Estragando piadas

“A maneira mais rápida de sugar toda a graça de uma piada é examiná-la e tentar entender porque ela tem graça.”
-Richard Wiseman, durante sua busca pela piada mais engraçada do mundo-
1 – Por que baixamos o som no carro quando estamos procurando um endereço na rua?
Apesar dos sentidos da audição e da visão estarem separados, ambos estão sendo processador pelo mesmo cérebro e dividindo a atenção mental, que não está tão bem separada.
Equivalente – fechar os olhos para tentar lembrar uma palavra.
2 – Quem colocou a placa “não pise na grama”?
Alguém que entende o conceito de “fadiga de material” e sabe que compensa pisar uma só vez no gramado (causando danos mínimos ou inexistentes) para tentar evitar que várias pessoas façam o mesmo (causando danos severos através de repetição).
Equivalente – erosão causada pelas ondas em rochas à beira-mar ao longo dos anos.
3 – Por que as pessoas vasculham a casa toda procurando pelo controle remoto da TV só para não terem que se levantar para trocar de canal?
O primeiro motivo seria recuperar um bem perdido. O controle é uma posse material e ninguém gosta de perder suas coisas. Segundo, começa-se a procurar o controle na expectativa de que a busca dure alguns segundos, mas quanto mais tempo passamos procurando, mais estamos investidos na busca e mais difícil se torna parar a busca. Uma terceira razão, mas talvez a mais importante, é que, assim que acharmos o controle, não precisaremos mais nos levantar para acionar as funções da TV. Comparativamente, uma hora de esforço durante o escrutínio se torna desprezível ao lado de centenas de horas de cômoda espectação sedentária e confortável.
Equivalente – ligar de casa para o próprio celular perdido para achá-lo e fazer uma ligação.
4 – Por que em filmes de batalhas espaciais as explosões são tão barulhentas se o som não se propaga no vácuo?
Isso é um artifício chamado hiper-realismo (ou hiperrealismo, na nova língua), usado em filmes para aumentar o impacto das cenas, utilizando um processo chamado foley, que consiste em “dublar” todos os sons de todas as cenas, se valendo de sons já armazenados em bibliotecas específicas ou alguns gravados especialmente para aquilo. Todos os filmes (raríssimas exceções se aplicam) têm uma trilha sonora contínua, seja diálogo, musica ou efeitos sonoros, sem um segundo sequer de silêncio. Por mais silenciosa que pareça uma cena, sempre há o som de respiração, uma nota se estendendo até acabar, um carro passando ao longe, páginas sendo viradas, etc. Em filme, até o tragar de um cigarro é audível.
E mais, filmes que tratam de naves espaciais e guerras interplanetárias geralmente sustentam um nível de ficção altíssimo.
Nenhum som em um filme (quanto mais recente, mais verdadeira é a afirmação) é real, produzido “in loco” pelo que está sendo mostrado e qualquer informação recebida através de uma tela deve ser duvidada.
Equivalente – sons de socos no estômago que soam como pauladas em sacos de areia e armas de fogo que sempre que são movidas soam como se tivessem folgadas.
5 – Por que os pilotos Kamikazes usavam capacete?
Para evitar que uma pancada na cabeça durante o caminho até o alvo os impossibilitasse de completar a missão.
Equivalente – os capacetes usados pelos pedreiros que trabalham na construção do pavimento mais elevado de um edifício, que são usados não em caso de queda, mas para proteger contra uma ferramenta mal manuseada.
6 – Por que quando se liga pra um número errado, nunca dá ocupado?
Porque quando ligamos e está ocupado, não sabemos que o número estava errado.
Equivalente – a frase “sempre sei quando alguém usa peruca (ou silicone)”. Se o chinó (ou implante) for bem feito e discreto, é impossível registrar.
7 – Por que as luas dos outros planetas têm nome, mas a nossa não?
Em primeiro lugar, o que é comumente chamado de lua é oficialmente denominado satélite natural. O nosso satélite natural tem um nome, ele se chama Lua (com letra maiúscula). E, finalmente, a resposta mais óbvia de que a nossa Lua foi a primeira a ser observada e nomeada.
Equivalente – chamar lâminas de barbear de gilete e esponjas de aço de bombril.
8 – Por que quando não há um teclado instalado no computador, surge a frase “pressione qualquer tecla para continuar”?
Porque o ato de pressionar qualquer tecla que seja implica em um teclado haver sido instalado e o problema inicial resolvido.
Equivalente – empresas ou indivíduos que propagandeiam serviços de conserto de telefones utilizando-se de um número de telefone (que é a maneira mais prática de se contactar um prestador de serviço), esperando que o contratante use um outro aparelho (no trabalho, na casa do vizinho, ou um telefone público), que não o defeituoso para chamá-los.
9 – Se depois do banho estamos limpos, por que então lavamos a toalha?
Porque as toalhas ficam molhadas e tecidos úmidos são ótimos criadores de bactérias, inclusive algumas que produzem odores desagradáveis e outras que irritam a pele e podem causar dermatites, que é o principal motivo de nos enxugarmos em primeiro lugar.
Equivalente – lavar a pia após lavar a louça para tirar a gordura depositada nela e que só é extraída por meios mecânicos (o ato de esfregar) e não somente químicos (o sabão que caiu ali, já saturado de óleo).
10 – Quando alguém perde algo, por que algumas pessoas perguntam onde o objeto foi perdido?
Porque isso ajuda a reduzir o campo de busca. Por exemplo, se o sujeito se deu conta dentro do carro, a caminho do serviço, de que perdeu o celular, a procura já não se dará no local de trabalho. E, algumas vezes, sabe-se especificamente onde tal coisa foi deixada (entrou no carro com o telefone, saiu sem ele). A pergunta é às vezes mal feita, mas o sentido (quando a pessoa percebeu que o item tinha desaparecido) é normalmente entendido.
Equivalente – perguntar que gosto uma comida estranha tem, pois é absolutamente possível descrever um sabor incomum usando características de outros já conhecidos (novamente, uma pergunta mal estruturada, pois deseja-se saber com qual outra comida conhecida aquela diferente se parece).
Disponham.

Resumo 1.0

Vou começar a colocar links pras coisas antigas e mais interessantes (quem escolhe se é interessante ou não sou eu, mas quase tudo aqui foi escrito por mim de todo jeito), para ninguém ter que ir lendo um por um (apesar de eu achar que devem).
Este é um dos mais antigos e nem é sobre ciência, mas eu quero que todo mundo do mundo leia a estória. E depois leiam isto. É sobre um ladrãozinho metido a besta que ronda por aqui.
A cura rápida e certeira para suas ressacas (eu não vendo nada por aqui, mas ao vivo podemos conversar).
Escreva (e depois apague). Tudo sobre lápis(s)
A matemática é nossa amiga (ou, como a falta de preparo para uma entrevista pode render uma boa malhada). Terremotos e escalas.
Uma homenagem aos nossos irmãos de cor (ou um poema apaixonado, fica a seu critério).
Fotos ótimas (sensações melhores ainda). 18 anos de Telescópio Espacial Hubble.
Placebo (não a banda). Por que são usados?
Entenda como os cachorros vêem (e porque podemos dizer isso com certeza). A visão canina explicada.
O céu é azul (mas só às vezes).
Veja agora como perder peso e se manter saudável! (novamente, não vendo nada por aqui…). A dieta certa para você.
Para os que ainda não sabem, cada linha sublinhada dessas aí em cima é clicável, com uma ligação que leva para outra página, com o artigo indicado.
Não desistam de mim.
Até a próxima!
=¦¤þ

Samba de Orni

Abri um blogue dum camarada hoje pela manhã que fala de ornitorrincos (não profundamente, só cita o nome mesmo), aí deu vontade de falar sobre esses animais MUCHO LOKOS (um alô para Renan!).
O Ornithorhynchus anatinus é, antes de mais nada, um mamífero.
PORÉM
Seqüenciamento do material genético do bicho revelou que ele tem algumas características de aves e de répteis, o que não quer dizer que ele deixa de ser mamífero.
Por exemplo, nós não temos um casaco de pêlos como os outros membros da classe Mammalia, e essa calvície epitelial é característica dos répteis, mas nós não somos misturados com eles. Somos?
Mas, vamos às bizarrices (não acho que vocês tenham vindo me visitar pelos meus olhos negros):
ornitorrinco
1 – O bicho é peludo, produz leite e põe ovos.
+3 pontos para os mamíferos
2 – Os pêlos são cobertos de uma camada impermeabilizante.
+1 ponto para as aves
3 – Os ovos são moles.
+1 ponto para os répteis
4 – Bico e pés de pato.
+2 pontos para as aves
5 – Ferrão venenoso.
+1 ponto para os répteis
6 – Eletroreceptores ao redor do bico que lhe garante Eletrolocalização.
+1 ponto para os peixes
7 – Apesar de produzir leite, não tem mamilos e o secreta através da pele abdominal, sendo guiado por um tufo de pêlos. Huummm!
-1 ponto pela seboseira (imaginem o cheiro desses cabelos quando o leite misturado com baba e água salobra de um córrego seca ao sol australiano)
Mamíferos 3 x Aves 3 x Répteis 2 x Peixes 1
Não exatamente científico esse meu método de pontos, eu sei.
Eu disse um dia desses que o bicho tinha mais material genético de aves que de qualquer outra classe, mas eu estava (fui) enganado (é nisso que dá acreditar na primeira fonte, por mais confiável que seja).
Eis uma tabela:

Traduzindo:
Monotremos são o ornitorrinco e a equidna, que são mamíferos que põe ovos;
Marsupiais são o canguru e o coala, que são animais com duas fases de gestação, uma interna e outra externa (dentro de uma bolsa);
Placentais são o resto dos mamíferos, cuja gestação se dá inteiramente dentro de uma placenta;
Duas linhas convergentes indicam um ancestral comum, ou seja, os amniotas (animais cujos embriões são envoltos em líquido amniótico) se dividiram em dois grupos, um deles se dividiu em aves e répteis e o outro virou o grupo dos mamíferos. Depois, o grupo monotremata se separou e, bem mais tarde, os marsupiais dos placentários (não coloquei datas no gráficos porque fiquei com preguiça, mas são milhões e milhões de anos, de baixo para cima).
Dá para entender, é só ler de novo…
Lição de hoje: quando ouvir um negócio bem massa e que pareça fazer sentido, desconfie e procure mais informações antes de sair por aí espalhando desinformação.

Dá para ouvir isso?

Ultra-Sonografia (ou ultrassonografia, em acordo com as novas regras da Língua Portuguesa) utiliza ondas sonoras de altíssima frequência (ultrassom, ou som acima da capacidade auditiva humana) para formar imagens (grafia) numa telinha.
Morcegos e golfinhos usam uma técnica parecida, chamada “ecolocalização” (eco = som refletido), enquanto o processo similar em submarinos é chamado “sonar” (corruptela de som + radar).
O processo é o seguinte; uma onda sonora de alta frequência (a reforma da língua aboliu também o trema, estou tentando me adequar) é lançada sobre objetos sólidos para que reflita e seja captada por um sensor. Se um pedaço do objeto estiver mais perto, o eco vai voltar mais rápido, se estiver mais longe, demorará mais a voltar, o que forma uma imagem plana (bidimensional) do objeto.
E por que alta frequência?
Quanto mais alta, menor é o comprimento da onda. Quanto menor for esse comprimento, de modo a manter e velocidade do som constante (não importa o tom, o som sempre vai andar na mesma velocidade, dentro das mesmas condições, por isso que todos os sons de uma banda chegam ao mesmo tempo em nossos ouvidos), a energia aumenta (a energia total não muda, o que muda é a quantidade de “força” pra “frente”, já que não precisa se mexer tanto pros “lados”). Quanto maior a energia, mais difícil será de se dissipar (ondas mais compridas e com frequência menor também sofrem interferência gravitacionais, mas isso é MUITO além do que eu estou preparado para explicar hoje), mais facilmente se refletirá (dificultando a absorção) e melhor serão as imagens. Como as imagens não são reais, mas a combinação de presença ou ausência de reflexos dessas ondas, a figura aparece em preto (presença) e branco (ausência). Alguns sonares contam com representações coloridas, como um mapa geográfico, onde a distância das coisas (o tempo que a onda leva para ser refletida) induz cores diferentes, mas isso também é irrelevante no momento.
O que importa é que ultrassonografia é um exame muito útil e totalmente seguro (a não ser que se tenha alergia ao gel, mas este também é bastante inerte, à base de água e não gosta de reagir com as coisas) e que deve ser utilizado em pré-natais (ou prénatais, não tenho certeza se a forma original tem hífen), principalmente agora que aperfeiçoaram a técnica e as imagens estão saindo quase tridimensionais (“quase” porque ainda são projetadas numa tela plana, em duas dimensões).
Faça Pré-Natal, acompanhe o desenvolvimento do feto para garantir que a criança nasça que preste.
E minha contribuição para o serviço de utilidade pública termina aqui.
P.S.1 O limite de audição humano é 20kHz, ou vinte mil ciclos por segundo.
Um ultrassom gera entre 2 e 14 milhões desses ciclos (2~14MHz).
P.S.2 Depois da revisão ortográfica lusófona, frases como “eu pélo pêlo pelo corpo” (eu pelo pelo pelo corpo) e “ele pára para ninguém” (ele para para ninguém) me deixaram muito confuso…

Saúde e Doença

Estava lendo uns textos antigos meus em busca de algo bom (e já escrito, que me economize tendões) e achei este, que escrevi como um trabalho de faculdade para uma aluna de Medicina que “trabalha os dois turnos e não tem tempo de pesquisar”.
Sugestão: pare de ver novela; só aí já vão três horas a mais na sua vida.
Eu só fiz esse, e só fiz porque achei interessante o tema.
Quer ser médica? Estude!
Segue o texto:

A definição da OMS (Organização Mundial da Saúde) de saúde é que “Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não só a mera ausência de doença ou enfermidade” e uma boa definição de doença é “condição anormal de um organismo que óbsta o funcionamento de funções corporais, associada com sintomas e indícios”.
Daí já vê-se que há mais entre doença e saúde que talvez primeiramente pensado. Desde o começo da sociedade organizada que a Humanidade tenta livrar-se dos males que a afligem, mas até a introdução da Teoria dos Germes, postulada por Robert Koch (Prêmio Nobel em Medicina em 1905 pela descoberta e estudo do bacilo tuberculoso) em 1875, quando este identificou que o antraz (Bacillus anthracis) era transmitido por um agente infeccioso, ainda achava-se que moléstias eram, desde geradas espontaneamente (como mostra o texto mais antigo sobre medicina, o indiano Atharvaveda), até carregadas por mau-cheiro (teoria do miasma, prevalente desde o século XIII ao XIX), ao invés de passadas por microorganismos que crescem se reproduzindo.
Tal teoria, ou Postulados de Koch como veio a ser conhecida, diz que, para se estabelecer que um organismo é a causa de uma doença, este deve ser: encontrado em todos os casos examinados da doença; preparado e mantido em uma cultura pura; capaz de reproduzir a infecção original, mesmo após várias gerações em cultura, e; ser colhido de um animal inoculado e capaz de criar nova cultura. Usando este método de detecção e estudo, os alunos de Koch (apenas a primeira geração de médicos seguindo essa orientação) conseguiram, entre eles, determinar os organismos causadores de difteria, tifóide, pneumonia, gonorréia, meningite cerebroespinhal, lepra, praga bubônica, tétano e sífilis, salvando, assim, milhões de pessoas de uma morte desnecessária, que seria tratada, caso contrário, por curandeiros e outros métodos, invocando mais superstição que métodos científicos reais e comprovados.
Há, também, outras causas de doenças, como radioatividade (partículas subatômicas com massa, como prótons e neutrons, ultra-energizados), deficiência nutritiva (anorexia e licorrexia), problemas genéticos (Parkinson, distúrbio bipolar), exposição (ao sol, melanoma; à fumaça de cigarro, câncer pulmonar), traumas psicológicos (agorafobia, paranóia), entre outros.
Há também quem argumente que pobreza, discriminação social, corrupção, hiprocrisia, etc, são doenças sociais, parasitárias e debilitantes, que destróem a sanidade do espírito do indivíduo sadio, transformando-o em um doente social, incapaz de exercer suas plenas funções dentro do ambiente comum (espírito, neste caso, entendendo-se o humor e o relacionamento do um com o todo, baseado em estímulos e respostas, e não algo paranormal ou mágico).
Saúde, portanto, não é apenas o inverso de doença, ou vice-versa, existe um sem-fim de definições e argumentos, alguns melhores que outros, mas, concisamente, Doença é um mal afligido por um agente intrínseco ou extrínseco, que debilita um sujeito, e, Saúde é um bem-estar completo e total.

Texto escrito por Igor Santos (caso algum professor de fisiologia esteja verificando fontes para descobrir possíveis plágios).

Um cientista (louco) em minha vida

Pelos idos de meados dos anos 80, o seguinte diálogo se desenvolveu:
Pessoa qualquer:
– O que você quer ser quando crescer?
Eu:
– Cientista!
Essa sempre foi a minha resposta.
Nunca quis ser bombeiro, super-homem, astronauta, jogador de futebol, marinheiro, lutador, fazendeiro, maquinista, carteiro, dono de bodega, explorador, marceneiro, juiz.
Sempre quis ser Cientista.
Fosse lá o que isso significasse.
Eu achava até a palavra bonita.
Microscópios, bicos de Bunsen, balanças, destiladores, tubos de ensaio, placas de Petri, pilões, béqueres, pipetas. Eu não sabia o nome de nada disso, eram apenas vidrinhos em formatos estranhos contendo líquidos coloridos e instrumentos para mexer, medir e transformar substâncias.
Sempre quis andar de bata (jaleco) e parecer importante por estar fazendo algo que não tinha como alguém não achar legal.
Sou fascinado pela Natureza desde que envolvi um caroço de feijão num algodão molhado por alguns dias e o vi brotar. Que coisa fantástica!
Eu precisava saber mais!
Alguns fatos (que eu me lembro enquanto escrevo isto) que me direcionaram mais ainda para esse lado:
1 – notar que óleo boiava em água, ao ver uma reportagem sobre um derramento de petróleo no mar; perguntei à minha mãe se dava para misturar os dois e ela respondeu (ainda lembro das palavras): “Nem a força CENTRÍFUGA de um liquidificador consegue misturar água e petróleo!”
Eu fiquei a ponto de morrer! Me vieram tantas perguntas que eu só consegui murmurar um “aah…” desapontado. O que era petróleo? Era parecido com óleo? Por que era preto? Por que não se misturava com água? Tinha um eletrodoméstico no meu lar que criava força centrífuga? O que era Força Centrífuga?
2 – tomar um remédio que vinha num vidrinho com conta-gotas; pedi ao meu pai para brincar com o conta-gotas. Ele fez melhor e me mostrou como fazer para segurar um líquido dentro de um canudo, tapando uma das pontas com o dedo.
Que negócio MASSA! Passei o resto do dia brincando com esse canudo. Aprendi a soltar gotas controladamente e tudo! Ele me disse que o nome daquilo era “pipeta”. Pipeta? Que nome massa! Não só eu estava brincando com uma das coisas mais ótimas já vistas pela humanidade, ela ainda tinha um nome apto à sua magnificência legalística!
3 – tentar levantar um tamborete enquanto sentado nele; me ocorreu essa idéia e eu decidi testar, para ver se era forte mesmo (outra coisa que eu sempre quis ser foi forte). Passei alguns minutos segurando os lados do banco e usando toda a força que eu tinha, mas por algum motivo eu só conseguia desencostar o danado se estivesse pisando no chão. Que coisa estranha. Mais alguns minutos correram até que eu entendi que não ia dar, não importava o quão forte eu fosse, só conseguiria levantar o banquinho se tivesse outra forma de apoio. Eu sentia que quanto mais força eu fazia nos braços, mais colado eu ficava no assento (eu pensei em escrever “…mais minha bunda se apragatava…”, mas achei que não seria de bom tom, ainda bem que não o fiz) e percebi que o problema deveria estar aí. Não me aprofundei mais no assunto naquele momento pois devo ter sentido fome ou vontade de correr pela casa, mas enquanto eu estava ali, todo pequeno e ingênuo, essa questão me fez ferver o cérebro.
Desde que consegui alcançar coisas em cima de mesas, sempre que ia a um restaurante, ao fim das refeições (não me era permitido antes) eu pegava TUDO o que fosse líquido (e sólidos que coubessem num copo) e tivesse sobrado e misturava. Refrigerante, cerveja, molho inglês, molho de pimenta, azeite, vinagre, espremia limão, adicionava sal, açúcar, guardanapos usados, restos de cebola e ficava observando o copo até ser puxado para fora.
Eu queria que alguma coisa acontecesse, sempre quis descobrir algo.
E descobri, certo dia quando ainda havia gás num resto de cerveja. Nesse dia eu comecei pelo sal. E uma espuma grossa e muita começou a aparecer. Eu não conseguia acreditar! Eu havia descoberto algo! Nesse dia, eu dormi mais feliz.
Desde que aprendi a ler com confiança que leio os rótulos das coisas.
Estabilizantes, Umectantes, Conservantes, Corantes, letras e palavras seguidas de números (E211, amarelo 42).
Lia também os resultados de laboratório dos meus exames, os livros de Ciências da escola por completo no dia em que os comprava, bulas de remédios, etc. Basicamente, eu lia tudo o que ninguém mais se dava ao trabalho de ler.
Aí fui crescendo, aprendendo a ciência do colégio, que nem sempre é muito boa e muitas vezes é simplesmente errada, como ensinar que os receptores de sabor na língua são compartimentados (sal só é degustado na base da língua, açúcar dos lados, amargo na ponta e azedo em cima), o que não é verdade, todos os pontos da língua têm papilas receptoras para todos os sabores (inclusive o quinto, Umami, que representa o sabor de carne).
Mas por ser colégio e seguir um sistema de ensino seboso e idiotificante, onde o professor é Deus e não deve ser questionado em qualquer situação, mesmo quando está flagrantemente errado (tão ridiculamente errado, às vezes, que uma criança de oito anos tem completa e total certeza do erro), eu acabei perdendo meu ímpeto e só queria mesmo saber de correr e fazer conta.
Depois troquei os cálculos pela TV.
Isso seria uma tragédia, não fosse anos 90 e não fosse um Produtor de Programação sabido.
Eis que surge uma placa, onde está escrito South Pole, e uma voz, já conhecida, que a traduzia, dizendo “Pólo sul”.
Surgem dois fantoches de pingüins, em meio a muita neve e defronte a uma TV (hoje em dia seria suficiente para me fazer mudar de canal, mas nessa época eu era mais curioso, tinha mais tempo e o controle deveria estar meio longe), conversando algo bem sem graça, mas com potencial, com as mesmas vozes já familiares para quem assiste a muita televisão dublada.
Então, algo ainda mais bizarro se manifesta. Uma coisa tão impressionantemente estranha que me deixa louco de curiosidade.
Muita fumaça, muitos clarões de luz, um sujeito com os cabelos loucos de personagem de revistinha (revista em quadrinhos, gibi) que levou um choque, agindo como se fosse um mamulengo, com os polegares, indicadores e mindinhos estirados, gesticulando imensamente e vestindo um sobretudo verde.
– Fato! (não consigo lembrar o que foi dito depois disso, mas foi uma informação que me fez querer não me levantar até acabar o programa)
-Eu sou o Beakman, e vocês acabam de entrar no MUNDO DO BEAKMAN!
E como se isso já não fosse o suficiente, trinta segundos da melhor música de introdução já transmitida se seguem.
BEAKMAAAAAAAAAAAAAAAAAN
Percussão, acordeon, guitarra, baixo, bateria, explosões, efeitos sonoros.
O QUE É ISSO E POR QUE EU NUNCA VI ISSO ANTES?
O cientista em minha vida, objeto desta dissertação, refere-se a si mesmo por “Beakman”.
Ele reacendeu minha paixão pelo mundo natural.
Não era só mais um programa de variedades variadas e curiosidades curiosas, era algo com conteúdo, explicações.
Por que nunca houve algo assim antes? Será que era mais fácil vestir um sujeito numa fantasia de pinto e fazê-lo dançar com outro de terno que dizia hipnotizar galinhas?
Taí um programa com um cabra vestido de rato (DE RATO!) que não dança, mas serve de escada para piadas e que é um homem (ou rato) de atitude!
Uma assistente que não dança de biquíni numa taça de champanhe gigante com bambolês colados rodando ao seu redor, mas uma que é feia, mal-amanhada e ainda faz caretas e é gasguita.
E um apresentador que não constrange os convidados e funcionários, não fala “Ô LÔCO, MÊU”, “ÔRRA, MÊU” e “pentelho” a cada cinco segundos e ainda EXPLICA coisas interessantes de um jeito interessante.
É difícil assim fazer isso? Não!
Das várias coisas que Beakman me ensinou (uma maneira mais correta seria dizer “me fez aprender”, porque eu fui ensinado durantes vários anos por pulhas indolentes e pouco aprendi), puxando pelo memória neste momento, destaco quatro:
1 – Um episódio sobre Método Científico, onde ele mostra que água não conduz eletricidade para provar a hipótese de que água salgada é condutora.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Guv77iUnFY8]
Viva o youtube!
Ao ver o vídeo novamente hoje, depois de tanto anos, eu lembrei o que senti no dia em que o assisti pela primeira vez.
Quando ele coloca os fios dentro da água e a lâmpada não acende, eu fiquei sem reação, meu mundo parou de fazer sentido por alguns instantes. Como assim água não conduz eletricidade? E todas as estórias que eu ouvi de pessoas molhadas levando choques por estarem molhadas?
Mas ele não deixa buracos e explica isso também (assista ao vídeo)!
2 – Um episódio sobre sabão, onde ele explica o que é Tensão Superficial e como esta é afetada pelo sabão.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=-GprcRs56ug#]
E outro (não achei vídeo), relacionado a esse, onde ele demonstra a Tensão Superficial da água fazendo um clipe boiar e construindo uma lancha de papel (um barquinho raso com um buraco na parte de trás onde ele pinga detergente, fazendo o barco disparar pela água).
3 – Uma explicação sobre Gravidade, Movimento Pendular, Atrito, Energial Potencial e Cinética com uma melancia.
Ele amarra uma melancia num cordão preso ao teto, vai até uma parede, encosta a fruta no rosto e a solta (criando efetivamente um pêndulo). Esta não o atinge na volta porque não tem energia suficiente, podendo chegar, no máximo, até o ponto de onde foi solta.
A partir dessa demonstração ele explica, de maneira simples, precisa e agradável, o motivo daquilo acontecer. Genial!
4 – A Física sendo usada para rasgar uma lista telefônica.
Esse foi O MELHOR episódio do programa, tanto pela simples excelência quanto pelo dinheiro que eu ganhei depois dos bestas que não assistiam ao programa e apostavam comigo (dica do próprio Beakman).
Ele mostra como rasgar uma lista telefônica ao meio, de uma vez só.
E completa explicando como isso é possível.
Beakman é o cara!
Beakman
E por ter me relembrado como Ciência é ótima e divertida e como, certa vez, eu queria, com toda a minha convicção, ser um Cientista, ele é também um Cientista em Minha Vida.

Lester, o rato: Muito bem, Beakman, qual é o truque?
Beakman: Lester, quando você tem a Ciência, não precisa de truques!

Determinismo Nominal

==> Antes de começar o artigo de hoje:
Era para ter escrito isso ontem, mas esqueci.
Eu tenho costume (nem sempre cumpro, mas ultimamente tenho seguido à risca) de passar os domingos sozinho (especialmente anteontem), trancado dentro de casa.
É bom que dá para ler, ouvir música, fazer comida e, mais importante, pensar na vida.
Eu não gosto de acordar cedo, principalmente no começo da semana. Mas, como eu passo o domingo sentindo o peso sombrio e gélido da Solidão, eu acordo com o sol e um pouco mais de vontade, porque sei que estou indo para onde tem gente, já não mais ficarei só.
Ficar sozinho não é bom, principalmente quando existem pessoas que dariam muita coisa para lhe acompanhar.
Trate bem (ou melhorzinho pouca coisa) quem gosta de você, pois isso é um evento raro (estatisticamente, pelo menos, pois somos quase 7 bilhões de pessoas e quantas gostam de você? Quinze, trinta? Menos de 0,00000001%).
Gente é quente, solidão é fria de trincar os dentes.
De volta à programação normal. <===
Dia desses eu falei de Igor Stravinsky, grande compositor russo e que revolucionou (mais ou menos) a música.
Enquanto escrevia aquilo (ainda estou, pois estou escrevendo isto ao mesmo tempo, em outra janela do meu editor de texto), me ocorreu que eu também me chamo Igor e também sou compositor/músico. Ainda não revolucionei nada (só a minha vida, algumas vezes) mas talvez um dia eu chegue lá.
Tem um sujeito aqui na minha cidade chamado Beethoven, que também é músico!
Tenho um tio que divide o nome com um famoso dramaturgo do décimo sétimo século. O que ele é hoje dia? (meu tio, pois o outro cara já deve ter virado nitrato três vezes) Dramaturgo!
E um dos Ministros do STF cujo sobrenome é Direito?
E o nome do arquiteto responsável pela ponte Rialto, em Veneza? Antonio da Ponte!
Um juiz britânico chamado Sir Igor Judge (judge = juiz, em inglês)!!
Scott Speed(speed = velocidade, em inglês), piloto de Fórmula 1!!
Mikhail Tsvet, botanista russo, inventor da cromatografia (técnica de separação de misturas e identificação utilizando cores). Tsvet, ou цвет na grafia russa, significa COR!!
Arsene Wenger, treinador do ARSENAL F.C.!!!
E Wolfgang Wolf, antigo dirigente do VFL Wolfsburg??
!!!!
Não sei vocês, mas eu já estou todo arrepiado!
Coincidência?
Humrum.
Quantos Da Ponte são vendedores de embutidos nas ruas da Silícia? Quantos Speed são funcionários públicos?
E o resto da família do Ministro Direito, todos advogados?
O filho do juiz Judge pode ser carpinteiro?
Eu nunca inventei um helicóptero, por exemplo. Nem nunca toquei um sino ou trabalhei para vampiros.
E conheço vários xarás, nenhum é voador ou músico ou assistente de cientistas malucos.
Conheço pessoalmente um Albert Einstein, que até onde sei é ciclista, e um Kepler, que tenho quase certeza não conhece o movimento dos corpos celestes nem jamais calculou uma constante universal.
Conheço alguns Leonardos e nenhum é engenheiro, arquiteto, escultor, pintor, filófoso ou professor.
Estudei com um Jesus, que não me livrou dos meus pecados.
Um amigo meu estudou com Voltaire, que se formou em Engenharia da Computação.
Quantos Pereira, Carvalho, Oliveira e Pinheiro não são agricultores ou botânicos?
Quantos Ribeiro nunca viram um rio?
Bill Gates (portões, em inglês) criou o Windows (janelas, na mesma língua).
Sharon Stone (pedra) é atriz, não geóloga.
Camila Pitanga e Marília Pêra também.
Fernanda Lima é modelo e Paula Lima é cantora.
Lavoisier Maia é médico e político, mas jamais descobriu um elemento químico nem é português ou da América Central.
Determinismo nominal é uma sincronicidade, ou coincidência significativa.
Ou seja, só existe significado após o fato.
A relação entre nome e função não existe de modo geral, só em casos isolados e quando se pára para prestar atenção.
Outro vício de percepção do tipo “sempre pego a faixa de trânsito mais lenta”.
Quando a minha está andando mais rápido, não lembro de computar o dado, da mesma forma que quando tinha aula de Química Inorgânica com Iara esquecia de registrar que ela não era uma sereia.
Vou finalizar com uma frase que pode ser que seja de Da Vinci mas é bastante provável que não seja. Porém, não importa, a frase é legal por si só de todo jeito.
“Quem discute alegando autoridade não usa a inteligência, mas a memória.”
P.S. Como eu havia dito, vou diminuir minha produção (por motivos diversos). Amanhã farei parte do Carnaval Científico e depois disso, talvez, só volte a escrever na sexta ou segunda (posso jogar uma migalha nos fins-de-semana também, caso me ocorra algo interessante ou eu precise reclamar de algo urgentemente) e continuarei publicando uma ou duas vezes por semana, sempre (provavelmente) no mesmo dia.
Continuem me divulgando, aqui já tem quase 70 artigos (amanhã o número inteira), mesmo que eu não escreva mais todo dia, se uma pessoa começar a me ler hoje, um artigo por dia, só vai ter que esperar uma semana para ler o próximo em setembro!
Até amanhã!

Astros

O WordPress está aperfeiçoando uma nova ferramenta, que possibilita colher informações dos visitantes e eu me ofereci para a fase inicial de testes.
O texto destacado logo abaixo deve mostrar, se funcionar direito, um perfil psicológico do visitante, baseado nas informações colhidas por tal ferramenta através do IP de cada um, após análise dos hábitos de navegação (as páginas recentemente acessadas, datas de aniversário registradas em msn, orkut, etc.).
Cada quadro é diferente para cada pessoa.
Funcionou para mim, espero que funcione para vocês.
Leiam e se impressionem!

Você sente necessidade de que outras pessoas gostem de si e o admirem, e ainda assim tende a ser crítico em relação a si mesmo. Embora tenha algumas fraquezas de personalidade, geralmente é capaz de compensá-las. Você tem uma considerável capacidade não utilizada, que ainda não usou a seu favor. Disciplinado e com auto-controle por fora, tende a ser preocupado e inseguro no íntimo. Às vezes tem sérias dúvidas sobre se tomou a decisão correta ou fez a coisa certa. Prefere uma certa mudança e variedade, e fica insatisfeito quando é cercado por restrições e limitações. Também se orgulha de pensar de forma independente, e não aceita afirmações de outros sem provas satisfatórias. Mas descobriu que não é recomendável ser excessivamente sincero ao se revelar para outras pessoas. Às vezes é extrovertido, afável e sociável, embora às vezes seja introvertido, cauteloso e reservado. Algumas das suas aspirações tendem a ser irrealistas.

E aí, deu certo?
Estatisticamente, sim. Porque psicologicamente, funciona.
Nada aí em cima é mutável, o WordPress não fica fuçando IP dos outros (não que eu saiba), o texto vai ser o mesmo independentemente (essa palavra tem mais “e” que “divisibildade” tem “i”) de quem o abra, onde quer que esteja.
Não gosto de mentir, desculpem!
Mas fiz isso para ilustrar o efeito Forer (<– cliquem no link e leiam; é grande mas vale a pena), ou validação subjetiva, fenômeno onde nosso cérebro absorve as informações que nos agradam e desconsidera as que não gostamos.
Mesmo que não seja verdade, eu gosto de pensar que sou uma pessoa forte, decidida e influente. E se outrem me diz isso, aí é que é bom mesmo!
Eu acho triste uma pessoa que precisa tentar justificar a própria personalidade, caráter e existência acreditando que não tem sorte na vida porque nasceu no ano do rato com ascendência em plutão e é escravo de libra com influência lunar na sétima casa da estrela dalva.
Por que não existe um calendário baseado num ciclo de onze anos, quando o Sol (através das chamadas erupções solares) lança milhões de toneladas de partículas altamente carregadas (raios cósmicos, raios-x, raios UV) pelo espaço e através do nosso mísero planetinha? Isso, visto de dentro da minha cabeça, exerceria uma influência muito maior que Plutão, que nem mais Planeta é (tadinho, eu gosto dele…).
Qual o mecanismo que faz todas as pessoas nascidas em fevereiro serem aventureiras e desinibidas?
Eu tenho um primo que faz aniversário no mesmo dia que eu e estudei na faculdade com dois sujeitos que também dividem aniversário comIgor.
Somos quatro pessoas de personalidades completamente diferentes.
E por qual razão o ano de nascimento influenciaria nas escolhas do indivíduo?
Será que todas as pessoas nascidas em um mesmo ano agirão da mesma forma?
Só acreditarei em astrologia se, um dia, EU responder a um questionário sobre a minha personalidade (dissertativamente, sem múltipla escolha para não influenciar o resultado), que será revisado pelos meus melhores amigos e dado o grau pelo meu segundo escalão de amizade e que, após isso, será mandado, por um mensageiro anônimo que nunca teve contato comigo, em um envelope selado e sem identificação para um astrólogo que não sabe nem tem como saber quem eu sou, que deverá informar o ano, mês, dia e hora em que eu nasci baseado apenas nas minhas respostas mais sinceras (revisadas pelo painel das pessoas que mais me conhecem) e não o contrário.
Plutão,
Pouco me importa se sua órbita é exocêntrica e dividida com Charon, se vocês dois têm uma rotação travada, se formam um sistema binário, nem se sua órbita não foi totalmente limpa.
Você orbita ao redor do Sol e já é grande o suficiente para ter alcançado equilíbrio hidrostático.
Não importa o que digam, Plutão, para mim, você ainda é um Planeta!
Igor Santos

Curtinho

Por que não existem videntes milionários?
Se eles adivinham o futuro, por que não jogar nos números certos da mega-sena sempre que ela acumular?
Ou apostar no cavalo certo? Ou no resultado de uma eleição (na Inglaterra existe um sistema de apostas que deixa qualquer pessoa apostar em qualquer coisa, com as chances calculadas por eles, ou seja, se você quiser apostar no resultado da eleição daqui, por exemplo, vc pode apostar no candidato, o que deve no máximo dobrar seu dinheiro, ou, como os adivinhos provavelmente sabem o resultado, apostar no número de votos de todos os candidatos e ficar quadrilionário)?
A resposta que eu recebo para esse tipo de pergunta é “eles são boas pessoas!”
São boas mesmo, e estranhamente toda a categoria o parecer ser.
Todas as modalidades humanas são permeadas por pessoas de má índole e sem caráter. Existem médicos que fazem mal a seus paciente propositalmente, funcionários de creches que estupram crianças, padres que violam beatas, juízes que vendem sentenças, cientistas que fraudam os resultados de seus experimentos, mas não existe um único vidente que goste de dinheiro e use suas habilidades pré-cognitivas em benefício próprio? Existe, o que não existe é vidência e poderes paranormais.
Existe um prêmio de um milhão de dólares para quem provar que tem habilidades psíquicas ou sobrenaturais.
Se esses videntes fossem realmente capazes de fazer o que dizem e fossem realmente pessoas boas, aceitariam o Desafio de Um Milhão de Dólares e doariam o dinheiro para instituições de caridade.
E a resposta para a pergunta do começo é: existem sim videntes milionários, da mesma forma que qualquer trambiqueiro sem uma gota de decência pode ficar rico.
Nem precisa gostar tanto de dinheiro, basta gostar muito de fazer os outros de otário.
“A astrologia é um vácuo tão grande quanto o Espaço que venera”
-Perry DeAngelis-

Ponto Cego

Tenho muito poucos leitores nos fins-de-semana, talvez pelas pessoas terem mais o que fazer da vida do que entrar no quarto, sentar na cadeira, ligar o estabilizador, ligar o computador, ligar o monitor, esperar carregar tudo, usar o que quer que usem para conectar, esperar conectar, tentar novamente, ficar com raiva, ligar para o suporte técnico mesmo sabendo que não vai adiantar pois o provedor vai colocar a culpa na transmissora e a transmissora vai culpar o provedor, descobrir que o suporte só funciona em horário comercial, ficar com mais raiva ainda, esbofetear o monitor, se levantar com a sensação de ódio e impotência, ir tomar um café, lembrar que tem um colega disse que mandou um email de piadas que é “o ó”, tentar novamente, conseguir, abrir o navegador, esperar o navegador abrir e torcer para que ele não trave o computador, lembrar que o antivírus deveria ter sido atualizado e que o disco rígido precisa ser desfragmentado, o que não será feito agora pois toma muito tempo e se está com preguiça, abrir outra janela do navegar e começar a escrever “uol.com.br” para se interar das notícias e perceber que o auto-complemento da barra de endereço do navegador está sugerindo “uoleo.wordpress.com”, lembrar deste blogue, abri-lo e lê-lo, enquanto, lá no fundo da mente fica piscando o lembrete de que todos os seus amigos estão na rua, tendo uma vida social mais ou menos ativa enquanto se está em frente a um computador capenga lendo um aspirante a aprendiz de ajudante de professor de ciências.
Mas, como eu sou um sujeito legal, escrevo mesmo assim pois sei que essas pessoas que me lêem nos fins-de-semana merecem algum divertimento e informação.
=¦¤þ
Eu gosto de escrever (vide introdução), mas vez por outra gosto de roubar as coisas interessantes que já foram escritas (sim, eu plagio, mas indico a fonte).
Hoje eu estou pegando emprestado da coluna Dúvida Razoável, do Kentaro Mori, do blogue Sedentário e Hiperativo.
É legal, se você já chegou até aqui, continue lendo.

Não nos lembramos de tudo que vemos. O que nem todos percebemos é que não vemos tudo que pensamos ver. A evidência mais simples disto é o ponto cego de nossos olhos, uma região da retina por onde o nervo ótico passa e que está assim desprovida de fotorreceptores. Esse pequeno ponto não capta imagens.
Se você nunca experimentou o ponto cego de seu próprio olho, feche o olho direito e fixe o olho esquerdo no círculo vermelho abaixo. Agora, aproxime-se lentamente do monitor, sem deixar de fixar o círculo vermelho.
branco
Quando estiver a em torno de um palmo de distância, a estrela azul deve sumir — é porque a imagem dela passou sobre o ponto cego. Se continuar se aproximando ou se afastar novamente, a estrela surge outra vez. O mesmo ocorre com a bola vermelha, se você fizer isso fechando o olho esquerdo e olhar para a estrela azul.
Perceba que quando o círculo ou a estrela somem, você não vê um ponto escuro em seu lugar. Ao invés, a área é substituída pelo branco à sua volta. Tente fazer a experiência com a imagem em negativo: quando a estrela ou o círculo sumirem, agora serão substituídos pelo negro ao redor.
preto
Não porque seu ponto cego não capta luz, mas porque é esta a cor circundante.
Se o fundo fosse rosa-choque ou bordô, você veria a figura substituída por tais cores da mesma forma.
Isto ocorre pela mesma razão pela qual você geralmente não percebe seu próprio ponto cego: o cérebro continuamente preenche o buraco com informações ao redor e do outro olho. Você pensa que enxerga tudo em seu campo de visão, mas nem mesmo na própria retina isto é verdade.

O artigo é bem grande, tem muitos links e vídeos e eu não vou usar todo, quem tiver tempo e quiser é só clicar em “Dúvida Razoável” lá em cima.
Porém, eu gosto de estudos sobre memória e como ela é pouco confiável, por isso vou colar outro pedaço para quem não quiser ler lá.

PERNALONGA
Não apenas não vemos tudo que achamos que vemos, como mesmo aquilo que achamos que já vimos, nossa memória, funciona de forma diferente da que acreditamos. Isto é demonstrado de forma clara pela síndrome da falsa memória.
Em mais um experimento, a psicóloga americana Elizabeth Loftus mostrou a vários sujeitos propagandas da Disneyworld, incluindo uma inocente apresentação do personagem Pernalonga cumprimentando algumas crianças no parque. Pouco tempo depois, a psicóloga fez uma pergunta sugestiva a eles. Será que eles se lembrariam, quando haviam ido à Disney, de ter encontrado o Pernalonga e “abraçado seu corpo felpudo e mexido em suas orelhas macias”?
amigos
Até um terço dos sujeitos disseram se lembrar de ter feito isso. Mas eles nunca o fizeram, porque você vê, o Pernalonga é um personagem da Warner que nunca esteve na Disneyworld — Warner e Disney são concorrentes, é o motivo pelo qual você nunca viu Mickey e Pernalonga no mesmo desenho. Até onde sabemos, ninguém jamais abraçou o coelho da Warner na Disney. A
propaganda mostrando a cena era uma montagem.
O que Loftus fez foi implantar uma falsa memória. Ela também o fez sugerindo a pessoas que haviam se perdido em um shopping quando crianças: a memória do acontecimento fictício passou a fazer parte das lembranças dos sujeitos, como
qualquer outra.
Lembra-se do “Vingador do Futuro”? Implantar falsas memórias na mente das pessoas não requer equipamentos da Rekal Inc., basta algumas sugestões certas.
Isto é especialmente verdade com a hipnose e pessoas sugestionáveis, mas o
surgimento de falsas memórias ocorre em maior ou menor grau em todos. Longe de ser um enorme arquivo de registros, nossa memória é maleável e facilmente manipulável.

Aos que até aqui resistiram, agradeço e recomendo, caso tenham tempo sobrando, que cliquem em todos os links e leiam tudo.
Muita coisa interessante para se aprender por aí há.
São quatro da manhã, mas como eu dormi a noite toda e acordei agora há pouco, vou ficar ali lendo (não na cama, porque um estudo sugeriu que fazer qualquer coisa na cama além de dormir, como ler ou ver TV, pode confundir o cérebro quanto à função do móvel e causar insônia. Eu sou 1 que gosta de dormir…).
Divirtam-se!
Chau

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM