Douglas Adams: frases aleatórias

“Eu gosto de prazos. Adoro o barulho que eles fazem quando passam por mim.”

D.N.A

Seu reveião nunca mais será exatamente diferente dos últimos dois

Obviamente estou supondo que vocês, meus leitores, não subscrevem às correntes religiosas que sorridentemente condenam ao inferno todo e qualquer infiél tolo o bastante para estar perto de garrafas de champanhe no período compreendido entre o momento em que primeiro estouram até a ocasião quando suas rolhas e respectivas gaiolas de arame são cuidadosamente recolhidas, atenciosamente agrupadas e ponderadamente descartadas no lixo comum junto com cascas de melão, guardanapos preenchidos com as inalcançáveis resoluções para o ano recém-principiado, copos e talheres descartáveis, jujubas azuis e, eventualmente, um ou dois brincos das mais alcoolicamente desleixadas.

Penso que aos sacerdotes de tais agremiações anatematizadoras falta o auto-controle presente no resto dos seres humanos terráqueos que são capazes brindar o início de um ciclo arbitrário no calendário sem perder seu intrínseco senso de moral, não recorrendo, por exemplo, ao expediente de preparar um sarapatel com os restos viscerais de um lactente para em seguida servi-lo no osso parietal do infante aos sofridos pais deste. Não sei quão escatológica é a aversão daqueles líderes ou a qual desejo eles tanto temem sucumbir ao consumir quantidades moderadas de álcool, mas suas imprecações contra os que negam se submeter são como se o grave som seco e torácico produzido pelo estalo de uma rápida despressurização carbônica seguido do excitado fervilhar entornante e fluido (e, de quando em vez, um “ai, meu olho!”) de um espumante sendo mecânica e metodicamente preparado para o consumo fosse uma espécie de convite, sem necessidade de RSVP, personalizado e caligrafado pela própria mão de Lúcifer com os dizeres “na minha casa, às oito, sem falta”. Eu não entendo.

Contudo, novamente, estou supondo. Pessoas comumente bem ajustadas podem, devido a eventos traumáticos, apenas não gostar de permanecer nas cercanias de recortes de cortiça artificialmente acelerados e aleatoriamente direcionados que podem dar início a dolorosas circunstâncias, como o incidente do trauma ocular acima aludido.

De toda forma…

Em 2009 eu mostrei como criar (mais ou menos, com o mínimo de explicações possível) uma tartaruguinha e nas últimos horas de 2010 eu diminui ainda mais o meu trabalho e apenas colei uma foto de uma cadeirinha, ambas mini-esculturas feitas apenas com o arame que segura a rolha de uma garrafa de champanhe espumante (o nome formal é “gaiola”) e a plaquinha de metal de propaganda segurança e usando somente meus dedos.

Abaixo, uma tartaruga e uma cadeira que fiz exclusivamente para este especial de fim de ano:

Agora, mantendo a tradição (“criando”, na verdade. Ainda estou no terceiro ano e não sei se minha imaginação vai durar tanto assim), uma escultura pós-ano que preparei antes: O Bluesman (ou O Guitarrista de Axé, caso você esteja festejando num hotel em Natal).

I woke up this morning... on a new year's day...

Novamente, vou explicar muito pouco porque realmente não vejo propósito. Se sua capacidade de projeção e visualização espacial não for suficiente para fazer sentido de uma foto, instruções não vão ajudar muito.
Vou só dizer que a plaquinha foi amassada ao redor da parte que forma o espaldar da cadeira (visível na outra foto) para formar a guitarra e que esta está precariamente encaixada no corpo do boneco (ou seja, são duas peças separadas).

E vocês? Conseguem criar alguma figurinha para animar (ainda mais) nossas festas de fim de ano? Para ajudar a criatividade, vamos nos impor duas restrições: 1) usar apenas a gaiola de arame, o disco metálico de segurança e a rolha em si, e; 2) considerando que estamos inseridos numa festa sem as nossas fiéis ferramentas, podemos usar somente nossos dedos ou alavancas improvisadas, como chaves (que carregamos nos bolsos) ou outras tampas (de cerveja, por exemplo) encontradas no recinto. Que tal?

P.S. sabe aquela sensação opressiva que alguns dizem ter no começo da noite do domingo? Já há algum tempo que não sinto aquilo, mas no primeiro dia do ano é tiro e queda. Para mim, dia primeiro de janeiro tem um peso diferente.

Será que é a gravidade que muda? Porque eu sempre passo boa parte daquele dia nas ruas, que sempre estão inevitavelmente vazias…

Não. O que eu sinto é um peso a mais. Se eu estivesse notando a mudança de gravidade deveria me sentir mais leve.

Destá, foi um lapso.

UTILIDADE PÚBLICA – Cuidado com os ESPELHOS, ops, SPAMS!

Gabriel mandou essa belezura para mim (eu já conhecia mas nunca tinha tido saco de escrever a respeito) e resolvi repassar aqui porque é realmente um assunto muito importante: a irresponsabilida de quem perpetua spams.

Por respeito aos meus leitores, a mensagem foi reproduzida aqui sem cores e com uniformidade de fontes.

Meus comentários estão intercalados ao spam. Acho que não será difícil reconhecer qual é qual.

VOCÊ SABE SE O ESPELHO EM LOCAL PÚBLICO EM QUE VOCÊ ESTÁ SE VENDO É O VERDADEIRO?

Se você está “se vendo”, provavelmente você está olhando para um espelho que, se fosse falso, não refleteria e, portanto, não seria chamado “espelho” mas “parede”.

ESPELHO DE 2 DIREÇÕES: COMO DETECTAR?

#comôfas?

INFORMAÇÃO POLICIAL

Mesmo que seja verdade, o que provavelmente não é o caso, seria uma informação policial de outro país, visto que o email é uma tradução.

Quando forem curtir um hotel, lojas de departamentos, pousada ou mesmo banheiro público, prestem atenção nos espelhos.

Especialmente se você for desengonçado, estiver carregando artigos pesados e pontudos e tiver a pele frágil. Eu me cortei num pedaço de espelho quebrado um dia desses e não foi nada divertido.

Vocês podem estar sendo observadas, por isso não custa nada fazer o teste abaixo.

O famoso “mas não custa nada”. Esses spammeiros sempre deixam de fora a dignidade, que nos é muito cara.

Serviço de Utilidade Pública em Prol da Integridade Feminina:

Todo Em Inicias Maiúsculas De Modo A Parecer Algo Oficial.

Não é para assustar, mas para alertar.

Igual ^alertar^ “FOGO! FOGO!” num cinema.

Quando as mulheres vão à toaletes, banheiros, quartos de hotel, vestiários de mudar de roupa, academias, etc., quantas podem estar certas de que o espelho, aparentemente comum, pendurado na parede é um espelho de verdade ou um espelho de duas direções? (daqueles em que você vê sua imagem refletida, mas alguém pode te ver do outro lado do vidro como os da Casa dos Artistas, A Fazenda e Big Brother).

Tirando o mal uso da crase (a prostituta da gramática), o idiota “vestiários de mudar roupa” (diferente daqueles vestiários onde já entramos nus) e a menção aos espetáculos televisivos da escória humana, eu posso responder à pergunta usando elementos dela mesma. Se o espelho está “pendurado na parede”, ele é um espelho comum.

Espelhos de observação não são pendurados, da mesma forma que janelas não são penduradas, mas instaladas dentro da parede. E uma forma de se pensar em tais espelhos é que eles são janelas refletivas (aliás, durante uma noite particularmente preta, acenda as luzes da sua casa e olhe pelo vidro de uma janela fechada e se surpreenda ao ver sua própria cara assustada, olhando de volta). O ambiente que estiver mais iluminado vai aparecer mais, independente de qual lado você esteja.

Tem havido muitos casos de pessoas instalando espelhos de duas direções em locais freqüentados por mulheres, para filmar, fotografar ou simplesmente ficar olhando.

A boa e velha informação vaga. Esse “tem havido” é do mesmo time de “dizem que comer capim faz crescer a orelha, vide os burros”. Como assim “tem havido”? Dá para ser mais impreciso que isso?

É muito difícil identificar positivamente o tipo de espelho apenas olhando para ele.

Ou, como se trata de espelhos, olhando para você mesmo.

Então, como podemos determinar com boa dose de precisão que tipo de espelho é o que estamos vendo?

Encostando o rosto no vidro e colocando as mãos acima dos seus olhos para cobrir o reflexo da luz, mais ou menos assim:

A cara de abestalhamento é opcional

Porque o vidro espelhado continua sendo um vidro translúcido (lembre-se do exemplo da janela) e, do jeito que a luz funciona, parte da iluminação do seu lado necessariamente vaza para o outro, mais escuro. Usando a técnica da imagem acima é possível “desmascarar essa quadrilha”, se é que existe uma.

É MUITO SIMPLES:

Concordo. Até já disse como fazer.

Faça apenas este teste: Toque na superfície refletida com a ponta da unha.

É. Faça apenas o teste sugerido e saia como entrou: totalmente ignorante quanto ao modelo do espelho.

Se existir um ESPAÇO entre a sua unha e a imagem refletida, o espelho é GENUÍNO.

"Ninguém vai colocar dedo nenhum em mim, sai dessa!"

E, se não existir reflexo, o espelho é falso. Você está encostando sua unha num muro.

O espaço é equivalente à espessura do espelho, pois a parte que reflete é a parte do FUNDO do vidro, não a parte da frente.

Isso nos espelhos cuja superfície refletiva fica atrás, e não na frente do vidro, que são a maioria. Mesmo porque o que reflete é uma fina camada metálica facilmente desgastável por pontas de unhas daqueles que são dementes o suficiente a ponto de acreditar inquestionavelmente em informações recebidas via email colorido. Um espelho bom e resistente com camada refletiva anterior é bastante caro e as lojas de departamento que esse pessoal frequenta jamais gastaria dinheiro com isso.

Entretanto, se a unha TOCA DIRETAMENTE na imagem, NÃO havendo um espaço CUIDADO COM ELE (…)

CUIDADO!!! SEU DEDO TOCOU DIRETAMENTE UMA IMAGEM!!! CORRAM!!!

(…) POIS É UM ESPELHO DE DUAS DIREÇÕES.

OU UMA BANDEJA DE PRATA!!!!

Ou qualquer outra superfície refletiva. Incluindo um espelho perfeitamente normal e extremamente caro. Não o quebre.

A parte reflexiva é a parte da frente, não a do fundo do vidro.

"Minha parte reflexiva certamente não é o fundo. Sai dessa."

Então, lembre-se a cada vez que você vir um espelho, faça o “TESTE DA UNHA”, tem que haver um espaço!

Teste da Unha® – para os obsessivos compulsivos entre nós.

Aproveite para chamar a polícia, pois trata-se de crime previsto em lei.

Que lei, exatamente? O melhor que eu achei foi o artigo 227 do Código Penal, que diz: “Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem”. Mas brechar não é induzir, então como fica?

Novamente, essa mensagem foi traduzida. Talvez voyeurismo seja crime no país de origem do mito, mas não o é (pelo menos explicitamente) no Brasil.

Acreditar em estorinhas e espalhar spams é sinal de uma mente pouco crítica e é exatamente disto que menos precisamos.

Vamos aprender a pensar e deixar de preguiça. Cinco segundos no Google (considerando que você está lendo emails, ou seja, com acesso instantâneo ao resto da Internet) mostraria como isso aí é falso e, ao contrário do que promete, só serve para espalhar o pânico. Imagine a quantidade de chamadas inúteis que a polícia receberia em virtude de um ridículo “teste da unha” feito por pessoas ingênuas, inexperientes e já crédulas nessa besteira de que estão sendo observadas. Além de burrice isso seria uma irresponsabilidade (fora que chamar a polícia para motivos fúteis ou falsos é crime sim, de acordo com o artigo 340)

Novamente, vou usar um lembrete do próprio spam e que se adequa aqui:

Mulheres, ensinem isto para suas amigas!
Homens, ensinem isto para suas esposas, filhas, namoradas, amigas.

(Fora que ainda nos deixa com a sexista mensagem “Os homens que se danem! Neste mundo só se brecha mulher!”. Que absurdo.)

Mais spams destruídos:

Como reconhecer um spam;

Motivos para não incluí-los em meus textos;

Spam da Doença de Chagas em feijão;

Spam sazonal da gripe suína;

Spam dos batons com chumbo;

Spam do camarão e da vitamina C;

A falsa cura do câncer desmentida mais rapidamente que eu já vi;

Spam dos absorvente internos que causam câncer.

Ferro, Lítio, Zinco, Astato e Alumínio para todos!

Aos meus estimados leitores e queridas leitoras;
ferrolítiozincoastatoalumínio

e
borooxigênioarsênico
flúoreinstêniotântaloenxofre

São esses os votos do molibdênio para o cálcio magnésio que se aproxima.

Divirtam-se.

[Aviso] Nota de repúdio a algumas organizações ditas numéricas (sic)

(sic)

O blogue 42. vem, por meio desta, declarar que não reconhece as seguintes entidades como representantes da resposta fundamental para a vida, o universo e tudo mais – sequer os consideramos como entidades matemáticas: “HOUAISS – Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa“, “Wiki-PT“, “Desciclopédia“, “MALBA TAHAN – O Homem que Calculava” e “MATEMÁGICA – Testes de QI“. Não possuímos qualquer ligação, compromisso, parceria, irmandade, solidariedade com as tais. Repudiamos todas as suas manifestações (escritas, audiovisuais ou de qualquer outra natureza) quando pretendem falar em nome do número 42. Não reconhecemos como representantes dos calculistas brasileiros os senhores (as): Pasquale Cipro Neto, a Zebra da Loteca, Júlio César de Melo e Sousa e Oswald de Souza, dentre outros.
(sic)

O blogue 42. vem, por meio desta, declarar a todos os irmãos brasileiros que a resposta fundamental é simplesmente 42, como se pode facilmente deduzir do próprio termo “fundamental”, do latim “fundamentum”. Alertamos a todos para as distorções que os grupos anteriormente mencionados têm feito com relação ao significado do número 42. Do fato de não acreditarmos em outras respostas, não decorre sermos contrários ao seu cálculo, à sua soma, aos bons resultados, à sua família numérica, à teoria de conjuntos, à rigidez matemática ou ao total.
(sic)

O blogue 42. desaprova, desaconselha, repudia e combate todas as formas de antinumeralidade e antijuros compostos. Entendemos ser o direito a contar nos dedos e a usar calculadoras, como sendo inalienáveis. Bem como o direito a calcular de cabeça.
(sic)

O blogue 42. apela a todos os membros da matriz computacional desavisados que não promovam as organizações mencionadas. E convida a todos os verdadeiros mochileiros a que se unam num protesto contra estas organizações que têm tentado vincular a busca pela pergunta para a resposta fundamental (simples presença da palavra “fundamental”) às suas ideologias pessoais e visões de mundo.
(sic)

Não há qualquer vínculo do número 42 à apologia gramática, à agenda sociológica, ao criacionismo, ao número de estradas que um homem deve andar, à militância pela descriminalização das caronas por naves Vogon ou à vogonidade secular.

(sic)

Boa viagem a todos!

P.S. o mundo já é idiota suficiente sem que eu precise criar algo tão estúpido e tão gramaticalmente pobre.

Curso de Capacitação DAIME PARA TODOS

Recebi um email com o assunto que entitula este texto e, antes de apagar e mandar para a pasta de spam, pensei “isso é muito ridículo para permanecer não-compartilhado”.

Portanto, ei-lo, compartilhado e comentado:

O participante terá acesso completo a todas as informações sob a ótica médica, jurídica, biológica, histórica e espiritual da ayahuasca, através de aulas teóricas e vivências práticas com profissionais de cada área.

Tirando o fato de que “acesso completo a todas as informações” é uma afirmação um tanto quanto grandiosa (e uma promessa dificilmente cumprível), notem que eles oferecem informações jurídicas num “curso” para o consumo de um entorpecente. Legal, né?

Percebam também a estrutura da frase: “O participante terá acesso (…) a todas as informações (…) através de aulas teóricas e vivências práticas com profissionais de cada área“. Acesso a informação através de vivência prática? Com profissionais? Quer dizer que os participantes vão ter uma aula teórica e em seguida vão compartilhar o chá alucinógeno com médicos, advogados, biólogos, historiadores e xamãs (este último não sendo exatamente uma “profissão”)? Uau!

Este curso poderá propiciar ao participante a afiliação ao Céu Nossa Senhora da Conceição, e a partir disto, ser beneficiado recebendo gratuitamente todo mês como cortesia 1 litro de nossa forte ayahuasca para seu uso religioso e individual no altar de sua casa.

A mensalidade de filiação ao Céu Nossa Senhora da Conceição é de apenas 10 reais ao mês.

Viram a evasiva palavra “poderá”? E a tergiversação convoluta do “recebendo gratuitamente todo mês como cortesia” seguido de “A mensalidade (…) é de apenas 10 reais ao mês“? O produto é gratuito, você só paga pela “mensalidade”. Certo.

O CONAD (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas), na Resolução nº 1, de 25.01.10, considerando uma ruma de coisa, resolveu que o ayahuasca é legal (concordo 100% com a decisão, que fique claro desde agora). No entanto, o relatório final do Grupo Multidisciplinar de Trabalho (GMT – Ayahuasca) ressalva e aconselha o seguinte (editado e grifado para maior efeito):

V – CONCLUSÃO:

b. Considerando que o GMT, após diversas discussões e análises, onde prevaleceu o confronto e o pluralismo de idéias, considerou como uso inadequado da Ayahuasca a prática do comércio, (…), a propaganda, e outras práticas que possam colocar em risco a saúde física e mental dos indivíduos;

O Grupo Multidisciplinar de Trabalho aprovou os seguintes princípios deontológicos para o uso religioso da Ayahuasca:

5. Ressalvado o direito constitucional à informação, recomenda-se que as entidades evitem a propaganda da Ayahuasca, devendo em suas manifestações públicas orientar-se sempre pela discrição e moderação no uso e na difusão de suas propriedades;

Eu não pedi para ser contactado pela Céu Nossa Senhora da Conceição (aliás, que nomezinho mais contraditório) e não considero a prática de spam como “discrição e moderação no uso e na difusão“. Logo, acho que a entidade está abusando de seus direitos, manobrando as considerações e sugestões do GMT para promover, para todos os fins e efeitos, comércio através de propaganda, apesar do trecho “para seu uso religioso e individual” estar devidamente grifado na mensagem original.

Minha reclamação, no entanto, é questão de premissa. Eu posso fazer uso do chá no “altar” de minha escolha, mas devo (minha interpretação) eu mesmo procurar entidades organizadas e me afiliar a elas, e não o contrário.

Agora, a melhor parte de todo o email:

“Cabresto é coisa que se põe em burros, não se põe cabrestos em HOMENS! Quem AMA… Liberta!!!”

Xamã Gideon dos Lakotas

Agora sim! Agora que o xamã Gideon (sério, esses nomes são muito contraditórios) tirou essa frase do bolso declamou essa profunda verdade, eu me sinto inclinado a usar tal “mediador de realidade”! Não quero ser burro, quero ser homem! Especialmente agora que vi que a frase termina com tantas exclamações!!

Ops… peraí… O que essa frase tem a ver com as calças? Quem está colocando cabresto em quem? De onde saiu tanta energia defensiva? E como assim “quem ama, liberta”? Quem ama o quê liberta quem de onde por qual motivo (e de que horas)?

Essa frasezinha de efeito é totalmente vazia sob o mínimo escrutínio. Parece estar dizendo “use o daime e seja livre” ou algo assim, mas não faz o menor sentido. Quem incluiu essa citação (que, sem a mais fina sombra de dúvida, não é original daquele sujeito) deve ter contratado muito os serviços da minha agência de viagens favorita, a Non-SequiTur.

Finalizando esta escaramuça, eis o restinho da mensagem:

Duração do Curso: 09 dias na fazenda sede

Contribuição: 180 reais. Está incluso nos 09 dias todas as refeições (café da manhã, frutas, almoço e janta) alojamento, aulas, fogueiras e vivências com ayahuasca em rituais nas matas.

Ufa! Ainda bem que não vou precisar pagar por fora pelas fogueiras!

Resenha – Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas

– Pode ser que seja uma mulher…

– Ora essa, e o que mais podia ser?

– Há mais coisas entre o céu e a terra… Se é uma mulher, por onde é que ela entra?

– Não sei.

– Pois é. Nem eu. Mas se for outra coisa… Ora, qual, para um prático homem de negócios no fim do século dezenove, essa espécie de conversa é um tanto ridícula.

Ele parou por aí, mas eu vi que o assunto o preocupava mais do que ele queria dar a parecer. A todas as velhas histórias de fantasmas de Thorpe Place, uma nova se estava acrescentando bem sob os nossos olhos.

No conto “A caixa de charão” (The Jappaned Box – 1899), dois personagens discutem acerca de uma voz feminina que surge sem explicação num quarto trancado onde ninguém é visto entrar ou sair.

Notem que a incredulidade expressa acima por um dos interlocutores é acompanhada de uma auto-recriminação, visto que “essa espécie de conversa é um tanto ridícula” já “no fim do século dezenove“. E por que pessoas práticas acreditam em coisas estranhas?

O conto citado acima foi escrito pelo criador do detetive que é (discutivelmente) o símbolo máximo do ceticismo, Sherlock Holmes. E mesmo assim, Arthur Conan Doyle, que tanto pregava a racionalidade em seus escritos, acreditava em fadas. Então, por que pessoas inteligentes acreditam em coisas estranhas?

Michael Shermer descreve casos, discute estudos, apresenta evidências e nos transporta para dentro da mente das pessoas que acreditam; tanto em coisas “comuns”, quanto em coisas “estranhas” (ou seja, todos nós).

Com uma bibliografia impressionante (quase vinte páginas só de referências), este livro, dividido em capítulos auto-contidos, é prazeroso e divertido de ler. Pelo menos para o verdadeiro cético, já que muitos conceitos e pré concepções são desafiados e demonstrados à luz da evidência científica, fazendo dele um volume bastante revelador em alguns pontos, que certamente são bem interessantes para os céticos de carteirinha (mas sinta-se à vontade para duvidar desta minha afirmação).

Eu notei alguns erros de tradução (como o uso de “desvio” em lugar do mais comum “viés” e o mais literal e confuso “sistema de endereçamento público” quando um simples “caixa de som” resolveria) e uma certa desatualização (como quanto ao consenso do início da vida na Terra), culpa da demora do lançamento nacional, quase dez anos depois da edição revisada e quase quinze depois do lançamento original.

Fora algumas besteiras que meu pedantismo não deixa passar, todo o livro se mantém fresco e revigorante.

Por que o fenômeno de “caça às bruxas” ocorre mesmo frente à impossibilidade das alegações? Como uma filosofia que prega o racionalismo e a individualidade absoluta se desvirtua e se transforma num movimento com aspectos de seita (onde discutem-se até se homicídio é justificável em casos de desrespeito ao líder)? Por que pessoas inteligentes defendem, com todos os seus recursos, ideias absurdas e apoiam a negação pura e simplesmente insustentável de fatos científicos e históricos, como a evolução e o holocausto nazista?

Algumas das pistas que Shermer nos dá para respondermos a essas (e outras) perguntas tão difíceis são: gratificação imediata; simplicidade, e; moralidade e sentido. Ou seja, algumas vezes, crer em absurdos é mais reconfortante, mais fácil e ainda transfere a responsabilidade para algo maior.

Teorias conspiratórias, seitas, religiosismo (e até livros de auto-ajuda) podem ser criaturas de simples falhas de pensamento crítico (como seria o caso das fadas de Conan Doyle, que não escapa de ser mencionado no último capítulo).

Dedicado a Carl Sagan, com prefácio de Stephen Jay Gould e com inúmeras referências a Martin Gardner, “Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas” tem um público certo que, sem dúvida, vai se identificar com as palavras do editor da revista Skeptic, Michael Shermer (e de Pope, Hume, Eddington, Malinowski, Randi, Pinker e outros tantos citados).

Excelente livro que irá residir ao lado do meu Mundo Assombrado Pelo Demônios (assim que a reforma aqui em casa acabar) por sua capacidade em ser, ao mesmo tempo, tanto uma leitura introdutória quanto de aprofundamento. Se você se interessa pela maquinaria do pensamento humano e gosta de ter seu próprio status quo interno desafiado, eu o recomendo fortemente.

Agora, vamos para o sorteio

Kentaro, editor do Ceticismo Aberto, está sorteando um volume entre todos que responderem à pergunta abaixo:

Participem. E, para a maioria que não ganhar, o livro pode ser adquirido diretamente pela página da editora.

Rapidinha: o caso @TAMAirlines

Longo, muito longo. Enquanto os vivia, meus momentos pré e pós lua-de-mel foram longos demais. Similarmente, minha detalhada descrição dos eventos pré-aéreos que arrodearam meu pós-matrimônio é bastante extensa mas pertinente. A TAM Linhas Aéreas tem um poder de penetração maior que o meu, então me valho deste espaço para divulgar meu descontentamento mais amplamente (e para um público mais diferenciado), pois algumas reclamações pedem plataformas maiores.

Imagem retirada da WIkipedia

Meu outro blogue já é bem visitado, mas a qualidade de visitas dos leitores deste é mais alta, então aqui vai: De como a @TAMAirlines quase estragou minha lua-de-mel e perdeu dois clientes.

Compadeçam-se ou divirtam-se schadenfreudemente. Da minha parte, não me resta muito a fazer.

Prometo que em breve volto aqui com algo que preste e que seja de interesse coletivo.

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