A melhor cura para ressaca é beber mais…

…tanto quanto a melhor cura para dor de cabeça é lascar a testa numa parede chapiscada.
Eu nunca tive ressaca (ou veisalgia), mas quase todo mundo que eu conheço e que bebe já experimentou a sensação; de dor de cabeça, cansaço, secura bucal e mal-estar generalizado até ansiedade, insônia, desarranjo intestinal, tremedeira e náusea.
O álcool, quando consumido, faz com que a glândula pituitária (no cérebro) iniba a produção de um hormônio antidiurético (vasopressina), causando a fraca reabsorção de água pelos rins, que a mandam direto para a bexiga, desidratando o sujeito (uma bebida com teor alcoólico de 15%, como o vinho, causa a perda de uma vez e meia da quantidade de líquido consumido. 100ml de vinho = 150ml de água excretada).
A impressão de boca seca é um sinal de que seu corpo está muito desidratado e precisa de água urgentemente.
A dor de cabeça é causada pelos órgãos do corpo que, ao tentar se repletar, roubam água do cérebro, fazendo-o encolher e repuxar as membranas que o ligam ao crânio. Cérebro encolhendo. Que divertido.
A urinação excessiva também elimina sais e potássio (necessários para o bom funcionamento dos músculos e nervos) e as reservas de glicogênio (uma fonte básica de energia) do fígado, causando fraqueza, falta de coordenação motora e, às vezes, tremedeira.
As bebidas escuras, como vinho, uísque e tequila, são piores pois contém mais toxinas congêneres (impurezas provenientes do processo de fermentação mas necessárias para dar gosto às beveragens) que bebidas claras, como vodka, gim e cachaça. Mas isso é só um fator que ajuda na potência da ressaca.
Através de um processo bioquímico, que não será descrito aqui (quero deixar simples, para uma pessoa ressacada ler e entender), o consumo exagerado do etanol acarreta a depleção de uma enzima no fígado, que absorveria o impacto em condições normais (de pouca bebedeira). Mulheres têm menos dessa substância e por isso a delas acaba mais rápido, piorando a ressaca e aumentando o tempo de recuperação.
Mulheres, não acompanhem os homens na carraspana!
Depois de uma noite (ou dia, tanto faz) de ebriedade, o beberrão não vai dormir bem (por mais desmaiado que esteja) pois o álcool inibe também a produção de glutamina, um estimulante natural produzido pelo nosso organismo, que após o término do consumo tenta tirar o atraso, aumentando demasiadamente a produção do aminoácido, estimulando o encéfalo, não o deixando chegar ao estágio de sono profundo, necessário para o descanso cerebral e físico.
O álcool promove (finalmente um efeito positivo, sem repressão) a secreção de ácido clorídrico no estômago, eventualmente mandando uma mensagem ao cérebro de que está sendo machucado, e fazendo a pessoa vomitar. Isso pode melhorar a ressaca do outro dia, pois é menos etanol com o qual o corpo terá que lidar.
Agora, uma lista das coisas que NÃO FUNCIONAM contra ressaca.
Beber mais: isso é tão mais pior que qualquer outra coisa que merece até um pleonasmo. Bebida foi a causa do tormento em primeiro lugar, continuar o pileque é o mesmo que martelar os outros dedos para curar uma topada. Os efeitos da veisalgia podem parecer que estão diminuindo, mas é porque o indivíduo está se embriagando e se anestesiando. Mas depois o coice da mula é pior.
Café: estimulante, bom para combater temporariamente a fadiga, mas piorando-a quando o efeito passa; vasoconstritor, tem efeito contrário ao do álcool, que faz os vasos incharem, causando cefaléia, mas também diurético, eliminando ainda mais água, fazendo os miolos encolherem mais. Sabe quando um maracujá engilha e os caroços ficam soltos dentro da fruta? Pronto…
Aspirinas: C U I D A D O ! Se tiver paracetamol ou cafeína na composição, CORRA! Foi demonstrado (eu queria muito saber por quem, mas não consigo achar o link. Posso estar errado aqui) que paracetamol, ou acetaminofeno (tente dizer isso bem rápido três vezes) piora a sensação do resultado da rasca (“porre” só não tem mais sinônimos que “dinheiro”. Que língua maravilhosa!) e podem irritar mais ainda o estômago.
Finalmente (eu só tomara que ninguém se confunda), uma lista das curas e métodos preventivos.
Bananas: bom para reabastecer o potássio e o líquido (banana são 75% água, apesar de Beakman dizer que era 90%) perdidos e para aplacar a dor de barriga e liquefação fecal (foi mal, mas existem termos piores) por conter fibras. Kiwis e bebidas esportivas (eletrolíticas) também repõem potássio.
Sucos: as frutas contêm frutose, um açúcar que auxilia o aumento de energia no corpo, e vitaminas e nutrientes essenciais que podem ter sido perdidos durante e depois a cachaçada. Futuramente eu dissertarei melhor sobre isso, mas complexos vitamínicos não fazem bem, algumas podem até fazer mal. Nós evoluímos para consumir vitaminas dentro do contexto onde elas ocorrem naturalmente.
Ovos: contêm cisteína, um aminoácido que quebra acetaldeído (formado no fígado, naquele processo que eu não quis explicar mais acima), ajudando a aliviar a aflição.
Estômago fornido: comida protege as paredes do estômago e ajuda na absorção do etanol, prevenindo contra a mazela do dia posterior.
Água: o segundo melhor remédio. Beba água rodado, como se não houvesse amanhã ou, caso haja, seja um amanhã seco e sem água. Beba MUITA água. Quando achou que tomou demais e o estômago já está fazendo barulho de pote, beba mais água.
Tempo: o melhor remédio. O tempo não só tudo cura e como ainda dá experiência. Conheço várias pessoas que jamais beberão Rum com Coca novamente.
Aprecie, beba com moderação. E se tiver morrendo, por favor, não me ligue. Provavelmente eu já estou dormindo e eu trabalho cedo…

Alergia à luz

Existe um nervo dentro do nosso crânio chamado Nervo Trigêmeo, que tem função mista (serve tanto para mexer quanto para sentir). A parte motora desse nervo faz a mandíbula funcionar e a parte sensitiva dá sensação à pele do rosto, à parte de trás da língua, aos dentes, às pálpebras e às mucosas da boca e nariz. E é aqui onde meu interesse começa.
O nervo ótico (um nervo do tipo que só serve para sentir) quando superestimulado (sair de um lugar escuro para um muito claro) pode vazar e interferir no trigêmeo (assim como ligar o liquidificador pode interferir na imagem do televisor. Fiação mal-feita…), acionando-o. Isso é um traço genético de codominância (não vou explicar isso aqui, mas é o mesmo esquema de tipo sanguíneo) que faz com quê os indivíduos que a possuam espirrem quando saiam ao sol.
Eu sou um deles.
Não consegui achar ainda relação entre isso e fotofobia (que apesar do nome não é medo de luz, mas dor e desconforto nos olhos quando expostos à luz forte), que também me acomete, mas acho que faz sentido.
Fotofobia é um problema nos fotorreceptores da retina, que absorvem muita luz e mandam uma quantidade exagerada de estimulação pro nervo ótico.
Esse defeito causa dor nos olhos e, se a exposição for longa e contínua, conseqüente dor de cabeça.
Segundo meu oftalmologista, não existe cura, só paliativo; óculos escuros.
Quando meus olhos se enchem de luz, logo após a dor de agulha (de tricô) quente (incandescente) entrando (de lado) no olho, a parte ótica nervosa se acende (como um filamento de lâmpada) e transborda (como leite não-vigiado no fogão) para dentro do nervo que controla a sensitividade da mucosa nasal.
Além de ser quase cego em dia de sol forte perto de paredes brancas, eu ainda fico espirrando feito menino novo gripado brincando no tapete da sala.
Tenho amigos míopes que antes de abrir os olhos pela manhã precisam calçar suas lentes corretivas. Quando os vidros do meu lar não eram enegrecidos, eu precisava fazer isso com os meus óculos escuros. Já acordava espirrando e com dor de cabeça.
E cada espirro meu me custa uma semana de vida (quem já me viu espirrando concordará). Eu não posso andar sem proteção visual (pelo menos se quiser chegar aos trinta).
Caso você espirre ao primeiro sinal de sol, saiba que não está sozinho.
Eu também sou alérgico à luz.

Lápis e papel na mão!

Hoje é domingo, cachimbeiro dourado, que inicia uma reação em cadeia, envolvendo militares e insetos coleópteros, que finda na destruição do planeta pelo poder da rima.
Por isso (e por ter passado a noite tomando vinho ouvindo várias línguas serem faladas ao mesmo tempo) o tópico de hoje é mais simples e mais prático.
Não, na verdade nem é. Mas é interessante.
Grafite é feito de carbono. 100% átomos de carbono.
Existem três outras coisas que são feitas de nada além de carbono; carvão mineral (quase a mesma coisa, mas grafite não queima fácil), diamante e fulereno (o nome todo é buckminsterfulereno, uma estrutura artificial, responsável pela formação de nanotubos, um material extremamente versátil e revolucionário que será descrito aqui mais tarde).
O Brasil é o segundo maior produtor de grafita no mundo, sendo deixado para trás pela China (que produz quase dez vezes mais que nós).
Grafite, ou plumbagina, conduz eletricidade (e conduz com gosto; um risco grosso num papel é suficiente para transmitir corrente, portanto não enfiem seus lápis em tomadas) e é um superlubrificante (usando o mesmo princípio físico que possibilita a escrita). Essas duas propriedades fazem com que a grafite (é feminino mesmo, pode procurar no dicionário) não seja recomendada como lubrificante entre metais diferentes, pois a condutividade dos materiais envolvidos causa corrosão galvânica. Tipo uma pilha, mas diferente. Li agora que é especialmente corrosivo em alumínio; até uma marca de lápis numa placa de alumínio pode iniciar o processo de oxidação! Química é massa demais!
Em 1789, um mineralogista alemão chamado Abraham G. Werner (o “G” é de Gottlob, um dos nomes mais legais de falar que já passaram pela minha boca) batizou esse material de “Graphit”, corruptela de “gráphos”, palavra grega que significa “escrever”.
Finalmente me trazendo ao ponto sobre o qual queria escrever.
Lápis.
O que tem dentro de um lápis não é somente grafite, assim como o que tem fora não é um pedaço maciço de madeira.
Grafite em sua forma pura é muito frágil e quebradiço e o processo de transformar pedaços de madeira em lápis sólidos é muito dispendioso (como referência, vide Pica-Pau vs. Lenhador).
Depois de extraído das minas (essa etapa é muito importante, pois fazer e usar lápis dentro das pedras é muito difícil), a grafite é moída junto com argila. Depois que ambas viram pó, água é adicionada e a mistura é batida por um certo tempo (três dias parece ser o padrão). Depois disso a água é retirada, a massa que sobra é secada até endurecer, triturada novamente (mas desta vez já um material diferente do original) e água é reintroduzida até formar uma pasta, que é espremida através de um tubo de metal (como pasta de dentes) e pedaços cortados já no formato adequado. O chumbo-negro (como é chamado o material de dentro de um lápis) é então aquecido até mais ou menos mil graus centígrados para endurecer e ficar uniforme.
A proporção entre grafite e argila muda a “dureza” (marcada por um número + letra escritos no lado dos lápis) da ponta. Quanto mais argila, mais dura a ponta (1H, 2H, 3H, etc.), pois menos grafite está saindo no papel. Quanto menos argila, mais grafite sai, mais macio é o lápis (1B, 2B, 3B, etc.).
E como é que o lápis funciona, afinal?
As moléculas de grafite são achatadas e ficam empilhadas umas sobre as outras. Como pratos guardados.
Quando nós passamos o chumbo-negro num papel, que é mais áspero e mais duro, camadas do material são arrancadas e vão se depositando, formando as letras, desenhos e afins.
Isso só é possível graças à propriedade citada acima, a superlubrificação, que faz com que as camadas escorreguem facilmente umas nas outras. Como uma pilha de pratos lambuzados com óleo sendo passados numa mesa com cola. A cola segura o prato de baixo, que escorrega da pilha, deixando exposto o próximo, e repetindo o processo (analogia um tanto bizarra, eu sei, mas já é hora de almoço e meu olho tá doendo).
Um lápis que risque linhas paralelas horizontais a cada meio milímetro (a média de espessura do traço de um lápis 2H) numa folha de papel A4 (210 por 297 milímetros), de cima a baixo, frente e verso, terá percorrido um quarto de quilômetro!
Eu não sei quanto de um lápis isso gastaria, pois como já disse, meu olho está doendo e eu não estou com humor para experimentar.
E borracha?
A borracha é molecularmente mais pegajosa que o papel, atraindo as moléculas de grafite., mas também é frágil e vai se desmanchando a medida em que é usada.
Borracha foi inventada bem depois do lápis. Antigamente usavam pão seco para apagar os erros (alguns artistas ainda usam essa técnica, pelo que me disseram) mas depois da descoberta da Seringueira, a seiva da planta substituiu a farinha de trigo assada como método favorito de limpar páginas borradas.
Depois, Charles Goodyear (o do pneu) inventou a vulcanização (processo que esquenta a borracha acima de uma certa temperatura, deixando-a mais resistente, similar ao que ocorre com vidro blindex e aço temperado) e melhorou a resistência das borrachas, que ainda eram muito moles e quebradiças
E é por isso que eu só escrevo de caneta…

Quero ver Cuba balançar!

Tremei!
Houve um terremoto em São Paulo de 5,2 graus na escala Richter.
Mas o que isso significa?
Rapidamente, Charles Richter foi um sismólogo (que estuda tremores de terra) que em 1935 desenvolveu uma escala para medir terremotos (já existem escalas melhores, como a Escala Sismológica de Magnitude de Momento, a Escala Modificada de Intensidade de Mercalii, a Escala de Intensidade Sísmica da Agência Meteorológica Japonesa, mas “Ritcher” é mais legal de falar), onde o ponto zero era o menor tremor que os equipamentos dele conseguiam medir (equipamentos mais sensíveis hoje em dia possibilitam resultados negativos na escala) e a intensidade era medida numa escala logarítmica (um terremoto nível 5 é dez vezes mais forte que um nível 4, que é dez vezes mais forte que um nível 3 e assim por diante).
O número em si só é importante para físicos de sismos e para pessoas que tenham acesso a uma tabela como esta:
sismos
Meu professor de matemática do 2º ano tentou enfiar na minha cabeça dura o que era logaritmo, dizendo que servia para medir terremotos. Uau.
Talvez se ele tivesse dito que é útil também para medir intensidade sonora (decibéis), eu teria prestado mais atenção e não teria demorado tantos anos e duas faculdades para entender.
O nome dele é Severo e ele tem a língua presa.
O Brasil não treme mais porque fica mesmo no meio duma placa tectônica (os pedações de terra que formam os continentes e os leitos dos oceanos) e as extremidades, que ficam se roçando (a terra treme por causa dessa fricção entre placas), são os locais onde os chacoalhos são mais intensos.
MAS
Esse sismo foi a evidência  que destruiu a teoria de que o Brasil não se mexe(a mais recente, pelo menos, mas será logo esquecida como o abalo do Mato Grosso em 1955).
Quem mora em Natal, e tem mais de vinte e cinco anos, sabe que o chão vibra vez por outra. Quem mora em João Câmara então, tem certeza!
O atrito que causa os tremores também pode surgir em fissuras dentro das placas, e existe uma rachadura dessas bem abaixo dos meus pés. Mais ou menos. Mais perto dos meus pés que a Tasmânia, pelo menos.
Fizeram até um mapinha mostrando as áreas mais suscetíveis (quanto mais vermelho, mais provável).
Nosso problema real é a falta de equipamentos sismológicos. É como um cego dizer que não existe luz. Ou um usuário de Mac dizer que não tem vírus em seu computador (o que não existe é antivírus para Macintosh).
A ausência de provas não é a prova de ausência.
Para encerrar o artigo de hoje, uma frase do geólogo Joaquim Mendes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, dita durante entrevista com a revista Época: “Se houver um prédio perto do epicentro, as conseqüências podem ser imprevisíveis”.
Ou, mais explicitamente: se por algum acaso ou de alguma forma existir uma edificação a uma certa distância não muito bem estabelecida do local arbitrariamente definido como sendo o centro do movimento, existe a possibilidade, não muito grande nem muito forte, de o resultado final do acontecimento ser algo completamente aleatório, vago e inesperado.

18 anos de voyeurismo

Sem ter sobre o que escrever hoje, mas tentando manter a média de um artigo por dia (desde o dia 14, pelo menos), fui pesquisar (lembra quando a internet era para isso?) e descobri que hoje o Telescópio Espacial Hubble está se tornando um hominho.
Lançado em 24 de abril de 1990, o Hubble completa hoje dezoito anos (já pode ser preso!) de serviços prestados à humanidade.
O começo do projeto foi muito atabalhoado e acabou com muita coisa dando errado (o espelho do telescópio, por exemplo, tinha uma imperfeição mínima, mas que inviabilizaria a experiência; outro problema foi a falta de dinheiro depois que a Challenger explodiu), o que atrasou o lançamento em sete anos.
Uma das coisas que o Hubble ajudou a descobrir foi a taxa de expansão do universo (excitante, eu sei), além de ter tirado fotos ESPETACULARES e ter incentivado milhares de jovens a seguir carreira em astrofísica (será que todo mundo está tão animado quanto eu?).
=>ATENÇÃO<=
Interrompo este artigo para parabenizar a Defesa Civil de Natal. Ontem (eu escrevo isso de véspera) foi o dia da chuva mais bruta em MUITO tempo (cada gota era pelo menos do tamanho dum punho e caia com a força dum bufete) nesta cidade.
Não que esta cidade (arrodeada pelo mar, cortada por um rio que desemboca no mesmo mar e construída em cima duma duna de areia extremamente porosa e absorvente) precise de muita chuva para alagar (a música é do Kid Morangueira sobre a Rio de Janeiro, mas serve para cá também, é só mudar o nome dos bairros).
Só no meu caminho do trabalho pra casa caíram CINCO muros (talvez isso diga mais da qualidade dos muros do que da força da precipitação, mas pela potência da bicha, eu aposto na chuva) e vários pedaços de ruas. Esses buracos mais perigosos, do tipo que cai carro dentro, estavam todos protegidos por veículos e agentes da Defesa Civil, e os menos mortais estavam sinalizados com cavaletes, e não com o tradicional pau de pé-de-pau (um dia desses perto da minha casa tinha um que foi crescendo em quantidade de adornos e acabou como um espantalho, com camisa, chapéu e óculos).
Agora vou esperar a chuva parar para ver se a prefeitura está no mesmo pique e ajeita logo a buraqueira.
Retorno agora à programação normal.
=>Obrigado pela atenção.<=
Esta foto é meio grande, mas vale a pena cada segundo esperado. Cada ponto de luz é uma galáxia (notem as espirais). Não um planeta, não uma estrela, não uma constelação, mas uma GALÁXIA! Com bilhões de estrelas em cada! Veja uma escala aqui.
“O universo é grande. Grande, mesmo. Não dá pra acreditar o quanto ele é desmesurada, inconcebível, estonteantemente enorme. Você pode achar que da sua casa até a farmácia é longe, mas isso é café pequeno pro Universo.”
-Guia do Mochileiro das Galáxias-
Essa é a Nebulosa da Águia, um agrupamento de estrelas e poeira na constelação da Serpente, e talvez a foto mais famosa tirada pelo telescópio.
Tudo o que o Telescópio Espacial Hubble faz e toda a informação acumulada por ele está disponível ao público (incluindo as fotos, que são não forem as fotos mais bonitas já batidas, eu sei mais de nada). Até o tempo de utilização dele é gratuito e aberto a qualquer pessoa. Só é preciso entrar na fila…
E por que mandar um telescópio pro espaço? Tem lugar aqui não? Né mais fácil aqui não?
Lugar tem e é mais fácil sem dúvida, mas aqui tem atmosfera, que faz as estrelas piscarem e dificulta medidas muito precisas. E existe também o grande problema de um telescópio fincado na terra só apontar prum lado o tempo todo. Os no hemisfério sul nunca veriam a Estrela do Norte, assim como os do outro lado nunca observariam o Cruzeiro do Sul (esses nomes não foram colocados na doida). Um observador solto no espaço pode olhar para todos os lados, apontar para todas as estrelas, bastando, para isso, ser mandado.
Hubble já gastou muito dinheiro (não o nosso, não diretamente pelo menos) e já passou por muito problemas, mas também nos ensinou muito sobre nossa História e nos instigou a buscar mais respostas.
Se isso não tiver valido a pena, novamente, eu sei mais de nada.
HST
Parabéns, cabra!

Quem gosta de placebo é Bárbara…

O mesmo amigo que ontem me perguntou sobre a montanha invisível me perguntou também: se é sabido que placebo sempre tem efeito positivo, por que os médicos não desenvolvem uma droga que tenha o mesmo efeito, mas sem a enganação?
A resposta: isso que você disse está 100% errado.
Placebos não têm efeitos positivos sempre. Aliás, raramente têm.
Médico não desenvolve droga, quem faz isso são os químicos, bioquímicos e farmacêuticos do mundo.
Os médicos não administram pílulas de açúcar dizendo que são remédios para dor de coluna (quem faz isso são os homeopatas, que são uma ameaça à saúde pública prometendo cura com mágica e não merecem ser chamados de médicos mas de corja). Os placebos são utilizados em grandes testes da indústria farmacêutica antes de uma droga passar a ser vendida ao público e em pesquisas médicas, mas nunca sozinhos. Seria o mesmo que beber um copo cheio de gelo, já que tem o mesmo efeito refrescante de um suco.A melhor maneira de explicar isso é com um exemplo:
Uma droga X está sendo desenvolvida para combater frieira de axila e foram obtidos resultados positivos em ratos, ovelhas, porcos e outros mamíferos e menos importantes que, caso algo dê errado, podem virar uma salsicha ou um hambúrguer do McDonald’s (por favor, isso é uma piada! Grandes cadeias de restaurantes não compram carne de animais de laboratório nem usam carne de minhoca, isso é coisa de teóricos conspiratórios que não têm o que fazer da vida! Inúteis…).
A próxima etapa do processo é o teste em humanos voluntários.
Um grupo de 100 pessoas é escolhido e separado em dois grupos de 50 indivíduos (alguns testes dividem os participantes em mais grupos para concentrações diferentes dos ingredientes ativos).
O primeiro grupo receberá a dose recomendada do remédio, o segundo receberá o placebo, mas ninguém sabe o que está tomando (se for um comprimido, o placebo será um comprimido idêntico ao real, mas sem nenhum ingrediente ativo. Se for injetável, será uma solução salina inerte).
No final do tratamento, todos os sintomas, quadro clínico inicial e final, reclamações dos pacientes e efeitos colaterais que foram devidamente anotados durante o teste serão comparados.
É neste momento que os placebos são importantes.
Se todos (ou uma porcentagem significativa) tiveram dor de cabeça, a cefaléia foi um efeito colateral psicológico.
Se só os do grupo do fármaco tiveram (ou sentiram em números mais significativos que os participantes do outro grupo), foi um efeito colateral causado pela medicação.
Se só os do grupo do placebo reclamaram disso (ou reclamaram mais que os do outro grupo), a medicação pode até ajudar a aliviar dores. O que também constitui um efeito colateral, mas um benéfico.
A administração do placebo atua como um controle, ajudando a identificar e separar os efeitos causados pela droga dos efeitos causados no organismo pelo cérebro, achando que está sendo remediado.
Finalmente, “placebo” é a 1ª pessoa do singular do futuro indicativo do verbo “placere”, latim para “agradar”, e não o imperativo afirmativo do verbo “medicor”, latim para “curar”. É só uma sopinha e um empurrão na rede, não um Tandrilax.
Ah! Bárbara é uma conhecida minha que gosta duma banda inglesa chamada Placebo.
Tadinha…
P.S. Mais sobre o engodo, sacanagem e crime que é a homeopatia futuramente. Aguardem.

Tecão Gasolina

Hoje é o Dia Mundial da Terra (4,5 bilhões de anos, mas com um corpinho de 3).
Essa biloca azul manchada de branco, verde e ocre é tudo o que conhecemos. Tanto que nos adaptamos a este mundo e teríamos dificuldade em viver num muito diferente.
Um amigo meu me perguntou ontem se poderia existir uma montanha de uma cor que nós não vemos. Pode, mas não aqui (existem galáxias inteiras feitas de um negócio chamado “matéria escura” que está lá, tem massa, densidade, interage com outras coisas mas não é visível para nós). Se fosse aqui, nós teríamos desenvolvido a capacidade de enxergar tal coisa. É assim que evolução funciona, ademais o material da feitura do planeta é bem homogêneo.
Hoje é também o qüingentésimo oitavo aniversário do “descobrimento” do Brasil (mais sobre o Brasil no artigo de sexta-feira próxima). “Descobrimento” assim entre aspas porque nós, adultos, sabemos que não foi tão preto-e-branco assim.
E isso é uma das coisas mais erradas deste mundo; a enganação deliberada das crianças.
Tomar café e abrir a geladeira aleija.
Comer e tomar banho em seguida mata.
Tomar banho em água corrente num certo dia do ano entreva.
Roer unha dilacera o estômago.
Brincar com fogo faz molhar a cama.
No dia em que eu andei descalço na calçada quente e não fiquei gripado, vi que era mentira e assumi instantaneamente que todos os outros avisos também eram. Inclusive o de fogo queimar, tomada dar choque e subir em árvore na chuva aumentar o risco de queda.
Foi uma semana bem dolorida.
Crianças falam daquele jeito porque ainda não desenvolveram a coordenação motora fina necessária para a fala fluente e não por serem idiotas.
Crianças são muito inteligentes, eu que o diga.
Elas merecem saber que nosso país foi usucapiado, que abrir a geladeira vai no máximo esfriar o café, que tomar banho depois de comer só não é melhor que dormir seguindo a refeição, que tomar banho de mar em qualquer dia do ano é uma das melhores coisas praticáveis à luz do dia, que roer unha é ruim para as unhas e não para o estômago e que brincar com fogo é PERIGOSO (colchão mijado é só botar no sol, ala sul da casa carbonizada é um problema mais sério).
Ensinem que dedos decepados não crescem mais, que eletricidade machuca, que vem carro dos dois lados e que água não se respira. Pronto. Deixem o resto para elas testarem por si mesmas (sob supervisão de um adulto responsável, obviamente).
Um adulto que acredita em Papai Noel, acredita que cortar cabelo dia 16 dá azar e que tem certeza que desenhar um sol na areia faz parar de chover não é um bom inquilino para o nosso pedaço de chão verde e marrom nem para a nossa biloquinha de hidrogênio.

Como nós sabemos que cachorros vêem em preto e branco?

Um amigo meu me perguntou isso várias vezes e nunca esperou para ouvir a resposta, ficava tão indignado com a impossibilidade da certeza da informação que ia logo embora jogar bola, resmungando “quem foi que disse?”.
Antes de mais nada (fora o que eu já disse aí em cima), os cachorros são animais noturnos por natureza. Eles só foram domesticados por nós há mais ou menos quinze mil anos e ainda não deu tempo deles evoluirem o aparato visual para visão diurna.
No escuro não dá para ver cores (tente escolher uma camisa pela cor a noite sem acender uma luz), então é mais vantagem desenvolver mais os sentidos que não dependem de luz, como olfato e audição.Na parte dos olhos dos mamíferos que capta luz, existem dois tipos de células que fazem isso; cones e bastonetes.
Os cones são responsáveis por captar cores e pela visão detalhada (visão direta) enquanto os bastonetes existem para detectar movimento (visão periférica) e para visão noturna.
Nós temos três tipos de cones nos nossos olhos, mas os cachorros só possuem cones azuis e verdes. Eles não enxergam vermelho e muito pouco verde (que misturado com azul fica amarelo).
espectro
O espaço que sobra na retina canina é compensado com muito mais bastonetes, fazendo-os se adaptar melhor a condições de pouca luz. Os cachorros percebem movimento bem melhor que nós e o mundo deles também é bem mais claro por causa dessa quantidade extra de células receptoras de luz e movimento.
Mas ao mesmo tempo o mundo deles é menos colorido e mais borrado, pela falta de células captadoras de cor e de traços finos.
A evolução fez os cães assim e a ciência médica e veterinária descobriram o resto.
Não é que alguém tenha chegado prum cachorro e dito “Ei, de que cor é essa maçã?” e riu depois que ele respondeu “Preta!” e ficou abanando o rabo com a língua para fora por ter interagido com uma pessoa.
Não é assim que Ciência funciona…
Finalmente, os cachorros não enxergam em preto e branco, eles só não vêem a cor vermelha nem os detalhes das coisas, então nem adianta mostrar aquela escultura em argila bem trabalhada de Chico Barreiro que eles não vão saber apreciá-la.
Acho que é isso mesmo.
p.s. hoje em dia aquele meu amigo tá careca.

De dia é azul, de noite é piscando.

O ar que forma a atmosfera em cima das nossas cabeças, apesar de parecer, não é totalmente transparente, é meio fosco e tem uma certa densidade que também não é constante.
– E eu com isso?
É por isso que as estrelas piscam.
Imagine um carro com os faróis acesos e uma fogueira acesa entre o carro e você.
Quanto mais fumaça tiver, menor será a quantidade de luz dos faróis alcançando seus olhos, e vice-versa. Mas, a quantidade de fumaça nunca é constante. As vezes tem mais, as vezes tem menos, dependendo do calor da fogueira, do vento, do pedaço que tá queimando, da posição do pedaço dentro da fogueira, da orientação do pedaço, da umidade do ar, etc.
Ar é uma fumaça café-com-leite em termos de opacidade. Ar é formado de gases, que são fluidos, assim como líquidos são fluidos.
Se uma pia estiver cheia de água, dá para ver o ralo. Se uma piscina estiver cheia d’água, dá mais ou menos para ver o fundo. Quanto mais água, menos luz passa. A mesma coisa vale pro ar, quanto mais ar, menos luz atravessa.
Quando existe mais ar entre nós e as estrelas, elas ficam menos brilhantes, quando tem menos ar, ficam mais. Como a quantidade e a densidade do ar está sempre mudando, como a fumaça da fogueira, por causa do vento, temperatura, correntes de convecção, etc., as estrelas piscam.
O poeta Zé da Luz, quando em puxinanã, explicou muito bem esse fenômeno:
Os ói dela paricía
Duas istrêla tremeno
Se apagano e se acendeno
Em noite de ventania
Esse mesmo ar que fica esculhambando o samba de noite, deixa o céu azul de dia.
Minha professora da primeira série disse que “o céu é azul porque o céu reflete a cor do oceano”.
E por que fica vermelho de tardezinha? Ela não soube responder e me deu umas contas preu fazer e ficar quieto. Eu gosto de fazer conta.
Não existe um motivo só para o céu ser azul, mas vários.
Um deles é que o ar, como dito acima, não é transparente, e absorve um pouco as ondas eletromagnéticas de frequência mais curta (qualquer dia desses eu publico uma entrada sobre ondas. É mó legal!) como o vermelho e o laranja e espalha mais facilmente as ondas mais longas, como o azul e o violeta.
O céu não é violeta para os nossos olhos porque, apesar da absorção pelo ar ser menor que a da cor azul, nós temos cones receptores de cor nas nossas retinas que respondem melhor ao vermelho, azul e verde. O seu televisor funciona do mesmo jeito, criando todas as cores de todos os vestidos das madames das novelas usando só três luzezinhas (plural diminutivo de ‘luz’. O de ‘bar’ é ‘baresinhos’) nessas mesmas cores.
Como as ondas mais curtas já estão melhor espalhadas pelo ar, essas células dentros dos nossos olhos captam as cores da seguinte maneira: os cones vermelhos respondem à pouca luz vermelha que está na atmosfera mas também responde, mais fracamente, ao amarelo e laranja. Os cones verdes respondem também ao amarelo, mas mais fortemente ao verde e verde-azulado que estão mais espalhados. Os cones azuis respondem às cores que estão mais bem espalhadas; azul, anil e violeta. Se não houvesse anil nem violeta, o céu seria azul esverdeado. O resultado disso é que os cones vermelhos e verdes são estimulados mais ou menos na mesma quantidade, mas os cones azuis recebem muito mais informação que ambos ou outros.
Não é coincidência que para ver o azul-celeste como uma cor pura.
O fato de o azul do céu limpo ser do mesmo tom que excita dos nossos receptores não é coincidência. Nós evoluimos para nos adaptarmos melhor ao ambiente e conseguir diferenciar cores naturais facilmente é uma grande vantagem.
E por quê então o pôr-do-sol é vermelho? Tó, vá fazendo aí:
(3² x 4)³ – {(10² + 2) x [7³ x (19 x 6)]}
Quando o sol está perto do horizonte, ele fica uma nesguinha de nada mais longe da gente do quando está acima.
Apesar do ar absorver a parte carmim da luz e espalhar a parte azulada melhor, o encarnado tem mais força e consegue ir mais longe.
Quando o sol está mais longe, puxa fica mais pro escarlate porque essa cor tem mais energia e viaja mais.
Se o ar estiver limpo, o céu fica amarelado. Se estiver muito sujo com partículas poluentes, fica mais vermelho. Em alto-mar, o pôr-do-sol é mais alaranjado, por causa da refração da luz nas partículas suspensas de sal (maresia). Essas mudanças são por causa de um fenômeno chamado Efeito Tyndall.
E eu descobri agora, enquanto pesquisava para isto aqui, que o ângulo também influencia, espalhando melhor a luz e deixando a mistura mais homogênea.
Uma experiência que eu gostava de fazer quando era criança (onde é fácil de perceber o efeito Tyndall) era colocar um copo de coca contra a luz. Fica bem vermelhinho.
Outra maneira de perceber essa filtragem é quando estamos de óculos escuros (os polarizados funcionam melhor) e os cintos de segurança dos carros, que normalmente são pretos, passam a ser enxergados em grená.
Ah, a conta dá 42…

A Dieta Secreta¹ dos Antigos Incas²!

¹ pode ser substituída por “revolucionária”, “da última moda”, “incrível”, “tiro-certo”, “extra-terrestre”, etc.
² pode ser substituída por “antigos povos orientais”, “venusianos”, “cientistas”, “modelos”, etc.
Uma tendência X aparece em meio à aleatoriedade do mundo.
Um grupo de pessoas que começam a parecer umas com as outras mais e mais e, quanto mais se assemelham, mais querem se semelhar, pois são todos animais sociais e essa semelhança exterior intensifica os vínculos que os une, os tornando mais próximos e fazendo-os querer ser ainda mais indistintos.
Por alguma razão, esse comportamento, ao mesmo tempo bizarro e banal, chama a atenção de veículos de comunicação de massa, que começam a difundir maciçamente e endossar aquele comportamento, fazendo com que os outros seres sociais da mesma espécie vejam aquilo e achem que sendo daquele jeito é que eles vão pertencer e se enquadrar ao tal grupo que, estando sendo tão bem notado pelos meios comunicativos, são de uma importância superior e devem ter seu exemplo seguido para que todos, no final, formem uma grande comunidade de seres indistinguíveis para que todos possam viver felizes para sempre.
Ou pelo menos até que a voga expire e um próximo grupo passe a ser mais interessante.
Uma amiga minha quer, apesar de não precisar, fazer dieta e perder dez quilos.
Quem precisa perder dez quilos é zebra parindo (a selva é um lugar perigoso para um animal cuja única defesa é se parecer com um terno de mafioso).
Se fosse um homem, eu diria que é falta de pêia. Mas como é uma mulher, eu acho que é falta de elogio. As pessoas mais próximas dela devem ter se acostumado com a beleza da criatura, cuja formosura merece ser enfatizada, e talvez já há algum tempo ela se sinta estranha aos seus companheiros. Não é realmente culpa de ninguém, da mesma forma como nos acostumamos com o cheiro de um perfume que usamos constantemente, também nos acostumamos com as feições que vemos sempre.
Mas isso, de forma alguma, significa que a pessoa passou a ser menos bela, analogamente como o perfume não perdeu sua volatilidade.
Outro problema é que ninguém quer emagrecer, todos querer ser emagrecidos.
Quanto mais passivo o regime, melhor. Vide a infinita prosperidade de dietas com suco de clorofila, acupuntura, dos astros (corpos massivos feitos de gás incandescente com grande gravidade e emitindo radiação constante, não “celebridades”, apesar de existir uma dieta desse tipo também), do tipo sangüíneo (esta devendo ser notada como particularmente ridícula, mais ainda que a com acupuntura), remédios para emagrecer (geralmente diuréticos, que só emagrecem a bexiga e, mesmo assim, só até quinze minutos após a sede ser novamente aplacada), suco de tamarindo (cujo efeito talvez seja deixar um gosto tão horrivelmente péssimo na boca que impossibilite a deglutição de qualquer coisa por um longo tempo), e etc.
Não existe segredo para perder peso, é só uma questão matemática. Mas mais simples ainda, uma conta de diminuir. Gaste mais energia do que consome.
Se imagine num deserto ou numa duna ou qualquer lugar onde haja muita areia fina. Você tem uma pá, uma faca e um saco (daqueles grossos que hippies usam para fazer calças e dizer que é de “cânhamo”) com areia até a metade. Com a pá você pode encher mais o saco com areia, com a faca você pode rasgar um buraco no fundo do saco para deixar a areia escorrer. Se você começar loucamente a socar areia dentro desse saco, esse saco vai começar a encher e a inchar e ficará, finalmente, totalmente cheio. Se você rasgar um buraco no fundo do saco e não colocar mais areia para dentro, o saco vai acabar o dia sem nada dentro, independentemente de quanta areia havia dentro. Se você colocar areia num saco rasgado, a areia que este entrando pela boca vai sair pelo buraco. Se você colocar areia rápido demais, a vazão não será suficiente e o saco vai encher, apenas levando mais tempo. Se você colocar areia devagar demais, o saco vai secar pois vaza mais areia que está sendo colocada para dentro. O ideal é deixar o saco num nível constante, balanceando a areia que entra, via interação pá-boca, com a areia que sai pelo buraco rasgado a faca. Óbvio, né não?
O saco é você, a areia é energia.
Se você só faz comer e dormir, vai acumular muita energia pois não está gastando tanto quanto consome.
Se você não come o suficiente para manter a sua atividade diária, vai acabar se parecendo com uma pipa, pois vai gastar mais energia do que consome e vai faltar um dia.
O ideal para quem se acha mais pesado do que deveria é comer um pouco menos e aumentar a carga de atividades. Nem que comece com uma volta ao redor do quarteirão.
Passar fome não resolve porque quando com fome, o corpo diminui o metabolismo para não consumir o que não tem. As reservas de gordura são para casos especiais e não serão queimadas por besteira. Alternativamente, assim que comida é introduzida, o organismo aumenta o metabolismo, para o alimento ser transformado em energia o quanto antes, possibilitando ao sujeito correr de predadores sem ficar empachado (evolução é um negócio lento, vide 1.000.000.000).
Portanto, a melhor tática para enganar o cérebro e “trabalhar o sistema contra ele mesmo” é comer pouquinho, várias vezes ao dia. Basta o mantimento excitar a aceleração metabólica para a queima de estoque começar, afinal, “vem mais comida por aí”, diz o cérebro. Espere um pedaço e a fome volta. A fome é o sinal de que seu metabolismo está diminuindo, assim como a luz vermelha na porta dum estúdio é sinal de que uma gravação está em andamento. Quando sentir o sinal, não deixe seu corpo diminuir o ritmo, coma de novo, mas pouquinho.
Mas quando a luz do estúdio acender, deixe a gravação ser feita. Esse meu exemplo não foi dos melhores…
Fome desanima e entristece. Exercício entusiasma e revigora.
Quando você se exercita depois de certo ponto, o hipotálamo libera uma cadeia de aminoácidos, conjuntamente denominados Endorfina, que é “produzida em resposta à atividade física, visando relaxar e dar prazer, despertando uma sensação de euforia e bem estar” .
Da primeira vez vai ser chato, ultra mega chato. Fazer exercício é a pior coisa do mundo. Mas uma volta no quarteirão nem é tão ruim. Comece devagar.
Quanto mais um se exercita, maior é a sensação de contentamento e dever cumprido.
Em um mês, o exercício passa a ser almejado e sentimos falta quando deixamos de faze-lo por um dia.
Porém, isso é uma dieta ATIVA.
Aff, só de pensar em ter que comer frutas, verduras, carnes, pães, queijos, bolos, omeletes, num-sei-quantas vezes por dia, sair pra ir andar, correr, nadar, pedalar, levantar peso, dançar, flexionar, lutar, pular, brincar com cachorro, passear com cachorro, subir pela escada, descer pela escada, deixar o carro em casa uma vez por semana e andar até a parada, pegar o ônibus na próxima parada, descer do ônibus uma parada depois, jogar bola, tomar banho na parte funda da piscina, já deu um cansaço…
Vou deitar.
P.S. Menina, você é muito linda, deixe de besteira!

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