de maneiras de satisfazer as necessidades de aten√ß√£o, mas cada pessoa √© √ļnica e suas vontades para satisfazer seus desejos mais b√°sicos √© vari√°vel. Algumas buscam palavras. F√©. Escolhem um mestre para que sejam guiadas, para que acreditem que √© poss√≠vel ter esperan√ßa, ter uma vida melhor, ter salva√ß√£o. Um mestre e guia com m√° √≠ndole traz mentiras f√°ceis, verdades d√ļbias. Traz √≥dio. √ďdio contra o que √© diferente dele. √ďdio contra o que ele, o pr√≥prio guia teme. At√© onde quem busca palavras √© manipulado pelas palavras que ouve? Quem deve dar ao cidad√£o a capacidade de ser cr√≠tico e avaliar, duvidar at√©, do mestre que escolheu? Mudar de mestre? Mudar de f√©? Deixar de ter esperan√ßa?

Cena 3

Estou cercada de pessoas que tiveram oportunidades de estudar. Algumas tomam Herbalife. Algumas tomam rem√©dios para hipotireoidismo. M√°rcio Atalla, na CBN, traz o dado de que rem√©dios para hipotireoidismo est√£o sendo vendidos a rodo. Por que? Porque se algu√©m toma rem√©dios para hipotireoidismo sem ter a doen√ßa aumenta seu metabolismo. Resultado imediato? Perda de peso. E a sa√ļde? Quem?

falencias

Hoje n√£o estou conseguindo dormir.

Minha m√£e sempre teve o sonho de viajar de avi√£o. Mas eu e minha vida de estudante universit√°ria nunca permitiram que eu pudesse presente√°-la com algo do tipo.
Hoje moro nos EUA e sua primeira viagem ser√° para me visitar. Continuo n√£o podendo pagar por isso. E n√£o paguei.
Mas, sinto que contribuí de alguma forma. Isto me tirou sono.
Uma ins√īnia feliz.

E a pegada de carbono mais feliz que j√° deixei.

Rastro de Merc√ļrio

Este post √© uma parte do InterCi√™ncia! O amigo secreto cient√≠fico dos blogs mais lindos e cheirosos da blogosfera! O trabalho de nossos leitores √© descobrir quem foi o autor dessa pe√ßa e… descobrir onde foi parar o texto que foi escrito por esta pessoa que vos fala!

E se voc√™ ainda quer participar da nossa brincadeira, ainda d√° tempo! Instru√ß√Ķes aqui

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Rastro de Merc√ļrio

Rastro de Merc√ļrio!

Rastro de Merc√ļrio!

N√£o, n√£o vamos falar do rastro que o planeta mais pr√≥ximo do sol deixa no c√©u a noite. Vamos falar de sujeira “pesada”. Sim, pesada e suja. O rastro em quest√£o √© de um dos elementos mais paquid√©rmicos do universo: o denso e t√≥xico merc√ļrio (o Hg da tabela peri√≥dica).

Merc√ļrio: o esculhambador geral das prote√≠nas

Apesar de ser um elemento bem bonito, parecendo at√© “prata l√≠quida” (da√≠ que vem o s√≠mbolo “Hg”, da palavra para “prata l√≠quida” em latim: “hydrargyrum”), voc√™ n√£o vai querer por a m√£o nesse l√≠qu√≠do prateado.

O "hydrargyrum", a "prata l√≠quida". Vulgo merc√ļrio!

O “hydrargyrum”, a “prata l√≠quida”. Vulgo merc√ļrio!

Legenda: O “hydrargyrum”, a “prata l√≠quida”. Vulgo merc√ļrio!

Essa belezinha √© uma subst√Ęncia bem t√≥xica. Pra falar a verdade √© t√≥xica pra caramba. N√£o √© aquele tipo de coisa que faz voc√™ morrer na hora, mas o contato excessivo com essa subst√Ęncia atrapalha o funcionamento e causa danos severos a diversos √≥rg√£os. S√≥ pra mostrar quantos lugares ele se acumula, eis uma “pequena” listinha: c√©rebro, tire√≥ide, seios, mioc√°rdio, m√ļsculos, gl√Ęndulas adrenais, f√≠gado, rins, pele, gl√Ęndulas sudor√≠paras, p√Ęncreas, enter√≥citos, pulm√Ķes, gl√Ęndulas saliv√°rias, test√≠culos e pr√≥stata, e etc [1].
O seu variado alvo de toxicidade no organismo se deve ao fato de se ligar √† ciste√≠nas e selenociste√≠nas das prote√≠nas do nosso corpo e alterar suas estruturas terci√°rias e quatern√°rias [1]. Ou seja: o merc√ļrio estraga a maquinaria celular! Al√©m disso, estudos apontam que esse metal pesado interfere tamb√©m com a transcri√ß√£o do DNA e a s√≠ntese de prote√≠nas [1]. No c√©rebro em desenvolvimento (De bebezinhos! Veja s√≥!), ele chega a destruir o ret√≠culo endoplasm√°tico de c√©lulas e o ribossomo. Se h√° alguma coisa horr√≠vel de se destruir dentro de uma c√©lula √© o ribossomo. Sem ele n√£o existem prote√≠nas – que s√£o basicamente as protagonistas da m√°gica da vida!

Terroristas An√īnimos

OK, sabemos que o merc√ļrio faz bem mal. Imagine ent√£o se o merc√ļrio fosse usado como arma qu√≠mica! Um veneno! Sim! Imagine se algum grupo terrorista espalhasse merc√ļrio por a√≠, colocando-o na sua comida, no ar que voc√™ respira e na √°gua que voc√™ bebe! Seria horr√≠vel n√£o!? Imagine os bebezinhos sem ribossomo! Que trag√©dia! Mas vamos falar s√©rio agora: tenho duas not√≠cias importantes sobre esse assunto. Uma muito boa e outra muito ruim.
Boa not√≠cia: n√£o h√° grupos terroristas que espalham merc√ļrio por a√≠ para matar bebezinhos! Viva a humanidade!
M√° not√≠cia: segundo um estudo conjunto de duas organiza√ß√Ķes em defesa do meio ambiente (o Biodiversity Research Institute e o IPEN – n√£o, n√£o √© o IPEN brasileiro!), em amostras de peixe de diversos locais do globo, cerca de 86% estavam contaminados por merc√ļrio acima dos n√≠veis seguros de consumo [2].
Se n√£o h√° um grupo terrorista, como diabos estamos sendo envenenados!? Quem est√° fazendo isso!? Resposta: “n√≥s” mesmos.
Não somente as águas, mas também o ar, estão sendo contaminados principalmente devido a atividades de mineração e a queima de combustíveis fósseis.

Retirado da fonte [2].

Retirado da fonte [2]

As principais causas de contaminação da água são similares. Os principais contaminadores antropogênicos são usinas de produção de compostos cloro-alcáli (ex: produção de NaOH e Cl2 a partir de NaCl), plantas energéticas à base de carvão e mineiração de ouro em pequena escala [2].

Extra√ß√£o artesanal de ouro - um risco √† sa√ļde e ao meio ambiente.

Extra√ß√£o artesanal de ouro – um risco √† sa√ļde e ao meio ambiente.

De acordo com o estudo, se voc√™ morar nas regi√Ķes dos 9 pa√≠ses em que foram realizadas coletas, comer peixe mais de uma vez ao m√™s poderia j√° exceder os n√≠veis seguros de consumo de merc√ļrio na dieta. Segundo outro estudo, dessa vez realizado pela UNEP (United Nations Environment Programme), cerca de 260 toneladas de merc√ļrio s√£o despejadas em rios e lagos todos os anos [3]. √Č merc√ļrio pra caramba!

Pegadas Tóxicas

Assim como os famigerados ciclos do nitrog√™nio, oxig√™nio e da √°gua, h√° uma cadeia alimentar que leva o merc√ļrio at√© n√≥s – e cada vez mais concentrado.

A concentra√ß√£o de merc√ļrio aumenta o quanto mais pr√≥ximo do topo da cadeia alimentar.

A concentra√ß√£o de merc√ļrio aumenta o quanto mais pr√≥ximo do topo da cadeia alimentar.

O merc√ļrio gasoso, tamb√©m como quase todos os compostos no ar, vai parar no grande reservat√≥rio qu√≠mico que chamamos de oceano. L√° existem pl√Ęnctons bem resistentes a esse metal pesado que logo o transformam em metilmerc√ļrio. Pra se ter uma ideia de como a concentra√ß√£o de merc√ļrio vai aumentando, dentro desses pequenos animaizinhos a concentra√ß√£o de merc√ļrio chega a ficar 10 mil vezes maior que a do oceano [3]. Ent√£o imagine o qu√£o concentrado esse elemento fica em inst√Ęncias superiores da cadeia alimentar!? E o peixe que come muitos pl√Ęnctons!? E o peixe que come peixes-que-comem-pl√Ęnctons!? O merc√ļrio s√≥ vai aumentando at√© chegar aos humanos, que recebem de volta aquilo que jogaram indiscriminadamente na natureza.

O metal pesado não é eficientemente excretado pelos peixes, ficando em uma forma estável dentro dos mesmos [1], o que o conserva ainda mais dentro daquilo que será a comida de muita gente.

Como Resolver o Problema

Longo Prazo

A preocupa√ß√£o com metais pesados em √°gua √© antiga. Uma das solu√ß√Ķes mais interessante √© aquela que usa recursos da pr√≥pria natureza para resolver os problemas ambientais: a bioremedia√ß√£o. Basicamente √© explorar o primeiro ponto da cadeia alimentar da transfer√™ncia de merc√ļrio, os microrganismos!
Propriedades de resist√™ncia √† concentra√ß√Ķes de merc√ļrio foram descritas pela primeira vez em 1960, em estudos com o microrganismo Staphylococcus aureus[4]. O que os pesquisadores estavam tentando descobrir na √©poca era como e quais pat√≥genos sobriveviam √† desinfetantes e antis√©pticos √† base de merc√ļrio. Com o desenvolvimento das pesquisas durante o tempo, foram descobertos os “genes chave” para a detoxifica√ß√£o de merc√ļrio, os genes mer[4] (merA e mer B). Eles basicamente est√£o envolvidos na quebra das liga√ß√Ķes entre carbono e Hg e na redu√ß√£o do √°tomo de merc√ļrio a uma esp√©cie n√£o reativa, o merc√ļrio molecular Hg0. Isso fecha o ciclo do merc√ļrio na natureza:

A concentra√ß√£o de merc√ļrio aumenta o quanto mais pr√≥ximo do topo da cadeia alimentar.

Retirado da fonte [4].

V√°rias esp√©cies resistentes a merc√ļrio, contendo os genes mer ou varia√ß√Ķes dele, foram reportadas. A explora√ß√£o e demonstra√ß√£o do uso deses microrganismos como agentes de remedia√ß√£o j√° foi feita a cerca de 30 anos atr√°s [4]. Hoje em dia existem avan√ßados bioreatores para bioremedia√ß√£o de efluentes de ind√ļstrias, principalmente nas ind√ļstrias cloro-alc√°li, uma das vil√£s da polui√ß√£o com merc√ļrio nos estudos das organiza√ß√Ķes ambientais citadas anteriormente. Esses bioreatores, contendo principalmente bact√©rias do g√™nero Pseudomonas, chegam a remover o merc√ļrio com cerca de 99% de efici√™ncia[4]! Que maravilha n√£o √©!? Al√©m disso, visando baratear o processo, estudos v√™m sendo feitos para gerar organismos modificados que fa√ßam esse trabalho [4].

Curto Prazo

Se j√° existe solu√ß√£o para o problema de contamina√ß√£o de merc√ļrio, porque ela ainda ocorre!? A resposta pode ser resumida em uma palavra: regulamenta√ß√£o. A aus√™ncia de pol√≠ticas efetivas que gerem legisla√ß√Ķes combativas e fiscaliza√ß√Ķes presentes e eficazes fazem o problema persistir. Isso fica bem evidente em outro gr√°fico de emiss√£o de Hg, tamb√©m em 2010, indicando como maior contribuidor a atividade de extra√ß√£o de ouro artesanal de pequena escala, o que tamb√©m corrobora com o gr√°fico anteior – atividades assim n√£o s√£o triviais de serem fiscalizadas, uma vez que acontecem “quase que” clandestinamente.

Retirado da fonte [3].

Retirado da fonte [3].

Os pa√≠ses mais envolvidos com contamina√ß√£o de merc√ļrio na natureza s√£o principalmente os em desenvolvimento, como √ćndia, China, M√©xico e pa√≠ses do leste europeu. √Č preciso dar grande destaque √† China, que provavelmente devido √† sua economia constantemente aquecida, √© o pa√≠s com mais focos de polui√ß√£o.

Retirado da fonte [2].

Retirado da fonte [2].

A UNEP vem desde 2003 alertando sobre as quest√Ķes da contamina√ß√£o de merc√ļrio. Em 2009 iniciara-se os esfor√ßos para criar instrumentos legais de regulamenta√ß√£o global sobre o merc√ļrio. Com reuni√Ķes de negocia√ß√£o que come√ßaram em junho de 2010, foram conclu√≠das a um pouco mais de uma semana (18 de Janeiro), na Su√≠√ßa. A organiza√ß√£o ligada √† ONU planeja firmar um tratado ainda neste ano durante uma confer√™ncia diplom√°tica no Jap√£o. Esperamos que de uma vez por todas a press√£o pol√≠tica (pelo menos!) para a regulariza√ß√£o de atividades poluidoras envolvendo a libera√ß√£o de merc√ļrio e seus compostos na natureza seja efetiva!

Vale prestar aten√ß√£o no tempo que em tudo isso demorou: 10 anos, desde 2003 at√© hoje. Isso sem contar o tempo antes dos estudos iniciados pela UNEP, em que j√° se sabia dos problemas ambientais e de sa√ļde envolvendo o merc√ļrio. O rastro ecol√≥gico que esse metal deixa √© literalmente pesado. A reuni√£o no Jap√£o este ano vai ajudar a definir quais rastros de merc√ļrio nosso filhos ir√£o se preocupar no futuro: o biol√≥gico ou o celeste. Prefiro o celeste!
***
[Este texto √© parte da primeira rodada do InterCi√™ncia, o interc√Ęmbio de divulga√ß√£o cient√≠fica. Saiba mais e participe em: http://scienceblogs.com.br/raiox/2013/01/interciencia/]

Referências

1. Bernhoft AB. “Mercury Toxicity and Treatment: A Review of the Literature”. Journal of Environmental and Public Health, volume 2012, doi:10.1155/2012/460508
2. “Global Mercury Hotspots – New Evidence Reveals Mercury Contamination Regularly Exceeds Health Advisory Levels in Humans and Fish Worldwide”. BRI e IPEN, jan de 2013. Dispon√≠vel em: http://www.briloon.org/uploads/documents/hgcenter/gmh/gmhFullReport.pdf
3. “Global Mercury Assessment 2013 – Sources, Emissions, Releases and Environmental Transport”. UNEP, 2013. Dispon√≠vel em: Link
4. Barkay T, Miller SM, Summers AO. “Bacterial mercury resistance from atoms to ecosystems”. FEMS Microbiology reviews, vol 27, 2003. Dispon√≠vel em: Link

 

Você dividiria seu almoço com alguém que está passando fome?

O Swipe Out Starvation aqui na Purdue University, √© uma a√ß√£o que visa doar parte das refei√ß√Ķes retiradas pelos alunos no On-the-go para o combate √† fome.

On-the-go √© o nome que se d√° √† “loja de marmitas” da universidade. Nela voc√™ pode levar para casa um prato de entrada e dois alimentos secund√°rios (bebidas, sobremesas ou saladas), pelo pre√ßo de uma refei√ß√£o normal nos restaurantes universit√°rios.

Para contribuir com o Swipe Out Starvation, tudo o que você precisa fazer é: ao invés de retirar os três itens dos quais você tem direito, você opta por apenas 2 e no lugar do terceiro você solicita o cartão abaixo:

Swipe Out Starvation Card

O valor do seu terceiro item ser√° deduzido do valor total da refei√ß√£o e destinado √† institui√ß√Ķes locais e globais, como o Lafayette Food Finders e o Land of a Thousand Hills.

Em dois meses morando nos EUA e fazendo minhas refei√ß√Ķes nos restaurantes universit√°rios, pude perceber quanta comida √© desperdi√ßada todos os dias pelos alunos e funcion√°rios da Purdue University. Diariamente, 1 tonelada de alimento vai para o lixo.

No on-the-go, onde obviamente a disponibilidade de alimentos é bem menor, você encontra um ótimo lugar para pensar no que realmente quer comer e pegar apenas o necessário.

A√≠ v√£o alguns n√ļmeros interessantes:

  • Nos EUA 40% de todo alimento produzido no pa√≠s √© desperdi√ßado desde a horta at√© a mesa do consumidor.
  • Para produzir alimentos o pa√≠s gasta: 10% do seu balan√ßo energ√©tico, 50% da terra e 80% da √°gua pot√°vel para irrigar as lavouras.
√Č muito, mas muito dinheiro que vai pelo ralo.
Links √ļteis:

 

 

Uma nova vida por 9 meses.

Durante os próximos nove meses estarei postando diretamente da terra do tio Sam.

Na minha primeira semana por aqui, vejam só este quadro que encontrei fixado na parede do Lilly Hall of Life Sciences, na Purdue University:

 

Achei inspirador! ūüôā