Mas médicas cubanas têm sim cara de empregada doméstica!

Anteontem, uma jornalista da minha terra escreveu em sua conta do Facebook o seguinte (sic):

“Me perdoem se for preconceito, mas essas medicas cubanas tem uma Cara de empregada domestica. Ser√° que S√£o medicas Mesmo??? Afe que terr√≠vel. Medico, geralmente, tem postura, tem cara de medico, se imp√Ķe a partir da apar√™ncia…. Coitada da nossa popula√ß√£o. Ser√° que eles entendem de dengue? E febre amarela? Deus proteja O nosso Povo!”

Declaração de Micheline Borges em seu Facebook

Declaração de Micheline Borges em seu Facebook

Repetindo o título, as médicas cubanas têm sim cara de empregada doméstica!

Explico:

As cubanas s√£o marrons. E as marrons brasileiras s√£o, via de regra, pobres.

Por serem pobres, brasileiras não têm acesso a educação de boa qualidade.

Por n√£o terem uma base educacional decente, brasileiras n√£o podem entrar em cursos muito concorridos de faculdades p√ļblicas, como medicina. E, por serem pobres, n√£o podem pagar uma faculdade particular ou sequer os materiais indispens√°veis e caros que at√© cursos p√ļblicos exigem.

Por serem marrons, são pobres; por serem pobres, têm educação deficiente; por não terem educação suficiente, não são médicas, ou engenheiras, ou advogadas, ou arquitetas, ou psicólogas, ou dentistas. São domésticas.

Como Cuba tem educação para todo mundo, às vezes até forçada[1], até quem é marrom pode virar médica.

L√°. Aqui n√£o. Aqui as marrons precisam ganhar dinheiro limpando “casa de fam√≠lia“.

Ou seja, as médicas cubanas são sim parecidas com nossas domésticas. E, pela primeira vez, eu entendi porque o conceito de cotas educacionais (raciais ou sociais, aqui tanto faz, a cor da pela é intrinsecamente ligada ao salário do fim do mês) é importante.

Talvez seja defeituoso e enviesado (como o próprio programa Mais Médicos), mas é importante. Se por nenhum outro motivo, pelo menos para que pessoas como Micheline Borges, branca (deus proteja as bases líquidas e o pó-de-arroz!), saibam que o que estão dizendo é preconceito. Mais especificamente racismo e xenofobia.

A 'branca' jornalista Micheline Borges. Foto retirada de seu perfil p√ļblico do Facebook, via Google Cache.

A ‘branca’ jornalista Micheline Borges. Foto retirada de seu perfil p√ļblico do Facebook, via Google Cache.

Micheline, eu sei que voc√™ n√£o tem no√ß√£o do que seja sofrer e lutar para ser algu√©m na vida e √© incapaz de se colocar no lugar de outrem, mas fica dif√≠cil “ter postura” e “se impor” quando se passou a vida toda tendo certeza de que se √© um ser inferior por causa de tanto condicionamento pela sociedade, representada por pessoas como voc√™, justamente pela “apar√™ncia” que voc√™, jornalista branca e loira (Koleston FTW!), tanto preza. Para racistas, como voc√™, s√≥ parece m√©dica quem n√£o parece dom√©stica (ver fal√°cia do escoc√™s).

E sim, cubanos sabem o que é febre amarela e dengue. Até mais do que nós, natalenses.

Finalmente, antes de clamar ao seu amiguinho invisível por ajuda procure se informar sobre o que ele tem a dizer de comportamentos com o seu. Seja burra mas pelo menos seja consistente.

———

[1] Se voc√™ se formou em administra√ß√£o, por exemplo, e n√£o tem no que trabalhar, o governo cubano ‚Äúpede‚ÄĚ que voc√™ volte para a faculdade e se forme em, digamos, jornalismo. Isso √© um caso real de um motorista (!) que acompanhou meu pai em Cuba.

Não proteste. A culpa é sua mesmo.

Vocês, com acesso ao Facebook e mais que vinte segundos de concentração, leiam este relato e, principalmente, assistam aos vídeos linkados no final.

Aos demais, resumo: o Brasil √© uma desgra√ßa. Enquanto uma pessoa √© presa ilegalmente por exercer um ^direito constitucional^ (aspas ir√īnicas), um est√°dio (constru√≠do com dinheiro roubado) lotado comemora um jogo de futebol.

Voc√™ mora num pa√≠s onde vinte e tantos fedorentos chutando um couro inflado tem mais import√Ęncia que a Magna Carta. Voc√™ prefere apanhar da pol√≠cia a ter o direito de processar o Estado pela surra indevida.

Voc√™, pessoalmente, deixou o pa√≠s chegar nesta situa√ß√£o, onde o presidente da C√Ęmara dos Deputados roubou seis milh√Ķes de reais, deixando √≥rf√£os sem comida e idosos sem rem√©dio, e os deu a um bode (sim, o animal).

Henrique Eduardo Alves, o mesmo ladr√£o que em 2002 estava sob investiga√ß√£o por ter 15 milh√Ķes de d√≥lares em contas fora do pa√≠s enquanto claramente sonegava o Imposto de Renda, cometendo um crime conhecido como “evas√£o de divisas”, descrito na famosa Lei do Colarinho Branco, artigo 22. Investiga√ß√£o que, dois meses depois, PUF!, sumiu.

O que eu posso fazer contra ele? Ele √© presidente da C√Ęmara (e deputado a 42 anos consecutivos) e tem, pelo menos, 150 vezes mais dinheiro que eu. Existe algum mecanismo para que eu, cartor√°rio com meus impostos em dia, possa processar esse cretino por ter roubado tanto dinheiro meu? Ou, pelo menos, um que me garanta que a Constitui√ß√£o ainda existe, j√° que eu posso ser preso por nada e ele pode roubar √† vontade sem consequ√™ncias?

N√£o, n√£o existe. Eu posso at√© tentar fazer algo, mas √© s√≥ at√© esta etapa que eu chegaria. Posso at√© pagar os cinco reais que o sebista aqui ao lado cobra numa Constitui√ß√£o, mas seria s√≥ mais um amontoado in√ļtil de folhas entulhando meu lar.

E por quê? Porque você deixou isso acontecer. Mas por que a culpa é sua? Ela é menos minha que sua, porque eu pelo menos vivo de tentar, inutilmente, fazer algo. Mas também sou culpado. Todos somos. Todo os brasileiros que vivem aqui e que já viveram aqui desde sempre são culpados.

Nosso pa√≠s √© um lixo. Uma abomina√ß√£o, uma anomalia, um c√Ęncer. Todo o dinheiro que √© produzido por n√≥s, trabalhadores, √© consumido por ladr√Ķes da estirpe de Henrique e Maluf (este procurado pela pol√≠cia do mundo e foragido aqui) e psicopatas como Jos√© Dirceu, Renan Calheiros, Collor. Acobertadores de bandidos como Lula, FHC, Dilma; homicidas em massa como Rosalba Ciarlini, Micarla de Sousa, Eduardo Paes; mentirosos compulsivos como Haddad, S√©rgio Cabral, Alckmin, etc, etc.

100% do que voc√™ produz lhe √© roubado. Voc√™ tem uma poupan√ßa no banco, mas lembra que ela j√° foi confiscada? Voc√™ guarda o dinheiro em casa, mas sabia que o Primeiro Ministro de Myanmar, certa vez, disse que as notas mais altas (de 50 e 100) deixaram de ter valor? Milhares de fam√≠lias acordaram um dia com seus colch√Ķes cheios de papel sem valor que costumavam ser suas economias da vida toda. “Isso n√£o pode acontecer aqui”, voc√™ diz? Por que n√£o? Quem vai impedir? Qual mecanismo existe neste pa√≠s para impedir algo assim? Nenhum, √© a resposta.

O Brasil é um lixo. E eu só não saio daqui de novo porque meus currículos ainda não foram enviados.

Nessa tal Copa das Confedera√ß√Ķes (que √© t√£o sem sentido quanto n√£o poder embarcar numa aeronave com um recipiente maior que cem mililitros em volume) a FIFA vendeu ingressos para cadeiras que n√£o existem.

A Copa do Mundo é deles. Nossa é só a conta.

A Copa do Mundo é deles. Nossa é só a conta.

O link para o relato (Facebook, novamente) est√° embebido na foto. Clic√°i-a.

O problema não é a FIFA. O problema é você que achou que seria uma boa ideia uma Copa do Mundo num país de terceira. A culpa é sua por ter deixado que o seu representante aceitasse as demandas de uma empresa estrangeira que vai levar 100% do lucro da competição.

Três vezes em menos de dez anos, na verdade, com Jogos Pan-Americanos, Copa e Olimpíadas. Porque vinte e tantos fedorentos estragando uma vegetação rasteira é mais importante que a segurança da sua mãe numa rua escura.

Aqueles vagabundos desocupados que est√£o atrapalhando o tr√Ęnsito porque n√£o querem pagar vinte centavos a mais deixaram de existir quinta-feira, sob as b√™n√ß√£os de Santo Ant√īnio e dos cacetetes da pol√≠cia neandertalizada que protege voc√™ de uma vida melhor e mais digna para um poss√≠vel filhote que venha a sair de voc√™.

Ao contrário do que estão dizendo, a polícia não é mal treinada. Ela é excelentemente treinada. O problema é que ela é treinada aqui, no lixo.

O problema não é a polícia. O problema é o treino. Ou, melhor ainda, o local onde o treinamento se dá.

Os policiais s√£o excepcionais e ret√™m 100% do treinamento. O problema √© que o treinamento √© dar tiro na cara de favelado. Pelas imagens fica claro que “muni√ß√£o menos-que-letal” √© algo alien√≠gena para os soldados (sim, jamais esque√ßam que quem patrulha as ruas s√£o soldados militares) que atiram somente paralelamente ao ch√£o, √† altura da cabe√ßa, sendo que com balas de elast√īmero ou latas de g√°s.

Nossa pol√≠cia militar √© um grande esquadr√£o de exterm√≠nio. O problema √© que nos √ļltimos dias eles t√™m usado uma muni√ß√£o inadequada.

Ainda no Facebook eu li a seguinte frase: “Somos [jornalistas] a pol√≠cia militar do pensamento contando as mesmas hist√≥rias sempre sobre vand√Ęlos e b√°rbaros que querem destruir a ordem e o progressso“. Mas o que isso significa? Significa que a pol√≠cia bate em voc√™ e o jornalista diz que voc√™ √© o culpado porque ambos, policial e jornalista, assim como os r√©us de Nuremberg, estavam “apenas cumprindo ordens”.

E quem dá as ordens? Você? Não.

Mas a culpa é de quem?

Exatamente.

Não se enganem. Os protestos começaram por causa de vinte centavos.

Mas graças ao despreparo, irresponsabilidade e desgoverno, hoje os protestos se tornaram algo muito maior.

Voc√™ vive num pa√≠s sem leis, sem prote√ß√£o, sem infraestrutura e sem condi√ß√Ķes b√°sicas de cidadania. Esses protestos est√£o do seu lado, do nosso lado.

Brasil 2013

Nada justifica trucul√™ncia. Especialmente em protestos pac√≠ficos. N√£o se acovarde agachado aos p√©s dos mais fortes; junte-se aos mais fracos. Eu gostaria de, pelo menos uma vez em minha vida, ter orgulho (ou “menos vergonha”, como disse Bartholomew JoJo Simpson) do meu pa√≠s. E voc√™?

———

P.S. Não vou conferir o texto mais do que já o fiz (confesso que sob lágrimas). Se existirem ainda erros, que se danem. Tanto os erros quanto você que veio aqui comentar acerca deles.

Reclama√ß√Ķes quanto √† minha conduta devem ser encaminhadas para o meu email pessoal com c√≥pia para a diretoria do Scienceblogs Brasil (procurem, n√£o √© dif√≠cil achar). Ou n√£o, n√£o me importo. Descobri recentemente algo chamado “perspectiva”.

Processos civis e criminais devem ser mandados ao meu endereço físico. O que eu escrevo aqui não é de responsabilidade do portal ou de seus colaboradores e eu espero que você morra dolorosamente por tentar me reprimir.

Entrevista com o presidente do CREMERN, Jeancarlo Cavalcante

Uma semana atr√°s, um v√≠deo surgiu e foi apresentado pelas redes nacionais de televis√£o mostrando o m√©dico cirurgi√£o Jeancarlo Cavalcante ao fim de uma cirurgia, perguntando a uma enfermeira onde estava o fio de a√ßo para fechar o t√≥rax de um paciente do Hospital Walfredo Gurgel, maior hospital de emerg√™ncia do estado do Rio Grande do Norte. O fio em quest√£o, no entanto, havia acabado, fazendo com que o cirurgi√£o n√£o pudesse finalizar corretamente a cirurgia, o que o levou a fazer a den√ļncia em v√≠deo

Tr√™s dias atr√°s, no mesmo hospital, n√£o havia antibi√≥ticos, rem√©dios para press√£o ou sequer soro fisiol√≥gico, demonstrando o qu√£o grave √© a situa√ß√£o da rede de sa√ļde p√ļblica do estado do Rio Grande do Norte, representados pela governadora (formada em Medicina) Rosalba Ciarlini Rosado e seu secret√°rio estadual de sa√ļde, o cirurgi√£o Isa√ļ Gerino. Este, declarando publica e sarcasticamente que prolene √© o material mais usado (o que n√£o √© verdade, nem de longe) e abrindo um processo contra Jeancarlo por “falta de √©tica”, enquanto aquela indagou “se n√£o tinha o fio de a√ßo, por que ent√£o come√ßou a cirurgia?”, criando uma situa√ß√£o abstrata onde o cirurgi√£o deveria ter um rol dos equipamentos e suprimentos sempre memorizado (devendo tamb√©m conferir um por um, ao inv√©s de iniciar a cirurgia de emerg√™ncia o quanto antes) e, no lugar de tentar salvar a vida do paciente, deix√°-lo morrer por omiss√£o.

Nenhum dos dois, at√© agora, pediu desculpas √† popula√ß√£o pela falta de insumos pelos quais n√≥s, contribuintes do estado, j√° pagamos. Sequer admitiram que a situa√ß√£o √© insustent√°vel e irrespons√°vel, preferindo desviar o foco da pr√≥pria irresponsabilidade usando o Dr. Jeancarlo como alvo, futilmente o processando por uma suposta falta de √©tica da qual tanto Rosalba quanto Isa√ļ s√£o os mais culpados.

Ap√≥s a den√ļncia, surgiram fotos de uma mulher dando √† luz na cal√ßada de outro hospital (Santa Catarina, segundo maior do estado) e v√≠deo de um outro paciente (estava numa maca! Que sortudo!) bombeando a ventila√ß√£o mec√Ęnica nele mesmo. √Č dif√≠cil de entender, mas assista ao v√≠deo neste link.

Falta soro e sutura nos hospitais, mas dinheiro para queimar existe. Mais precisamente trezentos mil reais gastos três semanas atrás na queima de fogos da madrugada do dia primeiro deste.

R$ 300 mil queimados enquanto falta antibi√≥tico em salas cir√ļrgicas.

Secret√°rio Isa√ļ Gerino, governadora Rosalba: voc√™s s√£o dois irrespons√°veis. N√£o adianta culpar um m√©dico que n√£o tem como trabalhar decentemente nem dizer que o problema vem de outras administra√ß√Ķes. No momento em que, ao inv√©s de tentar resolver, voc√™s atacam publicamente e processam futilmente o denunciante, voc√™s est√£o mostrando o verdadeiro car√°ter de voc√™s para a popula√ß√£o.

Pena que não existe conselho de ética para políticos. Mas aguardem um processo civil assim mesmo. Cansei de ver o descaso, desdém e a indecência com os quais vocês tratam o meu estado e sua população.

Isa√ļ Gerino - um dos culpados.

Isa√ļ Gerino – um dos culpados.

Enquanto isso, car√≠ssimos leitores, vejam aqui a entrevista que fiz ontem a noite com o m√©dico Jeancarlo Cavalcante (e visitem o Dispersando para mais informa√ß√Ķes e contexto):

Agradecimentos especiais a outro doutor, Karl, pela pronta ajuda.

Homeopatia é feita de nada e NÃO funciona contra dengue

Em Natal, a prefeita Micarla de Sousa (eleita pelo PV) sancionou a Lei n¬ļ 6.252, de 25 de maio de 2011 (link em PDF) que diz:

A PREFEITA DO MUNIC√ćPIO DE NATAL,

Fa√ßo saber que a C√Ęmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1¬ļ – Autoriza o Poder Executivo a realizar estudos e pesquisas no sentido de adotar medica√ß√£o homeop√°tica, no combate e preven√ß√£o de dengue em Natal.

I – A medica√ß√£o a que se refere o artigo 1¬ļ poder√° ser ministrada nos bairros que apresentem os maiores √≠ndices de infesta√ß√£o da doen√ßa ou nas √°reas onde a equipe t√©cnica da Secretaria Municipal de Sa√ļde definir como priorit√°rias ou de risco iminente para prolifera√ß√£o de casos;

II – A aplica√ß√£o do medicamento ser√° executada pelas unidades de sa√ļde, na dosagem prescrita por profissional competente;

III – A Secretaria de Sa√ļde do Munic√≠pio de Natal, atrav√©s de uma equipe multidisciplinar, far√° o acompanhamento e monitoramento, com as notifica√ß√Ķes necess√°rias, dos usu√°rios atendidos pela medica√ß√£o a que se refere o artigo 1¬™ desta Lei.

Art. 2¬ļ – Esta Lei entra em vigor na data de sua publica√ß√£o, revogadas as disposi√ß√Ķes em contr√°rio.

Um grande problema n√£o √© o texto acima, mas a maneira como a coisa foi levada √† frente. Esses “estudos e pesquisas” n√£o ocorreram. Especialista n√£o foram consultados e, especialmente, o Conselho Regional de Medicina n√£o foi ouvido.

Entrando em vigor, essa lei certamente beneficiaria, e muito, algumas pessoas, tendo em vista que homeopatia é feita de nada.

O pior, no entanto, √© o fato de existirem pessoas em cargos altos (como prefeita e vereadores) que n√£o s√≥ acreditam nessa macumba disfar√ßada de medicina que √© a homeopatia como n√£o t√™m o m√≠nimo interesse na sa√ļde da popula√ß√£o (se tivessem, teriam consultado infectologistas ou teriam procurado o CRM, o que n√£o ocorreu).

Jeancarlo Cavalcante, presidente do Conselho, falando ao jornal Tribuna do Norte disse que, tanto a san√ß√£o quanto a aplica√ß√£o dessa lei s√£o “uma temeridade”. Mas ele disse isso porque √© o presidente.

Como eu não devo contas políticas a ninguém, posso dizer com mais letras: dar homeopatia a pessoas doentes ou tentar usar homeopatia para prevenir doenças potencialmente fatais é uma irresponsabilidade e demonstra, mais uma vez, o descaso do poder administrativo da minha cidade para com a população, cujo interesse deveria ser prioridade.

Por mais que esse “passe de m√°gica” (como disse ao mesmo jornal o presidente da Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia, H√™nio Lacerda) estivesse sendo aceito por ingenuidade de Micarla de Sousa, seria dever da primeira servidora p√ļblica da cidade procurar pessoas que, ao contr√°rio dela, realmente soubessem do que se trata medicina, doen√ßas, tratamento, etc. Confiar na pr√≥pria suposta intelig√™ncia √©, demonstrativamente, um erro para pessoas assim, em cargos t√£o importantes.

Em entrevista ao Novo Jornal, Munir Massud, Professor da UFRN e especialista em Bio√©tica M√©dica, aponta que homeopatia “n√£o serve para nada. Na Medicina, o que n√£o √© cient√≠fico n√£o √© √©tico”. E, para o Conselho Nacional de Sa√ļde, antes de ser usado em humanos, um medicamento precisa ser fundamentado com experimenta√ß√Ķes pr√©vias, cientificamente. Coisa que a homeopatia falhou em fazer 100% das vezes que tentou.

Em vista disso, a Secretaria Municipal de Sa√ļde informou ao Novo Jornal que: “em raz√£o da pol√™mica levantada pela lei, ir√° solicitar um parecer t√©cnico √† Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia”.

Sim, voc√™s j√° devem ter notado. A Secretaria de Sa√ļde s√≥ ir√° se informar a respeito com especialistas no assunto porque o CRM e a pr√≥pria Sociedade de Infectologia foram atr√°s.

Então, ao invés de combater o mosquito (não há uma propaganda de prevenção, um só folheto pregado em poste, nada), a prefeita achou por bem beneficiar financeiramente os feiticeiros medievais que venderiam água a preço de remédio. Porque, já que a população não gosta dela, porque ela haveria de gostar da população, não é?
J√° que ela nem se trata aqui, por que ent√£o cuidar do sistema de sa√ļde do munic√≠pio?

Recapitulando: mat√©rias circularam pela Tribuna, Novo Jornal (j√° citados), Di√°rio de Natal e nominuto.com ap√≥s uma coletiva de imprensa organizada pelo Conselho Regional de Medicina e pela Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia, pois nenhum dos dois √≥rg√£os foram consultados antes da prefeita passar uma lei dando √°gua e a√ß√ļcar para a popula√ß√£o como forma de combater a dengue.

Mas eu vou esperar até Micarla divulgar o resultados dos estudos e testes que realizou, segundo prevê a lei que ela promulgou semana passada.

Enquanto isso, pessoas de fora, estejam avisadas: não venham a Natal em hipótese alguma. Gastem seu dinheiro turistando na Paraíba ou no Ceará. Aqui vocês podem morrer de Dengue a qualquer minuto.

Não há mais salvação para nós, natalenses, mas estamos resignados quanto à falta de estrutura da prefeitura para combater um mosquito.

Como consola√ß√£o, fiquem com Amanda Gurgel, uma das poucas coisas boas que aconteceram na minha cidade nos √ļltimos anos.

E que venha a Copa!

Desafio #ten23 – overdose homeop√°tica. Ou, ‘o dia em que eu n√£o morri’

Aten√ß√£o: todas as aspas usadas neste texto s√£o ir√īnicas.

Estou neste momento preparando um di√°rio dos “efeitos colaterais” da “overdose” homeop√°tica que tomei hoje, dia 5 de fevereiro de 2011, e que dever√° ser postado amanh√£ (eu n√£o “morrendo” daqui pra l√°, obviamente) com direito a fotos e v√≠deos.

No entanto, agora, assistam ao momento em que “me matei” homeopaticamente:

Se você não sabe do que estou falando, leia isto.

Atualiza√ß√£o: assistam ao meu v√≠deo-di√°rio com as prova√ß√Ķes sofridas por mim ao longo das vinte e quatro horas subsequentes √† overdose clicando no seguinte link: Desafio #ten23 – overdose homeop√°tica: v√≠deo-di√°rio

Vejam o acontecido por um outro √Ęngulo, atrav√©s da c√Ęmera de Jairo, meu colega de “overdose”:

E leiam seu texto sobre o ocorrido em Um deus em minha Garagem.

Relato de um natalense decepcionado

Em entrevista a um jornal da minha cidade, o neurocientista Miguel Nicolelis falou da decepção de ter montado o Instituto Internacional de Neurociências de Natal e não ter recebido apoio do governo da cidade ou do estado.

A matéria completa vocês podem ler clicando neste link. E aqui, no 42., vocês poderão ler o meu desabafo.

Eu tenho orgulho de ser natalense, mas por ter nascido aqui, n√£o por ser cidad√£o desta cidade-s√≠tio, onde os governantes-donos t√™m como √ļnico prop√≥sito de suas vidas p√ļblicas se locupletar √†s custas da ingenuidade e, ultimamente, impot√™ncia alheias.

Nosso vice-eleito-tornado-governador Iber√™ Ferreira de Souza tinha, at√© um dia desses, c√Ęncer no pulm√£o. Sorte dele que temos um hospital de refer√™ncia para o tratamento de c√Ęnceres na nossa cidade, n√£o √© mesmo?

√Č, pura sorte, assim como acertar os n√ļmeros premiados da Mega Sena. Pois quando foi diagnosticado, nosso vice-tornado-governador-posteriormente passou a ir algumas vezes por ano para o que provavelmente √© o hospital mais caro do Brasil, o S√≠rio-Liban√™s, em voos fretados para tal prop√≥sito.

Nossa excelentíssima prefeita Micarla de Souza (não posso confirmar parentesco entre eles, mas não me surpreenderia, sendo o meu estado governado por oligarquias familiares) sofre de um problema no sangue, talvez infelizmente herdado do pai, Carlos Alberto de Souza, ex-senador dono de um canal de tv (morto em 1998).

Novamente, prefeita de uma cidade que tem um excelente hospital para o combate de c√Ęnceres mas que, ao inv√©s de us√°-lo, visita o j√° citado S√≠rio-Liban√™s para uma radiografia do abdome.

Pode ser também que eles tenham medo de ir na Liga. O bairro lá é bem perigoso.

Por que n√£o ent√£o visitar o Instituto de Radiologia? √Č t√£o pertinho da prefeitura.

Ser√° que a prefeita n√£o tem plano de sa√ļde? Porque dinheiro eu sei que ela tem, j√° que pagou passagem para S√£o Paulo e o atendimento e exames no hospital mais caro do pa√≠s.

Quando um governante n√£o usa os recursos dispon√≠veis da regi√£o que administra, ele est√°, no m√≠nimo, dizendo que tais recursos n√£o prestam ou que n√£o est√£o √† altura de sua magnificente import√Ęncia.

No m√°ximo (talvez), ele est√° cuspindo na cara daqueles que s√≥ podem usar daqueles meios e n√£o contam com um po√ßo-sem-fundo de dinheiro p√ļblico para lhes pagar passagens, hospedagem e hospitais privados.

Micarla √© jornalista e dona de um canal de TV (tamb√©m herdado do pai), mas Iber√™ sempre foi pol√≠tico e o tratamento dele foi bem mais caro. Sempre que ele pediu um empr√©stimo? Porque sal√°rio de pol√≠tico √© razoavelmente baixo para os padr√Ķes de vida de alguns.

Mas o que isso tudo importa, agora que a Copa da FIFA vai acontecer aqui em Natal, não é mesmo?

Nós temos um estádio que vai ser derrubado, junto com todo o centro administrativo onde funciona a governadoria e suas secretarias, para a construção de um novo. Porquê exatamente eu não sei dizer (fora a oportunidade de ver muito dinheiro circulando de mão em mão que alguns de nós certamente gostam muito), mas a conversa que mais roda é que isso criará mais empregos.

Que tal abrir uma f√°brica? Pelo menos depois de pronta ela vai gerar algum tipo de produto. Porque Copa do Mundo n√£o gera empregos, gera bicos.

Voltando para o estopim deste artigo, Nicolelis diz na entrevista: “ser√° que os governantes n√£o pensam em como criar empregos de valor agregado, educar o povo?”

Educar o povo? Al√ī? Miguel, voc√™ √© brilhante, mas acho que passou tempo demais fora do nosso querido pa√≠s.

Um povo educado não se deixa ser cuspido na cara. Pelo menos não por muito tempo. O que menos um governante de terceiro mundo quer é um povo educado.

Eu vi algumas cenas da enchente em Alagoas e ouvi alguns comentários que partiram meu coração. Por exemplo: várias crianças adoecendo por estarem brincando na lama, mulheres desenvolvendo doenças de pele por estarem até o joelho lavando roupa em água pós-transborda contaminada, pessoas com leptospirose por beberem água da rua e demais coisas que um povo com um mínimo de educação evitaria fazer.

“Ah, mas as crian√ßas precisam brincar…”

Sim, mas n√£o precisa ser na lama.

Um povo educado n√£o se contaminaria bebendo mijo de rato.

Um povo educado tamb√©m n√£o aceitaria o descaso com nossos semelhantes conterr√Ęneos.

Um povo educado n√£o deixa seu povo sofrer na m√£o de um governo mesquinho com cifr√Ķes nos olhos.

Um povo educado n√£o permite que se torre milh√Ķes em UPAs quando nossos postos de sa√ļde existentes est√£o sem condi√ß√Ķes de pleno funcionamento por falta de pessoal, material, equipamentos e, em alguns casos, estrutura f√≠sica.

Nicolelis, infelizmente, deposita sua confian√ßa na UFRN que est√° construindo o Campus do C√©rebro que “dever√° ficar pronto no pr√≥ximo ano”.

Eu retornei √† universidade recentemente num curso pioneiro, cheio de gu√©ri-gu√©ri, com investimento de bolso fundo, lousa eletr√īnica, pr√©dio pr√≥prio, professores decentes, e bl√° bl√° bl√° que j√° vai no segundo ano tendo aula em salas improvisadas cedidas por outros centros acad√™micos, com cento e cinquenta alunos por sala, porque o pr√©dio n√£o ficou pronto.

Mais uma vez aquele n√ļmero: “segundo ano”. O curso foi criado em 2009 e n√£o existe local para funcionar.

Pelo que eu vejo, o esqueleto do prédio já está todo construído e os equipamentos todos comprados, mas falta ainda o acabamento. Afinal, não dá para assistir a aulas em salas sem janelas ou eletricidade.

Eu assisti a uma palestra de Nicolelis e chorei. Literalmente. De soluçar e precisar assoar o nariz.

Não sabia que possuía capacidade de me emocionar daquele jeito ouvindo um barbudinho carecóide falar sobre os equipamentos que crianças de comunidades carentes estão usando para aprender ciências.

Eu fiz anota√ß√Ķes durante a palestra e comecei a escrever um artigo assim que cheguei em casa, mas nada que eu escrevia demonstrava suficientemente o quanto a escola do Instituto √© revolucion√°ria.

Eu garanto que as crianças que lá estudam estão recebendo melhor educação do que qualquer um que esteja lendo isto recebeu. Escrevo isso na pedra, com meu próprio sangue.

Igual, talvez. Pouco provável, mas não impossível. Melhor? Nunca!

Existe tamb√©m um complexo de sa√ļde para mulheres que √© 100% gratuito. √Č t√£o de gra√ßa que √© at√© dif√≠cil compreender. √Č mais gr√°tis que sop√£o. √Č a coisa mais linda do mundo.

Qualquer mulher pode entrar l√° e ter seu pr√©-natal feito pelos melhores equipamentos existentes na face do planeta Terra, terceiro a partir do Sol, sem pagar absolutamente um √ļnico centavo de qualquer moeda que seja.

O sonho de Miguel é ter um escola que vai do pré-natal à pós-graduação com o melhor ensino do mundo. Só isso.

A escola ele já tem. O resto é questão de tempo.

Eu encho os olhos de lágrimas quando penso na iniciativa de Nicolelis aqui e no futuro dessas crianças que estão na melhor escola do mundo, mas sou a favor do fechamento do instituto, da escola e de tudo mais que ele trouxe para cá.

Eu espero que a iniciativa dele cure o Mal de Parkinson, mas não aqui em Natal. Não quero ver um desses cretinos que controlam nossa política levar sequer o mínimo de crédito por algo que beneficiará absolutamente toda a humanidade sem que eles tenham movido um átomo para facilitar esse acontecimento.

Enquanto o Rio Grande do Norte e sua capital forem governados por essa patota sem o menor resqu√≠cio de responsabilidade p√ļblica que, visando melhor controle posterior, n√£o quer que nossas crian√ßas se eduquem adequadamente (e que propagandeiam como nosso sistema de sa√ļde √© ruim indo se tratar fora), Natal n√£o merece ter um centro de excel√™ncia em coisa alguma.

Tem dias que eu acordo com vergonha de ser natalense.

Mídia moderna, jornalismo antiquado

O di√°rio natalense Tribuna do Norte, agora a pouco, atingiu a marca de 600 seguidores no Twitter.
De quando em quando, alguém cuja função anterior ainda não consegui apurar, tuíta uma chamada curta (passível de ser facilmente repetida sem a necessidade de cortes) e um link para uma notícia na página do jornal.
Para quem ainda não conhece, o Twitter é um meio para informar pequenas coisas a quem quer que os siga, em tempo real (ou no espaço de tempo necessário para que suas mensagens sejam lidas), e vice-versa, possibilitando que se leia qualquer mensagem mandada por outrem.
O “pequenas coisas” se deve ao fato de, cada mensagem, ou twit, poder conter no m√°ximo 140 caracteres, ou exatamente o conte√ļdo desta linha.
As mensagens mandadas pela Tribuna não dizem coisa alguma, são apenas as manchetes das notícias que eles querem que todos leiam em sua página na Internet.
Isso √© equivalente a Sherlock Holmes embarcar num avi√£o supers√īnico para chegar mais r√°pido √† cena de um crime munido apenas de lupa.
Meios de ponta para métodos há muito ultrapassados.
Isso me ocorreu mais fortemente ontem quando eu sai do trabalho para almoçar e encontrei a rua impedida e o tráfego nela parado.
Passei mais de vinte minutos num trecho que em condi√ß√Ķes normais me tomaria apenas cinco.
A equipe de jornalismo da Tribuna do Norte sabia disso e tuitou: “Acidente entre √īnibus e carros congestiona tr√Ęnsito no Centro” e incluiu um link que n√£o abre na minha neol√≠tica m√°quina computacional.
A maneira twitter de dar a not√≠cia seria “evitem a Rio Branco, ela est√° parada” e um link para a not√≠cia. Quem pudesse, como eu, evitaria essa rua.
Mas preferiram pensar com os pés e colocar um meninote na esquina, gritando EXTRA, EXTRA!
Eles não estão nessa para prestar serviços mas sim para propagandear o próprio sítio.
E é por essa mentalidade que eu acho é pouco que diploma de jornalista agora só serve para esconder infiltração.
Custa acompanhar as mudanças?
P.S.
Parabéns aos agentes da STTU pela ação rápida de coordenação do tráfego.
O telefone de lá é 156 ou 3232-9095 e eles atendem 24 horas por dia. Se vocês virem algum carro parado em local indevido ou um sinal sem funcionar, liguem e me ajudem a não morrer de raiva antes dos 35.
Pode demorar pois eles têm poucos carros, mas eles eventualmente chegam.
P.S.2
Já que hoje é dia de política aqui no SbBr, a imbecil excelentíssima prefeita Micarla de Souza vai mais uma vez mudar o nome da secretaria, que passará a se chamar SEMOB.
Eu sei disso porque conversei bastante com dois “amarelinhos” uma noite dessas.

Com quantas pintas se faz uma bochecha sardenta?

S√°bado eu fui a um evento que consistia em: perder todo o senso de civilidade e auto-estima dan√ßando do pior jeito poss√≠vel, comer o m√°ximo de derivados de milho que a Lei permita, tentar a todo custo manter a integridade f√≠sica de seus ap√™ndices articulados e de sua camada protetora externa apesar da constante amea√ßa de artefatos explosivos e o livre tr√°fego de fa√≠scas, fagulhas, chamas abertas e estilha√ßos, e voltar para casa absolutamente defumado devido √† exposi√ß√£o cont√≠nua √† res√≠duos de part√≠culas suspensas provenientes da queima de tecido org√Ęnico de vegetais lenhosos. Ou, como costumam chamar por aqui, um arrai√°.
Pois bem, enquanto tentava n√£o ter o meu cabelo inflamado por um tal de chuveirinho (artefato produzido primariamente para uso infantil que produz um efeito semelhante a o de um ma√ßarico de acetileno) nem meus t√≠mpanos irremediavelmente rompidos por r√°pidos deslocamentos de ar provenientes de rea√ß√Ķes altamente exot√©rmicas, notei algo interessante: quase todas as garotas estavam com as bochechas excessivamente avermelhadas e, dentro da √°rea afetada, alguns pontos pretos.
Bom, essa não é a parte mais interessante (nem tampouco o fato de todas elas terem suas cabeças emolduradas por tranças presas por fitas coloridas).
O que mais me chamou atenção naquelas sardas artificiais foi a observação (e posterior confirmação) de que todas elas eram idênticas.
Tendo notado que cada mulher chegou num momento distinto e tendo visto minha namorada pintando as suas, rapidamente peguei um atalho mental, eliminei vários passos de raciocínio e cheguei à conclusão de que todas fizeram exatamente o mesmo desenho de maneira independente das outras.
dado5.pngMas, fiquei com a pergunta: por que cinco pontos, com um no meio e quatro nos flancos, como num dado?
rosinha.jpgO modelo que mais me vem √† cabe√ßa quando penso em “festa junina” associada √† “fantasia feminina” √© Rosinha, e ela n√£o tem sardas.
De onde estaria vindo a idéia de criar tal padrão?
Como essa foi a primeira vez que notei a semelhança, não posso dizer que sempre foi assim, mas especulo que seja.
Vou continuar minhas investiga√ß√Ķes e, caso tenha alguma novidade que valha a pena ser contada, venho aqui e conto.
Enquanto isso, caso alguém já saiba a resposta, por favor me diga.
E o mist√©rio da cara-de-domin√≥ permanece…
domino.jpg

Omni Bostus Est

Desculpem a agressividade do título, mas eu passei a semana sem escrever porque passei a semana lendo muitas notícias.
Geralmente isso me faz querer escrever, mas estou na fase baixa da minha bipolaridade e passei a semana chorando (por dentro) por causa do esforço perdido que é tentar ensinar alguma coisa a alguém nesse mundo.
Vinte e tantos blogues excelentes de Ci√™ncia, explicando tudo no mundo de um jeito f√°cil, amig√°vel, interessante, engra√ßado, charmoso, carinhoso, etc, etc, a√≠ vem um jornal televisivo vespertino com uma audi√™ncia quinhentas mil vezes maior que a nossa e caga nas nossas cabe√ßas, dizendo que a gripe su√≠na vai dominar o mundo a menos que usemos agulhas de acupuntura molhadas em prepara√ß√Ķes homeop√°ticas (exagero, mas a mensagem √© parecida).
Isso e minha cidade foi escolhida como uma das sedes da Copa da FIFA de 2014.
J√° disse antes, digo de novo: me sinto cavando um buraco n’√°gua.
Estou de mau humor hoje, d√° p’ra notar?

Mais um blogue no mundo, dessa vez sobre comida – propagandIgor

Pois é, abri um restaurante virtual.
Na verdade, é mais um guia de restaurantes.
Não, melhor ainda: é uma lista de lugares que frequento onde digo o que como e bebo.
√Č, essa √© uma boa defini√ß√£o.
Onde comer (e beber) em Natal, meu mais novo blogue, com o Selo Igor¬ģ de Qualidade.
Dêem uma passada por lá, que apesar de abrir as portas hoje, já estou cozinhando desde o mês passado.

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