Preparem a ajuda humanit√°ria para Santa Catarina

Certa manhã dessas, ao conversar com meu amigo matutino de twitter, o @penachiando, leio uma notícia minimamente intrigante:
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Pensei com meus bot√Ķes: Oh, raios! Que hist√≥ria √© essa de ditadura ambiental?
Alguns twitts depois:
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Como assim, Bial?
Em resumo. A c√Ęmara legislativa de Santa Catarina aprovou uma lei ambiental que obriga propriedades rurais catarinenses acima de 50 hectares manterem 10 metros de mata ciliar ao longo de rios e c√≥rregos. Ocorre que o C√≥digo Florestal federal exige a manuten√ß√£o de 30 metros ao longo dos mesmos rios e c√≥rregos.
Definitivamente preciso de um jurista para me explicar se √© poss√≠vel que uma lei estadual sobreponha-se dessa maneira a uma lei federal, mas fato √© que esse an√ļncio causou tal rebuli√ßo entre o Ministro do Meio Ambiente e o governo de Santa Catarina que at√© houve amea√ßa de botar a pol√≠cia defendendo os pobres agricutores barriga verdes.
Só tenho uma coisa a dizer sobre essa história: O povo tem memória curta. E os governantes não devem ter memória nenhuma! Será que vai ter ajuda humanitária para Santa Catarina na próxima enchente?
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Foto publicada no blog Alles Blau
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Saiba mais:
Lei ambiental estadual causa conflito entre SC e Minc
Mata Ciliar x Código ambiental de Santa Catarina
Código ambiental de SC será questionado na ONU

A política energética brasileira

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Flickr by ChromaticOrb under the Creative Commons
Há algumas semanas, entrei em uma discussão com o Luiz Bento, vizinho de Science Blogs, autor do Discutindo Ecologia, sobre a real necessidade de produzirmos energia a partir de termelétricas movidas a combustíveis fósseis.
O Luiz tinha acabado de assistir a uma reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que aconteceu no Centro de Tecnologia da UFRJ. Nela, o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc ao revisar o inventário brasileiro de emissão de gases do efeito estufa, mencionava a previsão da construção de 81 novas termelétricas no país até 2017.
Ao meu ver (pessoal e intransfer√≠vel), um pa√≠s com uma previs√£o destas caminha na contram√£o da hist√≥ria e adota uma pol√≠tica p√ļblica burra, atrasada e parece completamente indiferente e alienado √†s previs√Ķes catastr√≥ficas levantadas pelos relat√≥rios do IPCC e os acordos da conven√ß√£o das partes em rela√ß√£o as poss√≠veis consequ√™ncias do aquecimento global.
Mas, claro, o Ministro Carlos Minc explicou a situa√ß√£o, justificando que, longe de burrice, a constru√ß√£o de termel√©tricas inv√©s de geradores de energia renov√°vel (e√≥lica, hidrel√©trica, solar, biomassa, etc) deve-se ao “n√≥” dado em licenciamento de novas usinas hidrel√©tricas. Um suposto problema de falta de energia deveria, ent√£o, ser resolvido com a constru√ß√£o de outras formas geradoras de energia, e, se n√£o nos resta op√ß√£o de energia limpa (n√£o? e e√≥lica, solar, biomassa?) a solu√ß√£o mesmo seria construir termel√©tricas a carv√£o ou a √≥leo combust√≠vel.
O problema não pára por aí. Além de menosprezar as outras formas de obtenção de energia limpa, dizendo que são caras e inconstantes (são mesmo? e além disso são menos poluidoras) o Ministro Carlos Minc joga a culpa pela não obtenção de licenciamento de hidrelétricas nos ambientalistas (ele, inclusive?), e os chama de eco-hipócritas e eco-demagogos (ele, inclusive?).
Devo admitir que fiquei bestificada com essas coloca√ß√Ķes, at√© porque via no Ministro Carlos Minc um cidad√£o preocupado com os destinos ambientais do pa√≠s, um ambientalista e um ativista.
Fiquei, por um momento tentada a buscar n informa√ß√Ķes sobre usinas de energia limpa, comparar dados, construir planilhas. Isso, obviamente, me consumiria um tempo que n√£o tenho, ent√£o desistir da tenta√ß√£o foi relativamente f√°cil. Mas fiquei extremamente grata ao colunista da CBN S√©rgio Abranches por uma de suas coloca√ß√Ķes, a Senadora Marina Silva e, posteriormente, ao professor Jos√© Goldemberg, especialista em energia da Escola Polit√©cnica da Universidade de S√£o Paulo.
A senadora Marina Silva (PT-AC), em palestra na USP, organizada pelo IEA, levantou uma excelente questão: os ambientalistas sempre poderão ser considerados bodes expiatórios para todos os problemas ambientais do país.
At√© porque, imagino eu, os ambientalistas s√£o um grupo t√£o cheio que podem ser unidos em um √ļnico grupo assim como podemos unir algas em um mesmo grupo taxon√īmico, ou unir pol√≠ticos sob um mesmo ideal. Marina Silva tamb√©m trouxe um n√ļmero importante: disse ela que 45,4% da matriz energ√©tica brasileira √© limpa (Fonte: Minist√©rio de Minas e Energia, 2008).
Sérgio Abranches dizia que

[…] para reduzir a margem de rentabilidade das e√≥licas, das usinas a vento, porque tem um custo de manuten√ß√£o muito baixo ent√£o o custo benef√≠cio delas √© muito favor√°vel, eles fizeram uma manipula√ß√£o no c√°lculo do custo benef√≠cio que permite avaliar as empresas na hora dos leil√Ķes, que teve como consequ√™ncia premiar as termel√©tricas a carvao e viabilizar as termel√©tricas a √≥leo diesel que s√£o as mais caras e as piores que tem […]. Houve um erro grosseiro da pol√≠tica de energia do governo, que o governo n√£o quer reconhecer, n√£o quer voltar atras, e a√≠ diz que s√£o os ambientalistas.
[…] N√≥s estamos na contram√£o do mundo, o mundo t√° erradicando, t√° tentando erradicar o uso de carv√£o, t√° tentando trocar as termel√©tricas por energia renov√°vel, n√≥s temos um enorme potencial de energia renov√°vel e estamos aumentando a participa√ß√£o dos combust√≠veis f√≥sseis, do carv√£o e do √≥leo diesel e […] bloqueando o uso das energias renov√°veis no Brasil […]. Isso n√£o tem nada a ver¬† com ambientalismo tem a ver com uma p√©ssima pol√≠tica de energia que est√° na contram√£o do mundo.

Ouça:
O IBAMA pretende reduzir o impacto ambiental causado por usinas termelétricas movidas a carvão e óleo diesel. As usinas terão que prever o plantio de árvores para absorver pelo menos 1/3 dos gases causadores do efeito estufa [maldita neutralização de carbono]. Os outros terão de ser mitigados no investimento em produção de energias renováveis.
Ao ser perguntado sobre a constru√ß√£o das usinas t√©rmicas, o professor Jos√© Goldemberg p√īs em cheque o real d√©ficit de energia no pa√≠s.

[…] o Brasil, que sempre teve sua matriz energ√©tica limpa, est√° expandindo sua matriz n√£o na dire√ß√£o correta, construindo mais hidrel√©tricas, mas construindo t√©rmicas, n√©? Isso tem provocado cr√≠ticas tremendas e o Minist√©rio de Minas e Energia se defendia dizendo que a culpa era do Minist√©rio de Meio Ambiente, viu? E agora ent√£o veio o troco do Minist√©rio do Meio Ambiente, n√©? Eu acho que √© um remendo, viu? Quer dizer, a solu√ß√£o mesmo √© mexer na pol√≠tica energ√©tica de modo que se construa usinas hidrel√©tricas ou usinas que usem energia dos ventos ou energia fotovolt√°ica. […] 1/3 de plantio de √°rvores n√£o √© suficiente mas ainda √© bastante, viu? Vai encarecer a energia, viu? […]
[…] esse argumento desses defensores de energia usando carv√£o e diesel est√£o completamente equivocas, no momento n√£o h√° perigo nenhum de racionamento, choveu √† be√ßa no ano passado e no come√ßo desse ano. Essa √© uma situa√ß√£o que ocorria a dois, tr√™s anos atr√°s, n√£o h√° urg√™ncia nenhuma, viu? O que h√° √© que o Minist√©rio de Minas e energia entrou na dire√ß√£o errada, viu? E se o problema e de mais urg√™ncia porque n√£o fazer parques e√≥licos no Norte do pa√≠s? […] Maranh√£o, Piau√≠ […]
Eu acho que o governo entrou numa direção errada, o Ministério do Meio Ambiente demorou para atuar, finalmente atuou, ótimo. Provavelmente as medidas deles são insuficientes. O que precisava é rever o processo de licienciamento de usinas de modo que as usinas que efetivamente são adequadas são licenciadas rapidamente.

Ouça:
UFA! Fiquei bem mais tranquila em perceber que minhas observa√ß√Ķes n√£o estavam assim t√£o erradas. Tamb√©m fiquei tranquila em saber que especialistas no assunto tocaram em pontos que eu imaginava corretos. Pena que o governo insiste em andar para tr√°s. ACORDA GOVERNO!

Bem-vindos sciblings!

Dou boas vindas ao novo blog do Science Blogs Brasil!

banner ciencia e ideias.JPGCiência e Ideias, de Maria Guimarães e João Alexandrino.
Informação científica de qualidade na medida certa. Jornalismo científico de primeira. Notícias quentes e populares. Tem que ir lá olhar!

Pegada 23 – Sustentabilidade

Acabei de voltar de um banco. Uma das propagandas dizia:

SUSTENTABILIDADE √Č QUANDO VOC√ä INVESTE NO FUTURO DO PLANETA E NO SEU

Eu n√£o poderia discordar mais. Enquanto as pessoas acharem que ser sustet√°vel √© cuidar do SEU futuro, teremos aquelas discuss√Ķes extremamente basais e infrut√≠feras como: “Por que reduzir o MEU consumo de carne se MEU vizinho n√£o reduz?”, ou “Por que usar um carro 1.0 flex se EU tenho dinheiro para comprar um 4×4 para andar na cidade?” ou “Vamos cuidar da crise econ√īmica e ambiental do NOSSO pa√≠s!”, ou ainda “O Brasil vai lutar para ganhar cr√©ditos de carbono por manter SUAS florestas mas n√£o vai deixar de emitir gases do efeito estufa pois SUA responsabilidade hist√≥rica em rela√ß√£o ao aquecimento global √© baixa e N√ďS temos que crescer economcamente”.
Enquanto sustentabilidade n√£o for uma preocupa√ß√£o com o que deixaremos para as gera√ß√Ķes futuras, estaremos em um caminho paliativo e infrut√≠fero (pelo menos para a maioria da popula√ß√£o).

Dia da Terra – Como est√£o as negocia√ß√Ķes sobre o clima?

ChargeGylvanNature.jpgCharge disponível em: http://www.nature.com/nature/journal/v455/n7214/full/455737a.html

Hoje, 22 de abril, comemora-se o Dia da Terra. Para celebrar essa data, aproveitei uma pseudo-f√©rias para ir √† USP, assistir a um debate que promete analisar as negocia√ß√Ķes sobre mudan√ßas clim√°ticas, o que j√° foi feito, o que tem sido feito, o que ser√° feito para as negocia√ß√Ķes internacionais e as perspectivas nacionais em pol√≠ticas p√ļblicas.¬†
Na chegada ao debate, no IEA, j√° tive uma pequena disputa de tr√Ęnsito com uma fulana que definitivamente n√£o sabe dirigir, num Tucson. Est√° agora sentada ao meu lado. Espero que ela tenha grandes contribui√ß√Ķes para dar sobre o tema, j√° que deve ser uma pessoa muito consciente sobre suas emiss√Ķes pessoais de gases do efeito estufa.¬†
Na mesa de discuss√Ķes, apenas nomes de respeito: S√©rgio Serra, Gylvan Meira, Adriano Santhiago, Paulo Artaxo, Tercio Ambrizzi, Jos√© Eli da Veiga e Wagner Costa Ribeiro. Em discuss√£o, o encontro em Copenhagen (COP-15), o mapa do caminho de Bali (COP-14) e os trilhos formados pelos grupos de trabalho¬†AWG-KP e AWG-LCA, as pol√≠ticas p√ļblicas dos EUA, o Protocolo de Kyoto e o segundo per√≠odo de compromisso a ser assumido p√≥s 2012, G-20 e UNFCCC, entre outros.¬†
Resumo da ópera: 
+ H√° um grupo Ad Hoc discutindo o futuro do Protocolo de Kyoto (AWG-KP) e o segundo per√≠odo de compromissos, que dever√° ser firmado ap√≥s 2012, quando expira o prazo para as redu√ß√Ķes de emiss√Ķes previstas pelo Protocolo.¬†
+ H√° um outro grupo Ad Hoc discutindo formas cooperativas de a√ß√£o a longo prazo (AWG-LCA) para mitigar as emiss√Ķes de GEEs.
+ Todos esperam uma defini√ß√£o dos EUA sobre as pol√≠ticas em rela√ß√£o √†s mudan√ßas clim√°ticas, mesmo sem terem ratificado o protocolo de Kyoto. Uma pol√≠tica de “cap and dividend”, ser√°?
+ H√° uma esperan√ßa de que o G-20 – que contempla o grupo dos pa√≠ses que deve ser respons√°vel por cerca de 82% das emiss√Ķes de gases do efeito estufa do mundo at√© 2015 – proponha medidas de mitiga√ß√£o dos gases do efeito estufa al√©m dos objetivos da UNFCCC. [Minha opini√£o: n√£o vai acontecer.]
+ Infelizmente, mitiga√ß√£o parece ser a ponta do trip√© mais discutido entre os delegados da UNFCCC. Adapta√ß√£o (o que faremos quando as consequ√™ncias do aquecimento global come√ßarem a ser sentidas?) e vulnerabilidade (quais as regi√Ķes mais vulner√°veis aos efeitos do aquecimento global?) s√£o os primos pobres dessa discuss√£o.

+ No Brasil, h√° grandes discuss√Ķes sobre REDD (Redu√ß√£o das Emiss√Ķes de Desmatamento e Degrada√ß√£o ambiental), ou seja, uma pol√≠tica de incentivos para redu√ß√£o de emiss√Ķes de gases do efeito estufa provenientes de desmatamento e degrada√ß√£o ambiental em pa√≠ses em desenvolvimento que fazem correta conserva√ß√£o, manejo sustent√°vel e aumento dos estoques de CO2 em florestas. [Deve-se lembrar que o Brasil est√° planejando a ado√ß√£o de uma matriz energ√©tica movida a combust√≠veis f√≥sseis (termel√©tricas), aumentando a intensidade de carbono da economia, fragilizando nossas posi√ß√Ķes na UNFCCC].

Basicamente, enquanto os delegados dos mais de 192 pa√≠ses membros da UNFCCC discutem se querem trabalhar com um plano de mitiga√ß√£o, adapta√ß√£o e vulnerabilidade com base em uma perspectiva de um aumento de 2 ou 4 graus Celsius, o Brasil insiste na pol√≠tica da responsabilidade hist√≥rica e os pa√≠ses do G-20 fingem que a crise ambiental merece menos aten√ß√£o do que a crise econ√īmica, o Planeta¬†Terra esquenta, e a fulana do Tucson dirige por a√≠ sem nenhuma responsabilidade por suas a√ß√Ķes pessoais e o aquecimento global faz suas v√≠timas.

Meio ambiente e educação 3 РO mapa dos maiores emissores de GEE

Um dos posts mais visitados do Rastro de Carbono é o que fala sobre os países que mais emitem CO2 no mundo.

Sempre √© necess√°rio lembrar que quando se fala em emiss√£o de CO2, estamos na verdade falando sobre carbono equivalente. O c√°lculo do carbono equivalente leva em considera√ß√£o os efeitos causados por cada um dos gases do efeito estufa (sim, s√£o diferentes, cada um com um potencial diferente) e permite comparar os poss√≠veis danos causados por cada um deles, como se fossem g√°s carb√īnico. Assim, por exemplo, uma √ļnica mol√©cula de metano tem um potencial 23 vezes maior do que o g√°s carb√īnico, portanto, se consideramos que o carbono equivalente do g√°s carb√īnico √© 1, o do metano √© 23.

Sabendo disso, podemos comparar as emiss√Ķes de gases do efeito estufa por pa√≠s, por cada habitante, e saber quais s√£o os pa√≠ses mais emissores. Al√©m da tabela que pode ser vista aqui, agora h√° uma ferramenta bastante interessante – um mapa! √Č importante dizer que eu n√£o chequei se os dados da tabela e do mapa s√£o iguais, mas devem dar dimens√Ķes bastante aproximadas do problema.

Mapa.png

O mapa √© bastante din√Ęmico e pode ser usado potencialmente apenas pelo site http://www.breathingearth.net/.

Quando se passa o mouse sobre cada pa√≠s, no canto inferior esquerdo do mapa aparecem dados de geografia populacional e, na √ļltima linha, a informa√ß√£o CO2 emitted per person, ou seja, carbono equivalente emitido por pessoa, por ano – em toneladas! Vale a pena visitar o site e, porque n√£o, fazer um projeto com os alunos, em parceria com as disciplinas Ci√™ncias, Geografia e Ingl√™s.

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Outro texto que pode interessar:
CO2, todo mundo emite

Resenha: Desenvolvimento sustentável: que bicho é esse?

Assim que vi a disponibilidade desse livro, pensei: preciso resenh√°-lo – os leitores do blog v√£o gostar, ainda mais o p√ļblico mais jovem, que tamb√©m √© o p√ļblico-alvo do livro. Escrevi para a Editora Autores Associados, e devorei o livro em poucas horas.
O prólogo é fantástico! Traz trechos do discurso de uma menina de 12 anos, chamada Severn Suzuki, na Eco-92.

Nesse momento pensei comigo: o livro vai arrasar! Mas, para minha surpresa, ele tomou um caminho bem inesperado, diferente das minhas expectativas. Isso definitivamente não me motivou inicialmente, mas agora, depois de alguns dias pós-leitura, estou percebendo o livro de outra maneira.
desenvolvimentosustentavel.jpgDesenvolvimento sustent√°vel: que bicho √© esse? √©, inconscientemente (ou n√£o) dividido em duas partes. A primeira, informa sobre acidentes nucleares, crescimento populacional, subdesenvolvimento, PIB versus IDH, civiliza√ß√Ķes maia e da Ilha de P√°scoa, sobre danos √† camada de oz√īnio, sobre escassez de √°gua e aquecimento global.
A segunda parte, l√° pela metade do livro, vai finalmente falar sobre desenvolvimento sustent√°vel, sobre a origem do termo, resili√™ncia, protocolo de Kyoto. Escorrega ao dar uma justificativa em com base em entropia e evolu√ß√£o darwiniana (n√£o, a extin√ß√£o da esp√©cie humana n√£o √© prevista pela termodin√Ęmica, nem por Darwin – pelo menos n√£o como diz o livro). Nas dez √ļltimas p√°ginas, indica um caminho do meio, que n√£o √© nem muito otimista, nem muito pessimista em rela√ß√£o ao desenvolvimento econ√īmico, social e ambiental (embora eu tamb√©m discorde um pouquinho sobre ser a educa√ß√£o a √ļnica salva√ß√£o para a pobreza e a exclus√£o social – mas disso eu escrevo quando estiver resenhando o livro do Yunus).
O que para mim desmotivou durante a leitura foi que o livro d√° informa√ß√Ķes e dados sobre diferentes vis√Ķes sobre o assunto, mas ele mesmo n√£o toma partido de nada, n√£o se define, n√£o defende nem ataca. Exp√Ķe a Ci√™ncia, os paradoxos existentes entre diferentes vertentes de pensamento, equilibra as informa√ß√Ķes em uma balan√ßa. E isso me incomodou porque nem sempre d√° para equilibrar as informa√ß√Ķes, porque h√° mais controv√©rsia em um lado e um pouco mais de clareza nas hip√≥teses em outro, porque os paradoxos n√£o s√£o assim t√£o mal resolvidos. H√° mais em cada ponto levantado, outras ideias, outros argumentos, outras hip√≥teses que poderiam ter sido discutidas.
Hoje, alguns dias depois da leitura, o que me fez de fato gostar do livro s√£o exatamente os pontos que me desmotivaram no primeiro momento. Por qu√™? Porque com esse tipo de abordagem fica excelente para o professor problematizar quest√Ķes, buscar o conhecimento pr√©vio dos alunos acerca do tema, motiv√°-los para o debate aberto, sem pr√©-julgamentos ou defini√ß√Ķes.
O livro, ao n√£o expor uma opini√£o, faz com que os alunos PENSEM, DISCUTAM, PROBLEMATIZEM.
Desenvolvimento sustentável: que bicho é esse? é da Editora Autores Associados e foi uma cortesia para este blog.

Bem vindos sciblings!

Parem de ajudar o Planeta, por favor!

Estou em um momento de mudan√ßa de paradigmas, de vai ou racha. Tento, desde que comecei esse blog, ter uma vis√£o positiva das a√ß√Ķes verdes que vejo por a√≠. Mesmo detestando “green washing” busco ver o que h√° de bom na propaganda, ou na a√ß√£o promovida por uma empresa. Mesmo duvidando de v√°rios produtos “ecologicamente corretos”, busco ver o que h√° de bom nisso, se h√° enriquecimento de uma cultura, pre√ßos justos, respeito aos trabalhadores, entre outras coisas.
O momento “estou em d√ļvida quanto √†s minhas tentativas de ver pontos positivos” veio por conta de tr√™s acontecimentos essa semana. Estes tr√™s acontecimentos est√£o me levando a abandonar o velho pensamento e iniciar um novo, que estou chamando atualmente de “parem de ajudar o Planeta!”. Ele precisa de uma folga de tantas inten√ß√Ķes de ajuda. Creio at√© que ele deve ficar melhor sem elas.
Atente! N√£o estou dizendo sobre TODAS as inten√ß√Ķes. S√≥ das representadas pelos tr√™s acontecimentos da semana.
Pare.jpgBy elNico on Flickr
Primeiro acontecimento: veio atrav√©s da lista de discuss√£o dos sciblings. Estarrecedor! O dito gestor ambiental da DERSA, Marcelo Arreguy Barbosa tem a cara de pau de dizer que “a natureza √© a respons√°vel pelas mortes, jamais o empreendimento”, justificando (se √© que isso √© poss√≠vel) a morte de animais (inclusive de esp√©cies amea√ßadas de extin√ß√£o), direta ou indiretamente relacionadas com a constru√ß√£o do trecho sul da obra do Rodoanel, em S√£o Paulo. [Saiba mais aqui.]
Como não? Seguindo a lógica do dito gestor ambiental, a natureza é obviamente responsável pelo derretimento das calotas polares (afinal, quem mandou a natureza subir a temperatura média global?) e também pela escassez de água para beber em algumas áreas do globo (natureza boba, chata e feia! quem mandou programar a deriva continental e a distribuição de fontes de água potável desta maneira?)
Segundo acontecimento: veio de uma conversa com a Claudia Chow e, depois, da minha leitura dos posts (aquele e esse) sobre uma certa ação, provavelmente relacionada ao programa Aprendiz Universitário. Clau Chow, aproveitando seu momento Roberto Justus, demitiu todo mundo e com razão! Se os profissionais que estão preparados para ingressar no mercado de trabalho tem, frente aos recursos apresentandos pela dita operadora, essa visão pobre e burra sobre os potenciais de projetos sustentáveis de uma empresa estamos ferrados!
Gente!!!! N√£o pode!!! Estou estarrecida de novo, e √© s√≥ ter√ßa-feira! P√°ra com isso! √Č √≥timo plantar √°rvores? Fato! Todo mundo gosta de ganhar “eco-brindes”? Fato tamb√©m! Mas at√© quando os profissionais v√£o empurrar a responsabilidade para o SOS Mata Atl√Ęntica ou para alguma empresa de brindes?! Bora fazer algo novo?!
O terceiro acontecimento: esse veio do Discutindo Ecologia e foi o mais decepcionante de todos. Juro… fiquei triste mesmo, fiquei chocada, fiquei mal o dia todo (e por isso estou escrevendo esse post). Numa a√ß√£o desajeitada e aparentemente mal planejada, o Greenpeace enfiou os p√©s pelas m√£os. A ideia – muito boa, mas de boas inten√ß√Ķes… – era chamar a aten√ß√£o dos l√≠deres mundiais reunidos no encontro do G20, para que olhassem para as pessoas e para as mudan√ßas clim√°ticas antes de tomarem suas decis√Ķes.
Pois bem… o pr√≥prio Greenpeace contrariou suas reivindica√ß√Ķes e os pr√≥prios ativistas, bem ali, no local da manifesta√ß√£o, causaram transtornos para as pessoas e para o meio ambiente. Parece pouco, mas, por conta da a√ß√£o foram produzidos centenas de quil√īmetros de congestionamentos, pessoas ficaram atrasadas, estressadas e enlouquecidas, nem sei quantificar a quantidade de gases do efeito estufa emitidos. Bela a√ß√£o para mostrar o despreparo e a falta de planejamento log√≠stico dessa institui√ß√£o que merecia mais de seus ativistas.
Por favor, Marcelo Arreguy Barbosa, aprendizes universit√°rios e Greenpeace! Se for desse jeito, pelamordedeus: Parem de ajudar o Planeta!

Pegada 22 – Quando a irrespons√°vel tem poder

Fato:
Mais de 100 animais silvestres, parte de esp√©cies amea√ßadas de extin√ß√£o, morreram desde o in√≠cio das obras do trecho sul do Rodoanel, que ocupa √°rea de Mata Atl√Ęntica.
Explicação:

Os animais receberam o tratamento adequado. A natureza √© a respons√°vel pelas mortes, jamais o empreendimento“. Gerente de gest√£o ambiental da Desenvolvimento Rodovi√°rio SA (Dersa), Marcelo Arreguy Barbosa.

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Saiba mais: Jornal da Tarde