Douglas Adams: frases aleatórias

“Eu gosto de prazos. Adoro o barulho que eles fazem quando passam por mim.”

D.N.A

Seu revei√£o nunca mais ser√° exatamente diferente dos √ļltimos dois

Obviamente estou supondo que voc√™s, meus leitores, n√£o subscrevem √†s correntes religiosas que sorridentemente condenam ao inferno todo e qualquer infi√©l tolo o bastante para estar perto de garrafas de champanhe no per√≠odo compreendido entre o momento em que primeiro estouram at√© a ocasi√£o quando suas rolhas e respectivas gaiolas de arame s√£o cuidadosamente recolhidas, atenciosamente agrupadas e ponderadamente descartadas no lixo comum junto com cascas de mel√£o, guardanapos preenchidos com as inalcan√ß√°veis resolu√ß√Ķes para o ano rec√©m-principiado, copos e talheres descart√°veis, jujubas azuis e, eventualmente, um ou dois brincos das mais alcoolicamente desleixadas.

Penso que aos sacerdotes de tais agremia√ß√Ķes anatematizadoras falta o auto-controle presente no resto dos seres humanos terr√°queos que s√£o capazes brindar o in√≠cio de um ciclo arbitr√°rio no calend√°rio sem perder seu intr√≠nseco senso de moral, n√£o recorrendo, por exemplo, ao expediente de preparar um sarapatel com os restos viscerais de um lactente para em seguida servi-lo no osso parietal do infante aos sofridos pais deste. N√£o sei qu√£o escatol√≥gica √© a avers√£o daqueles l√≠deres ou a qual desejo eles tanto temem sucumbir ao consumir quantidades moderadas de √°lcool, mas suas impreca√ß√Ķes contra os que negam se submeter s√£o como se o grave som seco e tor√°cico produzido pelo estalo de uma r√°pida despressuriza√ß√£o carb√īnica seguido do excitado fervilhar entornante e fluido (e, de quando em vez, um “ai, meu olho!”) de um espumante sendo mec√Ęnica e metodicamente preparado para o consumo fosse uma esp√©cie de convite, sem necessidade de RSVP, personalizado e caligrafado pela pr√≥pria m√£o de L√ļcifer com os dizeres “na minha casa, √†s oito, sem falta”. Eu n√£o entendo.

Contudo, novamente, estou supondo. Pessoas comumente bem ajustadas podem, devido a eventos traum√°ticos, apenas n√£o gostar de permanecer nas cercanias de recortes de corti√ßa artificialmente acelerados e aleatoriamente direcionados que podem dar in√≠cio a dolorosas circunst√Ęncias, como o incidente do trauma ocular acima aludido.

De toda forma…

Em 2009 eu mostrei como criar (mais ou menos, com o m√≠nimo de explica√ß√Ķes poss√≠vel) uma tartaruguinha e nas √ļltimos horas de 2010 eu diminui ainda mais o meu trabalho e apenas colei uma foto de uma cadeirinha, ambas mini-esculturas feitas apenas com o arame que segura a rolha de uma garrafa de champanhe espumante (o nome formal √© “gaiola”) e a plaquinha de metal de propaganda seguran√ßa e usando somente meus dedos.

Abaixo, uma tartaruga e uma cadeira que fiz exclusivamente para este especial de fim de ano:

Agora, mantendo a tradi√ß√£o (“criando”, na verdade. Ainda estou no terceiro ano e n√£o sei se minha imagina√ß√£o vai durar tanto assim), uma escultura p√≥s-ano que preparei antes: O Bluesman (ou O Guitarrista de Ax√©, caso voc√™ esteja festejando num hotel em Natal).

I woke up this morning... on a new year's day...

Novamente, vou explicar muito pouco porque realmente n√£o vejo prop√≥sito. Se sua capacidade de proje√ß√£o e visualiza√ß√£o espacial n√£o for suficiente para fazer sentido de uma foto, instru√ß√Ķes n√£o v√£o ajudar muito.
Vou só dizer que a plaquinha foi amassada ao redor da parte que forma o espaldar da cadeira (visível na outra foto) para formar a guitarra e que esta está precariamente encaixada no corpo do boneco (ou seja, são duas peças separadas).

E voc√™s? Conseguem criar alguma figurinha para animar (ainda mais) nossas festas de fim de ano? Para ajudar a criatividade, vamos nos impor duas restri√ß√Ķes: 1) usar apenas a gaiola de arame, o disco met√°lico de seguran√ßa e a rolha em si, e; 2) considerando que estamos inseridos numa festa sem as nossas fi√©is ferramentas, podemos usar somente nossos dedos ou alavancas improvisadas, como chaves (que carregamos nos bolsos) ou outras tampas (de cerveja, por exemplo) encontradas no recinto. Que tal?

P.S. sabe aquela sensação opressiva que alguns dizem ter no começo da noite do domingo? Já há algum tempo que não sinto aquilo, mas no primeiro dia do ano é tiro e queda. Para mim, dia primeiro de janeiro tem um peso diferente.

Ser√° que √© a gravidade que muda? Porque eu sempre passo boa parte daquele dia nas ruas, que sempre est√£o inevitavelmente vazias…

Não. O que eu sinto é um peso a mais. Se eu estivesse notando a mudança de gravidade deveria me sentir mais leve.

Dest√°, foi um lapso.

UTILIDADE P√öBLICA – Cuidado com os ESPELHOS, ops, SPAMS!

Gabriel mandou essa belezura para mim (eu já conhecia mas nunca tinha tido saco de escrever a respeito) e resolvi repassar aqui porque é realmente um assunto muito importante: a irresponsabilida de quem perpetua spams.

Por respeito aos meus leitores, a mensagem foi reproduzida aqui sem cores e com uniformidade de fontes.

Meus comentários estão intercalados ao spam. Acho que não será difícil reconhecer qual é qual.

VOC√ä SABE SE O ESPELHO EM LOCAL P√öBLICO EM QUE VOC√ä EST√Ā SE VENDO √Č O VERDADEIRO?

Se voc√™ est√° “se vendo”, provavelmente voc√™ est√° olhando para um espelho que, se fosse falso, n√£o refleteria e, portanto, n√£o seria chamado “espelho” mas “parede”.

ESPELHO DE 2 DIRE√á√ēES: COMO DETECTAR?

#com√īfas?

INFORMAÇÃO POLICIAL

Mesmo que seja verdade, o que provavelmente não é o caso, seria uma informação policial de outro país, visto que o email é uma tradução.

Quando forem curtir um hotel, lojas de departamentos, pousada ou mesmo banheiro p√ļblico, prestem aten√ß√£o nos espelhos.

Especialmente se você for desengonçado, estiver carregando artigos pesados e pontudos e tiver a pele frágil. Eu me cortei num pedaço de espelho quebrado um dia desses e não foi nada divertido.

Vocês podem estar sendo observadas, por isso não custa nada fazer o teste abaixo.

O famoso “mas n√£o custa nada”. Esses spammeiros sempre deixam de fora a dignidade, que nos √© muito cara.

Servi√ßo de Utilidade P√ļblica em Prol da Integridade Feminina:

Todo Em Inicias Mai√ļsculas De Modo A Parecer Algo Oficial.

Não é para assustar, mas para alertar.

Igual ^alertar^ “FOGO! FOGO!” num cinema.

Quando as mulheres v√£o √† toaletes, banheiros, quartos de hotel, vesti√°rios de mudar de roupa, academias, etc., quantas podem estar certas de que o espelho, aparentemente comum, pendurado na parede √© um espelho de verdade ou um espelho de duas dire√ß√Ķes? (daqueles em que voc√™ v√™ sua imagem refletida, mas algu√©m pode te ver do outro lado do vidro como os da Casa dos Artistas, A Fazenda e Big Brother).

Tirando o mal uso da crase (a prostituta da gram√°tica), o idiota “vesti√°rios de mudar roupa” (diferente daqueles vesti√°rios onde j√° entramos nus) e a men√ß√£o aos espet√°culos televisivos da esc√≥ria humana, eu posso responder √† pergunta usando elementos dela mesma. Se o espelho est√° “pendurado na parede”, ele √© um espelho comum.

Espelhos de observação não são pendurados, da mesma forma que janelas não são penduradas, mas instaladas dentro da parede. E uma forma de se pensar em tais espelhos é que eles são janelas refletivas (aliás, durante uma noite particularmente preta, acenda as luzes da sua casa e olhe pelo vidro de uma janela fechada e se surpreenda ao ver sua própria cara assustada, olhando de volta). O ambiente que estiver mais iluminado vai aparecer mais, independente de qual lado você esteja.

Tem havido muitos casos de pessoas instalando espelhos de duas dire√ß√Ķes em locais freq√ľentados por mulheres, para filmar, fotografar ou simplesmente ficar olhando.

A boa e velha informa√ß√£o vaga. Esse “tem havido” √© do mesmo time de “dizem que comer capim faz crescer a orelha, vide os burros”. Como assim “tem havido”? D√° para ser mais impreciso que isso?

√Č muito dif√≠cil identificar positivamente o tipo de espelho apenas olhando para ele.

Ou, como se trata de espelhos, olhando para você mesmo.

Então, como podemos determinar com boa dose de precisão que tipo de espelho é o que estamos vendo?

Encostando o rosto no vidro e colocando as m√£os acima dos seus olhos para cobrir o reflexo da luz, mais ou menos assim:

A cara de abestalhamento é opcional

Porque o vidro espelhado continua sendo um vidro transl√ļcido (lembre-se do exemplo da janela) e, do jeito que a luz funciona, parte da ilumina√ß√£o do seu lado necessariamente vaza para o outro, mais escuro. Usando a t√©cnica da imagem acima √© poss√≠vel “desmascarar essa quadrilha”, se √© que existe uma.

√Č MUITO SIMPLES:

Concordo. Até já disse como fazer.

Faça apenas este teste: Toque na superfície refletida com a ponta da unha.

√Č. Fa√ßa apenas o teste sugerido e saia como entrou: totalmente ignorante quanto ao modelo do espelho.

Se existir um ESPA√áO entre a sua unha e a imagem refletida, o espelho √© GENU√ćNO.

"Ninguém vai colocar dedo nenhum em mim, sai dessa!"

E, se não existir reflexo, o espelho é falso. Você está encostando sua unha num muro.

O espaço é equivalente à espessura do espelho, pois a parte que reflete é a parte do FUNDO do vidro, não a parte da frente.

Isso nos espelhos cuja superf√≠cie refletiva fica atr√°s, e n√£o na frente do vidro, que s√£o a maioria. Mesmo porque o que reflete √© uma fina camada met√°lica facilmente desgast√°vel por pontas de unhas daqueles que s√£o dementes o suficiente a ponto de acreditar inquestionavelmente em informa√ß√Ķes recebidas via email colorido. Um espelho bom e resistente com camada refletiva anterior √© bastante caro e as lojas de departamento que esse pessoal frequenta jamais gastaria dinheiro com isso.

Entretanto, se a unha TOCA DIRETAMENTE na imagem, N√ÉO havendo um espa√ßo CUIDADO COM ELE (…)

CUIDADO!!! SEU DEDO TOCOU DIRETAMENTE UMA IMAGEM!!! CORRAM!!!

(…) POIS √Č UM ESPELHO DE DUAS DIRE√á√ēES.

OU UMA BANDEJA DE PRATA!!!!

Ou qualquer outra superfície refletiva. Incluindo um espelho perfeitamente normal e extremamente caro. Não o quebre.

A parte reflexiva é a parte da frente, não a do fundo do vidro.

"Minha parte reflexiva certamente não é o fundo. Sai dessa."

Ent√£o, lembre-se a cada vez que voc√™ vir um espelho, fa√ßa o “TESTE DA UNHA”, tem que haver um espa√ßo!

Teste da Unha¬ģ – para os obsessivos compulsivos entre n√≥s.

Aproveite para chamar a polícia, pois trata-se de crime previsto em lei.

Que lei, exatamente? O melhor que eu achei foi o artigo 227 do C√≥digo Penal, que diz: “Induzir algu√©m a satisfazer a lasc√≠via de outrem”. Mas brechar n√£o √© induzir, ent√£o como fica?

Novamente, essa mensagem foi traduzida. Talvez voyeurismo seja crime no país de origem do mito, mas não o é (pelo menos explicitamente) no Brasil.

Acreditar em estorinhas e espalhar spams é sinal de uma mente pouco crítica e é exatamente disto que menos precisamos.

Vamos aprender a pensar e deixar de pregui√ßa. Cinco segundos no Google (considerando que voc√™ est√° lendo emails, ou seja, com acesso instant√Ęneo ao resto da Internet) mostraria como isso a√≠ √© falso e, ao contr√°rio do que promete, s√≥ serve para espalhar o p√Ęnico. Imagine a quantidade de chamadas in√ļteis que a pol√≠cia receberia em virtude de um rid√≠culo “teste da unha” feito por pessoas ing√™nuas, inexperientes e j√° cr√©dulas nessa besteira de que est√£o sendo observadas. Al√©m de burrice isso seria uma irresponsabilidade (fora que chamar a pol√≠cia para motivos f√ļteis ou falsos √© crime sim, de acordo com o artigo 340)

Novamente, vou usar um lembrete do próprio spam e que se adequa aqui:

Mulheres, ensinem isto para suas amigas!
Homens, ensinem isto para suas esposas, filhas, namoradas, amigas.

(Fora que ainda nos deixa com a sexista mensagem “Os homens que se danem! Neste mundo s√≥ se brecha mulher!”. Que absurdo.)

Mais spams destruídos:

Como reconhecer um spam;

Motivos para não incluí-los em meus textos;

Spam da Doença de Chagas em feijão;

Spam sazonal da gripe suína;

Spam dos batons com chumbo;

Spam do camar√£o e da vitamina C;

A falsa cura do c√Ęncer desmentida mais rapidamente que eu j√° vi;

Spam dos absorvente internos que causam c√Ęncer.

Ferro, Lítio, Zinco, Astato e Alumínio para todos!

Aos meus estimados leitores e queridas leitoras;
ferrolítiozincoastatoalumínio

e
borooxigênioarsênico
fl√ļoreinst√™niot√Ęntaloenxofre

São esses os votos do molibdênio para o cálcio magnésio que se aproxima.

Divirtam-se.

[Aviso] Nota de rep√ļdio a algumas organiza√ß√Ķes ditas num√©ricas (sic)

(sic)

O blogue 42. vem, por meio desta, declarar que n√£o reconhece as seguintes entidades como representantes da resposta fundamental para a vida, o universo e tudo mais – sequer os consideramos como entidades matem√°ticas: “HOUAISS – Dicion√°rio Houaiss da L√≠ngua Portuguesa“, “Wiki-PT“, “Desciclop√©dia“, “MALBA TAHAN – O Homem que Calculava” e “MATEM√ĀGICA – Testes de QI“. N√£o possu√≠mos qualquer liga√ß√£o, compromisso, parceria, irmandade, solidariedade com as tais. Repudiamos todas as suas manifesta√ß√Ķes (escritas, audiovisuais ou de qualquer outra natureza) quando pretendem falar em nome do n√ļmero 42. N√£o reconhecemos como representantes dos calculistas brasileiros os senhores (as): Pasquale Cipro Neto, a Zebra da Loteca, J√ļlio C√©sar de Melo e Sousa e Oswald de Souza, dentre outros.
(sic)

O blogue 42. vem, por meio desta, declarar a todos os irm√£os brasileiros que a resposta fundamental √© simplesmente 42, como se pode facilmente deduzir do pr√≥prio termo “fundamental”, do latim “fundamentum”. Alertamos a todos para as distor√ß√Ķes que os grupos anteriormente mencionados t√™m feito com rela√ß√£o ao significado do n√ļmero 42. Do fato de n√£o acreditarmos em outras respostas, n√£o decorre sermos contr√°rios ao seu c√°lculo, √† sua soma, aos bons resultados, √† sua fam√≠lia num√©rica, √† teoria de conjuntos, √† rigidez matem√°tica ou ao total.
(sic)

O blogue 42. desaprova, desaconselha, repudia e combate todas as formas de antinumeralidade e antijuros compostos. Entendemos ser o direito a contar nos dedos e a usar calculadoras, como sendo inalienáveis. Bem como o direito a calcular de cabeça.
(sic)

O blogue 42. apela a todos os membros da matriz computacional desavisados que n√£o promovam as organiza√ß√Ķes mencionadas. E convida a todos os verdadeiros mochileiros a que se unam num protesto contra estas organiza√ß√Ķes que t√™m tentado vincular a busca pela pergunta para a resposta fundamental (simples presen√ßa da palavra ‚Äúfundamental‚ÄĚ) √†s suas ideologias pessoais e vis√Ķes de mundo.
(sic)

N√£o h√° qualquer v√≠nculo do n√ļmero 42 √† apologia gram√°tica, √† agenda sociol√≥gica, ao criacionismo, ao n√ļmero de estradas que um homem deve andar, √† milit√Ęncia pela descriminaliza√ß√£o das caronas por naves Vogon ou √† vogonidade secular.

(sic)

Boa viagem a todos!

P.S. o mundo j√° √© idiota suficiente sem que eu precise criar algo t√£o est√ļpido e t√£o gramaticalmente pobre.

Curso de Capacitação DAIME PARA TODOS

Recebi um email com o assunto que entitula este texto e, antes de apagar e mandar para a pasta de spam, pensei “isso √© muito rid√≠culo para permanecer n√£o-compartilhado”.

Portanto, ei-lo, compartilhado e comentado:

O participante ter√° acesso completo a todas as informa√ß√Ķes sob a √≥tica m√©dica, jur√≠dica, biol√≥gica, hist√≥rica e espiritual da ayahuasca, atrav√©s de aulas te√≥ricas e viv√™ncias pr√°ticas com profissionais de cada √°rea.

Tirando o fato de que “acesso completo a todas as informa√ß√Ķes” √© uma afirma√ß√£o um tanto quanto grandiosa (e uma promessa dificilmente cumpr√≠vel), notem que eles oferecem informa√ß√Ķes jur√≠dicas num “curso” para o consumo de um entorpecente. Legal, n√©?

Percebam tamb√©m a estrutura da frase: “O participante ter√° acesso (…) a todas as informa√ß√Ķes (…) atrav√©s de aulas te√≥ricas e viv√™ncias pr√°ticas com profissionais de cada √°rea“. Acesso a informa√ß√£o atrav√©s de viv√™ncia pr√°tica? Com profissionais? Quer dizer que os participantes v√£o ter uma aula te√≥rica e em seguida v√£o compartilhar o ch√° alucin√≥geno com m√©dicos, advogados, bi√≥logos, historiadores e xam√£s (este √ļltimo n√£o sendo exatamente uma “profiss√£o”)? Uau!

Este curso poderá propiciar ao participante a afiliação ao Céu Nossa Senhora da Conceição, e a partir disto, ser beneficiado recebendo gratuitamente todo mês como cortesia 1 litro de nossa forte ayahuasca para seu uso religioso e individual no altar de sua casa.

A mensalidade de filiação ao Céu Nossa Senhora da Conceição é de apenas 10 reais ao mês.

Viram a evasiva palavra “poder√°”? E a tergiversa√ß√£o convoluta do “recebendo gratuitamente todo m√™s como cortesia” seguido de “A mensalidade (…) √© de apenas 10 reais ao m√™s“? O produto √© gratuito, voc√™ s√≥ paga pela “mensalidade”. Certo.

O CONAD (Conselho Nacional de Pol√≠ticas sobre Drogas), na Resolu√ß√£o n¬ļ 1, de 25.01.10, considerando uma ruma de coisa, resolveu que o ayahuasca √© legal (concordo 100% com a decis√£o, que fique claro desde agora). No entanto, o relat√≥rio final do Grupo Multidisciplinar de Trabalho (GMT – Ayahuasca) ressalva e aconselha o seguinte (editado e grifado para maior efeito):

V РCONCLUSÃO:

b. Considerando que o GMT, ap√≥s diversas discuss√Ķes e an√°lises, onde prevaleceu o confronto e o pluralismo de id√©ias, considerou como uso inadequado da Ayahuasca a pr√°tica do com√©rcio, (…), a propaganda, e outras pr√°ticas que possam colocar em risco a sa√ļde f√≠sica e mental dos indiv√≠duos;

O Grupo Multidisciplinar de Trabalho aprovou os seguintes princípios deontológicos para o uso religioso da Ayahuasca:

5. Ressalvado o direito constitucional √† informa√ß√£o, recomenda-se que as entidades evitem a propaganda da Ayahuasca, devendo em suas manifesta√ß√Ķes p√ļblicas orientar-se sempre pela discri√ß√£o e modera√ß√£o no uso e na difus√£o de suas propriedades;

Eu n√£o pedi para ser contactado pela C√©u Nossa Senhora da Concei√ß√£o (ali√°s, que nomezinho mais contradit√≥rio) e n√£o considero a pr√°tica de spam como “discri√ß√£o e modera√ß√£o no uso e na difus√£o“. Logo, acho que a entidade est√° abusando de seus direitos, manobrando as considera√ß√Ķes e sugest√Ķes do GMT para promover, para todos os fins e efeitos, com√©rcio atrav√©s de propaganda, apesar do trecho “para seu uso religioso e individual” estar devidamente grifado na mensagem original.

Minha reclama√ß√£o, no entanto, √© quest√£o de premissa. Eu posso fazer uso do ch√° no “altar” de minha escolha, mas devo (minha interpreta√ß√£o) eu mesmo procurar entidades organizadas e me afiliar a elas, e n√£o o contr√°rio.

Agora, a melhor parte de todo o email:

‚ÄúCabresto √© coisa que se p√Ķe em burros, n√£o se p√Ķe cabrestos em HOMENS! Quem AMA… Liberta!!!‚ÄĚ

Xam√£ Gideon dos Lakotas

Agora sim! Agora que o xam√£ Gideon (s√©rio, esses nomes s√£o muito contradit√≥rios) tirou essa frase do bolso declamou essa profunda verdade, eu me sinto inclinado a usar tal “mediador de realidade”! N√£o quero ser burro, quero ser homem! Especialmente agora que vi que a frase termina com tantas exclama√ß√Ķes!!

Ops… pera√≠… O que essa frase tem a ver com as cal√ßas? Quem est√° colocando cabresto em quem? De onde saiu tanta energia defensiva? E como assim “quem ama, liberta”? Quem ama o qu√™ liberta quem de onde por qual motivo (e de que horas)?

Essa frasezinha de efeito √© totalmente vazia sob o m√≠nimo escrut√≠nio. Parece estar dizendo “use o daime e seja livre” ou algo assim, mas n√£o faz o menor sentido. Quem incluiu essa cita√ß√£o (que, sem a mais fina sombra de d√ļvida, n√£o √© original daquele sujeito) deve ter contratado muito os servi√ßos da minha ag√™ncia de viagens favorita, a Non-SequiTur.

Finalizando esta escaramuça, eis o restinho da mensagem:

Duração do Curso: 09 dias na fazenda sede

Contribui√ß√£o: 180 reais. Est√° incluso nos 09 dias todas as refei√ß√Ķes (caf√© da manh√£, frutas, almo√ßo e janta) alojamento, aulas, fogueiras e viv√™ncias com ayahuasca em rituais nas matas.

Ufa! Ainda bem que n√£o vou precisar pagar por fora pelas fogueiras!

Resenha – Por Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas

– Pode ser que seja uma mulher…

– Ora essa, e o que mais podia ser?

– H√° mais coisas entre o c√©u e a terra… Se √© uma mulher, por onde √© que ela entra?

– N√£o sei.

– Pois √©. Nem eu. Mas se for outra coisa… Ora, qual, para um pr√°tico homem de neg√≥cios no fim do s√©culo dezenove, essa esp√©cie de conversa √© um tanto rid√≠cula.

Ele parou por aí, mas eu vi que o assunto o preocupava mais do que ele queria dar a parecer. A todas as velhas histórias de fantasmas de Thorpe Place, uma nova se estava acrescentando bem sob os nossos olhos.

No conto ‚ÄúA caixa de char√£o‚ÄĚ (The Jappaned Box – 1899), dois personagens discutem acerca de uma voz feminina que surge sem explica√ß√£o num quarto trancado onde ningu√©m √© visto entrar ou sair.

Notem que a incredulidade expressa acima por um dos interlocutores √© acompanhada de uma auto-recrimina√ß√£o, visto que “essa esp√©cie de conversa √© um tanto rid√≠cula” j√° “no fim do s√©culo dezenove“. E por que pessoas pr√°ticas acreditam em coisas estranhas?

O conto citado acima foi escrito pelo criador do detetive que é (discutivelmente) o símbolo máximo do ceticismo, Sherlock Holmes. E mesmo assim, Arthur Conan Doyle, que tanto pregava a racionalidade em seus escritos, acreditava em fadas. Então, por que pessoas inteligentes acreditam em coisas estranhas?

Michael Shermer descreve casos, discute estudos, apresenta evid√™ncias e nos transporta para dentro da mente das pessoas que acreditam; tanto em coisas ‚Äúcomuns‚ÄĚ, quanto em coisas ‚Äúestranhas‚ÄĚ (ou seja, todos n√≥s).

Com uma bibliografia impressionante (quase vinte p√°ginas s√≥ de refer√™ncias), este livro, dividido em cap√≠tulos auto-contidos, √© prazeroso e divertido de ler. Pelo menos para o verdadeiro c√©tico, j√° que muitos conceitos e pr√© concep√ß√Ķes s√£o desafiados e demonstrados √† luz da evid√™ncia cient√≠fica, fazendo dele um volume bastante revelador em alguns pontos, que certamente s√£o bem interessantes para os c√©ticos de carteirinha (mas sinta-se √† vontade para duvidar desta minha afirma√ß√£o).

Eu notei alguns erros de tradu√ß√£o (como o uso de ‚Äúdesvio‚ÄĚ em lugar do mais comum ‚Äúvi√©s‚ÄĚ e o mais literal e confuso ‚Äúsistema de endere√ßamento p√ļblico‚ÄĚ quando um simples ‚Äúcaixa de som‚ÄĚ resolveria) e uma certa desatualiza√ß√£o (como quanto ao consenso do in√≠cio da vida na Terra), culpa da demora do lan√ßamento nacional, quase dez anos depois da edi√ß√£o revisada e quase quinze depois do lan√ßamento original.

Fora algumas besteiras que meu pedantismo não deixa passar, todo o livro se mantém fresco e revigorante.

Por que o fen√īmeno de ‚Äúca√ßa √†s bruxas‚ÄĚ ocorre mesmo frente √† impossibilidade das alega√ß√Ķes? Como uma filosofia que prega o racionalismo e a individualidade absoluta se desvirtua e se transforma num movimento com aspectos de seita (onde discutem-se at√© se homic√≠dio √© justific√°vel em casos de desrespeito ao l√≠der)? Por que pessoas inteligentes defendem, com todos os seus recursos, ideias absurdas e apoiam a nega√ß√£o pura e simplesmente insustent√°vel de fatos cient√≠ficos e hist√≥ricos, como a evolu√ß√£o e o holocausto nazista?

Algumas das pistas que Shermer nos dá para respondermos a essas (e outras) perguntas tão difíceis são: gratificação imediata; simplicidade, e; moralidade e sentido. Ou seja, algumas vezes, crer em absurdos é mais reconfortante, mais fácil e ainda transfere a responsabilidade para algo maior.

Teorias conspirat√≥rias, seitas, religiosismo (e at√© livros de auto-ajuda) podem ser criaturas de simples falhas de pensamento cr√≠tico (como seria o caso das fadas de Conan Doyle, que n√£o escapa de ser mencionado no √ļltimo cap√≠tulo).

Dedicado a Carl Sagan, com pref√°cio de Stephen Jay Gould e com in√ļmeras refer√™ncias a Martin Gardner, ‚ÄúPor Que as Pessoas Acreditam em Coisas Estranhas‚ÄĚ tem um p√ļblico certo que, sem d√ļvida, vai se identificar com as palavras do editor da revista Skeptic, Michael Shermer (e de Pope, Hume, Eddington, Malinowski, Randi, Pinker e outros tantos citados).

Excelente livro que ir√° residir ao lado do meu Mundo Assombrado Pelo Dem√īnios (assim que a reforma aqui em casa acabar) por sua capacidade em ser, ao mesmo tempo, tanto uma leitura introdut√≥ria quanto de aprofundamento. Se voc√™ se interessa pela maquinaria do pensamento humano e gosta de ter seu pr√≥prio status quo interno desafiado, eu o recomendo fortemente.

Agora, vamos para o sorteio

Kentaro, editor do Ceticismo Aberto, está sorteando um volume entre todos que responderem à pergunta abaixo:

Participem. E, para a maioria que n√£o ganhar, o livro pode ser adquirido diretamente pela p√°gina da editora.

Rapidinha: o caso @TAMAirlines

Longo, muito longo. Enquanto os vivia, meus momentos pr√© e p√≥s lua-de-mel foram longos demais. Similarmente, minha detalhada descri√ß√£o dos eventos pr√©-a√©reos que arrodearam meu p√≥s-matrim√īnio √© bastante extensa mas pertinente. A TAM Linhas A√©reas tem um poder de penetra√ß√£o maior que o meu, ent√£o me valho deste espa√ßo para divulgar meu descontentamento mais amplamente (e para um p√ļblico mais diferenciado), pois algumas reclama√ß√Ķes pedem plataformas maiores.

Imagem retirada da WIkipedia

Meu outro blogue já é bem visitado, mas a qualidade de visitas dos leitores deste é mais alta, então aqui vai: De como a @TAMAirlines quase estragou minha lua-de-mel e perdeu dois clientes.

Compadeçam-se ou divirtam-se schadenfreudemente. Da minha parte, não me resta muito a fazer.

Prometo que em breve volto aqui com algo que preste e que seja de interesse coletivo.

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