Houve recuo. Veremos muito isso.

Voc√™s, caros leitores, acompanharam essa semana as discuss√Ķes do presidente eleito e sua equipe de transi√ß√£o sobre a jun√ß√£o de Minist√©rios. Teremos pelo menos dois superminist√©rios, j√° chancelados (at√© agora). Tivemos tamb√©m um recuo, o da jun√ß√£o dos Minist√©rios do Meio Ambiente e da Agricultura j√° chancelado (at√© agora). Deu em v√°rios jornais. Vou colocar aqui apenas um, mas voc√™s podem buscar outras fontes.

Para mim, um dos problemas de superminist√©rios √© que perde-se a possibilidade do di√°logo entre partes com objetivos diferentes dentro de pautas comuns. Mas, claramente estamos lidando com super her√≥is super capacitados que n√£o erram e que n√£o precisam de segundas opini√Ķes. (Talvez, √© claro, do barbeiro, mas todos precisam da opini√£o do barbeiro, da cabeleireira, da esteticista – afinal, essas pessoas talvez sejam as que melhor representam a voz do povo).

Enganam-se os que pensam que foram as press√Ķes dos ambientalistas que mudaram o rumo dessa hist√≥ria. Foram as press√Ķes dos ruralistas e as opini√Ķes dos Ministros da Agricultura, atuais e passados, sobre essa uni√£o. Aguardo ansiosa uma redistribui√ß√£o de atribui√ß√Ķes do Minist√©rio do Meio Ambiente. A ver (ainda √© novembro, ainda temos ch√£o).

Salvam-se, por enquanto, as atribui√ß√Ķes do Minist√©rio da Agricultura. Apoiemos esse Minist√©rio, ele n√£o √© uma institui√ß√£o que devemos massacrar. Nenhuma √©, mas n√£o √© o que estamos vendo h√° anos. As institui√ß√Ķes, uma a uma, caem como domin√≥s e precisamos estar atentos e parar com isso. As institui√ß√Ķes s√£o s√≥lidas, feitas e conduzidas por pessoas capacitadas e, eventualmente, uma ou outra pessoa incapacitada. Vamos substituir as incapacitadas, vamos manter as intitui√ß√Ķes. Combinado? Precisaremos delas mais do que nunca!

Recuos s√£o vistos a todos os momentos. Felizmente, recuos s√£o¬† mudan√ßas de opini√£o, em geral, bastante saud√°veis. Eis que voc√™ lan√ßa uma carta na mesa, e amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho, barbeiros ou n√£o, olham e dizem pra voc√™, naquela camaradagem que √© esperada de quem te conhece desde crian√ßinha e sabe do seu verdadeiro eu: “√Č uma cilada, Bino!’. E √© o suficiente para que se mude de ideia. Sejamos o barbeiro, sim?

Vam¬ībora! Sempre atentos.

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Sobre fusão dos Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente

E eis que esta blogueira de araque, em 19 de mar√ßo, publicou um post sobre o que ocorreria caso o¬† Minist√©rio da Agricultura e o Minist√©rio do Meio Ambiente se tornassem um Superminist√©rio (19 de mar√ßo, n√£o vai dar pra sair por a√≠ dizendo que “n√£o sabia que isso ia acontecer”, hein?).
Hoje, vários comentários apareceram por aqui (por que será?). E eu me senti até meio mal por ter não tratado do assunto de melhor forma. Enfim, fica aqui meu pedido de desculpas e um texto um pouco mais elaborado sobre o assunto.

Pense numa situa√ß√£o: est√° voc√™ trabalhando em uma empresa, p√ļblica ou privada, tanto faz, desempenhando seu trabalho, o qual lhe foi atribu√≠do no momento da sua contrata√ß√£o. Algo acontece e diversas pessoas que trabalhavam com voc√™ saem da empresa (sei l√°, foram demitidas ou ganharam naquele jogo da mega que voc√™ n√£o participou). A empresa, p√ļblica ou privada, precisa continuar a funcionar e, ela, p√ļblica ou privada, vai demorar um tempo para restabelecer o quadro de funcion√°rios. Voc√™, pobre mortal, vai ter que trabalhar por voc√™ e por eles. Eles s√£o muitos, Voc√™ √© s√≥ um. Fa√ßa as contas e me conte o que iria acontecer com todas as suas demandas (antigas e novas). Abrirei dois par√™nteses.

(antes, um parênteses extra Рhá um tempo eu vi uma charge em que uma pessoa fazia um esforço sobrehumano para carregar uma pedra sozinho Рe, obviamente, estava a ponto de falhar na tarefa. ao mesmo tempo, um gestor olhava a cena e pensava em como ele estava economizando e como ter demitido algumas pessoas tinha sido uma boa ideia Рse você souber do que eu estou falando, me indique onde achar essa dita que quero colocá-la aqui)

(1¬ļ par√™nteses)
O que faz o Ministério da Agricultura?
Talvez o mais √≥bvio seja pensar que o Minist√©rio da Agricultura trabalhe no sentido de promover a agropecu√°ria de maneira geral. Promover, obviamente, estimulando o crescimento do setor, aumentando a produtividade, enfim. Todas a√ß√Ķes relacionadas com o aumento da produ√ß√£o agr√≠cola e pecu√°ria do Brasil e, como consequ√™ncia, aumento de lucros para o pa√≠s. O Brasil √© um dos maiores produtores de alimentos do mundo e √© l√≠der na exporta√ß√£o de soja, a√ß√ļcar, suco de laranja e caf√©. Todos esses produtos s√£o commodities e valem muitas doletas. Commodities s√£o produtos de origem prim√°ria, ou seja, s√£o mat√©ria-prima produzida em grande escala. Sua vantagem √© poderem ser armazenados por um per√≠odo sem perda de qualidade. Como uma consequ√™ncia de oferta e demanda, o pre√ßo desses produtos √© determinado pelo mercado mundial e, portanto, pode-se “controlar” sua venda para garantir mais lucros. Isso √© verdade. Entretanto, cabe a esse minist√©rio muito mais do que isso.
Sabe todo o processo que envolve a sa√≠da do produto do campo at√© chegar a voc√™? √Č responsabilidade do Minist√©rio da Agricultura. A garantia de que todos os cidad√£os estar√£o abastecidos com produtos de origem agr√≠cola e pecu√°ria e que esses produtos chegar√£o com qualidade, visto que a vigil√Ęncia sanit√°ria foi feita de maneira adequada? Tamb√©m responsabilidade do Minist√©rio da Agricultura.
A distribui√ß√£o dos produtos do agroneg√≥cio, o processamento industrial, armazenagem, promo√ß√£o de pr√°ticas sustent√°veis, gerenciamento de agrot√≥xicos e pesticidas, garantia de qualidade para aumento de competitividade internacional, destina√ß√£o de excedentes de produ√ß√£o reduzindo perdas, seguran√ßa alimentar… ufa. Tudo Minist√©rio da Agricultura. Ah! J√° ouviu falar da Embrapa? E dos Ceasas? Casemg? Ceagesp? Tudo vinculado a esse Minist√©rio tamb√©m. Os caras fazem coisas pra caramba. FIM.

(2¬ļ par√™nteses)
O que faz o Ministério do Meio Ambiente?
Talvez o mais √≥bvio seja pensar que o Minist√©rio do Meio Ambiente cuida da preserva√ß√£o e da conserva√ß√£o de √°reas naturais e dos seres vivos que habitam essas √°reas. E tamb√©m parece √≥bvio que esse Minist√©rio tenha interesses em promover o aumento do conhecimento sobre seres vivos e ecossistemas, recuperar √°reas degradadas, promover o uso sustent√°vel dessas √°reas e garantir √°reas de prote√ß√£o ambiental. Entretanto, esse minist√©rio faz bem mais do que isso. Todo o gerenciamento dos recursos h√≠dricos brasileiros √© de compet√™ncia do Minist√©rio do Meio Ambiente. Isso significa, tamb√©m, que h√° v√°rios interesses desse minist√©rio que se sobrep√Ķe ao de Minas e Energia (hidrel√©tricas, n√©?). A ind√ļstria qu√≠mica tamb√©m √© regulada pelo Minist√©rio do Meio Ambiente. Gest√£o do patrim√īnio gen√©tico? Tamb√©m. Ah! E os setores relacionados √† minera√ß√£o tamb√©m, afinal, trata-se da explora√ß√£o de um recurso natural e tudo o que √© recurso natural √© de responsabilidade desse Minist√©rio. Ibama? ICMBio? ANA? Combate √† desertifica√ß√£o? Trabalham! Mudan√ßas do clima? Tamb√©m! Licenciamentos ambientais, autoriza√ß√£o e fiscaliza√ß√£o de transfer√™ncia de petr√≥leo entre embarca√ß√Ķes? Controle e gest√£o de res√≠duos (inclusive de pilhas e baterias)? Sim, sim, caro leitor. Tudo relacionado a esse Minist√©rio tamb√©m. Os caras fazem coisas pra caramba. FIM.

Bom, at√© aqui acho que j√° deu pra entender porque contei a hist√≥ria do funcion√°rio que se viu tendo que executar mais do que suas pr√≥prias atribui√ß√Ķes. E tamb√©m j√° d√° pra ter uma ideia do porqu√™ esse assunto √© bastante pol√™mico e deixa ruralistas e ambientalistas em alerta. Esses dois minist√©rios t√™m, obviamente, interesses em comum que podem ser em alguns momentos conflitantes (pense, por exemplo, na disputa de uma √°rea de preserva√ß√£o ambiental versus a libera√ß√£o dessa √°rea para explora√ß√£o e/ou produ√ß√£o agropecu√°ria). Eu ainda bato na tecla de que, nesse caso, o empate t√©cnico √© saud√°vel para os dois interesses. A quest√£o √© que h√° muito mais do que interesses em comum. H√° muitas fun√ß√Ķes que podem ficar em segundo plano no caso de uma fus√£o. Muitas tarefas v√£o obviamente ficar desatendidas e, nenhuma delas, a meu ver, √© menos importante. Se a ideia √© reduzir custos, reduzir funcion√°rios, extinguir institui√ß√Ķes o trabalho vai, obviamente, sobrecarregar algu√©m. N√£o acho, enfim, que √© simples, nem que √© apenas perder status. Os dois minist√©rios atuais perder√£o demais com essa fus√£o. Perdem eles, perdemos muito mais n√≥s.

Blogtweet de 22 de março

2018 e ainda tem gente que joga lixo pela janela dos automóveis.

O que aconteceria se os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente se fundissem?

Sabe que tem gente que n√£o merece ser mencionada, n√©? Porque colocar o nome das pessoas/empresas/institui√ß√Ķes por a√≠ √©, de certa forma, fazer propaganda. E t√™m pessoas/empresas/institui√ß√Ķes que merecem cair no esquecimento. Simples assim.

Mas… a gente n√£o pode fazer de conta que n√£o v√™ certos improp√©rios. Enfim.

Quem fez universidade, quem tem uma fam√≠lia, quem tem um relacionamento, quem tem um emprego, quem tem amigos (um, que seja!) sabe que equil√≠brio √© fundamental. √Č fundamental que uma balan√ßa tenha dois lados, se n√£o, fica parcial. Se n√£o, n√£o se mede nada.

O que aconteceria se dois lados opostos de uma balan√ßa se fundissem? O que aconteceria com os projetos de preserva√ß√£o do meio ambiente, conserva√ß√£o de esp√©cies amea√ßadas de extin√ß√£o, reestrutura√ß√£o de √°reas degradadas, reflorestamentos, manejo de vida aqu√°tica,¬†gerenciamentos¬†de sistemas¬†de √°gua, gerenciamentos de res√≠duos s√≥lidos de todas as naturezas, entre outros se fundissem com interesses comerciais de explora√ß√£o de recursos da terra e da √°gua para produ√ß√£o agr√≠cola e pecu√°ria? Com interesses econ√īmicos apenas?

Veja, não há vencedores e isso não é uma partida de futebol. Não é interessante discutir se isso ou aquilo é mais importante/relevante SE não existir uma situação de equilíbrio. Porque, me parece óbvio que para um lado, é sempre melhor e mais interessante e mais relevante ter mais áreas de preservação, mais corredores ecológicos, mais reflorestamento, mais espécies saindo da lista das ameaçadas de extinção. Para outro, é óbvio que é sempre melhor ter mais áreas de pasto, mais áreas de cultivos agrícolas, mas áreas de exploração de recursos naturais para viabilizar projetos que vão trazer lucros para o país. O que significa que, o melhor dos dois mundos seria manter aquele empate técnico saudável.

Enfim… parece uma discuss√£o de pa√≠s de terceiro mundo que ainda n√£o conseguiu passar da fase prim√°ria da economia (ow, wait!). Quando ainda estivermos na discuss√£o do agro √© pop fica dif√≠cil ultrapassar a barreira da economia prim√°ria. Da explora√ß√£o de recursos. Da extra√ß√£o pura e simples de mat√©ria-prima (mesmo que isso signifique commodities). Quando eu era crian√ßa e queria ser cientista, eu achava (achava mesmo, de verdade) que em alguns anos, talvez quando eu estivesse com a idade que eu estou agora, o Brasil estaria na fase de exportar tecnologia, sabe? Porque temos potencial. Porque temos c√©rebros para isso. E temos dinheiro! Mas… estava completamente equivocada. Tipo… os Jetsons ainda n√£o chegaram!

Acontece que a briga tem aliados fortes e sem escr√ļpulos. A bancada ruralista defende, por exemplo, o fim dos licenciamentos ambientais. Outros loucos sugerem a fus√£o dos dois pratos da balan√ßa (Agricultura e Meio Ambiente). Os licenciamentos ambientais, talvez n√£o sejam conhecidos de todos, ent√£o explico – meio superficialmente porque, na realidade √© um trabalho extremamente complexo: os licenciamentos ambientais significaram, desde a sua implementa√ß√£o com a Lei de Pol√≠tica Nacional do Meio Ambiente em 1981 um super avan√ßo na legisla√ß√£o brasileira em rela√ß√£o ao meio ambiente. Antes dela, n√£o havia nenhum impedimento, nenhuma fiscaliza√ß√£o, nenhuma regulamenta√ß√£o sobre a constru√ß√£o de obras de qualquer natureza – n√£o se sabia que tipo de preju√≠zos o meio ambiente poderia sofrer, no local da obra ou em suas imedia√ß√Ķes. N√£o se sabia porque n√£o se estudava nem o ambiente antes da constru√ß√£o, nem o ambiente depois da constru√ß√£o. N√£o t√≠nhamos ideia se, por exemplo, uma ferrovia ia matar um corredor ecol√≥gico importante para migra√ß√£o de certa esp√©cie ou se o barulho das m√°quinas ia impedir certas esp√©cies de se acasalar, por exemplo. N√£o sab√≠amos se um lago ou rio ia tornar-se completamente inadequado ou se ia deixar de existir caso constru√≠ssemos uma barragem para um reservat√≥rio de usina hidrel√©trica. N√£o sab√≠amos N-A-D-A.

Tamb√©m n√£o sab√≠amos que tipos de preju√≠zos uma fazenda poderia trazer para um rio que passasse na propriedade se grandes quantidades de √°gua fossem retiradas para irrigar as planta√ß√Ķes. Como n√£o havia regulamenta√ß√£o nenhuma, cada um explorava os recursos naturais pertencentes ao pa√≠s como bem entendesse (sim, um rio que passa em uma propriedade rural √© do pa√≠s, assim como um len√ßol de √°gua subterr√Ęneo). Ningu√©m √© dono de um rio, apesar de achar que √©. Enfim… interessa muito (para pouca gente) que o Minist√©rio do Meio Ambiente seja controlado pelo Minist√©rio da Agricultura.

Lembre-se: isso não é um jogo de futebol. Não há vencedores. Sem equilíbrio não resta muita coisa. Nem Agricultura. Nem Jetsons, infelizmente.

P.S. Obrigada Clau! Obrigada Takata! Obrigada Eloi!jetsons

 

 

 

 

5 anos

5 anos de reclus√£o. 5 anos de f√©rias. 5 anos vendo muitas coisas acontecerem, inclusive a¬†decad√™ncia dos blogs como forma de dispers√£o de conte√ļdo. 5 anos pensando que, talvez, n√£o tivesse mais muita coisa¬†como que contribuir. 5 anos achando que n√£o havia tempo. 5 anos sab√°ticos.

Os tempos sab√°ticos devem ser dedicados a projetos de vida particulares. Usei bem esses anos. Foram muitos projetos de vida particulares. Alguns n√£o foram assim t√£√£√£√£√£√£o particulares. Envolveram muito trabalho, envolveram muito amor e desenvolvimento pessoal, com certeza. Mas, h√° momentos em que voltar umas casas se torna necess√°rio. A era √© de transforma√ß√Ķes intensas. A era √© de n√£o calar. A era √© de pensar e atuar, com as ferramentas que a gente tem, usando uma linguagem universal, que sempre foi protegida por todas as pessoas conscientes: a linguagem da Ci√™ncia. Em diversos tempos de guerra, a Ci√™ncia foi protegida, os cientistas, respeitados. Como cientistas, independente de sua nacionalidade. A Ci√™ncia estava, enfim, acima dos interesses pol√≠ticos.

Mas, porquê? O que te fez voltar? Você vai continuar falando de rastros de carbono? De IPCC? Mudanças climáticas?

Talvez não. Talvez sim Talvez esse espaço mereça um outro olhar, um novo olhar editorial. Talvez a Ciência seja, atualmente, a linguagem que precisa ser resgatada. Resgatada, preservada, dispersada. Provavelmente por um tempo esse espaço será como um diário filosófico. Ideias jogadas às nuvens (e esperemos que lá não haja traças!). Caminhemos.

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Falimos como sociedade?

Cena 1

17:30. Onibus lotado. A chuva faz as pessoas que est√£o sentadas fecharem as janelas. Calor, calor, calor, misturados com a umidade de fora. O motorista para em um ponto, duas pessoas descem, vinte e cinco sobem. Assim que as duas pessoas descem, o motorista fecha as portas de descida. Eu, na minha inoc√™ncia mais do que infantil, xingo a m√£e do motorista tr√™s vezes. Porra, velho! N√£o podia deixar a porta aberta pra dar uma ventilada? Sa√≠mos do ponto. No ponto seguinte, parece que Deus ouviu as minhas preces e o motorista deixa as portar traseiras aberta. Cinco pessoas sobem no √īnibus sem pagar. Os erros? √Ēnibus lotado, caro e sem qualidade. Pessoas que se aproveitam de seus pequenos poderes e ligam de fato o foda-se para o mundo e fazem o que querem. N√£o h√° leis. N√£o h√° regras. Nada √© respeitado.

Cena 2

Pessoas precisam de aten√ß√£o, carinho, ajuda. H√° milhares de maneiras de satisfazer as necessidades de aten√ß√£o, mas cada pessoa √© √ļnica e suas vontades para satisfazer seus desejos mais b√°sicos √© vari√°vel. Algumas buscam palavras. F√©. Escolhem um mestre para que sejam guiadas, para que acreditem que √© poss√≠vel ter esperan√ßa, ter uma vida melhor, ter salva√ß√£o. Um mestre e guia com m√° √≠ndole traz mentiras f√°ceis, verdades d√ļbias. Traz √≥dio. √ďdio contra o que √© diferente dele. √ďdio contra o que ele, o pr√≥prio guia teme. At√© onde quem busca palavras √© manipulado pelas palavras que ouve? Quem deve dar ao cidad√£o a capacidade de ser cr√≠tico e avaliar, duvidar at√©, do mestre que escolheu? Mudar de mestre? Mudar de f√©? Deixar de ter esperan√ßa?

Cena 3

Estou cercada de pessoas que tiveram oportunidades de estudar. Algumas tomam Herbalife. Algumas tomam rem√©dios para hipotireoidismo. M√°rcio Atalla, na CBN, traz o dado de que rem√©dios para hipotireoidismo est√£o sendo vendidos a rodo. Por que? Porque se algu√©m toma rem√©dios para hipotireoidismo sem ter a doen√ßa aumenta seu metabolismo. Resultado imediato? Perda de peso. E a sa√ļde? Quem?

falencias

Eu só acredito vendo!

Brincadeira!

Parabéns, Higgs!

ScienceBlogs na Rio+20

O ScienceBlogs como um todo est√° ajudando a divulgar uma pesquisa que foi lan√ßada pelo governo brasileiro, com o suporte do Programa de Desenvolvimento das Na√ß√Ķes Unidas chamada Di√°logos da Rio+20.

Para a confer√™ncia que ocorrer√° logo mais no Brasil, as Na√ß√Ķes Unidas e o governo brasileiro buscaram indica√ß√Ķes de pol√≠ticas p√ļblicas junto √† 10000 atores, especialistas, cientistas de v√°rias √°reas e com v√°rias experi√™ncias de vida e profissionais e chegaram a uma lista com 100 recomenda√ß√Ķes relevantes que poderiam ser discutidas na confer√™ncia. Essa lista de 100 recomenda√ß√Ķes pode ser votada por todas as pessoas com acesso √† internet, atrav√©s de um site, lan√ßado pelo secret√°rio geral das na√ß√Ķes unidas, Ban Ki-moon.

O site vote.riodialogues.org √© uma plataforma onde podemos votar sobre quais dessas 100 indica√ß√Ķes consideramos mais relevantes. Os votos ser√£o recolhidos at√© o dia 14 de junho, ou seja, at√© amanh√£. A promessa √© de que a opini√£o das pessoas poder√£o ajudar na sele√ß√£o de 10 temas ou pilares que nortear√£o as discuss√Ķes que ocorrer√£o entre 130 chefes de estado que estar√£o presentes na Rio+20.

Entre os temas podemos encontrar Cidades Sustent√°veis, Inova√ß√Ķes para o desenvolvimento da sustentabilidade,¬† Luta contra a pobreza, Alimenta√ß√£o e nutri√ß√£o, entre outras. D√™ a sua opini√£o e participe!

 

Olha o carbono fresquinho! Um real a d√ļzia! Quem vai querer? (hein?)

Foi-se o tempo em que as rela√ß√Ķes comerciais se baseavam em trocas de mercadorias simples como alimentos, roupas, mat√©rias-primas por dinheiro ou por outro produto. Chegamos ao tempo da compra e venda de gases do efeito estufa! √Č, meu amigo… de gases!

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Vitral no mercado municipal de S√£o Paulo.

N√£o, n√£o, n√£o… n√£o pense voc√™, pobre mortal, que poder√° sair por a√≠ vendendo e comprando os gases do efeito estufa que suas a√ß√Ķes pessoais deixaram de emitir. Isso √© para os grandes. Isso √© para TONELADAS de carbono equivalente. Mas tamb√©m n√£o pense que voc√™ n√£o √© um “player” (como gostam de dizer por a√≠) nesse jogo de especula√ß√Ķes.


Como funciona?

Funciona assim: uma empresa que quer entrar para os “neg√≥cios do carbono” entra em contato com uma outra empresa especializada em fazer invent√°rios das emiss√Ķes de gases do efeito estufa. A partir desses invent√°rios, obviamente baseados numas poucas metodologias de c√°lculos de emiss√Ķes existentes, normatizadas e aprovadas (GHG Protocol, ISO 14064), √© tra√ßado um plano para redu√ß√£o de emiss√Ķes. Uma auditoria √© realizada para checar se a redu√ß√£o foi mesmo realizada e a√≠, essas toneladas de carbono que deixaram de ser emitadas podem ser VENDIDAS (!!!!) para outra empresa que n√£o conseguiu reduzir emiss√Ķes, de modo a “neutraliz√°-las” [opini√Ķes aqui e aqui]. Isso vale e interessa principalmente para as empresas situadas naqueles pa√≠ses chamados pela UNFCCC de pa√≠ses do anexo I que t√™m metas de redu√ß√£o de emiss√Ķes (previstas pelo Protocolo de Kyoto).

O Brasil n√£o tem metas de redu√ß√£o estabelecidos pelo Protocolo de Kyoto porque n√£o √© do grupo dos pa√≠ses do anexo I. Entretanto, √© o pa√≠s que ocupa o quinto lugar no ranking dos pa√≠ses mais emissores de gases do efeito estufa do planeta – principalmente derivados de desmatamento. Essa coloca√ß√£o entre os TOP 5 nos permite sonhar com redu√ß√Ķes de emiss√£o – e tamb√©m nos permite sonhar com um lugar no ranking bem melhor do que esse. E, porque vamos reduzir, por que n√£o almejar VENDER esse “extra” pra quem n√£o consegue fazer suas pr√≥prias redu√ß√Ķes?

Vender e comprar carbono. Como faz?

Exitem dois mercados especializados na comercialização de carbono. Um deles, chamado mercado regulado, é organizado por entidades com poder legislativo. Por esse mercado, passou, por exemplo, a transação comercial que envolveu a venda de carbono equivalente do aterro sanitário Bandeirantes, em Perus, São Paulo. Outro mercado é o chamado mercado voluntário, que é auto-regulado e tem como um dos principais representantes da atualidade o CCX, de Chicago.

E o Brasil?

O Brasil nesse contexto é:

1. Um país potencialmente redutor de gases do efeito estufa.

2. Um pa√≠s que quer e pode LUCRAR com suas redu√ß√Ķes de gases do efeito estufa e, mesmo n√£o tendo metas de redu√ß√£o estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto tem muito a ganhar ($$$$$) fazendo isso.

3. Um pa√≠s que n√£o tem (ainda) um mercado volunt√°rio pr√≥prio e tem que se submeter √† normas de mercados internacionais (como as do CCX). 

Ent√£o… j√° que temos o queijo na m√£o, falta a faca. Certo? Errado. Faltava.

FIESP e ABNT entram no jogo para ganhar

Ontem, na FIESP, estavam reunidos interessados em iniciar uma comiss√£o que ter√° a tarefa de “estabelecer as diretrizes orientativas do mercado  volunt√°rio interno de carbono, n√£o necessariamente codificadas pelo Protocolo de Kyoto”, ou seja, uma comiss√£o que, junto com a ABNT, dever√° elaborar uma norma para o mercado volunt√°rio de carbono brasileiro.

Essa norma deve prever APENAS regulamenta√ß√Ķes para que possa ser poss√≠vel comercializar carbono equivalente dentro do pa√≠s e dever√° responder algumas perguntas como “Quem registra uma transa√ß√£o?”, “Quem tem a cust√≥dia?”, “Qual ser√° a mec√Ęnica da transa√ß√£o?”, “Onde se far√° a compra e a venda?”, etc, etc, etc – tudo relativo a MERCADO. Portanto, se alguma empresa resolver negociar “carbonos frios” esse problema ser√° √ļnica e exclusivamente das empresas compradora e vendedora, n√£o sendo do escopo dessa norma gerir maus usos do MERCADO. 

Dessa forma, os respons√°veis pela transmiss√£o da credibilidade e da qualidade do produto que est√° sendo vendido (gases…) n√£o s√£o os respons√°veis pelas normas de mercado. Por isso eu digo sempre: se algu√©m quer mudar a forma com que estamos manejando o nosso planeta, esse algu√©m somos n√≥s, consumidores atentos e absolutamente fortes para mudar nossos h√°bitos de consumo e os investidores, que querem nos convencer de comprar os produtos deles, ent√£o, v√£o fazer das tripas um cora√ß√£o para se adequar as nossas exig√™ncias.

A comiss√£o para elabora√ß√£o da norma foi formada ontem, em reuni√£o que presenciei e √≥bvio, me voluntariei, e, muito em breve, dever√° iniciar os trabalhos para a confec√ß√£o da norma propriamente dita. √Č bom ficar de olho nisso pois a aprova√ß√£o p√ļblica de uma norma √© item obrigat√≥rio para que ela seja homologada. N√£o s√≥ isso, normas como essa s√£o subs√≠dios para legisla√ß√Ķes e para certifica√ß√Ķes futuras. √Č bom ficar atento agora, porque ser√° quase imposs√≠vel correr atr√°s de algum preju√≠zo depois.

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Saiba mais:

FIESP

Estad√£o

Agenda: Workshop “Economia do clima”

Acontece dia 17/03/2010, das 9:30 ao 12:15hs, no Instituto de Estudos Avan√ßados/USP, o Workshop “Economia do clima” (n√£o se espante se n√£o encontrar nada no site).
Eu iria, se n√£o fosse no meio da semana, no meio do hor√°rio comercial, ver, principalmente, como √© que os especialistas da Faculdade de Economia, Administra√ß√£o e Contablidade (FEA/USP), pretendem “precificar o clima” ou “precificar danos clim√°ticos” ou ainda “precificar a√ß√Ķes de adapta√ß√£o/mitiga√ß√£o”.
+ Ser√° por grau Celsius acumulado/ano?
+ Ser√° por hectare devastado? Ou por planta√ß√Ķes dizimadas?
+ Ser√° por milh√Ķes de migrantes/ano? D√≥lares investidos em a√ß√Ķes de sustentablidade/ano?
Fiquei curiosa.
Entre os especialistas, Jos√© Goldemberg (IEE/USP) falar√° sobre os “Desafios e oportunidades para pesquisa em mudan√ßas do clima no Brasil”, Eduardo Haddad (FEA/USP) falar√° sobre “Economia das mudan√ßas clim√°ticas no Brasil” e Carlos Roberto Azzoni (FEA/USP) sobre “A FEA e a economia do clima”. Al√©m deles, presen√ßas confirmadas de Jos√© Marengo (INPE e INCT-MCT), Vera Lucia Imperatriz Fonseca (IEA), Paulo Artaxo (IF-USP) e Jacques Marcovitch (FEA e IRI/USP).
OBJETIVO DO ENCONTRO:
+ fortalecer a estrutura da sub-rede “Economia das Mudan√ßas Clim√°ticas”, coordenada pela FEA-USP, por meio da integra√ß√£o de pesquisadores e seus resultados, da discuss√£o de oportunidade de pesquisas e do encaminhamento para pesquisas e a√ß√Ķes futuras.
LOCAL:
+ O IEA fica na Rua da Reitoria (antiga Travessa J) 374, Cidade Universit√°ria, S√£o Paulo, SP
INSCRI√á√ēES:
Os interessados devem se inscrever em www.iea.usp.br/inscricao/form1.html.
P√öBLICO ALVO:
Estudantes de pós-graduação
TRANSMISSÃO:
Ao vivo pela web em www.iea.usp.br/aovivo.
[Vou tentar essa daqui!]
PROGRAMA COMPLETO:
9h30-10h РRecepção
10h-10h10 – Abertura
Carlos Roberto Azzoni (diretor da FEA-USP)
César Ades (diretor do IEA-USP)
10h10-10h30 РDesafios e Oportunidades para a Pesquisa em Mudanças do Clima no Brasil
Jose Goldemberg (IEE)
10h30-11h РO INCT para Mudanças Climáticas
José Marengo (INPE e INCT-MCT)
11h-11h15 РEconomia das Mudanças Climáticas no Brasil
Eduardo Haddad (FEA-USP)
11h15-11h25 – Projeto FAPESP Impactos Socioecon√īmicos de Mudan√ßas Clim√°ticas no Brasil
Ricardo Abramovay (FEA-USP)
11h25-11h35 – A FEA e a Economia do Clima
Carlos Roberto Azzoni (FEA-USP)
11h35-11h45 РO IEA e os Estudos de Serviços de Ecossistemas
Vera Lucia Imperatriz Fonseca (IEA)
11h45-11h55 РMonitoramento da Concentração dos Gases de Efeito Estufa na Atmosfera
Paulo Artaxo (IF-USP)
11h55-12h15 – Pol√≠ticas P√ļblicas sobre Mudan√ßa do Clima e Rela√ß√Ķes Internacionais
Jacques Marcovitch (FEA e IRI-USP)