Centésimo artigo

Mantenho este blogue há três meses e meio e isto aqui é a centésima entrada.
Prolixo, eu?
Eu não deveria estar escrevendo, mas eu não me contenho.
Deu vontade de escrever (foi quando notei que já tinha 99 artigos publicados e este seria um número duplamente redondo, mas eu não ligo para números famosos) porque comecei a ler várias coisas agora pela manhã sobre a Lei Seca.
A primeira coisa que me veio à mente sobre isso (e pensei nisso hoje pela primeira vez) foi “Lei Seca é um termo um tanto exagerado, nénão?”
De certa forma, isso sempre existiu, sempre foi proibido beber e dirigir (até onde eu lembro), apenas diminuiram o limite. Que não é zero.
Nem pode ser.
Os instrumentos de medição vêm com um certo grau de erro (problemas de calibração) que, se o limite fosse zero, as autoridades poderiam prender o vento por se locomover embriagado.
Comer um chocolate de rum (meu favorito, ainda mais pelo fato de ser sempre o que sobra dentro da caixa já que nenhuma outra pessoa que conheço gosta do bicho) ou um bombom de licor não vai lhe jogar atrás das grades, através das quais o sol aparenta nascer listrado (quando eu era pequeno eu fiz um passeio pela Fortaleza dos Reis Magos (uma fortificação militar do século 17 (não gosto de números romanos) localizada na minha cidade, na esquina do mar com o rio Potengi, ponto estratégico de entrada em Natal), onde me foi mostrada uma cela, cuja única fonte de iluminação e entrada de ar (fora a porta, obviamente), é um buraco atunelado na parede inacreditavelmente grossa (tijolo de oito furos uma ova, lá é tudo PEDRA), por onde, logo cedo, em certos dias, se der sorte, um detido poderia ver o sol nascer. Quadrado), nem vão tomar sua carteira de motorista por causa disso.
Existe sim um limite acima de zero, se não pela bondade da polícia e dos legisladores, mas pela ciência de que os instrumentos não são perfeitos e que pessoas ainda usam antisséticos bucais com álcool.
Eu queria explicar como o bafômetro funciona, mas precisaria pesquisar, interpretar, desenvolver, colocar links, citar fontes, etc, etc, etc e não estou afim de escrever muito hoje…
Sério.
O problema maior é a falta de policiamento e fiscalização.
Aqui existe uma blitz permanente na Via Costeira mas, no dia de um show grande por aquelas bandas na semana retrasada, eu fui na hora em que todo mundo estava indo e voltei na hora em que todo mundo estava voltando e o posto policial ali estava fechado.
Semana passada fui e voltei para uma praia semiurbana em condições semelhantes de tráfego e movimento e encontrei a mesma falta de policiais.
Por mais seca que a lei seja, precisamos de quem a imponha.

Resumo XP

Outro sábado, outro apanhado de artigos meus para quem passa por aqui pelas manhãs dos fins-de-semana pois tem mais o que fazer da vida durante o expediente.
Quem ainda não viu, tem mais um aqui, outro atrás deste link, mais um nesse canto e o último antes deste último pode ser encontrado no primeiro “último”.
Cliquem nas palavras sublinhadas e divirtam-se.
Minha produção foi drasticamente reduzida por vários motivos, mas mesmo assim eu ainda escrevi bastante.
Por exemplo: descrevi minha mulher ideal (e acabei achando!);
publiquei um trabalho (escrito por mim) que talvez comprometa a carreira de uma aspirante a médica (caso o professor dela esteja por aí verificando fontes);
expliquei como funciona um ultrassom enquanto me preparava para ter um feito em mim (não estou grávido, ainda bem);
aproveitei uma entrada num blogue dum amigo meu para me retratar de mentiras que espalhei sobre mamíferos peçonhentos (e cometi um erro matemático que ninguém notou mas ainda está lá para quem quiser apontar);
tirei a graça de alguns adágios quasifamosos (apesar de sempre achar que todos eles jamais foram engraçados);
expus meu próprio roubo de dois artigos excelentes sobre legislação de remédios e alimentos;
falei um pouquinho sobre álcool e joguei umas charadas no meio (para desviar a atenção do assunto real: densidade);
compartilhei com meus leitores a melhor maneira de acertar seus Medidores de Passado;
dei algumas razões práticas para a diminuição da minha pegada carbônica (e um mapa para a minha casa, para os que estão prestando atenção);
também inclui instruções de como construir ferrovias internacionais sem o uso de energia (nas ferrovias, não nas construções).
Escrevi mais que isso, mas preciso deixar alguma coisa para o próximo fim-de-semana.
Vão clicando aí no Calendário ali em cima, nas Etiquetas lá embaixo, nas Categorias aqui ao lado, para coisas minhas, ou nos links Nacionais e Internacionais para ver coisas de outros.
Quem quiser me conhecer, clique aqui ou no meu nome aqui no lado direito (abaixo de Autor).
E comentem. Preciso saber se tem alguém gostando (senão eu choro).
Para os que ainda não sabem, cada linha sublinhada dessas aí em cima é clicável, com uma ligação que leva para outra página, com o artigo indicado.
Não vão embora, eu sei fazer uma massagem Ótima!
Até a próxima!
=¦¤þ

Se uma árvore cai na floresta mas não há ninguém por perto, ela faz barulho?

Lógico que faz.
Durante o meu curso (Engenharia de Áudio e Acústica) eu me envolvi numa discussão acalorada com um professor meu sobre isso.
O ponto de vista dele era “filosófico” (novamente, essa palavra é boa para tentar validar qualquer estupidez e disfarçar sua irrelevância), ou seja, antropocêntrico.
Um som só seria um som se ele o ouvisse.
Ou alguém humano como ele.
A definição técnica (e a que deveria ser sempre usada dentro de uma sala de aula com Acústica Avançada escrito na porta) de som é: Fenômeno acústico que consiste na propagação de ondas sonoras produzidas por um corpo que vibra em meio material elástico.
Ou seja, Som é “transmissão de ondas físicas (sonoras) através de um meio”.
Dizer que a árvore não faz barulho quando cai porque não há alguém para ouvir é como um cego dizer que não existe mundo.
Outro espertíssimo professor (de Trilha Sonora para Filmes e TV) do mesmo curso levou a patética tentativa de fazer algo totalmente ridículo soar plausível para pessoas sem conhecimento específico de Física o filme What the #$*! Do We Know!? para a sala e tentou, sem muito êxito, construir uma ponte entre aquela idiotice e nosso trabalho com som (algo como nos fazer usar física quântica ao mixar um disco, mas não lembro bem, pois estava com a cabeça ocupada tentando desmentir todas as cenas do vídeo).
Quando o DVD acabou e ele terminou seu discurso, eu tentei explicar (o pouco que sabia na época) o que era Física Quântica, como as coisas do mundo funcionavam e porquê aquilo tudo era uma enganação que tinha como alvo pessoas razoavelmente inteligentes mas com um ponto-cego para explicações pseudocientíficas com nomes semicientíficos e que aparentam fazer sentido.
Em vão.
Ele já havia sido capturado pela armadilha do “você pode se dar bem, basta desejar forte o suficiente”.
O ponto do filme em que mais me concentrei e a que mais me ative foi uma cena onde uma “Ph.D” (em Sacanagem Avançada e Aplicada, creio) afirma, com uma convicção que deixaria P.T. Barnum se achando inepto na arte de Enganar Otários Com A Cara Limpa, que quando os Astecas avistaram o primeiro navio espanhol que surgiu no horizonte americano, eles, na verdade, não o viram.
Apenas notaram um distúrbio nas águas e no ar ao redor da nave, mas por se tratar de algo tão inusitado, inesperado e irreconhecível, nenhum deles conseguiu formar, em suas retinas, a imagem de um navio, até chegar o chefe da tribo, um homem muito sábio que disse “o que está causando esse fenômeno é um navio” aí passou a descrever o veículo, o que causou, imediatamente e em todos ao mesmo tempo, que vissem o barco se aproximando.
Primeira coisa que eu disse: Como é que essa mulher sabe disso? Teria ela discutido com o espírito do velho Pajé?
Segunda coisa: se nenhum deles viu o barco por se tratar de algo diferente e bizarro, será que matutos do sítio teriam cegueira direcionada a aviões e prédios altos?
Nessa imbecilidade obra pude conhecer também um sujeito que acredita que água, quando xingada, acha ruim e cria “cristais” que guardam uma memória do abuso.
Para provar sua teoria, ele mostrava copos de água pura que foram bem tratadas e elogiadas e copos, contendo o que ele dizia ser a mesma água (mas que claramente continham água suja e CONGELADA), que estariam impuras por terem sido maltratadas.
Conclusão do gênio: nós que, segundo ele, somos compostos de mais de 90% de água (está mais para 60 a 75%, mas isso é um dado difícil de obter e de pouca importância para um Doutor em Filosofia do calibre do cientista experimentador que cria uma hipótese dessas sobre ÁGUA e o CORPO) devemos procurar quem nos trate bem para que não fiquemos sípidos, nodoros e colores como seus copos mágicos.
Pessoas realmente gostam de acreditar em besteiras.
Meu curso foi muito bom, me ensinou muito sobre Gravação, Mixagem, Edição (minha especialidade) e Masterização, como também sobre Física (aplicada a som), História (da música e da produção e gravação sonora), um pouco de Arquitetura básica (design interior de estúdios) e, por essas e outras, Pensamento Crítico.
Passei semanas e semanas enfiado em uma das melhores bibliotecas do mundo com acesso fácil e rápido a virtualmente qualquer livro que quisesse e li até sangrar os olhos (figurativamente), mas infelizmente, nem o volume monstruoso de informação que obtive em três anos de estudos foram suficientes para convencer um professor de Acústica que som não é necessariamente “aquilo que se escuta” e um outro, de História Fonográfica, que Probabilidade Quântica não é um fenômeno macroscópico.
Outra coisa que aprendi no meu curso: não sou bom em desconverter os outros.

Sólidos, líquidos, gasosos e papinha

Uma substância é chamada de sólidaquando não muda de forma, independente do recipiente onde esteja (um tijolo mantém o formato se estiver tanto num prato quanto num balde), nem pode ser comprimida para ocupar um lugar menor.
É definida como líquida quando muda de forma de acordo com o recipiente (água num copo de uísque vs. copo de champanhe) mas ainda não pode ser comprimida (o princípio básico dos aparelhos mecânicos hidráulicos).
Quando é gasosa, a substância muda de formato e pode ser comprimida (como ar numa espingarda de pressão).
Numa escala menor, um sólido tem suas moléculas bem juntinhas e com uma ligação forte e com posições fixas e entre elas (tipo a sua casa e a do vizinho), um líquido tem suas moléculas mais energizadas que se mexem mais rápido uma coisinham e mantêm contato umas com as outras mas sem posições fixas e um gás não tem estrutura molecular definida, com movimentos semi-aleatórios e muita energia (quando eu falo de energia, estou comparando estados de um mesmo material, como gelo, água e vapor).
Os estados da matéria não são só esses três, como minha professora da primeira série insistia em dizer, mas vários, como por exemplo Plasma, um gás eletricamente carregado e superaquecido (como na superfície do Sol), usado em TVs de plasma.
Essa mesma professora ficou bastante surpresa, depois constrangida e depois com raiva (como era comum se comportar naquele tempo quando confrotado por crianças claramente inferiores e que deveriam, sem sombra de dúvida, estar erradas frente à superioridade dos mestres) quando um dos meus colegas (eu gostaria muito que tivesse sido eu a pensar nisso, mas infelizmente não foi assim que ocorreu) perguntou: “E papinha, é o quê?”
Ela apenas mandou o sujeitinho se calar e parar de atrapalhar sua aula que ela não tinha tempo para perguntas idiotas e “se chorar fica de castigo e conto à sua mãe” (se um dia eu tiver um filho, vou implantar um gravador de áudio na mesa dele no colégio e descontar minhas frustrações infantis eu mesmo).
Mas, eu explico.
Papinha (bem como ketchup, tinta de parede, areia movediça, xampú e sangue) é um líquido. Mas de um tipo especial chamado de líquido não-newtoniano.
O “não-newtoniano” se refere ao fato de o líquido não tem uma viscosidade constante, ficando esta dependente de pressão.
A maneira mais fácil (que eu penso) de explicar é comendo.
Faça uma papa (mingau) de maisena (amido de milho).
Repouse as costas de uma colher sobre a superfície da comida e observe a colher afundar lentamente.
A viscosidade do líquido em repouso, apenas com o peso da colher, é suficiente para fazer o implemento afundar facilmente.
Agora bata com as costas da mesma colher no mingau e note que a colher não afunda, como seria de se esperar que acontecesse em outro líquido (por exemplo, num prato cheio d’água).
Neste caso, a viscosidade aumentou bruscamente, devido à pressão exercida pela pancada, e o líquido passa a se comportar como um sólido.
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=f2XQ97XHjVw]
Isso aí é uma piscina cheia de amido de milho misturado com água.
Aqueles espanhóis loucos…
Quanto mais os líquidos não-newtonianos se popularizam, mais pessoas loucas ganham acesso a eles e mais coisas bizarras são descobertas e filmadas (vi lá em Átila).
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=Px9jcA4decA]
Outros estados da matéria são:
Superfluido – certos gases super-resfriados se condensam e passam a ter viscosidade nula (ou falta de atrito);
Matéria degenerada – gás sob altíssima pressão que forma as estrelas anãs-brancas;
Sólidos amorfos – o melhor exemplo é o vidro, um sólido amorfo de cerâmica que, apesar de sólido, nunca se cristalizou (ou seja, vai do estado líquido para o sólido muito lentamente, sem uma transição brusca ou fronteira específica notável).
Outros exemplos que eu posso dar (e gostaria de ter sabido deles na minha época de primário) são:
==> O que eu vou escrever agora é só a título de curiosidade, são coisas absolutamente inúteis para quem não é físico ou químico ou louco. Não se assustem com os nomes nem tentem decorá-los, pois como disse o sábio certa vez “sempre que eu aprendo, uma coisa nova empurra uma coisa velha do meu cérebro… lembra daquela vez que eu fiz um curso de degustação de vinhos e desaprendi a dirigir?”
Prontos? Lái vái! <==
Estado de Quantum Hall; Condensado Fermiônico; Condensado Bose-Einstein; Supersólido; Líquido de Rede de Cordas; Liquido Supercrítico.
Tem mais, mas realmente não importa. Uma ruma aí já é teórico…

Publicidade

Nasci em Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, sou brasileiro e nordestino de quinta geração (tem 1 português que foi bisavô do meu trisavô, mas o resto foi daqui), mas minha procedência não impediu que eu recebesse (não solicitadamente) um folheto do banco Itaú, com o seguinte texto:

1908
Ano em que o Japão iluminou o Brasil

Tudo bem, propaganda precisa se utilizar desses recursos mesmo, comemorar qualquer coisa para vender mais de qualquer outra coisa. Ao lado desse cabeçalho, há um desenho daqueles tradicionais, de uma japonesa com uma sombrinha de madeira e flores no cabelo com cartões ITAUCARD flutuando em frente a ela. Novamente, tudo bem.
A parte que me intriga é o texto que segue (transcrição ipsis litteris).

Igor,
Há um século, os navios japoneses cruzaram oceanos cheios de sonhos, esperanças e muita dedicação, buscando começar uma nova vida do outro lado do mundo.
Junto com os imigrantes, a cultura milenar japonesa também se estabeleceu em solo brasileiro. Até hoje ela nos influencia profundamente, na comida, no design, na indústria e em nosso dia-a-dia.
Por isso a Itaucard reconhece você como uma pessoa muito especial e oferece um cartão de crédito com limite pré-aprovado de R$1.800,00 para você realizar o que deseja.

???¿??
“Por isso” o quê? Qual parte desse texto mal escrito aí (oceanos esperançosos e dedicados, influência profunda da cultura milenar em nossa indústria, etc.) me caracteriza como uma pessoa passiva de ser reconhecida como muito especial?
Nem o grifo é meu, está escrito desse jeito!
Sério!
Outra:
??
Isso é um TELEFONE! E esse aparelho eletrônico digital vai me fazer amar a minha vida? Notem que não é amar MAIS, é simplesmente AMAR!
Será que o gadget vem com um bom amigo e uma companheira interessante e inteligente?
Talvez acompanhe um aumento de salário como extra.
Pode ser também que ele proporcione calma e tranqülidade e contenha uma rede e um copo d’água sempre gelada. E conte com a função beijo-na-testa-de-boa-noite.
Eu tenho nada contra publicitários (fora preconceito natural), tenho até bons amigos que agem dessa forma.
Só queria deixar isso claro.

Resumo NT

Mais um fim-de-semana, mais uma coletânea direcionada aos ocupados e inexperientes, que chegam aqui e se assustam com a quantidade de artigos já publicados.
A primeira está aqui, a segunda está ali, a terceira está acolá.
Esta é a quarta.
Cliquem nas palavras sublinhadas e divirtam-se.
Você sabe o significado do seu nome? (mais importante ainda, você sabe o que deveria estar fazendo agora?) Uma explicação Igor sobre a relação entre nomes e ocupações.
Leia e se impressione com a tecnologia (e com o que sabem sobre você). O poder da previsão astrológica!
Só leiam este depois de ler o de cima (é mais legal assim). Videntes e trabalhos de caridade.
Observe o que você não vê (mais um artigo não escrito por mim que é um dos melhores nesta página). Descubra o seu ponto cego.
Porquê Einstein importa (antes da Veja me imitar). O que ele fez de tão importante.
Charadas pensas prum lado (para os que têm poucos afazeres). Pensamento Lateral.
Veja aqui como jogar na loteria (e como ganhar na mega-sena). As reais chances do apostador.
Um relato real e curioso sobre bruxas e fantasmas (e talvez até possessão demoníaca). Alucinações e Paralisia do Sono.
Vitamina C para resfriados (assim como Figa para mau-olhado). Os perigos da auto-medicação, hipervitaminose e falta de pensamento crítico.
Baba quem não sabe cuspir (contrastando com o título do artigo). Quase tudo sobre a saliva.
Tavez, a última vez que colo este mesmo link sobre um ladrão incompetente que cruzou meu caminho e findou atrás das grades.
Para os que ainda não sabem, cada linha sublinhada dessas aí em cima é clicável, com uma ligação que leva para outra página, com o artigo indicado.
Não desistam de mim, eu preciso da sua aprovação.
Até a próxima!
=¦¤þ

Quitosina

Nullius in Verba.
Quem não arrisca julgar um livro pela capa, não petisca cara de gato achando que é coração de lebre.
Eu ouvi dizer que quitosina (ou quitosana), um derivado da quitina, e que é encontrada nas carapuças de crustáceos, ajudaria a combater obesidade, englobando a gordura (impedindo sua absorção) consumida imediatamente com a substância, através de ingestão acidental e imperceptível da casca de caranguejo junto com sua deliciosa carne, sendo esse, talvez, o motivo de algumas pessoas não se darem com tal iguaria. Se a gordura não está sendo absorvida, pois está englobada pela quitosana, tem que ser excretada com certa urgência (“quanto mais gordura no bolo fecal, mais rápido ele quer sair”, foi o teor da frase proferida).
Como eu tenho essa mania feia de duvidar de tudo, resolvi pesquisar por mim mesmo em páginas de estudos médicos e clínicos (PubMed, Cochrane Library, MedLine, etc) conduzidos cientificamente e submetidos a revisão por pares.
A wikipédia diz “Quitosana é uma fibra natural retirada na maioria das vezes de crustáceos como camarão, lagosta e carangueijo (sic). É usada na indústria para absorção de gordura, ou ainda no controle de algumas doenças de plantas.”
A entrada que contém o texto acima não contém link algum para estudos ou o mínimo de corroboração. Ou seja, serve de nada.
Um dos estudos que eu encontrei foi uma revisão e comparação de estudos feitos anteriormente (post hoc) e conclui que:

Chitosan is a widely available dietary supplement that claims to aid weight loss and blood cholesterol levels. Trials of chitosan to date have varied considerably in terms of quality. The review suggests that chitosan may have a small effect on body weight but results from high quality trials indicate that this effect is likely to be minimal.

Ou, em bom português:
Quitosina é um suplemento alimentar dietético amplamente disponível que afirma ajudar na perda de peso e níveis de colesterol. Testes atuais de quitosana têm variado bastante em termos de qualidade. A revisão sugere que a quitosana tenha um efeito pequeno no peso corporal mas estudos de qualidade melhor indicam que esse efeito é muito provavelmente mínimo.
Outro estudo concluiu que “o consumo de tabletes de quitosana é seguro, mas que não há efeito significativo nas concentrações de colesterol.”
Logicamente, há também estudos que sugerem que a substância ajuda sim na depleção de gordura do organismo e até na redução do colesterol ruim (LDL).
O intuito deste artigo não é provar ou desprovar a eficácia do polissacarídeo na redução de gordura e colesterol (quem há de fazer isso são os pesquisadores), mas divulgar (usando esse exemplo que eu achei no bolso da minha bermuda) Pensamento Crítico.
Não tomem a palavra de uma só pessoa como prova, pesquisem, vão atrás, cavem um pouco mais fundo atrás de provas consistentes.
Perde-se um tempinho, mas a recompensa é boa.
Quando uma coisa parece boa demais para ser verdade, geralmente o é.
Existem sim drogas e compostos que, comprovadamente, reduzem drasticamente a absorção de gordura no organismo, mas até agora, a quitosina não foi incluída pela comunidade médica como um deles.

Pesos e Medidas

As unidades básicas do Sistema Internacional de Unidades (SI), segundo a Système International d’Unités são as seguintes (vai melhorar lá pra frente, prometo):

    Tempo – segundo (s)
    Comprimento – metro (m)
    Massa – quilograma (kg)
    Corrente elétrica – ampère (A)
    Temperatura termodinâmica – kelvin (K)
    Quantidade de matéria – mol (mol)
    Intensidade luminosa – candela (cd)

A partir dessas, todas as outras unidades podem ser medidas.
Por exemplo, Força (em newtons, ou N) é igual a massa (em kg) multiplicado por uma aceleração (m/s²), e aceleração é espaço (em m)dividido por tempo (em s) duas vezes.
O sistema é também usado para diminuir a quantidade de zeros, por exemplo:
Ao invés de 0,000 000 001 metro, usa-se 1nm (nanômetro)
Agora vem a parte boa!
Um segundo é precisamente medido usando-se átomos de césio 133. Sempre que um elétron de um átomo de césio 133 (esse número é o peso do átomo) mudar de camada nove bilhões, cento e noventa e dois milhões, seiscentos e trinta e um mil, setecentos e setenta vezes (9.192.631.770), teremos EXATAMENTE 1 segundo.
Mais preciso que navegar.
Um metro é calculado usando-se a medição de segundo e a velocidade da luz.
Quando um fóton (caroço de luz) no vácuo andar por 1/299792458 (um sobre duzentos e noventa e nove milhões, setecentos e noventa e dois mil, quatrocentos e cinqüenta e oito) segundo, terá percorrido um metro bem certinho.
Lembrando: 1/2 é igual a metade de alguma coisa, 1/4 dá um quarto, 1/10 é um décimo, 1/100 é um por cento, 1/1000 de um metro é um milímetro, etc.
Um ampére é medido da seguinte forma: corrente constante que, se mantida entre dois fios condutores retos e infinitos ou com seção transversal desprezível, afastados por uma distância de um metro no vácuo, produziria a força por metro de fio equivalente a 2*10^-7 (um 2 precedido por sete zeros, ou 0,00000002) newtons.
Aí vocês se virem para entender que este neguinho aqui tá com dificuldades. Eu só entendi que um amp faz muito pouca força entre um fio e outro.
Um kelvin de temperatura termodinâmica (que é a quantidade de energia térmica liberada por átomos esbarrando nas coisas e uns nos outros) é medida usando dois referenciais; zero absoluto e a temperatura do ponto triplo de uma água super purificada.
Zero absoluto equivale a -273,15° centígrados e é a menor temperatura possível por ser a temperatura onde todo movimento cessa e a energia é zero.
O ponto triplo da água do Padrão Médio da Água do Oceano de Viena (que não é de oceano, mas água puríssima, feita em laboratório e com um nome igualmente laboratoriado) é igual a 0,01º centígrados.
Ou, usando o sistema SI, 0 K (zero kelvin) e 273,16 K.
Depois é só torar a escala em vinte e sete mil, trezentos e dezesseis pedaços iguais e começar a medir boca e boga de menino.
Um mol (que difere da medida nordestina mói¹ por algumas ordens de grandeza) é um número bem grande (seis e uns quebrados seguido por vinte e três zeros), que representa o número de átomos de carbono presentes em 16g de carbono.
Um bilhão é o numeral 1 seguido por oito zeros. A constante de Avogadro tem quase três vezes mais zeros.
A definição de candela tem muito mais nome e requer muito mais conhecimento prévio (intensidade luminosa emitida por uma fonte, em uma dada direção, de luz monocromática de frequência 540*10^12 Hertz e cuja intensidade de radiação em tal direção é de 1/683 watts por esterorradiano), mas é mais fácil explicar como uma rodela de luz verde que, sendo produzida usando-se uma quantidade conhecida de energia, brilha com uma intensidade padrão de 1cd.
Tudo muito massa!
Ah, por falar nisso, faltou falar dela.
Um quilograma é a massa equivalente a um padrão composto por irídio e platina que está localizado no Museu Internacional de Pesos e Medidas na cidade de Sèvres, França desde 1889. Ele é um cilindro eqüilátero de 39 mm de altura por 39 mm de diâmetro.
“Mas que peba!”, eu escuto alguns dizendo.
E eu concordo. Tudo belamente calculado e precisamente medido, aí MASSA, um dos mais importantes, não tem um número absoluto, tem que ser comparado sempre a esse tôco de metal na França (o dicionário tem “frança” mas não tem “espanha” nem “alemanha”, e pode ser que nem “brasil” tenha, podem olhar!).
A comunidade científica, louca de agonia por causa disso, quer mudar a definição, usando pesos naturais imutáveis, como o peso de um átomo ou de um quark (as coisinhas que formam os prótons e neutrons), usando o tamanho de um quantum ou, similarmente ao mol, usando a constante de Avogadro e o peso do carbono.
Só não mudaram ainda porque todas essas medidas são minusculamente ínfimas (um quilo de elétrons teria 1.097.769.238.499.215.084.016.780.676.223 elétrons, um quantum é um zero seguido de uma vírgula e de trinta e quatro zeros antes de aparecer o primeiro número importante, um 6) e não só difíceis de medir mas difíceis de precisar.
Fizeram até uma bola de silício bem lustrosazinha, dizendo que é o objeto mais esférico já criado (UAU!) para servir de padrão.
Um elétron a mais ou a menos não faria tanta diferença assim. Ou faria?
Eu não sei, mas um grão de arroz a mais ou a menos dentro do saco, que é o que me importa, não faz tanta diferença assim.
¹Não tenho uma tabela comigo, mas eu acho que um mói equivale a mais ou menos setenta punhados ou seis rumas, talvez dois ou três bucados e pelo menos mais de três magotes.

Vamos fugir deste lugar

A superfície terrestre é bidimensional, ou seja, só é possível se mover sobre ela em dois eixos (frente-trás, esquerda-direita).
Mas o plano é também tridimensional, por se tratar de uma esfera (na verdade, é um geóide, mas isso é uma meta-referência, por significar literalmente “em forma de Terra”), por isso que se andarmos em uma linha reta, eventualmente voltaremos ao local de partida.
Um efeito interessante que ilustra isso bem é um que envolve a noção de pólos. Se eu estiver em pé no ponto mais ao norte do globo, ou Pólo Norte, não importa em que direção em me desloque, estarei sempre indo em direção ao sul. Não estarei indo para o leste, oeste, noroeste, sudoeste, nor-nordeste, apenas para o sul.
Linha reta não é um termo adequado, pois uma linha realmente reta teria que se estender além da superfície, pois esta não é plana.
Uma representação visual que deixa isso que eu disse mais fácil de entender: um lápis seria a linha reta e uma bola de tênis seria o plano terrestre. Enquanto o lápis manter o seu formato, não poderá ter mais de dois pontos encostando na bola.
A menor distância entre dois pontos numa esfera (ou qualquer espaço curvado) é chamada de geodésica, uma linha que circunda o globo ao redor da parte mais gordinha.
A Linha do Equador é uma geodésica, mas o Trópico de Capricórnio não é.
Para nós tropicálios, isso não faz muita diferença, mas para quem mora bem mais ao sul ou ao norte, isso deve ser considerado, especialmente em viagens aéreas.
Por exemplo: O menor caminho entre Sidney, na Austrália, e Santiago, no Chile, ambos a 33º (e uns quebrados) de latitude sul, não é seguindo o caminho que parece mais intuitivo, apenas se deslocando para a direita, mas seguindo a geodésica entre os dois pontos, que passa quase por cima da Antártica!
Seria como pegar a Linha do Equador e encaixar de modo que ela tocasse naquelas duas cidades. Ela sairia de Sidney indo tanto para a direita quanto para baixo, até metade do caminho, quando começaria a subir em direção a Santiago.
Parece estranho, mas faz sentido. Perguntem aos engenheiros de tráfego aéreo das companhias de aviação.
E (já consigo ouvi-los perguntando) se eu quiser ir de trem?
A viagem ferroviária seria bem mais fácil e usaria bem menos energia.
Aliás, usaria zero energia. Energia antropogênica, pelo menos.
Para o deslocamento, apenas, pois as condições necessárias seriam energeticamente bem dispendiosas.
Teoricamente, na verdade.
Voltando ao exemplo do lápis e da bola de tênis:
A única maneira de fazer uma linha reta (lápis) tocar em dois pontos de uma esfera (bola) é atravessá-la.
Empalar a bola de tênis com o lápis faz com que este tenha dois pontos de contato com aquela.
Se o acessório esportivo do meu exemplo fosse sólido (ao invés de ser cheio apenas de ar), o implemento escrevedor deixaria um túnel escavado, ao ser retirado.
Na Terra, caso fosse possível tal manobra, ficaríamos com um Túnel Gravitacional.
Através de um buraco em linha reta (reto o suficiente de modo que, por um lado enxergaríamos a outra entrada) seria possível, por exemplo, usando nada mais que a força gravitacional terrestre, ir de Natal a Salvador em quarenta e dois minutos e doze segundos.
Entre Natal e Moscou, a viagem duraria quarenta e dois minutos e doze segundos.
Aliás, através de um túnel em linha reta entre quaisquer dois pontos, uma viagem de ida com o auxílio de nada mais que a gravidade, duraria sempre 42 minutos e 12 segundos.
Desde que não haja fricção, obviamente.
Da entrada até o ponto central da passagem, a gravidade está puxando o vagão (que está essencialmente em queda livre), cada vez mais rapidamente, com aceleração constante.
Quando solto da boca do buraco, a velocidade vai aumentando mais e mais, até passar da metade, vinte e um minutos e seis segundos depois de começar a cair, quando o processo se inverte e a velocidade diminui até chegar a zero, na saída.
Quanto mais longo for o túnel, mais rápido o trem se moveria e maior seria a velocidade máxima. Se o buraco for rasinho, o vagão iria bem mais lentamente.
Com uma velocidade média maior para uma distância maior e uma velocidade média menor para uma distância proporcionalmente menor, o tempo se mantém constante.
42’12”
Mas, novamente, não pode haver fricção de qualquer tipo dentro do túnel. Não pode haver ar dentro dele nem o trem não pode encostar nas paredes.
Isso pode ser mais difícil de alcançar.
Caso eu fosse tendencioso, teria dito apenas 42 minutos e faria menção à resposta para a Vida, o Universo e de tudo mais, mas não faria isso com vocês…
Para mais sobre o Trem Gravitacional (em inglês), leia esta página da BBC e esta outra da revista Time.

Resumo 2.0

Seguindo a minha mais nova tradição, apresento a terceira coletânea de artigos que acho interessantes para que os recém-chegados e leitores de fins-de-semana não precisem se cansar fuçando demais.
A primeira está aqui, a segunda está aqui.
Se se interessar, clique na palavra sublinhada.
Artigo puramente filosófico sobre traição (“filosofia” é uma palavra boa para se usar nesses momentos, porque protege qualquer barbaridade que se escreva). Vegetarianismo explicado.
Como finalmente acabar com a Dengue (numa cidade como Natal).
Para os que já queimaram o foquito (e se perguntam por quê). Lâmpadas que deixam de funcionar.
Mentir é feio (mas não é o nariz que cresce). Um pequeníssimo guia de falácias.
Ô ô ô, sorria… (e aprenda a criar rostos com símbolos). Uma palavra grande com um significado maior ainda.
Que bundinha gostosa… (o conteúdo também é bom, segundo alguns). Formigas, Parasitas e co-evolução.
Relaxe (sério, relaxe…). Um texto sobre a nossa importância no Universo.
Vários nomes grande e coisas que você não sabia (nem se interessava em saber) sobre sabão.
A sabedoria do Rei do Baião (e porquê Bio-química é tão importante hoje em dia). MHC vs. Atração Sexual.
Homenagem devida aos fisicistas (e mil links). Participação na blogagem coletiva no dia do Físico.
Mais uma vez, uma aula de como ser mal-sucedido no mundo do crime.
Um sujeito desprovido de caráter mas com um nome conhecido.
Depois leiam isto.
Para os que ainda não sabem, cada linha sublinhada dessas aí em cima é clicável, com uma ligação que leva para outra página, com o artigo indicado.
Não desistam de mim, estou sempre por aqui.
Até a próxima!
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