Enigma molecular – 5ª fase

Mais uma sexta-feira desprovida de artigos sérios ou interessantes, outro enigma, portanto.
Me digam o nome dessa molécula e o que mais conseguirem de informações sobre ela.

Resposta segunda-feira se não amanhecer muito frio.
Para quem gostou, tem mais aqui.

Ressaca de abstinência

Mais uma de auto-análise.
Sexta-feira foi feriado aqui em Natal, logo, quinta-feira virou sexta e sexta-feira virou sábado.
Sai com os meus amigos, como de costume, mas não bebi álcool, apenas águas adoçadas, gaseificadas e coloridas artificialmente.
Porém essa falta de etanol afetando os disparos de sinapses cerebrais não impediu que eu me embriagasse.
O que geralmente acontece é estarmos todos juntos, bebendo e ficando bêbados no mesmo ritmo.
Normalmente eu presto atenção ao meu estado de cognição e reflexos, notando a medida em que vou me embriagando e anotando mentalmente o que está acontecendo.
Nesse fim-de-semana prolongado eu não bebi, no entanto, a medida em que eu percebia o comportamento familiar dos meus amigos atravessando a zona de transição etílica (onde sorrisos exigem o fechamento dos olhos e palavras com mais de três sílabas são pronunciadas com o respeito de como se fossem sagradas), eu também sai da praia da sobriedade para a piscina-natural (água até o joelho, ainda sem ondas) da ebriedade.
Depois de alguns minutos, meu cérebro ligou o automático e passou a registrar minhas mudanças, como faz sempre que bebo (Pavlov teria orgulho de mim!), até me avisar e fazer com que eu percebesse que ainda não havia ingerido gota sequer de álcool.
Momento esse que desintegrou toda a ilusão e voltei ao estado original de sóbrio e alerta.
O que não durou muito tempo. Assim que minha atenção foi desviada, estava novamente bêbado.
E assim fiquei por duas noites, me embebedando com o comportamento alheio.
Durante um desses eventos, eu comentei o que estava acontecendo e TODOS disseram já ter passado por essa alteração-de-consciência-induzida-por-colegas.
Isso tem sido (ainda não voltei a beber) uma experiência comportamental interessante. Preciso tomar mais notas.

Cidade da Ciência

A notícia é velha mas é boa.
Aqui em Natal (sim, eu moro onde vocês passam férias) nós temos um parque chamado Cidade da Criança, o apelido municipal é Cidade do Sol e, a partir de 2009, teremos o complexo Cidade da Ciência.

Google Earth - 5°49'45.73"S, 35°12'48"O

Google Earth - 5°49'45.73"S, 35°12'48"O

Voltado para estudantes, professores, público em geral e até turistas, o Cidade da Ciência acabará por se constituir num importante atrativo turístico, pois além do Planetário, a Casa da Ciência, com três pavimentos, terá um espaço para exposições itinerantes, um mezanino, onde ficará o memorial do invento e do inventor potiguar, e um outro espaço destinado à exposições permanentes.

FONTE
Pelo que eu li, irá incluir planetário, observatório e terraço astronômico (o que me parecem a mesma coisa), laboratórios de matemática, física, química, biologia, robótica e ecologia e também o Espaço Jovem Cientista, o Memorial do Cientista Potiguar, o Espaço do Invento e da Invenção, rádio comunitária, auditório com cinema (que me soa como uma sala de cinema normal), sala de videoconferência, brinquedoteca e biblioteca.
Depois do Instituto Internacional de Neurociência de Natal (que não é aqui, mas no município vizinho de Macaíba) e da excelente idéia de colocá-lo aqui perto de mim, parece que as porteiras se abriram e um incentivo apareceu para se criar essa Cidade da Ciência e, espero, outras coisas mais (como, por exemplo, melhorar a Barreira do Inferno e o museu aeroespacial de lá), porque não podemos viver só de História.
E nem precisa ser tudo a dez quilômetros da minha casa (seria maravilhoso ver o Lajedo de Soledade organizado e suas pinturas rupestres protegidas e bem evidenciadas).
Não vou me apegar a custos ou méritos, mas ao que pode nos trazer.
Quando digo “nós”, me refiro não só aos natalenses. Me refiro, sim, a todos os cidadãos brasileiros, principalmente aqueles fora do “eixo Rio-São Paulo”, lugar mais bem associado a coisas legais que acontecem.
Essa iniciativa pode ter aberto um precedente importantíssimo não só para o desenvolvimento científico descentralizado mas também para a divulgação científica em geral.
Como Natal é uma cidade essencialmente turística, isso poderia se tornar mais uma atração no itinerário dos visitantes nacionais e internacionais, mostrando que aqui também se faz Ciência.
Dizem que vai ser inaugurado em 2009, mas não dizem quando começara a funcionar (aqui existe uma tendência a inaugurarem coisas antes delas estarem prontas).
Quando estiver pronto eu irei lá ver e virei aqui descrever. Até!
Eu só soube disso graças a Isis.
P.S. a praia da foto lá em cima, com Natal ao fundo, chama-se Genipabu.

Batons com chumbo

Um dos meus hobbies é investigar emails que me parecem falsos.
E eu recebo MUITAS dessas correspondências eletrônicas.

Ontem eu recebi um com o assunto “Batons causam câncer”, o que já me chamou a atenção e ativou algumas sirenes de alerta.
“Batons causam câncer? Todos eles? Que tipo de câncer? Quem disse isso? Por que eu não conheço uma só mulher que tenha câncer de lábios apesar de 100% das mulheres que eu conheço usarem batons?” e por aí vai.

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Epinefrina

Ou adrenalina.
Esse hormônio, secretados pelas glândulas supra-renais (acordo ortográfico não fez efeito aqui ainda) é bem famoso para aqueles que escalam, andam de kart ou assistem a qualquer programa de esportes na TV.
É secretado como reflexo a alguma ameaça, para que o indivíduo fuja ou se defenda, aumentando o batimento cardíaco e o fluxo de sangue para as pernas (correr) e braços (lutar), entre outras coisas (dilatação das pupilas, por exemplo).

O nome “adrenalina” vem do fato dela provir de um lugar acima (ad-) dos rins (renal) e de ser uma substância química (-ina).
P.S.
Nome todo: 4-[1-hidroxi-2-(metilamino)etil]benzeno-1,2-diol

Enigma molecular – 4ª fase

Acho que a maioria já sabe o que fazer: descubra que molécula é essa e diga qual o nome dela nos comentários. Dizer de onde vem não diminui a pontuação.
A dificuldade está aumentando!

Não precisam correr com a resposta, vocês têm o fim-de-semana inteiro.
Resposta só segunda-feira, se eu não acordar muito assustado com o despertador.
Mais enigmas moleculares aqui.

Resenha – Como os Médicos Pensam

Eu preciso começar esta resenha dizendo que esse livro é Ótimo!
Um dos melhores livros que já li em minha vida e o melhor que li este ano. Muito ótimo!
O livro me cativou a partir do primeiro parágrafo, onde o Jerome Groopman conta a estória de uma paciente que sofria de uma doença mal diagnosticada e sua trajetória para tentar se curar. Mas isso é só o primeiro capítulo!
Cada capítulo trafega num mundo diferente dentro do universo da medicina, de crianças misteriosamente anemicas a idosos se submetendo a tratamentos para doenças erradas, passando por médicos que se deixam levar pela própria fama ou pelo uso exagerado de algum equipamento ou medicação.
O escritor, médico especialista em câncer e sangue, dá uma aula (do tipo bom, da que dá gosto assistir) de pensamento crítico, apontando os erros mais comuns (e alguns nem tanto) que médicos e pacientes cometem durante um diagnóstico ou tratamento.
Explica e exemplifica magnificamente erros de atribuição e por satisfação da busca, desvio de resultado e de missão, mostra como a relação médico-paciente pode ter um lado negativo mesmo quando existe afeto entre eles e como o status de chefe pode trazer consequencias indesejadas para toda a equipe.
Mas também ensina aos pacientes como devem interagir com aqueles que os tratam e relata contos de esperança onde médicos, tanto alguns experientes quanto outros mais novos, salvam vidas de maneira heróica.
Esse volume é repleto de casos excepcionais, descritos vívida e elegantemente, de uma maneira que me fez pensar, mais de uma vez, que se tratava de ficção, apesar do autor afirmar o contrário.
Apesar de ser cheio de termos técnicos, Groopam é tão bom na arte de contar estórias (habilidade que, tenho certeza, o ajuda muito na seu dia-a-dia de professor) que tais termos deixam de ser instrumentos com nomes complicados e passam para a categoria de personagens.
De leitura fácil (muito bem traduzido) e viciante, reitero, esse é o melhor livro que li este ano (devo ter lido uns trinta desde janeiro) e recomendo com o Selo Igor Gold de Qualidade!

Já nas livrarias ou direto pela página da Editora Ediouro.

Menos é mais

Estou neste exato momento ouvindo o podcast do Instituto SETI e nele, o convidado Martin Lindstrom, especilista em marketing e autor de Buyology: Truth and Lies About Why We Buy fala de um estudo que ele conduziu com mulheres e caixas de chocolate.
Segundo ele (aos 41m, 55s), caixas contendo 30 chocolates foram apresentadas a várias mulheres para que elas escolhessem tantos quanto quisessem e, acabaram pegando apenas um deles.
Em seguida (ele não especifica, mas eu acho que usaram mulheres diferentes), trouxeram uma caixa contendo apenas seis barrinhas e disseram a mesma coisa. Resultado da fase dois? Em média, três chocolates foram escolhidos.
Conclusão: a quantidade na embalagem afeta o quanto compramos daquilo (mas ele fala muita besteira durante a entrevista, não é bom acreditar em tudo que ele diz).

Carbono 14

Já há muito tempo que eu quero explicar o processo de medição da idade das coisas utilizando-se carbono radioativo (ou C14) e agora há pouco li uma notícia que complementa otimamente o que eu queria fazer.
Começando do começo, o elemento Carbono, via de regra, contém seis prótons (daí o seu número atômico, 6) e 6 nêutrons, que pesam tanto quanto os prótons, dando ao átomo um peso atômico de 12.
Esse peso é do isótopo (mesmo elemento, diferente número de nêutrons) mais abundante e estável, o C12.
Existem outros dois isótopos de carbono, C13 (estável mas bem menos comum) e C14.
Este último é radioativo. Ou seja, ele tem o núcleo instável e tende a perder os nêutrons que tem a mais, e isso acontece a uma taxa bastante regular, conhecida por meia-vida.
Explicando da maneira mais simples que eu consigo, “meia-vida” é um intervalo de tempo no qual metade de alguma coisa acaba.
Se eu estou drenando um lago e levar uma hora para drenar a metade dele, a meia-vida do lago é 1 hora (de forma que eu sempre leve sessenta minutos para retirar metade da água que sobre, seja essa quantidade qual for).
Voltando ao C14; esse átomo com o núcleo inchado tende a retornar ao estado mais estável, perdendo dois nêutrons e voltando a ser um carbono 12. A meia-vida do carbono 14, ou o tempo que metade da amostra leva para ficar estável, é de cinco mil anos e meio, aproximadamente.
(Se eu comecei com cem átomos, daqui a cinco mil e quinhentos anos terei 50.
Depois de mais cinco miliquinhentos, terei 25 e assim por diante. O tempo é sempre o mesmo para qualquer que seja o tamanho da metade.)
As plantas, ao respirar gás carbônico, capturam uma quantidade geralmente bem conhecida de carbono 14 junto com todo o carbono que absorvem e passam essas amostras para frente (ou para baixo, dependendo do referencial) dentro da cadeia alimentar, sempre “enchendo o tanque” de C14.
Quando uma árvore, um elefante, um peixe, uma doninha, um peba ou uma lagartixa morrem, deixam de abastecer o reservatório de carbono radioativo, que começa a decair para sua contraparte estável a uma taxa conhecida.
Contando-se o número restante desse marcador, sabe-se a idade da amostra (orgânica, sempre lembrando. Minerais não podem ser datados assim), com uma margem de erro de algumas décadas (ruim para medir algo do ano passado, mas ótimo para medir a idade de ossos de mamutes, dentes-de-sabre e hominídeos pré-sapiens).
Porém, depois de 7 ou 8 meias-vidas, a amostra fica praticamente desprovida desse isótopo radioativo e a medição acima de 60 mil anos se torna inútil por esse método (existem outros elementos radioativos com meia-vida bem maior, como Argônio que vira Potássio e Urânio que vira Chumbo).
Agora, um dado aparentemente aleatório mas que vai fazer sentido mais para frente: árvores equatoriais, como as da Amazônia ou a do Parque das Dunas aqui em Natal, não criam anéis enquanto crescem, impossibilitando a identificação de sua idade por esse método.
Não criam anéis de crescimento porque esses ditos anéis são indicativos de quantas primaveras se passaram, que é a estação onde as árvores dão um estirão rápido, deixando seus centros marcados.
Sem primavera, sem anéis.
Perto da linha equatorial = sem estações.
Agora vem a notícia que eu recebi hoje.
Durante os anos 50 os EUA, a França, a Inglaterra e a Rússia testaram muitas bombas nucleares, explodindo-as na atmosfera.
Essas explosões liberaram nêutrons que, ao se encontrarem com os abundantes átomos de carbono 12, formaram (depois de apenas dois encontros) carbono 14 radioativo (C12 + 2 nêutrons).
Segundo a ecóloga Nalini Nadkarni, naquela época (guerra fria), a quantidade de C14 atmosférico aumentou em 100% por causa dessa formação forçada de forma ferrenha e fenomenal.
Aliterações de lado, ela diz que pesquisa apóia a idéia de que o pico daquele isótopo produzido acidentalmente começou em 1954.
Portanto, por causa de todas aquelas bombas atômicas, foi criado, inadvertidamente, um marcador temporal em todas as árvores do mundo, que possibilitará, daqui a alguns milhares de anos, cientistas a datá-las com a precisão de um ano.
1954.
Antes disso, níveis normais. Logo após, 100% de aumento (isso é verdade também para qualquer planta, mas árvores tendem a viver mais tempo, por isso que estou dando ênfase a elas).
Agora, descendo um pouco a ladeira alimentar.
Um biólogo sueco, Jonas Frisén, enquanto estudava pinheiros, teve a brilhante idéia de estudar humanos (uau!) e descobriu que pessoas nascidas a partir de 54 tinham, em suas células cerebrais (as maioria das nossas células são repostas com certa frequência, menos os neurônios, que são os mesmos desde que nascemos, com frequência de reposição = zero), muito mais carbono 14 do que as nascidas antes desse ano mágico e as nascidas já nos anos 60.
Não que isso faça diferença alguma para nada, mas é sempre legal saber dessas coisas…

Buscas abrangentes

O google é uma ferramenta fabulosa, principalmente por levar em conta a aleatoriedade das pessoas.

Clique para ampliar a imagem em toda a sua glória.

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Eu acho isso muito massa!

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