Opini√£o e reflex√Ķes

Artigo patrocinado (mas n√£o necessariamente concordado ou autorizado) pelo ScienceBlogs Brasil, sua fonte confi√°vel de informa√ß√Ķes cient√≠ficas.
Dia desses eu estava pensando que essa minha será a primeira geração de pais que jogam videogame quando chegam em casa do trabalho ao invés de lerem jornal antes de sair para trabalhar.
Um dos meus primeiros contatos com Internet (eu j√° tinha computador h√° alguns anos, mas naquela √©poca os dois n√£o eram sin√īnimos) foi com IRC (melhor m√©todo que j√° existiu de comunica√ß√£o entre muitos na Rede) e ICQ (muito melhor que MSN, mas como n√£o tinha smileys pulando, letras piscando e coisas rodando, foi sumariamente extinto).
Nesse mundo, todas as pessoas que estavam na minha lista de ICQ também estavam no canal de IRC que eu frequentava e, era bastante comum, conversar com a mesma pessoa através dos dois programas, mas usando cada um para um assunto, como se o interlocutor fosse dois indivíduos distintos.
Um efeito interessante que eu nunca consegui confirmar se acontecia com mais alguém ou só comIgor era a personalização de nicks.
Eu sabia quem eram as pessoas com quem conversava através de uma tela e conhecia a grande maioria pessoalmente, constantemente me encontrando com elas em IRContros, mas o nick de cada um adquiria uma personalidade própria.
N√£o s√≥ psicologicamente, mas tamb√©m fisicamente. Cada um tinha um aspecto definido na minha cabe√ßa (altura, cor, cabelo, sotaque, etc), proveniente do pseud√īnimo que usava.
Hoje isso acabou porque existem avatares.
M√≥ sem gra√ßa…
ICQ também era bom para mandar mensagens off-line (coisa que o MSN só permite fazer agora) de eventos aleatórios, frases engraçadas ou links.
Hoje em dia isso se faz no Twitter, onde todos falam mas ninguém escuta.
Na minha mente (que √© um lugar muito confuso, deixe eu dizer logo antes que algu√©m diga), o Twitter √© como uma transmiss√£o de jogo de futebol na r√°dio: muita informa√ß√£o em pouco tempo, sendo a maior parte completamente in√ļtil e contendo raros eventos intelig√≠veis e interessantes.
Ent√£o, num belo dia, eu pensei: “como forma de protesto, vou deixar de usar esse neg√≥cio, muito sem-futuro isso √©!”
Mas que protesto secreto é esse que ninguém fica sabendo?
Aí apareceu um paradoxo na minha frente e me ameaçou com um fêmur de camelo: como vou deixar os outros sabendo que estou fazendo protesto contra um veículo se não divulgar no veículo alvo do meu protesto?
“Isso √© um Paradoxo do Cartaz”, disse a figura brandindo o instrumento contundente √≥sseo-camelino, continuando: “do tipo em que colam num muro um cartaz onde se l√™ ‘proibido colar cartazes’. Tamb√©m conhecido por ‘√© proibido proibir’.”
A minha forma de protestar, portanto, é continuar usando o programa, mas escrevendo apenas coisas absurdamente aleatórias, dando vazão ao fluxo de consciência de dentro da minha cabeça, que é um lugar muito confuso.
Mas, voltando √† analogia da narra√ß√£o futebolo-radialista, o Twitter tem servido para acompanhar caso-a-caso o desenvolvimento do p√Ęnico generalizado causado pela infame gripe da leitoa amojada.
At√© agora ningu√©m tuitou “sou um caso confirmado” ou “estou tratando de um caso confirmado”, mas conseguimos ver, EM TEMPO REAL, NUM MAPA, DETALHADAMENTE, cada pessoa que espirra e grita na sequ√™ncia achando que vai morrer de febre e virar bacon.
E como eu sei que ninguém ainda tuitou doente?
Se uma cantora feiosa virou moda instant√Ęnea, imagine um sujeito num quarto de hospital com seu blackberry, dizendo como est√° seu batimento card√≠aco.
Ao ler esse trecho no blogue do Carlos: “Basicamente, fase 4 √© o reconhecimento de que a gripe tem transmiss√£o de humanos para humanos, o que j√° sab√≠amos h√° algum tempo diante da confirma√ß√£o dos casos de Nova Iorque“, eu imediatamente lembrei da vers√£o de r√°dio de Guerra dos Mundos, narrada por Orson Wells em 1938.
Setenta anos atr√°s n√£o t√≠nhamos muita tecnologia de acompanhamento. O narrador interrompe o Programa Dan√ßante (La Cumparsita sendo tocada pela banda do maestro Ram√≥n Raquello) para anunciar um boletim especial, em que o professor Farrell do Observat√≥rio Mount Jennings diz que exlpos√Ķes de g√°s incandescentes foram avistadas em Marte e, posteriormente o faz novamente para anunciar que um meteorito flamejante caiu numa fazenda em Nova Jersey e que o objeto misterioso (aproximadamente vinte metros em di√Ęmetro) est√° come√ßando a abrir, desrosqueando a parte de cima como uma tampa de pote de biscoito. Nesse momento, o mundo (mais especificamente os ouvintes do programa que n√£o pegaram o comecinho, onde foi avisado que tudo era fic√ß√£o) entrou em p√Ęnico.
Não do tipo que faz as pessoas sairem correndo nuas pela rua estuprando hidrantes e surrandos tampas de bueiro, mas do tipo que as fazem não querer sair de casa com medo, enquanto continuam ouvindo atentamente o que a mídia lhes diz.
Na √©poca era algo muito “moderno” uma informa√ß√£o ser transmitida em
tempo real, sendo possível para qualquer um ouvindo saber o que estava
acontecendo na hora em que acontecia (como a cena em que o repórter é morto por um raio vindo da coisa que saiu do meteorito).
A√≠ hoje, eu leio aquilo l√° em cima e me assombro. Faz nem uma semana que isso tudo come√ßou (ou faz? √Č dif√≠cil dizer hoje em dia o tempo que as coisas duram e quando tudo come√ßou) e j√° podemos dizer coisas como “j√° sab√≠amos h√° algum tempo”.
Como disse o Karl na nossa lista interna: “Em tempos de pandemia, alguns dias s√£o eternidade” (Carlos reclamou que era frase dele, ent√£o n√£o sei, tirem par-ou-√≠mpar ou decidam na queda-de-bra√ßo).
Estamos quase andando mais r√°pido que os acontecimentos.
E isso me assusta mais que qualquer invas√£o marciana ou todos os H1N1’s do mundo.

Cético de mim mesmo

O mundo todo está falando sobre gripe suína.
A √ļnica coisa que eu tenho para falar √©: “Hum.”
Eu j√° vi isso antes, vindo dos p√°ssaros.
√Č bem f√°cil impedir pessoas doentes de embarcar em avi√Ķes e evitar que porcos sejam transportados por a√≠, mas √© ordens de magnitude mais dif√≠cil controlar a migra√ß√£o de aves espirrando no ar sobre nossas cabe√ßas e nos infectando com uma dose letal de morte-certa.
No entanto, nada (significativo) aconteceu.
A vontade que eu tenho de culpar algu√©m criando alguma teoria conspirat√≥ria √© alt√≠ssima, mas ultimamente eu atingi um n√≠vel de ceticismo t√£o absurdo que estou duvidando das minhas pr√≥prias conclus√Ķes antes de t√™-las, principalmente quando penso em algo do tipo “o √ļnico rem√©dio eficaz contra a gripe avi√°ria era Tamiflu (que continuou faltando de tanto que vendia apesar de evid√™ncias contr√°rias), que √© o mesmo rem√©dio na lista dos que funcionam contra gripe su√≠na, o que me leva a concluir que a Roche tem um dedo nisso”.
Outra coisa que eu pensei mas n√£o quis sequer dar o direito da id√©ia de ver a luz do dia, me foi dito de volta pelo Jo√£o Carlos, nos coment√°rios desse artigo do Karl: “N√£o √© interessante que essa not√≠cia tenha surgido aparentemente do nada, logo no √°pice de uma crise financeira mundial? O governo tem um dedo nisso!”
Mas, como diz o tópico deste, eu não consigo acreditar nas minhas próprias idéias. Nem nas dos outros. Ninguém tem culpa e o mundo não vai acabar daqui a pouco.
A √ļnica coisa que eu me dou ao luxo de prever √© o n√£o-evento dessa pandemia que n√£o ocorrer√°.
E não falo isso com esperança, torcendo para que o mundo não seja despovoado, mas por simples objetividade.
Ser√° mesmo que vamos todos morrer por causa dum espirro dum porco?
O Ebola não nos matou em trinta e seis horas, o Bug do Milênio não transformou nossas geladeiras em máquinas assassinas, a Gripe Aviária fracassou com tanta força na tarefa de nos aniquilar que é lembrada até com certa vergonha, uma Tsunami de trinta metros de altura não devastou Londres e um supervulcão não explodiu embaixo de um parque.
Relaxem, ainda precisaremos penar muito por um longo tempo nessas nossas vidas razo√°veis.
Mas por favor, não espirrem na minha cara porque isso é falta de educação pura e simples.
————
Consertei os links. Valeu Atila!

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Quem acessou o Google j√° hoje viu isso aqui:
Morse não é Braile
Pois bem, hoje é aniversário de Samuel Morse, inventor do telégrafo e, tão importante quanto, o Código Morse (pois um poste telegráfico sem Código Morse é como um computador sem Internet hoje em dia).
O tal c√≥digo √© relativamente f√°cil de aprender (o “relativamente” diz respeito a compara√ß√Ķes com idiomas e c√≥digos mais complexos e dif√≠ceis, como Klingon ou hier√≥glifos pr√©-rosetta), principalmente se o aspirante tiver conhecimento pr√©vio de execu√ß√£o de ritmos intrincados (qualquer percussionista se enquadraria aqui) e boa mem√≥ria (o que j√° elimina 75% dos percussionistas que eu conhe√ßo).
Ou seja, parafraseando um colega meu de col√©gio: “Pra quem sabe √© f√°cil!”
A manha √© manter um ritmo de modo que cada linha “-” dure o mesmo tempo de dois pontos “.” seguidos (linha: p√°√°; ponto: p√°), fazendo cada intervalo entre as letras durar esse mesmo tempo. Simples.
Recomendo o uso de um metr√īnomo (depois que voc√™ j√° estiver familiarizado com os conceitos b√°sicos de Teoria Musical I e tiver avan√ßado para s√≠ncope, contraponto e compasso composto).
Morse é mais um daqueles inventores que dão nome ao invento, como Louis Braille, Leo Baekeland (polioxibenzimetilenglicolanhidrido), Louis Pasteur, John Microphone e Celso Skol.
Se eu tivesse inventado uma coisa √ļtil e outra coisa, tamb√©m √ļtil, mas megacomplicada e convoluta, teria nomeado exatamente ao contr√°rio do ocorrido, sendo a primeira com meu nome e a segunda com algo mais descritivo.
Por essa minha lógica, hoje estaríamos comemorando o aniversário de Samuel Morse, inventor de Morseógrafo e do Código Bii-bip.

Ideia

Sim, sem acento.
Se voc√™, como eu, d√° mais import√Ęncia do que realmente merece ser dado para como voc√™ escreve e est√° preocupad√≠ssimo (e ainda mais confuso) com as novas regras, visite a p√°gina do iDicion√°rio Aulete, que est√° sendo atualizado junto com o Acordo Ortogr√°fico na medida em que esse √© acordado (ainda falta muito para ficar completo) e o Vocabul√°rio Ortogr√°fico da L√≠ngua Portuguesa (VOLP) √© re-escrito (a √ļltima vers√£o completa do VOLP √© de 2004)
√ďtima ferramenta, dica da Maria.
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Hipóteses, teorias e leis

Quando eu digo (ou ou√ßo, pois evito dizer isso para evitar confus√Ķes que terei que esclarecer depois) “minha teoria √© de que todo almo√ßo tem que conter alho”, eu estou usando a palavra “teoria” coloquialmente, mas deveria usar “hip√≥tese” no lugar.
Em Ci√™ncia, o termo “teoria” √© usado como refer√™ncia para algo muito espec√≠fico: um apanhado de id√©ias, alega√ß√Ķes e modelos explicativos que agrupam m√ļltiplas linhas de evid√™ncia entrela√ßadas em um explica√ß√£o totalmente abrangente.
Se difere de “hip√≥tese” pois essa √© essencialmente um palpite; um no√ß√£o sobre uma alega√ß√£o espec√≠fica, ou o que se acha que o resultado de uma s√©rie observa√ß√Ķes ou experimentos vai ser.
M√ļltiplas hip√≥teses, ap√≥s serem validadas, modificadas e alteradas para encaixar com as evid√™ncias, eventualmente evolui para um teoria cient√≠fica coesa.
Muitas vezes algumas pessoas que defendem cren√ßas que s√£o contraditas pela ci√™ncia (como homeopatas ou defensores do des√≠gnio inteligente) atacam os fatos dizendo que eles s√£o “apenas teorias”.
Algumas dessas “apenas teorias”:
Teoria da Relatividade Рprevê com exatidão a distensão temporal causada pela velocidade e força gravitacional em satélites e nos permite ter sistemas operantes de posicionamento global (GPS) com exatidão de centímetros. Bom para os negócios;
Teoria das Placas Tect√īnicas – descrevem com anteced√™ncia como as placas globais que constituem o planeta se movimentam e como isso afetaria alguns sistemas importantes (comunica√ß√£o, por exemplo) ao longo dos anos e permite, indo para tr√°s, mostrar como era o mundo e ainda prev√™ como animais e plantas se espalhariam pelo mundo (sendo estabelecido que um f√≥ssil vegetal X tem uma certa idade, e tendo sido encontrado num local Y, ent√£o num local Z, numa mesma profundidade, representando a mesma regress√£o no tempo, f√≥ssil semelhante deve ser encontrado). Bom para a Arqueologia;
Teoria do Sistema Heliocêntrico Рo Sol é o centro de rotação de todos os planetas que formam seu sistema isso permite saber com antecedência a localização exata de qualquer planeta solar em qualquer data. Bom para a Astronomia;
Teoria dos Germes – explica como agentes infecciosos causam doen√ßas e ajuda a criar solu√ß√Ķes para combater tais mazelas. Bom para a Medicina e a Sa√ļde P√ļblica;
Teoria da Heran√ßa Gen√©tica – mostra como determinados tra√ßos (bons e maus) podem ser passados de pais para filhos, incluindo resist√™ncias ou pr√©-disposi√ß√Ķes a certos problemas de sa√ļde. Bom para Gen√©tica e Medicina.
Teoria da Evolução Рdados dois fósseis onde um evoluiu de outro, é possível conceber detalhadamente como um terceiro se encaixaria entre os primeiros (fóssil de transição) e saber a época em que essa mudança ocorreu. Bom para Biologia.
Teorias t√£o bem estabelecidas a ponto de poderem ser tratadas como Fatos, apresentando in√ļmeras linhas de evid√™ncia independentes, in√ļmeros fen√īmenos.
Uma teoria far√°, obrigatoriamente, muitas previs√Ķes, n√£o apenas uma previs√£o espec√≠fica.
Mas, mesmo assim, nunca s√£o imut√°veis ou dogm√°ticas e podem (devem) sempre mudar para enquadrar observa√ß√Ķes e dados melhores, mais confi√°veis, mais precisos.
Se apenas um evento n√£o seguir conforme previs√Ķes de uma teoria, esta deve ser abandonada ou reformulada para se adequar √† nova situa√ß√£o, podendo dizer com anteced√™ncia que aquilo ocorrer√° novamente.
N√£o vale “isso a√≠ que aconteceu diferente tamb√©m vale, √© porque tem que pensar da esquerda pra direita”. Post hoc n√£o conta.
Desta maneira, teorias n√£o podem ser provadas e nunca viram Leis.
Leis descrevem as coisas enquanto teorias as explicam.
A Lei da Gravidade diz que se eu jogar uma bola para cima num corpo com um campo gravitacional positivo, ela vai cair no chão. Sem explicação. Isso é o trabalho da Teoria Gravitacional.
Outro exemplo: a Teoria da Evolução por Seleção Natural é a melhor explicação para o Fato da evolução.

√Ārvore no pulm√£o

Essa chamada é, no mínimo, muito suspeita. Pelo menos muito exagerada.
O que Artyom Sidorkin tinha em seu pulm√£o (caso seja realmente verdade) era, no m√°ximo, uma muda.

Mais alguém tem problemas com a idéia de uma planta se alimentando, aparentemente, de sangue?
A primeira coisa que pensei foi “planta hemat√≥faga?”.

Essa estória saiu em todos os tablóides mas em quase nenhum jornal de respeito.
Hummm…
Se alguém não sabe do que estou falando, clique aqui.
Be skeptical!

ATUALIZAÇÃO
E a clorofila, como fica?
Pulmão é geralmente escuro.
(Valeu √ćtalo!)

Previsível. Replicável. Falseável.

O Método Científico é o processo pelo qual os cientistas, coletivamente e com o passar do tempo, se aventuram para ajudar a construir uma representação do mundo cada vez mais apurada, confiável, consistente e não-arbitrária.
Tudo o que acontece, se dá por alguma causa natural, que pode ser explicada racionalmente. Não conseguir ver a causa não é o mesmo que a causa não existir (ausência de evidência não é evidência de ausência). Exemplo: passamos alguns milhares de anos sem saber como o Sol se movia ou a Chuva caía. Não víamos a causa, mas ela sempre esteve lá. Se acontece, é natural; se é natural, pode ser explicado; se ainda não é explicado, com perseverança e diligência (e, às vezes, sorte), é passível de ser. Não tema!
Natureza = Ciência.
Duas palavras que exprimem a mesma coisa. Como “mexerica” e “tangerina”, “mosquito” e “muri√ßoca”, “suti√£” e “califom”, etc.
A Ciência não é uma coisa, um objeto ou algo em que se deva acreditar cegamente. Ciência é um método, uma maneira de fazer as coisas, e que nos ajuda a entender a Natureza.
Este m√©todo promove, necessariamente, mais que qualquer religi√£o ou filosofia, a humildade. Um pesquisador pode passar a vida envolvido numa teoria, mas sabe que aquilo, fruto de uma vida inteira de trabalho, pode ser destru√≠do de maneira muito simples, por um experimento, observa√ß√£o ou condi√ß√Ķes melhores. E sabe que muitas pessoas ao redor do mundo v√£o tentar, o tempo todo, fazer exatamente isso, o que deve servir para que o cientista em quest√£o se resguarde e se esforce, tentando deixar sua teoria e seu experimento sem furos e √† prova de balas.
O que é meio impossível. Podem perguntar a Aristóteles, Newton e Einstein o que aconteceu com a Gravidade.
Na Ciência não existe dogmas, ou verdades imutáveis. Ciência tem que ser maleável e é bom que mude constantemente, para adequar dados mais confiáveis de instrumentos mais sensíveis e tecnologias mais avançadas.
Acreditar no consenso da comunidade científica não é se valer do argumento de autoridade (isso seria acreditar na palavra de uma só pessoa que se diga entendida no assunto), pois cada teoria existente está, neste exato momento, sendo exaustivamente testada para tentar ser desmantelada e uma melhor surgir.
Uma teoria nasce da seguinte forma:
Observa√ß√£o de um fen√īmeno; uma bola jogada para cima, sempre cai de volta.
Formula√ß√£o de uma hip√≥tese que explica o fen√īmeno; o peso da bola est√° fazendo-a ser atra√≠da pelo ch√£o.
Previs√£o de resultado, usando a mesma hip√≥tese, de outro fen√īmeno semelhante; um sapato jogado para cima dever√° cair do mesmo jeito.
Realização de testes experimentais, por indivíduos independentes, para tentar confirmar a hipótese; alguém em outro país joga uma banana para cima e espera que ela caia do mesmo jeito que a bola ou o sapato.
Criar uma fórmula (matemática, por exemplo) que explique os resultados experimentais obtidos e preveja com exatidão os próximos; sabendo os dados da banana, do sapato e da bola, posso calcular como um piano vai cair.
Aquelas pessoas independentes s√£o, geralmente, editores e colaboradores de jornais cient√≠ficos, que recebem as mais variadas hip√≥teses para serem testadas, num processo conhecido como “revis√£o por pares“.
Quando algu√©m procura primeiro os ve√≠culos de comunica√ß√£o em massa para divulgar suas pesquisas ou suas experi√™ncias, est√° se utilizando do apelo popular que aquilo possa ter (po√ß√Ķes que curam tudo, cremes t√≥picos que emagrecem, etc.), ao inv√©s de colocar a sua “descoberta” sob o escrut√≠nio de um painel especializado, que iria testar exaustivamente sua teoria.
Alega√ß√Ķes extraordin√°rias, requerem provas extraordin√°rias.
Para uma hipótese finalmente virar uma teoria, ela precisa, necessariamente;
1 – Fazer previs√Ķes do que vai acontecer ANTES do fato. N√£o adianta prever depois. Isso √© coisa para astrologia.
2 – Ser completamente repet√≠vel por terceiros (observadores aut√īnomos), usando os mesmos par√Ęmetros. N√£o serve dizer que s√≥ Fulano consegue usar um certo procedimento para chegar a um certo resultado especial. Isso √© coisa de curandeiro e feng shui.
3 – Ser pass√≠vel de uma completa oblitera√ß√£o atrav√©s de observa√ß√Ķes melhores. N√£o voga dizer que se deu errado, a culpa √© sua. Isso √© coisa dos escritores d’O Segredo e de ca√ßadores de fantasmas.
4 – Ser suportado por dados cient√≠ficos reais, concretos e p√ļblicos. N√£o vale de nada dizer que existe uma pesquisa que prova que algo funciona sem dizer quem fez e onde est√£o os resultados para que estes possam ser avaliados. Isso a√≠ √© coisa de homeopatas.
Se um cientista se apegar a uma hipótese ou teoria e não quiser, mesmo se confrontando com evidências avassaladoras, que ela seja provada falsa, por vaidade ou qualquer outro motivo, esse sujeito não é um bom cientista. Provas sempre devem falar mais alto.
Para finalizar, gostaria de deixar claro que a cren√ßa em Ci√™ncia e no M√©todo Cient√≠fico n√£o √© o mesmo que cren√ßa religiosa, existe uma diferen√ßa sem√Ęntica.
Exemplo, eu acredito que tem 1 Real no meu bolso, mas n√£o pretendo fundar uma religi√£o para venerar ou adorar meu R$1. N√£o existe dogmas, ou verdades supremas no meu parco dinheiro. Se eu gastar esse mi√ļdo, n√£o passarei o resto da eternidade vagando liso pelo mundo.
A confiança no Método é cética, fruto de provas e evidências, e não resultado de ouvir-falar nem de ameaças nefastas.
Se voc√™ est√° lendo isto, agrade√ßa aos homens e mulheres que se valeram do citado procedimento para fazer com qu√™ seus ancestrais tivessem fogo para afastar os animais, planta√ß√Ķes para evitar a fome, barcos para colonizar novos mundos, casas e carros, para nos manter num lugar s√≥, mas n√£o por muito tempo, hospitais para diminuir o risco de morte dos infantes e suas genitoras, vacinas e antibi√≥ticos para frear o avan√ßo de doen√ßas, livros para armazenar conhecimento e computadores para perdermos nosso tempo lendo coisas como esta.
Aos que at√© aqui chegaram, espero que tenham gostado (eu usaria “tenham se maravilhado”, mas acho que esse tipo de rea√ß√£o acontece mais comIgor) do relato e que tenham entendido o que √© Ci√™ncia.
E obrigado pela visita!
“Um milh√£o de experimentos podem comprovar minha teoria, mas basta um resultado contr√°rio para que ela seja totalmente demolida.”
– Albert Einstein-
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Publicado originalmente no meu outro blogue.

Poder da mente vs. Tecnologia

imagem.jpg
Um sujeito estava no terminal internacional do aeroporto esperando a sua mãe chegar da Bélgica quando notou um passageiro recém-chegado da Coréia do Sul, aparentemente falando sozinho enquanto andava pelo salão de desembarque.
Depois de alguns passos, o coreano se alivia do peso de suas duas malas de viagem pousando-as no chão, olha para o relógio e se despede dele.
Neste momento o observador nota que o passageiro não sofre de esquizofrenia de grau algum, mas está falando com alguém dentro do relógio.
Não literalmente dentro, mas uma projeção humana digital que aparece no mostrador de pulso. E também não se trata de um relógio, mas de um comunicador.
Muito curioso, se aproxima do esbaforido turista enquanto este descansa por alguns segundos do estresse natural que aflige os que passam muitas horas dentro de uma cabine pressurizada, mais pesada que o ar, impulsionada por motores a explos√£o, tr√™s quil√īmetros acima do ch√£o e se movendo a metade da velocidade do som e do esfor√ßo causado pelo transporte das malas.
Quando atinge uma dist√Ęncia razo√°vel, suficientemente perto para que se comuniquem com vozes baixas e amig√°veis mas n√£o t√£o perto que cause desconforto ou fa√ßa seu interlocutor se sentir amea√ßado pela aproxima√ß√£o repentina de um estranho, pergunta, num ingl√™s treinado na escola, como um rel√≥gio pode dobrar como um videofone.
O oriental, não se sentindo ameaçado e satisfeito com a proximidade entre si e seu inquisidor, responde que a tecnologia coreana é a mais avançada do mundo e que seu aparentemente insípido relógio de pulso não é apenas isso e nem somente um videofone, mas uma maravilha tecnológica.
– Ele permite que eu mantenha uma conversa sem precisar olhar para meu pulso, projetando uma imagem pseudotridimensional em meu campo de vis√£o, independentemente de para onde meus olhos estejam voltados, fazendo o mesmo com o som, projetando-o diretamente em meu ouvido. Ele tamb√©m me diz as coordenadas exatas de onde estou, informa a situa√ß√£o pol√≠tica, econ√īmica e social e os resultados dos eventos esportivos mais importantes e as manchetes dos principais jornais do pa√≠s onde chego para que n√£o passe vergonha em conversas sociais, me atualiza constantemente sobre avan√ßos cient√≠ficos das maiores universidades e institutos mundiais. Tamb√©m d√° a cota√ß√£o, em tempo real, de todas as moedas circulantes atualmente e as flutua√ß√Ķes de todas as bolsas de valores ao redor do planeta. Ele l√™ minhas informa√ß√Ķes vitais constantemente, me alertando quando alguma taxa est√° fora da minha faixa pessoal e se eu necessito de algum nutriente que possa estar escasso no meu organismo. Tamb√©m conecta-se com qualquer emissora de r√°dio e TV que eu queira e cont√©m um banco de dados com as discografias de praticamente todos os artistas que j√° gravaram.
– Uau! E a hora?
– √Č sincronizado com v√°rios rel√≥gios at√īmicos, me sendo poss√≠vel saber a hora certa a qualquer momento.
-Inacreditável! Como vocês conseguem isso?
РEstudos, meu caro. Estudos e investimentos. Nosso país investe mais em tecnologia que qualquer outro no mundo!
– Impressionante! Isso deve custar uma fortuna!
– Na verdade n√£o. Custa caro, mas n√£o tanto quanto voc√™ deve estar pensando. E este meu me foi dado de gra√ßa, pois sou funcion√°rio da empresa que o produz e possuo mais cinco destes. Estou aqui a neg√≥cios para vender nossos produtos a investid…
РDE GRAÇA!? Você recebeu isso aí de graça e ainda tem mais cinco??
Р..ores. Sim, é isso mesmo.
– Voc√™… por algum acaso… n√£o poderia… er… se fosse poss√≠vel…
РCem dólares.
РSó isso?
РCem dólares é muito dinheiro na Coréia do Sul.
РAqui. Cem dólares.
– Obrigado. Devo agora me dirigir ao hotel para relaxar um pouco. Tenha um bom dia!
– Obrigado… Ei, voc√™ esqueceu suas malas!
– Malas? Ah! N√£o, essas s√£o as baterias…
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Mais sobre o rob√ī controlado pela mente atrav√©s de um computador do tamanho de um m√≥vel de sala no Chi v√≥, no p√≥ e no RNAm.

1¬ļ de abril

Hoje n√£o vou falar do tradicional Dia da Mentira (algo a ver com a maneira como os franceses marcavam a passagem do ano), mas sobre os 45 anos da Ditadura Militar Brasileira.
No primeiro dia do quarto mês do ano de 1964, João Goulart foi derrubado da presidência, num episódio que deu início à ditadura militar no Brasil.
Ontem, na R√°dio Senado, ou√ßo um senador dizendo que “o dia de hoje deve ser lembrado como uma li√ß√£o de que o processo democr√°tico n√£o pode parar”.
Imediatamente me lembrei de uma hip√≥tese formulada por Ford Prefect que supunha que “os humanos devem permanecer constantemente falando porque, se suas bocas pararem de mexer, seus c√©rebros come√ßam a funcionar”.
N√£o creio que essa tenha sido a id√©ia do senador, mas foi sem d√ļvida a minha: se o processo democr√°tico parar, as coisas come√ßam a funcionar.
Tudo bem que existia censura de imprensa institucionalizada, mas hoje em dia at√© o YouTube foi tirado do ar por causa de uma apresentadora que achou ruim ser filmada fornicando numa praia p√ļblica e um jornal de Minas que foi cercado pela PF para que nenhuma edi√ß√£o saisse das prensas sem um “direito de resposta”.
programa na TV Senado foi tirado da grade de programação antes de sequer estrear.
A censura serviu pelo menos para alimentar uma gera√ß√£o de letristas razo√°veis, um mundo de dist√Ęncia dos x√°rli-br√°u-j√ļniores de hoje em dia.
Também não podíamos escolher nossos governantes.
Daqui de onde eu estou n√£o vejo muito lucro em ter esse “poder” de escolha. J√° chegamos ao ponto onde devemos escolher o “menos ruim” para termos alguma chance.
O que inevitavelmente leva a lugar nenhum, pois A vira apoiador de B, mas C ainda terá direito a X vagas no ministério de sua escolha.
Aí eu me pergunto: qualé a diferença? E eu mesmo me respondo: nenhuma!
Os militares governavam arbitrariamente, mas faziam isso abertamente, sem se esconder sob o manto da “democracia”.
Hoje nossos representantes escolhidos por voto popular também fazem o que querem, mas o fazem na surdina, sem o menor respeito pelo povo.
Essa democracia em que vivemos √© um lixo. Sou mais a ditadura…
Numa nota diferente, mas nem tanto, ontem foi um dia ruim para a política norte-riograndense; escutei o noticiário no rádio e fui ao teatro ver a orquestra.
No r√°dio, ouvi Paulinho Freire, o vice prefeito de Natal dizer que de janeiro a mar√ßo deste ano o n√ļmero nos casos de dengue diminuiu e que isso se deu por causa de Micarla, a prefeita.
Dane-se que choveu consideravelmente menos no primeiro trimestre deste ano comparado com o mesmo período do ano passado. Temos que agradecer à prefeita!
Sua inação é realmente assombrosa, não tendo tido ainda a vergonha na cara de encher pelo menos um (01) carro fumacê de veneno e mandá-lo pelas ruas.
Soube de um funcion√°rio do Conselho de Medicina do RN que ela se reuniu com o ministro da sa√ļde para conseguir verba para construir mais cinco (05) hospitais municipais. Talvez seja porque os que j√° existem s√£o regularmente interditados pelo Conselho por falta de pessoal, material e estrutura.
Aí precisamos de mais cinco.
O vice prefeito √© um rid√≠culo, que n√£o sabe a diferen√ßa entre “correla√ß√£o” e “causa”, mas a prefeita √© uma imbecil esf√©rica.
A governadora do meu estado também não fica muito atrás, mas as pessoas que ela coloca em cargos de médio-poder são ainda piores.
Como eu disse, ontem eu fui ver a Orquestra Sinf√īnica do RN com um maestro convidado.
Uma desqualificada analfabeta que foi recentemente nomeada diretora do Teatro Alberto Maranh√£o subiu para apresentar o espet√°culo.
Passou quase quinze minutos falando como Wilma de Faria era uma pessoa boa e como o secret√°rio para assuntos institucionais (ali presente, “representando” a governadora) era bonito e iria, n√£o, deveria repassar os beijos que ela, diretora, estava dando metaforicamente no rosto da governadora.
A idiota falou ainda como DOIS MILH√ēES DE REAIS haviam sido investidos no teatro nos √ļltimos cinco anos, como se isso fosse muito ou como se fosse pelo menos mais do que o governo do estado gasta em propagandas em um m√™s.
Todo esse dinheiro, porém, não impediu que a tampa da privada, ao invés de substituída, fosse reconstituida com resina epóxi e ao lado houvesse uma lixeira sem fundo, o que se torna nada além de um cilindro vazio
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Ao fim da “apresenta√ß√£o”, a diretora do TAM diz: “E agora, com voc√™s, Thomas Lawrence Toscano!”
E a orquestra? Merece alguma menção? Pelo menos por tocar naquela noite? Não creio que o maestro vá se apresentar sozinho. Aliás, ele é um convidado da OSRN.
Ap√≥s essa prova de falta de preparo da nova diretora do teatro que apresenta o convidado da atra√ß√£o da noite mas n√£o a atra√ß√£o da noite, ela fica prostrada ao lado do palco, impedindo que os m√ļsicos apare√ßam, enquanto o MC (um profissional da voz bonita, empostada e que sabe ler e apresentar um espet√°culo) conserta e diz o seu “senhoras e senhores, a Orquestra Sinf√īnica do Estado do Rio Grande do Norte”.
Neste momento, a cretina adentra a coxia e sai de m√£os dadas com o maestro, se curva em agradecimento ao p√ļblico como no fim do espet√°culo e fica estupidificadamente olhando para o representante da governadora, mandando beijos como um toureiro sob uma chuva de rosas ao fim de um dia de trabalho bem sucedido.

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