Houve recuo. Veremos muito isso.

Voc√™s, caros leitores, acompanharam essa semana as discuss√Ķes do presidente eleito e sua equipe de transi√ß√£o sobre a jun√ß√£o de Minist√©rios. Teremos pelo menos dois superminist√©rios, j√° chancelados (at√© agora). Tivemos tamb√©m um recuo, o da jun√ß√£o dos Minist√©rios do Meio Ambiente e da Agricultura j√° chancelado (at√© agora). Deu em v√°rios jornais. Vou colocar aqui apenas um, mas voc√™s podem buscar outras fontes.

Para mim, um dos problemas de superminist√©rios √© que perde-se a possibilidade do di√°logo entre partes com objetivos diferentes dentro de pautas comuns. Mas, claramente estamos lidando com super her√≥is super capacitados que n√£o erram e que n√£o precisam de segundas opini√Ķes. (Talvez, √© claro, do barbeiro, mas todos precisam da opini√£o do barbeiro, da cabeleireira, da esteticista – afinal, essas pessoas talvez sejam as que melhor representam a voz do povo).

Enganam-se os que pensam que foram as press√Ķes dos ambientalistas que mudaram o rumo dessa hist√≥ria. Foram as press√Ķes dos ruralistas e as opini√Ķes dos Ministros da Agricultura, atuais e passados, sobre essa uni√£o. Aguardo ansiosa uma redistribui√ß√£o de atribui√ß√Ķes do Minist√©rio do Meio Ambiente. A ver (ainda √© novembro, ainda temos ch√£o).

Salvam-se, por enquanto, as atribui√ß√Ķes do Minist√©rio da Agricultura. Apoiemos esse Minist√©rio, ele n√£o √© uma institui√ß√£o que devemos massacrar. Nenhuma √©, mas n√£o √© o que estamos vendo h√° anos. As institui√ß√Ķes, uma a uma, caem como domin√≥s e precisamos estar atentos e parar com isso. As institui√ß√Ķes s√£o s√≥lidas, feitas e conduzidas por pessoas capacitadas e, eventualmente, uma ou outra pessoa incapacitada. Vamos substituir as incapacitadas, vamos manter as intitui√ß√Ķes. Combinado? Precisaremos delas mais do que nunca!

Recuos s√£o vistos a todos os momentos. Felizmente, recuos s√£o¬† mudan√ßas de opini√£o, em geral, bastante saud√°veis. Eis que voc√™ lan√ßa uma carta na mesa, e amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho, barbeiros ou n√£o, olham e dizem pra voc√™, naquela camaradagem que √© esperada de quem te conhece desde crian√ßinha e sabe do seu verdadeiro eu: “√Č uma cilada, Bino!’. E √© o suficiente para que se mude de ideia. Sejamos o barbeiro, sim?

Vam¬ībora! Sempre atentos.

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Sobre fusão dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente

E eis que esta blogueira de araque, em 19 de mar√ßo, publicou um post sobre o que ocorreria caso o¬† Minist√©rio da Agricultura e o Minist√©rio do Meio Ambiente se tornassem um Superminist√©rio (19 de mar√ßo, n√£o vai dar pra sair por a√≠ dizendo que “n√£o sabia que isso ia acontecer”, hein?).
Hoje, vários comentários apareceram por aqui (por que será?). E eu me senti até meio mal por ter não tratado do assunto de melhor forma. Enfim, fica aqui meu pedido de desculpas e um texto um pouco mais elaborado sobre o assunto.

Pense numa situa√ß√£o: est√° voc√™ trabalhando em uma empresa, p√ļblica ou privada, tanto faz, desempenhando seu trabalho, o qual lhe foi atribu√≠do no momento da sua contrata√ß√£o. Algo acontece e diversas pessoas que trabalhavam com voc√™ saem da empresa (sei l√°, foram demitidas ou ganharam naquele jogo da mega que voc√™ n√£o participou). A empresa, p√ļblica ou privada, precisa continuar a funcionar e, ela, p√ļblica ou privada, vai demorar um tempo para restabelecer o quadro de funcion√°rios. Voc√™, pobre mortal, vai ter que trabalhar por voc√™ e por eles. Eles s√£o muitos, Voc√™ √© s√≥ um. Fa√ßa as contas e me conte o que iria acontecer com todas as suas demandas (antigas e novas). Abrirei dois par√™nteses.

(antes, um parênteses extra Рhá um tempo eu vi uma charge em que uma pessoa fazia um esforço sobrehumano para carregar uma pedra sozinho Рe, obviamente, estava a ponto de falhar na tarefa. ao mesmo tempo, um gestor olhava a cena e pensava em como ele estava economizando e como ter demitido algumas pessoas tinha sido uma boa ideia Рse você souber do que eu estou falando, me indique onde achar essa dita que quero colocá-la aqui)

(1¬ļ par√™nteses)
O que faz o Ministério da Agricultura?
Talvez o mais √≥bvio seja pensar que o Minist√©rio da Agricultura trabalhe no sentido de promover a agropecu√°ria de maneira geral. Promover, obviamente, estimulando o crescimento do setor, aumentando a produtividade, enfim. Todas a√ß√Ķes relacionadas com o aumento da produ√ß√£o agr√≠cola e pecu√°ria do Brasil e, como consequ√™ncia, aumento de lucros para o pa√≠s. O Brasil √© um dos maiores produtores de alimentos do mundo e √© l√≠der na exporta√ß√£o de soja, a√ß√ļcar, suco de laranja e caf√©. Todos esses produtos s√£o commodities e valem muitas doletas. Commodities s√£o produtos de origem prim√°ria, ou seja, s√£o mat√©ria-prima produzida em grande escala. Sua vantagem √© poderem ser armazenados por um per√≠odo sem perda de qualidade. Como uma consequ√™ncia de oferta e demanda, o pre√ßo desses produtos √© determinado pelo mercado mundial e, portanto, pode-se “controlar” sua venda para garantir mais lucros. Isso √© verdade. Entretanto, cabe a esse minist√©rio muito mais do que isso.
Sabe todo o processo que envolve a sa√≠da do produto do campo at√© chegar a voc√™? √Č responsabilidade do Minist√©rio da Agricultura. A garantia de que todos os cidad√£os estar√£o abastecidos com produtos de origem agr√≠cola e pecu√°ria e que esses produtos chegar√£o com qualidade, visto que a vigil√Ęncia sanit√°ria foi feita de maneira adequada? Tamb√©m responsabilidade do Minist√©rio da Agricultura.
A distribui√ß√£o dos produtos do agroneg√≥cio, o processamento industrial, armazenagem, promo√ß√£o de pr√°ticas sustent√°veis, gerenciamento de agrot√≥xicos e pesticidas, garantia de qualidade para aumento de competitividade internacional, destina√ß√£o de excedentes de produ√ß√£o reduzindo perdas, seguran√ßa alimentar… ufa. Tudo Minist√©rio da Agricultura. Ah! J√° ouviu falar da Embrapa? E dos Ceasas? Casemg? Ceagesp? Tudo vinculado a esse Minist√©rio tamb√©m. Os caras fazem coisas pra caramba. FIM.

(2¬ļ par√™nteses)
O que faz o Ministério do Meio Ambiente?
Talvez o mais √≥bvio seja pensar que o Minist√©rio do Meio Ambiente cuida da preserva√ß√£o e da conserva√ß√£o de √°reas naturais e dos seres vivos que habitam essas √°reas. E tamb√©m parece √≥bvio que esse Minist√©rio tenha interesses em promover o aumento do conhecimento sobre seres vivos e ecossistemas, recuperar √°reas degradadas, promover o uso sustent√°vel dessas √°reas e garantir √°reas de prote√ß√£o ambiental. Entretanto, esse minist√©rio faz bem mais do que isso. Todo o gerenciamento dos recursos h√≠dricos brasileiros √© de compet√™ncia do Minist√©rio do Meio Ambiente. Isso significa, tamb√©m, que h√° v√°rios interesses desse minist√©rio que se sobrep√Ķe ao de Minas e Energia (hidrel√©tricas, n√©?). A ind√ļstria qu√≠mica tamb√©m √© regulada pelo Minist√©rio do Meio Ambiente. Gest√£o do patrim√īnio gen√©tico? Tamb√©m. Ah! E os setores relacionados √† minera√ß√£o tamb√©m, afinal, trata-se da explora√ß√£o de um recurso natural e tudo o que √© recurso natural √© de responsabilidade desse Minist√©rio. Ibama? ICMBio? ANA? Combate √† desertifica√ß√£o? Trabalham! Mudan√ßas do clima? Tamb√©m! Licenciamentos ambientais, autoriza√ß√£o e fiscaliza√ß√£o de transfer√™ncia de petr√≥leo entre embarca√ß√Ķes? Controle e gest√£o de res√≠duos (inclusive de pilhas e baterias)? Sim, sim, caro leitor. Tudo relacionado a esse Minist√©rio tamb√©m. Os caras fazem coisas pra caramba. FIM.

Bom, at√© aqui acho que j√° deu pra entender porque contei a hist√≥ria do funcion√°rio que se viu tendo que executar mais do que suas pr√≥prias atribui√ß√Ķes. E tamb√©m j√° d√° pra ter uma ideia do porqu√™ esse assunto √© bastante pol√™mico e deixa ruralistas e ambientalistas em alerta. Esses dois minist√©rios t√™m, obviamente, interesses em comum que podem ser em alguns momentos conflitantes (pense, por exemplo, na disputa de uma √°rea de preserva√ß√£o ambiental versus a libera√ß√£o dessa √°rea para explora√ß√£o e/ou produ√ß√£o agropecu√°ria). Eu ainda bato na tecla de que, nesse caso, o empate t√©cnico √© saud√°vel para os dois interesses. A quest√£o √© que h√° muito mais do que interesses em comum. H√° muitas fun√ß√Ķes que podem ficar em segundo plano no caso de uma fus√£o. Muitas tarefas v√£o obviamente ficar desatendidas e, nenhuma delas, a meu ver, √© menos importante. Se a ideia √© reduzir custos, reduzir funcion√°rios, extinguir institui√ß√Ķes o trabalho vai, obviamente, sobrecarregar algu√©m. N√£o acho, enfim, que √© simples, nem que √© apenas perder status. Os dois minist√©rios atuais perder√£o demais com essa fus√£o. Perdem eles, perdemos muito mais n√≥s.

Falimos como sociedade?

Cena 1

17:30. Onibus lotado. A chuva faz as pessoas que est√£o sentadas fecharem as janelas. Calor, calor, calor, misturados com a umidade de fora. O motorista para em um ponto, duas pessoas descem, vinte e cinco sobem. Assim que as duas pessoas descem, o motorista fecha as portas de descida. Eu, na minha inoc√™ncia mais do que infantil, xingo a m√£e do motorista tr√™s vezes. Porra, velho! N√£o podia deixar a porta aberta pra dar uma ventilada? Sa√≠mos do ponto. No ponto seguinte, parece que Deus ouviu as minhas preces e o motorista deixa as portar traseiras aberta. Cinco pessoas sobem no √īnibus sem pagar. Os erros? √Ēnibus lotado, caro e sem qualidade. Pessoas que se aproveitam de seus pequenos poderes e ligam de fato o foda-se para o mundo e fazem o que querem. N√£o h√° leis. N√£o h√° regras. Nada √© respeitado.

Cena 2

Pessoas precisam de aten√ß√£o, carinho, ajuda. H√° milhares de maneiras de satisfazer as necessidades de aten√ß√£o, mas cada pessoa √© √ļnica e suas vontades para satisfazer seus desejos mais b√°sicos √© vari√°vel. Algumas buscam palavras. F√©. Escolhem um mestre para que sejam guiadas, para que acreditem que √© poss√≠vel ter esperan√ßa, ter uma vida melhor, ter salva√ß√£o. Um mestre e guia com m√° √≠ndole traz mentiras f√°ceis, verdades d√ļbias. Traz √≥dio. √ďdio contra o que √© diferente dele. √ďdio contra o que ele, o pr√≥prio guia teme. At√© onde quem busca palavras √© manipulado pelas palavras que ouve? Quem deve dar ao cidad√£o a capacidade de ser cr√≠tico e avaliar, duvidar at√©, do mestre que escolheu? Mudar de mestre? Mudar de f√©? Deixar de ter esperan√ßa?

Cena 3

Estou cercada de pessoas que tiveram oportunidades de estudar. Algumas tomam Herbalife. Algumas tomam rem√©dios para hipotireoidismo. M√°rcio Atalla, na CBN, traz o dado de que rem√©dios para hipotireoidismo est√£o sendo vendidos a rodo. Por que? Porque se algu√©m toma rem√©dios para hipotireoidismo sem ter a doen√ßa aumenta seu metabolismo. Resultado imediato? Perda de peso. E a sa√ļde? Quem?

falencias

ScienceBlogs na Rio+20

O ScienceBlogs como um todo est√° ajudando a divulgar uma pesquisa que foi lan√ßada pelo governo brasileiro, com o suporte do Programa de Desenvolvimento das Na√ß√Ķes Unidas chamada Di√°logos da Rio+20.

Para a confer√™ncia que ocorrer√° logo mais no Brasil, as Na√ß√Ķes Unidas e o governo brasileiro buscaram indica√ß√Ķes de pol√≠ticas p√ļblicas junto √† 10000 atores, especialistas, cientistas de v√°rias √°reas e com v√°rias experi√™ncias de vida e profissionais e chegaram a uma lista com 100 recomenda√ß√Ķes relevantes que poderiam ser discutidas na confer√™ncia. Essa lista de 100 recomenda√ß√Ķes pode ser votada por todas as pessoas com acesso √† internet, atrav√©s de um site, lan√ßado pelo secret√°rio geral das na√ß√Ķes unidas, Ban Ki-moon.

O site vote.riodialogues.org √© uma plataforma onde podemos votar sobre quais dessas 100 indica√ß√Ķes consideramos mais relevantes. Os votos ser√£o recolhidos at√© o dia 14 de junho, ou seja, at√© amanh√£. A promessa √© de que a opini√£o das pessoas poder√£o ajudar na sele√ß√£o de 10 temas ou pilares que nortear√£o as discuss√Ķes que ocorrer√£o entre 130 chefes de estado que estar√£o presentes na Rio+20.

Entre os temas podemos encontrar Cidades Sustent√°veis, Inova√ß√Ķes para o desenvolvimento da sustentabilidade,¬† Luta contra a pobreza, Alimenta√ß√£o e nutri√ß√£o, entre outras. D√™ a sua opini√£o e participe!

 

Acabou a sacolinha gr√°tis. E agora?

Lixo na Julio Mesquita - Blog do Mílton Jung - Creative Commons

Entra em vigor hoje, 25 de Janeiro de 2012, o acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente que interrompe a distribuição gratuita de sacolas plásticas descartáveis (biodegradáveis ou não) aos consumidores. Isso significa que além de chover releases de supermercados eco-friendly na minha caixa de entrada, a partir de hoje, se você quiser acomodar suas compras em sacolas plásticas descartáveis você terá que pagar por elas. Os valores giram em torno de R$0,19 por unidade.

Todos os supermercados aderiram? N√£o. Mas 1,2 mil aceitaram o acordo, o que representa aproximadamente 95% dos associados da APAS.

E n√£o adianta arrancar os cabelos e vir com aquela desculpa de que voc√™ n√£o ter√° onde p√īr seu lixo. Voc√™ ter√°, mas dessa vez, aposto que voc√™ vai levar s√≥ as sacolas necess√°rias para casa. Al√©m disso, separando o lixo corretamente e destinando-o para a coleta seletiva, haver√° espa√ßo de sobra para aquilo que realmente interessa ser descartado.

Sei que muitos consumidores estão sofrendo antecipadamente com esta medida, mas a dica da vez é se informar. Sabemos que estas medidas podem ser eficazes se a população foi instruída a lidar com o lixo doméstico, a dá-lo o destino correto. Ou seremos apenas uma população com lixo solto, ao invés de lixo ensacado.

Alguns supermercados j√° come√ßaram a veicular folhetos informativos e a preparar seus funcion√°rios para informar a popula√ß√£o sobre o acordo. E apenas a exemplo, este n√£o √© um post pago, o Carrefour S√£o Paulo promoveu um programa de informa√ß√£o e conscientiza√ß√£o para 32 mil colaboradores que visa ajudar seus clientes nesse processo de mudan√ßa. O programa consiste em informar sobre os danos causados pelas sacolas, solu√ß√Ķes alternativas de transporte de compras e como manejar corretamente o lixo dom√©stico.

Sinceramente acho que o acordo tem seu valor, apesar das lacunas que sempre ficam para trás. Portanto, o questionamento remanescente é o seguinte: e o resto do lixo?

Gostaria que os consumidores aprendessem a destinar corretamente o lixo antes de uma medida que retira do seu cotidiano algo que eles ainda nem aprenderam a abrir mão. Nem mesmo sabem que a vida doméstica pode ser a mesma em tempos de sacolas racionadas.

3¬ļ dia em Manaus: Eu, o Porto, os animais selvagens e o Teatro Amazonas

Em nosso terceiro dia na capital do Amazonas, acordamos cedinho (como todos os outros dias) para caminhar até o porto da cidade e então partir para a visita ao encontro das águas. Já havíamos fechado o passeio com uma empresa certificada antes mesmo de viajarmos.
Na calçada do porto encontramos muitos agentes de turismo ilegais. Preços incríveis para visitar o encontro das águas e pegar animais selvagens no colo. Pegar animais selvagens no colo? Naquele momento imaginei uma preguiça na forma de um poodle pulando no meu colo.
Na pressa, ignoramos o tiozão que bradava na calçada e seguimos adentrando o porto.

Como qualquer porto, este recebe todo o lixo jogado às margens do rio em questão, neste caso o Rio Negro.

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Na foto voc√™s podem observar tamb√©m as marca√ß√Ķes dos maiores n√≠veis j√° atingidos pelo Rio Negro nas cheias e o n√≠vel em que ele se encontra hoje.

N√£o me lembro quanto tempo levou para enfim chegarmos ao encontro das √°guas do Rio Negro com o Solim√Ķes, mas minha ansiedade diz que demorou. Abaixo uma foto do encontro.

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Elas seguem por aproximadamente 6km sem se misturarem devido a diferença de temperatura e de densidade entre elas.

No encontro, peguei alguns turistas jogando moedinhas na √°gua e fazendo pedidos, dizem que d√° sorte. Mas sorte mesmo tem quem mergulha ali em busca de moedas. =D

Na volta, com mais calma, resolvemos parar na calçada do porto e conversar com o guia clandestino que nos abordou, para saber as características do tal passeio imperdível com contato com animais selvagens.

Ele nos disse que a empresa que contratamos não leva para ver o animais e que com ele poderíamos pegar animais como preguiças e cobras por um preço muito melhor. Ah! Ele ressaltou que os animais são domesticados. Oi?

Mais uma vez a preguiça em forma de poodle pulou no meu colo.

√Č uma covardia gigante prender estes animais em cativeiro para mostrar para turistas sedentos pela vida selvagem! Um absurdo! N√£o quero uma Pregui√ßa lambendo meu rosto e se fingindo de morta, porque isto n√£o √© uma Pregui√ßa!

Ah, mas eles não tem outra alternativa para sustentar suas famílias. A justificativa de que não há outra alternativa para os guias clandestinos é muito descabida. O que eles fazem é crime e coloca em risco a vida selvagem e a vida dos próprios turistas, independente de ser em prol do seu sustento.

Manaus n√£o vive apenas do turismo (pelo contr√°rio), mas este o caminho mais rent√°vel, saca?

Agora daremos um salto, um salto para a noite! Ah… a noite Manauara!

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A pra√ßa do Teatro Amazonas se transforma numa pra√ßa de cidade do interior, um lugar √≥timo para passear com a fam√≠lia, para namorar e comer comidinhas gostosas! Tem at√© atra√ß√Ķes culturais!
Sensacional!

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No dia seguinte fizemos uma visita guiada ao interior do Teatro, ele √© simplesmente espl√™ndido! O terr√≠vel √© pensar que em 1896 era uma constru√ß√£o no meio do nada. Voc√™s conseguem imaginar de onde veio o dinheiro e a m√£o de obra para constru√ß√£o desta obra? Yes baby, trabalho escravo e suor das seringueiras, vulgo l√°tex. Tudo isso para ter a Fran√ßa em plena Floresta Amaz√īnica. No teto do teatro h√° uma homenagem a Paris, a Torre Eiffel vista debaixo.

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Esta viagem foi cheia de detalhes, tenho certeza que n√£o consegui passar a metade do que vivemos nestes quatro dias. Por isso, convido voc√™s a visitarem o blog do fot√≥grafo Rodrigo Baleia, da National Geographic, que conhecemos nesta viagem. L√° voc√™s v√£o encontrar muito mais a respeito deste para√≠so chamado Amaz√īnia e fotos maravilhosamente belas. Ao contr√°rio das minhas.

Convido vocês também a visitarem Manaus, vocês vão se apaixonar e com certeza, assim como eu, vão querer voltar correndo para os braços da floresta.

Postado por: Thanuci

2¬ļ dia em Manaus: Presidente Figueiredo

 Em nosso segundo dia em Manaus, sa√≠mos da cidade bem cedo para visitar Presidente Figueiredo, que fica a 107Km da capital e √© conhecida como a Terra da Cachoeiras e do Cupua√ß√ļ.

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Nossa primeira visita foi √† Reserva Particular do Patrim√īnio Natural (RPPN) Cachoeira da On√ßa, reserva que abriga a Cachoeira da On√ßa, batizada assim por um famoso curandeiro da regi√£o quando avistou pela primeira vez uma On√ßa Pintada √†s suas margens.
 
A cachoeira fica a 3Km do início da Trilha do Tauarí e a caminhada por ali é muito tranquila, há poucas raízes no caminho e o trajeto é plano, facilitando a caminhada de sedentárias como eu.

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 Naquele dia fomos as primeiras a percorrer aquele trajeto e no meio do caminho fomos surpreendidas pela pegada de outro visitante (ou morador):

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Vocês arriscariam palpitar de quem seria esta pegada? Eu particularmente não quis pensar nisto enquanto ainda estava na trilha, um procedimento pertinente eu diria, para quem de cara percebeu que era grande demais para ser de um cachorro ou de um gato.
 
Eis que chegamos √† cachoeira! Um lugar maravilhoso que toda a fam√≠lia pode visitar, porque o po√ßo √© relativamente raso e as corredeiras abaixo da cachoeira s√£o tranquilas. Mas todo cuidado √© pouco quando se trata das pedras escorregadias, afinal a Floresta Amaz√īnica √© muito √ļmida e os musgos A D O R A M.

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E falando em musgos, gostaria de pedir aos visitantes que n√£o escrevessem nas pedras da cachoeira porque os microrganismos que vivem ali s√£o removidos mec√Ęnicamente quando voc√™ resolve deixar sua marca. Por mais pequenos que sejam, eles est√£o presentes e fazem uma falta danada para aqueles que tem neste substrato seu principal alimento.
  A trilha do Tauar√≠ √© uma √≥tima pedida para quem deseja aprender mais sobre as √°rvores da Amaz√īnia, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz√īnia (INPA) realizou um excelente trabalho identificando algumas esp√©cies de √°rvores ao longo da trilha.
 
Deixando a Cachoeira da Onça para trás, seguimos em direção às corredeiras do Rio Urubuí, um local muito visitado pelos moradores da região.
 
Lá aconteceram alguns eventos que descreverei resumidamente: apertei meu dedo na porta do carro, desci as corredeiras a bordo de uma boia, bebi uma quantidade considerável de água do rio, perdi a ternura e fui embora. Mas o lugar é lindo, basta ser um poquinho mais esperto que eu que dará tudo certo. Dica: desça as corredeiras com a boca fechada. A foto abaixo indica o que você não deve fazer.

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Depois do episódio constrangedor seguimos para a RPPN Reserva Ecológica Cachoeira do Santuário, um lugar maravilhoso!
 
Devido a √©poca chuvosa na Amaz√īnia, os n√≠veis da cachoeira est√£o mais altos e isto aumenta sua beleza na mesma propor√ß√£o em que aumenta os riscos de acidentes. Portanto, nesta √©poca n√£o √© recomendado se aproximar da queda d’√°gua, principalmente com crian√ßas. Uma queda desta cachoeira s√≥ pode resultar em duas coisas: morte ou v√°rios ossos quebrados. N√£o d√™ trabalho!
 
Abaixo uma foto da cachoeira nesta época de cheias:

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  Depois da visita a Presidente Figueiredo, voltamos a Manaus, exaustas, mas ainda ansiosas para curtir a noite na pra√ßa do Teatro Amazonas, um lugar extremamente agrad√°vel e aconchegante nas noites dos fins de semana.
 
No nosso terceiro dia na cidade, contarei mais a respeito da pra√ßa, do Teatro e das atra√ß√Ķes gratuitas promovidas ali.

Algumas informa√ß√Ķes importantes:
Entrada para a Cachoeira da Onça: R$10,00
Entrada para a Cachoeira Santu√°rio: R$ 10,00
Entrada para as Corredeiras do Urubuí: Grátis

Postado por: Thanuci

1¬ļ dia em Manaus: A Capital

Esta foi a viagem mais distante que j√° fiz em toda minha vida. Nunca havia percorrido mais que 700Km para chegar ao meu destino e chegar at√© a Amaz√īnia me parecia surreal comparado √†s minhas experi√™ncias tur√≠sticas. Foram 7 horas de “viagem” com escala em Bras√≠lia para enfim chegarmos a Manaus.

Fiz esta viagem esperando encontrar uma cidade grande como S√£o Paulo, aquela correria toda, pessoas pra l√° e pra c√° apressadas, engarrafamentos, um grande centro comercial.
Mas Manaus não é apenas assim, a situação lá é um tanto quanto mais complicada e delicada por se tratar de um ponto muito procurado por turistas. Isso traz muitos benefícios para a população local, mas o trabalho ilegal também existe.

Encontrei uma cidade imensa, com ruas lotadas como uma boa metr√≥pole, mas com certo descaso quanto √† sinaliza√ß√£o e tamanho das ruas, dos pontos de √īnibus e das placas de tr√Ęnsito. Lendo o jornal da cidade percebi que os acidentes de tr√Ęnsito s√£o problemas graves da capital.

No nosso primeiro dia, precis√°vamos sair do centro e chegar at√© o Bosque da Ci√™ncia, mantido pelo INPA, que fica a aproximadamente 14Km do local onde estav√°mos hospedadas. Infelizmente as placas dos pontos de √īnibus n√£o apresentavam informa√ß√Ķes corretas sobre as linhas que circulavam ali e segundo o morador para o qual pedimos informa√ß√Ķes, se f√īssemos pelas placas n√£o chegar√≠amos a lugar algum. Uma pena.

Ent√£o, depois de um parto para encontrarmos o √īnibus e 40min de viagem pela cidade para chegar em nosso destino, finalmente encontramos o bosque. Quando entramos no local, vi as ariranhas, os peixes-boi, nos perdemos dentro do parque e fomos embora pela primeira sa√≠da que encontramos, j√° que n√£o havia nenhuma pessoa que pudesse nos ajudar a ver mais alguma coisa. Sempre soube que o trabalho do INPA √© sensacional, mas n√£o foi dessa vez que consegui bater um papo com eles, talvez o dia e hor√°rio n√£o fossem prop√≠cios.

Na volta do passeio no parque fiquei impressionada com a quantidade de ru√≠nas pela cidade. Casar√Ķes antigos pichados com barcos abandonados “estacionados” na sua garagem, muito lixo nas cal√ßadas e crian√ßas “trabalhando” como guias tur√≠sticos e motoristas de barcos como forma de reabilita√ß√£o para usu√°rios de drogas. Reabilita√ß√£o? Foi muito triste ver as crian√ßas trabalhando de forma ilegal em prol do seu sustento.

Manaus será uma das cidades que abrigará jogos da copa do mundo e um novo estádio está sendo construído na cidade. Mas e o resto?

Considero Manaus as portas para a Amaz√īnia, mas para o turista que a visita se motivar a descobrir o que h√° por tr√°s daquela selva de pedras, muita coisa tem que mudar.

No próximo post contarei as belezas de Manaus e da região, então vocês saberão porque vale a pena visitá-las e porque já estou com vontade de voltar!

Postado por: Thanuci

A Ciência, por Claudio Angelo

Hoje, o jornalista Claudio Angelo se despediu da posi√ß√£o de Editor de Ci√™ncias da Folha de S√£o Paulo com um post no blog Laborat√≥rio. Para um divulgador de Ci√™ncias, a troca do editor de Ci√™ncias de um jornal ou revista de grande circula√ß√£o no pa√≠s tem mais ou menos o mesmo gosto que a troca do t√©cnico da sele√ß√£o brasileira de futebol para a maioria da popula√ß√£o. Isso porque, assim como o t√©cnico da sele√ß√£o, o editor de Ci√™ncias tem por objetivo tra√ßar estrat√©gias, escalar os melhores profissionais e lutar bravamente por um gol, neste caso, por uma pauta, por um assunto, que equilibrem a vontade de vender do dono do jornal/revista com a import√Ęncia que a not√≠cia representa no mundo cient√≠fico.
Com o post “A Ci√™ncia n√£o sabe de nada“, Claudio Angelo explica como ningu√©m o que √© Ci√™ncia e como ela funciona: “A ci√™ncia √© melhor em produzir d√ļvidas e perguntas”. √Č isso que provavelmente gera inseguran√ßa nas pessoas e produz correntes anti-ci√™ncia e nega√ß√£o da ci√™ncia por a√≠ a fora – a luta √†s vezes disfar√ßada, √†s vezes descarada contra avan√ßos tecnol√≥gicos e cient√≠ficos como as vacinas, novos tratamentos √† doen√ßas, novos materias ou novas formas de cultivo de plantas ou de cria√ß√£o de animais, uso de energia nuclear, nega√ß√£o da participa√ß√£o do homem no aquecimento global, etc, etc, etc.
Talvez a maior pergunta que fica para a popula√ß√£o geral √©: Como podemos investir tanto investimento em dinheiro, pessoas, tempo, na produ√ß√£o de d√ļvidas e n√£o de certezas? Citando o mon√≥logo “Letting Go of God” interpretado por Julia Sweeney, Claudio Angelo enfatiza ainda mais essas d√ļvidas: “Os cientistas n√£o conseguem decidir se caf√© √© bom ou ruim para a sa√ļde, se o planeta est√° esquentando muito ou pouco, se o homem tem 100 mil ou 20 mil genes, se o Sistema Solar tem oito ou nove planetas.” E as d√ļvidas nunca acabam, nunca acabam, e √© dessa insatisfa√ß√£o dos cientistas que as Ci√™ncias andam. O importante para os cientistas √©, a todo custo, tentar refutar a todo tempo, a todo experimento, as hip√≥teses que ele ou seu grupo de pesquisa levantam. E √© assim que tem que ser. Ci√™ncia sem a vontade louca do cientista de provar-se errado (e n√£o certo!) n√£o √© Ci√™ncia.
Claudio Angelo deixa a Editoria para voltar a ser repórter, agora em Brasília, e deixa o cargo para Reinaldo José Lopes, um dos jornalistas de ciências mais competentes da atualidade e companheiro de condomínio, no Chapéu, Chicote e Carbono-14. Vida longa e próspera ao Reinaldo e que tenha forças para lutar por notícias, escalar profissionais e traçar estratégias para trazer o melhor da Ciência do mundo para a divulgação científica brasileira.
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N√£o deixem de ler a despedida do Claudio Angelo em “A Ci√™ncia n√£o sabe de nada” clicando AQUI

Você vende carbono, mas eu posso não querer comprar.

Ah… as rela√ß√Ķes de compra e venda…

Vai l√° o cidad√£o, trabalha, se esfor√ßa, bota um produto no mercado e nada de algu√©m querer comprar. Sei l√°, pode ser o pre√ßo, pode ser a qualidade, pode ser que ele seja feio e de mau gosto e s√≥ voc√™ n√£o notou, pode ser s√≥ que a hora de vender n√£o era adequada pro produto (tipo tentar vender bronzeador em dia de chuva, sabe?)… Mas a verdade cruel √© que pode ser que ningu√©m esteja interessado naquele momento.

Isso aconteceu ontem.

A BM&F (Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros) realizou ontem, dia 8 de abril de 2010, o primeiro leil√£o de cr√©ditos de carbono voltados ao mercado volunt√°rio (os outros dois leil√Ķes organizados pela BM&F foram do Aterro Bandeirantes e do Aterro S√£o Jo√£o, ambos do mercado regulado e ambos foram arrematados). 

Foram postas para leil√£o 180.000 unidades de redu√ß√£o de emiss√£o verificadas de gases do efeito estufa, divididos em tr√™s lotes de 60.000 unidades cada. Uma unidade de redu√ß√£o vale 1.000 toneladas de carbono equivalente (Ceq), e tinham como pre√ßos iniciais de R$ 10,00 a R$ 12,00 a unidade, variando conforme o per√≠odo em que foram gerados os cr√©ditos. Ou seja, para um lote de 180.000 mil unidades, esperava-se um faturamento m√≠nimo de 1,8 milh√Ķes de reais.

Resumindo:

1 unidade = 1000 toneladas de Ceq = R$ 10,00 (no mínimo)

180.000 unidades = 1,8 x 10ňÜ8 toneladas em Ceq = R$ 1,8 milh√Ķes (no m√≠nimo)

Mas…

Nada foi arrematado.

Os cr√©ditos (validados pela UNFCCC) eram de titularidade e administrados pela Carbono Social Servi√ßos Ambientais e referiam-se a redu√ß√£o de emiss√Ķes gerados a partir da troca de combust√≠veis f√≥sseis por biomassa renov√°vel (baga√ßo de cana-de-a√ß√ļcar, caro√ßo de a√ßa√≠, casca de arroz, entre outras) em f√°bricas de porcelana localizados em S√£o Paulo (Panorama, Paulic√©ia), Par√° (S√£o Miguel do Guam√°), Pernambuco (Lajeado, Paudalho), Sergipe (Itabaiana), Minas Gerais (Ituiutaba) e Rio de Janeiro (Itabora√≠).

Isso me lembrou muit√≠ssimo a reuni√£o de ontem na FIESP, onde se prop√īs a constitui√ß√£o de uma comiss√£o para definir normas para um mercado de carbono tupiniquim. Saiba aqui.