Estragando piadas

“A maneira mais r√°pida de sugar toda a gra√ßa de uma piada √© examin√°-la e tentar entender porque ela tem gra√ßa.”
-Richard Wiseman, durante sua busca pela piada mais engraçada do mundo-
1 РPor que baixamos o som no carro quando estamos procurando um endereço na rua?
Apesar dos sentidos da audição e da visão estarem separados, ambos estão sendo processador pelo mesmo cérebro e dividindo a atenção mental, que não está tão bem separada.
Equivalente – fechar os olhos para tentar lembrar uma palavra.
2 – Quem colocou a placa “n√£o pise na grama”?
Algu√©m que entende o conceito de “fadiga de material” e sabe que compensa pisar uma s√≥ vez no gramado (causando danos m√≠nimos ou inexistentes) para tentar evitar que v√°rias pessoas fa√ßam o mesmo (causando danos severos atrav√©s de repeti√ß√£o).
Equivalente Рerosão causada pelas ondas em rochas à beira-mar ao longo dos anos.
3 РPor que as pessoas vasculham a casa toda procurando pelo controle remoto da TV só para não terem que se levantar para trocar de canal?
O primeiro motivo seria recuperar um bem perdido. O controle √© uma posse material e ningu√©m gosta de perder suas coisas. Segundo, come√ßa-se a procurar o controle na expectativa de que a busca dure alguns segundos, mas quanto mais tempo passamos procurando, mais estamos investidos na busca e mais dif√≠cil se torna parar a busca. Uma terceira raz√£o, mas talvez a mais importante, √© que, assim que acharmos o controle, n√£o precisaremos mais nos levantar para acionar as fun√ß√Ķes da TV. Comparativamente, uma hora de esfor√ßo durante o escrut√≠nio se torna desprez√≠vel ao lado de centenas de horas de c√īmoda especta√ß√£o sedent√°ria e confort√°vel.
Equivalente ‚Äď ligar de casa para o pr√≥prio celular perdido para ach√°-lo e fazer uma liga√ß√£o.
4 – Por que em filmes de batalhas espaciais as explos√Ķes s√£o t√£o barulhentas se o som n√£o se propaga no v√°cuo?
Isso √© um artif√≠cio chamado hiper-realismo (ou hiperrealismo, na nova l√≠ngua), usado em filmes para aumentar o impacto das cenas, utilizando um processo chamado foley, que consiste em ‚Äúdublar‚ÄĚ todos os sons de todas as cenas, se valendo de sons j√° armazenados em bibliotecas espec√≠ficas ou alguns gravados especialmente para aquilo. Todos os filmes (rar√≠ssimas exce√ß√Ķes se aplicam) t√™m uma trilha sonora cont√≠nua, seja di√°logo, musica ou efeitos sonoros, sem um segundo sequer de sil√™ncio. Por mais silenciosa que pare√ßa uma cena, sempre h√° o som de respira√ß√£o, uma nota se estendendo at√© acabar, um carro passando ao longe, p√°ginas sendo viradas, etc. Em filme, at√© o tragar de um cigarro √© aud√≠vel.
E mais, filmes que tratam de naves espaciais e guerras interplanetárias geralmente sustentam um nível de ficção altíssimo.
Nenhum som em um filme (quanto mais recente, mais verdadeira √© a afirma√ß√£o) √© real, produzido ‚Äúin loco‚ÄĚ pelo que est√° sendo mostrado e qualquer informa√ß√£o recebida atrav√©s de uma tela deve ser duvidada.
Equivalente ‚Äď sons de socos no est√īmago que soam como pauladas em sacos de areia e armas de fogo que sempre que s√£o movidas soam como se tivessem folgadas.
5 – Por que os pilotos Kamikazes usavam capacete?
Para evitar que uma pancada na cabeça durante o caminho até o alvo os impossibilitasse de completar a missão.
Equivalente ‚Äď os capacetes usados pelos pedreiros que trabalham na constru√ß√£o do pavimento mais elevado de um edif√≠cio, que s√£o usados n√£o em caso de queda, mas para proteger contra uma ferramenta mal manuseada.
6 – Por que quando se liga pra um n√ļmero errado, nunca d√° ocupado?
Porque quando ligamos e est√° ocupado, n√£o sabemos que o n√ļmero estava errado.
Equivalente ‚Äď a frase ‚Äúsempre sei quando algu√©m usa peruca (ou silicone)‚ÄĚ. Se o chin√≥ (ou implante) for bem feito e discreto, √© imposs√≠vel registrar.
7 РPor que as luas dos outros planetas têm nome, mas a nossa não?
Em primeiro lugar, o que √© comumente chamado de lua √© oficialmente denominado sat√©lite natural. O nosso sat√©lite natural tem um nome, ele se chama Lua (com letra mai√ļscula). E, finalmente, a resposta mais √≥bvia de que a nossa Lua foi a primeira a ser observada e nomeada.
Equivalente ‚Äď chamar l√Ęminas de barbear de gilete e esponjas de a√ßo de bombril.
8 – Por que quando n√£o h√° um teclado instalado no computador, surge a frase ‚Äúpressione qualquer tecla para continuar‚ÄĚ?
Porque o ato de pressionar qualquer tecla que seja implica em um teclado haver sido instalado e o problema inicial resolvido.
Equivalente ‚Äď empresas ou indiv√≠duos que propagandeiam servi√ßos de conserto de telefones utilizando-se de um n√ļmero de telefone (que √© a maneira mais pr√°tica de se contactar um prestador de servi√ßo), esperando que o contratante use um outro aparelho (no trabalho, na casa do vizinho, ou um telefone p√ļblico), que n√£o o defeituoso para cham√°-los.
9 – Se depois do banho estamos limpos, por que ent√£o lavamos a toalha?
Porque as toalhas ficam molhadas e tecidos √ļmidos s√£o √≥timos criadores de bact√©rias, inclusive algumas que produzem odores desagrad√°veis e outras que irritam a pele e podem causar dermatites, que √© o principal motivo de nos enxugarmos em primeiro lugar.
Equivalente ‚Äď lavar a pia ap√≥s lavar a lou√ßa para tirar a gordura depositada nela e que s√≥ √© extra√≠da por meios mec√Ęnicos (o ato de esfregar) e n√£o somente qu√≠micos (o sab√£o que caiu ali, j√° saturado de √≥leo).
10 РQuando alguém perde algo, por que algumas pessoas perguntam onde o objeto foi perdido?
Porque isso ajuda a reduzir o campo de busca. Por exemplo, se o sujeito se deu conta dentro do carro, a caminho do serviço, de que perdeu o celular, a procura já não se dará no local de trabalho. E, algumas vezes, sabe-se especificamente onde tal coisa foi deixada (entrou no carro com o telefone, saiu sem ele). A pergunta é às vezes mal feita, mas o sentido (quando a pessoa percebeu que o item tinha desaparecido) é normalmente entendido.
Equivalente ‚Äď perguntar que gosto uma comida estranha tem, pois √© absolutamente poss√≠vel descrever um sabor incomum usando caracter√≠sticas de outros j√° conhecidos (novamente, uma pergunta mal estruturada, pois deseja-se saber com qual outra comida conhecida aquela diferente se parece).
Disponham.

Resumo 1.0

Vou começar a colocar links pras coisas antigas e mais interessantes (quem escolhe se é interessante ou não sou eu, mas quase tudo aqui foi escrito por mim de todo jeito), para ninguém ter que ir lendo um por um (apesar de eu achar que devem).
Este √© um dos mais antigos e nem √© sobre ci√™ncia, mas eu quero que todo mundo do mundo leia a est√≥ria. E depois leiam isto. √Č sobre um ladr√£ozinho metido a besta que ronda por aqui.
A cura r√°pida e certeira para suas ressacas (eu n√£o vendo nada por aqui, mas ao vivo podemos conversar).
Escreva (e depois apague). Tudo sobre l√°pis(s)
A matemática é nossa amiga (ou, como a falta de preparo para uma entrevista pode render uma boa malhada). Terremotos e escalas.
Uma homenagem aos nossos irmãos de cor (ou um poema apaixonado, fica a seu critério).
Fotos √≥timas (sensa√ß√Ķes melhores ainda). 18 anos de Telesc√≥pio Espacial Hubble.
Placebo (n√£o a banda). Por que s√£o usados?
Entenda como os cachorros vêem (e porque podemos dizer isso com certeza). A visão canina explicada.
O céu é azul (mas só às vezes).
Veja agora como perder peso e se manter saud√°vel! (novamente, n√£o vendo nada por aqui…). A dieta certa para voc√™.
Para os que ainda não sabem, cada linha sublinhada dessas aí em cima é clicável, com uma ligação que leva para outra página, com o artigo indicado.
N√£o desistam de mim.
Até a próxima!
=¬¶¬§√ĺ

Samba de Orni

Abri um blogue dum camarada hoje pela manh√£ que fala de ornitorrincos (n√£o profundamente, s√≥ cita o nome mesmo), a√≠ deu vontade de falar sobre esses animais MUCHO LOKOS (um al√ī para Renan!).
O Ornithorhynchus anatinus é, antes de mais nada, um mamífero.
POR√ČM
Seq√ľenciamento do material gen√©tico do bicho revelou que ele tem algumas caracter√≠sticas de aves e de r√©pteis, o que n√£o quer dizer que ele deixa de ser mam√≠fero.
Por exemplo, nós não temos um casaco de pêlos como os outros membros da classe Mammalia, e essa calvície epitelial é característica dos répteis, mas nós não somos misturados com eles. Somos?
Mas, vamos às bizarrices (não acho que vocês tenham vindo me visitar pelos meus olhos negros):
ornitorrinco
1 – O bicho √© peludo, produz leite e p√Ķe ovos.
+3 pontos para os mamíferos
2 РOs pêlos são cobertos de uma camada impermeabilizante.
+1 ponto para as aves
3 – Os ovos s√£o moles.
+1 ponto para os répteis
4 РBico e pés de pato.
+2 pontos para as aves
5 – Ferr√£o venenoso.
+1 ponto para os répteis
6 РEletroreceptores ao redor do bico que lhe garante Eletrolocalização.
+1 ponto para os peixes
7 РApesar de produzir leite, não tem mamilos e o secreta através da pele abdominal, sendo guiado por um tufo de pêlos. Huummm!
-1 ponto pela seboseira (imaginem o cheiro desses cabelos quando o leite misturado com baba e água salobra de um córrego seca ao sol australiano)
Mamíferos 3 x Aves 3 x Répteis 2 x Peixes 1
Não exatamente científico esse meu método de pontos, eu sei.
Eu disse um dia desses que o bicho tinha mais material genético de aves que de qualquer outra classe, mas eu estava (fui) enganado (é nisso que dá acreditar na primeira fonte, por mais confiável que seja).
Eis uma tabela:

Traduzindo:
Monotremos s√£o o ornitorrinco e a equidna, que s√£o mam√≠feros que p√Ķe ovos;
Marsupiais são o canguru e o coala, que são animais com duas fases de gestação, uma interna e outra externa (dentro de uma bolsa);
Placentais são o resto dos mamíferos, cuja gestação se dá inteiramente dentro de uma placenta;
Duas linhas convergentes indicam um ancestral comum, ou seja, os amniotas (animais cujos embri√Ķes s√£o envoltos em l√≠quido amni√≥tico) se dividiram em dois grupos, um deles se dividiu em aves e r√©pteis e o outro virou o grupo dos mam√≠feros. Depois, o grupo monotremata se separou e, bem mais tarde, os marsupiais dos placent√°rios (n√£o coloquei datas no gr√°ficos porque fiquei com pregui√ßa, mas s√£o milh√Ķes e milh√Ķes de anos, de baixo para cima).
D√° para entender, √© s√≥ ler de novo…
Li√ß√£o de hoje: quando ouvir um neg√≥cio bem massa e que pare√ßa fazer sentido, desconfie e procure mais informa√ß√Ķes antes de sair por a√≠ espalhando desinforma√ß√£o.

D√° para ouvir isso?

Ultra-Sonografia (ou ultrassonografia, em acordo com as novas regras da Língua Portuguesa) utiliza ondas sonoras de altíssima frequência (ultrassom, ou som acima da capacidade auditiva humana) para formar imagens (grafia) numa telinha.
Morcegos e golfinhos usam uma t√©cnica parecida, chamada “ecolocaliza√ß√£o” (eco = som refletido), enquanto o processo similar em submarinos √© chamado “sonar” (corruptela de som + radar).
O processo é o seguinte; uma onda sonora de alta frequência (a reforma da língua aboliu também o trema, estou tentando me adequar) é lançada sobre objetos sólidos para que reflita e seja captada por um sensor. Se um pedaço do objeto estiver mais perto, o eco vai voltar mais rápido, se estiver mais longe, demorará mais a voltar, o que forma uma imagem plana (bidimensional) do objeto.
E por que alta frequência?
Quanto mais alta, menor √© o comprimento da onda. Quanto menor for esse comprimento, de modo a manter e velocidade do som constante (n√£o importa o tom, o som sempre vai andar na mesma velocidade, dentro das mesmas condi√ß√Ķes, por isso que todos os sons de uma banda chegam ao mesmo tempo em nossos ouvidos), a energia aumenta (a energia total n√£o muda, o que muda √© a quantidade de “for√ßa” pra “frente”, j√° que n√£o precisa se mexer tanto pros “lados”). Quanto maior a energia, mais dif√≠cil ser√° de se dissipar (ondas mais compridas e com frequ√™ncia menor tamb√©m sofrem interfer√™ncia gravitacionais, mas isso √© MUITO al√©m do que eu estou preparado para explicar hoje), mais facilmente se refletir√° (dificultando a absor√ß√£o) e melhor ser√£o as imagens. Como as imagens n√£o s√£o reais, mas a combina√ß√£o de presen√ßa ou aus√™ncia de reflexos dessas ondas, a figura aparece em preto (presen√ßa) e branco (aus√™ncia). Alguns sonares contam com representa√ß√Ķes coloridas, como um mapa geogr√°fico, onde a dist√Ęncia das coisas (o tempo que a onda leva para ser refletida) induz cores diferentes, mas isso tamb√©m √© irrelevante no momento.
O que importa √© que ultrassonografia √© um exame muito √ļtil e totalmente seguro (a n√£o ser que se tenha alergia ao gel, mas este tamb√©m √© bastante inerte, √† base de √°gua e n√£o gosta de reagir com as coisas) e que deve ser utilizado em pr√©-natais (ou pr√©natais, n√£o tenho certeza se a forma original tem h√≠fen), principalmente agora que aperfei√ßoaram a t√©cnica e as imagens est√£o saindo quase tridimensionais (“quase” porque ainda s√£o projetadas numa tela plana, em duas dimens√Ķes).
Faça Pré-Natal, acompanhe o desenvolvimento do feto para garantir que a criança nasça que preste.
E minha contribui√ß√£o para o servi√ßo de utilidade p√ļblica termina aqui.
P.S.1 O limite de audição humano é 20kHz, ou vinte mil ciclos por segundo.
Um ultrassom gera entre 2 e 14 milh√Ķes desses ciclos (2~14MHz).
P.S.2 Depois da revis√£o ortogr√°fica lus√≥fona, frases como “eu p√©lo p√™lo pelo corpo” (eu pelo pelo pelo corpo) e “ele p√°ra para ningu√©m” (ele para para ningu√©m) me deixaram muito confuso…

Sa√ļde e Doen√ßa

Estava lendo uns textos antigos meus em busca de algo bom (e j√° escrito, que me economize tend√Ķes) e achei este, que escrevi como um trabalho de faculdade para uma aluna de Medicina que “trabalha os dois turnos e n√£o tem tempo de pesquisar”.
Sugestão: pare de ver novela; só aí já vão três horas a mais na sua vida.
Eu só fiz esse, e só fiz porque achei interessante o tema.
Quer ser médica? Estude!
Segue o texto:

A defini√ß√£o da OMS (Organiza√ß√£o Mundial da Sa√ļde) de sa√ļde √© que ‚ÄúSa√ļde √© o estado de completo bem-estar f√≠sico, mental e social e n√£o s√≥ a mera aus√™ncia de doen√ßa ou enfermidade‚ÄĚ e uma boa defini√ß√£o de doen√ßa √© ‚Äúcondi√ß√£o anormal de um organismo que √≥bsta o funcionamento de fun√ß√Ķes corporais, associada com sintomas e ind√≠cios‚ÄĚ.
Da√≠ j√° v√™-se que h√° mais entre doen√ßa e sa√ļde que talvez primeiramente pensado. Desde o come√ßo da sociedade organizada que a Humanidade tenta livrar-se dos males que a afligem, mas at√© a introdu√ß√£o da Teoria dos Germes, postulada por Robert Koch (Pr√™mio Nobel em Medicina em 1905 pela descoberta e estudo do bacilo tuberculoso) em 1875, quando este identificou que o antraz (Bacillus anthracis) era transmitido por um agente infeccioso, ainda achava-se que mol√©stias eram, desde geradas espontaneamente (como mostra o texto mais antigo sobre medicina, o indiano Atharvaveda), at√© carregadas por mau-cheiro (teoria do miasma, prevalente desde o s√©culo XIII ao XIX), ao inv√©s de passadas por microorganismos que crescem se reproduzindo.
Tal teoria, ou Postulados de Koch como veio a ser conhecida, diz que, para se estabelecer que um organismo √© a causa de uma doen√ßa, este deve ser: encontrado em todos os casos examinados da doen√ßa; preparado e mantido em uma cultura pura; capaz de reproduzir a infec√ß√£o original, mesmo ap√≥s v√°rias gera√ß√Ķes em cultura, e; ser colhido de um animal inoculado e capaz de criar nova cultura. Usando este m√©todo de detec√ß√£o e estudo, os alunos de Koch (apenas a primeira gera√ß√£o de m√©dicos seguindo essa orienta√ß√£o) conseguiram, entre eles, determinar os organismos causadores de difteria, tif√≥ide, pneumonia, gonorr√©ia, meningite cerebroespinhal, lepra, praga bub√īnica, t√©tano e s√≠filis, salvando, assim, milh√Ķes de pessoas de uma morte desnecess√°ria, que seria tratada, caso contr√°rio, por curandeiros e outros m√©todos, invocando mais supersti√ß√£o que m√©todos cient√≠ficos reais e comprovados.
H√°, tamb√©m, outras causas de doen√ßas, como radioatividade (part√≠culas subat√īmicas com massa, como pr√≥tons e neutrons, ultra-energizados), defici√™ncia nutritiva (anorexia e licorrexia), problemas gen√©ticos (Parkinson, dist√ļrbio bipolar), exposi√ß√£o (ao sol, melanoma; √† fuma√ßa de cigarro, c√Ęncer pulmonar), traumas psicol√≥gicos (agorafobia, paran√≥ia), entre outros.
H√° tamb√©m quem argumente que pobreza, discrimina√ß√£o social, corrup√ß√£o, hiprocrisia, etc, s√£o doen√ßas sociais, parasit√°rias e debilitantes, que destr√≥em a sanidade do esp√≠rito do indiv√≠duo sadio, transformando-o em um doente social, incapaz de exercer suas plenas fun√ß√Ķes dentro do ambiente comum (esp√≠rito, neste caso, entendendo-se o humor e o relacionamento do um com o todo, baseado em est√≠mulos e respostas, e n√£o algo paranormal ou m√°gico).
Sa√ļde, portanto, n√£o √© apenas o inverso de doen√ßa, ou vice-versa, existe um sem-fim de defini√ß√Ķes e argumentos, alguns melhores que outros, mas, concisamente, Doen√ßa √© um mal afligido por um agente intr√≠nseco ou extr√≠nseco, que debilita um sujeito, e, Sa√ļde √© um bem-estar completo e total.

Texto escrito por Igor Santos (caso algum professor de fisiologia esteja verificando fontes para descobrir possíveis plágios).

Um cientista (louco) em minha vida

Pelos idos de meados dos anos 80, o seguinte di√°logo se desenvolveu:
Pessoa qualquer:
РO que você quer ser quando crescer?
Eu:
– Cientista!
Essa sempre foi a minha resposta.
Nunca quis ser bombeiro, super-homem, astronauta, jogador de futebol, marinheiro, lutador, fazendeiro, maquinista, carteiro, dono de bodega, explorador, marceneiro, juiz.
Sempre quis ser Cientista.
Fosse l√° o que isso significasse.
Eu achava até a palavra bonita.
Microsc√≥pios, bicos de Bunsen, balan√ßas, destiladores, tubos de ensaio, placas de Petri, pil√Ķes, b√©queres, pipetas. Eu n√£o sabia o nome de nada disso, eram apenas vidrinhos em formatos estranhos contendo l√≠quidos coloridos e instrumentos para mexer, medir e transformar subst√Ęncias.
Sempre quis andar de bata (jaleco) e parecer importante por estar fazendo algo que não tinha como alguém não achar legal.
Sou fascinado pela Natureza desde que envolvi um caroço de feijão num algodão molhado por alguns dias e o vi brotar. Que coisa fantástica!
Eu precisava saber mais!
Alguns fatos (que eu me lembro enquanto escrevo isto) que me direcionaram mais ainda para esse lado:
1 ‚Äď notar que √≥leo boiava em √°gua, ao ver uma reportagem sobre um derramento de petr√≥leo no mar; perguntei √† minha m√£e se dava para misturar os dois e ela respondeu (ainda lembro das palavras): ‚ÄúNem a for√ßa CENTR√ćFUGA de um liquidificador consegue misturar √°gua e petr√≥leo!‚ÄĚ
Eu fiquei a ponto de morrer! Me vieram tantas perguntas que eu s√≥ consegui murmurar um ‚Äúaah…‚ÄĚ desapontado. O que era petr√≥leo? Era parecido com √≥leo? Por que era preto? Por que n√£o se misturava com √°gua? Tinha um eletrodom√©stico no meu lar que criava for√ßa centr√≠fuga? O que era For√ßa Centr√≠fuga?
2 ‚Äď tomar um rem√©dio que vinha num vidrinho com conta-gotas; pedi ao meu pai para brincar com o conta-gotas. Ele fez melhor e me mostrou como fazer para segurar um l√≠quido dentro de um canudo, tapando uma das pontas com o dedo.
Que neg√≥cio MASSA! Passei o resto do dia brincando com esse canudo. Aprendi a soltar gotas controladamente e tudo! Ele me disse que o nome daquilo era ‚Äúpipeta‚ÄĚ. Pipeta? Que nome massa! N√£o s√≥ eu estava brincando com uma das coisas mais √≥timas j√° vistas pela humanidade, ela ainda tinha um nome apto √† sua magnific√™ncia legal√≠stica!
3 ‚Äď tentar levantar um tamborete enquanto sentado nele; me ocorreu essa id√©ia e eu decidi testar, para ver se era forte mesmo (outra coisa que eu sempre quis ser foi forte). Passei alguns minutos segurando os lados do banco e usando toda a for√ßa que eu tinha, mas por algum motivo eu s√≥ conseguia desencostar o danado se estivesse pisando no ch√£o. Que coisa estranha. Mais alguns minutos correram at√© que eu entendi que n√£o ia dar, n√£o importava o qu√£o forte eu fosse, s√≥ conseguiria levantar o banquinho se tivesse outra forma de apoio. Eu sentia que quanto mais for√ßa eu fazia nos bra√ßos, mais colado eu ficava no assento (eu pensei em escrever ‚Äú…mais minha bunda se apragatava…‚ÄĚ, mas achei que n√£o seria de bom tom, ainda bem que n√£o o fiz) e percebi que o problema deveria estar a√≠. N√£o me aprofundei mais no assunto naquele momento pois devo ter sentido fome ou vontade de correr pela casa, mas enquanto eu estava ali, todo pequeno e ing√™nuo, essa quest√£o me fez ferver o c√©rebro.
Desde que consegui alcan√ßar coisas em cima de mesas, sempre que ia a um restaurante, ao fim das refei√ß√Ķes (n√£o me era permitido antes) eu pegava TUDO o que fosse l√≠quido (e s√≥lidos que coubessem num copo) e tivesse sobrado e misturava. Refrigerante, cerveja, molho ingl√™s, molho de pimenta, azeite, vinagre, espremia lim√£o, adicionava sal, a√ß√ļcar, guardanapos usados, restos de cebola e ficava observando o copo at√© ser puxado para fora.
Eu queria que alguma coisa acontecesse, sempre quis descobrir algo.
E descobri, certo dia quando ainda havia gás num resto de cerveja. Nesse dia eu comecei pelo sal. E uma espuma grossa e muita começou a aparecer. Eu não conseguia acreditar! Eu havia descoberto algo! Nesse dia, eu dormi mais feliz.
Desde que aprendi a ler com confiança que leio os rótulos das coisas.
Estabilizantes, Umectantes, Conservantes, Corantes, letras e palavras seguidas de n√ļmeros (E211, amarelo 42).
Lia também os resultados de laboratório dos meus exames, os livros de Ciências da escola por completo no dia em que os comprava, bulas de remédios, etc. Basicamente, eu lia tudo o que ninguém mais se dava ao trabalho de ler.
A√≠ fui crescendo, aprendendo a ci√™ncia do col√©gio, que nem sempre √© muito boa e muitas vezes √© simplesmente errada, como ensinar que os receptores de sabor na l√≠ngua s√£o compartimentados (sal s√≥ √© degustado na base da l√≠ngua, a√ß√ļcar dos lados, amargo na ponta e azedo em cima), o que n√£o √© verdade, todos os pontos da l√≠ngua t√™m papilas receptoras para todos os sabores (inclusive o quinto, Umami, que representa o sabor de carne).
Mas por ser colégio e seguir um sistema de ensino seboso e idiotificante, onde o professor é Deus e não deve ser questionado em qualquer situação, mesmo quando está flagrantemente errado (tão ridiculamente errado, às vezes, que uma criança de oito anos tem completa e total certeza do erro), eu acabei perdendo meu ímpeto e só queria mesmo saber de correr e fazer conta.
Depois troquei os c√°lculos pela TV.
Isso seria uma tragédia, não fosse anos 90 e não fosse um Produtor de Programação sabido.
Eis que surge uma placa, onde est√° escrito South Pole, e uma voz, j√° conhecida, que a traduzia, dizendo ‚ÄúP√≥lo sul‚ÄĚ.
Surgem dois fantoches de ping√ľins, em meio a muita neve e defronte a uma TV (hoje em dia seria suficiente para me fazer mudar de canal, mas nessa √©poca eu era mais curioso, tinha mais tempo e o controle deveria estar meio longe), conversando algo bem sem gra√ßa, mas com potencial, com as mesmas vozes j√° familiares para quem assiste a muita televis√£o dublada.
Ent√£o, algo ainda mais bizarro se manifesta. Uma coisa t√£o impressionantemente estranha que me deixa louco de curiosidade.
Muita fuma√ßa, muitos clar√Ķes de luz, um sujeito com os cabelos loucos de personagem de revistinha (revista em quadrinhos, gibi) que levou um choque, agindo como se fosse um mamulengo, com os polegares, indicadores e mindinhos estirados, gesticulando imensamente e vestindo um sobretudo verde.
РFato! (não consigo lembrar o que foi dito depois disso, mas foi uma informação que me fez querer não me levantar até acabar o programa)
-Eu sou o Beakman, e vocês acabam de entrar no MUNDO DO BEAKMAN!
E como se isso j√° n√£o fosse o suficiente, trinta segundos da melhor m√ļsica de introdu√ß√£o j√° transmitida se seguem.
BEAKMAAAAAAAAAAAAAAAAAN
Percuss√£o, acordeon, guitarra, baixo, bateria, explos√Ķes, efeitos sonoros.
O QUE √Č ISSO E POR QUE EU NUNCA VI ISSO ANTES?
O cientista em minha vida, objeto desta disserta√ß√£o, refere-se a si mesmo por ‚ÄúBeakman‚ÄĚ.
Ele reacendeu minha paix√£o pelo mundo natural.
N√£o era s√≥ mais um programa de variedades variadas e curiosidades curiosas, era algo com conte√ļdo, explica√ß√Ķes.
Por que nunca houve algo assim antes? Será que era mais fácil vestir um sujeito numa fantasia de pinto e fazê-lo dançar com outro de terno que dizia hipnotizar galinhas?
Taí um programa com um cabra vestido de rato (DE RATO!) que não dança, mas serve de escada para piadas e que é um homem (ou rato) de atitude!
Uma assistente que não dança de biquíni numa taça de champanhe gigante com bambolês colados rodando ao seu redor, mas uma que é feia, mal-amanhada e ainda faz caretas e é gasguita.
E um apresentador que n√£o constrange os convidados e funcion√°rios, n√£o fala ‚Äú√Ē L√ĒCO, M√äU‚ÄĚ, ‚Äú√ĒRRA, M√äU‚ÄĚ e ‚Äúpentelho‚ÄĚ a cada cinco segundos e ainda EXPLICA coisas interessantes de um jeito interessante.
√Č dif√≠cil assim fazer isso? N√£o!
Das v√°rias coisas que Beakman me ensinou (uma maneira mais correta seria dizer ‚Äúme fez aprender‚ÄĚ, porque eu fui ensinado durantes v√°rios anos por pulhas indolentes e pouco aprendi), puxando pelo mem√≥ria neste momento, destaco quatro:
1 ‚Äď Um epis√≥dio sobre M√©todo Cient√≠fico, onde ele mostra que √°gua n√£o conduz eletricidade para provar a hip√≥tese de que √°gua salgada √© condutora.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Guv77iUnFY8]
Viva o youtube!
Ao ver o vídeo novamente hoje, depois de tanto anos, eu lembrei o que senti no dia em que o assisti pela primeira vez.
Quando ele coloca os fios dentro da √°gua e a l√Ęmpada n√£o acende, eu fiquei sem rea√ß√£o, meu mundo parou de fazer sentido por alguns instantes. Como assim √°gua n√£o conduz eletricidade? E todas as est√≥rias que eu ouvi de pessoas molhadas levando choques por estarem molhadas?
Mas ele não deixa buracos e explica isso também (assista ao vídeo)!
2 ‚Äď Um epis√≥dio sobre sab√£o, onde ele explica o que √© Tens√£o Superficial e como esta √© afetada pelo sab√£o.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=-GprcRs56ug#]
E outro (não achei vídeo), relacionado a esse, onde ele demonstra a Tensão Superficial da água fazendo um clipe boiar e construindo uma lancha de papel (um barquinho raso com um buraco na parte de trás onde ele pinga detergente, fazendo o barco disparar pela água).
3 ‚Äď Uma explica√ß√£o sobre Gravidade, Movimento Pendular, Atrito, Energial Potencial e Cin√©tica com uma melancia.
Ele amarra uma melancia num cordão preso ao teto, vai até uma parede, encosta a fruta no rosto e a solta (criando efetivamente um pêndulo). Esta não o atinge na volta porque não tem energia suficiente, podendo chegar, no máximo, até o ponto de onde foi solta.
A partir dessa demonstração ele explica, de maneira simples, precisa e agradável, o motivo daquilo acontecer. Genial!
4 ‚Äď A F√≠sica sendo usada para rasgar uma lista telef√īnica.
Esse foi O MELHOR episódio do programa, tanto pela simples excelência quanto pelo dinheiro que eu ganhei depois dos bestas que não assistiam ao programa e apostavam comigo (dica do próprio Beakman).
Ele mostra como rasgar uma lista telef√īnica ao meio, de uma vez s√≥.
E completa explicando como isso é possível.
Beakman é o cara!
Beakman
E por ter me relembrado como Ciência é ótima e divertida e como, certa vez, eu queria, com toda a minha convicção, ser um Cientista, ele é também um Cientista em Minha Vida.

Lester, o rato: Muito bem, Beakman, qual é o truque?
Beakman: Lester, quando você tem a Ciência, não precisa de truques!

Determinismo Nominal

==> Antes de começar o artigo de hoje:
Era para ter escrito isso ontem, mas esqueci.
Eu tenho costume (nem sempre cumpro, mas ultimamente tenho seguido à risca) de passar os domingos sozinho (especialmente anteontem), trancado dentro de casa.
√Č bom que d√° para ler, ouvir m√ļsica, fazer comida e, mais importante, pensar na vida.
Eu não gosto de acordar cedo, principalmente no começo da semana. Mas, como eu passo o domingo sentindo o peso sombrio e gélido da Solidão, eu acordo com o sol e um pouco mais de vontade, porque sei que estou indo para onde tem gente, já não mais ficarei só.
Ficar sozinho não é bom, principalmente quando existem pessoas que dariam muita coisa para lhe acompanhar.
Trate bem (ou melhorzinho pouca coisa) quem gosta de voc√™, pois isso √© um evento raro (estatisticamente, pelo menos, pois somos quase 7 bilh√Ķes de pessoas e quantas gostam de voc√™? Quinze, trinta? Menos de 0,00000001%).
Gente é quente, solidão é fria de trincar os dentes.
De volta à programação normal. <===
Dia desses eu falei de Igor Stravinsky, grande compositor russo e que revolucionou (mais ou menos) a m√ļsica.
Enquanto escrevia aquilo (ainda estou, pois estou escrevendo isto ao mesmo tempo, em outra janela do meu editor de texto), me ocorreu que eu tamb√©m me chamo Igor e tamb√©m sou compositor/m√ļsico. Ainda n√£o revolucionei nada (s√≥ a minha vida, algumas vezes) mas talvez um dia eu chegue l√°.
Tem um sujeito aqui na minha cidade chamado Beethoven, que tamb√©m √© m√ļsico!
Tenho um tio que divide o nome com um famoso dramaturgo do décimo sétimo século. O que ele é hoje dia? (meu tio, pois o outro cara já deve ter virado nitrato três vezes) Dramaturgo!
E um dos Ministros do STF cujo sobrenome é Direito?
E o nome do arquiteto respons√°vel pela ponte Rialto, em Veneza? Antonio da Ponte!
Um juiz brit√Ęnico chamado Sir Igor Judge (judge = juiz, em ingl√™s)!!
Scott Speed(speed = velocidade, em inglês), piloto de Fórmula 1!!
Mikhail Tsvet, botanista russo, inventor da cromatografia (t√©cnica de separa√ß√£o de misturas e identifica√ß√£o utilizando cores). Tsvet, ou —Ü–≤–Ķ—ā na grafia russa, significa COR!!
Arsene Wenger, treinador do ARSENAL F.C.!!!
E Wolfgang Wolf, antigo dirigente do VFL Wolfsburg??
!!!!
Não sei vocês, mas eu já estou todo arrepiado!
Coincidência?
Humrum.
Quantos Da Ponte s√£o vendedores de embutidos nas ruas da Sil√≠cia? Quantos Speed s√£o funcion√°rios p√ļblicos?
E o resto da família do Ministro Direito, todos advogados?
O filho do juiz Judge pode ser carpinteiro?
Eu nunca inventei um helicóptero, por exemplo. Nem nunca toquei um sino ou trabalhei para vampiros.
E conhe√ßo v√°rios xar√°s, nenhum √© voador ou m√ļsico ou assistente de cientistas malucos.
Conheço pessoalmente um Albert Einstein, que até onde sei é ciclista, e um Kepler, que tenho quase certeza não conhece o movimento dos corpos celestes nem jamais calculou uma constante universal.
Conheço alguns Leonardos e nenhum é engenheiro, arquiteto, escultor, pintor, filófoso ou professor.
Estudei com um Jesus, que n√£o me livrou dos meus pecados.
Um amigo meu estudou com Voltaire, que se formou em Engenharia da Computação.
Quantos Pereira, Carvalho, Oliveira e Pinheiro n√£o s√£o agricultores ou bot√Ęnicos?
Quantos Ribeiro nunca viram um rio?
Bill Gates (port√Ķes, em ingl√™s) criou o Windows (janelas, na mesma l√≠ngua).
Sharon Stone (pedra) é atriz, não geóloga.
Camila Pitanga e Marília Pêra também.
Fernanda Lima é modelo e Paula Lima é cantora.
Lavoisier Maia é médico e político, mas jamais descobriu um elemento químico nem é português ou da América Central.
Determinismo nominal é uma sincronicidade, ou coincidência significativa.
Ou seja, só existe significado após o fato.
A relação entre nome e função não existe de modo geral, só em casos isolados e quando se pára para prestar atenção.
Outro v√≠cio de percep√ß√£o do tipo “sempre pego a faixa de tr√Ęnsito mais lenta”.
Quando a minha est√° andando mais r√°pido, n√£o lembro de computar o dado, da mesma forma que quando tinha aula de Qu√≠mica Inorg√Ęnica com Iara esquecia de registrar que ela n√£o era uma sereia.
Vou finalizar com uma frase que pode ser que seja de Da Vinci mas é bastante provável que não seja. Porém, não importa, a frase é legal por si só de todo jeito.
“Quem discute alegando autoridade n√£o usa a intelig√™ncia, mas a mem√≥ria.”
P.S. Como eu havia dito, vou diminuir minha produção (por motivos diversos). Amanhã farei parte do Carnaval Científico e depois disso, talvez, só volte a escrever na sexta ou segunda (posso jogar uma migalha nos fins-de-semana também, caso me ocorra algo interessante ou eu precise reclamar de algo urgentemente) e continuarei publicando uma ou duas vezes por semana, sempre (provavelmente) no mesmo dia.
Continuem me divulgando, aqui j√° tem quase 70 artigos (amanh√£ o n√ļmero inteira), mesmo que eu n√£o escreva mais todo dia, se uma pessoa come√ßar a me ler hoje, um artigo por dia, s√≥ vai ter que esperar uma semana para ler o pr√≥ximo em setembro!
Até amanhã!

Astros

O WordPress est√° aperfei√ßoando uma nova ferramenta, que possibilita colher informa√ß√Ķes dos visitantes e eu me ofereci para a fase inicial de testes.
O texto destacado logo abaixo deve mostrar, se funcionar direito, um perfil psicol√≥gico do visitante, baseado nas informa√ß√Ķes colhidas por tal ferramenta atrav√©s do IP de cada um, ap√≥s an√°lise dos h√°bitos de navega√ß√£o (as p√°ginas recentemente acessadas, datas de anivers√°rio registradas em msn, orkut, etc.).
Cada quadro é diferente para cada pessoa.
Funcionou para mim, espero que funcione para vocês.
Leiam e se impressionem!

Voc√™ sente necessidade de que outras pessoas gostem de si e o admirem, e ainda assim tende a ser cr√≠tico em rela√ß√£o a si mesmo. Embora tenha algumas fraquezas de personalidade, geralmente √© capaz de compens√°-las. Voc√™ tem uma consider√°vel capacidade n√£o utilizada, que ainda n√£o usou a seu favor. Disciplinado e com auto-controle por fora, tende a ser preocupado e inseguro no √≠ntimo. √Äs vezes tem s√©rias d√ļvidas sobre se tomou a decis√£o correta ou fez a coisa certa. Prefere uma certa mudan√ßa e variedade, e fica insatisfeito quando √© cercado por restri√ß√Ķes e limita√ß√Ķes. Tamb√©m se orgulha de pensar de forma independente, e n√£o aceita afirma√ß√Ķes de outros sem provas satisfat√≥rias. Mas descobriu que n√£o √© recomend√°vel ser excessivamente sincero ao se revelar para outras pessoas. √Äs vezes √© extrovertido, af√°vel e soci√°vel, embora √†s vezes seja introvertido, cauteloso e reservado. Algumas das suas aspira√ß√Ķes tendem a ser irrealistas.

E aí, deu certo?
Estatisticamente, sim. Porque psicologicamente, funciona.
Nada a√≠ em cima √© mut√°vel, o WordPress n√£o fica fu√ßando IP dos outros (n√£o que eu saiba), o texto vai ser o mesmo independentemente (essa palavra tem mais “e” que “divisibildade” tem “i”) de quem o abra, onde quer que esteja.
N√£o gosto de mentir, desculpem!
Mas fiz isso para ilustrar o efeito Forer (<– cliquem no link e leiam; √© grande mas vale a pena), ou valida√ß√£o subjetiva, fen√īmeno onde nosso c√©rebro absorve as informa√ß√Ķes que nos agradam e desconsidera as que n√£o gostamos.
Mesmo que não seja verdade, eu gosto de pensar que sou uma pessoa forte, decidida e influente. E se outrem me diz isso, aí é que é bom mesmo!
Eu acho triste uma pessoa que precisa tentar justificar a própria personalidade, caráter e existência acreditando que não tem sorte na vida porque nasceu no ano do rato com ascendência em plutão e é escravo de libra com influência lunar na sétima casa da estrela dalva.
Por que n√£o existe um calend√°rio baseado num ciclo de onze anos, quando o Sol (atrav√©s das chamadas erup√ß√Ķes solares) lan√ßa milh√Ķes de toneladas de part√≠culas altamente carregadas (raios c√≥smicos, raios-x, raios UV) pelo espa√ßo e atrav√©s do nosso m√≠sero planetinha? Isso, visto de dentro da minha cabe√ßa, exerceria uma influ√™ncia muito maior que Plut√£o, que nem mais Planeta √© (tadinho, eu gosto dele…).
Qual o mecanismo que faz todas as pessoas nascidas em fevereiro serem aventureiras e desinibidas?
Eu tenho um primo que faz aniversário no mesmo dia que eu e estudei na faculdade com dois sujeitos que também dividem aniversário comIgor.
Somos quatro pessoas de personalidades completamente diferentes.
E por qual razão o ano de nascimento influenciaria nas escolhas do indivíduo?
Ser√° que todas as pessoas nascidas em um mesmo ano agir√£o da mesma forma?
S√≥ acreditarei em astrologia se, um dia, EU responder a um question√°rio sobre a minha personalidade (dissertativamente, sem m√ļltipla escolha para n√£o influenciar o resultado), que ser√° revisado pelos meus melhores amigos e dado o grau pelo meu segundo escal√£o de amizade e que, ap√≥s isso, ser√° mandado, por um mensageiro an√īnimo que nunca teve contato comigo, em um envelope selado e sem identifica√ß√£o para um astr√≥logo que n√£o sabe nem tem como saber quem eu sou, que dever√° informar o ano, m√™s, dia e hora em que eu nasci baseado apenas nas minhas respostas mais sinceras (revisadas pelo painel das pessoas que mais me conhecem) e n√£o o contr√°rio.
Plut√£o,
Pouco me importa se sua órbita é exocêntrica e dividida com Charon, se vocês dois têm uma rotação travada, se formam um sistema binário, nem se sua órbita não foi totalmente limpa.
Você orbita ao redor do Sol e já é grande o suficiente para ter alcançado equilíbrio hidrostático.
Não importa o que digam, Plutão, para mim, você ainda é um Planeta!
Igor Santos

Curtinho

Por que n√£o existem videntes milion√°rios?
Se eles adivinham o futuro, por que n√£o jogar nos n√ļmeros certos da mega-sena sempre que ela acumular?
Ou apostar no cavalo certo? Ou no resultado de uma elei√ß√£o (na Inglaterra existe um sistema de apostas que deixa qualquer pessoa apostar em qualquer coisa, com as chances calculadas por eles, ou seja, se voc√™ quiser apostar no resultado da elei√ß√£o daqui, por exemplo, vc pode apostar no candidato, o que deve no m√°ximo dobrar seu dinheiro, ou, como os adivinhos provavelmente sabem o resultado, apostar no n√ļmero de votos de todos os candidatos e ficar quadrilion√°rio)?
A resposta que eu recebo para esse tipo de pergunta √© ‚Äúeles s√£o boas pessoas!‚ÄĚ
S√£o boas mesmo, e estranhamente toda a categoria o parecer ser.
Todas as modalidades humanas s√£o permeadas por pessoas de m√° √≠ndole e sem car√°ter. Existem m√©dicos que fazem mal a seus paciente propositalmente, funcion√°rios de creches que estupram crian√ßas, padres que violam beatas, ju√≠zes que vendem senten√ßas, cientistas que fraudam os resultados de seus experimentos, mas n√£o existe um √ļnico vidente que goste de dinheiro e use suas habilidades pr√©-cognitivas em benef√≠cio pr√≥prio? Existe, o que n√£o existe √© vid√™ncia e poderes paranormais.
Existe um prêmio de um milhão de dólares para quem provar que tem habilidades psíquicas ou sobrenaturais.
Se esses videntes fossem realmente capazes de fazer o que dizem e fossem realmente pessoas boas, aceitariam o Desafio de Um Milh√£o de D√≥lares e doariam o dinheiro para institui√ß√Ķes de caridade.
E a resposta para a pergunta do começo é: existem sim videntes milionários, da mesma forma que qualquer trambiqueiro sem uma gota de decência pode ficar rico.
Nem precisa gostar tanto de dinheiro, basta gostar muito de fazer os outros de ot√°rio.
“A astrologia √© um v√°cuo t√£o grande quanto o Espa√ßo que venera”
-Perry DeAngelis-

Ponto Cego

Tenho muito poucos leitores nos fins-de-semana, talvez pelas pessoas terem mais o que fazer da vida do que entrar no quarto, sentar na cadeira, ligar o estabilizador, ligar o computador, ligar o monitor, esperar carregar tudo, usar o que quer que usem para conectar, esperar conectar, tentar novamente, ficar com raiva, ligar para o suporte t√©cnico mesmo sabendo que n√£o vai adiantar pois o provedor vai colocar a culpa na transmissora e a transmissora vai culpar o provedor, descobrir que o suporte s√≥ funciona em hor√°rio comercial, ficar com mais raiva ainda, esbofetear o monitor, se levantar com a sensa√ß√£o de √≥dio e impot√™ncia, ir tomar um caf√©, lembrar que tem um colega disse que mandou um email de piadas que √© “o √≥”, tentar novamente, conseguir, abrir o navegador, esperar o navegador abrir e torcer para que ele n√£o trave o computador, lembrar que o antiv√≠rus deveria ter sido atualizado e que o disco r√≠gido precisa ser desfragmentado, o que n√£o ser√° feito agora pois toma muito tempo e se est√° com pregui√ßa, abrir outra janela do navegar e come√ßar a escrever “uol.com.br” para se interar das not√≠cias e perceber que o auto-complemento da barra de endere√ßo do navegador est√° sugerindo “uoleo.wordpress.com”, lembrar deste blogue, abri-lo e l√™-lo, enquanto, l√° no fundo da mente fica piscando o lembrete de que todos os seus amigos est√£o na rua, tendo uma vida social mais ou menos ativa enquanto se est√° em frente a um computador capenga lendo um aspirante a aprendiz de ajudante de professor de ci√™ncias.
Mas, como eu sou um sujeito legal, escrevo mesmo assim pois sei que essas pessoas que me lêem nos fins-de-semana merecem algum divertimento e informação.
=¬¶¬§√ĺ
Eu gosto de escrever (vide introdução), mas vez por outra gosto de roubar as coisas interessantes que já foram escritas (sim, eu plagio, mas indico a fonte).
Hoje eu estou pegando emprestado da coluna D√ļvida Razo√°vel, do Kentaro Mori, do blogue Sedent√°rio e Hiperativo.
√Č legal, se voc√™ j√° chegou at√© aqui, continue lendo.

Não nos lembramos de tudo que vemos. O que nem todos percebemos é que não vemos tudo que pensamos ver. A evidência mais simples disto é o ponto cego de nossos olhos, uma região da retina por onde o nervo ótico passa e que está assim desprovida de fotorreceptores. Esse pequeno ponto não capta imagens.
Se você nunca experimentou o ponto cego de seu próprio olho, feche o olho direito e fixe o olho esquerdo no círculo vermelho abaixo. Agora, aproxime-se lentamente do monitor, sem deixar de fixar o círculo vermelho.
branco
Quando estiver a em torno de um palmo de dist√Ęncia, a estrela azul deve sumir ‚ÄĒ √© porque a imagem dela passou sobre o ponto cego. Se continuar se aproximando ou se afastar novamente, a estrela surge outra vez. O mesmo ocorre com a bola vermelha, se voc√™ fizer isso fechando o olho esquerdo e olhar para a estrela azul.
Perceba que quando o círculo ou a estrela somem, você não vê um ponto escuro em seu lugar. Ao invés, a área é substituída pelo branco à sua volta. Tente fazer a experiência com a imagem em negativo: quando a estrela ou o círculo sumirem, agora serão substituídos pelo negro ao redor.
preto
Não porque seu ponto cego não capta luz, mas porque é esta a cor circundante.
Se o fundo fosse rosa-choque ou bord√ī, voc√™ veria a figura substitu√≠da por tais cores da mesma forma.
Isto ocorre pela mesma raz√£o pela qual voc√™ geralmente n√£o percebe seu pr√≥prio ponto cego: o c√©rebro continuamente preenche o buraco com informa√ß√Ķes ao redor e do outro olho. Voc√™ pensa que enxerga tudo em seu campo de vis√£o, mas nem mesmo na pr√≥pria retina isto √© verdade.

O artigo √© bem grande, tem muitos links e v√≠deos e eu n√£o vou usar todo, quem tiver tempo e quiser √© s√≥ clicar em “D√ļvida Razo√°vel” l√° em cima.
Porém, eu gosto de estudos sobre memória e como ela é pouco confiável, por isso vou colar outro pedaço para quem não quiser ler lá.

PERNALONGA
Não apenas não vemos tudo que achamos que vemos, como mesmo aquilo que achamos que já vimos, nossa memória, funciona de forma diferente da que acreditamos. Isto é demonstrado de forma clara pela síndrome da falsa memória.
Em mais um experimento, a psic√≥loga americana Elizabeth Loftus mostrou a v√°rios sujeitos propagandas da Disneyworld, incluindo uma inocente apresenta√ß√£o do personagem Pernalonga cumprimentando algumas crian√ßas no parque. Pouco tempo depois, a psic√≥loga fez uma pergunta sugestiva a eles. Ser√° que eles se lembrariam, quando haviam ido √† Disney, de ter encontrado o Pernalonga e ‚Äúabra√ßado seu corpo felpudo e mexido em suas orelhas macias‚ÄĚ?
amigos
At√© um ter√ßo dos sujeitos disseram se lembrar de ter feito isso. Mas eles nunca o fizeram, porque voc√™ v√™, o Pernalonga √© um personagem da Warner que nunca esteve na Disneyworld ‚ÄĒ Warner e Disney s√£o concorrentes, √© o motivo pelo qual voc√™ nunca viu Mickey e Pernalonga no mesmo desenho. At√© onde sabemos, ningu√©m jamais abra√ßou o coelho da Warner na Disney. A
propaganda mostrando a cena era uma montagem.
O que Loftus fez foi implantar uma falsa memória. Ela também o fez sugerindo a pessoas que haviam se perdido em um shopping quando crianças: a memória do acontecimento fictício passou a fazer parte das lembranças dos sujeitos, como
qualquer outra.
Lembra-se do ‚ÄúVingador do Futuro‚ÄĚ? Implantar falsas mem√≥rias na mente das pessoas n√£o requer equipamentos da Rekal Inc., basta algumas sugest√Ķes certas.
Isto é especialmente verdade com a hipnose e pessoas sugestionáveis, mas o
surgimento de falsas memórias ocorre em maior ou menor grau em todos. Longe de ser um enorme arquivo de registros, nossa memória é maleável e facilmente manipulável.

Aos que até aqui resistiram, agradeço e recomendo, caso tenham tempo sobrando, que cliquem em todos os links e leiam tudo.
Muita coisa interessante para se aprender por aí há.
S√£o quatro da manh√£, mas como eu dormi a noite toda e acordei agora h√° pouco, vou ficar ali lendo (n√£o na cama, porque um estudo sugeriu que fazer qualquer coisa na cama al√©m de dormir, como ler ou ver TV, pode confundir o c√©rebro quanto √† fun√ß√£o do m√≥vel e causar ins√īnia. Eu sou 1 que gosta de dormir…).
Divirtam-se!
Chau

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