Com quantas pintas se faz uma bochecha sardenta?

S√°bado eu fui a um evento que consistia em: perder todo o senso de civilidade e auto-estima dan√ßando do pior jeito poss√≠vel, comer o m√°ximo de derivados de milho que a Lei permita, tentar a todo custo manter a integridade f√≠sica de seus ap√™ndices articulados e de sua camada protetora externa apesar da constante amea√ßa de artefatos explosivos e o livre tr√°fego de fa√≠scas, fagulhas, chamas abertas e estilha√ßos, e voltar para casa absolutamente defumado devido √† exposi√ß√£o cont√≠nua √† res√≠duos de part√≠culas suspensas provenientes da queima de tecido org√Ęnico de vegetais lenhosos. Ou, como costumam chamar por aqui, um arrai√°.
Pois bem, enquanto tentava n√£o ter o meu cabelo inflamado por um tal de chuveirinho (artefato produzido primariamente para uso infantil que produz um efeito semelhante a o de um ma√ßarico de acetileno) nem meus t√≠mpanos irremediavelmente rompidos por r√°pidos deslocamentos de ar provenientes de rea√ß√Ķes altamente exot√©rmicas, notei algo interessante: quase todas as garotas estavam com as bochechas excessivamente avermelhadas e, dentro da √°rea afetada, alguns pontos pretos.
Bom, essa não é a parte mais interessante (nem tampouco o fato de todas elas terem suas cabeças emolduradas por tranças presas por fitas coloridas).
O que mais me chamou atenção naquelas sardas artificiais foi a observação (e posterior confirmação) de que todas elas eram idênticas.
Tendo notado que cada mulher chegou num momento distinto e tendo visto minha namorada pintando as suas, rapidamente peguei um atalho mental, eliminei vários passos de raciocínio e cheguei à conclusão de que todas fizeram exatamente o mesmo desenho de maneira independente das outras.
dado5.pngMas, fiquei com a pergunta: por que cinco pontos, com um no meio e quatro nos flancos, como num dado?
rosinha.jpgO modelo que mais me vem √† cabe√ßa quando penso em “festa junina” associada √† “fantasia feminina” √© Rosinha, e ela n√£o tem sardas.
De onde estaria vindo a idéia de criar tal padrão?
Como essa foi a primeira vez que notei a semelhança, não posso dizer que sempre foi assim, mas especulo que seja.
Vou continuar minhas investiga√ß√Ķes e, caso tenha alguma novidade que valha a pena ser contada, venho aqui e conto.
Enquanto isso, caso alguém já saiba a resposta, por favor me diga.
E o mist√©rio da cara-de-domin√≥ permanece…
domino.jpg

Produtos “naturais”

Eu sempre fui mordido com essa est√≥ria de produtos naturais e com a associa√ß√£o que se faz entre tais produtos e benef√≠cios pra sa√ļde.
1 РNem tudo que é rotulado de artificial faz mal;
2 РNem tudo que é rotulado de artificial realmente o é;
3 РNem tudo que é rotulado de natural faz bem.
Enquanto lia o mundo, como tento fazer todos os dias, lembrei de um blogue excelente que costumava ler e que (gra√ßas ao GReader e Twitter) havia sido empurrado da minha mem√≥ria, o Nunca Fui Gorda, cujo artigo mais recente fala um pouco dessa conversa de “produto natural” estampado em letras majestosas nos r√≥tulos de produtos de origem duvidosa.
A autora, jornalista Francine Lima, inicia o artigo Finalmente explicaram os “naturais” dizendo que nunca havia conseguido uma explica√ß√£o razo√°vel para a diferen√ßa entre denomina√ß√Ķes “natural” e “artificial” de corantes e aromatizantes aliment√≠cios.

Eu tinha essa d√ļvida h√° um temp√£o. E n√£o adiantava ligar pro SAC pra perguntar.

Pois é, a Francine é das minhas. Não só lê os rótulos como liga para os SACs da vida.
E, como eu, ela tamb√©m n√£o gosta muito da conversa de que “qu√≠mica” √© uma coisa ruim.

“(…) Estamos t√£o errados quando acreditamos que “qu√≠mico” √© um adjetivo que confere uma qualidade ruim a algo que um dia foi natural e bom.

Apois, pedi autorização para reproduzir uns pedaços do texto dela mas não vou ter todo o trabalho. Vão lá e leiam o resto, vale muito a pena!
Produtos “naturais” n√£o s√£o sin√īnimos de “ben√©ficos“.
Sabem o que mais é natural? Cianeto, veneno de escorpião e catarro.
Eu ouvi falar que um shake desses produtos naturais fazem um bem maior do mundo, curando rapidamente qualquer doença que o indivíduo tenha e melhorando o código genético da humanidade.
E um “p√£o sem qu√≠mica”?
Não existe. Sequer em imaginação, que necessita de processos bioquímicos para se manifestar.

Sangue de S√£o Jo√£o

Eu gosto muito desta √©poca do ano em que estamos agora (n√£o vou chamar de “melhor √©poca do ano” porque essa √© qualquer uma que inclua “f√©rias”, que n√£o posso tirar agora).
Adoro milho e seus milhares de subprodutos, gosto do cheiro de fogueira e de dançar quadrilha, mas reservo um lugar em meu coração para o mês de junho principalmente por causa das bombas (nada como o cheiro de pólvora logo cedo).
Quando eu era crian√ßa e n√£o era √©poca junina (o que dificultava a obten√ß√£o de explosivos por menores), eu fabricava minhas pr√≥prias bombas em casa (o que n√£o significa que eu n√£o mais o fa√ßa, mas agora eu tenho “responsabilidade civil” e nenhum diploma universit√°rio que me garanta uma TV na cela).
Talvez pela experiência adquirida (a conclusão perdeu a premissa de vista) eu nunca tenha me machucado com estilhaços ou me queimado com pólvora incandescente.
Porém muitas pessoas (descuidadas ou vítimas inocentes) se machucam. Gravemente, inclusive.
Não tenho dados estatísticos aqui comIgor, mas creio que boa parte da população pelo menos se queime superficialmente ou no mínimo perca um olho (você sabe que a festa foi boa pelos pedaços que lhe faltam no outro dia).
Mas outros se ferem de escorrer sangue. Muito sangue.
Seja por membros amputados (minoria), seja por brigas alimentadas por excesso de quent√£o, pessoas (com suas carnes fr√°geis) sangram facilmente.
Eu sei disso porque todo ano, no come√ßo de junho, meu banco de sangue favorito me liga para me lembrar de ir doar para o “estoque junino”.
Creio eu que eles mantenham estat√≠sticas confi√°veis do n√ļmero de pessoas que chegam aos hospitais da cidade precisando “encher o tanque”.
Neste caso, essa informa√ß√£o √© o suficiente para me levar at√© a agulha e dizer “sigam-me os bons”.

Sim, esse é o meu braço.
A agulha pode ser grossa o que for, mas a injeção não dói.
Obviamente você sente a bicha entrando, mas doer não dói.
A n√£o ser que voc√™ tenha medo de agulhas e inje√ß√Ķes. Nesse caso d√≥i. Mas n√£o d√≥i porque est√° doendo, d√≥i porque voc√™ est√° achando que vai doer quando na verdade n√£o d√≥i.
Relaxe, e aproveite o lanche depois.
Mais sobre sangue vocês encontram lá nos primórdios da minha vida blogueira.
Procure o hemocentro da sua regi√£o, reserve uma hora do seu dia e v√° l√°.
Você ainda ganha atestado para o passar o resto do dia em casa!
Doe sangue. Você tem muito dele.

Coisas que n√£o sei 2: cores de lasers

Por que todo apontador “laser” √© vermelho?
Aliás, eu geralmente só escuto falar em laser vermelho, raramente sobre um de outra cor.
Seria poss√≠vel criar um laser infravermelho para transmiss√£o de calor √† dist√Ęncia?
Eu pensei numa arma não-letal para o combate a crimes. Um feixe de luz infravermelha esquentando a mão de um bandido empunhando uma arma apontada para uma cabeça inocente, por exemplo (vocês viram aqui primeiro!).

Rapidinha: autocontrole

Ontem eu entrei numa livraria e, quando me dirigia ao computador para pesquisar o título do livro que pretendia comprar e que me havia sumido da memória, noto muitas crianças sentadas (ou tentando permanecer sentadas) e muitos pais aliviados, todos virados para a mesma direção.
N√£o dei muita import√Ęncia porque estava querendo muito lembrar o t√≠tulo de livro e tentando com muita for√ßa n√£o esquecer do sobrenome da autora (cujo nome eu at√© agora n√£o decorei), mas depois de ter adquirido eletronicamente a informa√ß√£o desejada (me for√ßando a n√£o acotovelar um adolescente que havia invadido violentamente o meu espa√ßo pessoal semelhantemente a como p√©s de lagartixa fazem com paredes), relaxei e deixei meu c√©rebro vagar em busca de algum est√≠mulo. Eis que ent√£o ou√ßo uma voz feminina dizendo: “Voc√™s sabiam que antigamente n√£o existiam noites? Pois √©, houve um tempo em que s√≥ havia dias!” (os erros de concord√Ęncia da frase original foram devidamente suprimidos para este artigo)
Ao reparar na cena completa, vejo que uma jovem senhora está falando em direção a receptivos rostos infantis.
N√£o sei se ela era uma autora de livros ou apenas algu√©m que gosta de discursar na frente de crian√ßas, pois n√£o colhi mais informa√ß√Ķes, saindo do √Ęmbito auditivo daquela narrativa o mais r√°pido que pude.
Motivo? √Č bastante dif√≠cil para mim n√£o confrontar algu√©m que espalha mentiras deslavadas do jeito que aquela mulher estava fazendo.
Tudo bem; livros infantis, f√°bulas, est√≥rias fant√°sticas, pequenos polegares, etc, mas a vontade de retrucar com um “como assim n√£o existiam noites?” √© maior que eu.
Precisei ir correndo ao caixa, assoviando “90 milh√Ķes em a√ß√£o” o mais alto que conseguia.

Coisas que n√£o sei: cheiro de roupa preta

Vou iniciar aqui um mecanismo de busca org√Ęnico. Eu fa√ßo a pergunta e espero as respostas aparecerem.
Como só tenho leitores Nível-Iluminista para cima (vou começar a agradar vocês, meus queridos), acho que terei respostas interessantes.
Por que roupas pretas têm um aroma diferente (geralmente desagradável) de outras cores?
O quê, na tintura preta, confere aquele odor estranho ao tecido (normalmente ativado por calor, quanto mais quente, mais fede)?
E, mais importante de tudo, como eliminar o cheiro?
Uma busca no Or√°culo por “cheiro de roupa preta” resulta em tr√™s entradas: um poema, um peda√ßo de uma resposta que n√£o me ajuda e este artigo.
Dia desses eu fiz um teste com uma camiseta particularmente podre que j√° sai da m√°quina de lavar fedendo.
Por ser impossível de usar em um ambiente comunitário devido ao budum que o pano exala (nem sozinho eu consigo usar porque me incomoda bastante), rasguei a bixiguenta em quatro pedaços.
Mergulhei um deles em vinagre puro, outro em caf√© frio, o terceiro em caf√© quente e o √ļltimo em √°gua com amaciante demais para uma s√≥ pe√ßa.
Deixei todos eles de molho por duas horas (eu passo tempo demais em casa…) e depois deixei-os secar ao vento, na sombra.
A primeira amostra ficou com cheiro forte de vinagre (nenhuma surpresa aí) mas voltou ao normal depois de uma lavagem rápida com água e sabão;
A segunda saiu com cheirando a café mas readquiriu seu peculiar odor ao secar;
A terceira parte j√° saiu com o “cheiro de roupa preta” ligeiramente misturado com caf√© (ajudando a confirmar que o cheiro √© ativado por calor), ficando igual ao segundo peda√ßo ap√≥s seca, e;
A quarta amostra saiu bem cheirosinha, resistindo durante a secagem. No entanto, depois de totalmente seca e sentindo os 30 graus que fez no dia, voltou ao estado original de fedor constante.
E agora? Alguém por aí tem a solução?
Respostas ser√£o bem-vindas aqui nos coment√°rios.
P.S. tenho varias perguntas j√° engatilhadas, portanto devo fazer uma por semana, mas n√£o confiem na minha pontualidade.

Sobre como é fácil criticar

Pe√ßo licen√ßa aqui √† minha colega de ScienceBlogs Luciana Christante para reproduzir seu coment√°rio em meu √ļltimo artigo

De fato, essa mat√©ria √© horr√≠vel, deprimente, desvairada, vergonhosa, indesculp√°vel, irrespons√°vel etc, mas nem ela nem v√°rios outros exemplos de p√©ssimo jornalismo justificam a afirma√ß√£o de que a m√≠dia (quero crer que voc√™ se referiu √† imprensa) √© formada por idiotas que n√£o entendem o m√≠nimo do que est√£o fazendo. Veja bem, Igor, se um cientista falsifica os dados de um paper, se um engenheiro constr√≥i um edif√≠cio que cai, se um m√©dico erra e coloca em risco a vida de seu paciente (e temos v√°rios exemplos disso, n√£o?), n√£o √© muito sensato sair por a√≠ dizendo que a ci√™ncia, a engenharia e a medicina s√£o formadas por um bando de cretinos. Se assim fosse, o que n√£o poder√≠amos dizer dos blogueiros, n√£o √© mesmo? Al√©m do fato de haver pouca sabedoria nas generaliza√ß√Ķes, voc√™ poderia considerar seus colegas do ScienceBlogs que fazem parte da imprensa (entre os quais me incluo obviamente)e que n√£o devem ser t√£o idiotas assim pelo simples fato de estarem compartilhando o mesmo espa√ßo que voc√™, poxa.
Outro ponto: √© complicado dizer que o JB √© um dos maiores jornais do Pa√≠s. Faz tempo que n√£o √©. Nos √ļltimos 7-8 anos, mais ou menos, houve uma incr√≠vel decad√™ncia e um lament√°vel sucateamento desse que j√° foi, sim, um grande jornal e hoje √© um tabl√≥ide de pouco prest√≠gio. Segundo dados de 2007 do IVC (Instituto Verificador de Circula√ß√£o), o JB era 12o maior jornal do Pa√≠s e sua circula√ß√£o era quase tr√™s vezes menor que a de O Globo, o principal concorrente carioca (infelizmente n√£o tenho dados mais recentes). Isso n√£o justifica aquela mat√©ria lastim√°vel, mas √© sintom√°tico. Aberra√ß√Ķes como essa s√£o altamente improv√°veis em ve√≠culos como a Folha, o Estado ou O Globo, para ficar nos exemplos de jornais di√°rios. H√° √≥timos jornalistas neste Pa√≠s, Igor, mas eles n√£o est√£o em toda parte, por quest√Ķes de mercado que s√£o comuns a qualquer atividade. Selecionar bons ve√≠culos para ler √© um √≥timo crit√©rio para encontr√°-los. Curiosamente, s√£o poucos os posts que comentam ou elogiam o trabalho que eles fazem. √Č muito mais f√°cil chutar o c√£o sarnento (e creio que tamb√©m gere mais pageviews).
Espero que você não me leve a mal, mas eu realmente fico muito incomodada com esse tipo de crítica virulenta em que não há o mínimo sinal de discernimento e que eu considero bastante injusta.
Sauda√ß√Ķes,
Luciana

Com meu proverbial rabinho entre as pernas, em primeiro lugar pe√ßo desculpas se minha raiva moment√Ęnea me fez ignorar a r√©gua que geralmente uso para medir minhas palavras e me fez escrever de um jeito que aparenta que me referia a toda a m√≠dia, incluindo todos os jornalistas, editores e afins.
Posso at√© ter pensado isso mesmo, meus acessos de f√ļria impedem minha vis√£o da raz√£o e cegam meu julgamento, mas eu sei que n√£o √© bem assim.
Como diz o velho meta-ad√°gio autorreferente: “toda generaliza√ß√£o √© burra”.
Reconhe√ßo que h√° realmente jornalistas excelentes que sabem o que est√£o fazendo e que conseguem mostrar seu trabalho, assim como existem os que s√£o barrados no editorial e os que simplesmente n√£o sabem do que est√£o falando (e v√°rias grada√ß√Ķes entre as categorias citadas).
N√£o posso simplesmente extrapolar de um exemplo s√≥ nem deixar que um vi√©s anti-TV me fa√ßa apontar os maus exemplos em detrimento dos bons, pois isso seria semelhante ao argumento “morreu um sujeito enforcado pelo cinto de seguran√ßa do carro ontem, nunca mais eu uso cinto”.
Complementando as palavras da Christante: quando ela diz que √© muito mais f√°cil chutar o c√£o sarnento (e creio que tamb√©m gere mais pageviews), est√° coberta de raz√£o. √Č bem mais f√°cil e infinitamente mais satisfat√≥rio.
E, sim, gera muito mais visitas!
Já escrevo na Internet há mais de um ano e já vou no meu terceiro blogue e NUNCA tive 19 comentários em um mesmo artigo (que até entrou no Uêba) e, tirando alguns raros eventos, nunca tive um aumento de tráfego de mais de 450%.
E daquelas 19 comentários, apenas três não me ajudaram a chutar o cachorro.
E isso diz muito da índole humana, na minha opinião.
“(…) Eu realmente fico muito incomodada com esse tipo de cr√≠tica virulenta em que n√£o h√° o m√≠nimo sinal de discernimento e que eu considero bastante injusta.”
E com raz√£o.
Não vou tentar me justificar mais, apenas peço desculpas.

Quem derrubou o avião da Air France foi a Mídia

Péssima semana, a minha.
Começou ruim, foi piorando e hoje quase que eu morro.
Exemplos não me faltam de como a mídia é formada por idiotas que não entendem o mínimo necessário daquilo que estão espalhando para as massas, mas hoje eu só vou conseguir falar de um, senão a veia da minha testa explode.
Algum imbecil, covarde[1] demais para assinar uma reportagem, publicou no JB Online (vers√£o para Internet de um dos maiores jornais do pa√≠s) uma mat√©ria rid√≠cula com uma ambientalista que afirma que um buraco negro (especialidade dos ambientalistas) engoliu o avi√£o da Air France que caiu no Atl√Ęntico de domingo para segunda-feira.
Mas ela tem raz√£o, tendo em mente que buracos negros n√£o s√≥ s√£o “portas que se abrem e se fecham para uma outra dimens√£o” como tamb√©m s√£o “respons√°veis pelo desaparecimento de milhares de pessoas e objetos na face da Terra”.
O parágrafo imediatamente acima deste é puro sarcasmo, antes que alguém se confunda e ache que buracos negros são aquilo. Não são.
S√£o, na verdade, pontos infinitesimais com densidade infinita.
Continuando, quem quer que tenha sido o tapado [1] que teve a idéia de publicar a matéria sequer se deu ao trabalho de escrevê-la.
A lista de “desaparecimentos not√≥rios” foi simplesmente copiada dum artigo do fim de abril deste ano de um blogue portugu√™s (como eu sempre prego que voc√™s n√£o devem acreditar no que eu digo, aqui est√° a prova – http://notempodosaraujos.blogspot.com/2009/04/triangulo-das-bermudas.html) .
O est√ļpido[1] nem leu que preste (se √© que ele sabe ler), sen√£o teria traduzido todas as ocorr√™ncias em que “nave” aparece escrito em bom portugu√™s ib√©rico, para o mais brasileiro “navio”.
N√£o h√° d√ļvida em meu cora√ß√£o de que o artigo foi ctrl+c, ctrl+v em menos de cinco minutos, com uma busca no google por “tri√Ęngulo das bermudas + lista” para somar a um email enviado para o autor pela tal ambientalista revolucion√°ria.
Sabe quanto tempo me tomaria para desmentir cada um dos 41 sumi√ßos “estranhos” citados no texto?
Eu estou cronometrando a feitura deste artigo e, a partir do momento em que abri o editor para escrevê-lo, achei de novo a página do JB Online e, sem muita dificuldade, achei a lista original do patrício português até o presente momento, passaram-se quinze minutos e trinta e oito segundos.
Façam as contas.
Meu ramo de blogagem é trabalhoso, viu?
Nunca pensei que manter um blogue fosse ser t√£o frustrante.
[1] Esses termos carinhosos s√£o, em parte, devido ao fato da presen√ßa da palavra “esxtado” logo na primeira linha, evidenciando que o idiota n√£o sabe nem usar um corretor autom√°tico.

A n√£o-previs√£o que ser√° esquecida ainda hoje

Uma usu√°ria do Twitter, a @lalai, embarcou ontem num v√īo direto da AirFrance para Paris, e como boa tuiteira, sua √ļltima mensagem antes da viagem foi mandanda poucos minutos antes de embarcar, mas enquanto se dirigia ao aeroporto, escreveu: “Indo pro aeroporto numa baita ressaca. Vou morrer no avi√£o hoje.
Ontem, como todo mundo que tem Internet e/ou TV j√° deve saber, um avi√£o caiu.
Felizmente para a Lalai, ela estava num avi√£o que saiu de S√£o Paulo (AF459), dez minutos depois do v√īo que caiu (AF447), que estava saindo do Rio, ambos para Paris, ambos da AirFrance.
Mas enquanto ela n√£o chegava l√° e dizia em qual avi√£o tinha embarcado, todos os seguidores dela (e os seguidores de seus seguidores) ficaram preocupados pela vida da garota.
√Äs nove e pouco, ela d√° not√≠cia: “to viva, mas chocada com o acidente, afinal mesma cia aerea e chegava 15 minutos antes do meu em paris“.
Pronto, acabou-se aflição e esqueceu-se a previsão de que ela ia morrer.
Porém, se ela tivesse morrido, teria visto e avisado de seu destino a todos.
Mas, como √© de praxe, vamos esquecer de resultados negativos e nos lembrar mais uma vez do v√≠deo gravado pelos Mamonas Assassinas cinco meses antes do seu √ļltimo v√īo, onde o cantor diz “sonhei essa noite que morria num avi√£o”.
Previs√£o? Acho que n√£o.
Lei dos Grandes N√ļmeros? Vamos come√ßar uma listinha das “previs√Ķes” que n√£o deram certo e comparar com uma das que deram. A√≠ voc√™s mesmos me dizem depois.

Omni Bostus Est

Desculpem a agressividade do título, mas eu passei a semana sem escrever porque passei a semana lendo muitas notícias.
Geralmente isso me faz querer escrever, mas estou na fase baixa da minha bipolaridade e passei a semana chorando (por dentro) por causa do esforço perdido que é tentar ensinar alguma coisa a alguém nesse mundo.
Vinte e tantos blogues excelentes de Ci√™ncia, explicando tudo no mundo de um jeito f√°cil, amig√°vel, interessante, engra√ßado, charmoso, carinhoso, etc, etc, a√≠ vem um jornal televisivo vespertino com uma audi√™ncia quinhentas mil vezes maior que a nossa e caga nas nossas cabe√ßas, dizendo que a gripe su√≠na vai dominar o mundo a menos que usemos agulhas de acupuntura molhadas em prepara√ß√Ķes homeop√°ticas (exagero, mas a mensagem √© parecida).
Isso e minha cidade foi escolhida como uma das sedes da Copa da FIFA de 2014.
J√° disse antes, digo de novo: me sinto cavando um buraco n’√°gua.
Estou de mau humor hoje, d√° p’ra notar?

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