Não proteste. A culpa é sua mesmo.

Vocês, com acesso ao Facebook e mais que vinte segundos de concentração, leiam este relato e, principalmente, assistam aos vídeos linkados no final.

Aos demais, resumo: o Brasil √© uma desgra√ßa. Enquanto uma pessoa √© presa ilegalmente por exercer um ^direito constitucional^ (aspas ir√īnicas), um est√°dio (constru√≠do com dinheiro roubado) lotado comemora um jogo de futebol.

Voc√™ mora num pa√≠s onde vinte e tantos fedorentos chutando um couro inflado tem mais import√Ęncia que a Magna Carta. Voc√™ prefere apanhar da pol√≠cia a ter o direito de processar o Estado pela surra indevida.

Voc√™, pessoalmente, deixou o pa√≠s chegar nesta situa√ß√£o, onde o presidente da C√Ęmara dos Deputados roubou seis milh√Ķes de reais, deixando √≥rf√£os sem comida e idosos sem rem√©dio, e os deu a um bode (sim, o animal).

Henrique Eduardo Alves, o mesmo ladr√£o que em 2002 estava sob investiga√ß√£o por ter 15 milh√Ķes de d√≥lares em contas fora do pa√≠s enquanto claramente sonegava o Imposto de Renda, cometendo um crime conhecido como “evas√£o de divisas”, descrito na famosa Lei do Colarinho Branco, artigo 22. Investiga√ß√£o que, dois meses depois, PUF!, sumiu.

O que eu posso fazer contra ele? Ele √© presidente da C√Ęmara (e deputado a 42 anos consecutivos) e tem, pelo menos, 150 vezes mais dinheiro que eu. Existe algum mecanismo para que eu, cartor√°rio com meus impostos em dia, possa processar esse cretino por ter roubado tanto dinheiro meu? Ou, pelo menos, um que me garanta que a Constitui√ß√£o ainda existe, j√° que eu posso ser preso por nada e ele pode roubar √† vontade sem consequ√™ncias?

N√£o, n√£o existe. Eu posso at√© tentar fazer algo, mas √© s√≥ at√© esta etapa que eu chegaria. Posso at√© pagar os cinco reais que o sebista aqui ao lado cobra numa Constitui√ß√£o, mas seria s√≥ mais um amontoado in√ļtil de folhas entulhando meu lar.

E por quê? Porque você deixou isso acontecer. Mas por que a culpa é sua? Ela é menos minha que sua, porque eu pelo menos vivo de tentar, inutilmente, fazer algo. Mas também sou culpado. Todos somos. Todo os brasileiros que vivem aqui e que já viveram aqui desde sempre são culpados.

Nosso pa√≠s √© um lixo. Uma abomina√ß√£o, uma anomalia, um c√Ęncer. Todo o dinheiro que √© produzido por n√≥s, trabalhadores, √© consumido por ladr√Ķes da estirpe de Henrique e Maluf (este procurado pela pol√≠cia do mundo e foragido aqui) e psicopatas como Jos√© Dirceu, Renan Calheiros, Collor. Acobertadores de bandidos como Lula, FHC, Dilma; homicidas em massa como Rosalba Ciarlini, Micarla de Sousa, Eduardo Paes; mentirosos compulsivos como Haddad, S√©rgio Cabral, Alckmin, etc, etc.

100% do que voc√™ produz lhe √© roubado. Voc√™ tem uma poupan√ßa no banco, mas lembra que ela j√° foi confiscada? Voc√™ guarda o dinheiro em casa, mas sabia que o Primeiro Ministro de Myanmar, certa vez, disse que as notas mais altas (de 50 e 100) deixaram de ter valor? Milhares de fam√≠lias acordaram um dia com seus colch√Ķes cheios de papel sem valor que costumavam ser suas economias da vida toda. “Isso n√£o pode acontecer aqui”, voc√™ diz? Por que n√£o? Quem vai impedir? Qual mecanismo existe neste pa√≠s para impedir algo assim? Nenhum, √© a resposta.

O Brasil é um lixo. E eu só não saio daqui de novo porque meus currículos ainda não foram enviados.

Nessa tal Copa das Confedera√ß√Ķes (que √© t√£o sem sentido quanto n√£o poder embarcar numa aeronave com um recipiente maior que cem mililitros em volume) a FIFA vendeu ingressos para cadeiras que n√£o existem.

A Copa do Mundo é deles. Nossa é só a conta.

A Copa do Mundo é deles. Nossa é só a conta.

O link para o relato (Facebook, novamente) est√° embebido na foto. Clic√°i-a.

O problema não é a FIFA. O problema é você que achou que seria uma boa ideia uma Copa do Mundo num país de terceira. A culpa é sua por ter deixado que o seu representante aceitasse as demandas de uma empresa estrangeira que vai levar 100% do lucro da competição.

Três vezes em menos de dez anos, na verdade, com Jogos Pan-Americanos, Copa e Olimpíadas. Porque vinte e tantos fedorentos estragando uma vegetação rasteira é mais importante que a segurança da sua mãe numa rua escura.

Aqueles vagabundos desocupados que est√£o atrapalhando o tr√Ęnsito porque n√£o querem pagar vinte centavos a mais deixaram de existir quinta-feira, sob as b√™n√ß√£os de Santo Ant√īnio e dos cacetetes da pol√≠cia neandertalizada que protege voc√™ de uma vida melhor e mais digna para um poss√≠vel filhote que venha a sair de voc√™.

Ao contrário do que estão dizendo, a polícia não é mal treinada. Ela é excelentemente treinada. O problema é que ela é treinada aqui, no lixo.

O problema não é a polícia. O problema é o treino. Ou, melhor ainda, o local onde o treinamento se dá.

Os policiais s√£o excepcionais e ret√™m 100% do treinamento. O problema √© que o treinamento √© dar tiro na cara de favelado. Pelas imagens fica claro que “muni√ß√£o menos-que-letal” √© algo alien√≠gena para os soldados (sim, jamais esque√ßam que quem patrulha as ruas s√£o soldados militares) que atiram somente paralelamente ao ch√£o, √† altura da cabe√ßa, sendo que com balas de elast√īmero ou latas de g√°s.

Nossa pol√≠cia militar √© um grande esquadr√£o de exterm√≠nio. O problema √© que nos √ļltimos dias eles t√™m usado uma muni√ß√£o inadequada.

Ainda no Facebook eu li a seguinte frase: “Somos [jornalistas] a pol√≠cia militar do pensamento contando as mesmas hist√≥rias sempre sobre vand√Ęlos e b√°rbaros que querem destruir a ordem e o progressso“. Mas o que isso significa? Significa que a pol√≠cia bate em voc√™ e o jornalista diz que voc√™ √© o culpado porque ambos, policial e jornalista, assim como os r√©us de Nuremberg, estavam “apenas cumprindo ordens”.

E quem dá as ordens? Você? Não.

Mas a culpa é de quem?

Exatamente.

Não se enganem. Os protestos começaram por causa de vinte centavos.

Mas graças ao despreparo, irresponsabilidade e desgoverno, hoje os protestos se tornaram algo muito maior.

Voc√™ vive num pa√≠s sem leis, sem prote√ß√£o, sem infraestrutura e sem condi√ß√Ķes b√°sicas de cidadania. Esses protestos est√£o do seu lado, do nosso lado.

Brasil 2013

Nada justifica trucul√™ncia. Especialmente em protestos pac√≠ficos. N√£o se acovarde agachado aos p√©s dos mais fortes; junte-se aos mais fracos. Eu gostaria de, pelo menos uma vez em minha vida, ter orgulho (ou “menos vergonha”, como disse Bartholomew JoJo Simpson) do meu pa√≠s. E voc√™?

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P.S. Não vou conferir o texto mais do que já o fiz (confesso que sob lágrimas). Se existirem ainda erros, que se danem. Tanto os erros quanto você que veio aqui comentar acerca deles.

Reclama√ß√Ķes quanto √† minha conduta devem ser encaminhadas para o meu email pessoal com c√≥pia para a diretoria do Scienceblogs Brasil (procurem, n√£o √© dif√≠cil achar). Ou n√£o, n√£o me importo. Descobri recentemente algo chamado “perspectiva”.

Processos civis e criminais devem ser mandados ao meu endereço físico. O que eu escrevo aqui não é de responsabilidade do portal ou de seus colaboradores e eu espero que você morra dolorosamente por tentar me reprimir.

O instinto da vingança

"Para, maldito! Toma essa! Hein? O que é aquilo?"

“Para, maldito! Toma essa! Hein? O que √© aquilo?”

Pelo jeito, não é só o Homem que tem o instinto/impulso de vingança.

Nós apenas temos uma capacidade maior de concentração.

Voltei da minha lua-de-mel mas ainda n√£o estou cognitivamente capaz de blogar de verdade. Tenho muita coisa na minha pasta de rascunho, o que deveria significar que voltarei com tudo em alguns dias mas, bem verdade, tudo deve permanecer l√° para todo o sempre. Apenas n√£o queria ficar mais de dois meses sem colocar algo aqui, caso achem que estou fazendo algo importante.

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