Coisas que n√£o sei – comida carregada

Alguns anos atrás eu estava com a garganta inflamada e liguei para meu médico para perguntar o nome do remédio (eu tenho isso uma vez por ano, todo ano, sem falta e sempre tem o mesmo diagnóstico, então era estatisticamente seguro supor que era a mesma mazela de sempre sem precisar ir ao larigonlogista).
Nome dado, perguntei se tinha alguma restri√ß√£o e recebi um: “Evite comer coisas muito quentes ou muito geladas. No mais, pode se alimentar normalmente.”
“√ďtimo”, disse eu, “minha m√£e fez assou um lombinho de porco hoje que vai virar minha janta!”
Rapidamente, ouvi um “N√É√É√É√É√É√É√ÉO!!!” estridente do outro lado da linha. “PORCO N√ÉO PODE!”
E mesmo sob protestos meus de “mas voc√™ disse que eu podia comer normalmente e, n√£o sendo judeu, porco faz parte da minha alimenta√ß√£o normal”, a resposta continuou sendo “n√£o coma carne de porco sen√£o a inflama√ß√£o piora”.
O mesmo conselho é válido para crustáceos (que eu nunca como normalmente, pois não sou apreciador de baratas pré-históricas nem de fábricas vivas de muco perolado), o que precipita a minha pergunta da semana: por que indivíduos totalmente não-alérgicos não devem comer carne suína ou crustáceos quando com alguma inflamação?
Eu sei que essa indica√ß√£o √© excessivamente abrangente por seguran√ßa (√© melhor privar algu√©m imune de tr√™s refei√ß√Ķes de costelinha do que expor a uma inflama√ß√£o fatal algu√©m predisposto) e at√© conhe√ßo um sujeito que, ap√≥s uma pequena cirurgia na m√£o, almo√ßou camar√£o, jantou porco e ceiou lagosta e n√£o apresentou problema algum, mas desconhe√ßo totalmente o mecanismo de a√ß√£o.
√Č uma prote√≠na? Todo mundo diz que √©, mas ser√° mesmo?
Pergunta B√īnus: uma pessoa al√©rgica a camar√£o deve tamb√©m evitar espetinho de grilo quando viajando pela China continental?

Seu mestrado é em quê mesmo?

Esta é a terceira parte de um texto que começou segunda-feira (clique aqui para ler a primeira parte), seguiu pela quarta-feira (clique aqui para ler a segunda parte) e se encerra hoje.
Se não tiver lido as duas primeiras, por favor o faça antes de continuar aqui.
CONTINUAÇÃO
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Mesmo que me considerem sinistro ou m√≥rbido, eu consigo ver um lado bom nisso: rapidamente a verdade sobre “medicina alternativa” surgiria (antes tarde do que nunca), ao verem que uma fratura exposta n√£o sara com reflexologia, que c√≥lera mata independente da t√©cnica de acupuntura usada e que homeopatia facilita a contamina√ß√£o por c√≥lera e esquistossomose mais do que cura catarata (homeopatia n√£o cura catarata).
Pouca gente sabe, mas j√° existe um termo gen√©rico para designar coletivamente qualquer tratamento ou procedimento de medicina alternativa que comprovadamente funcione de verdade fora da “realidade” mental de alguns hippies: “medicina“.
E, já que comecei a falar em lixo, algo que poucos consideram em seus dia-a-dias: remoção de sujeiras e dejetos.
O que fazer com o lixo? Porque sem d√ļvida ele h√° de acumular. E sem √°gua corrente, vasos sanit√°rios n√£o servem para muita coisa al√©m de monumentos em homenagem a uma √©poca distante e confort√°vel.
Em que ponto voc√™ teria que come√ßar a se preocupar com a inevit√°vel contamina√ß√£o da sua √ļnica fonte de √°gua razoavelmente segura das redondezas?
N√£o s√≥ com o que for produzido a partir de ent√£o, mas tamb√©m com os bilh√Ķes de cad√°veres impertubados apodrecendo onde cairam. Algu√©m ter√° tido o bom senso de retir√°-los?
Fogueiras parecem uma alternativa boa, mas apenas momentaneamente (e t√£o somente pelo prazer de ver coisas queimando). Al√©m do cheiro insuport√°vel de cabelo queimado, tanta mat√©ria org√Ęnica sendo queimada abertamente sem restri√ß√Ķes h√° de causar problemas mais adiante, desde nevascas de gordura at√© contamina√ß√£o do ar.
E ainda o aumento do aquecimento da atmosfera, que vai fazer subir o nível das águas que por sua vez cobrirão os restos putrefatos de seus colegas e conhecidos, aumentando seus problemas de contaminação de água (mais uma dica: num mundo onde a neve é cinza, não beba água da chuva).
Se voc√™ acha que pensamento positivo vai ajudar a manter doen√ßas longe, sugiro que consulte um londrino do s√©culo 17 e use palavras-chave como: “miasma”, “bub√īnica” e “T√Ęmisa”.
Voltando um pouco para a eletricidade que n√£o mais existe abundantemente.
√Č poss√≠vel usar motores de combust√£o para gerar eletricidade, mas depois que gasolina, √°lcool e diesel acabarem, quem vai refinar e destilar mais? Melhor ainda, quem vai obter o petr√≥leo ou plantar os in√ļmeros hectares de cana ou milho necess√°rios?
Por aqui nós usamos basicamente hidrelétricas, que teoricamente têm combustível ilimitado fornecido por barragens, mas e quanto a reparos? Elas não foram feitas para durarem para sempre. Quando uma turbina emperrar, quem vai consertar enquanto outra é encomendada? E quem vai se responsabilizar pela construção da encomenda?
E voc√™ faz ideia de onde fica a hidrel√©trica mais pr√≥xima da sua casa? Eu apostaria a metade do meu sal√°rio em “n√£o” e a outra metade em “muito, muito longe”.
E mesmo que a usina esteja em perfeito estado, ainda n√£o √© t√£o simples. E as subesta√ß√Ķes? E as linhas de alta-tens√£o? Um √ļnico poste ca√≠do em milhares de quil√īmetros ou apenas um transformador queimado em alguma dentre centenas de cidades √© s√≥ o que basta para que a energia permane√ßa faltando.
O mesmo problema de manutenção é valido para painéis solares e turbinas eólicas, com o aditivo de que esses métodos geram pouquíssima eletricidade.
E se você mora perto de uma usina nuclear que ficou abandonada por muito tempo, eu só lamento. Brilhar no escuro pode lhe trazer certas vantagens imediatas, mas você não vai conseguir aproveitá-las por muito tempo.
“Mas e o conhecimento armazenado? E as bibliotecas?”, eu ou√ßo voc√™ perguntando neste momento.
√Č bem verdade que bibliotecas n√£o s√£o raras, mas boa sorte tentando achar um livro sobre Reparo em Pe√ßas M√≥veis de Turbinas Transdutoras de N√ļcleo Gerador e melhor sorte ainda tentando aprender e por em pr√°tica tirando diretamente de um livro que, sem d√ļvida, est√° repleto de jarg√Ķes e termos t√©cnicos que requerem conhecimento pr√©vio (transdutor: equipamento ou dispositivo que converte um tipo de energia em outro).
O mesmo √© v√°lido para os problemas m√©dicos. Quantos livros voc√™ acha que existem com a receita para morfina? Se voc√™ j√° tentou instalar um ventilador de teto mesmo lendo instru√ß√Ķes detalhad√≠ssimas, sabe o qu√£o dif√≠cil seria realizar uma cirurgia de h√©rnia de disco em outrem.
Ademais, certamente alguém já terá chegado lá antes de você e a biblioteca à sua frente será agora pouco mais que um enorme reservatório de lenha para fogueira (livros queimam supreendentemente bem).
E você sabe que isso é mais que provável. A maioria das pessoas são terrivelmente péssimas em planejar suas necessidades futuras (e surrealmente proficientes em queimar coisas, especialmente livros).
Em resumo, alcan√ßar novamente o n√≠vel de sofistica√ß√£o que temos hoje em dia levar√° consideravelmente mais tempo do que o necess√°rio para se chegar a ele da primeira vez, pois onde antes t√≠nhamos “engenheiros”, hoje temos engenheiros: florestais, atuariais, de inc√™ndio e combate ao p√Ęnico, biom√©dicos, eletricistas, t√™xteis, de materiais, hidr√°ulicos e mais umas mil especializa√ß√Ķes com “engenheiro” no come√ßo.
Onde antes haviam “m√©dicos”, hoje h√° ortopedistas, traumatologistas, otorrinolaringologistas, reumatologisas, oncologistas, nefrologistas e mais duas mil especializa√ß√Ķes derivadas da Medicina.
Ferreiros viraram apertadores de bot√Ķes; Sapateiros viraram encaixotadores; Tecel√Ķes viraram vendedores; Cientistas viraram Qu√≠micos que viraram misturadores, ou F√≠sicos que viraram digitadores, ou Bi√≥logos que viraram cozinheiros.
Minha avó sabia plantar milho para alimentar galinhas que seriam posteriormente depenadas por ela para serem cozidas e postas à mesa junto com queijo feito por ela a partir de leite tirado também por ela de uma vaca alimentada com grãos que ela plantou, e que iriam somar ao jantar para alimentar a família da minha mãe, que por sua vez sabe escolher, no supermercado com o melhor preço, um frango congelado e os ingredientes mais frescos que irão para a panela juntos para serem cozinhados e transformados em um delicioso almoço para me alimentar.
Eu sei o telefone da pizzaria.
Provavelmente o pai da minha av√≥ sabia curtir o couro das vacas que criava para fazer suas pr√≥prias roupas. Eu n√£o sei o n√ļmero das minhas cal√ßas e quem compra minhas camisas √© a minha namorada.
Seis ou sete gera√ß√Ķes atr√°s, um ancestral meu talvez usasse um bico de ema modificado para raspar carne dos ossos de um peba.
Ontem eu cortei o dedo tentando separar um p√£o em dois.
Numa sociedade altamente especializada como a nossa em que fósforos e pão são facilmente obtidos, poucas são as pessoas que sabem, sozinhas, resolver muitos dos problemas que enfrentaríamos num futuro desorganizado.
N√£o que especializa√ß√£o seja ruim. N√£o √©. Sem ela n√£o ter√≠amos todas essas coisas que ir√£o fazer falta aos seis milh√Ķes de brasileiros remanescentes, mas quando o pau cantar, algumas habilidades ser√£o de grande uso. Por exemplo: experi√™ncia em primeiros-socorros, ca√ßa e pesca, tend√™ncias piroman√≠acas (n√£o me julguem), conhecimentos gerais de bot√Ęnica, geografia e animais pe√ßonhentos, no√ß√Ķes de qu√≠mica, f√≠sica e aplica√ß√Ķes pr√°ticas laboratoriais e, em casos extremos, sangue frio para “eliminar” os irremediavelmente feridos num mundo sem centros cir√ļrgicos ou analg√©sicos.
Você conhece alguém assim?
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Esta estória completa faz parte da blogagem coletiva da semana de Caça ao Paraquedista do ScienceBlogs Brasil.
Se voc√™ estava procurando previs√Ķes obscuras para o fim do mundo e veio dar aqui, seja bem-vindo!
Se você gostar de Ciências, aqui é o seu lugar (e não, eu não escrevo tanto assim sempre).

Você será necessário após o fim da civilização?

Esta é a segunda parte de um texto que começou segunda-feira. Caso não tenha ainda lido o começo, clique aqui.

CONTINUAÇÃO

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Já tendo metade do seu dia ocupado no processo de purificação de água, e a comida?
Quantas vezes você precisou caçar ou pescar para sobreviver?
Pescar é uma atividade estonteamente entediante e desprovida de atrativos, mas eu já cacei alguns animais pequenos, mas nunca porque precisava.
√Č tudo muito bom quando “pegar um peixe” √© seguido por “para mostrar pra m√£e”, mas a est√≥ria √© outra quando se depende disso para viver. E a n√£o ser que voc√™ more num s√≠tio ou num interior id√≠lico, dificilmente voc√™ encontrar√° fruteiras suficientes para lhe prover alimenta√ß√£o.

Você sabe identificar uma cenoura enquanto ela ainda está plantanda? E um pé de batata? Você sabe plantar batatas? Ou arroz?
Considerando que voc√™ aprenda a ca√ßar e a distinguir um p√©-de-batata de um m√≥i-de-mato e consiga plantar arroz, agora voc√™ precisa de fogo (batata crua √© ruim para o est√īmago e arroz cru p√©ssimo para os dentes).
Você sabe fazer fogo? Isqueiros e fósforos eventualmente vão acabar e manter uma fogueira acesa para sempre é muito dispendioso, pois gasta móveis preciosos queimando-os à toa mesmo quando não é necessário para assar a comida ou destilar água (fica a dica).

Digamos que a sua aldeia consiga se estabelecer perto de um riacho e vocês agora tenham água boa, comida suficiente e abrigo (novamente, casas desocupadas são a melhor solução, mas mesmo que não exista nenhuma por perto, barracos são muito fáceis de se construir). E agora? O que cada um sabe fazer e com o quê cada um pode contribuir?

Olhe ao seu redor: se voc√™ est√° trabalhando enquanto l√™ isto, quem dessas pessoas na sua imediata vizinhan√ßa voc√™ gostaria que o acompanhasse? O que eles sabem fazer que voc√™ n√£o sabe mas que lhe seria √ļtil e complementar √†s suas pr√≥prias habilidades?
(Se você está sozinho em casa, olhe ao seu redor figurativamente e pense nos seus vizinhos, amigos, conhecidos, etc.)

Quantos Contadores você acha necessário para o seu Novo Mundo? E quantas Secretárias Executivas?
E que Novo Mundo será esse? Apenas uma assembleia de esfarrapados que não tomam banho para poder beber mais água enquanto um solitário desesperado tenta a todo custo fermentar o próprio cuspe numa tentativa vã de produzir vodca? Ou uma comunidade forte e focada com o intuito de reconstruir a civilização humana a partir de praticamente nada? Pois tudo que existe e que nos é precioso no presente não funciona ou nem existe mais no futuro.
Será possível reparar a humanidade com o grupo de pessoas que sobrar?

Estatisticamente, a grande maioria dos sobreviventes será constituída de Advogados, Donas de Casa e Operários em geral. Mas sem leis para estudar, casas para cuidar e máquinas para manobrar, qual uso eles viriam a ter?
Um F√≠sico Te√≥rico (que sobreviveu ao apocalipse por n√£o sair jamais de casa e, tendo conseguido evitar por completo contato com a sociedade por vinte e cinco anos, s√≥ ficou sabendo que o mundo entrou em colapso quando seu Stereo Hi-Fi Double Deck parou de funcionar e o telefone da assist√™ncia t√©cnica estava mudo) pode ser Ph.D. o que for, ser√° t√£o ou mais in√ļtil que um Analista de Sistemas.
Especialidade aqui √© irrelevante, principalmente se for em alguma ocupa√ß√£o primariamente contempor√Ęnea.

Um Engenheiro Mecatr√īnico saberia montar uma armadilha para animais melhor que um Astr√īnomo?
Um Pianista talvez saiba tran√ßar palha para fazer cordas melhor que um Guarda de Tr√Ęnsito, mas talvez n√£o.
Preferiria ter ao meu lado uma Enfermeira a um Cirurgi√£o Pl√°stico.
Um Pedreiro seria muito mais √ļtil que um Engenheiro Civil.
Eu trocaria dois Despachantes, seis Cabelereiros, um Taxista, sete Publicit√°rios e oito Webdesigners por um Padeiro.
Ou trinta e seis mil Homeopatas por um Mec√Ęnico (n√£o-dilu√≠do). E entre um Chef Franc√™s e um A√ßogueiro, ficaria com o √ļltimo.

Essa nova sociedade precisa de pessoas que saibam mexer com coisas que poucos sabem ou que ninguém quer. Todos querem comer, mas ninguém quer se sujar de sangue ou de terra.
Todos querem um teto, mas ninguém quer cavar barro e suar ao lado de fornos de olaria.
Especializa√ß√Ķes modernas n√£o servem de muita coisa nesse literal fim de mundo.

Você sabe fazer sabão? Melhor ainda, você sabe ao menos quais os ingredientes necessários para se fazer sabão? Conhece alguém que saiba? Talvez um Engenheiro Químico saiba uma fórmula, mas ele seria por demais acostumado a usar produtos processados, prontos para misturar, e não teria muita idéia de onde conseguir matéria-prima.

Voc√™ pode muito bem saber fazer um bolo, mas sabe criar vacas, galinhas, plantar trigo, cana-de-a√ß√ļcar e construir fornos? Sabe tirar leite, fazer manteiga, farinha ou a√ß√ļcar?

Você faz a mínima ideia de como uma geladeira funciona e quais os seus componentes essenciais?
Sabe extrair sal?
Sabe tirar coco?
Sabe montar uma pilha para uma lanterna? Sabe fazer uma lanterna?
E repelente de mosquitos, sabe alguma coisa sobre?

Pois é, nesse apocalipse por mim previsto, ou você é Renascentista, ou é parasita. E em tempos de dificuldade, os parasitas (sociais) são os primeiros a sofrer.

Mas mesmo as profiss√Ķes que eu listei como mais √ļteis, seriam realmente √ļteis?
A Enfermeira certamente sabe dar pontos, parar sangramentos e dar remédios, mas saberia fabricar um antibiótico ou insulina?
De que me serveria um pedreiro num mundo sem sacos de cimento e f√°bricas de tijolos?
Ser√° que o padeiro sabe fazer farinha a partir de plantas ou apenas sempre trabalhou com mistura pronta?
E o Mec√Ęnico? Sabe construir um motor-gerador com pe√ßas avulsas ou sempre trabalhou com computadores na concession√°ria?
O Açogueiro certamente sabe separar uma picanha de um contra-filé de boi, mas saberia qual o melhor pedaço de um cachorro (ou rato) para se comer? E saberia assar esse pedaço?
(Por favor, notem que n√£o acho que eu, um digitador/blogueiro/m√ļsico que come mais que dois atletas me sairia muito bem nessa situa√ß√£o.)

Num planeta sem as conveniências modernas que esperamos encontrar em cada esquina, uma dor de cabeça pode significar o fim de seus dias. Você não pode mais caçar, plantar ou sequer se defender. Nada que uma aspirina não resolva em duas ou três horas, mas e quando elas acabarem?
Lembre-se que o quadro que estou pintando √© permanente, n√£o h√° volta daqui. Quem sabe fabricar aspirina? Voc√™ sabe? Se sim, excelente! O √ļnico problema agora √© achar a mat√©ria-prima. Existem salgueiros perto de onde voc√™ est√°? Voc√™ sabe diferenciar um salgueiro de uma jurema? Sabia que aspirinas s√£o derivadas de casca de salgueiro?
A menos que você já esteja dentro da mata certa, sem combustível para o transporte suas chances são nulas.
E se de repente surge uma dor abdominal intensa em alguém? Sem radiografia ou remédios, qual o procedimento?

Para o final dessa mininovela, aguarde até sexta-feira (link para o final)!

Auto-Hemoterapia e a medicina da Idade Média de mãos dadas

Sem ter o que fazer e procurando por pajés e feiticeiros modernos, me deparo com uma tal de Auto-hemoterapia (nome já devidamente adaptado às novas regras gramaticas) e uma rusga entre um médico e um jornalista acerca disso.
A ANIVSA proíbe, o Conselho Federal de Medicina apresentou um parecer sobre o assunto, dizendo que sua prática é potencialmente perigosa e o médico Munir Massud, escalado pelo tal conselho para preparar o documento (posteriormente apreciado, revisado e corrigido pelos 28 conselheiros federais do órgão) passou a ser furiosamente atacado pelo jornalista Walter Medeiros.
Um médico professor e pesquisador prepara um documento, a pedido do CFM, após decisão da ANVISA e um jornalista o ataca como sendo desonesto?
Achando um tanto quanto curioso, fui atr√°s de mais informa√ß√Ķes (novamente, era um dia ocioso, sem muito o que fazer).
Em primeiro lugar, auto-hemoterapia n√£o consiste em tratar a si mesmo ouvindo Nx Zero ou Fall Out Boy, pois isso seria auto EMO terapia.
Ou nem isso, apenas auto emossificação, nada que qualquer adolescente hoje em dia já não faça.
Auto-hemoterapia √© o ato de retirar sangue de uma veia e injet√°-lo em um m√ļsculo da mesma pessoa.
O “auto” a√≠ √© falacioso, pois quem faz o procedimento √© outra pessoa, em geral um m√©dico.
Mas se médicos fazem então é beleza, certo?
Alguns m√©dicos tamb√©m praticam homeopatia e acupuntura, dois m√©todos n√£o apenas comprovadamente falsos como tamb√©m potencialmente perigosos que n√£o trazem qualquer resultado ben√©fico aos pacientes al√©m do efeito placebo (agulhas podem causar inflama√ß√Ķes ser√≠ssimas e homeopatia √© caro e pode desviar recursos de, e aten√ß√£o a um tratamento realmente eficaz).
Zero efic√°cia e possibilidade de complica√ß√Ķes? Passo.
M√©dicos s√£o pessoas e como tal est√£o sujeitas a sugest√Ķes e preconceitos e uma das maiores for√ßas naturais que existe √© a Pregui√ßa.
√Č t√£o mais f√°cil receber um dado e deixar por isso mesmo. Procurar corrobora√ß√£o adequada e confi√°vel √© muito mais dif√≠cil que simplesmente acreditar.
(E existem ainda os charlat√Ķes sem car√°ter que les√£o propositalmente e que, como agravante, inventam est√≥rias mirabolantes para justificar seus m√©todos s√≥rdidos de infligir dor em outrem, como um tal de Francisco Rodrigues, que admitiu descaradamente em um peri√≥dico natalense (Di√°rio de Natal) que tratava doentes mentais com passes (pr√°tica supersticiosa que envolve “esp√≠ritos” tomando os corpos dos vivos) e que, pasmem, pois eu estou 100% indignado, criou a disciplina opcional Medicina e Espiritualidade na UFRN.)
Auto-hemoterapia (que daqui para frente ser√° referida por AHT para evitar repeti√ß√£o) n√£o possui efeitos adversos comprovadamente atrelados a ela (o que n√£o √© o mesmo que dizer que ela est√° livre de efeitos colaterais indesejados, mas apenas que estes ainda n√£o foram conectados sem sobra de d√ļvida √† terapia) por simples falta de observa√ß√Ķes controladas.
Isso é o que a literatura me diz, mas eu digo um efeito adverso agora: dor.
Para qualquer tratamento que não traga benefício, o menor desconforto já é um malefício por demais grande.
√Č como um tapa na cara; por menor que o dano causado seja, a plena falta de benef√≠cios torna o menor ind√≠cio de dor algo insuport√°vel.
E essa tal de AHT serve para o quê?
Segundo Luiz Moura, proeminente proponente da precitada pr√°tica; para tudo (incluindo c√Ęncer e HIV)!
Segundo a Ciência Médica, para nada!
Entre centenas de anos de melhoria, milhares de estudos e milh√Ķes de profissionais pesquisadores e um indiv√≠duo, aposto sempre no primeiro grupo.
Quer revolucionar a medicina? Prove.
Apresente um projeto de pesquisa de uma condição específica (não pode ser tudo ao mesmo tempo) a uma comissão de ética, mendigue dinheiro de uma universidade e siga o método científico com a metodologia adequada.
Todo pesquisador faz isso (principalmente a parte da mendic√Ęncia), por que alguns se acham perseguidos e merecedores de tratamento diferenciado?
Descobriu o moto-perpétuo da Medicina e acha que não precisa provar a ninguém?
Popper discorda de você.
Se acha o novo Newton e acha que é mais sabido que toda a comunidade médica?
Occam est√° de olho (e ele anda armado).
Voltando à confusão que me chamou atenção.
A maior parte das cr√≠ticas (uma busca no Google por “Munir Massud” mostra v√°rios resultados, podem ir atr√°s) s√£o simples ataques √† pessoa do m√©dico.
Nenhum comentário que li, tanto do seu arquirrival Walter Medeiros (jornalista E poeta!) quanto de outros colegas seus são críticas ao documento, mas ao sujeito que primeiro o escreveu.
Eles não conseguem sequer citar trabalhos razoáveis que cubram seus argumentos, apenas estiram a língua e chamam de bobo.
Na minha terra, o nome disso é meninice. Na terra dos mais instruídos, chama-se ad hominem.
Não consegue discutir no mesmo nível intelectual? Seus argumentos não passam de xingamentos e tentativas de desacreditar o oponente?
Parabéns, você é um falacioso!
H√° at√© um que o acusa de “criminoso” por ele assinar o documento como Professor Doutor Munir Massud.
Oxente, acusar Munir Massud de criminoso porque ele assina um texto como “professor doutor” √© de uma cretinice esf√©rica.
Em primeiro lugar, √© tradicional se referir a m√©dicos (e a advogados) por “doutor”.
Isso é um sinal de respeito pela dignidade da profissão e uma formalidade tradicional.
M√©dicos s√£o doutores em Medicina, n√£o necessariamente doutores acad√™micos. Contestar o fato tradicional (eis a palavra novamente) de que “m√©dico” pode ser substitu√≠do por “doutor” √© simplesmente desonestidade intelectual, visando somente ofender a honra e sujar o nome de Munir.
A n√£o ser que o sujeito tenha sido criado numa caverna por um louco, ele sabe o que “doutor” nesse contexto significa.
(E sim, quando eu digo “cretino” estou me referindo √† patologia de retardo mental.
Quem escreveu aquele texto tem duas op√ß√Ķes: ser extremamente idiota (novamente, outra forma de retardo) ou ser irremediavelmente sem car√°ter. Escolha.)
Em segundo lugar, ele d√° aulas numa universidade, logo pode se denominar “professor”.
E a premissa inicial ainda √© falsa! Massud n√£o foi o √ļnico respons√°vel pelo documento.
Ele n√£o fez uma apresenta√ß√£o .pps e saiu espalhando pelos emails de seus conhecidos. Ele procurou informa√ß√Ķes s√©rias (MedLine, EndNote) e teve seu artigo revisado e corrigido por um painel de 28 pessoas.
Houve ainda outro teorista da conspiração que sugeriu que a AHT não é aceita pela comunidade médica por ser uma terapia barata.
Beber água, caminhar meia hora por dia e dormir bem são atividades proibitivamente caras, por isso que são tão recomendadas por qualquer médico. Né?
Lavar as m√£os antes de comer ent√£o, aff! Os olhos da cara!
Meus xingamentos n√£o constituem ad hominens pois s√£o baseados em evid√™ncias emp√≠ricas. √Č perfeitamente poss√≠vel argumentar com algu√©m de igual para igual e continuar a cham√°-lo de “feio” se ele assim o for.
Ou mesmo que n√£o seja, argumentos s√≥lidos podem ser constru√≠dos e temperados com esculachos. Por exemplo: “Voc√™ est√° errado porque est√° usando estudos com metodologia d√ļbia que n√£o foram propriamente cegados e randomizados e que n√£o cont√™m o menor valor cient√≠fico, seu imbecil!”
A prop√≥sito, muito do que √© dito por a√≠ √© fruto exatamente daquilo: estudos porcamente mal feitos, sem controles, n√£o-cegos, n√£o-randomizados, n√£o-revisado por pares, n√£o-replicados e divulgados em publica√ß√Ķes sem crit√©rio.
Ou, pior ainda, divulgado em meios de mídia ANTES de passarem pelo crivo de pessoas que realmente sabem do que dizem.
Foi o que fez Luiz Moura, que distorceu estudos de um médico chamado Jesse Teixeira (já consideravelmente mal estruturados por terem sido idealizados antes de exigências metodológicas confiáveis) que se referiam a tratamentos de pós-operatórios.
Luiz Moura pegou a conclusão de Jesse e a esticou, sacudiu, dobrou, enrolou e distorceu até chegar a uma conclusão própria: AHT é a cura de todos os males!
URR√ö!!
Se você pegar um bolo solado e queimado feito de laranja azeda com farinha mofada e bater no liquidificador, temperar com alho e coentro, deixar no freezer por doze horas e reaquecer no micro-ondas e tentar comer, perceberá rapidamente que manipular algo que já começou ruim vai apenas incrementar a ruindade.
Ciência é como culinária nesse aspecto, mas várias ordens de magnitude maior.
Mexer em algo que desde o come√ßo j√° est√° fora do escopo cient√≠fico s√≥ tende a aumentar ainda mais a dist√Ęncia entre aquilo e o que √© cientificamente aceit√°vel.
E j√° que mencionei algumas fal√°cias, aqui vem outra: alguns defensores da AHT afirmam que ela √© boa por ser antiga (talvez n√£o com essas palavras, estou interpretando um pouco), pois baseiam sua efic√°cia nas observa√ß√Ķes dos trabalhos do Dr. Teixeira. Se for um Apelo a Antiguidade, √© um muito do rei√™ra, pois tem nem 80 anos direito. Velho o suficiente para ser ultrapassado, mas n√£o o bastante para ser ‘antiguidade’. Igual a um Chevette.
E em medicina, quanto mais antigo o tratamento, menos crédito merece (a não ser que continue se mostrando bom ao longo dos anos).

ATUALIZAÇÃO: hoje, primeiro de novembro, venho adicionar dizendo que meus comentaristas crentes (veja abaixo) demonstram que minha interpretação acima é confiável. Acreditam na terapia somente por ela ser antiga.

Mais uma vez, a ANVISA proibiu a prática da AHT e pediu ao Conselho Federal de Medicina que elaborasse um parecer com base científica.
Hoje em dia n√£o apenas Vigil√Ęncia Sanit√°ria e o CFM proibem essa pr√°tica como tamb√©m o fazem os Conselhos Federais de Enfermagem e Farm√°cia.
A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (notem a falta do “auto” no nome) apresentou o seguinte comunicado:

“A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia- SBHH, frente a in√ļmeros questionamentos recebidos, tanto por parte de profissionais m√©dicos como n√£o m√©dicos, relacionados √† suposta pr√°tica hemoter√°pica denominada “auto-hemoterapia”, vem a p√ļblico esclarecer o que se segue:
‚ÄĘ A Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia N√ÉO RECONHECE do ponto de vista cient√≠fico o procedimento “auto-hemoterapia”;
‚ÄĘ N√£o existe na literatura m√©dica, tanto nacional quanto internacional, qualquer estudo com evid√™ncias cient√≠ficas sobre o referido tema;
‚ÄĘ Por n√£o existirem informa√ß√Ķes cient√≠ficas sobre o referido procedimento, s√£o desconhecidos os poss√≠veis efeitos colaterais e complica√ß√Ķes desta pr√°tica, podendo colocar em risco a sa√ļde dos pacientes a ela submetidos;
‚ÄĘ Agrega-se a este parecer, a Resolu√ß√£o do Conselho Federal de Medicina- Resolu√ß√£o CFM no 1.499/98, que em seu artigo 1¬ļ, “Pro√≠be aos m√©dicos a utiliza√ß√£o de pr√°ticas terap√™uticas n√£o reconhecidas pela comunidade cient√≠fica”.
Frente ao exposto, a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia n√£o recomenda a pr√°tica desse procedimento.
O comunicado √© assinado pelo Presidente da SBHH, Dr. Carlos Chiattone”

Buraco cavado, caix√£o lacrado, cal por cima.
D√ļvidas, sugest√Ķes ou esculhamba√ß√Ķes, me procurem. Meu email est√° por aqui em algum lugar.
Eu procurei o jornalista Walter Medeiros para comentar o caso, mas ele se mostrou envergonhado e não quis gravar entrevista (mentira, apenas sempre quis dizer isso e, como agora posso oficialmente ser tão jornalista quanto ele, posso dizer esse tipo de coisa também).
O Dr. Munir, no entanto, estava disponível e me ajudou com material (verdade, mas não confiem em mim, pois eu minto tanto quanto vocês).

Agora o mundo acaba!

O mundo acabou. E agora?
Inspirado em parte por esse coment√°rio, movido pela necessidade de criar meu pr√≥prio p√Ęnico em massa (todo mundo est√° fazendo, quero ser popular) e tendo estudado bastante psicohist√≥ria, cheguei √† inevit√°vel conclus√£o de que os sobreviventes morrer√£o √† m√≠ngua.

(Não precisando explicar, pois é óbvio, mas explicando de todo jeito, claramente me refiro aos sobreviventes da peste maligna submissão ao Mulo colisão com o planeta Nibiru explosão de um supervulcão Skynet SkyLab ameaça extraterrestre síndrome respiratória aguda grave previsão do calendário maia 2012 frota Vogon queda de um asteróide vingança de Cthulhu epidemia zumbi gripe espanhola do frango suína.)

Quando 80% da popula√ß√£o mundial estiver devidamente morta em decorr√™ncia da inevit√°vel letalidade desta nova pandemia pandem√īnica panterritorial, os que sobrarem v√£o penar.
Nos primeiros dias, após o Estado de Sítio cessar por falta de quem o preserve, não teremos mais energia elétrica corrente e abundante.
Afinal, quem estaria cuidando das instala√ß√Ķes das nossas hidrel√©ticas, garantindo seu correto funcionamento?

Daqueles vinte por cento restantes, outros sete décimos pereceriam devido ao choque causado pela falta de TV, condicionadores de ar e enfeites natalinos luminosos.

Mais alguns certamente seriam pegos de surpresa ao notar que a Internet n√£o mais existe num mundo sem linhas telef√īnicas, mesmo com energia suficiente para algumas horas de navega√ß√£o ainda armazenadas em seus celulares e dispositivos similares da moda.
Poucos morreriam aqui, pois a inanição Рresultante da inação causada pela incrível concentração com que certas pessoas fitam o monitor até o momento em que seus computadores façam o que se é esperado deles Рque acompanha o tranco de se ver sem conexão vem ao decorrer de alguns dias. Baterias duram apenas poucas horas.

Tendo a produção de energia cessado, bombas de combustíveis não mais funcionariam, causando mais algumas mortes por excesso de exercício físico em alguns indivíduos (já severamente fragilizados pela falta de televisores) durante a árdua e extenuante tentativa de caminhar (a pé! Que disparate!) cem metros até a esquina para comprar pão.
E mesmo que você ainda consiga salvar muita gasolina das fogueiras de veículos abandonados, seria impraticável dirigir em ruas apinhadas de corpos (sim, pois os responsáveis pela coleta de cadáveres estão também mortos, talvez até contribuindo pessoalmente para o mórbido empilhamento das ruas).

Em seguida, o fornecimento de água também deixaria de existir para aqueles que moram acima do nível de rios e lagoas de abastecimento. Ou seja; todos.
√Āgua n√£o fica mais dominantemente em caixas comunit√°rias como antigamente, pois isso √© pouco pr√°tico.
Em cidades com milh√Ķes de habitantes, os reservat√≥rios teriam que ser t√£o grandes que a estrutura f√≠sica requerida para mant√™-los acima de todos os pr√©dios teria um custo proibitivo. Bem mais f√°cil, pr√°tico e barato usar bombas que for√ßam √°gua ladeira acima, diretamente das esta√ß√Ķes de tratamentos (ou similares).

Milhares de mortes mais aqui nesta etapa, pois se até a esquina já era um esforço tremendo, que dirá até um rio ou lagoa em um bairro circunvizinho.
Notem que a praga já eliminou 95% da população planetária (80% diretamente + 15% indiretamente).
Mas claro, isso √© apenas um c√°lculo aproximado. O n√ļmero de v√≠timas diretas √© apenas inferido (tendendo para menos) e o de indiretas est√° sendo grosseiramente subestimado (por exemplo: muitas cabe√ßas explodir√£o pela press√£o causada pelo ac√ļmulo de idiotices a qual era dado vaz√£o adequada via telefone e Internet. Apresentadores de telejornais matutinos ser√£o particularmente prop√≠cios a esse tipo de acidente).
At√© o momento, a popula√ß√£o, antes em sete bilh√Ķes, j√° baixou para trezentos e cinquenta milh√Ķes e continua caindo pela simples falta de conveni√™ncia e conforto modernos que eletricidade nos traz (obrigado Tesla!), queda que √© tanto mais intensa quanto mais avan√ßada for a sociedade em foco.

Nesse ponto, os Txucarram√£es, os Zulus e os Amish perder√£o apenas 80% de seus participantes (mortes diretamente relacionadas ao evento catastr√≥fico) enquanto EUA e Cor√©ia do Sul j√° n√£o mais existir√£o (mortes indiretas, por falta de privil√©gios eletr√īnicos).
Um situação Senhor das Moscas se instauraria. Quem iria comandar as coisas agora que não existe mais governo?
(N√£o posso falar por outros pa√≠ses, mas aqui no Brasil eu acho que essa trag√©dia seria a gota d’√°gua – por assim dizer – para qualquer sobrevivente que visse um Senador da Rep√ļblica degustando uma Evian ou uma Fuji impunemente.)

Sem governo, até que me provem o contrário (e duvido que consigam pelos exemplos que já abundam), é cada um por si/lei da selva/sobrevivência do mais apto a desviar de balas.
Com a coopera√ß√£o, que nos √© imposta por leis, j√° devidamente morta, estra√ßalhada e enterrada num canto √ļmido de um terreno abandonado e cheio de mato, os mais preparados passariam a defender seus territ√≥rios e, eventualmente, a desbravar e conquistar novos espa√ßos para continuar sobrevivendo.

N√£o gosta da sua casa? V√° para a do vizinho. H√° 1 chance em 1,05 de que ela esteja vazia pois seus antigos ocupantes est√£o mortos.
Uma √°rea que contenha um supermercado valer√° infinitamente mais que uma contendo v√°rios bancos, pois dinheiro j√° n√£o vale mais um centavo.
Um frigorífico só terá valor nas primeiras semanas, mas salsichinhas aperitivo, biscoitos recheados e salgadinhos crocantes de milho serão prezados por meses ou até anos (décadas, no caso dos salgadinhos).

Mesmo aqui, um país sem lojas de armas, lutas ferozes e sangrentas irromperão, pois quem tem tiver a maior ripa com mais pregos na ponta será constantemente desafiado pela posse do cacete, enquanto insistentemente combaterá outros mais fracos por território.
N√£o havendo √°gua corrente nas torneiras das casas (e 10 entre 10 pessoas se recusando a beber √°gua das privadas, mesmo sendo perfeitamente pot√°vel), gal√Ķes e garrafas de √°gua mineral rapidamente virar√£o pr√™mios a se ter a qualquer custo. Depois disso vir√£o os refrigerantes e as tuba√≠nas. Por fim, em casos de desespero (do tipo que leva pessoas ao canibalismo e urinofagia), as cervejas sem √°lcool e Schin Cola.
Bebidas alco√≥licas ser√£o as primeiras a desaparecer, antes mesmo das caixas d’√°gua secarem.
Considerando, no entanto, que os sobreviventes sejam gente boa e gostem de companhia, haver√£o aqueles que se agrupar√£o e formar√£o pequenas col√īnias longe dos territ√≥rios dos Supremos Mestres dos Arrabaldes do Carrefour.

Ent√£o, a melhor op√ß√£o √© voltar ao mato, voc√™ e sua rec√©m-formada “tchurminha”.
Depois de um tempo, apenas √°gua natural restar√°, naqueles rios e lagoas aludidos anteriormente.
Mas a √°gua √© segura para o consumo? Ela n√£o passa antes por esta√ß√Ķes de tratamento?
Como saber se ela pode ser bebida? Esperar alguém testar antes é pouco prático, pois doenças aquáticas podem levar até semanas para se desenvolver e causar óbito e esse tempo é mais que suficiente para levar alguém a morrer de sede.
Sem métodos eficientes para teste, só resta purificar antes de beber.
Você já purificou água alguma vez na vida? Sabe como proceder para obter um líquido seguro para consumo?
Se a sua resposta √© “sim”, eu queria apenas frisar que peneira n√£o √© um equipamento adequado, nem muito menos o √© uma meia velha.
E ferver lama n√£o lhe garante √°gua pot√°vel. √Č certo que ela agora estaria limpa de micro-organismos, mas s√≠lica, merc√ļrio, chumbo e √°cidos provenientes de decomposi√ß√£o de mat√©ria org√Ęnica ainda s√£o um problema s√©rio para o nosso fr√°gil corpo rosado.

Em caso da resposta ainda não ter mudado, saiba que agora você deverá purificar água em grande escala (doença não se pega só bebendo, pois às vezes contato já é suficiente), todos os dias.

Para sempre.

Este texto continua quarta-feira (eis o link). N√£o percam!.

Coisas que n√£o sei – suor feminino

Essa aqui eu já pesquisei e até já publiquei uma estorinha mas nunca consegui uma explicação que me satisfizesse: por que, em geral, mulheres suam consideravelmente menos que homens?
Eu entendo o “mecanismo mais eficiente”, mas preciso entender como funciona; o porqu√™ de ser mais eficaz.
De que forma as mulheres regulam calor sen√£o pelos poros?

A luz que nos alumia

O que sabemos do mundo é limitado.
Como um bagre-cego de caverna que evoluiu sem necessitar de olhos, inocentemente esbarrando ns paredes pedregosas da nossa clausura nós evoluímos apenas com uma habilidade primitiva de sentir nossos arredores.
O espectro total do nosso ambiente continuaria escondido de n√≥s como o sol acima da piscina cavernosa do peixe cego n√£o fosse nossa habilidade √ļnica de conduzir o ato revolucion√°rio da Ci√™ncia.
Com a Ciência nós podemos ver bem mais além dos limites da nossa bolha evolucionária.
Do giro de el√©trons √†s aglomera√ß√Ķes de gal√°xias do jovem universo, a Ci√™ncia nos d√° um m√©todo de tocar, ouvir, ver, sentir e degustar que a natureza sozinha n√£o seria capaz.
E mesmo sendo controverso se nossa mente cient√≠fica √© separada da natureza ou simplesmente uma extens√£o de como a Natureza faz modifica√ß√Ķes em ferramentas gen√©ticas usadas para observar as coisas, potencialmente trazendo √† tona o argumento sobre se a vida √© realmente natural quando comparada com a letalidade do resto do Universo, resultando, em princ√≠pio, em algo totalmente n√£o-natural qualquer coisa que uma forma de vida fa√ßa.
Preparem-se para deixar a segurança evolucionária de suas bolhas protetoras e, como um cego porém curioso bagre de caverna, sair da água, indo audaciosamente até onde nenhum peixe jamais esteve.
Não use, porém, a Ciência como bengala. Use-a como olhos, mãos, ouvidos, narizes e línguas adicionais.
Mas, se mesmo assim voc√™ se perder, n√£o entre em p√Ęnico!
Estamos aqui para ajudar.
———
Texto original por Justin Jackson, traduzido e adaptado por Igor Santos, com permiss√£o presumida.

Gripe suína, MSN e spam

E n√£o acabam as maneiras inovadoras de espalhamento de p√Ęnico e terror.
A mais nova (recebi sexta-feira passada) √© um email que aparentemente √© uma conversa de MSN, colada e repassada para “o bem da humanidade”.
Algu√©m que, aparenta ser m√©dico, conversa com uma amiga que gentilmente pede permiss√£o (esse peda√ßo de informa√ß√£o in√ļtil e autosserviente pseudo-humilde est√° tamb√©m inclu√≠do na mensagem) para enviar o conte√ļdo do di√°logo para avisar todo o mundo que a gripe su√≠na vai comer o seu f√≠gado.
O melhor de tudo é que eu recebi esse spam por engano.
Existe uma geóloga arquiteta (valeu Sara) que trabalha na UFRN com um outro Igor Santos e que acha que o email dele é igual ao meu.
Eu j√° avisei v√°rias vezes mas ela parece n√£o se importar e continua mandando.
Dessa vez, mandou essa mensagem para mil outras pessoas (expondo todos os endereços para potenciais spammeiros de plantão) e eu pude responder diretamente, via email, para todos.
E a resposta est√°, neste momento, virando artigo de blogue.
Eis:

Cecilia, voc√™ conhece esse “deco” ou essa “Lilis”?
Porque isso tem cara de ser email falso.
Por exemplo, semana passada o México registrou mais de mil casos novos da gripe (http://indexet.investimentosenoticias.com.br/arquivo/2009/08/04/165/VIRUS-A-H1N1-Mexico-tem-mais-de-1-mil-novos-casos-da-doenca.html) e nesse texto tem dizendo que eles acabaram por lá tomando medidas drásticas e que o vírus tem níveis, o que não é verdade e qualquer médico saberia disso.
Outra, a√≠ diz que a √ļnica solu√ß√£o √© diagnosticar antes do v√≠rus atingir o pulm√£o. Um m√©dico jamais diria isso porque n√£o faz sentido. O v√≠rus est√° no sangue e, levando o cora√ß√£o 1 minuto para bombear todo o sangue do corpo uma vez, sessenta segundo ap√≥s a infec√ß√£o o v√≠rus j√° estaria por todo o corpo.
O m√©dico citado √© um cirurgi√£o cardiovascular (segundo o Google, para “Marcelo Tizzot Miguel”, visto que “marclo” n√£o existe) e dificilmente seria o primeiro a diagnosticar um caso de gripe.
E em qual segunda-feira Curitiba vai ser posta em Estado de Calamidade P√ļblica? Porque antes deveria passar pelo est√°gio de Estado de Emerg√™ncia, segundo avalia√ß√£o da Defesa Civil (http://www.defesacivil.gov.br/situacao/index.asp).
E numa busca rápida eu achei cópias desse email de três semanas atrás. Novamente, qual segunda-feira?
A UNIMED j√° desmentiu essa parte em seu site (http://www.unimed.com.br/pct/index.jsp?cd_canal=49146&cd_secao=49125&cd_materia=289426) e, de acordo com o jornal GP1 (http://www.gp1.com.br/noticias/gripe-comum-matou-17-por-dia-em-sp-em-2008-91900.asp): “A gripe comum foi respons√°vel por 17 mortes por dia em S√£o Paulo no ano passado. Ao todo, 6.324 pessoas morreram na cidade em 2008 devido a males provocados pela gripe, como pneumonias, bronquites e outras doen√ßas pulmonares.”
Mais de seis mil pessoas mortas em São Paulo e mais de setenta mil mortas no país só ano passado por causa da gripe comum e nem Estado de Emergência foi necessário
Até o dia de hoje, no mundo todo, a gripe suína matou mil quatrocentas e sessenta e duas pessoas (http://news.xinhuanet.com/english/2009-08/14/content_11882170.htm), quatro vezes menos pessoas que só na cidade de São Paulo de gripe comum ano passado.
J√° se passaram quase seis meses, ent√£o extrapolando, dever√£o morrer, no mundo todo de complica√ß√Ķes da gripe su√≠na, metade da pessoas que morreram de gripe comum em uma s√≥ cidade brasileira.
Emails que espalham o p√Ęnico fazem mais mal que bem, pois d√£o a sensa√ß√£o de impot√™ncia, deixando as pessoas catat√īnicas e as impedindo de agir, pois “tudo j√° est√° perdido e sem rem√©dio”.

Mais sobre o caso, leia no blogue do Atila.

Outros spams destruídos:
Alpiste n√£o cura diabetes nem nenhuma outra coisa;
Como reconhecer um spam;
Motivos para não incluí-los em meus textos;
Spam da Doença de Chagas em feijão;
Spam dos batons com chumbo;
Spam do camar√£o e da vitamina C;
A falsa cura do c√Ęncer desmentida mais rapidamente que eu j√° vi;
Spam dos absorvente internos que causam c√Ęncer;
Spam do benzeno em condicionadores de ar de automóveis.

Absorventes internos N√ÉO causam c√Ęncer

Nos bastidores do SBBr surgiu uma discussão certa vez de que falta algo para as mulheres, algo como no Papo de Homem. Um sítio para mulheres, com todo tipo de assunto interessante a elas mais ciência.
Essa necessidade se mostrou imensa semana passada, quando recebo (novamente nos bastidores, vindo da ClauChow) um email afirmando que absorventes internos causam c√Ęncer (√ī palavra doce!).
Minha colega recebeu a mensagem, mas como é acostumada a pensar, não acreditou nela.
Mas quantas outras mulheres receberam o mesmo texto e simplesmente o tomaram como verdade?
Não necessariamente por estupidez (apesar de haver sim mulheres extremamente tapadas), mas mais por preguiça, acomodação e a tendência natural humana para acreditar sem criticar no que os outros dizem.
A quantidade de blogs onde encontrei a mesma est√≥ria, simplesmente regurgitada sem o m√≠nimo de racioc√≠nio cr√≠tico √© impressionante, especialmente quando uma busca r√°pida por “absorvente” e “amianto” acha, logo no primeiro link, um artigo c√©tico sobre o assunto.
Esses emails chocantes de “o que voc√™ n√£o sabe pode lhe matar” sempre cont√©m pequenas dicas de que s√£o falsos ou deliberadamente escritos para causar p√Ęnico.
A melhor de todas são os nomes contidos: sempre que um nome é citado, esse nome pode ser investigado e, hoje em dia, basta um email ou alguns poucos minutos no Google para achar esclarecimentos.
(Normalmente, quando um dos citados √© um hospital, ainda √© mais f√°cil, pois n√£o h√° coisa nova sob o c√©u e as institui√ß√Ķes muito provavelmente n√£o s√≥ j√° receberam v√°rios pedidos de confirma√ß√£o como geralmente j√° deixam no FAQ de seus s√≠tios um destrinchamento das mensagens.)
Mas a grande maioria vai apenas dizer: “segundo um m√©dico muito sabido, morrer √© perigoso” sem jamais citar nomes ou locais ou dar qualquer outra informa√ß√£o pass√≠vel de contesta√ß√£o, ou o nome de algum incauto que se prestou a passar adiante e deixou involuntariamente sua assinatura no corpo do texto, como que o validando (nem devia ter repassado, n√©? Em boca fechada n√£o entra mosca).
Um email com muitas interroga√ß√Ķes (perguntas ret√≥ricas do tipo: “sabia que voc√™ pode morrer?”), muitas palavras maiusculizadas (como em: “100% DAS PESSOAS MORREM UMA HORA OU OUTRA”), insistentes pedidos para ser repassado (como nas cartas-correntes dos anos 80: “envie para cinco outras pessoas ou morra um dia”) e apelos emocionais (“enviem para suas m√£es e av√≥s pois elas merecem saber disso, n√£o sejam ingratos!”) s√£o marcas indel√©veis de pilantragem intern√©tica.
Falta de consistência interna também, como no caso da mensagem sendo tratada aqui, que eu certo ponto pede para que se leia o rótulo dos produtos com atenção e em seguida faz uma pergunta retórica me dizendo que há amianto em sua composição.
Mentira.
Neste exato momento, tenho uma caixa de absorvente interno ao meu lado onde lê-se: 50% algodão, 50% rayon.
Se, mais para frente, o email pede para que eu não acredite no que está escrito, porque então me pede para ler com atenção o rótulo?
(Amianto √© uma causa conhecida de c√Ęncer, principalmente pulmonar, mas como absorventes n√£o cont√©m amianto, n√£o podem causar c√Ęncer pelo motivo do email.)
Novamente, mais uma pergunta já respondida, me dizendo que rayon faz mal e recomendando que eu só use absorventes que não o contenham.
Em primeiro lugar, rayon não faz mal (segundo o FDA, órgão estadunidense de controle de produtos onde incluem-se absorventes íntimos) e, em segundo, ainda mais importante que o primeiro: sem rayon, absorventes seriam poucos mais que toalhas.
Já viu como um pequeno rolo de algodão é eficiente em reter líquidos? Eu já, e não é nem um pouco (a imagem mental de sangue pingando fica por conta da casa, disponham).
E rayon √© um derivado de madeira, feito de celulose (papel tamb√©m). O que poderia at√© ser t√≥xico √© um tal de “di√≥xido” ou “dioxina”, referidos no texto.
A palavra “di√≥xido” sozinha n√£o faz sentido do mesmo jeito que “caldo” tamb√©m n√£o.
Você toma caldo de alguma coisa. Dióxido tem sempre que ser de alguma coisa também (dióxido de enxofre, de sódio, de carbono, etc). Outra falha de consistência.
Os níveis de dióxido de cloro presentes em amostras de absorventes (novamente, medidos pelo FDA) variam entre não-detectável e uma parte em um trilhão.
Uma parte em um milh√£o equivale ao peso de uma moeda de cinco centavos comparado ao de uma camionete cabine dupla.
1 bilhão são 1000 vezes 1 milhão. Uma parte em um bilhão é o peso de uma moeda de cinco centavos comparado ao peso de mil camionetes.
1 trilhão é 1000 vezes 1 bilhão. Uma parte em um trilhão é o peso de uma moeda de cinco centavos comparad ao peso total de toda a frota de veículos do estado do Rio Grande do Norte multiplicada por três (se todos os carros fossem camionetes Dodge RAM cabine dupla).
Não sei vocês, mas eu acho muito pouco.
Outra dica importante: propaganda. Eventualmente um spam vai alcan√ßar um momento onde “indica” amigavelmente uma certa marca em detrimento de outras.
Cospe em um produto e diz que um concorrente é melhor.
Agora, o ind√≠cio mais latejante de que tudo ali escrito n√£o passa de del√≠rios de algum teorista conspirat√≥rio ou da desesperada necessidade de aten√ß√£o de algum garotinho solit√°rio em busca de amigos virtuais invis√≠veis √© a presen√ßa da famosa t√°tica de p√īr em d√ļvida as inten√ß√Ķes de uma corpora√ß√£o.
Afirma√ß√Ķes do tipo: “veja s√≥, eles s√≥ querem ganhar dinheiro” s√£o, al√©m de √≥bvias (ningu√©m vende um produto para desganhar dinheiro), completamente maliciosas.
Um equivalente seria eu dizer: “seu cachorro n√£o s√≥ baba como tamb√©m nunca lhe ajuda nas suas tarefas dom√©sticas”. A frase faz sentido por ser latentemente √≥bvia mas √© absolutamente desnecess√°ria pois apenas soa como uma tentativa de fazer com que voc√™ veja seu cachorro como um obst√°culo em sua vida.
Qual motivo uma empresa teria para tentar matar você? Mesmo uma empresa bélica não quer que o cliente morra, pois isso contaria como -1 cliente. E, sempre lembrando, eles querem dinheiro.
Quanto mais gente comprar, mais dinheiro eles ganham. Quanto mais gente viva gostar e continuar usando e recomendando, mais dinheiro eles ganham.
E dizer que existem padr√Ķes distintos de qualidade entre sedes estrangeiras da mesma empresa √© rid√≠culo.
Por serem, majoritariamente, empresas multinacionais, essas companhias exigem um padrão de qualidade mínimo.
Essa √© a maior seguran√ßa que existe no mercado. N√£o tem fiscaliza√ß√£o governamental nem reclama√ß√Ķes de consumidores que se iguale em poder a uma determina√ß√£o do dono.
A f√°brica da Tampax na Ucr√Ęnia (leiam o r√≥tulo) n√£o est√° em conforme com os quesitos de qualidade da Procter & Gamble Int.? Fecha! Simples assim.
√Č muito mais rent√°vel a longo prazo (e empresa que sabe andar s√≥ pensa “a longo prazo” sen√£o dan√ßa) fechar dezenas de f√°bricas por falta de consist√™ncia do que pagar eventuais multas estatais e milh√Ķes em indeniza√ß√Ķes pessoais.
E nem precisa fechar, basta recolher o que est√° errado e voltar a fabricar que preste.
Um problema realmente sério levantado pelo email é Síndrome do Choque Tóxico que pode ser sim causado pelo uso de absorventes internos, mas, que fique bem claro, em 1997 apenas cinco casos dessa síndrome foram confirmados (novamente, minha fonte é o FDA).
Isso é um negócio raro cuja ocorrência independe do uso de absorventes (homens e crianças também podem sofrer disso) porque agentes que eram melhores relacionados com a síndrome foram totalmente retirados do processo de fabricação.
Ou seja, se você tiver Síndrome do Choque Tóxico, eu apostaria que não foi por causa de um absorvente.
Finalizando (porque faz mais de dez dias que eu escrevo): absorventes íntimos são seguros porque são controlados pelos consumidores, fornecedores, fabricantes, governos e concorrência.
Se fizessem mal, teriam sido extintos.

Mais spams destruídos:
Alpiste n√£o cura diabetes nem nenhuma outra coisa;
Como reconhecer um spam;
Motivos para não incluí-los em meus textos;
Spam da Doença de Chagas em feijão;
Spam sazonal da gripe suína;
Spam dos batons com chumbo;
Spam do camar√£o e da vitamina C;
A falsa cura do c√Ęncer desmentida mais rapidamente que eu j√° vi;
Spam do benzeno em condicionadores de ar de automóveis.

Coisas que n√£o sei – espinhas

Esta deve ser a mais rápida de todas: qualé a das espinhas?
Qual (se algum) é o benefício em ter a face banhada em sebo durante um momento crucial em nossas vidas, então sociais?
Sem d√ļvida (na minha cabe√ßa, mas isso pode ser mudado) elas est√£o relacionadas a horm√īnios (e tubos, como a Internet), mas por que?
Teria o óleo que nos escorre da cara quando estamos amadurecendo sexualmente um aroma agradável aos antigos receptores olfativos dos nossos predecessores?
Essa d√ļvida (e a poss√≠vel resposta acima) me veio durante uma conversa sobre ciclo menstrual e o aparecimento inevit√°vel de espinhas durante o mais vermelho dos dias.
Mas desconsiderando tudo isso para que não se influenciem (tarde demais, eu sei), qualé a das espinhas? Por quê durante a adolescência? E por que a já derrubada relação causal chocolate/espinha não funciona comIgor (é batata! Comi, espinhei)?
Por favor, meus ObiWans, voc√™s s√£o a minha √ļnica esperan√ßa!

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