Colet√Ęnea compilada

Eu lembro de ter prometido cinco textos para “semana que vem”. Sorte minha n√£o ter especificado quando ela viria.

Mas chegou. E para comemorar, vou jogar um artigo extra no final somente para vocês, minha audiência favorita.

Tentem descobrir onde est√° o b√īnus!

Leiam sobre a constatação irrefutável do dia em que me tornei velho: O pouco que sobra é branco;

Em seguida, uma relevante d√ļvida gramatico-evolutiva: Evolu√ß√£o;

Na sequência, a dificuldade da escolha representada por um quadrado de farinha cozida: Cream cracker;

Continuando, a famosa noite em que duas das maiores bandas de todos os tempos se apresentaram na minha cidade: Beatles e Pink Floyd far√£o um show juntos em Natal!;

Seguindo em frente, um causo que abre as portas e revela segredos do templo hidr√°ulico masculino: Hipnose telef√īnica;

Desenvolvendo o assunto, o fim dos tempos está próximo. E todos poderão assistí-lo pela Internet: Mundo devasso;

E, finalmente, movido por um dia particularmente doloroso, este autor de não-ficção cria publica seu primeiro um de seus contos: Politicamente correto.

Eu notei da √ļltima vez que o primeiro link foi clicado 23% mais que os outros. Lembrem-se: eu recomendo a leitura de um por dia. Tentar ler todos ao mesmo tempo causa pregui√ßa irremedi√°vel.

Divirtam-se.

Chau. Vou passear no lado negro e n√£o sei se volto.

Eis que estava eu a pensar se ainda valia a pena permanecer por aqui quando tive uma burrifania que me fez resolver descer do p√ļlpito erigido sobre a plataforma elevada acima da passagem de n√≠vel onde repousa o p√≥dio sobre o qual se encontra a base do meu pedestal de marfim e ouro e pensar mais a respeito dos motivos alheios para coisas al√©m da minha compreens√£o.

Foi ent√£o que senti o gostinho do lado negro.

Percebam:

Gêmeos univitelinos são geneticamente idênticos; dois organismos derivados de um mesmo encontro gamético fruto do amor entre duas pessoas. Ou estupro.

Por que então cada uma dessas pessoas tem uma personalidade diferente? Do par, um é geralmente mais calmo e passivo enquanto o outro é mais agitado e controlador.

Desde a concepção, tudo no desenvolvimento dessas duas pessoas é exatamente igual.

Exceto duas coisas: posicionamento intrauterino e o momento do nascimento.

Considerando que nosso primeiro lar √© o ventre de nossas m√£es (cada um na sua, sen√£o d√° confus√£o) e que este, do nosso ponto de vista fetal, √© im√≥vel, podemos estender a met√°fora e tratar o ber√ßo prim√°rio da nossa cria√ß√£o como uma casa, pois apesar desta tamb√©m estar em constante movimento relativo a milh√Ķes de outras coisas no Universo, est√° absolutamente imp√°vida em rela√ß√£o ao que realmente nos importa: nosso CEP.

Uma das in√ļmeras “tradi√ß√Ķes milenares” (h√° controv√©rsias aqui quanto √† longevidade da t√©cnica adiante nominada) que conseguiu sobreviver √†s press√Ķes seletivas socio-temporais foi o Feng Shui, que nos ensina que devemos tratar nossa habita√ß√£o como a caverna de um drag√£o, e que para finalmente conseguirmos viver confortavelmente devemos pensar em como o supracitado m√≠tico r√©ptil alado se sentiria ao passear distraidamente por nossos quartos e banheiros.

A organização estética dos aposentos agradaria, segundo tal filosofia, não só aos olhos como também à alma, nos fazendo viver melhor.

Um irm√£o que tenha passado a maior parte do seu citomerismo embrion√°rio num n√≥dulo indetect√°vel de energias domiciliarmente negativas gerado pela proximidade maior do f√≠gado (o √≥rg√£o filtrador de tudo que h√° de ruim no corpo da progenitora, quem sabe at√© incluindo as tais “energias” de efeito cumulativo e n√£o-metaboliz√°vel) vai crescer psiquicamente mais retra√≠do e t√≠mido, com medo do mundo onde foi gerado.

A não ser que seja mais descontraído e relaxado, num corajoso gesto de desafio contra seu desenvolvimento oprimido.

Bom, de toda forma essa disposição relativa não é algo testável ou previsível. Mas existe, não existe?
E essa exist√™ncia n√£o √© tautol√≥gica e ontologicamente prova de sua pr√≥pria exist√™ncia? Eu me pergunto…

Agora, deixando as coordenadas histéricas de lado, vamos ao parto:

Por mais que o intervalo de tempo entre o nascimento de um e de outro dos gêmeos seja pequeno, jamais será igual a zero. O exponencial avanço tecnológico dos nossos aparelhos de mensuração temporal prova isso com mais e mais precisão a cada dia (ou attossegundo).

Logo, isso abre caminho para uma hip√≥tese (ou teoria, como queiram, pois a prostitui√ß√£o do vocabul√°rio pelos cafet√Ķes ideol√≥gicos n√£o conhece limites) que responsabilize o hor√°rio do acontecimento natal√≠cio como definidor do car√°ter pessoal.

E qual melhor marcador de tempo que o homem pré-medieval conhecia senão os astros?

Da√≠, um pequeno salto intelectual torna perfeitamente cromulente e aceit√°vel a suposi√ß√£o da cria√ß√£o de uma rela√ß√£o causal entre a posi√ß√£o de pontos de luz na ab√≥boda celeste e os maneirismos de um indiv√≠duo qualquer em situa√ß√Ķes sociais. A Astrologia deve estar certa, eu concluo.

Isto é, desde que a facção escolhida seja a adequada.

Por que n√£o? √Č t√£o bom quanto qualquer outro sistema, haja visto que n√£o sabemos ainda o que define “personalidade”.

Por que n√£o, ent√£o, usar o momento em que nascemos como padr√£o?

Para aceitar esse ato de f√© nem precisamos definir “nascimento” tamb√©m, especialmente considerando o qu√£o complicado isso seria. Qual parte da crian√ßa precisa transpor o umbral materno para que ela possa ser considerada nascida de fato?

Vamos manter a impossibilidade de atos simult√Ęneos para corpos diferentes enquanto consideramos dogmaticamente um rec√©m-nascido como um ponto adimensional. Acreditar √© bem mais f√°cil.

E já que estamos nessa, vamos abraçar também tudo que eu venho combatendo há tanto tempo.
(Tempo esse que foi completamente estruído, deixo aqui registrado.)

Como explicar inteligentemente o efeito placebo que ocorre n√£o s√≥ em humanos adultos como tamb√©m em beb√™s e cavalos sem poder cognitivo de enganarem a si mesmos? Por que n√£o chamar isso de “homeopatia”?

Talvez os praticantes de Reiki n√£o gostem muito, contudo poder√≠amos usar tamb√©m “alinhamento de energias”, “manipula√ß√£o de meridianos”, “efeitos qu√Ęnticos macrosc√≥picos” dentre v√°rias outras denomina√ß√Ķes, pois foi justamente para isso que Deus inventou a classe gramatical dos sin√īnimos. Vamos todos dar as m√£os e us√°-los.

Quem sabe esse toque não seja também terapêutico e milagroso?

√Č t√£o mais f√°cil assim. Aceitar. Simplesmente aceitar.

Explica√ß√Ķes s√£o t√£o demoradas e complexas. F√© √© sempre o melhor caminho.

Ou pelo menos o de menor resist√™ncia para nossos el√©trons mentais. Uma esp√©cie de “aterramento intelectual”.

Qual razão teríamos para complicar o mundo quando ele tem dado certo até agora?

Por mais argumentum a posteriori que tenham sido os √ļltimos dez mil anos, o fato irrefut√°vel de n√≥s estarmos aqui, eu escrevendo e voc√™ lendo, prova que o mundo funciona.

Método científico? Pensamento crítico? Racionalidade? Ceticismo? Às favas com todos eles.

Se Ugh, nosso ancestral testudo, tivesse parado para raciocinar, medir e tentar entender o comportamento do felino dentu√ßo que o perseguia √† toda velocidade, n√£o estar√≠amos aqui, repassando √† frente, para a pr√≥xima gera√ß√£o, nossos medos originais de f√°brica e j√° pr√©-instalados nem for√ßando as pobrezinhas das nossas crian√ßas a tomar decis√Ķes que afetar√£o suas vidas enquanto eles n√£o t√™m capacidade sequer de entender o que significa “futuro”.

√Č imposs√≠vel ensinar algu√©m a pensar.

Aliás, até agora tem sido impossível entender como alguém pensa, já que ainda não inventaram um medidor de ideias.

Então, se pode existir um pensamento inexplicável em mentes separadas, como provar que telepatia também não existe e que é apenas um pensamento compartilhado pelo Sub-Etha através de um processo sensormático?

Quem me garante com 100% de certeza que Medicina e Farmacologia funcionam e que Biologia, Física e Química estão 100% corretas o tempo todo?

Homeopatas, padres, acupunturistas, rabdomantes, hippies, vendedores de cristais e √°gua ozonizada, terapeutas do esparadrapo, cartomantes, videntes, usu√°rios de Mac, veganos, cromoterapeutas e demais crentes t√™m absoluta confian√ßa em seus tratamentos/estilos de vida e me garantem sem qualquer margem de erro que est√£o completa e irremediavelmente corretos em suas asser√ß√Ķes e escolhas de seus objetos de adora√ß√£o vener√°vel.

Qual dos dois parece mais tentador? A incerteza hesitante ou a certeza categórica?

Devo admitir; depois que os olhos se adaptam ao obscurantismo e o nariz se acostuma com o cheiro da decadência, o lado negro não parece tão ruim.

Até a volta.

Se houver uma.

P.S. Todavia, como ainda n√£o tenho um tumor intrat√°vel no meu lobo parietal nem sofri lobotomia frontal total, sei que Autohemoterapia n√£o funciona.

Nem no Mundo M√°gico da Loucura Absoluta a AHT funcionaria.

Limites existem até para os delírios mais insanos.

A polêmica do Butantan

N√£o podemos ver deste √Ęngulo, mas o tan-tan chora silenciosamente...

Adeus, dignidade…

Resenha: Guia Mang√° de Biologia Molecular

Nunca li mangá na vida. Acho que essa é a melhor maneira de começar esta resenha.

N√£o posso dizer que estava preparado para a fren√©tica varia√ß√£o emocional err√°tica das personagens que conseguem, em uma p√°gina, passar por toda a gama de emo√ß√Ķes que uma pessoa pode exprimir e mais algumas que s√≥ existem em desenho, mas acho que a juventude de hoje em dia entenda melhor que eu, manow. (Usei a g√≠ria adequada?)

Passado o choque inicial, comecei a me divertir com a est√≥ria, que √© de f√°cil imers√£o e abstra√ß√£o e o balan√ßo entre fic√ß√£o e conte√ļdo te√≥rico √© t√£o bem feito que minha suspens√£o de descren√ßa ficou intacta praticamente o tempo todo.
E quando a informa√ß√£o fica dif√≠cil demais, o guia, um dos personagens da est√≥ria, liga o “modo f√°cil” que realmente ajuda na flu√™ncia.

O volume, apesar das quase duzentas e vinte páginas, pode ser facilmente lido em uma tarde, mas, a não ser que você tenha uma capacidade infinita de absorção de conhecimento (ou seja um biólogo molecular), não recomendo que o faça. Se você já não souber do que se trata, é muita informação prum dia só.

Por isso (eu acho, estou especulando aqui) o livro é dividido em cinco capítulos. Uma criança (para quem eu espero que o livro seja direcionado) poderia facilmente ler e aprender quase tudo ali no decorrer de uma semana de leitura.

Falando em criança, esse é o tipo de publicação que eu gostaria de ter lido vinte anos atrás.

V√°rias p√°ginas ininterruptas de desenho, intercaladas com cinco ou seis de puro texto, aprofundando o assunto.
guia mang√° de biologia molecular

N√£o que biologia fosse meu fil√£o na inf√Ęncia, mas j√° se fosse um de f√≠sica

Se bem que esse seria exatamente o tipo de livro que me faria querer virar técnico de PCR. Nasci para ser peão engenheiro mesmo

Uma coisa me decepcionou, no entanto: a falta de cores.

A capa é uma beleza e um desmantelo de informação multicromática, mas as páginas são todas em pretibranco, o que deve dificultar o interesse imediato de alguns estudantes.

Juventude de hoje em dia √© acostumada com TVs digitais e suas mil milh√Ķes de cores. No meu tempo at√© as √°rvores eram em preto e branco!

Não, estou exagerando um pouco, o verde já tinha chegado na minha cidade naquela época.

Mas eu lembro de um livrinho com uma colet√Ęnea das tirinhas do rec√©m-lan√ßado Recruta Zero que demorei a ler porque era em tons de cinza.

Passando disso, o conte√ļdo √© realmente muito bom e as explica√ß√Ķes s√£o f√°ceis de entender, especialmente quando o leitor √© quem dita o passo.

Guia Mang√° de Biologia Molecular
Nas bancas, por R$39, ou direto pela p√°gina da Novatec Editora com 20% de desconto.

A presen√ßa constante de ideogramas me deixou curioso, porque n√£o tenho como saber se tudo aquilo est√° sendo traduzido ou n√£o, no entanto eu n√£o me importo muito em n√£o entender tudo da primeira vez, pois quem sabe um dia eu n√£o aprendo japon√™s, volto a ler a estorinha e descubro piadas novas depois de tantos anos? (Eu acho que entendi “peixes mortos no rio”, por√©m.)

Esse é um tipo bom de incitação à curiosidade.

Agora vamos ao desconto que eu sei que vocês adoram.

A editora, que foi gentil o suficiente para me mandar o volume resenhado aqui, abater√° 20% do pre√ßo de capa (que cair√° de quase quarenta para quase trinta reais) para quem comprar direto da p√°gina informando o c√≥digo “42” no carrinho de compras. E a promo√ß√£o √© v√°lida por todo o site at√© 30 de junho!

Aproveitem!

Alopatia é uma farsa!

Sim, voc√™s leram certo. O conceito alop√°tico de cura √© cria√ß√£o de mentes doentes e √© mantido por pessoas sem escr√ļpulos ou vergonha na cara!

Duzentos e alguns anos atrás, o físico Samuel Hahnemann raciocinou da seguinte forma:

Estamos em pleno século 18 (cento e trinta anos antes da descoberta da penicilina e quase cem antes da teoria dos germes que explica que ficamos doentes por causa de organismos microscópicos e não por causa de miasma ou mal cheiro) e a maioria das pessoas terminalmente doentes que recebem sangrias ou laxantes poderosos morre por algum motivo ainda desconhecido. O que posso fazer para ajudar?

J√° sei! Vou purificar a √°gua que essas pessoas est√£o bebendo!

E, para n√£o parecer t√£o prosaico, vou usar um argumento de antiguidade e basear minha t√©cnica no pensamento do famoso charlat√£o/alquimista/astr√≥logo de um s√©culo ainda mais atrasado que o meu, o famoso Paracelsius, que achava que veneno pode curar o envenenado, e vou usar √°gua destilada para diluir coc√ī de rato/catarro de tuberculoso at√© que n√£o sobre uma s√≥ mol√©cula do veneno/toxina no meu frasco limpo de √°gua tratada e pura (quinze anos antes de Avogadro demonstrar o princ√≠pio de dilui√ß√£o m√°xima)!

A√≠, aproveito o embalo e desenvolvo uma “t√©cnica” para “potencializar” o efeito ben√©fico do reagente inexistente enquanto magicamente elimina seus efeitos mal√©ficos, e que consiste em saculejar a √°gua (100% pura dentro de um vidro esterilizado) um n√ļmero arbitr√°rio de vezes (por√©m sempre divis√≠vel por 10, que √© um numero bonito e redondo, cheio de propriedades m√°gicas), e invento um nome bem marcante para ela, quase um cac√≥fato, mas nem tanto, que fa√ßa rir da primeira vez mas perca a gra√ßa rapidamente… humm.. vejamos… Ah! Sucu√ß√£o!

Beleza! Estou pegando fogo! Agora vou provar que caf√© causa c√°ries, olheiras, impot√™ncia e toda sorte de doen√ßas cr√īnicas humanas![1]

E a isso ele deu o nome de “homeopatia”, estuprando a l√≠ngua hel√™nica at√© que ela concordasse que isso seria grego para “igual √† doen√ßa”, pois como j√° vimos, o espert√£o acreditava que doen√ßa cura doen√ßa (e deu at√© nome ao rebento fruto dessa viol√™ncia: Lei de Similares, que apesar de se dizer “lei” s√≥ √© cumprida na Terra da Fantasia, no munic√≠pio de Ignorant√≥polis, capital do estado de Magicol√Ęndia).

Achando pouco tal atrocidade contra a vida, os bons costumes e um dos idiomas mais antigos da humanidade (no entanto sendo apenas fruto do seu tempo), cunhou tamb√©m o termo “alopatia”, que aparentemente deveria significar “contr√°rio √† doen√ßa”.
(Esse m√©todo lingu√≠stico aglutinativo √© equivalente √† ideia de que posso inventar o termo “mesamormelada” para descrever um caso hipot√©tico que envolva o objeto mesa, o sentimento amor e a sobremesa marmelada e esperar que concordem comigo que isso faz sentido fora da minha cabe√ßa.)

Agora algu√©m por favor me responda e me tire essa d√ļvida que me aflige j√° h√° algum tempo: sendo alopatia o inverso ideol√≥gico e idiom√°tico de homeopatia, qual seria o rem√©dio que representaria o contr√°rio de uma dor de cabe√ßa? Talvez uma p√≠lula feita de um c√©rebro saud√°vel e indolor?

E o oposto de tuberculose? Catarro comum?

Se eu tiver diarreia, devo me medicar com o quê exatamente?

Homeopaticamente eu sei. As respostas são, respectivamente: estresse diluído, silueta bacilar magicamente impressa nas moléculas de água e bosta nenhuma.

Mas e alopatia?

Farsa! Pura farsa!

Hahnemann, como eu sugeri, era um médico preocupado com a vida de seus pacientes e que criou, para a época, um método melhor do que fazer as pessoas vazarem por ambas extremidades do aparelho digestivo. Funcionava, quando funcionava, por fazer absolutamente nada!

Algumas doenças precisam exatamente disso; ficar quietas. O corpo se vira eventualmente.

Logicamente seus tratamentos n√£o funcionavam sempre, mas a√≠ entra o bom e velho vi√©s de confirma√ß√£o e o “dom da caneta” que s√≥ relata casos de sucesso.

Mas e os homeopatas atuais que continuam enganando o p√ļblico com essa canalhice intelectual pejorativa de “alopatia”? Qual√© a desculpa deles? Ignor√Ęncia ou desonestidade?

Homeopatia é exatamente o que diz ser: medicina alternativa.

Quando medicina alternativa comprova sua efic√°cia e mostra que funciona ela muda de nome. Vira “medicina“.

E sabem qual √© a alternativa para sa√ļde?

Exatamente.

Querem cuspir na cara dos médicos que se lascam todos os dias para tentar salvar algumas vidas que, sinceramente, não deveriam ser salvas?

Cuspam, mas n√£o enquanto eu estiver olhando.

[1] Seria essa a origem do Starbucks e seu café infinitamente diluído e ligeiramente morno?

O segundo episódio do Dispersando está no ar!

E agora com équio!

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o…

N√£o, brincadeira, n√£o tem eco. Mas agora tem uma p√°gina exclusiva!

scienceblogs.com.br/dispersando

L√° voc√™s escontrar√£o todas as informa√ß√Ķes que eu n√£o dei aqui sobre o primeiro epis√≥dio e tudo sobre o podcast do ScienceBlogs Brasil de hoje em diante, portanto dirijam seus leitores de feed para l√° que, brevemente, seus tocadores de mp3 conseguir√£o baixar automaticamente os epis√≥dios vindouros.

Eu só não sei quando, porque Internet é muito complicada. São muitos tubos. Mas em breve. Antes breve do que.. humm.. não-breve?.

Bom, antes do terceiro epis√≥dio sair, sem d√ļvida.
BAIXEM!

A Veja e os índios

A SBPC lan√ßou uma nota de rep√ļdio e at√© por aqui fizeram barulho por causa disso. T√£o parecendo uma ruma de √≠ndio!

E daí que um jornalista insinuou que todo índio é preguiçoso? São não, por acaso?

Só falta virem me dizer que nem todo japonês é igual e que nem todo cearense tem a cabeça chata.

Até que ponto somos fruto da nossa época?

Ano passado, o cineasta Roman Polanski foi preso por “namorar garotas menores de idade” na d√©cada de 70. A acusa√ß√£o foi feita em 1977 porque, aparentemente, ele n√£o sabia que era contra a lei fazer sexo com meninas de treze anos.
(Antes de continuar, uma das minhas famosas interrup√ß√Ķes que quebra completamente o fluxo da narrativa e faz a segunda parte do argumento parecer sem sentido at√© que se leia a primeira novamente pulando os par√™nteses: manter rela√ß√Ķes sexuais com menores √© crime, independente da vontade do parceiro. Um sujeito que for seduzido por uma garota de 14 anos vai pagar, e vai pagar caro, por ter consumado o fato, caso seja denunciado.)

Em 1976, o mundo nos dava Quando as Metralhadores Cospem (Bugsy Malone), estrelando Jodie Foster que, aos catorze anos de idade, interpretava uma dançarina de cabaret (que não é exatamente o mesmo que um cabaré como nós conhecemos, mas também não é nenhum salão de vendas de concessionária de automóveis).

Não só todas as dançarinas são igualmente jovens como todo o elenco do filme o é.

Em 1980, três anos depois da acusação, víamos os peitos de Brooke Shields, recém-familiarizada com a adolescência (aos quinze anos, mais precisamente).

N√£o vou incrustrar o v√≠deo aqui porque quem j√° ligou a TV durante a tarde mais de uma vez nos √ļltimos trinta anos j√° viu esse filme.

A mesma atriz, cinco anos antes, fez um ensaio “sensual” (at√© onde um corpo de uma crian√ßa de dez anos pode ser mais sensual que, digamos, tinta fresca ou um prato pingando no escorredor de lou√ßa) cujas fotos foram, n√£o s√≥ no mesmo ano como no mesmo m√™s e apenas quatro dias ap√≥s a pris√£o de Polanski, retiradas de uma exposi√ß√£o na Inglaterra porque “estava atraindo ped√≥filos” ou algo do tipo.

Atrair não pode, mas acobertar, proteger e remanejar tá liberado, né Ratzo?

Num mundo assim é realmente difícil ter certeza de que é errado fornicar com menores.

Notem que eu disse “ter certeza”. Obrigado.

Voc√™, que agora me l√™, tem certeza de que deve dar passagem a um carro de emerg√™ncia (ambul√Ęncia, pol√≠cia, bombeiros) mesmo correndo o risco de ser multado por uma c√Ęmera de sinal?
Certeza mesmo?

Eu sei que isso beira a analogia falsa e que desconhecer a lei n√£o √© desculpa para infring√≠-la sem puni√ß√Ķes, mas s√©rio, se de uma hora para outra voc√™ descobrir que o simples fato de ter assistido ao v√≠deo acima faz de voc√™ um(a) criminoso(a), voc√™ acharia justo?

gramatica capaMudan√ßa 100% de assunto mas me aproximando cada vez mais da minha meta, no come√ßo da semana eu desenterrei minha velha gram√°tica (que √© a minha preferida pois tem mais figuras que as outras) e, enquanto meu queixo caia ao ler que “explodir” n√£o pode ser conjugado na primeira pessoa do singular do presente do indicativo (i.e. eu explodo) e que o mesmo se aplicar a “feder” (regra essa abolida segundo meu dicion√°rio de conjuga√ß√Ķes 2010, gra√ßas ao qual agora eu fedo o quanto quiser), resolvi relembrar os erros gramaticais mais comuns do passado (a publica√ß√£o √© de 1994) e, na p√°gina 389, me deparo com o seguinte exemplo:
gramatica indio detalhe.jpg

N√≥s (e quando eu digo “n√≥s” quero na verdade dizer “eu”, j√° que tenho uma forte tend√™ncia a extrapolar a minha experi√™ncia para todas as pessoas existentes e que s√£o mais jovens que meus pais mas ainda nascidos antes do mundo se transformar num para√≠so ridiculamente est√©ril) fomos criados realmente pensando que √≠ndio √© bicho e que deve ser tratado como tal.

Mas, pior que isso, bicho selvagem, porque também fomos criados para tratar nossos cães e gatos como gente, então eles não contam. Bichos caseiros, de estimação, são melhores que índios.

Eu tomei um choque alucinante quando fui a Macap√° em sei-l√°-que-ano e vi √≠ndios andando na rua. Porque aquele dia foi a primeira vez que eu aprendi a associar “ind√≠o” com “pessoa” e n√£o com “aldeia”.

Antes daquilo, todo √≠ndio usava cocar, andava com cal√ß√£o da copa de 86 e morava em uma oca. Depois daquilo, “√≠ndio” virou ra√ßa, como preto, branco e pardo (que s√≥ √© ra√ßa no Brasil e uma vez por d√©cada, durante o censo).

Eu cresci sabendo que índio = bicho = selvagem < eu. E, sinceramente, num sistema de ensino deformado como o nosso é demais querer que um mero jornalista saiba que "selvagem" tem mais de um sentido.

Ironia? Talvez. Preconceito? Sem d√ļvida. Mas um preconceito institucionalizado, enraizado no √Ęmago mais profundo da pessoa do nosso ser individual, com direito a todos os pleonasmos repetitivos e desnecess√°rios que caibam aqui.

Antes da primeira pedra, impulsionada pela mentalidade de turba que há de se criar ao redor disso, voar e atingir algum inocente, vamos tentar atribuir culpa a alguém mais distante e mais efêmero, cuja honra, por já ser suficientemente etérea, não pode mais ser manchada.

O propósito deste ensaio não é inocentar a revista ou os redatores ou os jornalistas envolvidos na matéria, mas relembrar que devemos manter sempre a chama do ceticismo acesa, em todos os momentos.

Antes de matar, vamos ver se tem graça.

Antes de queimar a bruxa vamos ver se ela boia primeiro.

Depois, se forem realmente culpados, pau neles.

Eu seguro e vocês batem.

Você sabe conjugar o verbo "rir"?

Colet√Ęnea totalmente √≥tima e completamente cronol√≥gica para comemorar a d√©cima nona semana do ano

(Algu√©m mais pensa em “d√©cima nona” como a av√≥ da trisav√≥ da tatatarav√≥ da sua bisav√≥? Desde que sua m√£e tenha pelo menos um neto, obviamente.)

Sabe aquela sensação que dá quando você sabe que seu (sua) interlocutor(a) já está ciente de um certo dado mas mesmo sua certeza sendo absoluta seu instinto de jogador fica enchendo seu saco insistindo que você forneça a informação que você tem certeza que seu (sua) parceiro(a) de conversa já possui porque só ganha quem joga e não custa dizer porque no máximo você vai causar um momento de desconforto muito pequeno em comparação à recompensa que receberá caso seu (sua) ouvinte/leitor(a) não possua aquele particular pedaço de conhecimento em seu repertório apesar de você estar positivamente convicto que ele(a) já sabe e pra quê então causar constrangimento em todas as partes envolvidas quando ficar calado é mais fácil e gasta menos energia mas o que custa simplesmente chegar e dizer como quem não quer nada apesar de isso talvez parece que você está subestimando seu amigo(a)/leitor(a) apesar do detrimento que ele(a) poderia sofrer caso fique sem aquela notícia não é verdade?

Sabe qualé? Apois.

Voc√™s, pessoas que me leem e que s√£o queridas por mim o bastante a ponto de eu continuar escrevendo aqui com incerta frequ√™ncia somente para seus olhos que tanto me atraem, j√° devem saber que eu tenho mais ou menos uma d√ļzia de blogues dos quais s√≥ tr√™s realmente valem a pena ser lidos sendo um deles interessante somente para natalenses e demais moradores desta minha querida e perpetuamente morna cidade ensolarada, mas como venho escrevendo h√° mais de dois anos e meu melhor material √©, como n√£o poderia deixar de ser, o mais antigo e nada h√° de mais chato que ficar clicando em “previous” para ver v√°rias p√°ginas de conversas j√° lidas para s√≥ depois da nongent√©sima clicada aparecer alguma coisa in√©dita, resolvi compilar aqui os artigos do blogue pai deste que unilateral e unanimamente escolhi como possivelmente melhores (considerando os elogios de meu pai e minha m√£e na conta).

Confusos? Bem-vindos ao meu mundo nas √ļltimas semanas…

São dez textos no total. Cinco hoje e cinco semana que vem (talvez, se eu ainda estiver ocupado demais com a manutenção do meu ego para produzir algo novo), para quem quiser ler um por dia e fingir que eu estou escrevendo.

O primeiro, com quase dois anos já, é sobre meu encontro com o sobrenatural enquanto tentava, ao mesmo tempo, dormir e combater os efeitos da cafeína e de um dia estressante: Sono pesado;

Parte do meu trabalho é ser tapa-buraco. Quando é dentro do cartório eu não me importo muito, mas vez por outra exageram e me levam para fazer trabalhos para os quais não tenho a menor qualificação: Desperdício;

Em seguida, ainda em 2008 mas j√° em setembro, descrevi uma alucina√ß√£o t√°til que, como todo estado alterado de consci√™ncia que se preze, me parecia (e ainda parece) real como esses elfos azuis ao meu lado: Microalucina√ß√Ķes;

Em um texto da série Igor Em Busca do Conhecimento, dei rapidamente vazão à minha frustração ao não conseguir uma explicação satisfatória e mudei completamente o escopo da matéria passando a relatar algo ligeiramente, mas não completamente, relacioando ao tópico original: Do suor feminino;

Finalizando por hoje, um texto muito especial para mim, pois foi escrito no dia vinte de novembro de 2008, o dia em que, pela primeira vez, fui comparado a Douglas Adams pelo texto que havia escrito naquele dia e que agora incluo nesta lista: Carros voadores do futuro.

Antes que eu comece outra diatribe (que meu dicion√°rio diz ser sin√īnimo de “desintelig√™ncia”. Estranho…), vou parar por aqui esperando n√£o ter constrangido nem subestimado qualquer um de voc√™s, pessoas t√£o agrad√°veis que nunca conheci pessoalmente e que raramente comentam aqui mas sempre compartilham mesmo que distantemente e em sil√™ncio da minha paran√≥ica bipolaridade esquizofr√™nica.

T√° bom, parei.

Agradecimentos n√£o s√≥ especiais como semi-inesquec√≠veis, inestim√°veis e praticamente inef√°veis a Maria Guimar√£es e seus colegas de reda√ß√£o na revista Pesquisa Fapesp Dinorah, Ricardo, Marcos e, via telefone, a correspondente/revisora Marg√ī, que ficaram at√© tarde da noite me ajudando com a gram√°tica deste texto (que voc√™s podem notar est√° perfeita do meio pro fim, que foi onde come√ßou a confer√™ncia).

Eyjafjallajökull Tenso S01E06 (season finale)

O √ļltimo. Cansei.

Eu ia acabar ontem, mas vi um negócio interessante que não podia deixar de compartilhar aqui.

Viram como √© f√°cil achar padr√Ķes nas coisas? Daqui a pouco eu recebo um email dizendo que existem imagens do dem√īnio nessa fuma√ßa a√≠.

Ou outro pedaço de torrada divina.

Continue lendo…

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