Formas e formas de divulgar ciência

Educar pessoas quanto às mudanças climáticas e o aquecimento global é muito difícil. Uma porque as pessoas têm uma carga de pré-conceitos que foram aprendidos por aí pela vida. Outra porque entender que você é um agente que pode fazer a diferença implica em mudar hábitos que estão tão fortemente presos e que muitas vezes dependem de um investimento de tempo e dinheiro.
Fato é que existe um problema, que já foi descrito e esmiuçado por cientistas e especialistas do IPCC, e depois entendido e abordado por especialistas políticos e economistas nas reuniões da ONU, principalmente na última convenção do clima, a COP-13. O problema é grande ou não reuniria tanta gente em torno da discussão. Mas grande também devem ser o sentimento de ações pessoais bem praticadas. Trocar uma lâmpada incandescente por uma fluorescente é uma mudança grande na sua vida, embora seja relativamente barata. Deixar o carro em casa um dia da semana e usar transporte público é uma mudança ainda maior. Deixar de consumir carne todos os dias é outra maior ainda. Todas as mudanças de hábitos tem valores imensos, mas são muitas vezes desvalorizadas pela mídia e, pasmem, pelas ONGs.
O leitor ativo do meu blog deve estar se perguntando: “Mas por que falar deste assunto agora?”
Estava fazendo a peregrinação diária pelos blogs que assino quando vejo uma postagem intrigante no Bafana Ciência, com link direto para o post em questão aqui. Como alguns leitores podem perceber, já deixei lá minhas broncas, nos comentários. Recomendo a visita.
Dos cinco vídeos postados, somente um me fez refletir sobre o problema, me fez me sentir confiante para atuar como agente ativo na mudança de hábitos e não me desesperar ou me sentir culpada. Dos três vídeos do Greenpace, três me fizeram sentir culpada e impotente diante do problema. O outro, não consegui identificar a fonte, mas também não me fez me sentir melhor. Aposto que meus leitores vão conseguir identificar no ato o vídeo que eu gostei. Deixo aqui claro que não estou de forma alguma culpando o Bafana pelos vídeos, e sim os produtores dos tais.
Já é dificílimo divulgar ciência nesta área. E é dificílimo mudar hábitos dos quais estamos acostumados e com os quais vivemos bem há anos. E mais difícil ainda é acreditar em aquecimento global quando a temperatura lá fora, no verão, não passa de 18ºC (e lembrar que algumas semanas atrás estava 34ºC). Algumas ONGs poderiam deixar de prestar tamanho des-serviço e começar a agir como agente promotor de discussão, de agente modificador de opinião, provocando atitude e não culpa.
Tenho dito. (Desabafei…)

Cresce desmatamento na Amazônia

O governo brasileiro me decepciona de muitas maneiras. Fato é que, entra presidente, sai presidente, a situação é sempre a mesma: Falta Planejamento. Falta planejamento estratégico para conter o desmatamento da Amazônia, falta planejamento para o crescimento das indústrias, falta planejamento para suprir a necessidade de energia elétrica e de biocombustíveis. As coisas sempre caminham, como diria a minha vó, “no vai da valsa”.
Desde o meio do ano passado centenas de órgãos ambientalistas provocam o governo, alertando sobre o aumento dos desmatamentos na Amazônia. O governo brasileiro, por sua vez, muito animado com os últimos dados do Inpe sobre a queda do desmatamento da Amazônia por três anos consecutivos, negou o fato e voltou a afirmar categoricamente que o desmatamento estava contido. Em Bali, o governo não só negou o alerta dos ambientalistas, como também propôs um fundo voluntário contra o desmatamento. Paradoxal? De duas uma: ou só o governo não sabia do aumento, ou queria manter tudo embaixo dos panos para se sentir por cima no cenário internacional.
Aí, de repente, o governo acordou. E propôs reuniões de “emergência” para definir o que fazer neste momento de crise (que, repito, se estende desde o meio do ano passado). É claro, pelo menos pra mim, que nada vai acontecer. O preço da soja e do gado aumentou. Os subsidios e investimentos para produtores rurais na região do MT e PA só aumentaram. Nenhuma providência foi tomada. O IBAMA foi desmembrado. Não há fiscais suficientes para cobrir uma área tão grande quanto a Amazônia Legal. E, como se não bastasse tragédia suficiente, os ministérios do nosso governo não se entendem e o presidente não toma uma decisão firme e final. Explico.
O nosso governo se omite e subestima o problema do desmatamento. Continua defendendo – e com razão – que não se planta cana-de-açúcar na Amazônia, para segurar os investidores do etanol brasileiro. Porém, os Ministérios da Casa Civil e da Agricultura são subsidiários, por meio de diversos tipos de empréstimos a produtores rurais, do desmatamento da Amazônia Legal. Há 4 anos o preço da carne bovina e da soja mantinha-se em baixos patamares. Os produtores começaram a pedir empréstimos, o governo deu, e agora, o preço destes produtos aumentou. Não há como o Ministério do Meio Ambiente correr atrás do prejuízo neste momento. Para mim, pouco ou quase nada do que o governo apresentou como solução para conter o desmatamento vai funcionar.
Multas para os produtores? Embargo das plantações e das fazendas? Criação de unidades de conservação? Bloqueio de financiamentos? Isso tudo já existe e é o IBAMA (aquele que foi desmembrado) quem deve fiscalizar. Considerando que os funcionários do IBAMA mal tem carros para fiscalizar a área onde trabalham, não é de se esperar que eles nunca mais voltem pra checar se o embargo foi feito ou se as multas foram pagas.
Será que vamos conseguir manter esta previsão?

Saiba mais:
Cresce o desmatamento na Amazônia – Agência CT
Imprecisão marca controle do desmatamento no Brasil – Carbono Brasil

5 novas usinas eólicas em Pernambuco

Os municípios de Gravatá, Pombos e Macaparana verão, a partir de fevereiro, o início das construções de 5 turbinas de energia eólica. Cada turbina terá 80 metros de altura, com pás de 41 metros de comprimento.
Serão investidos R$110 milhões, sendo um sexto deste valor de recursos próprios da empresa Eólica Tecnologia Ltda., cujo diretor-presidente Everaldo Alencar Feitosa é também professor na Universidade Federal de Pernambuco. A outra parte será financiada pelo Banco do Nordeste.
Espera-se que as obras estejam concluídas em dezembro deste ano, com capacidade total de geração de energia de 22 megawatts, suficiente para abastecer cerca de 150 mil habitantes, com consumo médio de 150 kilowatts-hora/mês. A compra da energia gerada já foi garantida pela Eletrobrás.
“É uma energia com preços competitivos e ecologicamente correta”, disse Feitosa. O custo da energia gerada por usinas eólicas é equivalente a um terço do das termelétricas a óleo combustível que temos no país.
A capacidade brasileira
Estudos preliminares já mostravam que o potencial de geração de energia eólica no Brasil é grande. Só no Nordeste, com estudos prévios de Feitosa, a capacidade é de 6000MW. O Brasil domina a tecnologia e fabrica os equipamentos necessários para a construção das turbinas, o que deve baratear os custos.
Existem ventos adequados para a geração de energia eólica, ele deve ter velocidade, intensidade e deve ser constante. “Um vento é determinado não só por sua velocidade e intensidade. A qualidade do vento também é medida pela baixa turbulência e baixa rajada de vento”, explica Everaldo Feitosa.
“Na região Nordeste nós temos um vento praticamente constante, que chamamos de ‘bem-comportado e educado’.”
No país, estima-se que o potencial dessas jazidas de vento é de 20 mil MW, e o das jazidas de menor qualidade e que poderiam ser exploradas a longo prazo é de 70 mil MW – quase o mesmo valor da potência hidráulica instalada no país em 2002.
Tanto a energia eólica como a solar ou a de biomassa, dependem basicamente de fatores naturais e não são constantes durante o ano. Por estes fatores não devem ser escolhidas como as principais matrizes energéticas do país. Entretanto são ótimas opções para complementar o fornecimento de energia hidráulica, em detrimento das termoelétricas movidas a carvão que existem por exemplo, em São Paulo.
Saiba mais:
Pernambuco terá centrais de energia eólica – Agência FAPESP
Pernambuco terá cinco centrais de energia eólica – Agência CT
Energia eólica deve crescer 50 vezes no país até 2003 – BBC Brasil

Especialistas apresentam resultados da Conferência de Bali na Fiesp

Via Portal FIESP
Medidas voltadas à redução das emissões de gases causadores do efeito estufa assumem caráter mais rígido. A Conferência também deu ênfase aos mecanismos de produção mais limpa e ao controle estrito do desmatamento florestal

Foi realizado hoje (23), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Brazilian Carbon Beureau (BCB), o primeiro relato público, no Brasil, sobre os assuntos tratados durante a 13ª Conferência do Clima, realizada em Bali, na Indonésia, de 3 a 14 de dezembro de 2007.
Os especialistas Marco Antonio Fujihara (que integra o Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp), Luiz Gylvan Meira Filho e Antonio José Ludovino Lopes pontuaram os principais aspectos tratados na Conferência e o que isso significa, na prática, para a vida dos países, das empresas e dos cidadãos.
Eles foram unânimes em afirmar que as discussões de Bali abriram novas perspectivas para um acordo global contra o aquecimento do planeta. Num acordo que, nas palavras de Luiz Gylvan Meira Filho, “foram extremamente complexas”, representantes de 190 nações firmaram um pacto para a redução da emissão de gases causadores de efeito estufa. A meta ideal, explicou Gylvan, é reduzir 60% das emissões globais: um objetivo bastante ambicioso, que assusta principalmente os países menos desenvolvidos, receosos de que as novas diretrizes ambientais limitem sua capacidade de crescimento.
Na reunião [em Bali], criou-se o chamado “mapa do caminho”, um documento que apresenta basicamente duas estratégias que devem convergir para um acordo global. De um lado, estão os países desenvolvidos, signatários do Protocolo de Kyoto, que têm o compromisso de reduzir em 5,2% nas emissões de gases de efeito estufa entre 2008 e 2012. Projeções da ONU indicam que as nações ainda não cumprem o que foi acordado. Apesar disso, em Bali, os países europeus insistiram na necessidade de reduzir as emissões para algo entre 25% e 40% até 2020. Também foi enfatizada a importância da cooperação tecnológica entre países ricos e pobres, de modo que os últimos possam crescer sem que isso implique em degradação ambiental. Do lado dos “países pobres”, uma das principais novidades foi a criação de um “fundo de adaptação”, que será gerido pelo Global Environment Fund (GEF). Os recursos para este projetos serão obtidos por meio da cobrança de taxas nas transações do mercado de crédito de carbono.
As questões fechadas com um certo consenso envolveram 133 nações em desenvolvimento, mais a China, que aceitaram discutir a tomada de ações “mensuráveis, reportáveis e verificáveis” de redução de emissão de gases de efeito estufa.
Como as decisões afetam o Brasil

Especialista em mercado de carbono, Marco Antonio Fujihara assinalou que o Brasil tem perspectivas interessantes nesse campo. Uma das boas novas é a criação, pelo Banco Mundial, de um Fundo de Investimentos para evitar desmatamentos. “Os projetos florestais ganham maior importância”, disse Fujihara, para quem os mecanismos de desenvolvimento limpo, descritos pelo artigo 12 do Protocolo de Kyoto, também mantêm grande relevância.
Ele lembrou, porém, que segundo as novas diretrizes, o Brasil, a Índia e a China, principais expoentes dos países emergentes, talvez precisem se comprometer muito mais com a redução de emissões do que vinha acontecendo até agora. Esse controle se dará por meio de controle do desmatamento, de manejo sustentável, de mudanças no uso do solo e no aumento do estoque de carbono florestal, entre outras medidas possíveis.
Em Bali, a delegação brasileira apresentou a proposta de um Fundo para Proteção e Conservação da Amazônia Brasileira. Em princípio, trata-se de um fundo de caráter voluntário, com aporte inicial de US$ 150 milhões, operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A administração desse fundo ficará a cargo de um conselho consultivo, integrado por representantes dos governos federal e estaduais, entidades não-governamentais, especialistas, cientistas e empresários.

Previsões seguras – Sobre o encontro na FIESP

Anexo o texto da revista FAPESP sobre o encontro na FIESP. Depois escrevo as minhas impressões pessoais.
Via Agência FAPESP
Por Thiago Romero
Agência FAPESP – O aquecimento do sistema climático mundial foi detectado de forma inequívoca. Essa é uma importante e genérica conclusão do quarto relatório científico do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que foi reconhecida politicamente na 13ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP-13).
A afirmação é considerada um dos principais embasamentos teóricos do documento que deu origem ao Plano de Ação de Bali, acordo firmado por representantes de 180 países que participaram da reunião realizada em dezembro do ano passado, em Bali, na Indonésia.
Para Luiz Gylvan Meira Filho, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), que participou da COP-13, um dos pontos altos do plano é o consenso, entre os países, de que a demora em reduzir as emissões de gases do efeito estufa limitará significativamente a oportunidade de atingir os níveis de estabilização climática, aumentando o risco de impactos mais severos sobre o clima.
“É uma inegável vitória que os relatórios científicos do IPCC estejam influenciando decisões políticas internacionais. Isso porque, há até pouco tempo, chefes de estado diziam serem naturais as variações climáticas dos últimos anos”, disse durante o evento Conferência de Bali: Novas Diretrizes sobre as Mudanças Climáticas, realizado nesta quarta-feira (23/1) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
O encontro debateu assuntos discutidos na COP-13, que teve o objetivo de estabelecer diretrizes para um novo acordo de combate às mudanças climáticas após 2012, fase final do primeiro período de acordos no âmbito do Protocolo de Kyoto. Segundo Meira Filho, que foi presidente do grupo de negociação de dois artigos do protocolo, a quarta edição do relatório do IPCC influenciou claramente o Plano de Ação de Bali.
“As conclusões dos estudos do IPCC, que utilizou diferentes métodos científicos para que as hipóteses fossem testadas por meio de observações do clima, foram reconhecidas explicitamente em vários trechos do texto do plano”, explicou.
Segundo ele, dois motivos explicam por que os cientistas do painel demoraram vários anos para conseguir detectar, de forma inequívoca, o aquecimento global. “Primeiro porque se precisou esperar que o clima mudasse mais do que a variabilidade natural. E, segundo, porque foi preciso aperfeiçoar os modelos para que os cientistas conseguissem reproduzir todos os efeitos relacionados a essas mudanças, como a variabilidade solar e o fenômeno El Niño”, disse Meira Filho, que foi presidente, de 1994 a 2001, da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Metas a longo prazo
Com base em um consenso entre os países representados em Bali, o Plano de Ação enfatiza a urgência em atingir metas a longo prazo referentes à estabilização da concentração dos gases que produzem efeito estufa na atmosfera, também com base nos resultados do IPCC, órgão que ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2007 – dividido com Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos.
De acordo com o plano, essa estabilização somente ocorrerá se as emissões globais forem reduzidas em aproximadamente 60% em relação ao níveis emitidos em 1990. “Essa conta é feita a partir do fluxo da atmosfera para os oceanos. Hoje, cerca de 2,2 bilhões de toneladas de carbono entram nos oceanos, que são os maiores consumidores de dióxido de carbono da atmosfera”, explicou Meira Filho.
Segundo ele, com a redução das emissões mundiais em 60% seria possível estabilizar em 550 partes por milhão a concentração de dióxido de carbono, algo considerado satisfatório. “Mas o consenso geral de Bali aponta para a obrigatoriedade dessa redução das emissões, seja lá qual for o nível de estabilização. Por isso houve um consenso rumo a medidas de mitigação mais intensas”, apontou.
Os 60% de redução seriam uma espécie de reconhecimento mundial dos limites do planeta. “O problema é tão sério que há indicações de que a possível falta dessa consciência ambiental possa gerar sérios conflitos entre as nações”, disse.
Outro ponto importante da reunião em Bali foi a possibilidade de haver novas negociações entre os países para definir os níveis máximos de temperatura mundial. “Esse também foi um passo importante, uma vez que recentemente a Europa, em uma reunião do G8 que contou com autoridades brasileiras, fez a proposta de um pacto global visando à limitação do aumento da temperatura média mundial em 2ºC, o que foi rejeitado pelos Estados Unidos e pelo Brasil”, disse Meira Filho.
Também presente na reunião da capital paulista, Antonio Ludovino Lopes, advogado especialista em direito ambiental que também participou da COP-13, disse que o evento em Bali ofereceu um mapa de caminhos que os países devem perseguir.
“Ainda não sabemos se esse mapa tem tecnologia GPS [Global Positioning System] ou se ele se parece mais com os usados por antigos navegadores. Do ponto de vista jurídico, esse mapa ainda precisa ter alguns espaços preenchidos”, disse.
Para Lopes, em Bali houve uma nítida tentativa de encontrar novos caminhos jurídicos entre os países, de acordo com as limitações dos instrumentos do Protocolo de Kyoto, o que, segundo ele, gerou conclusões de grande expressão na reunião.
“Uma delas foi a implantação, quase que definitiva, do fundo especial para a adaptação. Trata-se de um instrumento do Protocolo de Kyoto que prevê o financiamento de projetos de adaptação ambiental em países em desenvolvimento”, apontou.

Agenda – 23 de janeiro

O que: Conferencia de Bali- Novas Diretrizes Sobre as Mudanças Climáticas
Onde: Ed. Sede Fiesp, Av. Paulista, 1313 – São Paulo
Quando: 23 de janeiro
Objetivo: O evento irá refletir sobre assuntos discutidos na conferência, que reuniu representantes de 180 países com o objetivo de estabelecer diretrizes para um novo acordo de combate às mudanças climáticas após 2012, fase final do primeiro período de acordos no âmbito do Protocolo de Kyoto.
Mais informações:
Portal FIESP

Harbin dá adeus ao gelo mais cedo

O festival do gelo em Harbin é um dos mais populares eventos do inverno chinês. Com temperaturas chegando a menos de 35 graus negativos, a temperatura é a grande aliada da maior atração turística da cidade: as esculturas feitas no gelo. Os artistas produzem esculturas belíssimas de animais, pessoas e construções famosas, que podem ser visitadas tanto durante o dia quanto durante a noite, quando uma iluminação realmente especial torna as esculturas ainda mais atrativas.
Porém, segundo a BBC News, o evento é uma das vítimas mais recentes do aumento de temperaturas global. As esculturas que antes podiam ser visitadas por turistas até o final de fevereiro, este ano já estão derretendo.
Junto às preocupações ambientais, existe na cidade a preocupação financeira. Quanto mais cedo as esculturas derretem, mais cedo vão-se embora os turistas e os dólares trazidos por eles.
Mais fotos de Harbin: Spluch

Aquecedor solar obrigatório no Rio de Janeiro

Sérgio Cabral, Governador do Rio de Janeiro, sancionou e publicou no Diário Oficial de 03/01/2008, a lei 5.184/08, de autoria do Deputado Estadual Rodrigo Dantas (DEM), que obriga prédios públicos aquecerem ao menos 40% da água consumida, através de energia solar. A partir de agora, todo edital de licitação para obras de construção, como CDHU e escolas públicas ou reforma de prédios públicos deverá conter informações sobre instalação do sistema solar de aquecimento. Somente prédios com inviabilidade técnica de adaptação para o novo sistema serão isentos da nova regra.
A cidade de São Paulo adotou uma política pública parecida em julho do ano passado, que obriga todas as construções com mais de três banheiros, a terem 40% da água aquecida com energia solar. Belo Horizonte, mesmo sem nenhuma política pública, é a cidade brasileira que mais tem casas que utilizam aquecedores solares.
Em 2007 o IPCC identificou o setor de edificação como o maior setor da economia que pode contribuir para a diminuição de emissões de gases do efeito estufa no planeta. Além do uso de energia solar para aquecer água e o ambiente, outras soluções como melhorar a eficiência das iluminações diurnas e noturnas, utilizando mais iluminação natural e menos lâmpadas incandescentes, aumentar a eficiência nos aparelhos elétricos e eletrodomésticos podem contribuir para o clima.
O Brasil tem pouco investimento na área de energia solar, porém os produtores de aquecedores solares se mostram confiantes com o crescimento do setor. Só no Rio de Janeiro são recebidas 2,2 mil horas de insolação (suficiente para gerar 15 trilhões de megawatts, cerca de 4 vezes a energia gerada no mesmo período por uma usina hidrelétrica). Embora as usinas hidrelétricas sejam consideradas pelo IPCC como fontes de energia limpa, durante os horários de pico, onde o consumo de energia elétrica é maior, usinas termelétricas movidas a carvão são ativadas.
Além dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro que assinaram leis que obrigam o uso de aquecimento solar em prédios públicos, Santa Catarina e Paraná que fazem projetos semelhantes, oito cidades têm lei de incentivos fiscais para quem utiliza aquecedores solares como Recife, Rio, Campo Grande, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre e Vitória. Maceió deve adotar em breve o mesmo texto da lei de São Paulo.
Saiba mais:
Cidades Solares

Agenda – 30 de abril a 3 de maio

O que: 6º Simpósio Brasileiro de Engenharia Ambiental
Onde: Serra Negra (SP)
Quando: 30 de abril a 3 de maio
Temas:
+ “Aquecimento Global”
+ “Recursos Energéticos Mundiais”
+ “Seqüestro de Carbono”
+ “Criação e Evolução do Ensino de Engenharia Ambiental no Brasil”
Mais informações:
VI Simpósio Brasileiro de Engenharia Ambiental

Os biocombustíveis são mesmo verdes?

Há um tempo, minha amiga Carol, de Cambridge, me pediu que comentasse um artigo que foi publicado no jornal inglês The Guardian. O artigo “Burning biofuels may be worse than coal and oil, say experts” , trata de um comentário de um outro artigo publicado na revista Science, sob o título: How Green Are Biofuels? (somente para assinantes), de Scharlemann e Laurance, no dia 4 de janeiro.
Como não queria que possíveis opiniões do jornal inglês interferissem no meu julgamento, fui atrás do texto da Science. E por isso a demora. Qual minha surpresa em constatar que, o artigo da Science faz comentários sobre um artigo encomentado pelo governo suíço (Ökobilanz von Energieprodukten: Ökologische Bewertung von Biotreibstoffen, por Zah et al.) e não mostra as metodologias de cálculo usadas para que as conclusões sobre os biocombustíveis serem piores que os derivados de petróleo fossem tiradas.
Resumindo: não consegui analisar os resultados de forma real. Só pude analisar as impressões que Scharlemann e Laurance tiveram e depois analisar as impressões de Alok Jha, o correspondente do The Guardian.
Basicamente, os dois artigos em inglês trazem o seguinte comentário: embora, dos 26 biocombustíveis estudados por Zah, a queima de 21 deles emitisse 30% menos gases do efeito estufa que a gasolina, 12 deles apresentavam altos custos ambientais agregados. Entre os 12 encontram-se o etanol de cana de açúcar brasileiro e o etanol de milho americano.
Os dois métodos usado por Zah, não explicados em nenhum dos dois textos em inglês, resumem os custos ambientais em um único número. Entre estes custos ambientais encontram-se a perda da biodiversidade, causada por desmatamento de áreas como a floresta Amazônica ou o Cerrado e o aumento dos preços nos alimentos, causado pela preferência dos agricultores em plantar para a produção de biocombustível. Por outro lado não considera importantes fatores indiretos, como os danos causados pelos subsídios dados a agricultores americanos e as consequências sociais da produção dos biocombustíveis em larga escala (nem das consequências sociais da extração do petróleo e produção de derivados em larga escala). Só não ficou explicado o que pra mim é o mais importante: como se fez a valoração destes custos ambientais.
O artigo da Science é bem mais coerente e consciente do que o texto do The Guardian, e trás os prós e os contras do estudo de maneira clara. Este tipo de estudo tem muito valor, mas a falta de explicação metodológica trás dúvidas sobre as conclusões. As perguntas que me ficam são: A extração de derivados de petróleo não é causa danos sociais? A produção de derivados não tem custos energéticos elevados? Qual as consequências ambientais de se extrair petróleo de uma plataforma continental em alto mar ou num deserto?
Fica complicado fazer comparações trazendo os contras de um único lado (do lado dos biocombustíveis). Mas também não fica sensato acreditar que os biocombustíveis são os grandes salvadores da pátria, ainda mais sabendo da falta de planejamento estratégico, que no Brasil, ainda permite que áreas da Amazônia e do Cerrado sejam degradadas em pról do “desenvolvimento econômico”.
Saiba mais:
+ How Green are Biofuels? – Scharlemann and Laurance, Science
+ Burning biofuels may be worse than coal and oil, say experts – The Guardian
+ Biocombustível pode ser sujo, diz estudo – Folha Online

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