O ovo do E.T.

Através do Bunker eu cheguei na página do jornal O Mossoroense (vou segurar as piadas por enquanto) que noticia a descoberta de um ovo alienígena.
O artigo n√£o tem data (talvez no link, que tem uma sequ√™ncia de n√ļmeros que lembra uma data, mas n√£o d√° para ter certeza), mas acredito que seja recente. Afinal, est√° na se√ß√£o Cotidiano (√©, n√£o ag√ľentei segurar as piadas por muito tempo)…
Não quero ser processado por apropriação indevida de material pelos descendentes do cidadãos que expulsaram Lampião NA BALA (há controvérsias sobre a presença de Virgulino, que teria mandado seus capangas antes de arriscar o próprio pescoço, mas não dá para incluir links para elas pois li em livros. Lembram deles?), por isso não vou copiar trecho algum da reportagem, sugiro que leiam a reportagem agora, clicando aqui e depois leiam o resto do meu artigo, clicando aqui.

Resenha РA Cientista que Curou o Próprio Cérebro

‚ÄúTodo c√©rebro tem sua hist√≥ria e esta √© a do meu.‚ÄĚ
√Č assim que come√ßa A Cientista que Curou o Pr√≥prio C√©rebro, que promete, mais adiante que ‚Äúeste n√£o √© um livro para cientistas‚ÄĚ.
O relato de uma neurocientista que experimentou de dentro para fora a destruição do objeto de seu estudo (anatomia cerebral e a interligação entre os hemisférios) e teve que reaprender do zero, como um recém-nascido, a viver sua vida e se integrar com ela mesma.
A autora, Jill Bolte Taylor, nos diz que escreveu o livro por causa das pessoas que vieram a ela com problemas semelhantes aos que ela passou e, busca como √ļnica recompensa, algu√©m que reconhe√ßa em si os sintomas de um derrame e ligue para a emerg√™ncia antes que seja tarde demais.
Por√©m, o livro n√£o √© manual t√©cnico ou lista de afazares em situa√ß√Ķes de emerg√™ncia, mas um conto, bastante pessoal, de uma trag√©dia consertada, um acidente devastador que foi remediado e curado.
√Č um livro com explica√ß√Ķes muito did√°ticas (mas refinadas, n√£o infantis) sobre o funcionamento da m√°quina cerebral, dadas pela autora, que √© Ph.D em neuroanatomia e que conta tamb√©m com descri√ß√Ķes bastante v√≠vidas e detalhistas.
Ela escreve com um m√©todo que eu gosto de chamar de ‚Äúpoesia cient√≠fica‚ÄĚ, descrevendo a situa√ß√£o com a emo√ß√£o de uma poetisa, a percep√ß√£o de uma pessoa comum e o detalhe de uma cientista especialista naquele assunto.
O volume é como uma ficção científica hard. Uma estória de fantasia recheada de detalhes técnicos e científicos reais e relevantes.
Uma narrativa que me capturou a atenção e que, a cada parágrafo, me deixava ansioso por mais.
Eu usaria o termo ‚Äúenvolvente‚ÄĚ, mas como n√£o sou cr√≠tico profissional, direi que trama √© MASSA!!
√ďtima do ponto de vista liter√°rio e excelente do lado cient√≠fico descritivo.
Até certo ponto.
Existe um balanço delicado entre licença poética/descrição otimista e uma glorificação grosseira e exacerbada de uma condição séria; a paralisia do hemisfério esquerdo devido a um coágulo causado por um derrame.
Um subt√≠tulo apropriado para essa obra seria ‚ÄúA mulher que se apaixonou pelo hemisf√©rio direito do seu c√©rebro‚ÄĚ.
Perto do fim, no entanto, a narrativa d√° uma descarrilhada (que vinha sendo anunciada sutilmente, de modo amb√≠guo, desde o come√ßo, mas que no finalzinho aparece de corpo inteiro) e se ap√≥ia (‚Äúdesajeitadamente‚ÄĚ √© uma palavra apropriada) em energias, pensamento esperan√ßoso, pseudoci√™ncia e ‚Äúcoisas que a Ci√™ncia ainda n√£o entende‚ÄĚ.
Contudo, uma boa história é uma boa história (é uma boa história). Por mais que neurociência não seja seu prato do dia, o livro é bem escrito e bem descritivo.
N√£o posso dizer se essa leitura ajudaria algu√©m a se recuperar ou a algum familiar de uma v√≠tima a ajudar na recupera√ß√£o, pois n√£o sou um ou outro, mas √© um relato otimista e acalentador, do tipo ‚Äún√£o se preocupe, tudo vai dar certo, aguarde e confie!‚ÄĚ
O ‚Äúhumor‚ÄĚ, ou clima, da obra como um todo, pode ser descrito como Zen (j√° fui estudioso dessa filosofia; pasmem!). Algo do tipo ‚Äúescute o que vem de dentro, d√™ ouvidos ao seu ritmo, liberte o seu Eu interior‚ÄĚ. Mas eu precisei ler at√© o fim para chegar a esta conclus√£o.
Finalmente, uma leitura f√°cil, sem jarg√Ķes desnecess√°rios ou desconsertantes, mas tamb√©m sem simplifica√ß√£o exagerada.
Se encarado como ‚Äúbaseado em fatos reais‚ÄĚ ou visto como ‚Äúapenas uma boa est√≥ria‚ÄĚ, √© uma boa aquisi√ß√£o, um livro para um p√ļblico adulto e curioso, que j√° sabe de alguma coisa mas gostaria de aprender mais.

Venda direta pela Editora Ediouro.

Grande Colisor de Blablabl√°

Blablabl√° blabl√° blabl√° de h√°drons pode bl√° bl√° buraco bl√°bla pode bl√° do mundo bl√° bl√° bl√°.
√Č isso que eu estou ouvindo ultimamente e acho que muita gente concorda comigo.
Essa conversa de LHC j√° abusou o cego (“encheu o saco”, para de fora).
Tem até blogue de poesia falando nisso!
No meu outro blogue, por n√£o ser estritamente cient√≠fico, eu comentei sobre isso algumas vezes e tamb√©m tenho andado em v√°rios blogues tentando acalmar os √Ęnimos dos Espalhadores de P√Ęnico e suas v√≠timas.
N√£o interessa a n√≥s, por enquanto, saber o que s√£o buracos negros est√°veis e a energia necess√°ria para ger√°-los; n√£o importa se soubermos o que s√£o strangelets, antimat√©ria, h√°drons ou higgs-boson; menos ainda saber que a cada segundo somos bombardeados por for√ßas naturais zilh√Ķes de vezes maiores que as que conseguir√≠amos produzir e o mundo e o universo ainda est√£o aqui, firmes e fortes.
Da mesma forma que nos √© in√ļtil a preocupa√ß√£o com o fim do mundo (eu, por um, tenho coisas mais urgentes que uso para perder o sono e os cabelos).
Necessário, neste momento, é saber que as chances do mundo acabar por causa disso são extremamente remotas.
Eu li um f√≠sico dizendo que a probabilidade do LHC produzir strangelets que destruiriam o universo √© menor do que a do seu carro se transformar num cavalo com carruagem, atrav√©s de flutua√ß√Ķes qu√Ęnticas.
Pode acontecer, mas também pode acontecer de alguém jogar um milhão de dados para cima e todos cairem se equilibrando em uma quina, uns por cima dos outros, formando um icosaedro.
Pessoas, se o mundo tivesse que acabar, teria acabado mês passado.
E ninguém poderia fazer coisa alguma.
Puf! Acabou!
Pela caridade, relaxem!
Um dado interessante que pouca gente sabe: vocês só estão aqui, lendo isto, graças ao CERN, pois foi lá que criaram a rede (web) (o que não é o mesmo que Internet, mas o que nos possibilita navegar por ela).
De nada!
(Enquanto escrevia, lembrei dum sonho que tive ontem a noite, de um v√≠deo explicando bem direitinho como acontecia a colis√£o. Pena que tal v√≠deo n√£o existe e se existisse explicaria errado. Mas na hora, enquanto meu c√©rebro estava rodando em meia embreagem, fez sentido…)

Teoria do bocejo

Os neur√īnios-espelho s√£o c√©lulas neurais especializadas que nos fazem imitar comportamentos inconscientemente.
Resumidamente.
Mais explicadamente:
Descobertos vinte anos atr√°s pelo neurofisiologista italiano Giacomo Rizzolatti enquanto estudava c√©rebros de macacos, esses neur√īnios ajudam as pessoas (e outros animais) a se identificar e empatizar com as emo√ß√Ķes dos outros como se elas fossem suas pr√≥prias.
A estória contada diz que descoberta foi feita enquanto um membro da equipe de sua equipe estudava, em um macaco, uma área do cérebro chamada F5, responsável por planejamento, seleção e execução de tarefas. O símio estava lá, na dele, quietinho, até que o cientista na sala com ele esticou o braço para pegar alguma coisa. Quando isso se deu, ele ouviu um barulho repentino vindo do computador que analisava as ondas cerebrais da criatura, indicando atividade naquela parte do cérebro que estava sendo monitorada, como se o bicho tivesse esticado o braço para pegar o que quer que tenha sido o alvo da pegada.
Essa atividade registrada deu indica√ß√Ķes de que o macaco estava imitando, mesmo sem precisar se mexer, apenas em seu c√©rebro, o que viu o pesquisador fazendo.
De toda forma, a existência dessas células já foi provada independentemente (o melhor tipo de prova) e ajuda a explicar o porquê de sentirmos o que outras pessoas estão sentindo (empatia é a palavra)
Segundo o neurocientista da UCLA, Marco Iacoboni, Ph.D, (especialista também em Estimulação Magnética Transcranial, a versão 2.0 de Sincronização Cerebral, o tema da minha dissertação na faculdade!), essa habilidade de entrar em mente alheia teve um papel importante no desenvolvimento da sociedade e cultura.
Ele acredita que esse tra√ßo, obviamente herdado pelo processo evolutivo natural, nos ajudou a socializarmos mais facilmente (quando vejo algu√©m sorrindo ou chorando, eu sei instintiva e instantaneamente o que aquela pessoas est√° sentindo, nem tanto por entender suas rea√ß√Ķes, mas por estar eu mesmo experimentando suas emo√ß√Ķes, o que fortalece meus la√ßos com ela) e a aprender atrav√©s de exemplos, otimizando nosso desenvolvimento por evitar um processo dispendioso de erro-e-acerto pelo qual passar√≠amos se os neur√īnios-espelho (ou similares) n√£o existissem. E isso tudo sem precisarmos agir!
Nosso cérebro se encarrega de viver aquilo que vemos sem nos dizer explicitamente.
As liga√ß√Ķes neurais que disparam quando eu chuto uma bola s√£o as mesmas que disparam quando eu vejo um jogador na TV chutando uma bola.
Eu n√£o tenho as conex√Ķes que me fariam girar tr√™s vezes no ar em tr√™s eixos diferentes, por isso n√£o entendo como um ginasta ou mergulhador ornamental consegue faz√™-lo.
Outra coisa interessante que eu ouvi Dr. Iacoboni dizer √© que a culpa de viramos a cara quando vimos um pedinte ou um sem-teto de modo geral, √© desses neur√īnios. Ao ver algu√©m em dificuldade (inclusive social), n√≥s sentimos o que aquela pessoa est√° sentindo e isso nos √© desagrad√°vel, por isso tentamos n√£o olhar para n√£o causar desconforto em n√≥s mesmos.
Fun√ß√Ķes cerebrais de ordem superior, no entanto, conseguem anular esse mecanismo, o que nos permite guerrear outros por discordarem das nossas cren√ßas pol√≠ticas ou religiosas sem muito peso na consci√™ncia. Oba!
Quanto ao bocejo, eu criei (responsabilidade é assumidamente minha) um paralelo que aparenta fazer sentido.
Mas não faz. As células-espelho são discretas e não se mostram. Nós sentimos mas não fazemos.
Logo, minha teoria do bocejo n√£o durou sequer um par√°grafo completo.
Vou continuar tentando

Panificação

Melhor que cheiro de pão saindo do forno é o sabor do pão que você mesmo fez e que acabou de sair de forno e esfriou só o suficiente para não amolecer a camada de pele que recobre o céu-da-boca.
fornada
O pão que nós comemos hoje (macio, com casca e miolo bem definidos) é uma invenção relativamente recente.
A invenção do pão foi uma maneira que nossos parentes mais antigos (nove mil anos antes da era cristã, onze mil anos atrás) descobriram de preservar o alimento por mais tempo. Grãos eram, apesar de abundantes, difíceis de comer e de armazenar, mas depois de moídos e assados, duravam vários dias e eram digeridos mais facilmente.
(Uma nota intrigante: alguns arque√≥logos acreditam que a cerveja, tamb√©m conhecida como p√£o l√≠quido foi inventada antes do p√£o, pois √© relativamente mais f√°cil de fazer (n√£o envolve fornos) e √© uma maneira “interessante” de se purificar, atrav√©s da fermenta√ß√£o, √°gua que talvez estivesse contaminada. E, al√©m de ser t√£o nutritiva quanto p√£o, ainda √© mais divertida!)
Os primeiros pães eram basicamente uma casca assada (como o pão sírio) e, por não ter fermento, não cresciam. O formato inicial da massa ao ir para o forno se mantinha enquanto era assada.
A descoberta do pão fermentado (há cinco mil anos, supostamente) foi, muito provavelmente, um acidente. Uma massa crua que foi deixada tempo demais num lugar morno, por causa de contaminantes nos grãos ou em algum aditivo (como leite) fermentou e inchou o preparado. Tornou-se, então, prática comum reservar um pedaço dessa massa fermentada para se colocar na do outro dia, fazendo a nova mistura crescer mais facilmente, criando o que se conhece por massa amarga.
Na minha casa, eu faço pão misturando farinha com água e uma levedura (Saccharomyces cerevisiae) desenvolvida especialmente para isso e mais conhecida comercialmente como fermento biológico.
A receita ainda leva algum tipo de √≥leo vegetal, a√ß√ļcar e sal.
O √≥leo (uso azeite), por introduzir gordura √† massa, a deixa mais “ligadinha” (e prazerosa). O sal √© puramente para intensificar o sabor.
A a√ß√ļcar, no entanto, serve como combust√≠vel. √Č a comida que vai fazer a levedura trabalhar.
Quando a levedura est√° num meio aquoso ideal (banho de √°gua morna, quem n√£o gosta?) ela come√ßa a trabalhar, consumindo a√ß√ļcares (presente na farinha em forma de amidos e puro no a√ß√ļcar adicionado) e excretando √°lcool e g√°s carb√īnico. O √°lcool evapora durante a assadura, por causa da alta temperatura, mas o g√°s carb√īnico, que forma bolhas min√ļsculas mas numerosas, fica preso na massa (gra√ßas, em boa parte, ao gl√ļten) que seca e endurece aos poucos, possibilitando ao g√°s escapar, deixando para tr√°s muitos espa√ßos vazios, criando a textura que tanto conhecemos.
textura do p√£o
Pão; uma maravilha da tecnologia bioquímica!

Quando a luz dos olhos teus…

Quando saímos de um lugar escuro para um bem mais claro, nós sentimos um pouquinho de dor (olhar direto para o Sol, por exemplo, dói porque a retina está literalmente queimando) mas conseguimos acostumar a visão rapidamente.
As pupilas se contraem quase instantaneamente e muito pouca luz entra.
Simples.
Já o contrário não é tanto assim.
Um experimento para se fazer em casa: num dia de sol forte, fechem as janelas, portas e cortinas, esperem uns dez minutos e saiam. Contem quanto tempo demora para a vis√£o se adaptar.
Novamente, aguardem mais uns dez minutos embaixo do sol forte, entrem novamente na casa escurecida e marquem o tempo de se acostumar.
A segunda etapa levar√° mais tempo.
Mas por que? Não é só a pupila dilatando e contraindo?
N√£o.
Existe uma faixa de claridade onde a retina funciona melhor e a pupila se encarrega de deixar a luz nesse meio.
Mas tamb√©m existe uma subst√Ęncia chamada rodopsina, que fica nas c√©lulas no fundo dos olhos, que muda para um formato diferente, nos fazendo ver a luz.
Quando essa convers√£o se d√°, ela n√£o volta atr√°s facilmente e, ficando-se ao sol num dia muito claro, essa subst√Ęncia √© usada muito rapidamente, dificultando a vis√£o noturna, que se utiliza do formato inicial da rodopsina para funcionar.
Por isso que ficamos tanto tempo com aquele flash nos perseguindo desde a √ļltima fotografia…
O controle da vis√£o n√£o √© s√≥ mec√Ęnico (pupila), mas tamb√©m qu√≠mico (rodopsina).
√Č, eu tamb√©m achava que fosse algo mais f√°cil

Hipocondria pode custar caro

Dica do Atila.
Seq√ľenciamento de material gen√©tico √© bom porque nos ensina muito sobre evolu√ß√£o, descend√™ncia, migra√ß√£o, sa√ļde e coisas afins mas, de um modo geral, √© bom para o progresso da Ci√™ncia e, conseq√ľentemente, para a popula√ß√£o como um todo.
Eu n√£o acho que valha a pena gastar trezentos e cinq√ľenta mil d√≥lares em 8 gigas de um flashdrive com o meu genoma escrito.
Um indivíduo, tendo seu material genético espalhado à sua frente, só pode procurar por doenças, esmiuçadamente em negrito na tela de seu computador.
De pr√©-disposi√ß√£o a resfriado at√© variantes raras de doen√ßas in√©ditas. √Č isso que um sujeito normal do mundo vai achar dentro de um bicho desses.
Depois de pagar US$350.000 (e de levar uma agulhada antes), claro.
Fora coisas in√ļteis, que ningu√©m ainda sabe o que significam, como muta√ß√Ķes em genes desconhecidos.
Isso só tende a preocupar desnecessariamente uma pessoa saudável.
Porém, quem tem esse tanto de dinheiro disponível para gastar com algo assim não pode ser considerado normal ou saudável.
Aah, aqueles pobres bilion√°rios e sua busca ef√™mera pela felicidade…
mcm√īnei

Imaginação

Imaginação é a ferramenta que nos possibilita aprender com os erros que nunca cometemos.
Ela nos dá a oportunidade de decidir que uns futuros serão melhores que outros e nós podemos escolher os bons e descartar os maus.
Não preciso mastigar um feixe de carrapichos para saber que isso é uma idéia maravilhosamente péssima.
Eu sei que ser admitido será melhor que ser demitido e que o almoço será melhor que a conta.
E eu sei dessas coisas porque posso utilizar a minha imaginação para vivê-las.
Por√©m, segundo pesquisas recentes, a imagina√ß√£o humana (pleonasmo?) n√£o √© t√£o boa em prever a intensidade das nossas sensa√ß√Ķes e emo√ß√Ķes. Temos uma tend√™ncia a imaginar que uma rea√ß√£o emocional ser√° bem mais intensa e durar√° muito mais tempo do que acontece no fim das contas.
Se valendo de um experimento relativamente simples, o grupo usou v√°rios volunt√°rios e os fizeram descrever e quantizar o que achavam que sentiriam quando comesses batatas fritas e depois responderiam o mesmo question√°rio j√° com as batatas na boca.
Os pesquisadores descobriram que nenhum dos pesquisados conseguiu prever confiavelmente a quantidade de prazer que sentiria, at√© poucos instantes antes de colocar as batatas na boca e ainda que algumas das coisas que influenciam as previs√Ķes n√£o influenciam o resultado. Por exemplo: se os volunt√°rios estivessem respondendo ao primeiro question√°rio na presen√ßa de chocolate (que a maioria das pessoas acha mais prazeroso que batata frita), o n√ļmero total de quantidade de prazer seria bem menor, pois as fritas estariam sendo comparadas ao chocolate e as pessoas esperariam que elas n√£o tivessem um gosto t√£o bom. Contudo, o n√ļmero final do segundo question√°rio (p√≥s-degusta√ß√£o) n√£o mudou. Ou seja, a previs√£o foi influenciada pela vis√£o do chocolate, mas a experi√™ncia continuou a mesma.
A pesquisa achou paralelos entre essa experi√™ncia em laborat√≥rio e coisas que s√£o realmente importantes nas vidas das pessoas (romance, emprego, elei√ß√Ķes) e achou que o erro mais comum era a superestima√ß√£o; se uma coisa ruim acontecesse, as pessoas previram que ficariam devastadas para sempre e, depois daquilo acontecer, n√£o teria sido t√£o ruim assim.
E vice-versa!
As pessoas também acham que uma coisa boa vai ser estupidamente maravilhosa por muito tempo quando a realidade é mais curta e menos intensa.
De fato, a maioria dos eventos n√£o nos afeta por muito tempo, a maioria das coisas se torna rapidamente irrelevante para o nosso bem-estar emocional.
Muita coisa sobre o nosso sistema emocional nos √© desconhecida. N√≥s humanos n√£o entendemos a velocidade com a qual nos adaptamos. Somos criaturas incrivelmente resistentes e flex√≠veis, nos adaptar√≠amos a quase qualquer coisa, mas isso n√£o parece ser algo que sabemos a nosso respeito e costumamos errar nas nossas auto-previs√Ķes de adapta√ß√£o.
Somos também ótimos racionalizadores. Quando algo desagradável acontece, conseguimos enquadrar de uma maneira que faz parecer não tão desagradável assim.
Quando meu cachorro me morde e arranca o tampo do meu joelho, eu adapto minhas id√©ias e mem√≥rias para todas as vezes em que ele foi agressivo comigo, penso na sujeira que ele fazia e eu tinha que limpar, no trabalho que eu tinha para cuidar dele, no tempo e dinheiro que eu desperdi√ßava com aquele infeliz canino e, racionalmente, fica mais f√°cil atir√°-lo contra a parede sem sentir tanto remorso (essa estorinha √© uma analogia fict√≠cia, n√£o h√° necessidade de ligar para a SPA, t√°?)…
Outro exemplo, se eu sou despedido, vou pensar: ‚ÄúAinda bem! Melhor ficar na rua que continuar trabalhando nessa jo√ßa para um retardado complexado, recalcado e afetado que acha que manda em alguma coisa s√≥ porque √© dono! Melhor sem aparador de respingo de um limpa-fossa que dono de um lugar sem futuro desses!‚ÄĚ
Talvez isso seja um mecanismo de defesa, pois assim n√£o ficamos t√£o mal quando coisas m√°s acontecem.
O l√≠der dessa pesquisa, Daniel Gilbert, recomenda que busquemos nos informar mais para conseguirmos fazer previs√Ķes melhores sobre o nosso pr√≥prio futuro emocional.
Segundo ele, uma das melhores maneiras de prever como nos sentiremos no futuro é achar outras pessoas que passaram pela mesma coisa e perguntar como elas se sentem, depois do fato experimentado.

WWD ‚Äď Andando com Dinossauros

Ano passado, enquanto na Austrália, trabalhei com uma empresa que prestava serviço de mão-de-obra para shows e tive a oportunidade de participar da montagem de Walking with Dinosaurs РThe Live Experience e, melhor ainda, presenciar o espetáculo ao vivo, num ensaio antes da abertura.
Após quase trinta e duas horas direto no ar trabalhando, subi a arquibancada e me sentei o mais alto que pude, atrás do pessoal com os controladores-remotos dos dinossauros e ao lado da mesa de som e luz.
Isso é o que eu consigo lembrar:
Tudo começa com um narrador da voz impostada, num cenário cheio de árvores e flores gigantes, dizendo como a vida surgiu.
O som atmosférico é perfeito e cria uma sensação de se estar numa selva primitiva, com sons do vento penteando a folhagem gigante e de insetos estranhos e igualmente grandes.
A narração continua e surgem os primeiros dinossauros (não vou conseguir lembrar a ordem de entrada nem os tipos porque naquele momento meu cérebro não estava operando otimizadamente).
Em tamanho real, at√© onde eu saiba, os bichos s√£o motorizados, como carrinhos, com um motorista dentro e s√£o tamb√©m animatr√īnicos, com seus movimentos musculares sutis controlados remotamente pelos controladores sentados √† minha frente.
Dezenas de bot√Ķes, luzesinhas e joysticks controlam os movimentos de cauda, pele, escamas, pesco√ßo, cabe√ßa, boca e olhos dos animais que, em conjunto com o √°udio, a ilumina√ß√£o e o cen√°rio mut√°vel, conferem um realismo extraordin√°rio ao show.
V√°rios dinossauros s√£o empregados (tiranossauro, estegossauro, braquiossauro e at√© um pterossauro), sempre com cuidado hist√≥rico, para mostrar as diferentes eras em que viveram e como era o seu mundo (quando cada um que aparecia, o cen√°rio se transformava, mostando a evolu√ß√£o n√£o s√≥ animal como tamb√©m bot√Ęnica).
Eles interagem levemente com o narrador, que permanece sempre na pista, mas agindo como um observador destacado da ação, a la David Attenborough, nunca se intrometendo demais na ação.
Eu assisti ao ensaio geral, que difere da apresenta√ß√£o por n√£o haver p√ļblico e que serve para ajustarem os volumes e as marca√ß√Ķes de palco. O resto √© id√™ntico.
Um show realmente impressionante, tanto pelo tamanho e qualidade da produção quanto pela diversão.
√Č embasbacante ver aqueles animais, alguns quase do tamanho do gin√°sio (o brontossauro √© incrivelmente enorme), se movendo t√£o elegante e fluidamente. √Č como estar no filme Jurassic Park, com animais de verdade!
Não sei quanto custa o ingresso, mas vale a pena ir só para sentir o que eu senti. Era como se tivesse sido inserido naquele mundo, milênios atrás.
S√≥ faltou o cheiro. Mas talvez tenha sido melhor assim…

E a vida…

Publicado hoje, mais cedo, no meu outro não-tão-científico blogue.

Biologia é um negócio bom.
Não me refiro especificamente à matéria de colégio, César & Sezar, José Luis Soares ou àquele da capa amarela que era bem ruim e desatualizado, mas ao Estudo da Vida, propriamente dito, que acreditado ser algo que deveria ser praticado por todos, pois seria nada mais que treinar viver (e viver treinando).
Se a vida nos ensina alguma coisa, será que somos estudiosos em algum grau e, por conseguinte, biólogos?
Se sim, hoje estamos todos de parabéns!
Dia três de setembro é Dia do Biólogo.
Os profissionais (esses sim precisaram passar horas e meses lendo aqueles livros), que podem trabalhar com bichos (aquáticos, terrestres, voadores, mistos, mulas e ligers) e plantas, como também com microbiologia, são pessoas
que vivem (e dedicam suas vidas) em busca constante de coisas novas.
Eu tenho uma meta de aprender pelo menos uma coisa nova por dia, mas esse povo alopra.
Conheço alguns biólogos e todos (o que me faz concluir que isso é verdade para toda a classe) são pessoas extremamente curiosas e ativamente em busca de informação.
Gra√ßas a esse povo, n√≥s sabemos que n√£o descendemos de macacos (mas temos ancestrais comuns com eles), que v√≠rus n√£o est√£o vivos (pelo menos n√£o todos e n√£o o tempo todo) e que migra√ß√Ķes foram respons√°veis pelo formato do mundo (inventei essa √ļltima parte s√≥ para manter a tradi√ß√£o de dizer as coisas em tr√™s… foi mal…).
Eu mesmo nunca quis ser biólogo, só não sei dizer exatamente o porquê.
Além de ter uma área de atuação enorme, normalmente envolvem coisas que me interessam.
Acho que tenho interesses maiores por outras coisas. Deve ser isso.
De qualquer forma, parab√©ns aos bi√≥logos e bi√≥logas amigos, conhecidos e an√īnimos por a√≠!
Aproveitem o resto da quarta-feira!
Dica do Fafá, apenas um dos muitos biólogos que dividem as salas dos Lablogatórios aqui perto.
Aliás, biologia lá dá no meio da canela! Se alguém rebolar uma pedra lá dentro é capaz de acertar um biólogo no meio do quengo!

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